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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Produtos químicos e destruição de mata estão acabando com bacia que abastece a Grande JP, diz especialista


O engenheiro agrônomo e especialista em Ciências Ambientais, Saulo Marinho, concluiu um estudo, recentemente, e alerta que o abastecimento de água na Grande João Pessoa está ficando cada vez mais comprometido por causa degradação da bacia hidrográfica responsável pela água consumida por mais de 900 mil pessoas: a do Rio Gramame.

Em contato com o blog, Saulo lembrou que a área de drenagem da bacia é de 589,1 km². O principal curso d’água é o rio Gramame, com extensão de 54,3 km, e seus principais afluentes são os rios Mumbaba, Mamuaba e Água Boa.  Ela atende aos municípios  João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Pedras de Fogo, Conde e ao distrito de Várzea Nova pertence ao município de Santa Rita.

De acordo com Saulo, a bacia do Gramame sofre com ações antrópicas durante anos e se não houver uma mudança de comportamento e ações do poder público ela ficará comprometida.
Agricultura , pecuária , industria , mineralização etc, vem contribuindo de forma significativa para a degradação e contaminação de toda bacia do rio Gramame e seus afluentes, com consequências as mais adversas seja para a vegetação e demais tipos de vidas existentes na região, onde até o próprio homem está sendo contaminado, sem que as autoridades competentes venham controlando , ou mesmo fiscalizando adequadamente as normas legais do uso ambiental e ate mesmo o emprego de agrotóxicos na área”, relatou.
Abaixo, um resumo do estudo concluído recentemente. Um alerta importante para quem acha que a água é um bem sem fim e que não devemos forçar às autoridades a proteger nossas fontes.

Atualmente a demanda de João Pessoa é de 2.165,10 l/s atendidas através dos mananciais Gramame-Mamuaba, Marés (não está inserido na Bacia do Gramame e sim na Bacia do Rio Paraíba) e poços.
 
a) A Area de captação d'água conhecida por bacia do rio gramame está totalmente degradada por ações antropicas, tendo como consequencias desaparecimento da vegetação nativa, dos pequenos corregos, riachos e assoreamento dos afluentes, Gramame, Mamuaba e Água Boa.

b) O manejo errôneo do solo e ocupação indevida nas áreas de mata ciliar (plantações e criação de animais), geram por si só um fortíssimo impacto no rio e em toda bacia. A exploração agrícola (com o desenvolvimento da agricultura irrigada), a atividade industrial e a mineração se fazem presentes no espaço geográfico da bacia.
 
c) O desenvolvimento da agricultura e da pecuária local, tem contribuído para a poluição do solo e das águas. Fertilizantes sintéticos e agrotóxicos (inseticidas, fungicidas e herbicidas) usados em quantidades inadequadas ou indiscriminadamente nas lavouras poluem o solo e as águas dos rios e lagos, onde intoxicam e matam diversos seres vivos desses ecossistemas.

Pesquisas realizadas durante mais de uma década identificaram nos mananciais 72 tipos de agrotóxicos, alguns já proibidos no Brasil (Benlate 500 /Benomil) e em outros países, outros em reavaliação no Brasil (Roudap/glifosato). 

Os lixões e resíduos sólidos identificados da mesma forma localizados a jusante (depois) da barragem Gramame, causam também problemas para o homem e os animais, porque apresentam metais pesados de alta toxidez, efeitos cumulativos e de difícil decomposição química.

Processos de assoreamentos e bancos de areia são as consequências vistas por essa falta de fiscalização, desse que é um dos principais mananciais que abastecem a Grande João Pessoa.

Entretanto, estudos infelizmente demonstram que esse não é o único problema da bacia, que está com um déficit de retirada de água para o uso humano, e mesmo assim grande parte da sua água é usada pela agricultura e outra parte é lançada em forma de esgotos em outros rios. Isso diminui sua vazão e compromete sua capacidade de diluição da poluição e renovação da água e o seu próprio abastecimento.
 
d) Pior ainda, conforme estudo realizado pela a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) /UNICAMP em amostras coletadas em 30/07/2014, através de análise d’água a montante (antes) da captação d’água pela CAGEPA foram identificados a presença dos agrotóxicos “herbicidas” diuron, tebuthiuron e ametrina. Em novas análises realizadas na mesma data, foram encontrados em água (tratada), coletada em torneiras de residências no bairro dos Bancários em João Pessoa PB, a cafeina e o agrotóxico / herbicida atrazina (a). 

e) A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) promoveu dia 26/10/2015 uma Audiência Pública da Frente Parlamentar Ambientalista, com o objetivo de debater a situação do Rio Gramame. O evento ocorreu no plenário José Mariz e contou com a presença de moradores das proximidades do rio, ativistas ambientais e representantes dos povos indígenas.

A poluição na bacia do Gramame será diagnosticada em projeto de pesquisa - MPF-PB. O trabalho será realizado pela Univ. Federal da Paraiba (UFPB), no âmbito de inquérito civil do Ministério Público (MP) Federal e Estadual, em projeto que conta com parceria de órgãos, associações e empresas privadas. Pesquisa também vai analisar a qualidade da água servida em João Pessoa, para verificar se contaminação que atinge o rio também chega às torneiras da capital.

Lançamento do “Fórum” de proteção a bacia do Gramame - Paraíba
O lançamento oficial do Fórum de Proteção do Gramame ocorreu no dia terça feira 24/11/2015 no auditório do Ministério Público da Paraíba (MPPB) sendo oficializado mediante um termo de cooperação técnica assinado pelas instituições/ integrantes do projeto. 

Apesar das ações ora mencionadas, a lentidão ‘NA PRÁTICA’ do processo de recomposição do Gramame de a bacia como todo, poderá agravar a situação com o colapso no abastecimento e sobretudo na água fornecida na grande João Pessoa.

UFPB / MP/PB / IBAMA / SUDEMA / SEMAM /CAGEPA /ASPLAN /COTEMINAS e outras empresas fazem parte do Fórum.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Polícia usa drone e apreende carga de madeira nativa no Seridó da Paraíba

17/03/2017 17h42 - Atualizado em 18/03/2017 12h47
 
Caminhão estava transportando carga por estradas na zona rural. 
Local era de difícil acesso e policiais usaram drone para encontrar carga.

Do G1 PB



Caminhão carregado de madeira foi encontrado com auxílio de drone (Foto: Polícia Militar / Divulgação)
Caminhão carregado de madeira foi encontrado com auxílio
de drone (Foto: Polícia Militar / Divulgação)

Uma carga de madeira nativa foi apreendida quando estava sendo transportada na zona rural de São Vicente do Seridó, na Paraíba. O material foi localizado depois que o Batalhão de Polícia Ambiental da Paraíba recebeu uma denúncia. O motorista do caminhão estava usando uma estrada vicinal da zona rural, de difícil acesso, e os militares só conseguiram localizar a carga com o auxílio de um drone.
 
