
Localizado no Cariri paraibano, o Distrito de São José da Batalha é o berço da uma das pedras mais belas
e cobiçadas do mundo – a Turmalina Paraíba. De um azul intenso, a pedra
registra cotação superior a dos diamantes por sua raridade, chegando a
custar US$ 50 mil por grama.
Grifes como Dior, Tiffany e H.Stern chegaram a vender jóias de
até R$ 3,07 milhões com apenas uma turmalina. Embora a pedra seja tida
como escassa em São José da Batalha, a possibilidade de encontrar novas
jazidas alimenta o sonho de muitos garimpeiros na região e é confirmada
pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
A Turmalina Paraíba, também chamada de turmalina azul, foi encontrada
pela primeira vez há cerca de 25 anos. Seu descobridor, o mineiro
Heitor Barbosa, é um dos detentores da lavra de São José da Batalha,
juntamente com familiares do deputado João Henrique. Após a descoberta, a
intensidade do azul apresentado pelas Turmalina Paraíba conquistou o
mercado internacional, virando modismo principalmente na Europa. A
raridade, cor e brilho da pedra são os principais responsáveis por sua
alta cotação, de acordo com a Companhia de Desenvolvimento de Recursos
Minerais da Paraíba (CRDM).
“A coloração incandescente e única deve-se a uma combinação de traços de
cobre e manganês na estrutura cristalina deste mineral, tornando-se de
um tipo de azul único encontrado por aqui”, afirma o diretor-presidente
da CDRM, Geraldo Nobre. Hoje, no entanto, a mina de São José da Batalha
está em fase de exaustão e a exploração está praticamente paralisada,
conforme CRDM. Mas para o superintendente substituto do DNPM, José
Toledo, há chances de haver jazidas inexploradas por conta da existência
irregular de pegmatitos – rocha que é fonte da turmalina –, na região.
“A ocorrência de gemas preciosas em rochas pegmatíticas é
errática e teoricamente não há como afirmar em ‘reservas esgotadas’. Se
os pegmatitos existem, e ocupam uma grande região entre a Paraíba e o Rio
Grande do Norte, existe sempre a possibilidade de se encontrar gemas
preciosas. Esta é a eterna esperança que move o garimpeiro”, afirma José
Toledo.
Enquanto as novas jazidas não são descobertas, os mineradores buscam
alternativas na Paraíba. Segundo a CDRM, a exploração dos pegmatitos da
meso região do Seridó paraibano, está voltada atualmente para a extração
de quartzo, feldspato e mica (minérios industriais). “A extração de
metais e de gemas (principalmente nióbio, tântalo, estanho, águas
marinhas e turmalinas), fica como uma atividade secundária”, explica o
diretor-presidente da Companhia.
Outras gemas preciosas, incluindo variedades de turmalinas são também encontradas na Paraíba como água marinha, ametista e quartzo róseo.
Das dunas de Mataraca, no litoral paraibano, sai a maior produção de
rutilo e ilmenita – minerais aplicados na fabricação de tintas – do
país. A multinacional Millennium Mineração Ltda é responsável pela
extração do minério do grupo Cristal Global no Brasil. A mina, cuja
produção de ilmenita foi iniciada em 1983, é explorada sem causar danos à
natureza, segundo o diretor de operações da CRDM, José João Correia de
Oliveira.
“Antes da descoberta desta mina, o Brasil importava este produto da
Austrália. Agora, a multinacional manda estes minérios para a Bahia onde
é processado junto às fábricas de tinta, abastecendo o mercado
brasileiro”, informou o diretor de operações. Oliveira destaca ainda a
produção de cimento paraibana, que é uma das maiores do Nordeste e está
concentrada em João Pessoa, Bayeux e Caaporã. “Também produzimos a
bentonita, que é utilizada na perfuração de poços de Petróleo, tendo a
Petrobras como principal compradora”, destaca.
O diretor lembra que a existência de ouro em Princesa Isabel, onde uma
tonelada e meia foi medida há 30 anos, ainda desperta interesses fora da
Paraíba. “Este ouro era superficial, os garimpeiros foram tirando e
chegaram a uma profundidade tal, que agora só é possível explorar
através de sondagens. E existem várias empresas interessadas na área,
uma delas é da Bahia”, revelou.
Outra grande variedade de minérios é destacada pelo superintendente
substituto do DNPM, José Toledo. “A Paraíba produz argilas para a
indústria cerâmica, bem como vermiculita e rochas ornamentais exóticas
de grande aceitação no mercado. Além disso, pesquisas de minério de
ferro vem sendo realizadas em diversos municípios paraibanos. Nos
últimos cinco anos, com o aumento desta commodity no mercado
internacional, o numero de áreas requeridas vem aumentado
significativamente”, afirmou.
Diante de tantas potencialidades, Toledo lamenta a insuficiência de
estudos que poderiam contribuir com o desenvolvimento do setor. “A
economia mineral da Paraíba carece de maiores estudos para que possa
apresentar dados atualizados, e acabar com a clandestinidade, bem como
com as lavras ilegais o que somente beneficia os grandes consumidores,
prejudicando o trabalhador”, afirma.
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