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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Flanelinha reutiliza água para lavar carros

12/02/2018 às 18h00 • atualizado em 13/02/2018 às 09h42


Mesmo sem saber, Ivanildo Lima dá lição de sustentabilidade
(Foto: Juliana Santos/MaisPB)

Nas cidades é normal ver água sair dos aparelhos condicionadores de ar instalados em prédios. Muitas vezes, gotículas caem sobre quem anda pela ruas. Mas para um flanelinha aqueles pingos tem um valor muito especial. De gota em gota, por dia ele transforma nove baldes de água em dinheiro lavando veículos em um estacionamento no Centro de João Pessoa.

Ivanildo Lima da Silva, 50 anos, estudou até a 8º ano do ensino fundamental e apesar de não ter conhecimento sobre sustentabilidade, a necessidade e vontade de trabalhar para si, fez com que ele tornasse a atividade de lavador de carro uma função sustentável. Ele decidiu utilizar a água que sai de aparelhos de ar condicionados depois que foi proibido de pegar água em uma repartição pública. “Vi quanta água estava saindo de um cano acoplando a vários aparelhos de uma agência bancária, então coloquei o balde e vi que juntava muita água”, comentou.

Quando o flanelinha notou, estava enchendo nove baldes de 20 litros, no total de 180 litros diários. A água que seria descartada serviu de ferramenta para que Ivanildo continuasse com sua única fonte de renda. “Ás vezes fico aguando as plantas das repartições públicas, porque é muita água que junta”, afirma.

De gota em gota o flanelinha enche nove baldes de água (Foto: Juliana Santos/MaisPB)

Com a água em abundância ele conseguiu um cliente, em seguida outro e todos satisfeitos com o serviço. Sua postura e forma com que trabalha conquistaram os clientes. Apesar de não saber dirigir, Ivanildo tem todas as noções de como orientar um motorista a estacionar em uma vaga. “Toda semana eu assisto um programa sobre carros, vejo as matérias que ensinam como estacionar”, conta.
 
A servidora pública Rafaela Cristofoli deixa o carro todos os dias no estacionamento do lado do seu trabalho e sempre pede para que o Ivanildo lave o veículo. Ao saber que o lavador de carro utiliza água de ar condicionado, Rafaela revela que ficou surpresa e muito feliz com a atitude. “Hoje temos que ter essa preocupação de não desperdiçar e o uso consciente feito pelo flanelinha me deixa tranquila, pois ele utiliza água reaproveitada”, disse.

Para o gestor ambiental Fábio Carvalho, tudo que não é retirado da fonte, como água de ar condicionado, é uma forma de poupar o meio ambiente e evitar desperdícios. De acordo com Carvalho, dependendo do tamanho, um prédio com sistema de reaproveitamento da água desses aparelhos pode tornar-se auto sustentável. “A água reaproveitada pode ser utilizada para limpeza e descargas dos banheiros do prédio, por exemplo”, comenta.

Segundo o Fábio, para montar um sistema de reaproveitamento, é necessário fazer um estudo aprofundado e desenvolver um projeto específico para cada finalidade.

Juliana Santos – MaisPB


 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

TRF5 mantém fim do racionamento no Açude de Boqueirão, na Paraíba

Racionamento foi encerrado há um mês e passa por impasse judicial.

Por Krystine Carneiro
G1 PB

Racionamento das águas do Açude de Boqueirão terminou no dia 25 de agosto (Foto: Reprodução/TV Paraíba)
Racionamento das águas do Açude de Boqueirão terminou no dia 25 de agosto
(Foto: Reprodução/TV Paraíba)
 
Um mês após o fim do racionamento, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) suspendeu, nesta segunda-feira (25), a decisão da Justiça Federal na Paraíba que determinou a retomada do racionamento das águas do Açude Epitácio Pessoa, mais conhecido como Boqueirão, na Paraíba. A decisão foi do presidente do TRF5, o desembargador Manuel Erhardt.

Para o desembargador federal, cabe às autarquias demandadas decidir pela manutenção ou não do racionamento, e não ao judiciário. “A assunção da competência pelo Judiciário para deliberar acerca de quando se iniciará ou suspenderá o racionamento (e de qual a sua extensão) importará em dificuldade para o próprio gerenciamento dos recursos hídricos na região, haja vista que cumpriria sempre ao Judiciário definir a política de seu fornecimento”, afirmou Erhardt.

O procurador Bruno Galvão Paiva, do Ministério Público Federal (MPF), informou que ainda não tomou conhecimento da decisão, porém, disse que a manutenção do fim do racionamento não é sensata. “Eu não tenho bola de cristal, nem sou adivinho, mas acredito que a prática desses atos temerários associada a uma certa imprevisibilidade da constância do fluxo das águas pode terminar impactado negativamente na segurança hídrica na região”, declarou o procurador que ajuizou a ação pedindo a volta do racionamento.

O secretário de Recursos Hídricos, João Azevedo, afirmou que Boqueirão tem condições técnicas para voltar a abastecer Campina Grande e as outras 18 cidades da região sem prejuízo. “Sair dessa condição de racionamento nos deixa bastante tranquilos e eu espero que daqui pra frente não tenhamos nenhuma querela jurídica a ser discutida a não ser distribuir água pra todo mundo”, declarou.

O reservatório, que abastece Campina Grande e mais 18 cidades do interior da Paraíba, atingiu 8,59% da capacidade total nesta segunda-feira (25), de acordo com o monitoramento da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado (Aesa).

