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12/02/2018 às 18h00 • atualizado em 13/02/2018 às 09h42
Mesmo sem saber, Ivanildo Lima dá lição de sustentabilidade (Foto: Juliana Santos/MaisPB)
Nas
cidades é normal ver água sair dos aparelhos condicionadores de ar
instalados em prédios. Muitas vezes, gotículas caem sobre quem anda pela
ruas. Mas para um flanelinha aqueles pingos tem um valor muito
especial. De gota em gota, por dia ele transforma nove baldes de água em
dinheiro lavando veículos em um estacionamento no Centro de João
Pessoa.
Ivanildo Lima da Silva, 50 anos, estudou até a 8º ano do
ensino fundamental e apesar de não ter conhecimento sobre
sustentabilidade, a necessidade e vontade de trabalhar para si, fez com
que ele tornasse a atividade de lavador de carro uma função sustentável.
Ele decidiu utilizar a água que sai de aparelhos de ar condicionados
depois que foi proibido de pegar água em uma repartição pública. “Vi
quanta água estava saindo de um cano acoplando a vários aparelhos de uma
agência bancária, então coloquei o balde e vi que juntava muita água”,
comentou.
Quando o flanelinha notou, estava enchendo nove baldes
de 20 litros, no total de 180 litros diários. A água que seria
descartada serviu de ferramenta para que Ivanildo continuasse com sua
única fonte de renda. “Ás vezes fico aguando as plantas das repartições
públicas, porque é muita água que junta”, afirma.
De gota em gota o flanelinha enche nove baldes de água (Foto: Juliana Santos/MaisPB)
Com
a água em abundância ele conseguiu um cliente, em seguida outro e todos
satisfeitos com o serviço. Sua postura e forma com que trabalha
conquistaram os clientes. Apesar de não saber dirigir, Ivanildo tem
todas as noções de como orientar um motorista a estacionar em uma vaga.
“Toda semana eu assisto um programa sobre carros, vejo as matérias que
ensinam como estacionar”, conta.
A servidora pública Rafaela
Cristofoli deixa o carro todos os dias no estacionamento do lado do seu
trabalho e sempre pede para que o Ivanildo lave o veículo. Ao saber que o
lavador de carro utiliza água de ar condicionado, Rafaela revela que
ficou surpresa e muito feliz com a atitude. “Hoje temos que ter essa
preocupação de não desperdiçar e o uso consciente feito pelo flanelinha
me deixa tranquila, pois ele utiliza água reaproveitada”, disse.
Para
o gestor ambiental Fábio Carvalho, tudo que não é retirado da fonte,
como água de ar condicionado, é uma forma de poupar o meio ambiente e
evitar desperdícios. De acordo com Carvalho, dependendo do tamanho, um
prédio com sistema de reaproveitamento da água desses aparelhos pode
tornar-se auto sustentável. “A água reaproveitada pode ser utilizada
para limpeza e descargas dos banheiros do prédio, por exemplo”, comenta.
Segundo
o Fábio, para montar um sistema de reaproveitamento, é necessário fazer
um estudo aprofundado e desenvolver um projeto específico para cada
finalidade.
Racionamento foi encerrado há um mês e passa por impasse judicial.
Por Krystine Carneiro
G1 PB
Racionamento das águas do Açude de Boqueirão terminou no dia 25 de agosto (Foto: Reprodução/TV Paraíba)
Um mês após o fim do racionamento, o Tribunal Regional Federal da 5ª
Região (TRF5) suspendeu, nesta segunda-feira (25), a decisão da Justiça
Federal na Paraíba que determinou a retomada do racionamento das águas
do Açude Epitácio Pessoa, mais conhecido como Boqueirão, na Paraíba. A
decisão foi do presidente do TRF5, o desembargador Manuel Erhardt.
Para o desembargador federal, cabe às autarquias demandadas decidir
pela manutenção ou não do racionamento, e não ao judiciário. “A assunção
da competência pelo Judiciário para deliberar acerca de quando se
iniciará ou suspenderá o racionamento (e de qual a sua extensão)
importará em dificuldade para o próprio gerenciamento dos recursos
hídricos na região, haja vista que cumpriria sempre ao Judiciário
definir a política de seu fornecimento”, afirmou Erhardt.
O procurador Bruno Galvão Paiva, do Ministério Público Federal (MPF),
informou que ainda não tomou conhecimento da decisão, porém, disse que a
manutenção do fim do racionamento não é sensata. “Eu não tenho bola de
cristal, nem sou adivinho, mas acredito que a prática desses atos
temerários associada a uma certa imprevisibilidade da constância do
fluxo das águas pode terminar impactado negativamente na segurança
hídrica na região”, declarou o procurador que ajuizou a ação pedindo a
volta do racionamento.
O secretário de Recursos Hídricos, João Azevedo, afirmou que Boqueirão
tem condições técnicas para voltar a abastecer Campina Grande e as
outras 18 cidades da região sem prejuízo. “Sair dessa condição de
racionamento nos deixa bastante tranquilos e eu espero que daqui pra
frente não tenhamos nenhuma querela jurídica a ser discutida a não ser
distribuir água pra todo mundo”, declarou.