Segundo o comandante do 1º Pelotão Ambiental da Polícia Militar, em Campina Grande, tenente Rodrigo Rodrigues, no momento da abordagem, o motorista do caminhão estava tentando desatolar o veículo. Na carga, havia madeira de jurema e catingueira. A apreensão ocorreu nesta quinta-feira (16).

A carga de madeira foi apreendida e encaminhada para a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema). O procedimento também vai ser encaminhado para o Ministério Público da Paraíba (MPPB), para abertura de um processo judicial.

Fonte

 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

São João do Tigre está entre municípios que mais conservam a Mata Atlântica







De acordo com os dados, a cidade com maior desmatamento foi Matacara, que fica no Litoral Norte paraibano, a 105 km de João Pessoa, onde foram desmatados 49 hectares de restinga. Os municípios de Baía da Traição, Mataraca, Jacaraú e Itabaiana são os que mais desmataram áreas de Mata Atlântica entre os anos de 2014 e 2015 na Paraíba. Os dados fazem parte do Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, um estudo elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE). Os dados mostram que juntos, esses municípios foram responsáveis pela perda de 60 hectares de Mata Atlântica, área equivalente a 64 campos de futebol. 
 
De acordo com os dados, a cidade com maior desmatamento foi Mataraca, que fica no Litoral Norte paraibano, a 85 km de João Pessoa, onde foram desmatados 49 hectares de restinga. Em Baía da Traição, também no Litoral Norte, a 90 km de João Pessoa, desmatamento de sete hectares de mata.
Em Jacaraú, também no Litoral Norte, a 97 km de João Pessoa, a diminuição da Mata Atlântica foi em três hectares de mata. Já em Itabaiana, no Agreste paraibano, a 92 km de João Pessoa, o desmatamento foi de 1 hectare de mata.

Ainda segundo os dados, os municípios de São Sebastião do Umbuzeiro, Cabedelo, São João do Tigre e Bayeux são os quatro que mais conservam as áreas de Mata Atlântica, com, respectivamente, 67%, 32,8%, 32,2% e 28% das suas áreas naturais preservadas.

Questionada pelo Portal Correio sobre os dados do estudo, a Superintendência de Administração do Meio Ambiente na Paraíba (Sudema) afirmou que as áreas de Mata Atlântica em Baía da Traição e Mataraca são reservas indígenas, por isso são de responsabilidade do governo federal.

“A Sudema esclarece que as áreas de Mata Atlântica, localizadas nos municípios de Mataraca e Baía da Traição são reservas indígenas, sendo de competência dos órgãos ambientais federais a sua fiscalização. Dentro de João Pessoa, contamos com quatro Unidades de Conservação (UC) e em outras áreas do Estado, temos mais seis UC, isso representa cerca de 20.304,60 hectares protegidos, locais que sequer foram citados no relatório. Com isso, a Sudema pede à população que denuncie qualquer crime ambiental, que por ventura seja presenciado”, declarou a Sudema.

Procurado pelo Portal Correio, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão federal responsável pela fiscalização e combate ao desmatamento, afirmou que conta com 20 agentes ambientais para fiscalizações em toda a Paraíba, e considera o número como “suficiente”.

Ainda segundo o Ibama, a Paraíba é considerada estado com nível de desmatamento ‘zero’, que é quando o desflorestamento é de menos do que 100 hectares por ano.

“O Ibama acompanha os dados referente ao desmatamento do Bioma Mata Atlântica. São realizadas ações fiscalizatórias periódicas e constantes, bem como o monitoramento através de imagem de satélite e acompanhamento do número de focos de calor, que indicam o uso de fogo na área”, afirmou o Ibama.

Questionado sobre a fiscalização nas áreas desmatadas, o órgão afirmou que grande parte desse desmatamento está situado nos municípios abrangidos pela Terra Indígena Potiguara, assim o Ibama tem intensificado a fiscalização nesses municípios, buscando coibir a exploração do carvão e o avanço do cultivo da cana-de-açúcar.

Fonte

sábado, 20 de junho de 2015

Paraíba já desmatou 90% da Mata Atlântica de seu território, diz IBGE


20/06/2015 19h07 - Atualizado em 20/06/2015 19h08 

Estado só mantém 483km² de área de Mata Atlântica.
Presidente da Apan diz que situação é preocupante.
 
Krystine Carneiro Do G1 PB

A Paraíba só tem 483km² de área remanescente de Mata Atlântica, segundo os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável divulgados na sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, 90,1% da área original - que era de 5.980 em todo o estado - já foi desmatada. Os dados são referentes ao ano de 2012.
 
De acordo com a publicação, também restam 111 km² de mangue. Com esses dados, a Paraíba é o estado que teve o quinto maior percentual de desmatamento de Mata Atlântica no país, ficando atrás apenas de Goiás (97,3%), Rio Grande do Norte (90,8%), Sergipe (90,7%) e Alagoas (90,3%). 
 
Para o presidente da Associação Paraibana da Natureza (Apan), Antonio Augusto, o dado é preocupante. A Mata Atlântica é um pequeno ecossistema fundamental para a preservação dos mananciais de água potável. Se essa cobertura vegetal foi extinta, as consequências serão desastrosas. João Pessoa, que hoje não tem escassez de água, passará a ter, principalmente porque tivemos uma precipitação pluviométrica baixa esse ano”, comentou.

Segundo Antonio Augusto, a Mata Atlântica na Paraíba ainda tem uma faixa estreita no Litoral e alguns resquícios no Brejo. “Os órgãos ambientais deveriam ser extremamente rigorosos com relação a licenciamento e autorização para desmatamento. Isso, infelizmente, não acontece”, disse.
 
O presidente da Apan ainda atribuiu o alto índice de desmatamento à falta de planejamento urbano dos municípios onde há Mata Atlântica. “Hoje o litoral é a região com a maior densidade demográfica do estado, onde as cidades têm um crescimento acelerado. Seria primordial que houvesse um disciplinamento desse crescimento”, disse Antonio Augusto. Outra causa é a “falta de educação ambiental e conscientização da população e, sobretudo, dos empresários e empreendedores”.