Desde o anúncio do fim do racionamento, dois magistrados de instâncias diferentes já determinaram a retomada das medidas restritivas de uso de água em Boqueirão. A última decisão, derrubada nesta segunda-feira (25), foi tomada pelo juiz federal Vinícius Costa Vidor no dia 19 de setembro e os órgãos citados têm até o dia 30 para confirmar a intimação eletrônica da Justiça Federal na Paraíba e, com isso, retomar o racionamento.

“Não haverá mais a necessidade de desligamento das bombas, considerando que essa decisão de Campina Grande não tinha sido efetivada porque nós estávamos aguardando esse recurso que nós havíamos interposto, para saber se nós desligaríamos ou não. O fornecimento de água em Campina Grande e em toda a região, as demais 18 cidades, continuará sem interrupção”, disse o procurador-geral do Estado da Paraíba, Gilberto Carneiro.

Mesmo com a decisão favorável da Justiça Federal ao pedido do Ministério Público Federal (MPF), o órgão solicitou que a JF determine o cumprimento imediato - em até 24 horas - da decisão da última terça-feira. No pedido, o órgão pede que a Aesa, Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Agência Nacional de Águas (Ana) e Estado da Paraíba tenham que pagar R$ 100 mil de multa cominatória por dia de descumprimento. O pedido ainda não foi apreciado pela Justiça Federal na Paraíba. 

Com as águas recebidas por meio do projeto de Integração do Rio São Francisco, o volume de Boqueirão subiu de 8,32% em 25 de agosto para 8,59% em 25 de setembro, mesmo com o fim do racionamento e sem o registro de chuvas no período. 

Volume do Açude Epitácio Pessoa

Reservatório, no município de Boqueirão, tem capacitade para 411.686.287 m³ de água
 

Para o gerente regional da Cagepa Borborema, Ronaldo Menezes, o sistema reagiu ao fim do racionamento conforme o esperado. “No início, surgiram problemas, como rompimentos em redes, mas era o esperado para a busca do equilíbrio das pressões. Antes, era metade da cidade atendida. Agora, é toda a cidade de uma vez. Por isso foi preciso um período de adaptação”, explicou Menezes.

Segundo ele, muitas localidades que estavam ser receber água com frequência, agora têm abastecimento constante. “O distrito de Galante, a zona rural de São José da Mata. Em muitos sítios, não chegava água devido ao racionamento. Na região de Catolé de José Ferreira, fazia bastante tempo que não chegava água”, comentou.

Argumentos pela volta do racionamento

O procurador Bruno Galvão foi quem ajuizou a ação civil pública, em 1º de setembro, pedindo a retomada do racionamento das águas de Boqueirão. Ele considera a decisão do Governo do Estado de liberar o uso das águas “drástica” e "não cautelosa”. 

O pedido é baseado em vários fatores. O primeiro é o fato de que as obras de transposição das águas do Rio São Francisco ainda estão em fase de pré-operação e não haveria garantia de estabilidade, segundo o Ministério da Integração Nacional. 

“Acontece que a Aesa e a Cagepa tomaram essa decisão de pôr fim ao racionamento quanto de liberar para a agricultura de subsistência levando em conta apenas que chegaria água da transposição de forma contínua. Mas não há essa garantia, essa certeza, de que haverá continuidade”, disse o procurador. 

Bruno Galvão ainda afirma que, em dezembro de 2014, quando foi instituído o racionamento, o açude estava com mais de 20% de sua capacidade total, uma condição mais “favorável”. Diante disso, o procurador considera a decisão de suspender o racionamento contraditória. 

Além disso, ele afirma que o Ministério da Integração Nacional informou que a segurança hídrica do açude só seria conquistada quando ele atingisse a faixa de 97.000.000 m³. Porém, hoje tem pouco mais de 30.000.000 m³.
Água do Açude de Boqueirão é retirada por sistema de captação flutuante (Foto: Reprodução/TV Paraíba)
Água do Açude de Boqueirão é retirada por sistema de captação flutuante
(Foto: Reprodução/TV Paraíba)
Impasse judicial


Na decisão do juiz federal Vinícius Costa Vidor, o magistrado determina a retomada das medidas restritivas de uso de água adotadas até julho de 2017. Além disso, suspende a autorização para uso agrícola das águas do Açude de Boqueirão, determinando a sua destinação apenas para o consumo humano e dessedentação de animais. 

Logo após o anúncio de que o racionamento iria acabar em 25 de agosto, a juíza de direito Ana Carmem Pereira de Jordão deu provimento a ao pedido da ação civil pública ingressada pela Defensoria Pública de Campina Grande, determinando a manutenção das medidas restritivas até que o Açude de Boqueirão alcançasse os níveis confiáveis de volume hídrico. A decisão foi publicada no dia 21 de agosto. 

No entanto, a decisão da juíza foi derrubada pelo desembargador Abraham Lincoln da Cunha Ramos, permitindo o fim do racionamento na data prevista pelo governador Ricardo Coutinho, 25 de agosto.

Fim do racionamento

O abastecimento sem restrições foi restabelecido no dia 25 de agosto, após uma decisão do desembargador Abraham Lincoln da Cunha Ramos, que liberou a suspensão do racionamento.

O primeiro racionamento foi implantado no dia de 6 de dezembro de 2014, devido à estiagem prolongada que causou uma situação crítica no Açude de Boqueirão, chegando a apresentar menos de 2,8% da sua capacidade máxima. Só depois da chegada das águas do Rio São Francisco, por meio da transposição - que aconteceu em abril deste ano -, o reservatório voltou a receber recargas significativas de água. 



quarta-feira, 19 de julho de 2017

ANA autoriza irrigação com água da transposição e fim de racionamento na PB

Açude de Boqueirão ainda não saiu do volume morto, mas Cagepa já tem autorização de vazão.