O reservatório, que abastece Campina Grande e mais 18 cidades do
interior da Paraíba, atingiu 8,59% da capacidade total nesta
segunda-feira (25), de acordo com o monitoramento da Agência Executiva
de Gestão das Águas do Estado (Aesa).
Desde o anúncio do fim do racionamento, dois magistrados de instâncias
diferentes já determinaram a retomada das medidas restritivas de uso de
água em Boqueirão. A última decisão, derrubada nesta segunda-feira (25), foi tomada pelo juiz federal Vinícius Costa Vidor no dia 19 de setembro e os órgãos citados têm até o dia 30 para confirmar a intimação eletrônica da Justiça Federal na Paraíba e, com isso, retomar o racionamento.
“Não haverá mais a necessidade de desligamento das bombas, considerando
que essa decisão de Campina Grande não tinha sido efetivada porque nós
estávamos aguardando esse recurso que nós havíamos interposto, para
saber se nós desligaríamos ou não. O fornecimento de água em Campina
Grande e em toda a região, as demais 18 cidades, continuará sem
interrupção”, disse o procurador-geral do Estado da Paraíba, Gilberto
Carneiro.
Mesmo com a decisão favorável da Justiça Federal ao pedido do
Ministério Público Federal (MPF), o órgão solicitou que a JF determine o
cumprimento imediato - em até 24 horas - da decisão da última
terça-feira. No pedido, o órgão pede que a Aesa, Companhia de Água e
Esgotos da Paraíba (Cagepa), Agência Nacional de Águas (Ana) e Estado da
Paraíba tenham que pagar R$ 100 mil de multa cominatória por dia de
descumprimento. O pedido ainda não foi apreciado pela Justiça Federal na
Paraíba.
Com as águas recebidas por meio do projeto de Integração do Rio São
Francisco, o volume de Boqueirão subiu de 8,32% em 25 de agosto para
8,59% em 25 de setembro, mesmo com o fim do racionamento e sem o
registro de chuvas no período.
Volume do Açude Epitácio Pessoa
Reservatório, no município de Boqueirão, tem capacitade para 411.686.287 m³ de água
Para o gerente regional da Cagepa Borborema, Ronaldo Menezes, o sistema
reagiu ao fim do racionamento conforme o esperado. “No início, surgiram
problemas, como rompimentos em redes, mas era o esperado para a busca
do equilíbrio das pressões. Antes, era metade da cidade atendida. Agora,
é toda a cidade de uma vez. Por isso foi preciso um período de
adaptação”, explicou Menezes.
Segundo ele, muitas localidades que estavam ser receber água com
frequência, agora têm abastecimento constante. “O distrito de Galante, a
zona rural de São José da Mata. Em muitos sítios, não chegava água
devido ao racionamento. Na região de Catolé de José Ferreira, fazia
bastante tempo que não chegava água”, comentou.
Argumentos pela volta do racionamento
O procurador Bruno Galvão foi quem ajuizou a ação civil pública, em 1º
de setembro, pedindo a retomada do racionamento das águas de Boqueirão.
Ele considera a decisão do Governo do Estado de liberar o uso das águas
“drástica” e "não cautelosa”.
O pedido é baseado em vários fatores. O primeiro é o fato de que as
obras de transposição das águas do Rio São Francisco ainda estão em fase
de pré-operação e não haveria garantia de estabilidade, segundo o
Ministério da Integração Nacional.
“Acontece que a Aesa e a Cagepa tomaram essa decisão de pôr fim ao
racionamento quanto de liberar para a agricultura de subsistência
levando em conta apenas que chegaria água da transposição de forma
contínua. Mas não há essa garantia, essa certeza, de que haverá
continuidade”, disse o procurador.
Bruno Galvão ainda afirma que, em dezembro de 2014, quando foi
instituído o racionamento, o açude estava com mais de 20% de sua
capacidade total, uma condição mais “favorável”. Diante disso, o
procurador considera a decisão de suspender o racionamento
contraditória.
Além disso, ele afirma que o Ministério da Integração Nacional informou
que a segurança hídrica do açude só seria conquistada quando ele
atingisse a faixa de 97.000.000 m³. Porém, hoje tem pouco mais de
30.000.000 m³.
Água do Açude de Boqueirão é retirada por sistema de captação flutuante (Foto: Reprodução/TV Paraíba)
Impasse judicial
Na decisão do juiz federal Vinícius Costa Vidor,
o magistrado determina a retomada das medidas restritivas de uso de
água adotadas até julho de 2017. Além disso, suspende a autorização para
uso agrícola das águas do Açude de Boqueirão, determinando a sua
destinação apenas para o consumo humano e dessedentação de animais.
Logo após o anúncio de que o racionamento iria acabar em 25 de agosto,
a juíza de direito Ana Carmem Pereira de Jordão deu provimento a ao
pedido da ação civil pública ingressada pela Defensoria Pública de
Campina Grande, determinando a manutenção das medidas restritivas até que o Açude de Boqueirão alcançasse os níveis confiáveis de volume hídrico. A decisão foi publicada no dia 21 de agosto.