O G1 solicitou, às 17h da sexta-feira, um posicionamento em relação aos dados à Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema). A assessoria de imprensa informou que ia encaminhar o pedido ao setor responsável, mas que, no horário em que a solicitação foi realizada, não havia mais expediente no órgão e que só seria possível comentar o assunto na segunda-feira (22).



quinta-feira, 12 de março de 2015

Ibama embarga 492 hectares desmatados ilegalmente na caatinga paraibana

Publicado em março 12, 2015 por Redação



Ibama embarga 492 hectares desmatados ilegalmente na caatinga paraibana

Agentes ambientais da Superintendência do Ibama na Paraíba identificaram e embargaram 44 áreas que estavam sendo desmatadas ilegalmente, num total de 492 hectares, durante a primeira etapa da operação Mandacaru. A fiscalização foi durante o período de 21 de fevereiro a 9 de março último, e tinha por objetivo coibir o desmatamento ilegal e a exploração irregular de vegetação nativa no bioma Caatinga.

A ação fiscalizatória foi realizada em mais de 10 municípios situados nas regiões do sertão e do cariri paraibanos. Além do embargo das áreas, o Ibama aplicou mais de R$ 700 mil em multas a 44 infratores, tendo sido apreendidos ainda um trator, dois computadores, três caminhões e uma motosserra.

A Caatinga é um bioma que inclui diversas formações vegetais, sendo a região semi-árida mais populosa do mundo. O ecossistema se estende por quase todos estados do nordeste e parte de Minas Gerais, e é considerado muito importante do ponto de vista biológico por apresentar fauna e flora únicas, formadas por uma vasta biodiversidade e rica em recursos genéticos. Estima-se que pelo menos 932 espécies já foram registradas, das quais 380 são encontradas exclusivamente na região.

Texto e fotos: Ascom/Ibama/PB

Publicado no Portal EcoDebate, 12/03/2015



 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Mais de 120 hectares de Mata Atlântica serão destruídas para construção de barragem na PB

Da Redação
Mais de 120 hectares de Mata Atlântica serão destruídas para construção de barragem na PBO Conselho de Proteção Ambiental - COPAM do Estado da Paraíba, aprovou na 88ª Reunião Extraordinária, com voto favorável do conselheiro da Associação Paraibana dos Amigos da Natureza - APAN, a renovação da Licença Prévia nº 2478/2012 - para Construção de uma Barragem de Acumulação, dita Barra Cupissura, localizada no Município de Caaporã-PB.

A Barragem de Cupissura é mais uma obra hídrica do Estado da Paraíba, com capacidade de acumulação de água de 9,56 milhões de metros cúbicos, que faz parte do complexo da Adutora Translitorânea, que garantirá água tratada até o ano de 2030 para os moradores dos Municípios de João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Conde, Alhandra e Caaporã.

Para a construção da Barragem de Cupissura, serão desmatados cerca de 125,3 hectares de Mata Atlântica, localizados no limites da Paraíba com Pernambuco. No levantamento florístico realizado para o Estudo de Impacto Ambiental e Respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), foi encontrado um novo registro de Bromeliaceae para o Estado da Paraíba, a Canistrum aurantiacum. Essa espécie é rara e com poucos dados na literatura, com citação apenas em Alagoas e Pernambuco, e agora na Paraíba. Além dessa espécie, foi encontrada o jacarandá (Swartzia pickelii), que de acordo com a Instrução Normativa MMA nº 6/2008, referente à lista oficial das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, essa espécie é considera ameaçada de extinção.


 

terça-feira, 17 de junho de 2014

AGU da PB pede condenações por desmatamento da Mata Atlântica

17/06/2014 20h33 - Atualizado em 17/06/2014 20h33 

Desmatamento aconteceu em Santa Rita, Conde e Mamanguape.
AGU pede condenação e reparação dos danos causados.
 
Do G1 PB
 
O desmatamento de vegetação nativa de Mata Atlântica em Santa Rita, Conde e Mamanguape levou a Advocacia-Geral da União (AGU) a acionar judicialmente empresas e fazendeiros na Paraíba. Em quatro ações, os procuradores pedem a condenação dos acusados por degradação ambiental e reparo dos danos causados, além de penalidades penais e administrativas previstas na legislação ambiental.
 
Foram ajuizadas duas ações contra irregularidades praticadas no município de Santa Rita, na Grande João Pessoa, segundo nota da AGU. A primeira, pelo desmatamento de 100 hectares de Área de Preservação Permanente (APP), sem autorização ou conhecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
 
A outra ação pretende reparar danos causados também em Santa Rita, totalizando 14,02 hectares. Segundo os procuradores, três particulares jogavam entulho (raízes e vegetação) nas APPs. Também verificaram que uma das áreas foi destinada à atividade agrícola com plantação de cana-de-açúcar, e que as demais estavam sendo preparadas para o mesmo fim.
 
Contra o desmatamento de três hectares de mata de preservação em Mamanguape, no Litoral paraibano, a AGU também ajuizou ação para responsabilizar a proprietária de uma fazenda. Além disso, houve uso de fogo em vegetação secundária de Mata Atlântica, sem a devida permissão, para o plantio irrigado de mamão, destruindo várias espécies nativas.
 
Uma obra indevida potencialmente poluidora construída na praia de Carapibus, Município do Conde, no Litoral sul, também foi alvo de ação judicial. A AGU alega que não houve licença ou autorização dos órgãos ambientais, na construção de uma escadaria para acesso à praia.
 
Segundo a AGU, em todas as ações, os procuradores reforçam que as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente devem sujeitar os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. Também apontam que os danos causados em decorrência das ações isoladas de produtores rurais podem trazer consequências irrecuperáveis às áreas.
 
Fonte
 
 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Ibama reduz em 42,8% o número de autos de infração

Diminuição no quantitativo de autos de infração demonstram que a população está mais consciente, diz superintendente do Ibama.


Rizemberg Felipe
Maiores infrações identificadas na Paraíba dizem respeito ao desmatamento, seguida do comércio de animais
Durante todo o ano de 2013, a quantidade de autos de infração aplicadas pelo Instituto Brasileiro de do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi de 400, o que representa uma diminuição de 42,8% em comparação com 2012, quando as notificações chegaram a 700. Quanto ao valor gerado com as multas, a queda chega a 50%, uma vez que no ano passado foram recolhidos R$ 4 milhões em multas e em 2012 foram R$ 8 milhões.
 

No entanto, de acordo com o superintendente do Ibama na Paraíba, Bruno Faro Eloy Dunda, a diminuição no quantitativo de autos de infração e consequentemente nas multas aplicadas são fatores a se comemorar, pois demonstram que a população está mais consciente e que as operações realizadas estão surtindo efeito.
“O Ibama continua fazendo as fiscalizações periódicas, bem como as operações programadas, no entanto conseguimos diminuir consideravelmente a caça ilegal, venda e comércio de animais silvestres e desmatamento, o que consideramos como extremamente positivos”, afirmou.