Por G1 PB


Resolução da ANA autorizou Cagepa a retirar a vazão suficiente para que órgão encerre racionamento de água na região (Foto: Artur Lira/G1/Arquivo)
Resolução da ANA autorizou Cagepa a retirar a vazão suficiente para que
órgão encerre racionamento de água na região
(Foto: Artur Lira/G1/Arquivo)

O Diário Oficial da União divulgou na terça-feira (18) uma resolução da Agência Nacional da Águas (ANA) autorizando que uso da água da transposição do Rio São Francisco para irrigação na Paraíba. Também foi liberada uma vazão suficiente para que a Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) finalize o racionamento de água em Campina Grande e outras 18 cidades. A nova resolução já está em vigor e é válida até 26 de março de 2018.

A resolução é aplicada em toda a área do sistema hídrico do Rio Paraíba, em Monteiro, até o açude Epitácio Pessoa, conhecido como Boqueirão. Para a irrigação, a resolução vai beneficiar mil agricultores para a prática de irrigação para agricultura familiar, na qual cada família de agricultores vai pode plantar e irrigar até meio hectare.

O modelo de irrigação liberado vai ser limitado às técnicas de gotejamento e microaspersão. O descumprimento das regras pode resultar em infração, onde os agricultores serão punidos como embargo, lacre de bombas, apreensão de equipamentos e multas em dinheiro. Os órgãos também vão ficar responsáveis por controlar o uso da água na irrigação.

A medida vai valer até o dia 26 de março de 2018, quando termina a fase chamada de pré-operação do Rio São Francisco, ou seja, enquanto não é cobrada taxa pelo uso das águas transpostas. Depois disso, a irrigação vai depender de uma nova resolução. 


Mesmo com autorização, Cagepa informou que só vai encerrar racionamento quando açude sair do volume morto (8,2%)  (Foto: Artur Lira /G1)
Mesmo com autorização, Cagepa informou que só vai encerrar racionamento
quando açude sair do volume morto (8,2%) (Foto: Artur Lira /G1)

Racionamento
Através da resolução, a Ana também autoriza que a Cagepa possa retirar uma média mensal de até 1.300 litros de água por segundo do açude de Boqueirão. Essa vazão é suficiente para que seja encerrado o racionamento de água em Campina Grande e outras 18 cidades do Agreste paraibano. 

Apesar de já ter a permissão da ANA, a Cagepa informo que só vai encerrar o racionamento quando o açude de Boqueirão sair do volume morto, ou seja, quando ele chegar ao nível de pelo menos 8,2% da capacidade total. Nesta quarta-feira (19) o manancial está com 7,3%.

Reunião

As novas normas da resolução publicadas foram discutidas e decididas durante uma reunião realizada em 7 de julho deste ano, na cidade de Boqueirão, no Cariri paraibano, entre a ANA, Cagepa, Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) e Ministério Público da Paraíba (MPPB), além de agricultores da região.


 
 

sexta-feira, 31 de março de 2017

MPF lista irregularidades em obras da transposição na Paraíba e faz alerta

31/03/2017 17h46 - Atualizado em 31/03/2017 17h47
 
Rio está assoreado e açudes não estão aptos a receber águas, diz MPF.
MPF destaca 'compromissos assumidos e não cumpridos na integralidade'.

Do G1 PB



Águas do Rio São Francisco chegam ao leito do Rio Paraíba, em Monteiro (Foto: Artur Lira\G1)
Águas do Rio São Francisco chegam ao leito do
Rio Paraíba, em Monteiro (Foto: Artur Lira\G1)

Falta de adequação das barragens Poções, Camalaú e Boqueirão, incerteza técnico-científica da qualidade da água, irregularidades na vazão da água e falta de revitalização e assoreamento do Rio Paraíba são inadequações identificadas pelo Ministério Público Federal (MPF) da Paraíba, nas obras da transposição das águas do Rio São Francisco. A lista, divulgada nesta sexta-feira (31), faz alerta à população e destaca "compromissos assumidos e não cumpridos na integralidade".

De acordo com o MPF, o açude de Poções, na cidade de Monteiro, no Cariri paraibano, e o Rio Paraíba não estão preparados para receber as águas da transposição do Rio São Francisco, segundo a procuradora-geral do Ministério Público Federal (MPF) em Monteiro, Janaína Andrade de Sousa. Segundo ela, uma vistoria técnica feita por peritos do órgão confirmou que as obras feitas não foram suficientes para garantir sustentabilidade ao processo de passagem da água.

O MPF também pede à população “que evite banhos nos canais da transposição e no leito do rio Paraíba; não utilize água sem outorga dos órgãos competentes; não pratique atividades de extração mineral sem as devidas autorizações; e, em caso de rompimento de barragens ou canais, cumpra as orientações dos órgãos de defesa civil”.
 
Já sobre o Rio Paraíba, a procuradora-geral do MPF disse que “a limpeza do Rio Paraíba, ficou evidenciada para o Ministério Público Federal que ela foi feita, tão somente, uma retirada do lixo aparente com escavadeira e isso não seria uma obra, em matéria ambiental, a ser realizada de acordo com as resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)”.