No entanto, a decisão da juíza foi derrubada pelo desembargador Abraham Lincoln da Cunha Ramos, permitindo o fim do racionamento na data prevista pelo governador Ricardo Coutinho, 25 de agosto.
Fim do racionamento
O abastecimento sem restrições foi restabelecido no dia 25 de agosto,
após uma decisão do desembargador Abraham Lincoln da Cunha Ramos, que
liberou a suspensão do racionamento.
O primeiro racionamento foi implantado no dia de 6 de dezembro de 2014,
devido à estiagem prolongada que causou uma situação crítica no Açude
de Boqueirão, chegando a apresentar menos de 2,8% da sua capacidade
máxima. Só depois da chegada das águas do Rio São Francisco, por meio da
transposição - que aconteceu em abril deste ano -, o reservatório
voltou a receber recargas significativas de água.
Açude de Boqueirão ainda não saiu do volume morto, mas Cagepa já tem autorização de vazão.
Por G1 PB
Resolução da ANA autorizou Cagepa a retirar a vazão suficiente para que
órgão encerre racionamento de água na região (Foto: Artur
Lira/G1/Arquivo)
O Diário Oficial da União divulgou na terça-feira (18) uma resolução da
Agência Nacional da Águas (ANA) autorizando que uso da água da
transposição do Rio São Francisco para irrigação na Paraíba. Também foi
liberada uma vazão suficiente para que a Companhia de Águas e Esgotos da
Paraíba (Cagepa) finalize o racionamento de água em Campina Grande e
outras 18 cidades. A nova resolução já está em vigor e é válida até 26
de março de 2018.
A resolução é aplicada em toda a área do sistema hídrico do Rio
Paraíba, em Monteiro, até o açude Epitácio Pessoa, conhecido como
Boqueirão. Para a irrigação, a resolução vai beneficiar mil agricultores
para a prática de irrigação para agricultura familiar, na qual cada
família de agricultores vai pode plantar e irrigar até meio hectare.
O modelo de irrigação liberado vai ser limitado às técnicas de
gotejamento e microaspersão. O descumprimento das regras pode resultar
em infração, onde os agricultores serão punidos como embargo, lacre de
bombas, apreensão de equipamentos e multas em dinheiro. Os órgãos também
vão ficar responsáveis por controlar o uso da água na irrigação.
A medida vai valer até o dia 26 de março de 2018, quando termina a fase
chamada de pré-operação do Rio São Francisco, ou seja, enquanto não é
cobrada taxa pelo uso das águas transpostas. Depois disso, a irrigação
vai depender de uma nova resolução.
Mesmo com autorização, Cagepa informou que só vai encerrar racionamento
quando açude sair do volume morto (8,2%) (Foto: Artur Lira /G1)
Racionamento
Através da resolução, a Ana também autoriza que a Cagepa possa retirar
uma média mensal de até 1.300 litros de água por segundo do açude de
Boqueirão. Essa vazão é suficiente para que seja encerrado o
racionamento de água em Campina Grande e outras 18 cidades do Agreste
paraibano.
Apesar de já ter a permissão da ANA, a Cagepa informo que só vai
encerrar o racionamento quando o açude de Boqueirão sair do volume
morto, ou seja, quando ele chegar ao nível de pelo menos 8,2% da
capacidade total. Nesta quarta-feira (19) o manancial está com 7,3%.
Reunião
As novas normas da resolução publicadas foram discutidas e decididas
durante uma reunião realizada em 7 de julho deste ano, na cidade de
Boqueirão, no Cariri paraibano, entre a ANA, Cagepa, Agência Executiva
de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) e Ministério Público da Paraíba
(MPPB), além de agricultores da região.
Rio está assoreado e açudes não estão aptos a receber águas, diz MPF.
MPF destaca 'compromissos assumidos e não cumpridos na integralidade'.
Do G1 PB
Águas do Rio São Francisco chegam ao leito do Rio Paraíba, em Monteiro (Foto: Artur Lira\G1)
Falta de adequação das barragens Poções, Camalaú e Boqueirão, incerteza
técnico-científica da qualidade da água, irregularidades na vazão da
água e falta de revitalização e assoreamento do Rio Paraíba são
inadequações identificadas pelo Ministério Público Federal (MPF) da
Paraíba, nas obras da transposição das águas do Rio São Francisco. A
lista, divulgada nesta sexta-feira (31), faz alerta à população e
destaca "compromissos assumidos e não cumpridos na integralidade".
De acordo com o MPF, o açude de Poções, na cidade de Monteiro, no Cariri paraibano, e o Rio Paraíba não estão preparados para receber as águas da transposição do Rio São Francisco,
segundo a procuradora-geral do Ministério Público Federal (MPF) em
Monteiro, Janaína Andrade de Sousa. Segundo ela, uma vistoria técnica
feita por peritos do órgão confirmou que as obras feitas não foram
suficientes para garantir sustentabilidade ao processo de passagem da
água.
O MPF também pede à população “que evite banhos nos canais da
transposição e no leito do rio Paraíba; não utilize água sem outorga dos
órgãos competentes; não pratique atividades de extração mineral sem as
devidas autorizações; e, em caso de rompimento de barragens ou canais,
cumpra as orientações dos órgãos de defesa civil”.
