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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Energia solar é foco de estudos na UFPB

Construção de um telhado fotovoltaico está entre os projetos desenvolvidos no Centro de Energias Alternativas e Renováveis.

Kleide Teixeira
Destaque no cenário, o Brasil, sobretudo a Paraíba, tem um dos maiores índices de radiação solar do mundo

Questão que aparece frequente em discussões sobre cuidados com o meio ambiente, a produção de energia solar vem sendo foco de estudos na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
 
Conforme o professor do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (Cear) João Marcelo Dias Ferreira, as ações acadêmicas do Centro envolvem atualmente cinco professores do Departamento de Engenharia de Energias Renováveis (DEER) e aproximadamente 15 alunos de graduação e pós-graduação.
 
“Dentre os projetos em desenvolvimento, podemos destacar a construção do telhado fotovoltaico do edifício do Cear. Trata-se de um laboratório a céu aberto, que será composto por aproximadamente 300 módulos fotovoltaicos translúcidos na tecnologia de silício cristalino, cobrindo uma área de 670 m², com uma potência total instalada de 70kWp (megawatts-pico)”, menciona.
 
Segundo ele, a cobertura fotovoltaica proverá, além da geração de energia, uma proteção eficiente contra chuvas e intempéries.
 
“Ao mesmo tempo, a estrutura proporcionará o aproveitamento da luz natural do sol para a iluminação das áreas de circulação no interior do prédio, além de auxiliar na economia do consumo de eletricidade”, acrescenta, frisando que o laboratório será peça fundamental para a produção de futuras pesquisas associadas à utilização da energia solar no Estado e na região Nordeste.
 
Destaque no cenário, o Brasil, sobretudo a Paraíba, tem um dos maiores índices de radiação solar do mundo. Contudo, de acordo com o especialista, por falta de estímulos, o nível de energia elétrica produzida a partir do Sol ainda não é significativo por aqui. “Os incentivos à geração de energia elétrica a partir da fonte solar são muito limitados por parte do governo federal, demonstrando uma total falta de planejamento estratégico para o setor”, reclama, citando apenas casos isolados de aplicações fotovoltaicas e termossolares em casas e indústrias.
 
Para ele, outro motivo que gera atrasos no setor é a forte dependência brasileira da eletricidade gerada por meio de hidrelétricas, que são fontes renováveis, porém intimamente ligadas aos ciclos de chuvas e níveis de reservatórios. “E a complementação desta geração é feita principalmente a partir de fontes consideradas sujas, que utilizam o carvão, os derivados de petróleo, o gás natural e a energia nuclear”, salienta.

LUZ SOLAR PROMOVE A ECONOMIA SUSTENTÁVEL
Segundo o professor João Marcelo Dias Ferreira, usar energia solar como matriz para gerar eletricidade em residências e empresas representa um enorme avanço do ponto de vista socioambiental por trazer à tona o emprego de uma fonte renovável e limpa em meio a preocupações com a mudança climática e o aquecimento global.
 
De acordo com ele, uma boa notícia é que os progressos tecnológicos relacionados ao desenvolvimento desta energia vêm ganhando bastante ênfase tanto em equipamentos de pequeno porte quanto em grandes centrais. “Ambas as vertentes passaram e continuam passando por processos de maturação tecnológica, em uma busca incessante por melhoria de materiais e técnicas de fabricação, visando à rapidez de conversão energética, além da redução dos custos”, comenta.
 
E essa diminuição de valores tem certa relevância, uma vez que investimentos para adotar os sistemas de energia solar ainda são considerados caros no Brasil, apesar do retorno garantido, como explica Ferreira. “Se tomarmos como exemplo um sistema fotovoltaico residencial, onde o consumidor passa a ser produtor de sua própria energia elétrica, o retorno financeiro acontece, normalmente, dentro dos primeiros 10 anos, enquanto a expectativa de vida útil do sistema é de 25 anos”, finaliza.

sábado, 24 de agosto de 2013

Paraíba não receberá novas usinas eólicas

Paraíba apresentou nove projetos durante leilão, mas nenhum foi contratado; Estado passa de 4º para 7º lugar no ranking de usinas eólicas.
 



