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terça-feira, 21 de julho de 2015

MPF vai rever indenizações a famílias retiradas de área de barragem na PB

20/07/2015 19h03 - Atualizado em 20/07/2015 19h03 

Órgão recebeu documentação que vai servir de base para o inquérito.
Além das indenizações, MPF vai discutir outras questões com o Estado.
 
Do G1 PB


Famílias sofrem com cheia da barragem de Acauã (Foto: Assessoria de Imprensa / MPF-PB)
Famílias sofrem com cheia da barragem de Acauã
(Foto: Assessoria de Imprensa / MPF-PB)
O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF/PB) vai reavaliar as indenizações que deveriam ser pagas por parte do Estado, para as famílas que viviam à beira do Rio Paraíba nos Municípios de Natuba, Aroeiras e Itatuba, no Agreste do estado, e tiveram prejuízos com a construção da barragem de Acauã, no início dos anos 2000.
 
O órgão recebeu, nesta segunda-feira (20), a documentação que servirá de base para o inquérito instaurado no ano passado. Além das indenizações, o MPF vai identificar as vocações produtivas das comunidades e a também irá providenciar a relocação de restos mortais dos cemitérios que foram cobertos pelas águas na última cheia da barragem.
  
“Vamos implantar um grupo de trabalho, composto por técnicos, para fazer todo um levantamento, a fim de rever as benfeitorias e indenizações. Pretendemos discutir com o Estado as vocações produtivas dos cidadãos, porque eles não só perderam terras e casas, mas suas capacidades produtivas. O que buscamos são políticas públicas que devolvam a dignidade dos moradores das comunidades”, frisou o procurador José Godoy Bezerra de Souza.
 
A entrega da documentação foi feita por representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), instituição responsável pela elaboração do dossiê entregue ao MPF. Também participaram do evento moradores das famílias atingidas com a construção da barragem, que foram relocadas e hoje ainda vivem em comunidades em situações críticas, com violações dos Direitos Humanos.
 
O Ministério Público Federal realizará uma audiência pública para tratar do caso, no mês de agosto.
 
 Fonte
 
 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Canal de Acauã-Araçagi emprego e renda para a Paraíba

Construção do canal Acauã-Araçagi gerou 1,5 mil empregos diretos e outras centenas de indiretos na região do Vale do Mamanguape.

Publicado em 12/03/2014 às 06h00

Fotos: Kleide Teixeira/ Amanda Araújo
Os dez primeiros quilômetros do canal devem ser entregues até o final do primeiro semestre deste ano
Aos 54 anos de idade, João Batista de Lima, casado e pai de dois filhos, já passou por maus bocados em casa, quando, por falta de trabalho, tinha dificuldades para fazer a feira e garantir o sustento da família. Ele, que aprendeu o ofício de carpinteiro ainda na adolescência, agora comemora o emprego de carteira assinada e todos os direitos trabalhistas garantidos. Seu João Batista, há cinco meses, trabalha na construção das obras do canal Acauã-Araçagi e não consegue esconder a felicidade.
 
Seu João chega cedo ao canteiro de obras do lote 1 do canal, localizado na zona rural do município de Itatuba. Por ser morador de outra cidade, Gurinhém, ele dorme em alojamento montado para os trabalhadores da obra e vai para casa aos finais de semana. Esse emprego, para o carpinteiro, é uma oportunidade de contribuir positivamente com o futuro dos filhos. “Um homem desempregado não é ninguém. Graças a Deus, depois que arranjei esse emprego aqui nas obras do canal nunca mais me faltou dinheiro para fazer a feira. Já passei por momentos difíceis, só Deus sabe”, afirmou.
 
Nesse mesmo dia, a reportagem encontrou Edmilson de Lima, que aos 55 anos mostra, com orgulho, as mãos calejadas de uma vida inteira de trabalho. Seu Edmilson, natural de Itabaiana, pai de família, passou anos desempregado.

Dependia exclusivamente de trabalhos informais e esporádicos, os chamados 'bicos'. “É muito ruim quando você não tem um emprego. Quando eu fiquei sabendo que a obra tinha vaga, vim correndo e fui contratado”, declarou.

Em sua simplicidade, seu Edmilson olha para o canal Acauã-Araçagi e segura o choro. Ele sabe que através desse canal, a maior obra hídrica do governo do Estado, chegarão as águas do rio São Francisco, pelo eixo leste do projeto do governo federal.