Já sobre o Rio Paraíba, a procuradora-geral do MPF disse que “a limpeza
do Rio Paraíba, ficou evidenciada para o Ministério Público Federal que
ela foi feita, tão somente, uma retirada do lixo aparente com
escavadeira e isso não seria uma obra, em matéria ambiental, a ser
realizada de acordo com as resoluções do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (Conama)”.
Segundo o coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca
(Dnocs) na Paraíba, Alberto Batista, o açude Poções e o açude da cidade
de Camalaú estão passando por obras para a abertura de canais nos locais
onde ficavam as barragens de contenção da água. A intenção é fazer com
que não seja necessário aguardar o açude receber água até ultrapassar a
capacidade total para que ela consiga seguir o caminho até o açude
Epitácio Pessoa, conhecido como açude de Boqueirão, na mesma região.
Sobre as obras complementares à transposição, o MPF aponta: a obra da
transposição na Paraíba não está concluída, estando em fase de
pré-operação e testes; as obras de adequação necessárias nas barragens
Poções, Camalaú e Boqueirão não foram concluídas, bem como não foram
elaborados os planos de ação de emergência e/ou de contingência para
acidentes; ainda não há certeza técnico-científica acerca da qualidade
da água, sem o devido tratamento, nos mananciais para consumo humano.
Sobre o Rio Paraíba, o MPF lista os seguintes problemas: não existe
clareza de informação acerca da vazão da água que passa pelos canais e
Rio Paraíba; a irregularidade da vazão da água que percorre o Rio
Paraíba aponta para a precariedade na gestão do sistema; a passagem da
água por Monteiro e Camalaú, em vazão ainda desconhecida, e a suposta
chegada da água em Boqueirão, não significarão a interrupção ou
suspensão no racionamento d’água em curto prazo; a falta de
revitalização do rio prejudica a condução da água até Boqueirão; o
assoreamento do Rio Paraíba e fatores como evaporação, infiltração e
captação irregular contribuem para dificultar a chegada da água no açude
de Boqueirão.
Órgãos temiam que água da transposição fosse contaminada em Monteiro.
Obras de preparação para recebe águas terminam na próxima semana.
Do G1 PB
Esgoto identificado em canal da transposição do Rio São Francisco, em Monteiro (Foto: Divulgação/MPF)
Uma
comissão formada por órgãos de controle e fiscalização do uso de água e
destinação de esgoto da Paraíba realizou uma visita técnica nas áreas
que vão receber as águas da transposição do Rio São Francisco.
Uma das maiores preocupações dos órgãos era de que a água da
transposição fosse contaminada pelo esgoto da cidade de Monteiro depois
de chegar a Paraíba. O problema foi flagrado em inspeções anteriores.
Durante a visita, a comissão avaliou que não haverá risco de
contaminação da água da transposição. “Essa água escorrendo é de esgoto
tratado. Ela não representa um risco, mesmo porque vão entrar 9 mil
litros de água por segundo [da transposição] e aqui não tem nem 200
litros por segundo [de esgoto tratado]”, disse o supervisor da
Secretaria de Infraestrutura da Paraíba, Berange Arnaldo de Araújo.
Para evitar que o esgoto de algumas casas caiam no canal da transposição e na margem do Rio Paraíba, a Prefeitura de Monteiro
está concluindo a construção de fossas em 70 casas próximas ao canal e
rio. A previsão é de que tudo esteja pronto até a próxima semana. Depois
de Monteiro, a água vai seguir por rios e reservatórios até a região da
Mata paraibana, como o Rio Paraíba e os açudes de Poções, Camalaú,
Boqueirão, Acauã, Araçagi e ainda deve seguir para um perímetro irrigado
em Sapé.
As chuvas registradas na cidade de Monteiro nos últimos dias estão
fazendo com que o leito do rio fique encharcado. Isso deve acelerar a
chegada da água da transposição no açude de Boqueirão.
“Com certeza isso vai acelerar. A natureza sempre fez chover em
Monteiro e a água chegou a Boqueirão. Só que havia alguns obstáculos,
inclusive o acumulo de areia em algumas partes dessa bacia deste leito
do rio. Estamos procurando desobstruir todos os tipos de obstáculos no
rio, para facilitar o processo”, disse João Fernandes, presidente da
Aesa.
Além da ajuda da natureza, estão sendo realizadas obras para abrir
canais nas barragens dos açudes de Poções e Camalaú. Com isso, não será
necessário aguardar que os açudes sangrem para que a água consiga seguir
pelo rio, até Boqueirão. A previsão é de que estas obras também sejam
concluídas até a próxima semana.
Apesar da esperança de uma melhora no nível de água do açude de
Boqueirão. A Cagepa ainda não definiu quando o racionamento de água em
Campina Grande e outras 18 cidades abastecidas por Boqueirão deve
acabar. Depois que chegar em Monteiro, a água deve levar até 45 dias
para chegar em Boqueirão, mas com as boas condições naturais e obras esse prazo pode diminuir para menos de 30 dias.
“O grande objetivo é saber a quantidade de água que vai chegar nos
mananciais, principalmente em no açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), para
que a partir daí gente possa planejar toda a distribuição da água em
Campina Grande e todas as cidades abastecidas”, contou o gerente
regional da Cagepa, Ronaldo Menezes.