Ainda segundo Bruno Faro Eloy Dunda, as maiores infrações identificadas na Paraíba dizem respeito ao desmatamento, seguida do comércio de animais silvestres, sendo o problema recorrente em todas as regiões. A pessoa física ou empresa flagrada desmatando em Área de Proteção Permanente (APP), é multada em R$ 5 mil por hectare. Esse valor diminui para R$ 1 mil se o desmatamento ocorre em área não protegida, mas também o embrago da área para que ela se recupere.

Já os casos de flagrante de comércio ilegal de animais silvestres, a multa varia de R$500 por animal até R$ 5 mil, se ele constar na lista de ameaçados de extinção. Para 2014, segundo Bruno Faro Eloy Dunda, a meta é manter as operações e focar no Cadastro Técnico Federal, que consiste num instrumento que garante o controle e monitoramento ambiental das atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras dos recursos naturais, tais como a extração, produção, transporte e comercialização de produtos potencialmente perigosos ao meio ambiente ou que utilizem produtos e subprodutos da fauna e flora, explicou.

Este ano, estão previstas a realização de 34 operações. Para isso, o Ibama na Paraíba que conta com uma sede em João Pessoa e outra no município de Sousa, conta com 30 servidores com atribuições de fiscais e cinco para análise de sistemas declaratórios de empresas, na busca por aquelas que estão fora do Cadastro Técnico Federal.

ADOÇÃO LEGAL
O superintendente do Ibama na Paraíba, esclarece que é possível criar animais silvestres de forma legal, no entanto, a primeira ação a ser feita pelos interessados em criá-los deve ser sua aquisição por parte de criadores cadastrados no órgão.

“Orientamos para que as pessoas que desejam ter esses animais em casa os adquira através de criadores cadastrados no Ibama e que mantenham-se de posse sempre da nota fiscal.

Além disso, para garantir que esse animal foi reproduzido em cativeiro, ele precisa possuir uma anilha, que é um pequeno anel colocado na pata ou em alguma parte específica do animal, em seus primeiros dias e vida, com número de identificação e que não se adapta ao corpo do animal através da calcificação. Através deles, podemos comprovar sua origem e garantir a manutenção das espécies”, concluiu Bruno Faro Eloy Dunda.

sábado, 12 de outubro de 2013

Ambientalistas denunciam invasão de área ao lado do Centro de Convenções de João Pessoa

Ocupação geraria desconfortos para o Centro de Convenções, prevê técnico 


A reportagem do WSCOM  recebeu desde ontem emails e torpedos de ambientalistas ligados ao segmento de Trilhas na região do Altiplano na direção a Jacarapé de que dezenas de árvores foram derrubadas por dezenas de pessoas para instalar de área ocupada por sem-tetos visando a construir moradias.

- São inúmeras as pessoas constatando a denúncia - disse um funcionário do IBAMA pedindo para não ser identificado.

Com a invasão, segundo disse, o local se transformará em Favela e incômodo para o Governo porque repercutirá no Centro de Convenções.

Funcionários e o Secretario de Meio Ambiente do Governo não foram localizados.

Da Redação
WSCOM Online

Fonte

 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Macacos recebem atenção especial

Animais são vítimas de desmatamento e comércio ilegal, segundo Batalhão de Polícia Ambiental. 


Ameaçados pelo desmatamento e comércio ilegal, os macacos guaribas da Reserva Biológica Guaribas, localizada no município de Mamanguape, no litoral Norte do Estado, recebem atenção especial do BPAmb. Segundo major Beuttenmüller, em parceria com o Instituto Chico Mendes, a Polícia Ambiental faz operações para coibir o desmatamento.
“Além do desmate ilegal, há casos em que são feitas carvoarias dentro da mata e nós atuamos para coibir este tipo de crime”, garantiu o major. O BPAmb atua ainda em parceria com a Superintendência de Meio Ambiente, prestando apoio em ações referentes ao desmatamento e à poluição sonora.
Já com a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba, o BPAmb fiscaliza o roubo de água das nascentes.
“As ações envolvem o transporte irregular de madeira da mata nativa, Quem for pego nessa situação é autuado, já que isso é proibido. Se o caminhão não possuir autorização do Ibama, o material e o veículo serão encaminhados até o BPAmb, Sudema ou Ibama.


 

domingo, 30 de setembro de 2012

Desmatamento em área de floresta

Oito pessoas foram autuadas em flagrante no último dia 17, pelo Batalhão de Polícia Ambiental, desmatando uma área da floresta nativa.



 


Oito pessoas foram autuadas em flagrante no último dia 17, pelo Batalhão de Polícia Ambiental, desmatando uma área da floresta nativa, na redondeza do Parque Estadual do Aratu, em Jacarapé, próximo ao bairro Cidade Verde, Mangabeira, em João Pessoa.

O chefe de fiscalização do Batalhão Ambiental, tenente Handerson da Silva, disse que os acusados já haviam derrubado de dois a três hectares da Mata Atlântica, protegida por lei.

“Na última quarta-feira, passei próximo ao local e observei uma leve queimada, como se fosse acidental. Mas através das fiscalizações rotineiras, a constatação ocorreu na noite do domingo, 16, e as oito pessoas foram autuadas em flagrante, munidos com facões, foices e outras armas utilizadas para cometer o crime de desmatamento”, detalhou.

Segundo o tenente, no local foram encontradas várias moradias, algumas delas construídas com as madeiras das árvores derrubadas, mas que existem pessoas com boas condições financeiras, usando os menos favorecidos para praticar a má-fé.

“Muitas dessas pessoas são carentes, mas existem outras, que possuem casa própria, liderando a invasão para inclusive comercializar lotes de terras”, ressaltou.

Ainda de acordo com Handerson da Silva, as oito pessoas autuadas foram encaminhadas para a Delegacia Especializada do Meio Ambiente, na Central de Polícia, no Centro de João Pessoa, mas foram liberadas pelo delegado. Eles serão punidos pela esfera administrativa.

“Elas vão responder em liberdade, mas terão de pagar uma multa que varia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. No entanto, também elaboramos um relatório para encaminhar ao Ministério Público da Paraíba e à Superintendência do Meio Ambiente (Sudema) para que esses órgãos tomem as providências cabíveis, lavrando um termo de reintegração de posse”, pontuou. (Colaborou Jaine Alves)




 

Ocupações ameaçam a Mata Atlântica

Um dos biomas mais ricos e importantes para o ecossistema brasileiro, a Mata Atlântica, sofre a ação da ocupação irregular em João Pessoa.
 



Um dos biomas mais ricos e importantes para o ecossistema brasileiro, a Mata Atlântica, sofre a ação da ocupação irregular em João Pessoa. Nessas áreas, que são consideradas de Preservação Permanente, a chegada das pessoas e das moradias trouxe muito lixo, dejetos e desmatamento – modificando todo o ambiente antes preservado.