O canal representa um marco para seu Edmilson: há anos ele não conseguia um emprego de carteira assinada. “Isso foi um presente para mim e para minha família. Nosso salário é pago direitinho todo mês, temos refeição, não falta nada”, declarou.

O ajudante de produção Antônio Lúcio da Silva, 47 anos, também estava desempregado até que iniciaram as obras do canal Acauã-Araçagi. Antes, ele já havia pensado, inclusive, em tentar a sorte em São Paulo ou no Rio de Janeiro, onde há promessas de emprego para nordestinos. Para isso, deixaria para trás a pequena casa que lutou para construir, em Itabaiana, e o mais importante: a mulher e o filho.

Há 11 meses, Antônio Lúcio trabalha na construção do canal. O canteiro de obras, em alguns momentos, mais parece um recanto de lazer, não porque eles não trabalham, mas sim porque é notória a satisfação dos trabalhadores. “Aqui a gente trabalha feliz, cantando, assobiando, é uma festa só, porque quem tem um emprego tem motivos de sobra para comemorar”, afirmou.

OBRAS GERAM EMPREGOS NO VALE DO MAMANGUAPE
A construção do canal Acauã-Araçagi possibilitou a criação de 1,5 mil empregos diretos e outras centenas de indiretos na região do Vale do Mamanguape. A maioria dos trabalhadores é de Itatuba, Mogeiro, Itabaiana, Salgado de São Félix e outras cidades próximas. Quando as vagas foram criadas, as prefeituras anunciaram as oportunidades e logo apareceram os interessados. Um deles foi José Soares da Silva, 41, que havia nove meses amargava o peso do desemprego.

Ele contou que sua vida financeira mudou bastante, desde que começou a trabalhar na construção do canal como carpinteiro. A pouca escolaridade dele sempre foi um problema a mais para conseguir um emprego. “Nem meu currículo as empresas aceitavam, mas aqui nas obras do canal nos deram uma grande oportunidade de trabalhar e ganhar nosso dinheiro com honestidade”, frisou José Soares.

Para Leonardo Oliveira da Silva, 28, trabalhar nas obras do canal Acauã-Araçagi tem uma representatividade ainda maior.

“Eu nasci e cresci nessa região, já sofri com a seca, vi meus pais chorarem pela falta de água. Agora tenho orgulho de ajudar na construção do canal, sei que nunca mais nossas vidas serão as mesmas. Quero dizer aos meus netos, futuramente, que o avô deles trabalhou diretamente nessa obra”, declarou Leonardo, que há um ano ocupa a função de armador na construção.

Também chamado de Canal das Vertentes Litorâneas, a obra trouxe oportunidades de empregabilidade para operários (entre armadores, carpinteiros, motoristas, auxiliar de serviços gerais, etc) e profissionais de nível superior, sendo a maioria engenheiros das áreas civil e de produção. O lote 1 do canal tem 40,85 km de extensão. Quando os três lotes estiverem em execução, o número de empregos diretos deve saltar para três mil e transformar as vidas de trabalhadores, a exemplo das histórias que foram contadas nessa reportagem.

COMÉRCIO FICA AQUECIDO
A geração de emprego está atrelada ao aquecimento da renda na região do Vale do Mamanguape. Os 1,5 mil operários consomem, diariamente, cerca de 80 quilos de feijão, 60 quilos de macarrão, 25 quilos de arroz e 200 quilos de carne. Boa parte desses alimentos é adquirida pelo consórcio da obra no comércio do município de Mogeiro, mudando a realidade também de comerciantes locais, que antes viam os produtos se estragarem nas prateleiras pela falta de clientela.

Os dez primeiros quilômetros do canal devem ser entregues até o final do primeiro semestre deste ano, enquanto a obra deve ser concluída em 2015. A previsão inicial era de que a conclusão se desse em 2016. A obra do canal Acauã-Araçagi está dividida em três lotes: o 1 (em Itatuba); o lote 2 (que passa por Sapé, Mari, Sobrado e Riachão do Poço); e o lote 3 (que inclui Cuité de Mamanguape, Araçagi, Itapororoca e Curral de Cima). A obra cortará fisicamente 12 cidades, mas vai beneficiar 35. Serão quase 600 mil paraibanos beneficiados com a chegada da água, que sairá da barragem de Acauã e percorrerá por gravidade 112,5 km de extensão.

Em março do ano passado a presidente Dilma Rousseff autorizou o início das obras da segunda etapa do empreendimento que está sob responsabilidade do Ministério da Integração Nacional em parceria com o governo do Estado da Paraíba. O canal faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) e tem investimento aproximado de R$1 bilhão.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Desenvolvimento do comércio e de serviços chega a Itatuba


Obras de construção do canal Acauã-Araçagi estão fortalecendo comécio regional e trazendo desenvolvimento para diversas cidades.