A fiscalização foi feita por representantes da Agência Executiva de
Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), Superintendência do Meio Ambiente
(Sudema), Departamento de Estrada e Rodagens (DER), Secretaria de
Recursos Hídricos e a Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa).
Seminário sobre gestão das águas vai acontecer no auditório da Fiep.
Grupo norte-americano vai expor projeto hídrico que deu certo no país.
Do G1 PB
Seminário sobre Gestão de Águas ocorre nos dias 15 e 15 de fevereiro, no auditório da Fiep (Foto: Ligia Coeli/Arquivo)
Representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e um
dirigente de projetos dos Estados Unidos participam de um seminário
sobre gestão de recursos hídricos para prefeitos e secretários
municipais de 160 cidades paraibanas. O evento começa nesta quarta-feira
(15) no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Paraíb a
(Fiep), em Campina Grande, e segue até a quinta-feira (16). Durante o
seminário vão ser apresentados modelos internacionais de gestão de águas
que podem ser desenvolvidos na região.
Dois temas principais serão abordados no encontro e serão divididos em
dois painéis. No primeiro dia será discutido a gestão das águas como
fator de desenvolvimento sustentável, soluções e práticas. Já no segundo
dia, serão debatidas novas perspectivas de desenvolvimento sustentável
da Paraíba com a chegada da Transposição do Rio São Francisco.
Um grupo de estudiosos norte-americanos vão apresentar as instituições
brasileiras o projeto Colorado-Big Thompson, uma das obras mais
conhecidas de integração de bacias hidrográficas feita nos Estados
Unidos. Atualmente as águas do projeto são usadas para agricultura,
indústria e uso doméstico do país.
Também participam do encontro representantes do Fiep, Sebrae, Faepa,
instituições bancárias, universidades, que apresentarão casos de sucesso
de manejo eficiente das águas em áreas com histórico de estiagem.
Prefeitura de Monteiro e a Funasa foram acionadas para tomar providências. Segundo prefeitura, esgoto é clandestino e moradores serão notificados. Do G1 PB
Canal da transposição do Rio São Francisco, em Monteiro, está tomado por esgoto (Foto: Artur Lira/G1)
A prefeitura municipal de Monteiro,
no Cariri paraibano, e a superintendência estadual da Fundação Nacional
da Saúde (Funasa) foram notificadas pelo Ministério Público Federal na
Paraíba (MPF-PB) para explicarem o motivo do esgoto da cidade está
escoando para dentro do canal que vai receber a Tranposição das águas do
Rio São Francisco. O documento foi encaminhado nesta quarta-feira (8).
O G1 esteve na Cidade de Monteiro, na sexta-feira (3),
e flagrou o esgoto no canal, que ainda não recebeu água do Rio São
Francisco. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura de
Monteiro, o esgoto é clandestino. A Funasa não atendeu as ligações do
G1. O MPF em Monteiro quer informações acerca das providências adotadas
para conclusão do saneamento na cidade, tida como uma das obras
complementares ao Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf).
Os gestores têm 10 dias para dar resposta ao Ministério Público
Federal. O descumprimento da requisição poderá configurar, em tese, o
crime de desobediência previsto no artigo 10 da Lei n. 7.347/85, cuja
pena varia de um a três anos de reclusão, além de multa.
Esgoto clandestino Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura de Monteiro, uma
inspeção já foi feita junto ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) e
constatou que o esgoto que está entrando no canal é clandestino, de
pessoas que não ligaram as tubulações de suas residências ao sistema da
Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa), despejando direto no
canal.
A prefeitura disse que já identificou cerca de 100 moradias com esta
irregularidade e que o MPPB acionou os moradores para tomarem
providências. Caso o contrário, os moradores serão acionados
judicialmente.
Águas devem chegar em março Falta menos de um mês para a chegada prevista da água da transposição
do Rio São Francisco em Monteiro, o último segmento de canal da obra do
Eixo Leste. Segundo o Ministério da Integração Nacional, de lá as águas
seguem pelo Rio Paraíba, para as barragens de Poções, Camalaú e
Boqueirão - este último tem previsão de receber o volume de água em
abril.
MPF
quer providências para esgoto identificado em canal da transposição do
Rio São Francisco, em Monteiro, na Paraíba (Foto: Divulgação/MPF)
Evento vai acontecer no auditório da Fiep, nos dias 15 e 16 de fevereiro.
Grupo norte-americano vai expor projeto hídrico que deu certo no país.
Do G1 PB
Seminário sobre Gestão de Águas ocorre nos dias 15 e 15 de fevereiro, no auditório da Fiep (Foto: Ligia Coeli/Arquivo)
Representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e um
dirigente de projetos dos Estados Unidos participam de um seminário
sobre gestão de recursos hídricos para prefeitos e secretários
municipais de 160 cidades paraibanas. O evento acontece nos dias 15 e 16
no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Paraíb a (Fiep),
em Campina Grande. Durante o seminário vão ser apresentados modelos
internacionais de gestão de águas que podem ser desenvolvidos na região.