Segundo o coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) na Paraíba, Alberto Batista, o açude Poções e o açude da cidade de Camalaú estão passando por obras para a abertura de canais nos locais onde ficavam as barragens de contenção da água. A intenção é fazer com que não seja necessário aguardar o açude receber água até ultrapassar a capacidade total para que ela consiga seguir o caminho até o açude Epitácio Pessoa, conhecido como açude de Boqueirão, na mesma região.

Sobre as obras complementares à transposição, o MPF aponta: a obra da transposição na Paraíba não está concluída, estando em fase de pré-operação e testes; as obras de adequação necessárias nas barragens Poções, Camalaú e Boqueirão não foram concluídas, bem como não foram elaborados os planos de ação de emergência e/ou de contingência para acidentes; ainda não há certeza técnico-científica acerca da qualidade da água, sem o devido tratamento, nos mananciais para consumo humano.

Sobre o Rio Paraíba, o MPF lista os seguintes problemas: não existe clareza de informação acerca da vazão da água que passa pelos canais e Rio Paraíba; a irregularidade da vazão da água que percorre o Rio Paraíba aponta para a precariedade na gestão do sistema; a passagem da água por Monteiro e Camalaú, em vazão ainda desconhecida, e a suposta chegada da água em Boqueirão, não significarão a interrupção ou suspensão no racionamento d’água em curto prazo; a falta de revitalização do rio prejudica a condução da água até Boqueirão; o assoreamento do Rio Paraíba e fatores como evaporação, infiltração e captação irregular contribuem para dificultar a chegada da água no açude de Boqueirão.


 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Água de esgoto na transposição do São Francisco é tratada, diz comissão

02/03/2017 20h44 - Atualizado em 02/03/2017 20h45
Órgãos temiam que água da transposição fosse contaminada em Monteiro. 
Obras de preparação para recebe águas terminam na próxima semana.

Do G1 PB
 
MPF quer providências para esgoto identificado em canal da transposição do Rio Sãn Francisco, em Monteiro, na Paraíba (Foto: Divulgação/MPF)
Esgoto identificado em canal da transposição do Rio São Francisco,
em Monteiro (Foto: Divulgação/MPF)
Uma comissão formada por órgãos de controle e fiscalização do uso de água e destinação de esgoto da Paraíba realizou uma visita técnica nas áreas que vão receber as águas da transposição do Rio São Francisco. Uma das maiores preocupações dos órgãos era de que a água da transposição fosse contaminada pelo esgoto da cidade de Monteiro depois de chegar a Paraíba. O problema foi flagrado em inspeções anteriores.

Durante a visita, a comissão avaliou que não haverá risco de contaminação da água da transposição. “Essa água escorrendo é de esgoto tratado. Ela não representa um risco, mesmo porque vão entrar 9 mil litros de água por segundo [da transposição] e aqui não tem nem 200 litros por segundo [de esgoto tratado]”, disse o supervisor da Secretaria de Infraestrutura da Paraíba, Berange Arnaldo de Araújo.

Para evitar que o esgoto de algumas casas caiam no canal da transposição e na margem do Rio Paraíba, a Prefeitura de Monteiro está concluindo a construção de fossas em 70 casas próximas ao canal e rio. A previsão é de que tudo esteja pronto até a próxima semana. Depois de Monteiro, a água vai seguir por rios e reservatórios até a região da Mata paraibana, como o Rio Paraíba e os açudes de Poções, Camalaú, Boqueirão, Acauã, Araçagi e ainda deve seguir para um perímetro irrigado em Sapé.

As chuvas registradas na cidade de Monteiro nos últimos dias estão fazendo com que o leito do rio fique encharcado. Isso deve acelerar a chegada da água da transposição no açude de Boqueirão. “Com certeza isso vai acelerar. A natureza sempre fez chover em Monteiro e a água chegou a Boqueirão. Só que havia alguns obstáculos, inclusive o acumulo de areia em algumas partes dessa bacia deste leito do rio. Estamos procurando desobstruir todos os tipos de obstáculos no rio, para facilitar o processo”, disse João Fernandes, presidente da Aesa.
 
Além da ajuda da natureza, estão sendo realizadas obras para abrir canais nas barragens dos açudes de Poções e Camalaú. Com isso, não será necessário aguardar que os açudes sangrem para que a água consiga seguir pelo rio, até Boqueirão. A previsão é de que estas obras também sejam concluídas até a próxima semana.
 
Apesar da esperança de uma melhora no nível de água do açude de Boqueirão. A Cagepa ainda não definiu quando o racionamento de água em Campina Grande e outras 18 cidades abastecidas por Boqueirão deve acabar. Depois que chegar em Monteiro, a água deve levar até 45 dias para chegar em Boqueirão, mas com as boas condições naturais e obras esse prazo pode diminuir para menos de 30 dias.
 
“O grande objetivo é saber a quantidade de água que vai chegar nos mananciais, principalmente em no açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), para que a partir daí gente possa planejar toda a distribuição da água em Campina Grande e todas as cidades abastecidas”, contou o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Menezes.
 
A fiscalização foi feita por representantes da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), Superintendência do Meio Ambiente (Sudema), Departamento de Estrada e Rodagens (DER), Secretaria de Recursos Hídricos e a Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa).
  


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Evento em Campina Grande debate gestão de águas com Pnud e gestores

15/02/2017 07h53 - Atualizado em 15/02/2017 07h53

Seminário sobre gestão das águas vai acontecer no auditório da Fiep. 
Grupo norte-americano vai expor projeto hídrico que deu certo no país.