 
Um exemplo do desenvolvimento em Itatuba pode ser encontrado na zona rural do município. Foi lá que Maria Edileuza da Silva decidiu abrir um pequeno bar no quintal de casa, há 10 anos. Nesse tempo ela não imaginava que um dia poderia ampliar o bar e transformá-lo em um restaurante badalado da cidade. A comerciante, conhecida como Leu, atribui o progresso à construção do canal Acauã-Araçagi.

“Graças a Deus depois que as obras começaram, tudo foi dando certo para mim. Meu bar é o meu maior orgulho, eu venci”, declara Leu, que compensa a pouca escolaridade com um forte espírito empreendedor. É no restaurante dela que a maioria dos trabalhadores da obra do canal Acauã-Araçagi faz as refeições diárias. Aos finais de semana, quando estão de folga, os operários e engenheiros da obra também frequentam o estabelecimento. “Tem dia que falta mesa e o jeito é formar uma fila de espera”, conta a comerciante.

A propaganda do restaurante foi feita pelos próprios trabalhadores. “Eu sempre escuto alguém elogiando o tempero da minha comida, isso é muito gratificante, pois é tudo que sei fazer”, declara Leu. “Essa obra vai trazer água, mas antes disso já mudou nossas vidas. A renda que eu tenho hoje nunca imaginei que teria”, confidencia. E mudou mesmo. Depois que a obra começou em Itatuba, a comerciante conseguiu comprar eletrodomésticos e até aumentar a casa, além da reforma no estabelecimento. “E no final do mês ainda dá para comprar roupa e sapato”, afirma.

Com o fluxo de clientes, em sua maioria trabalhadores da obra, Leu teve de fazer adaptações no cardápio. Em tom de brincadeira, ela diz que “o pessoal é exigente”. Aos domingos, quando o movimento é maior, ela chega a fazer 50 buchadas, prato típico do Nordeste. Mas, em dias de semana, pode-se escolher entre galinha de capoeira, camarão, bode, bisteca de boi, e também a buchada. “Olho para a obra e peço a Deus que os dias passem devagar para continuar esse movimento no restaurante”, comenta.
 
Porém, nesse ponto Leu está errada, pois as obras do canal Acauã-Araçagi estão em ritmo acelerado. São cerca de 1,5 mil homens trabalhando diariamente no canteiro de obras. Os 10 primeiros quilômetros devem ser entregues até junho deste ano e é possível que a conclusão de todo o canal se concretize em 2015, um ano antes da previsão inicial. O canal está dividido em três lotes e está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2).
 
MAIS RENDA PARA A CIDADE DE MOGEIRO
O progresso também chegou a Mogeiro, cidade com menos de 14 mil habitantes. Quem ficou feliz da vida foi o comerciante Márcio dos Santos Almeida, que ampliou o horário de funcionamento do mercadinho, onde também funciona uma lanchonete, logo na entrada da cidade. “Ah, essa obra representa muito para nós que moramos aqui no interior. Não só pela água que vai trazer, mas também pelo que já está proporcionando. O movimento na minha lanchonete melhorou dez vezes mais”, revela.
 
Segundo ele, antes as vendas eram fracas, mas agora dispararam. Todos os dias ele precisa repor a bandeja de salgados para atender a clientela. “A tendência é melhorar”, destaca. Almeida conta que depois da obra, a lanchonete passou a abrir às 5h e fechar às 20h (antes abria às 6h30 e fechava às 17h). Com o aumento da renda, ele conseguiu melhorar de vida. “Acredito que depois do canal ninguém mais vai passar fome nem necessidade no interior”, frisa.
CONSTRUÇÃO CIVIL TAMBÉM 'DISPARA'
O aluguel de imóveis também disparou em Mogeiro. Parte considerável dos trabalhadores, incluindo os profissionais de nível superior (engenheiros), passou a residir no município, pela proximidade com o canteiro de obras. A cidade agora abriga pessoas vindas de várias outras cidades da Paraíba e também de outros estados. A calmaria do município foi substituída por um 'vai e vem' de ônibus, que leva e traz os trabalhadores diariamente.
 