Franscisco França
Outra razão para a perda no leilão é que o Estado teve poucos investidores interessados
Sem seguir a tendência do Nordeste – de região com maior potencial de captar investimentos para novos parques eólicos –, nenhum dos nove projetos da Paraíba habilitados no leilão para energia de reserva foi contratado.

O leilão foi realizado ontem na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo. A inexistência de um Atlas do Potencial Eólico Estadual somado à forte competição de mercado fez com que os projetos de novos parques eólicos para o Estado ficassem sem vencedores. Com o resultado, o Estado perderá posições no ranking de usinas eólicas, passando do 4º lugar para a 7º posição no país, com 13 parques.
 
Após construção dos projetos vencedores do leilão, o cenário atual passará por grandes mudanças. O Estado da Bahia passará da 6º posição para o primeiro lugar, com 36 usinas, 28 a mais que o número atual. O Ceará ganhou em seis projetos e passará a ter 26 usinas. Em seguida vem o Rio Grande do Norte, que ganhará mais sete usinas, ficando com 21 até 2015. O Estado ultrapassou o Rio Grande do Sul, que terá 19 parques eólicos.
 
De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, o fracasso da Paraíba no leilão está relacionado à forte competição de mercado. “O leilão foi muito competitivo, uma oferta muito grande para a demanda baixa. O projeto da Paraíba perdeu por preços. Ganharam aqueles que ofereceram os menores, e os projetos da Paraíba eram muito caros, por isso não ganharam”.
 
Outra razão para a perda no leilão é que o Estado teve poucos investidores interessados em construir usinas na região. Enquanto a Bahia teve 123 projetos habilitados, a Paraíba só contou com nove. Segundo a presidente da Abeeólica, se a Paraíba tivesse com seu Atlas do Potencial Eólico pronto, este cenário seria diferente.
 
“A captação de projetos depende do atlas. É ele que sinaliza para os investidores onde estão os potenciais eólicos do país, por isso a necessidade de produzir este estudo. Se um Estado, como no caso da Paraíba, não tem o atlas, terá dificuldade de atrair os investidores”, apontou Élbia Melo.
 
O resultado do leilão de energia eólica também reforçou o potencial energético do Nordeste. Dos seis parques vencedores, cinco estão localizados na região. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), o interesse dos investidores é resultado das condições naturais nordestinas.
 
“O Nordeste apresenta os maiores potenciais de energia eólica do Brasil. A velocidade e a constância do vento no Nordeste é superior a de todo país. Isto resulta no melhor aproveitamento dos ventos para energia, colocando o Brasil como o líder na América Latina em energia eólica”, disse Elbia Melo. A capacidade atualmente instalada de energia eólica é 2.8 gigawatt (GW), volume que abasteceria, por mês, uma cidade com 5 milhões de residências e aproximadamente 15 milhões de pessoas. A previsão é que em 2017 esta produção seja de 10.4GW, o equivalente a 6% da matriz elétrica do país.
 
Levantamento divulgado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostra que também foram contratados sete projetos no Rio Grande do Norte, sete em Pernambuco e seis no Ceará. Além da Paraíba, também não foram contratados projetos no Maranhão. Os dois Estados possuíam empreendimentos habilitados.
 
O Piauí, que hoje só tem uma usina em operação, contará com 15 nos próximos anos. Pernambuco, que está duas posições abaixo da Paraíba, ganhou o leilão com sete novos projetos, empatando com o Estado. Os Estados da Bahia e do Piauí foram os principais vencedores do 5º Leilão de Energia de Reserva realizado ontem. Juntos, os dois Estados responderam por 42 dos 66 empreendimentos contratados no certame.
 
Já a principal decepção ficou com o Rio Grande do Sul, que teve apenas quatro projetos contratados. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) havia habilitado 94 projetos gaúchos para o certame.
 