Apesar de a capital ter sido a primeira cidade a elaborar um Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, em novembro de 2010, ambientalistas apontaram que as intervenções não foram significativas e a vegetação continua sob constante ameaça.

No bairro do Rangel, por exemplo, a falta de cercamento em trechos da Mata do Buraquinho deixa a vegetação exposta a todo tipo de poluição, além da ação ilegal de retirada de madeira. A mata em questão é uma das 20 áreas vistas como prioritárias pelo plano municipal.

Porém, segundo a presidente da Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (Apan), Socorro Fernandes, em visitas feitas há alguns meses na mata foi constatada a existência de fezes e diversos materiais orgânicos em seu interior. “Por ser uma área pública, não se pode sanear e os moradores acabam direcionando os efluentes para a mata”, completou Socorro, ao acrescentar que o mesmo problema é visto na parte da Mata Atlântica 'ocupada' pela comunidade do Timbó, nos Bancários.

Em visita ao local, a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA verificou que canos de concreto que passam ao lado das moradias estão ligados diretamente ao Rio Timbó. O mau cheiro chega a incomodar os próprios moradores do local.

O rio está um filete, estreito por falta da vegetação que segura o solo”, afirmou Socorro, referindo-se à destruição da mata ciliar nas margens do rio – vegetação considerada de preservação e permanente e de grande importância para a proteção dos mananciais. Sem ela, a erosão das margens leva terra para dentro do rio – provocando o assoreamento e mudando os cursos da água.

A presidente da Apan destacou, ainda, que praticamente todas as comunidades ribeirinhas da capital são ocupações irregulares, que devastam a mata ciliar e poluem os rios – entre elas a São José, Padre Hildo Bandeira, São Rafael e Boa Esperança.

“A Mata Atlântica também regula o clima, a temperatura e a chuva. Ao perdê-la, estaremos fadando a cidade de João Pessoa a ter um clima mais quente, e a população a perder em qualidade de vida. No futuro, se a devastação continuar, corremos sérios riscos de escassez de água”, alertou Socorro, ao afirmar que o Plano da Mata Atlântica precisa ser aplicado de forma efetiva “urgentemente”.

No bairro do Tambiá, uma outra reserva ambiental tem sido afetada pela ação da ocupação dos homens. O Parque Lauro Pires Xavier, área prioritária no Plano Municipal de Conservação, está rodeado de residências, comércio e estabelecimentos de serviços.

Dentro do próprio parque, duas famílias construíram casas e ocupam a área há aproximadamente 15 anos – segundo moradores da área que preferiram não se identificar. Várias árvores situadas próximas às construções foram cortadas e grande quantidade de lixo pode ser vista no parque. Como consequência, o Rio da Bomba (que passa pelo local) está bastante poluído.
 

Fonte

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Polícia autua famílias por desmatar para construção de casas na Paraíba

27/09/2012 16h12 - Atualizado em 27/09/2012 17h20

Várias barracas e até casas de alvenarias já estavam construídas no local.
Responsáveis foram autuados por prática de crime ambiental.
 
Do G1 PB
Algumas casas de alvenaria já estavam prontas e outras em construção (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Algumas casas de alvenaria já estavam prontas e outras em construção
(Foto: Walter Paparazzo/G1)
Por volta das 15h desta quinta-feira (27), cerca de 30 pessoas foram levadas para a Delegacia de Meio Ambiente, localizada na Central de Polícia de João Pessoa, suspeitas de prática de crime ambiental. De acordo com as informações da polícia, moradores do Conjunto Patrícia Tomaz foram até uma mata de Jacarapé e destruíram uma parte da vegetação para a construção de barracas e pequenas casas.

O Sargento Valdir Pereira, da Polícia Militar Ambiental, informou que “a polícia foi notificada e ao chegar no local perceberam que várias barracas já estavam montadas e até algumas casas de alvenaria já estavam de pé”.

Responsáveis foram levados para a Central de Polícia (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Responsáveis foram levados para a Central
de Polícia (Foto: Walter Paparazzo/G1)

“Trouxemos todo o pessoal responsável até a Delegacia de Meio Ambiente. Eles informaram que fizeram isso pra chamar atenção, como uma forma de pedir moradia ao governo. No entanto, temos informações que confirmam que eles moravam no Patrícia Tomaz”, disse o sargento.

Todas as pessoas que foram detidas continuam na delegacia para prestar depoimento e, segundo o sargento Valdir, vão responder por prática de crime ambiental, já que boa parte da vegetação, que estava em área de preservação, foi destruída.
 

Fonte


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sete pessoas são autuadas por destruir floresta nativa na Paraíba

17/09/2012 16h02 - Atualizado em 17/09/2012 18h52

Elas vão responder em liberdade e pagar uma multa de até R$ 10 mil.
Em 20 dias, foram destruídos dois hectares de floresta nativa, diz polícia.
 
Do G1 PB
 
Uma fiscalização de rotina do Batalhão Ambiental flagrou oito famílias desmatando uma área de Mata Atlântica na praia de Jacarepé, em João Pessoa, neste domingo (16). A invasão ao terreno que, de acordo com o chefe de fiscalização do Batalhão Ambiental, Handerson da Silva, já vinha acontecendo há cerca de 20 dias, já tinha destruído cerca de dois hectares de floresta nativa, protegida por lei.
 
Em torno da mata, já havia uns cem barracos, feitos com madeira das próprias árvores derrubadas, segundo Handerson da Silva. "Essas pessoas foram autuadas por destruir e danificar vegetação nativa, pena que vai chega a três anos de prisão. Por isso, irão responder em liberdade na esfera penal e na esfera administrativa. Esta última prevê uma multa que varia entre R$ 5 mil e  R$ 10 mil”, informou.

Handerson explicou ainda que sete pessoas foram levadas para a delegacia especializada do meio ambiente, na Central de Polícia, localizada no Centro de João Pessoa. "Com as famílias que já montaram as casas nós não podemos mexer. Com relação a estas, a Justiça vai lavrar um termo de reintegração de posse para que a Polícia Militar e a Sudema [Superintendência do Meio-Ambiente] tirem essas famílias de lá”, acrescentou.
Durante a autuação, foram apreendidos alguns pertences, como facão, foice e carros-de-mão. “Não há dúvidas de que são carentes, mas existem algumas pessoas que já possuem casas encabeçando esse movimento de invasão. É isso que vamos apurar”, afirmou Handerson.



sexta-feira, 27 de julho de 2012

No calor da indústria do gesso, a ruína da caatinga no Nordeste

Autor(es): Cleide Carvalho
O Globo - 22/07/2012

Em toda a região, 30% das empresas usam lenha como fonte de energia; adesão a planos de manejo ainda é baixa

SÃO PAULO . No Araripe, na divisa de Pernambuco com Piauí, está o maior polo gesseiro do país. Com o incentivo à construção civil, as fábricas estão a pleno vapor e respondem por 95% da produção nacional. A notícia é boa. Mas o sertão nordestino, que a maioria só ouve falar em tempo de seca, segue palco de contradições. Os fornos das fábricas são, em maioria, movidos a lenha. É assim também em boa parte do polo têxtil de Toritama, em Pernambuco, onde as caldeiras que tingem tecidos fervem sob estalos de madeira, ou no Seridó, entre Rio Grande do Norte e Pernambuco, onde olarias produzem tijolos e telhas para toda a região. No Nordeste, hoje, 30% das empresas usam a lenha como fonte de energia.