O vendedor autônomo Paulo Vicente da Silva Júnior é proprietário de uma casa de 1º andar, em um loteamento da cidade. Em outubro do ano passado, foi procurado por pessoas interessadas em alugar o imóvel. Ele não pensou duas vezes e fechou contrato de um ano, pelo valor mensal de R$ 1,5 mil. Ele conta que se fosse alugar a casa em uma situação habitual conseguiria no máximo R$ 700,00. “Houve uma grande valorização de imóveis depois da chegada das obras. Por mim, o pessoal ficava trabalhando no canal por uns 4, 5 anos”, comenta Vicente.
 
O vendedor diz que a procura por casas na cidade é frequente.
 
“Há duas semanas minha irmã também alugou o imóvel dela, o valor compensa muito”, explica. Quem percebe essa oportunidade, aproveita para investir na construção ou ampliação de imóveis para alugar. No centro de Mogeiro, é possível encontrar muitos exemplos disso. “Aumentei minha casa e aluguei para um grupo de seis pessoas que está trabalhando nas obras do canal”, conta o aposentado Francisco Soares.
 
 

Obras do canal Acauã levam prosperidade ao interior

Construção do canal movimenta a economia local e beneficia cidades.

 

Fotos: Amanda Araújo
Obra está gerando empregos, valorizando imóveis e movimentando comércio das cidades por onde passa
 
Quando for concluído, o canal Acauã-Araçagi vai receber as águas da transposição do rio São Francisco e garantir a segurança hídrica de quase 600 mil paraibanos. Mas antes disso, as obras já representam prosperidade e desenvolvimento aos municípios que serão beneficiados pelo canal. A obra tem investimentos na ordem de R$ 1 bilhão, através de convênios do governo do Estado com o Ministério da Integração.
 

A equipe de reportagem foi conhecer de perto a realidade de duas dessas cidades: Mogeiro e Itatuba. Os dois municípios têm em comum os baixos indicadores sociais e econômicos e a sorte de ter perto o canteiro de obras do lote 1 do canal Acauã-Araçagi. Segundo o prefeito de Mogeiro, Antônio José Ferreira, o município começa a escrever uma nova história.

“A obra está trazendo muito desenvolvimento a Mogeiro, seja através dos empregos que estão sendo gerados, seja pela valorização dos imóveis para locação”, declarou.

De acordo com o prefeito, a arrecadação do ISS (Imposto Sobre Serviços) foi de R$ 1 milhão no ano passado. “Se não fosse a obra do canal, essa arrecadação seria algo improvável”, frisou Ferreira. Ele disse que os recursos serão revertidos em obras de infraestrutura na zona rural do município. “Vamos construir a ponte Rio Camurim, que vai ligar a zona rural ao centro de Mogeiro. Hoje a população sofre muito em períodos de chuva, pois a zona rural fica completamente isolada”, explicou. Com a ponte, cerca de 2 mil pessoas serão beneficiadas. O projeto para a construção da ponte está em processo de licitação.

Na avaliação de Ferreira, as obras do canal são importantes porque vão garantir a sustentabilidade econômica da população. “O homem do campo não vai mais precisar sair da sua terra natal, ele terá como manter a família através da plantação, da agricultura. O canal Acauã-Araçagi desperta a esperança de dias melhores, dias de progresso. Só o homem do campo sabe o quanto isso é importante”, afirmou.

No município de Itatuba, a palavra de ordem também é desenvolvimento. Desde que as obras do canal foram iniciadas, a cidade passou a dar passos importantes. Um deles foi em relação à geração de emprego. Segundo o prefeito Aron Andrade, muitos trabalhadores da obra são de Itatuba. “Eram pessoas que viviam de 'bicos' e hoje trabalham de carteira assinada, com todos os direitos trabalhistas garantidos”, comentou.

O gestor destacou a arrecadação do ISS, que semelhante a Mogeiro, também chegou a R$1 milhão. “É uma receita extra que veio em um bom momento e vai ser usada para trazer melhorias de infraestrutura para o município de Itatuba”, disse.

Segundo Andrade, o dinheiro será utilizado para atender uma antiga solicitação dos moradores: a pavimentação das comunidades Melancia, Tabocas e Cajá, todas da zona rural, próximas ao canal. Pelo menos 500 famílias serão beneficiadas. “O canal Acauã-Araçagi é positivo em todos os sentidos, é uma obra singular”, declarou.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Canal Acauã-Araçagi levará água a 600 mil paraibanos

Acauã-Araçagi é a segunda maior obra hídrica do Nordeste e receberá transposição.