Os projetos contratados na Bahia demandarão investimentos de R$ 2,11 bilhões, ou 38,6% dos desembolsos totais (R$ 5,45 bilhões) esperados nos empreendimentos vencedores do leilão realizado ontem. Os investimentos nas usinas eólicas a serem construídas no Piauí devem totalizar R$ 1,44 bilhão. "É importante destacar os projetos no Piauí e no interior da Bahia e lembrar que os parques eólicos têm se mostrado grande vetor em termos de desenvolvimento social", disse o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.
 
Além da participação no volume total negociado no leilão desta sexta-feira, os dois Estados também se destacaram em termos de preços oferecidos. O valor médio dos projetos eólicos contratados na Bahia ficou em R$ 107,04 por Megawatt-hora (MWh), o mais baixo do país. A Bahia receberá o projeto considerado mais competitivo, do Consórcio EGP - Serra Azul, que ofertou energia a R$ 98,50 por MWh.
 
No Piauí, o preço médio foi de R$ 109,97 por MWh, o segundo mais baixo do país. O valor mais alto foi registrado em Pernambuco, com R$ 116,00 por MWh. O valor médio da energia contratada no certame ficou em R$ 110,51 por MWh, um deságio de 5,5% em relação ao preço teto estabelecido inicialmente, de R$ 117 por MWh.
 
RESULTADO FOI POSITIVO PARA O SETOR
Para a presidente executiva da Abeeólica, Elbia Melo, o resultado foi um importante sinal positivo de investimento para os players do setor. “As recentes mudanças implementadas, como as alterações nas regras de conteúdo nacional no Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos), na metodologia dos leilões, a obrigatoriedade do P90 e a situação atual das linhas de transmissão, posicionam o setor eólico brasileiro em uma situação de muita expectativa. O resultado desse leilão, em termos de demanda e preço, marca efetivamente a consolidação dessa fonte na matriz elétrica nacional”.
 
O LER 2013 teve a oferta de 377 empreendimentos eólicos habilitados, somando capacidade de 8.999 MW no total. Esses projetos estão divididos em oito Estados: Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Segundo a presidente executiva da ABEEólica, Elbia Melo, esse certame demonstra o surgimento de usinas eólicas em novas regiões, como o Piauí.
 
O preço inicial da energia para esse leilão foi de R$ 117,00 por megawatt-hora e os empreendimentos vendidos terão início de suprimentos em 1° de setembro de 2015, com prazo de 20 anos.
 
Com deságio médio de 5,5% no preço, o setor comemora a contribuição do leilão para a sustentabilidade da cadeia produtiva, o desenvolvimento da energia eólica no Brasil e o compromisso com o meio ambiente.
 
POTENCIAL EÓLICO
O Brasil está entre as quatro nações do mundo que mais cresce no setor eólico, atrás somente da China, Estados Unidos e Índia. Atualmente ocupa a 15ª posição entre os países com maior capacidade eólica instalada no mundo. Em 2012, o país continuou na liderança do mercado latino-americano, com capacidade total instalada de 2.500 MW. Hoje, a nação brasileira tem 2,8MW de capacidade instalada de energia eólica em 119 parques, distribuídos por onze estados. A fonte tem 2% de participação na composição da matriz elétrica brasileira e, até 2017, esse número chegará em 6% referente a 10,3GW de capacidade instalada. (Especial para o JP)

sábado, 6 de julho de 2013

Termelétrica de CG suspende produção

Produção foi suspensa a partir da meia-noite desta sexta-feira (5); gerente administrativo garante que não haverá redução de pessoal.
 

  
 
A Termelétrica Borborema Energética S/A, que funciona em Campina Grande, juntamente com outras 33 termelétricas, suspendeu a produção de energia a partir da meia-noite de ontem, após decisão do Ministério de Minas e Energia. Sérgio Cândido, gerente administrativo e financeiro da Borborema Energética, explicou que a medida não acarretará na diminuição do quadro de funcionários da termelétrica, uma vez que o quadro funcional da empresa já está dimensionado para ambas as situações. A termelétrica que funciona em regime de disponibilidade, fundada em 2011, entrou em funcionamento, pela primeira vez, em outubro de 2012 e funcionou até o momento da suspensão do fornecimento nesta sexta.
 