Por ano, são queimados 25 milhões de metros cúbicos de lenha no Nordeste, o que equivale a desmatar 2.500 km², mais que o dobro da cidade do Rio de Janeiro. Pouca gente se incomoda com isso. Primeiro porque não se tem outra fonte de energia barata. O problema, como diz o sertanejo, é que não se planta um pau. O que queima nos fornos é lenha nativa e, pela lei, 20% da mata de caatinga deveriam ser preservados em cada propriedade. No restante o desmate é permitido, com autorização. Mas ninguém leva em conta. Segundo o Serviço Florestal Brasileiro, 94% da lenha é ilegal, cortada e queimada sem qualquer tipo de controle.

Numa região onde o sol esturrica o solo, o risco é a desertificação. O Nordeste possui hoje quatro núcleos de desertificação, onde a terra, explorada sem qualquer preocupação em preservar alguma coisa, ficou quase estéril. São 18.432 km² na região do Seridó (RN e PB), Irauçuba (CE), Gilbués (PI) e Cabrobó (PE). Pelo menos outros 98 mil km² são considerados em situação muito grave pelo Programa de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos na América do Sul, o que equivale a 10% do semiárido.

Este ano, o Ibama já realizou várias operações para conter o desmatamento ilegal na caatinga. Na Paraíba, onde Cariri e Curimataú são as áreas mais degradadas, foram embargados 195,5 hectares em 23 propriedades. No Oeste da Bahia, foram apreendidos mourões, estacas e carvão vegetal ilegais. No sertão do Araripe, em Pernambuco, o embargo atingiu 547 hectares durante a Operação Borborema, em desmate ilegal nos municípios de Ouricuri, Granito e Arcoverde, onde a lenha abastece fornos de produção de gesso.

Falar em semiárido e caatinga é quase sobrepor mapas. A caatinga ocupa 850 mil km² em nove estados - 11% do território brasileiro. Apenas 5%, ou 85 mil km², são Áreas de Proteção Permanente, segundo dados do Serviço Florestal Brasileiro, ligado ao Ministério do Meio Ambiente.

Apesar de o bioma caatinga ser pouco estudado, sabe-se que reúne cerca de 930 espécies de plantas, 148 de mamíferos e 510 de aves. A região abriga 30 milhões de pessoas, recebendo o título de semiárido mais habitado do planeta.

Assim como os animais, as plantas são fortes. Se cortada a 30 centímetros do chão, mesmo com pouca chuva, a mata começa a rebrotar em nove meses. Mas, mesmo assim, para que a caatinga não vire deserto, seria necessário que o corte, numa mesma área, fosse feito a cada 15 anos. O drama do Serviço Florestal Brasileiro, responsável por disseminar o manejo na região, é que, além do desmate, as criações de gado, ovino e caprino também estão dizimando a flora. Os brotos, quando despontam, são comidos pelos animais.

- Todas as fazendas no sertão tem uma carga animal maior do que poderia ter - diz Frans Pareyn, da ONG Associação Plantas do Nordeste.

Para se ter uma ideia, para que a caatinga não fosse degradada, cada hectare de terra com mata nativa poderia comportar de 10 a 12 cabeças de gado. Se a caatinga já estiver raleada ou rebaixada (quando corta a árvore e mantém o toco, para que rebrote), esse número cai para algo entre dois e quatro.

Com a mudança climática mundial, a seca na caatinga só tende a piorar. Este ano, praticamente não choveu. Se há água de cisternas para beber, falta para os animais e para irrigação, o que perpetua a pobreza. Sem cultivo e sem animal, o sertanejo vende o que sobra. E, na maioria dos casos, o que sobra é a lenha. O preço, que na indústria chega a R$ 30 o metro cúbico, na propriedade não passa de R$ 10. O ganho fica no transporte.

A meta do governo é implantar o manejo florestal em uma área equivalente a 7% do bioma.

- A lenha da caatinga sobrevive à seca e, mesmo com atravessador, rende um bom dinheiro. É por isso que precisa ter o manejo - alerta Newton Barcellos, chefe da Unidade Regional Nordeste do Serviço Florestal Brasileiro.

Desde 2006, o Ministério do Meio Ambiente financia programas de manejo, mas a adesão ainda é baixa. Este ano, os recursos são maiores e somam R$ 8 milhões. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF) e o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) trabalham para implantar o manejo na região do Seridó, Médio Sertão e Cariri Ocidental, na Paraíba, e do Sertão do Apodi, no Rio Grande do Norte. Além de ensinar a técnica aos agricultores, é preciso incentivar e financiar indústrias na modernização de fornos para gerar o mesmo calor, com menos lenha.

Fonte

Serviço Florestal Brasileiro: No NE, 94% da lenha é ilegal, cortada e queimada sem qualquer tipo de controle

Publicado em julho 24, 2012 por HC

Carvão ilegal. Foto de arquivo MMA
Carvão ilegal. Foto de arquivo MMA

No calor da indústria do gesso, a ruína da caatinga no Nordeste – Em toda a região, 30% das empresas usam lenha como fonte de energia; adesão a planos de manejo ainda é baixa

No Araripe, na divisa de Pernambuco com Piauí, está o maior polo gesseiro do país. Com o incentivo à construção civil, as fábricas estão a pleno vapor e respondem por 95% da produção nacional. A notícia é boa. Mas o sertão nordestino, que a maioria só ouve falar em tempo de seca, segue palco de contradições. Os fornos das fábricas são, em maioria, movidos a lenha. É assim também em boa parte do polo têxtil de Toritama, em Pernambuco, onde as caldeiras que tingem tecidos fervem sob estalos de madeira, ou no Seridó, entre Rio Grande do Norte e Pernambuco, onde olarias produzem tijolos e telhas para toda a região. No Nordeste, hoje, 30% das empresas usam a lenha como fonte de energia. Matéria de Cleide Carvalho, em O Globo, socializada pelo ClippingMP.

