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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Pedra do Ingá, na Paraíba, guarda enigmas sobre os primeiros habitantes do Brasil

14/02/2013 - 07h55 
 
Elaine Kawabe
 

Do UOL, em Ingá, na Paraíba
No oeste da Paraíba, a 46 km de Campina Grande e a 109 km de João Pessoa, localiza-se o primeiro monumento arqueológico tombado como patrimônio nacional em 1944: a pedra do Ingá. Identificado pelos arqueólogos como “itaquatiara”, o que em tupi-guarani significa “pedra pintada”, o bloco rochoso possui desenhos esculpidos em baixo-relevo que aguçam o imaginário dos místicos e despertam a curiosidade até dos mais céticos.



A maior parte da rocha tem sulcos redondos. À esquerda,
pintura cujo formato lembra um foguete. Elaine Kawabe/UOL

A pedra, situada no município de Ingá, à margem do riacho Bacamarte, mede 24m de comprimento e 3,8m de altura. Os símbolos, sulcados e esculpidos com apurada técnica na enorme pedra, lembram figuras humanas e animais; linhas onduladas remetem ao movimento das águas; há contornos curvilíneos, círculos pendulares e formatos cônicos que, "forçando" a imaginação, assemelham-se a foguetes. Mas tudo é especulação. Quem desmistifica essas impressões é Vanderley de Brito, presidente da Sociedade Paraibana de Arqueologia.

Segundo o historiador e arqueólogo, as inscrições pertenceram a uma cultura extinta entre 2.000 e 5.000 anos atrás. Não se sabe a data certa das inscrições, pois a pedra está numa área fluvial onde não há vestígios orgânicos nem utensílios cerâmicos, objetos ou tecidos com desenhos semelhantes àqueles encontrados na rocha. “O mais provável é que o painel rupestre guarde em seu baixo-relevo um comunicado bem mais simples do que se imagina. Talvez tenha sido feito para perpetuar alguma tradição do clã e seus heróis do passado”, declara.

Além disso, certas ações realizadas há menos de um século dificultam, hoje em dia, a descoberta de mais informações acerca das intrigantes inscrições rupestres. Na década de 1950, algumas pedras com desenhos esculpidos, próximas da rocha principal, foram destruídas para se transformar em paralelepípedos destinados à pavimentação das ruas da capital paraibana. A área total do complexo arqueológico, na época de seu tombamento, era de 1.200m²; hoje, é de apenas 1000m². Por fim, o clima também tem sua parcela de culpa. A pedra fica exposta ao sol, ao frio, à chuva e às cheias do riacho. Tudo isso desgasta a camada superficial da rocha, apagando lentamente a história dos primeiros habitantes do Brasil.

Museu de história natural
No complexo da pedra do Ingá há um pequeno museu de história natural, criado em 1996, que possui em seu acervo fósseis de animais extintos há mais de 10 mil anos. Alguns desses fósseis – animais da fauna pleistocênica da região de Ingá e instrumentos de pedra polida - foram descobertos pela própria fundadora do museu, a historiadora e paleontóloga Mali Trevas. Há também peças vindas do litoral paraibano, como o esqueleto de baleia e o gastrópode (molusco) fossilizado, ambos de origem triássica (entre 251 e 199 milhões de anos atrás).

Como chegar
De carro – Vindo de Campina Grande pela BR 230. Na altura do quilômetro 118, entre na estrada estadual PB 095, depois siga as placas por mais 5km até chegar ao sítio arqueológico.

De ônibus – Da rodoviária de Campina Grande, a empresa Auto Viação Progresso parte diariamente para Ingá. Saídas: das 6h30 até 17 h. O ônibus para na entrada da cidade, a 5km de distância do sítio arqueológico. Dá para ir a pé ou pegar moto-táxi. Mais informações: www.autoviacaoprogresso.com.br

Saindo de João Pessoa, a empresa Real Bus sai da rodoviária diariamente e pára em Ingá.  Saída: das 5h às 21h. Mais informações: www.realbus.com.br

Sítio Arqueológico Itaquatiara (Pedra do Ingá)
Funcionamento: diariamente, das 8h às 16h. Entrada gratuita.