Dois temas principais serão abordados no encontro e serão divididos em
dois painéis. No primeiro dia será discutido a gestão das águas como
fator de desenvolvimento sustentável, soluções e práticas. Já no segundo
dia, serão debatidas novas perspectivas de desenvolvimento sustentável
da Paraíba com a chegada da Transposição do Rio São Francisco.
Um grupo de estudiosos norte-americanos vão apresentar as instituições
brasileiras o projeto Colorado-Big Thompson, uma das obras mais
conhecidas de integração de bacias hidrográficas feita nos Estados
Unidos. Atualmente as águas do projeto são usadas para agricultura,
indústria e uso doméstico do país.
Também participam do encontro representantes do Fiep, Sebrae, Faepa,
instituições bancárias, universidades, que apresentarão casos de sucesso
de manejo eficiente das águas em áreas com histórico de estiagem.
Um fazendeiro foi preso na terça-feira (7) na cidade de Soledade,
no Agreste da Paraíba, suspeito de furtar água. A prisão aconteceu
depois que a polícia civil flagrou um sistema que seria usado para
furtar água da adutora que abastece treze localidades na região.
O
desvio estava levando a água para dentro da fazendo dele, no Sítio
Santa Luzia. Segundo o delegado de Soledade, Lamartine Lacerda, o
fazendeiro confessou o desvio e foi preso em flagrante. Ele foi levado
para a Central de Polícia de Campina Grande, onde até as 12h (horário
local) desta quarta-feira (8) aguardava para passar pela audiência de
custódia.
Flagrante aconteceu em tubulação de esgoto em Campina Grande. Cagepa viu água indo para barreiro e suspeita de irrigação com esgoto.
Canos que desviavam esgoto para barreiro foram apreendidos (Foto: Ronaldo Menezes/Cagepa)
Uma fiscalização do Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) flagrou o furto esgoto para uma propriedade privada em Campina Grande,
no Agreste paraibano. A água poluída estaria sendo encaminhada um
pequeno reservatório e há suspeita de que ela esteja sendo usada para
irrigar capim e vegetais. A Cagepa acionou a Polícia Militar, mas não
foi autorizada a entrar na propriedade para confirmar onde a água era
usada. Os canos que desviavam o esgoto foram apreendidos.
Segundo o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Menezes, o flagrante
ocorreu nesta segunda-feira (26). Segundo ele, há alguns meses a
companhia percebeu uma redução na chegada de esgoto na estação de
tratamento de Campina Grande, que fica no Sítio Caiçara.
“Todo o esgoto de Campina Grande vai para a antiga estação de
tratamento que fica no Bairro Catingueira. De lá ele é bombeado para a
nova estação no sítio Caiçara, que fica a cerca de 8 km. Nesta
segunda-feira, nós começamos uma fiscalização e percebemos que havia o
desvio do esgoto para dentro de uma propriedade, neste trecho entre as
duas estações. Foi possível ver os canos levando a água poluída para um
barreiro”, explicou o gerente.
Os canos foram encontrados nas saídas de ar da tubulação e, segundo o
gerente, ainda foi possível ver que existem animais sendo criados na
propriedade. A vegetação verde levantou a suspeita do uso do esgoto para
irrigação, o que vai ser apurado.
Esgoto era desviado da saídas de ar da tubulação
da Cagepa (Foto: Ronaldo Menezes/Cagepa)
“Como se trata de uma propriedade privada, a gente não pôde entrar,
pois é necessário autorização judicial. Mas, percebemos que havia gado
no local e capim. Então foi levantada uma suspeita de que a água pode
estar sendo usada para irrigar”, frisou Ronaldo Menezes.
De acordo com a Cagepa, o que mais preocupa a companhia é o uso da água
poluída. “A Cagepa destina todo o esgoto para a Estação de Caiçara, que
passa por um tratamento e depois é destinada ao meio ambiente sem
causar nenhum dano à natureza. Entretanto, a água que está sendo
desviada é de esgoto bruto”, disse o gerente.
A Cagepa acionou a Polícia Militar para acompanhar a fiscalização no
perímetro da tubulação de esgoto e também procurou a Polícia Civil para
registrar um boletim de ocorrência. Ainda segundo Ronaldo Menezes, a
Cagepa vai enviar um relatório da fiscalização para o Ministério Público
da Paraíba (MPPB).
Casa foi projetada para evitar desperdícios e consumo consciente da água.
Sistema reaproveita água de esgoto e da chuva.
Do G1 PB
Telhado vivo faz parte do sistema sustentável da casa da engenheira (Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Preocupada com o consumo desenfreado de água potável disponível no
planeta, a engenheira civil Claudiana Maria sentiu a necessidade de
contribuir para a solução desse problema. A solução, segundo ela, foi
projetar e instalar na sua residência, em João Pessoa, um sistema
sustentável de reaproveitamento de água. A engenheira é doutora em
sustentabilidade e garante: "Fiz isto por consciência ambiental, por
amor à natureza"
A casa de Claudiana é abastecida por água de poço artesiano e utiliza
dispositivos próprios de consumo consciente da água, além de um 'telhado
vivo', com terra e plantas para receber a água da chuva. Ela faz também
reaproveitamento da água do esgoto.