Do G1 PB


A Fiep nasceu na arrancada da indústria do algodão e tem participação ativa nos em todos os eventos que marcam o desenvolvimento do Nordeste (Foto: Ligia Coeli)
Seminário sobre Gestão de Águas ocorre nos dias 15 e 15 de fevereiro,
no auditório da Fiep (Foto: Ligia Coeli/Arquivo)

Representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e um dirigente de projetos dos Estados Unidos participam de um seminário sobre gestão de recursos hídricos para prefeitos e secretários municipais de 160 cidades paraibanas. O evento começa nesta quarta-feira (15) no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Paraíb a (Fiep), em Campina Grande, e segue até a quinta-feira (16). Durante o seminário vão ser apresentados modelos internacionais de gestão de águas que podem ser desenvolvidos na região.

Dois temas principais serão abordados no encontro e serão divididos em dois painéis. No primeiro dia será discutido a gestão das águas como fator de desenvolvimento sustentável, soluções e práticas. Já no segundo dia, serão debatidas novas perspectivas de desenvolvimento sustentável da Paraíba com a chegada da Transposição do Rio São Francisco.

Um grupo de estudiosos norte-americanos vão apresentar as instituições brasileiras o projeto Colorado-Big Thompson, uma das obras mais conhecidas de integração de bacias hidrográficas feita nos Estados Unidos. Atualmente as águas do projeto são usadas para agricultura, indústria e uso doméstico do país.

Também participam do encontro representantes do Fiep, Sebrae, Faepa, instituições bancárias, universidades, que apresentarão casos de sucesso de manejo eficiente das águas em áreas com histórico de estiagem.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

MPF identifica esgoto em canal da transposição do São Francisco na PB

08/02/2017 18h44 - Atualizado em 09/02/2017 14h56

Prefeitura de Monteiro e a Funasa foram acionadas para tomar providências.
Segundo prefeitura, esgoto é clandestino e moradores serão notificados.

Do G1 PB

Canal da transposição, em Monteiro, está tomado por esgoto (Foto: Artur Lira/G1)
Canal da transposição do Rio São Francisco, em Monteiro,
está tomado por esgoto (Foto: Artur Lira/G1)

A prefeitura municipal de Monteiro, no Cariri paraibano, e a superintendência estadual da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) foram notificadas pelo Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB) para explicarem o motivo do esgoto da cidade está escoando para dentro do canal que vai receber a Tranposição das águas do Rio São Francisco. O documento foi encaminhado nesta quarta-feira (8).

O G1 esteve na Cidade de Monteiro, na sexta-feira (3), e flagrou o esgoto no canal, que ainda não recebeu água do Rio São Francisco. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura de Monteiro, o esgoto é clandestino. A Funasa não atendeu as ligações do G1.
  
O MPF em Monteiro quer informações acerca das providências adotadas para conclusão do saneamento na cidade, tida como uma das obras complementares ao Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf).

Os gestores têm 10 dias para dar resposta ao Ministério Público Federal. O descumprimento da requisição poderá configurar, em tese, o crime de desobediência previsto no artigo 10 da Lei n. 7.347/85, cuja pena varia de um a três anos de reclusão, além de multa.

Esgoto clandestino
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura de Monteiro, uma inspeção já foi feita junto ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) e constatou que o esgoto que está entrando no canal é clandestino, de pessoas que não ligaram as tubulações de suas residências ao sistema da Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa), despejando direto no canal.

A prefeitura disse que já identificou cerca de 100 moradias com esta irregularidade e que o MPPB acionou os moradores para tomarem providências. Caso o contrário, os moradores serão acionados judicialmente.

Águas devem chegar em março
Falta menos de um mês para a chegada prevista da água da transposição do Rio São Francisco em Monteiro, o último segmento de canal da obra do Eixo Leste. Segundo o Ministério da Integração Nacional, de lá as águas seguem pelo Rio Paraíba, para as barragens de Poções, Camalaú e Boqueirão - este último tem previsão de receber o volume de água em abril.

MPF quer providências para esgoto identificado em canal da transposição do Rio Sãn Francisco, em Monteiro, na Paraíba (Foto: Divulgação/MPF)
MPF quer providências para esgoto identificado em canal da transposição
do Rio São Francisco, em Monteiro, na Paraíba (Foto: Divulgação/MPF)

Representantes do Pnud debatem gestão de águas em Campina Grande

09/02/2017 10h34 - Atualizado em 09/02/2017 10h34
Evento vai acontecer no auditório da Fiep, nos dias 15 e 16 de fevereiro. 
Grupo norte-americano vai expor projeto hídrico que deu certo no país.

Do G1 PB

A Fiep nasceu na arrancada da indústria do algodão e tem participação ativa nos em todos os eventos que marcam o desenvolvimento do Nordeste (Foto: Ligia Coeli)
Seminário sobre Gestão de Águas ocorre nos dias 15 e 15 de fevereiro,
no auditório da Fiep (Foto: Ligia Coeli/Arquivo)
Representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e um dirigente de projetos dos Estados Unidos participam de um seminário sobre gestão de recursos hídricos para prefeitos e secretários municipais de 160 cidades paraibanas. O evento acontece nos dias 15 e 16 no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Paraíb a (Fiep), em Campina Grande. Durante o seminário vão ser apresentados modelos internacionais de gestão de águas que podem ser desenvolvidos na região.
Dois temas principais serão abordados no encontro e serão divididos em dois painéis. No primeiro dia será discutido a gestão das águas como fator de desenvolvimento sustentável, soluções e práticas. Já no segundo dia, serão debatidas novas perspectivas de desenvolvimento sustentável da Paraíba com a chegada da Transposição do Rio São Francisco.