Por ano, são queimados 25 milhões de metros cúbicos de lenha no Nordeste, o que equivale a desmatar 2.500 km², mais que o dobro da cidade do Rio de Janeiro. Pouca gente se incomoda com isso. Primeiro porque não se tem outra fonte de energia barata. O problema, como diz o sertanejo, é que não se planta um pau. O que queima nos fornos é lenha nativa e, pela lei, 20% da mata de caatinga deveriam ser preservados em cada propriedade. No restante o desmate é permitido, com autorização. Mas ninguém leva em conta. Segundo o Serviço Florestal Brasileiro, 94% da lenha é ilegal, cortada e queimada sem qualquer tipo de controle.

Numa região onde o sol esturrica o solo, o risco é a desertificação. O Nordeste possui hoje quatro núcleos de desertificação, onde a terra, explorada sem qualquer preocupação em preservar alguma coisa, ficou quase estéril. São 18.432 km² na região do Seridó (RN e PB), Irauçuba (CE), Gilbués (PI) e Cabrobó (PE). Pelo menos outros 98 mil km² são considerados em situação muito grave pelo Programa de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos na América do Sul, o que equivale a 10% do semiárido.

Este ano, o Ibama já realizou várias operações para conter o desmatamento ilegal na caatinga. Na Paraíba, onde Cariri e Curimataú são as áreas mais degradadas, foram embargados 195,5 hectares em 23 propriedades. No Oeste da Bahia, foram apreendidos mourões, estacas e carvão vegetal ilegais. No sertão do Araripe, em Pernambuco, o embargo atingiu 547 hectares durante a Operação Borborema, em desmate ilegal nos Municípios de Ouricuri, Granito e Arcoverde, onde a lenha abastece fornos de produção de gesso.

Falar em semiárido e caatinga é quase sobrepor mapas. A caatinga ocupa 850 mil km² em nove estados – 11% do território brasileiro. Apenas 5%, ou 85 mil km², são Áreas de Proteção Permanente, segundo dados do Serviço Florestal Brasileiro, ligado ao Ministério do Meio Ambiente.

Apesar de o bioma caatinga ser pouco estudado, sabe-se que reúne cerca de 930 espécies de plantas, 148 de mamíferos e 510 de aves. A região abriga 30 milhões de pessoas, recebendo o título de semiárido mais habitado do planeta.

Assim como os animais, as plantas são fortes. Se cortada a 30 centímetros do chão, mesmo com pouca chuva, a mata começa a rebrotar em nove meses. Mas, mesmo assim, para que a caatinga não vire deserto, seria necessário que o corte, numa mesma área, fosse feito a cada 15 anos. O drama do Serviço Florestal Brasileiro, responsável por disseminar o manejo na região, é que, além do desmate, as criações de gado, ovino e caprino também estão dizimando a flora. Os brotos, quando despontam, são comidos pelos animais.
- Todas as fazendas no sertão tem uma carga animal maior do que poderia ter – diz Frans Pareyn, da ONG Associação Plantas do Nordeste.

Para se ter uma ideia, para que a caatinga não fosse degradada, cada hectare de terra com mata nativa poderia comportar de 10 a 12 cabeças de gado. Se a caatinga já estiver raleada ou rebaixada (quando corta a árvore e mantém o toco, para que rebrote), esse número cai para algo entre dois e quatro.

Com a mudança climática mundial, a seca na caatinga só tende a piorar. Este ano, praticamente não choveu. Se há água de cisternas para beber, falta para os animais e para irrigação, o que perpetua a pobreza. Sem cultivo e sem animal, o sertanejo vende o que sobra. E, na maioria dos casos, o que sobra é a lenha. O preço, que na indústria chega a R$ 30 o metro cúbico, na propriedade não passa de R$ 10. O ganho fica no transporte.

A meta do governo é implantar o manejo florestal em uma área equivalente a 7% do bioma.

- A lenha da caatinga sobrevive à seca e, mesmo com atravessador, rende um bom dinheiro. É por isso que precisa ter o manejo – alerta Newton Barcellos, chefe da Unidade Regional Nordeste do Serviço Florestal Brasileiro.

Desde 2006, o Ministério do Meio Ambiente financia programas de manejo, mas a adesão ainda é baixa. Este ano, os recursos são maiores e somam R$ 8 milhões. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF) e o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) trabalham para implantar o manejo na região do Seridó, Médio Sertão e Cariri Ocidental, na Paraíba, e do Sertão do Apodi, no Rio Grande do Norte. Além de ensinar a técnica aos agricultores, é preciso incentivar e financiar indústrias na modernização de fornos para gerar o mesmo calor, com menos lenha.

EcoDebate, 24/07/2012


Em 18 meses, o Ibama emite 1,4 mil infrações

Retirada de lenha sem manejo sustentável é crime; além do Ibama, a Polícia Ambiental também fiscaliza extração irregular na Paraíba.





A prática de retirada de lenha sem manejo sustentável é considerada crime e tem sido responsável pelo maior número de multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Somente nos últimos 18 meses o Instituto já lavrou 1.442 autos de infração e aplicou o equivalente a R$ 18 milhões em multas. Somente este ano três grandes operações foram realizadas no intuito de coibir o desmatamento ilegal no Estado: operação 'Dalgerbia', operação 'Borborema' e operação 'Bonifácio'. As ações tiveram como intuito coibir o desmatamento nas regiões do Litoral, Brejo, Cariri e Sertão do Estado.

Conforme o superintendente do Ibama na Paraíba, Bruno Faro Eloy, a responsabilidade de fiscalização é comum ao Ibama, Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e aos municípios. Ele lembra que compete à Sudema emitir autorização de desmatamento ou limpeza de área e autorização para o uso alternativo do solo. “Nesse sentido, todo e qualquer desmatamento somente poderá ser realizado, de forma lícita, mediante a obtenção prévia das referidas autorizações”, acrescentou Bruno.

O superintendente do Ibama ressaltou que o grande problema da degradação ambiental é a ausência de uma consciência ambiental por parte da população quanto à necessidade de preservação da natureza.

“É preciso que o poder público invista cada vez mais na educação ambiental, o que já é feito pelo Ibama, através de atividades em escolas, assentamentos rurais, entre outras”, disse Bruno Faro Eloy.

POLÍCIA AMBIENTAL
O Batalhão de Policiamento Ambiental da Paraíba também fiscaliza a extração irregular de lenha. No entanto, segundo o chefe de fiscalização do BPA, tenente Handerson da Silva, o monitoramento semanal só é possível de João Pessoa até Campina Grande.

