Alberto Simplício
A temperatura na Terra vem aumentando a cada dia e tal fator ameaça a
vida no planeta. Mesmo que o homem adote medidas para equilibrar a
matriz energética global, com igual participação de fontes renováveis e
de combustíveis fósseis, a elevação da temperatura, no Brasil, será de
1,8 graus Celsius (ºC) a 3,4°C até o final deste século. Já com a
predominância dos combustíveis fósseis, como o petróleo, a elevação
climática chegará a 5,4°C.
As conclusões são do Painel Intergovernamental sobre Mudanças
Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), e da
Organização Meteorológica Mundial (OMM). O semiárido brasileiro é uma
das regiões mais vulneráveis ao aumento do calor. Ele pode se
transformar em um ambiente desértico e apresentar uma diminuição de até
70% no abastecimento de seus aquíferos.
Como a elevação da temperatura é algo que não pode ser revertido, é
preciso buscar alternativas para conviver com a nova realidade que se
aproxima. Em Campina Grande, por exemplo, a unidade da Empresa
Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa Algodão) já está
pesquisando de que forma algumas cultivares reagirão às mudanças do
clima.
Estão sendo testadas espécies de algodão, gergelim, mamona, amendoim e
pinhão manso. As plantas germinam e crescem em um fitotron, uma espécie
de estufa que simula condições atmosféricas que podem acontecer
futuramente na Terra. O ambiente chega a ficar com até 800 partes por
milhão (ppm) de gás carbônico (CO2) e com temperaturas que já chegaram
até 41°C. A condição média ambiental para o Nordeste atualmente é de
30°C e 400 ppm de CO2 atmosférico.
O líder da pesquisa, que envolve estudantes das três universidades
públicas da Paraíba, é o chefe-geral da Embrapa Algodão, Napoleão
Beltrão. “Temos constatado, por exemplo, que a 35°C a mamona tem seu
processo de fotossíntese comprometido. Já o algodão se mostra mais
resistente a ambientes extremos, mas não suporta temperaturas de 40°C”,
afirma.
Entre os fatores pesquisados está o genótipo das plantas que
conseguem suportar condições extremas. Como resultado prático, estão
sendo desenvolvidas linhagens mais resistentes ao calor. “A produção de
alimentos na Terra estará ameaçada se não tivermos cultivares
resistentes às altas temperaturas. Outras unidades da Embrapa também
estão desenvolvendo essa mesma pesquisa em cultivares como o arroz e a
soja”, cita Beltrão.
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