quinta-feira, 12 de julho de 2012

Livro descreve detalhes da desativação do lixão

Local foi fechado em 5 de agosto de 2003, data que João Pessoa completava 419 anos.





O lixão foi fechado no dia 5 de agosto de 2003 por decisão da Prefeitura de João Pessoa. Na mesma data, entrou em funcionamento o aterro sanitário, criado pelo governo municipal, na divisa da Paraíba com Pernambuco. As mudanças foram realizadas no mesmo dia em que a cidade completava 419 anos de existência, como lembra o jornalista Carlos César Ferreira, que era secretário de Comunicação da capital, na época.

Os detalhes dessa história também foram descritos nas páginas do livro “O lixão do Róger: o começo e o fim”, elaborado pela Secretaria de Comunicação de João Pessoa. Em síntese, a obra explica que a desativação do lixão foi acompanhada por trabalho de recuperação ambiental.

“A área de 17 hectares do lixão começou a ser recuperada depois de quase meio século de degradação ambiental. Era o começo do fim de uma chaga exposta bem às margens do rio que viu a cidade nascer, ali tão próximo de uma boa parte do seu belo acervo arquitetônico”, destaca Carlos César.

Segundo ele, o primeiro passo da recuperação foi, tecnicamente, um processo de “remediação ambiental” que contemplou a drenagem do chorume, a extração de gases e compactação do solo. Após esta etapa, ocorreu o transplante de 1.500 árvores adultas, mas que não vingaram.

“O trabalho teve início anos antes, quando a prefeitura começou a cuidar, primeiro, das pessoas, dos catadores, das mulheres, das crianças que viviam, literalmente, no lixo”, acrescenta o jornalista.

Já no final de 1997, as famílias que moravam dentro do lixão, em barracos de papelão e plástico, passaram o Natal em apartamentos no condomínio Esperança, construído exclusivamente para atendê-las. No ano seguinte, 1998, os filhos passaram a frequentar creche e escola.

“Numa segunda etapa, os antigos catadores foram alfabetizados, capacitados e transformados, desde então, em agentes ambientais responsáveis pela coleta seletiva nos bairros nas duas estações de triagem instaladas uma no antigo lixão e outra no aterro sanitário”, recorda o ex-secretário de Comunicação.

A prefeitura iniciou a coleta seletiva pelos bairros dos Estados, Cabo Branco, Tambaú, Manaíra, Bessa, 13 de Maio, Pedro Gondim e Mandacaru. “Surgiu, assim, a Associação dos Trabalhadores em Materiais Recicláveis, que o município apoiou para que o trabalho dos agentes passasse a ser feito com segurança, higiene e mais geração de renda”, acrescentou.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL
De acordo com o jornalista, que acompanhou tudo de perto, o governo iniciou um trabalho de educação ambiental nas escolas públicas e privadas. Os alunos acompanharam as fases de fechamento do lixão e também o funcionamento do aterro sanitário. Os colégios receberam cartilhas educativas e recipientes específicos para distribuição correta do material reciclável.



Um comentário:

  1. A propaganda foi muito bem feita, tanto que serviu como único feito usado pelo então prefeito Cícero Lucena na última campanha, pois foi a única coisa que ele fez.

    A prefeitura na época foi obrigada a fechar o lixão sob o risco de pagar multa. E ainda, no projeto original era transformar a área num parque (que nunca saiu do papel), mas até hoje (também por descuido dos seus sucessores) a área continua recebendo resíduos e mais de 30 famílias ainda moram no local, muitas delas ainda vivem do que catam.

    E o condomínio para o qual as famílias foram relocadas não é muito diferente dos demais conjuntos habitacionais construídos na época. Reprovados pelo Relatório de Direito à Moradia, por serem entregues inacabados, sem saneamento, dentre outros aparelhos de infraestrutura básica (varia de um para o outro).

    Talvez esses condomínio tenham sido a desembocadura das fraudes em licitações que levaram o ex-prefeito à prisão pela polícia federal em 2005.

    É por isso que eu acho que o lixão do Roger (que ainda não morreu) não é exemplo a ser seguido nos dias de hoje. Que os administradores atuais tenham uma preocupação maior com o meio ambiente e com a população pobre, que é a mais afetada pelo desequilíbrio ambiental.

    ResponderExcluir