O ministro Edison Lobão, Minas e Energia, anunciou o desligamento das termelétricas, a óleo combustível e a diesel, que têm um custo mais alto para o sistema. Segundo o ministro, essa medida vai gerar uma economia mensal de R$ 1,4 bilhão. No total, 34 termelétricas com capacidade para gerar 3.800 MW de energia terão seu funcionamento suspenso no país.
 
Sérgio Cândido explicou que o custo de produção de energia pode cair com a suspensão do funcionamento das termelétricas. “A energia produzida pelas termelétricas tem um custo mais alto, então, com essa determinação, de suspensão da produção e fornecimento deste tipo de energia, o seu custo deverá cair”.
 
Ele explica ainda que a Borborema Energética funciona em regime de disponibilidade, ou seja, só atua após receber ordem do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) quando for detectado pelo órgão um déficit considerável no suprimento de energia no país. “O papel da Borborema é estar disponível para atuar quando for necessário. Quando recebemos ordem para suspender a produção entramos no modo de espera e ficamos à disposição da ONS”, afirma Sérgio.
 
Segundo o ministro, as chuvas vieram na medida das expectativas e por esse motivo a decisão do desligamento das termelétricas foi adotada. “Os reservatórios estão cheios, com exceção do Nordeste, onde estamos com uma dificuldade pequena.”, afirmou Lobão.
 
Já Sérgio explicou que a medida foi aprovada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). “O comitê, através do ONS, nos passou a determinação de encerrarmos esse período de geração. O ministro afirmou que os níveis dos reservatórios estão confortáveis para que as termelétricas sejam desligadas e o abastecimento de energia do sistema fique apenas a cargo das hidrelétricas”.


sábado, 11 de maio de 2013

Medida de estímulo à produção de energia solar não tem adesão na PB

11/05/2013 11h24 - Atualizado em 11/05/2013 11h24

Estado é o que registra a maior incidência de raios solares no país.
Placas solares são usadas para aquecer água, mas não geram energia.
 
Krystine Carneiro  

Do G1 PB
 
Mesmo com grande potencial para geração de energia solar, consumidores paraibanos apenas usam placas para aquecer água (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Mesmo com grande potencial para geração de energia solar, consumidores
paraibanos apenas usam placas para aquecer água
(Foto: Krystine Carneiro/G1)

Uma medida da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para estimular a geração doméstica de energia solar não teve nenhuma adesão no estado mais ensolarado no Brasil, a Paraíba. A resolução foi aprovada para incentivar e reduzir barreiras para essa produção de energia, dando desconto na conta de luz, caso haja produção excedente. Nenhum consumidor paraibano solicitou ligação ao sistema da concessionária de energia do estado para aproveitar o abatimento, segundo a distribuidora Energisa.

Segundo Chigueru Tiba, professor e pesquisador do grupo de Fontes Alternativas de Energia (FAE) do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o noroeste da Paraíba é um dos melhores lugares do Brasil em relação à incidência dos raios solares. “Cidades como Sousa e Patos têm uma radiação média anual de 20 MJ/m². Em um mês como dezembro, por exemplo, quando tem muito sol, a Paraíba tem uma incidência de 24 MJ/m² ou 26 MJ/m²”, comenta. Megajoule (MJ) é uma unidade de medida de energia, também usada para aferir a incidência de radiação solar.
 
 
Placa fotovoltaica (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Painéis fotovoltaicos são feitos de materiais que
convertem radiação solar em eletricidade
(Foto: Krystine Carneiro/G1)

A radiação solar de 20MJ/m² é o equivalente a 5,5kw/h por metro quadrado, conforme explica o professor Tiba. Se tudo fosse convertido em energia, um metro quadrado poderia suprir uma casa que consome 150 kw/h por mês. Porém, um módulo fotovoltaico só consegue converter cerca de 15% dos raios solares. “Com um sistema de eficiência baixa, que converte apenas 10%, seriam necessários 10 m² para suprir essa casa com consumo de 150kw/h por mês, que é muito comum no Brasil”, pontua o professor.