Sites:
Prefeitura de Ingá
www.inga.pb.gov.br
Guia turístico
www.pedradoinga.blogspot.com

Onde ficar:
As opções de hospedagens estão em Campina Grande, que fica a 46 km.




A Pedra de Ingá mede 24 m de comprimento e 3,8m de altura.
Elaine Kawabe/UOL
 



Na época de cheia do Riacho Bacamarte, as águas cobrem quase a toda a rocha.
Elaine Kawabe/UOL
 


Visão lateral da Pedra de Ingá, na Paraíba. Elaine Kawabe/UOL


Arqueólogos acreditam que uma cultura extinta entre 2.000 e 5.000 anos
atrás desenhou as inscrições rupestres enigmáticas na Pedra de Ingá.
Elaine Kawabe/UOL


No sítio arqueológico da Pedra de Ingá, o pequeno museu de história natural
reúne fósseis de animais de mais de 10 mil anos atrás. Elaine Kawabe/UOL


Partes do calcanhar de uma preguiça-gigante. Cada peça tem o tamanho
aproximado de uma bola de futebol. Elaine Kawabe/UOL



O fêmur da preguiça-gigante mede 80 cm e foi achado em terras próximas
a Pedra de Ingá. Elaine Kawabe/UOL


Instrumentos de pedra polida foram encontrados no sítio arqueológico da
Pedra de Ingá. Acredita-se que pertenceram a povos em estágio agrícola,
entre 4.000 e 1.000 anos atrás. Elaine Kawabe/UOL

 
Gastrópode (molusco) fossilizado do período triássico (entre 251 e 199 milhões
de anos atrás). O fóssil foi encontrado em João Pessoa (PB) e está em exposição no
pequeno museu de história natural da Pedra de Ingá. Elaine Kawabe/UOL

 

Reprodução de uma parte dos desenhos sulcados na rocha.
Elaine Kawabe/UOL


Pintura exposta no museu de História Natural da Pedra de Ingá.
Elaine Kawabe/UOL


domingo, 6 de janeiro de 2013

Agreste tem aventura e trilhas

Ingá possui um dos maiores sítios arqueológicos do país.

 
Para quem quer aproveitar o passeio de férias para ampliar o conhecimento sobre história, um roteiro indicado é o Município de Ingá, no Agreste paraibano, que possui um dos maiores sítios arqueológicos do país, guardada nas inscrições rupestres de mais de cinco mil anos, com segredos até hoje indecifráveis. O passeio para a Pedra do Ingá custa R$ 30,00 para duas pessoas.

No local, os visitantes podem observar as inscrições rupestres produzidas em baixo relevo ao longo de um paredão de 46 metros de comprimento e 3,8m de altura, que se eleva sobre um lajedo do riacho Bacamarte.

Quem preferir realizar uma caminhada ou rapel, a opção é subir a Serra Velha com 655 metros de altura e que oferece ótimas atrações ao longo de 4 km de percurso. Durante o trajeto é possível conhecer outros atrativos, como a Pedra do Convento, que guarda uma série de lendas. “Dizem que, antigamente, as pessoas vinham até a pedra do convento para procurar por talheres de ouro”, conta o pesquisador Denis Mota, que integra a Sociedade Paraibana de Arqueologia. Também é possível conhecer as grutas existentes no local que eram usadas pelos cangaceiros.

ENGENHOS NO BREJO
O Brejo paraibano também é uma ótima opção para quem quer apreciar um conjunto de paisagem serrana com altitude média de 550 m e uma paisagem formada por rios, cachoeiras, trilhas, mata atlântica e um rico patrimônio histórico.

A cidade de Areia costuma atrair visitantes durante todo o ano, principalmente pelo rico patrimônio histórico. Região importante produtora da rapadura artesanal e da cachaça de alambique, uma viagem na história desta região leva aos tempos áureos dos engenhos de cana-de-açúcar, permite ao visitante degustar produtos feitos na hora e participar da produção.