Segundo a proprietária da casa, que além de engenheira civil também é
professora de instalações hidro sanitárias do Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), o sistema sustentável
da sua casa começou a ser instalada no ano de 2011, período em que
estudava sobre o tema.
“Durante o doutorado, decidi contribuir para a sustentabilidade do
planeta, pois se a água é vida e esta está comprometida pela sua
quantidade reduzida decorrente do consumo desenfreado e pela ausência de
conhecimento, não podia ficar inerte a tudo isso”, comentou ela.
A dona da casa sustentável conta que, por abastecer sua casa com água
de poço artesiano para uso doméstico, não paga conta de água para a
concessionária de João Pessoa.
Entretanto, disse estar ainda mais cuidadosa com o consumo pois
considera grande a responsabilidade com o uso dessa água proveniente de
uma bacia hidrográfica, por ser de todos.
Área molhada projetada para evitar desperdícios (Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Casa sustentável
A casa foi projetada preventivamente para redução do consumo de água,
manutenção das instalações e custos da obra, segundo a própria dona.
"Por exemplo, a área molhada: banheiro possui os seus dispositivos
higiênicos e aparelhos sanitários (vaso sanitário, chuveiro e
lavatórios) dispostos de tal forma que o seu funcionamento é
independente. Esse sistema possibilita que três pessoas possam
utilizá-los ao mesmo tempo”, relatou.
De acordo com Claudiana, com esse sistema a área molhada pode ter
também múltiplas funções: lavabo, banheiro social, suíte e de serviço a
partir do seu acesso específico. “Dessa forma, não há necessidade de
tantos aparelhos sanitários que não sendo utilizados podem gerar
vazamentos e manutenções constantes”, conta.
Ela disse que em sua casa também é possível encontrar dispositivos de
redução de água, como por exemplo, para o uso da caixa de descarga com
duplo acionamento, torneira com abertura de 1/4 de volta e redutor de
vazão (arejador). Há também o reaproveitamento da água do esgoto que é
tratado e alimenta as bananeiras do jardim. O objetivo do projeto
arquitetônico é evitar a poluição pelos resíduos gerados pela casa.
Telhado vivo
A sustentabilidade está por todos os lados casa, inclusive no teto. A
dona da residência explicou que teve a ideia de manter um 'telhado
vivo', que é um sistema com terra e plantas que recebem a água da chuva.
O excesso é coletado para molhar o jardim e as árvores que estão no
terreno, um jacarandá mimoso, abacateiro, goiabeira e um pé de jenipapo.
Apontada
como a redenção do Nordeste e que quando estiver pronta vai beneficiar
mais de 12 milhões de nordestinos nos estados da Paraíba, Pernambuco,
Ceará e Rio Grande do Nordeste, a transposição do Rio São Francisco
depende de situações hidrológicas favoráveis em Sobradinho. No entanto,
mesmo precisando ser revitalizado, o rio tem condições de garantir o
abastecimento da região e matar a sede de milhões de nordestinos.
A garantia foi dada pelo presidente da Agência Nacional Águas (ANA),
Vicente Andreu. Em entrevista publicada no Correio Brasiliense e
reproduzida no PBAgora, ele deixou claro, que a transposição será a
solução definitiva para a crise de abastecimento de água no Nordeste.
O presidente da ANA no entanto fez uma alerta. A crise de abastecimento
de água veio para ficar, e o País segundo ele precisa se preparar para
uma crise hídrica de médio e de longo prazos, com componentes muito
complexos”.
Segundo ele, 2015 será pior que os anos anteriores. Os brasileiros
segundo ele, precisam estar preparados para atravessar um deserto no ano
que vem.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista, concedida em Petrolina (PE), às margens do rio São Francisco.
Haverá água para a transposição do São Francisco?
A quantidade de água a ser utilizada na transposição é de 26m³ por
segundo, na primeira fase. A vazão de Sobradinho, no pior momento, será
de 900m³ por segundo. Os canais da transposição estão projetados para
receberem até 127m³ por segundo. Mas, para operar em mais de 26m³, a
transposição precisa de situações hidrológicas favoráveis em Sobradinho.
Hoje elas não estão dadas. Portanto, se a transposição começasse a
funcionar hoje, a resposta é sim, há água.
O ano de 2015 vai ser pior ou melhor que o de 2014?
Aqui na Bacia do São Francisco, a minha opinião é que vai piorar. Porque
não houve recarga nos principais reservatórios do Semiárido. Não
acumulou água. A perspectiva para o próximo período é de maior gravidade
em relação a 2014. Vai exigir que não se diminua nenhuma das medidas
que estão sendo tomadas. E é preciso considerar outras medidas ainda
mais restritivas. Não se pode contar com uma volta à normalidade que
ninguém sabe se virá. O presidente da Sabesp (Jerson Kelman) disse que
nosso desafio era atravessar o deserto de 2015. Se soubéssemos que o
deserto acaba, seria fácil. E se não acabar? Temos que ter a
responsabilidade de dar para as pessoas a dimensão da crise, em lugar de
passar um nível de segurança que, na minha opinião, não existe. Essa é
uma mensagem desmobilizadora.
A crise veio para ficar?