 


Fotos: Amanda Araújo
Canal tem 112,4 km de extensão e corta 12 cidades e vai garantir a segurança hídrica na região
As máquinas não param no canteiro de obras do lote 1 do canal Acauã-Araçagi, no município de Mogeiro. É nessa obra que a população de 35 municípios da Paraíba deposita a esperança de dias melhores. É através do canal Acauã-Araçagi, a segunda maior obra hídrica do Nordeste, que passarão as águas da transposição do rio São Francisco. Mais de 600 mil paraibanos serão beneficiados. Os dias de sofrimento pela falta de água ficarão apenas na lembrança.

O canal tem 112,4 km de extensão e corta 12 cidades. O secretário dos Recursos Hídricos, João Azevêdo, disse que a obra vai garantir a segurança hídrica na região. “Através desse canal será possível implantar programas de irrigação de até 16 mil hectares. O canal Acauã-Araçagi faz parte das obras complementares da transposição e está em plena execução. As máquinas não param e isso todo mundo pode comprovar”, declarou.
 
Além de garantir água para centenas de famílias que já enfrentaram anos difíceis de estiagem, o canal Acauã-Araçagi está mudando o cenário econômico da região. As cidades estão mudando, o desenvolvimento não para. Em Mogeiro, por exemplo, a construção de novos imóveis ganhou novo fôlego, os aluguéis dispararam, novos restaurantes abriram.
 
Com a conclusão da obra, o desenvolvimento será ainda mais evidente. “O canal vai trazer uma nova realidade para os municípios, pois há muitas terras férteis onde é possível viver da agricultura e agropecuária, só faltava mesmo a água, que chegará através do canal Acauã-Araçagi”, explicou o secretário.
 
A ideia do governo do Estado é apoiar e orientar a população desses 35 municípios para que sejam implantados sistemas de irrigação.
 
Os investimentos no canal ultrapassam R$ 1 bilhão, contando com convênios feitos com o Ministério da Integração. Segundo João Azevêdo, a obra foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Por anos, a obra só existia no papel, e foi destravada após empenho do governador Ricardo Coutinho junto ao governo federal. A participação do Estado é de aproximadamente 10% do total investido, conforme explicou o secretário, que acompanha semanalmente o andamento da obra.
 
Em pouco mais de um ano de execução foram investidos cerca de R$ 210 milhões. Graças ao trabalho intenso, a previsão é que até o final do primeiro semestre deste ano seja entregue o primeiro trecho (que compreende 10 km de obra, do total de 112,4 km).
 
Dentre os municípios por onde o canal passa, estão Itatuba, Mogeiro, São José dos Ramos, Sapé, Mari e Curral de Cima. “É importante lembrar que a garantia hídrica se estende aos municípios que estão na zona de influência, que chega a 35”, frisou Azevêdo.
 
Depois que o canal Acauã-Araçagi estiver concluído, e a transposição do rio São Francisco se tornar realidade, as famílias paraibanas terão água todos os dias, o dia todo. A situação será bem diferente da já vivida pela aposentada Maria Glória de Souza, que por muitos anos teve de percorrer quilômetros a pé, para pegar água em açude e garantir a preparação de alimentos. “Esse canal é um sonho para nós que moramos no interior. Deus ouviu nossas preces”, afirmou dona Glória, que mora na zona rural do município de Itatuba.
 
Quando não tem muitos afazeres domésticos, a aposentada faz questão de chegar perto do canteiro de obras só para ter o gosto de ver os trabalhadores e as máquinas. “É uma felicidade só”, disse, esperançosa. Dona Glória está certa em suas colocações. O canal Acauã-Araçagi vem para mudar definitivamente a realidade no Vale do Mamanguape e Brejo paraibano. A escassez de água está perto de acabar.

RUMO AO DESENVOLVIMENTO
Antes mesmo de ser concluído, o canal Acauã-Araçagi já possibilita o desenvolvimento econômico nos municípios beneficiados. A arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS) pelas prefeituras de Itatuba e Mogeiro, por exemplo, aumentou consideravelmente. Segundo o secretário João Azevêdo, foram transferidos mais de R$ 1,5 milhão de ISS para cada uma dessas cidades. Sem a obra, esse repasse seria utopia. O recebimento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é de R$ 400 mil. Como uma espécie de efeito dominó, todos acabam se beneficiando com a obra. Novos estabelecimentos comerciais são abertos (como restaurantes e lanchonetes) para atender os trabalhadores; proprietários de imóveis que lucram com o aluguel da casa, etc. Até mesmo o comércio informal aumenta o lucro, tendo em vista que a cidade acaba recebendo mais visitantes.
 