Interior da Paraíba oferece roteiros de férias

Regiões do Brejo e Cariri têm opções que incluem as belezas naturais e o patrimônio histórico do Estado.



 

Francisco França
Cabaceiras, a 'Roliúde Nordestina', é um dos principais atrativos do interior do Estado

Estamos no período de férias e nem todos os paraibanos escolhem as praias do Litoral do Estado para curtir os dias de descanso. O interior da Paraíba oferece diversas opções para quem deseja realizar trilhas e conhecer as belezas naturais e o patrimônio histórico das regiões do Brejo e do Cariri. São sítios arqueológicos, lajedos, cachoeiras e outros locais que encantam pela beleza e acolhimento dos moradores das pequenas cidades.
 
A região do Cariri está localizada no trópico semiárido do Estado da Paraíba, na mesorregião da Borborema, e se caracteriza por apresentar elevadas temperaturas e poucas chuvas ao longo do ano. O destino turístico mais visitado na região é Cabaceiras, conhecida nacionalmente como a “Roliúde Nordestina”. Suas belezas naturais têm atraído uma média de 5 mil turistas por ano. Os visitantes podem realizar trilhas a pé ou de bicicleta pela zona rural e visitar casas e igrejas antigas que serviram de cenários para 30 filmes e documentários já gravados na cidade.
 
Conforme explicou a diretora de Turismo do município, Josineide Pereira, diariamente quatro guias turísticos treinados são responsáveis em guiar os turistas e mostrar todo o patrimônio do município. “O nosso passeio começa pelo Museu Histórico e depois seguimos pelas praças, casas e pelas igrejas do Rosário e Matriz. Ao longo do trajeto, o turista conhece toda a história da cidade e recebe informações sobre os filmes que já foram gravados na região, a exemplo do Auto da Compadecida”, ressaltou Josineide.
 
Em Cabaceiras, o Lajedo de Pai Mateus, formação rochosa composta por grandes pedras arredondadas, encanta os visitantes. “Nos últimos meses nós temos recebido turistas de várias partes do Brasil e até de outros países, que ficam encantados com a energia do lugar”, acrescentou Josineide.


domingo, 23 de setembro de 2012

Ingá: Campanha eleitoral em cidade paraibana com sítio arqueológico despreza potencial turístico

Candidatos ignoram registros de 6.000 anos de idade em pedra

Carlos Madeiro, Fabrício Venâncio, Leandro Moraes e Noelle Marques
Do UOL, em Ingá (PB)


Ingá é um município que fica entre as duas principais cidades da Paraíba: João Pessoa e Campina Grande. O local tem fama internacional por conta das itacoatiaras (técnica de gravura em rocha). Na cidade, três candidatos disputam a prefeitura, mas nenhum deles tem propostas para a Pedra do Ingá.


A cidade de Ingá (a 105 km de João Pessoa), encravada no agreste paraibano, guarda um dos mais importantes achados arqueológicos do país. A Pedra do Ingá tem registros dos paleoíndios (primeiros seres humanos a povoar o Brasil) de aproximadamente 6.000 anos atrás, que fizeram gravuras em rochas e tornaram a cidade referência internacional quando o assunto são as itacoatiaras --as de Ingá são consideradas as mais expressivas do mundo.

O UOL visitou a cidade dentro do projeto UOL pelo Brasil --série de reportagens que percorre municípios em todos os Estados do Brasil durante a campanha eleitoral deste ano-- e viu que a cidade é mais um exemplo típico de potencial turístico pouco explorado.

Tombado pelo patrimônio histórico em 1944, o parque da Pedra do Ingá tem infraestrutura precária e acesso difícil. No local não existe um museu, a única lanchonete vive fechada e as visitações só são feitas com marcação de um guia, que leva o turista ao encontro da pedra, às margens do Rio Ingá.