Precisamos nos preparar para uma crise hídrica de médio e de longo
prazos, com componentes muito complexos. Crises de escassez de água vão
ocorrer com muito mais frequência, infelizmente. A irregularidade das
chuvas veio para ficar. É muito provável que tenhamos que enfrentar
períodos de seca mais frequentes. Chove num lugar e não chove noutro. A
água no planeta é sempre a mesma. Na Amazônia, há uma sucessão de secas e
enchentes. Salvador esteve debaixo d’água, enquanto a 100km dali há
escassez. O ciclo hidrológico está alterado e isso potencializa as
fragilidades que já existiam. Precisamos mudar nossos padrões de
consumo. Fala-se muito no consumo da agricultura, mas 85% da população
brasileira mora em cidades, o Brasil é urbano. E os padrões de consumo
nas cidades são muito elevados se comparados com os indicadores
internacionais. Em São Paulo, hoje, no meio da pior seca já registrada
na cidade, cada habitante gasta, em média, 220 litros de água por dia.
Isso precisa mudar.
Fiscalização aconteceu no açude de São Gonçalo, em Sousa.
Pelo menos cinco desvios foram retirados.
Do G1 PB
Pelo menos cinco desvios de água foram flagrados e retirados após fiscalização realizada no açude de São Gonçalo, em Sousa,
Sertão paraibano, na terça-feira (17). A ação foi feita pela Polícia
Militar, em parceria com o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca
(DNOCS). Até esta quarta-feira (18), não houve prisões.
O reservatório está atualmente com cerca de 9% de sua capacidade, sendo
considerado sob situação de observação, de acordo com monitoramento da
Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa).
A Justiça Federal determinou a realização das fiscalizações para a
retirada de bombas que puxam água do açude, devido à seca na região. As
vistorias regulares devem evitar que motores elétricos levem água para
irrigação ou reservatórios ilegalmente.
Segundo o comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar, major Rômulo
Ferreira de Araújo, a principal atribuição das equipes de fiscalização é
coibir uso dos motores elétricos que são frequentemente instalados às
margens do reservatório. O comandante pede ainda que os cidadãos das
localidades abastecidas pelo açude de São Gonçalo economizem água e
evitem o desperdício.
Relatório apontou que 74 de 121 açudes estão com menos 20% do volume.
Gerente da Aesa explica que não existe possibilidade de fazer análise geral.
Do G1 PB
Mais da metade dos açudes monitorados estão em situação crítica (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Onze açudes paraibanos estão secos e outros 24 estão abaixo de 5% da
sua capacidade. Conforme relatório de monitoramento da Agência Executiva
de Gestão de Águas da Paraíba (Aesa), atualizado na quinta-feira (5),
um total de 35 reservatórios paraibanos estão em estado crítico e outros
39 estão em sob observação, totalizando 74 reservatórios com menos de
20% da capacidade.
O gerente de monitoramento dos reservatórios da Aesa, Alexandre Magno,
comentou que a situação não pode ser analisada sob uma perspectiva
geral, mas caso a caso. “Alguns reservatórios são construídos com prazo
de validade, para durarem cerca de um ano, dois anos. Outros de fato
podem estar em uma situação crítica por conta da falta de recarga. Por
isso não podemos afirmar que a Paraíba passa por um problema com seus
reservatórios”, comentou.
A maior parte dos açudes que secaram fica na Região da Borborema da
Paraíba. Ao todo, sete reservatórios que entraram em colapso estão na
região. Outros três ficam no Sertão da Paraíba e um no Agreste. O
levantamento mostra que as chuvas caídas entre a quarta-feira e quinta-feira
em 54 cidades da Paraíba não foram suficientes para recarregar os
reservatórios. Segundo os dados divulgados pela agência de meteorologia,
os maiores índices foram registrados em São José dos Cordeiros, no
Cariri paraibano, onde choveu 156,1 mm; e no distrito de São Gonçalo,
onde fica o açude localizado no município de Sousa, no Sertão. A área
recebeu chuva de 108,9 mm.
Os açudes que chegaram a 0% do volume por ordem alfabética são: Algodão, na cidade de Algodão de Jandaíra, no Agreste; Bichinho, em Barra de São Miguel, na Borborema; Bom Jesus, em Carrapateira, no Sertão; Caraibeiras, em Picuí, na Borborema; Lagoa do Meio, em Taperoá, na Região da Borborema; Paraíso, na Cidade de São Francisco, no Sertão; Santa Luzia, na Cidade de Santa Luzia, na Borborema; Serrote, em Monteiro, também na região da Borborema; São José IV, em São José do Sabugi, na Borborema; Taperoá II, em Taperoá, na Borborema Paraibana; e por fim, o açude Novo II, na Cidade de Tavares, no Sertão.
Ainda de acordo com Alexandre Magno, a maior parte dos açudes com
volume abaixo de 20% não recebe uma recarga considerável há pelo menos
dois anos. “Estamos entrando no nosso período chuvoso agora, em
fevereiro. Então é normal que alguns deles estejam abaixo, até porque a
demanda aumenta gradativamente com o tempo. Vamos aguardar o período
chuvoso e então avaliar a situação”, concluiu o gerente da Aesa.