No interior, o trabalho é feito conforme chegam denúncias. “Nós temos três viaturas, sendo cada uma com três homens, realizando a fiscalização nas quartas ou sextas-feiras na Grande João Pessoa. Amanhã mesmo temos uma operação da capital até Mamanguape, a fim de fiscalizar as madeireiras”, contou o tenente, ao acrescentar que os policiais ambientais trabalham junto com o Ibama e têm convênio firmado com a Sudema para atuar na lavração de autos.

A reportagem procurou entrar em contato por telefone com a chefia de fiscalização da Secretaria do Meio Ambiente da capital e a coordenadoria do meio ambiente de Campina Grande, mas não obteve êxito. (Colaborou Luzia Santos)


PB fica sem 10 mil hectares de floresta anualmente

Cerca de 90% da lenha retirada na Paraíba é de corte irregular; extração desordenada representa sério risco para o meio ambiente no estado.




Felipe Almeida/Divulgação
Para minimizar problema, recursos serão liberados para os estados do NE, Paraíba pode enviar projetos e concorrer
A atividade irregular causa sérios danos ao meio ambiente e conforme estimativa do chefe da Unidade Regional Nordeste do Serviço Florestal Brasileiro, Newton Duque Estrada, a Paraíba perde anualmente cerca de 10 mil hectares (ha) de florestas em decorrência da extração de lenha. As regiões do Cariri e Sertão são as mais prejudicadas.

Newton acrescenta que a devastação desenfreada já começa a apresentar as primeiras consequências contribuindo para a aceleração do processo de desertificação na região. “Com essa ação dos desmatadores o solo perde a qualidade, provoca o assoreamento dos rios e contribui para a extinção de várias espécies animais”, disse Newton.

Com o intuito de minimizar o problema, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal e o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima se uniram e vão oferecer recursos de R$ 3 milhões para os estados do Nordeste, e a Paraíba poderá enviar projetos para concorrer para a captação de parte desses recursos.

Para o Estado, serão liberados recursos destinados a práticas de manejo sustentável nos assentamentos da Paraíba e no setor de cerâmica da região do Vale do Sabugi. Os projetos poderão ser enviados por instituições públicas e ONGs até o dia 12 de agosto. Mais informações podem ser obtidas no site www.florestal.gov.br. (Colaborou Luzia Santos)


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ibama aplica mais de R$ 1,2 milhão em multas por desmantamento da Mata Atlântica e Caatinga

Da Redação, com Assessoria

A Operação Dalbergia, desencadeadas pelo Ibama para combater o desmatamento e outros crimes ambientais nas regiões do litoral e brejo paraibanos. As multas aplicadas durante a operação somaram R$ 1,282 milhão, com o embargo de atividades em 490 hectares de áreas de Mata Atlântica e de Caatinga destruídas ilegalmente. As equipes do Ibama lavraram ao todo 57 autos de infração durante a operação.

Os agentes ambientais federais que participaram da operação apreenderam 390 metros estéreos de lenha de origem nativa sem documentação de origem. Também houve flagrantes de crimes contra a fauna, com a apreensão de 300 animais da fauna silvestre mantidos irregularmente em cativeiro, quase a totalidade deles aves, nas localidades fiscalizadas.

Para o chefe da fiscalização do Ibama na Paraíba, Rodrigo Escarião, o grande número de autuações em apenas duas semanas de operação mostram uma situação preocupante. "Tanto na proteção dos nossos biomas, com o combate ao desmatamento ilegal, quanto na questão do tráfico de animais, há mais operações planejadas no decorrer do ano, e continuaremos a agir com firmeza para combater os crimes ambientais na Paraíba", adverte Escarião.

A operação Dalbergia é parte do Planejamento Nacional Anual de Proteção Ambiental (Pnapa) do Ibama.



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Desmatamento de 73 hectares de Mata Atlântica é autuado pelo Ibama na Paraíba

 

Assessoria

Desmatamento de 73 hectares de Mata Atlântica é autuado pelo Ibama na Paraíba
Foto: Carlos Fernando Pires de Souza
Agentes ambientais federais do Ibama na Paraíba, atuando na Operação Dalbergia, embargaram um desmatamento de  73 hectares de Mata Atlântica no município de Pilõezinhos, no Brejo paraibano. A área, que teve a vegetação nativa destruída e queimada ilegalmente para o plantio. Serão aplicadas multas pela devastação que somam R$ 584 mil.

A Mata Atlântica, constitucionalmente reconhecida como floresta de especial preservação, é o bioma mais ameaçado do país. Da área de abrangência original do bioma Mata Atlântica, de  1.315.460 km², restam  apenas 102.012 km², após 512 anos de colonização do Brasil. Na Paraíba, restavam, em 2010, segundo a ONG SOS Mata Atlântica, 756,4 km² de cobertura vegetal de Mata Atlântica, 11,4 % da área de abrangência original do bioma no estado.

O que resta da cobertura original da Mata Atlântica no país tem o desmatamento proibido. Os remanescentes são muito fracionados, com poucas áreas de dimensões significativas, como é o caso dessa área que foi desmatada ilegalmente em Pilõezinhos, que representa quase 1% dos remanescentes de Mata Atlântica no estado.

"É muito triste constatar, em plena véspera da semana do meio ambiente, que a Mata Atlântica continua sendo devastada ilegalmente no estado da Paraíba para utilização alternativa do solo, isso mostra que ainda há pessoas e empresas com mesma mentalidade do tempo dos senhores de engenho em relação ao meio ambiente", afirma o superintendente do Ibama na Paraíba, Bruno Dunda.

A Operação Dalbergia está em curso desde a semana passada no estado da Paraíba, nas regiões do Brejo e do Litoral, e faz parte do Planejamento Nacional Anual de Proteção Ambiental do Ibama (PNAPA), para coibir o desmatamento criminoso da Mata Atlântica no estado. A fiscalização conta com indicativos de desmatamentos detectados por análise de imagens de satélites no Núcleo de Geoprocessamento da Superintendência do Ibama na Paraíba.

"Um desmatamento dessas dimensões, 73 hectares na Mata Atlântica, é uma enormidade considerando o pouco que resta do bioma e a sua importância para a biodiversidade, é tão hediondo e nocivo como aqueles desmatamentos de milhares de hectares feitos na Amazônia, que chocam a opinião pública quando aparecem sendo fiscalizados pelo Ibama nos telejornais", avalia Dunda

O desmatamento ilegal é um crime que tem consequências que afetam a toda a população, uma vez que contribui para a aceleração da degradação dos solos com a erosão, o assoreamento dos rios, agrava as secas e as enchentes, além de causar perda da biodiversidade e de habitat das espécies da fauna silvestre. O Ibama continuará a agir com vigor para proteger a Mata Atlântica e a Caatinga na Paraíba, buscando evitar os desmatamentos e autuando e embargando atividades em áreas onde houver desmate ilegal.