Candidatos não têm propostas para desenvolver turismo 
Em Ingá há três candidatos a prefeito disputando as eleições municipais de 2012, entre eles o prefeito Luiz Carlos Silva, o Lula (PMDB). Na cidade, três cores dominam as ruas: o azul, o vermelho e o amarelo. Apesar da disputa acirrada, nenhum político usa o potencial turístico como plataforma de governo, e a Pedra do Ingá é assunto esquecido.

No plano de governo de Biurity (PP), por exemplo, há apenas a citação da pedra, em meio a um projeto que cita preservação e recuperação de mananciais dos rios. Já os candidatos Lula e Manoel Batista Chaves Filho, Manoel da Lenha (PSD), não fazem nenhuma referência sequer ao assunto.

A pedra do Ingá não é lembrada porque não traz voto.

Dennis Mota, guia turístico



“Nas eleições a Pedra do Ingá não é lembrada porque é uma coisa que não traz voto. Quem visita é o estrangeiro, é o pessoal de outros estados. Como o pessoal da cidade não se interessa, nas eleições a pedra não é lembrada”, conta o historiador e guia de turismo oficial do parque, Dennis Mota.


O casal Renato e Cecília Alves da Silva trabalha no parque há 24 anos e reclama da prefeitura, que teria tirado deles a chave do parque, o que passou a dificultar o acesso de turistas. “Nós sempre ficamos ali cuidando de tudo, pagava até a energia. Hoje, o parque recebe pouca gente. Acabou a visitação porque não se divulga mais, não se faz melhoria, nada. Hoje, no máximo, tiramos R$ 300 por mês de lá”, disse Renato.

A chave do parque passou para as mãos da prefeitura após acordo com o Ministério Público.

População reclama de esquecimento dos políticos

Para a população, não há dúvidas de que a fama das pedras poderia ser usada para melhorar a vida dos moradores. Eles reclamam dos políticos que não fazem propostas. Todos os moradores ouvidos pelo UOL na cidade disseram que não existem investimentos para tornar a cidade um ponto turístico.

Leandro Moraes/UOL
Homens observam comício político em Ingá, na Paraíba.


“É um lugar muito bonito, mas pouco preservado pela parte política, que não desenvolve um projeto de melhoria. Aos poucos, o parque vai se deteriorando”, conta a dona de casa Lilian do Nascimento Santos.

Para o professor José Honório da Silva, o assunto não tem a importância que merece dos candidatos. “Não percebemos nenhuma vontade política. Estamos num momento político, e não vemos nenhum candidato a prefeito ou vereador tocar no assunto. É triste para a gente. Sousa [onde está o parque dos Dinossauros] é a única cidade turística fora de João Pessoa”, diz.

O desprezo também é percebido por outros moradores. "Até aqui não vi nenhum candidato fazer promessa. É nosso ponto turístico, mas, infelizmente, está abandonado. Os políticos vão lá, mas não fazem tudo que é preciso. Ali precisa de uma coisa que chame a atenção. Era para ter um hotel, um restaurante. A gente mesmo daqui não admira nada”, afirma o aposentado José Celestino.

Segundo Celestino, a cidade também sofre com a falta de políticas públicas para os jovens. “Precisa cuidar dessa juventude. Hoje não temos uma faculdade para formar eles”, diz.

Sem estrutura, Ingá vira roteiro rápido

Apesar de ser cidade turística, Ingá não possui hotéis ou bons restaurantes. Parte disso pode ser explicado pela proximidade com Campina Grande (38 km), cidade-polo do agreste paraibano.

A falta de estrutura faz com que Ingá seja apenas um roteiro rápido. "A verdade é que a cidade não se movimenta com o parque. Antes, as festas de São João aconteciam aqui e aí, sim, gerava dinheiro. Hoje não se investe no turismo, não temos boas pousadas, bons restaurantes. É um ponto de visitação, mas só de passagem”, afirma o guia de turismo Dennis Motta, que é funcionário da prefeitura.

Segundo ele, a prefeitura tem interesse em fazer melhorias, com um projeto pronto, mas o terreno onde está o parque foi desapropriado apenas no papel, sem a conclusão da compra. O local ainda possui três donos, o que impede a execução das obras de melhorias.