Um grupo de estudiosos norte-americanos vão apresentar as instituições brasileiras o projeto Colorado-Big Thompson, uma das obras mais conhecidas de integração de bacias hidrográficas feita nos Estados Unidos. Atualmente as águas do projeto são usadas para agricultura, indústria e uso doméstico do país.

Também participam do encontro representantes do Fiep, Sebrae, Faepa, instituições bancárias, universidades, que apresentarão casos de sucesso de manejo eficiente das águas em áreas com histórico de estiagem.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Fazendeiro é preso suspeito de furtar água de adutora no Agreste da Paraíba

08/02/2017 13h51 - Atualizado em 08/02/2017 16h31
 
Adutora é usada para abastecer treze localidades.
Polícia diz que homem confessou desvio de água.

Do G1 PB
  
Um fazendeiro foi preso na terça-feira (7) na cidade de Soledade, no Agreste da Paraíba, suspeito de furtar água. A prisão aconteceu depois que a polícia civil flagrou um sistema que seria usado para furtar água da adutora que abastece treze localidades na região.

O desvio estava levando a água para dentro da fazendo dele, no Sítio Santa Luzia. Segundo o delegado de Soledade, Lamartine Lacerda, o fazendeiro confessou o desvio e foi preso em flagrante. Ele foi levado para a Central de Polícia de Campina Grande, onde até as 12h (horário local) desta quarta-feira (8) aguardava para passar pela audiência de custódia.



segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Cagepa flagra desvio de água de esgoto para suposta irrigação na PB

26/12/2016 20h10 - Atualizado em 26/12/2016 20h10

Flagrante aconteceu em tubulação de esgoto em Campina Grande.
Cagepa viu água indo para barreiro e suspeita de irrigação com esgoto.

Canos que desviavam esgoto para barreiro foram apreendidos (Foto: Ronaldo Menezes/Cagepa)
Canos que desviavam esgoto para barreiro foram apreendidos
(Foto: Ronaldo Menezes/Cagepa)

Uma fiscalização do Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) flagrou o furto esgoto para uma propriedade privada em Campina Grande, no Agreste paraibano. A água poluída estaria sendo encaminhada um pequeno reservatório e há suspeita de que ela esteja sendo usada para irrigar capim e vegetais. A Cagepa acionou a Polícia Militar, mas não foi autorizada a entrar na propriedade para confirmar onde a água era usada. Os canos que desviavam o esgoto foram apreendidos.
Segundo o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Menezes, o flagrante ocorreu nesta segunda-feira (26). Segundo ele, há alguns meses a companhia percebeu uma redução na chegada de esgoto na estação de tratamento de Campina Grande, que fica no Sítio Caiçara.

“Todo o esgoto de Campina Grande vai para a antiga estação de tratamento que fica no Bairro Catingueira. De lá ele é bombeado para a nova estação no sítio Caiçara, que fica a cerca de 8 km. Nesta segunda-feira, nós começamos uma fiscalização e percebemos que havia o desvio do esgoto para dentro de uma propriedade, neste trecho entre as duas estações. Foi possível ver os canos levando a água poluída para um barreiro”, explicou o gerente.

Os canos foram encontrados nas saídas de ar da tubulação e, segundo o gerente, ainda foi possível ver que existem animais sendo criados na propriedade. A vegetação verde levantou a suspeita do uso do esgoto para irrigação, o que vai ser apurado.

Esgoto era desviado da saídas de ar da tubulação da Cagepa (Foto: Ronaldo Menezes/Cagepa)
Esgoto era desviado da saídas de ar da tubulação
da Cagepa (Foto: Ronaldo Menezes/Cagepa)
“Como se trata de uma propriedade privada, a gente não pôde entrar, pois é necessário autorização judicial. Mas, percebemos que havia gado no local e capim. Então foi levantada uma suspeita de que a água pode estar sendo usada para irrigar”, frisou Ronaldo Menezes.

De acordo com a Cagepa, o que mais preocupa a companhia é o uso da água poluída. “A Cagepa destina todo o esgoto para a Estação de Caiçara, que passa por um tratamento e depois é destinada ao meio ambiente sem  causar nenhum dano à natureza. Entretanto, a água que está sendo desviada é de esgoto bruto”, disse o gerente.

A Cagepa acionou a Polícia Militar para acompanhar a fiscalização no perímetro da tubulação de esgoto e também procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência. Ainda segundo Ronaldo Menezes, a Cagepa vai enviar um relatório da fiscalização para o Ministério Público da Paraíba (MPPB).



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Paraibana cria sistema de consumo sustentável da água em casa

30/08/2015 08h57 - Atualizado em 31/08/2015 07h05 

Casa foi projetada para evitar desperdícios e consumo consciente da água.
Sistema reaproveita água de esgoto e da chuva.
 
Do G1 PB


Telhado vivo faz parte do sistema sustentável da casa da engeneira (Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Telhado vivo faz parte do sistema sustentável da casa da engenheira (Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Preocupada com o consumo desenfreado de água potável disponível no planeta, a engenheira civil Claudiana Maria sentiu a necessidade de contribuir para a solução desse problema. A solução, segundo ela, foi projetar e instalar na sua residência, em João Pessoa, um sistema sustentável de reaproveitamento de água. A engenheira é doutora em sustentabilidade e garante: "Fiz isto por consciência ambiental, por amor à natureza"
 
A casa de Claudiana é abastecida por água de poço artesiano e utiliza dispositivos próprios de consumo consciente da água, além de um 'telhado vivo', com terra e plantas para receber a água da chuva. Ela faz também reaproveitamento da água do esgoto.
 