Na obra em si, estão empregados diretamente cerca de 1,5 mil trabalhadores, entre ferreiros, armadores, carpinteiros, mestres de obras, entre outras funções. Um deles é Edvaldo José da Cruz, que há dez meses estava desempregado e enfrentando situação difícil com a família. Quando soube que estavam precisando de trabalhadores para a obra, não perdeu tempo e foi contratado. “Já estou aqui há dez meses. Trabalhar na construção do canal é um orgulho para mim, pois sei que muitas famílias serão beneficiadas”, contou Edvaldo, que é casado e tem três filhos.
 
A obra também trouxe um emprego para Luiz Carlos Chagas, que mora em Mamanguape e ficou sabendo da oportunidade através de um conhecido, que trabalha no local. Chagas estava desempregado há três anos, vivia de 'bicos'. Desde que começou a trabalhar nas obras do canal, em novembro de 2013, consegue mandar dinheiro para a família e exibe com orgulho a carteira de trabalho assinada formalmente pela primeira vez.
 
ESTADO QUER ANTECIPAR CONCLUSÃO
A obra do canal Acauã-Araçagi está dividida em três lotes. Os dois primeiros estão em execução. O governo do Estado aguarda autorização do Ministério da Integração para início do lote 3. “Nossa expectativa é que a autorização aconteça ainda no mês de fevereiro”, declarou o secretário João Azevêdo. A conclusão do canal está prevista para abril de 2016, mas a intenção do governo é antecipar esse prazo para 2015. “O ritmo das obras é crescente, nunca houve um problema sequer de intervenção, então estamos otimistas”, disse.
 
O trabalho é feito através de um consórcio com três empresas (Queiroz Galvão, Via Engenharia e Marquise). No canteiro de obras foi montada uma estrutura na qual ficam os engenheiros e demais profissionais envolvidos no processo, como arqueólogos (que fazem a escavação da área em busca de possíveis achados arqueológicos); biólogos (que catalogam as espécies de fauna e flora existentes na extensão da obra); e técnicos da segurança do trabalho (que inspecionam diariamente se os trabalhadores estão com os equipamentos de segurança).
 
O canal Acauã-Araçagi terá trechos com largura de 120 metros em aberto que receberão revestimento impermeável; em outros trechos com 80 metros de largura, passarão três tubos de 1,9 metro de diâmetro. A água seguirá os 112,4 km por gravidade média de três centímetros a cada quilômetro, conforme dados técnicos dos engenheiros. No lote 1 estão sendo construídas duas pontes sobre os Rios Surrão e Ingá, além de um aqueduto.
 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ministério da Integração libera verba para recuperação de 6 açudes da PB


27/09/2012 18h13 - Atualizado em 27/09/2012 18h13
 
Açudes vão receber águas do Rio São Francisco através da transposição.
Além da Paraíba, mais quatro estados no Nordeste são contemplados.
 
Do G1 PB
 
O Ministério da Integração Nacional anunciou nesta quinta-feira (27) a liberação de uma verba de R$ 220 milhões para a recuperação de 22 barragens do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), que integram o Projeto de Integração do Rio São Francisco. Na Paraíba, seis mananciais serão beneficiados com o projeto.
 
 
Segundo informações da Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, os recursos vão ser destinados a melhoramentos das barragens que vão receber as águas do Rio São Francisco. Vão passar por obras Coremas/Mãe D'Água, em Coremas, Epitácio Pessoa, em Boqueirão, São Gonçalo, em Sousa, Engenheiro Ávidos, em Cajazeiras, Poções, em Monteiro, e Acauã, em Itatuba.

Em inspeção feita ainda neste mês, a Assembleia Legislativa da Paraíba havia constatado problemas ambientais em rios e açudes paraibanos e sugeriu a despoluição de rios e desassoreamento de mananciais para que eles tivessem condições de receber as águas.

A verba será aplicada através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nos estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará, além da Paraíba. Do total, R$ 20 milhões serão aplicados imediatamente na contratação, por licitação, de empresas para elaboração de estudos e dos projetos executivos para que as obras possam ser realizadas. O Ministério da Integração não divulgou quando será destinado, nesse primeiro momento, especificamente à Paraíba.

Só depois da elaboração dos projetos os outros R$ 200 milhões poderão ser divididos entre os estados e aplicados. Essa verba posterior compreende obras civis, equipamentos hidromecânicos, elétricos e monitoramento, entre outras, segundo o Ministério da Integração.

Fonte