Fonte



sexta-feira, 20 de julho de 2012

Obras destroem pegadas no Vale dos Dinossauros; TRF-5 determina paralisação

20/07/12 - 12:15 - Atualizado em 20/07/12 - 12:19
 
Obras serão suspensas até que sejam cumpridas as formalidades impostas pelo Iphan
 
 
Obras de implantação e pavimentação das rodovias BR-426 e BR-434 estão destruindo sítios pré-históricos e até pegadas de dinossauros dos bens arqueológicos e paleontológicos em toda a bacia do Rio do Peixe, região conhecida como Vale dos Dinossauros, localizada no sertão do estado. Está constatação foi feita pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) que junto com o Ministério Público Federal entrou na Justiça para paralisar as obras e conseguiram uma liminar para interromper os trabalhos.

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) aceitou recurso do Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba e determinou a paralisação imediata das obras de implantação e pavimentação das rodovias BR-426 e BR-434, até que sejam cumpridas as formalidades previstas pelo Ipahn.

Em março de 2012, o MPF havia ajuizado ação contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Superintendência de Administração do Meio Ambiente na Paraíba (Sudema), para evitar que continuassem depredando o patrimônio cultural paleontológico daquela região. A Sudema, mesmo sendo órgão responsável pela manutenção do Monumento Natural Vale dos Dinossauros, emitiu licenças ambientais sem previsão específica de estudos de prospecção arqueológica. Já o Dnit, apesar de ter sido notificado diversas vezes pelo Iphan, continuou todas as obras embargadas, tendo, inclusive, concluído a BR-405.

Na Ação Civil Pública nº 0000423-93.2012.4.05.8202, o MPF pedia em caráter de urgência (liminar), que a Justiça determinasse ao Dnit a paralisação imediata de todas as obras até que fossem realizados estudos para identificar e salvar sítios arqueológicos existentes, condicionando o retorno das obras à autorização do Iphan. No entanto, o juiz de primeiro grau não concedeu a liminar requerida e as obras continuaram, o que levou o MPF a recorrer ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, obtendo vitória.

No recurso, o Ministério Público Federal insistiu que é urgente a paralisação imediata de todas as obras civis de implantação e pavimentação das rodovias BR-426 e BR-425. Ressaltou que as obras da BR 405 já haviam causado danos irreversíveis ao patrimônio paleontológico, com destruição de 2,5 quilômetros de cercas de rochas riquíssimas em materiais paleontológicos, algumas delas com registros de pegadas de dinossauros.

O MPF ainda enfatizou que a arqueóloga, contratada pelo próprio Dnit para diagnosticar a área das obras das rodovias, havia constatado os danos já sofridos pelo patrimônio arqueológico e alertado para a necessidade de monitoramento urgente sobre as obras, “porque outros bens, eventualmente não diagnosticados, podem vir a sofrer danos com o avanço do empreendimento”. A arqueóloga encontrou, pelo menos, seis sítios arqueológicos no trecho de 18 quilômetros de extensão da BR-434.

Apesar do alerta e dos insistentes apelos do Iphan para que as obras somente continuassem com a presença de arqueólogo e paleontólogo para assegurar a proteção aos bens históricos, eventualmente localizados, o Dnit, de forma irresponsável, prosseguiu os serviços com intenso revolvimento de solo e subsolo, mesmo nos locais onde foi apontada a presença de sítios arqueológicos pela profissional contratada pelo órgão.

Para o Ministério Público Federal, esse é o prenúncio do que ocorrerá com a riqueza paleontológica e arqueológica situada na região afetada pelas obras das rodovias BR-426 e BR-434. “Se não foi possível resguardar os bens culturais irreversivelmente prejudicados pelas obras da BR-405, já finalizadas pelo Dnit, ainda é possível minimizar os impactos decorrentes da implementação das rodovias BR-426 e BR-434 antes que o mesmo ocorra com o material arqueológico ou paleontológico presente em seu entorno”, argumentou o MPF no recurso e obteve a decisão favorável do desembargador Walter Nunes da Silva, no TRF-5.