Segundo a proprietária da casa, que além de engenheira civil também é professora de instalações hidro sanitárias do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), o sistema sustentável da sua casa começou a ser instalada no ano de 2011, período em que estudava sobre o tema.

“Durante o doutorado, decidi contribuir para a sustentabilidade do planeta, pois se a água é vida e esta está comprometida pela sua quantidade reduzida decorrente do consumo desenfreado e pela ausência de conhecimento, não podia ficar inerte a tudo isso”, comentou ela.

A dona da casa sustentável conta que, por abastecer sua casa com água de poço artesiano para uso doméstico, não paga conta de água para a concessionária de João Pessoa. Entretanto, disse estar ainda mais cuidadosa com o consumo pois considera grande a responsabilidade com o uso dessa água proveniente de uma bacia hidrográfica, por ser de todos.

Área molhada (Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Área molhada projetada para evitar desperdícios
(Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Casa sustentável
A casa foi projetada preventivamente para redução do consumo de água, manutenção das instalações e custos da obra, segundo a própria dona. "Por exemplo, a área molhada: banheiro possui os seus dispositivos higiênicos e aparelhos sanitários (vaso sanitário, chuveiro e lavatórios) dispostos de tal forma que o seu funcionamento é independente. Esse sistema possibilita que três pessoas possam utilizá-los ao mesmo tempo”, relatou.

De acordo com Claudiana, com esse sistema a área molhada pode ter também múltiplas funções: lavabo, banheiro social, suíte e de serviço a partir do seu acesso específico. “Dessa forma, não há necessidade de tantos aparelhos sanitários que não sendo utilizados podem gerar vazamentos e manutenções constantes”, conta.

Ela disse que em sua casa também é possível encontrar dispositivos de redução de água, como por exemplo, para o uso da caixa de descarga com duplo acionamento, torneira com abertura de 1/4 de volta e redutor de vazão (arejador). Há também o reaproveitamento da água do esgoto que é tratado e alimenta as bananeiras do jardim. O objetivo do projeto arquitetônico é evitar a poluição pelos resíduos gerados pela casa.
 
Telhado vivo
A sustentabilidade está por todos os lados casa, inclusive no teto. A dona da residência explicou que teve a ideia de manter um 'telhado vivo', que é um sistema com terra e plantas que recebem a água da chuva. O excesso é coletado para molhar o jardim e as árvores que estão no terreno, um jacarandá mimoso, abacateiro, goiabeira e um pé de jenipapo.
 
 
Fonte
 
 
 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

ANA diz que transposição será solução para NE, mas alerta para profunda crise de abastecimento

21 de junho de 2015

ANA diz que transposição será solução para NE, mas alerta para profunda crise de abastecimento Apontada como a redenção do Nordeste e que quando estiver pronta vai beneficiar mais de 12 milhões de nordestinos nos estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Nordeste, a transposição do Rio São Francisco depende de situações hidrológicas favoráveis em Sobradinho. No entanto, mesmo precisando ser revitalizado, o rio tem condições de garantir o abastecimento da região e matar a sede de milhões de nordestinos.

 
A garantia foi dada pelo presidente da Agência Nacional Águas (ANA), Vicente Andreu. Em entrevista publicada no Correio Brasiliense e reproduzida no PBAgora, ele deixou claro, que a transposição será a solução definitiva para a crise de abastecimento de água no Nordeste.

O presidente da ANA no entanto fez uma alerta. A crise de abastecimento de água veio para ficar, e o País segundo ele precisa se preparar para uma crise hídrica de médio e de longo prazos, com componentes muito complexos”.
 
Segundo ele, 2015 será pior que os anos anteriores. Os brasileiros segundo ele, precisam estar preparados para atravessar um deserto no ano que vem.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista, concedida em Petrolina (PE), às margens do rio São Francisco.

Haverá água para a transposição do São Francisco? 
A quantidade de água a ser utilizada na transposição é de 26m³ por segundo, na primeira fase. A vazão de Sobradinho, no pior momento, será de 900m³ por segundo. Os canais da transposição estão projetados para receberem até 127m³ por segundo. Mas, para operar em mais de 26m³, a transposição precisa de situações hidrológicas favoráveis em Sobradinho. Hoje elas não estão dadas. Portanto, se a transposição começasse a funcionar hoje, a resposta é sim, há água.
 
O ano de 2015 vai ser pior ou melhor que o de 2014?
Aqui na Bacia do São Francisco, a minha opinião é que vai piorar. Porque não houve recarga nos principais reservatórios do Semiárido. Não acumulou água. A perspectiva para o próximo período é de maior gravidade em relação a 2014. Vai exigir que não se diminua nenhuma das medidas que estão sendo tomadas. E é preciso considerar outras medidas ainda mais restritivas. Não se pode contar com uma volta à normalidade que ninguém sabe se virá. O presidente da Sabesp (Jerson Kelman) disse que nosso desafio era atravessar o deserto de 2015. Se soubéssemos que o deserto acaba, seria fácil. E se não acabar? Temos que ter a responsabilidade de dar para as pessoas a dimensão da crise, em lugar de passar um nível de segurança que, na minha opinião, não existe. Essa é uma mensagem desmobilizadora.

A crise veio para ficar?
Precisamos nos preparar para uma crise hídrica de médio e de longo prazos, com componentes muito complexos. Crises de escassez de água vão ocorrer com muito mais frequência, infelizmente. A irregularidade das chuvas veio para ficar. É muito provável que tenhamos que enfrentar períodos de seca mais frequentes. Chove num lugar e não chove noutro. A água no planeta é sempre a mesma. Na Amazônia, há uma sucessão de secas e enchentes. Salvador esteve debaixo d’água, enquanto a 100km dali há escassez. O ciclo hidrológico está alterado e isso potencializa as fragilidades que já existiam. Precisamos mudar nossos padrões de consumo. Fala-se muito no consumo da agricultura, mas 85% da população brasileira mora em cidades, o Brasil é urbano. E os padrões de consumo nas cidades são muito elevados se comparados com os indicadores internacionais. Em São Paulo, hoje, no meio da pior seca já registrada na cidade, cada habitante gasta, em média, 220 litros de água por dia. Isso precisa mudar.

Redação com Correio


 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Vistoria flagra desvios de água em açude no Sertão da Paraíba

18/02/2015 18h55 - Atualizado em 18/02/2015 18h55
 
Fiscalização aconteceu no açude de São Gonçalo, em Sousa.
Pelo menos cinco desvios foram retirados.
 
Do G1 PB




Pelo menos cinco desvios de água foram flagrados e retirados após fiscalização realizada no açude de São Gonçalo, em Sousa, Sertão paraibano, na terça-feira (17). A ação foi feita pela Polícia Militar, em parceria com o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). Até esta quarta-feira (18), não houve prisões.

O reservatório está atualmente com cerca de 9% de sua capacidade, sendo considerado sob situação de observação, de acordo com monitoramento da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa).
 
A Justiça Federal determinou a realização das fiscalizações para a retirada de bombas que puxam água do açude, devido à seca na região. As vistorias regulares devem evitar que motores elétricos levem água para irrigação ou reservatórios ilegalmente.

Segundo o comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar, major Rômulo Ferreira de Araújo, a principal atribuição das equipes de fiscalização é coibir uso dos motores elétricos que são frequentemente instalados às margens do reservatório. O comandante pede ainda que os cidadãos das localidades abastecidas pelo açude de São Gonçalo economizem água e evitem o desperdício.


 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Onze açudes da PB estão secos e outros 24 em estado crítico, diz Aesa

07/02/2015 09h00 - Atualizado em 07/02/2015 09h00 

Relatório apontou que 74 de 121 açudes estão com menos 20% do volume.
Gerente da Aesa explica que não existe possibilidade de fazer análise geral.
 
Do G1 PB
 
Nem os maiores açudes, como o da Gamela, têm resistido à seca deste ano (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Mais da metade dos açudes monitorados estão
em situação crítica (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Onze açudes paraibanos estão secos e outros 24 estão abaixo de 5% da sua capacidade. Conforme relatório de monitoramento da Agência Executiva de Gestão de Águas da Paraíba (Aesa), atualizado na quinta-feira (5), um total de 35 reservatórios paraibanos estão em estado crítico e outros 39 estão em sob observação, totalizando 74 reservatórios com menos de 20% da capacidade.
 
O gerente de monitoramento dos reservatórios da Aesa, Alexandre Magno, comentou que a situação não pode ser analisada sob uma perspectiva geral, mas caso a caso. “Alguns reservatórios são construídos com prazo de validade, para durarem cerca de um ano, dois anos. Outros de fato podem estar em uma situação crítica por conta da falta de recarga. Por isso não podemos afirmar que a Paraíba passa por um problema com seus reservatórios”, comentou.

A maior parte dos açudes que secaram fica na Região da Borborema da Paraíba. Ao todo, sete reservatórios que entraram em colapso estão na região. Outros três ficam no Sertão da Paraíba e um no Agreste. O levantamento mostra que as chuvas caídas entre a quarta-feira e quinta-feira em 54 cidades da Paraíba não foram suficientes para recarregar os reservatórios. Segundo os dados divulgados pela agência de meteorologia, os maiores índices foram registrados em São José dos Cordeiros, no Cariri paraibano, onde choveu 156,1 mm; e no distrito de São Gonçalo, onde fica o açude localizado no município de Sousa, no Sertão. A área recebeu chuva de 108,9 mm.
 
Os açudes que chegaram a 0% do volume por ordem alfabética são: Algodão, na cidade de Algodão de Jandaíra, no Agreste; Bichinho, em Barra de São Miguel, na Borborema; Bom Jesus, em Carrapateira, no Sertão; Caraibeiras, em Picuí, na Borborema; Lagoa do Meio, em Taperoá, na Região da Borborema; Paraíso, na Cidade de São Francisco, no Sertão; Santa Luzia, na Cidade de Santa Luzia, na Borborema; Serrote, em Monteiro, também na região da Borborema; São José IV, em São José do Sabugi, na Borborema; Taperoá II, em Taperoá, na Borborema Paraibana; e por fim, o açude Novo II, na Cidade de Tavares, no Sertão.

Ainda de acordo com Alexandre Magno, a maior parte dos açudes com volume abaixo de 20% não recebe uma recarga considerável há pelo menos dois anos. “Estamos entrando no nosso período chuvoso agora, em fevereiro. Então é normal que alguns deles estejam abaixo, até porque a demanda aumenta gradativamente com o tempo. Vamos aguardar o período chuvoso e então avaliar a situação”, concluiu o gerente da Aesa.

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