Parte do Rio Grande do Norte e de Pernambuco também estão nessa área de grande incidência de raios solares, mas, proporcionalmente, a Paraíba tem o maior nível de radiação solar média anual do país, conforme mostra o Atlas Solarimétrico do Brasil, publicado pela UFPE, sob coordenação do professor Chigueru Tiba.

Com as novas regras da resolução da Aneel, quem tiver microgeração, com até 100 KW de potência, ou minigeração, de 100 KW a 1 MW, vai poder trocar energia com a distribuidora local por meio do Sistema de Compensação de Energia e ter descontos na conta de luz, caso haja produção excedente de energia.

Cada situação tem que ser analisada para ver a viabilidade econômica."
professor Zaqueu Ernesto da Silva, diretor do Centro de Energias

Alternativas e Renováveis da UFPB
Esse benefício será concedido para quem tiver pequenos geradores em sua unidade consumidora, a exemplo de painéis solares fotovoltáicos ou pequenas turbinas eólicas. Quando a geração de energia for maior que o consumo, o excedente vai ser injetado no sistema da distribuidora e o titular da unidade poderá usar o crédito como desconto nos meses seguintes, tendo um prazo máximo de 36 meses, inclusive em outras unidades que também sejam do mesmo titular.

Apesar dos incentivos, nenhum consumidor solicitou a ligação na Paraíba, segundo informações da concessionária de energia do estado, Energisa.

O professor Zaqueu Ernesto da Silva, diretor do Centro de Energias Alternativas e Renováveis da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), explica que a região da Paraíba tem entre cinco horas e meia e seis horas e meia de horas úteis de luz solar por dia. De acordo com ele, dá para gerar entre 800 e 1.000w de energia por metro quadrado com essa incidência solar. “A região do semiárido paraibano é muito indicada para a geração de energia solar”, diz.

 
Atlas Solarimétrico do Brasil mostra que a Paraíba está em uma área com muita radiação solar  (Foto: Reprodução/Atlas Solarimétrico do Brasil)
Atlas Solarimétrico do Brasil mostra que a Paraíba está em uma
área com muita radiação solar
(Foto: Reprodução/Atlas Solarimétrico do Brasil)
O empresário francês Nicolas Altbaum tinha uma empresa de instalação de painéis fotovoltáicos na Europa. Conheceu João Pessoa durante um período de férias e gostou tanto da cidade que resolveu se mudar para a capital paraibana, onde já mora há três anos. “Pensei que o mercado e o crescimento do Brasil poderiam abrir oportunidade no ramo de energia solar fotovoltaica e eu poderia trazer minha experiência europeia”, comenta Nicolas.

Ele abriu a empresa Top Solares, mas, em um ano e meio de existência, nenhum cliente foi conquistado. “Na parte de energia solar térmica, os aquecedores de água, temos sistemas instalados na maioria dos condomínios da capital. Isto permite manter viva a empresa, pois, infelizmente, temos apenas projetos na parte de energia solar fotovoltaica”, lamenta.

Segundo ele, as maiores dificuldades são os poucos incentivos e financiamentos e o processo de importação. “Se você não importar um contêiner completo, você não tem preço competitivo. Por isto, precisamos de um projeto importante, de financiamento ou de solidez financeira”, relata Nicolas.

Na França, Nicolas trabalhou durante sete anos no ramo das energias renováveis. Segundo ele, a empresa era bem-sucedida, pois havia muitos incentivos por parte dos governos. Por exemplo, um consumidor que gerasse energia fotovoltaica residencial de até 3 KW de potência tinha 50% de desconto, sob forma de crédito em impostos. Além disso, o preço do KW vendido pelo consumidor era até cinco vezes maior que do KW comprado.
 
O sistema mais em conta, disponível na empresa de Nicolas, requer um investimento de R$ 13.990. O sistema é um kit de 1,2 KW de potência de tecnologia alemã e tem uma produção mensal de até 170 KW/h, o suficiente para uma casa com dois moradores, aproximadamente.

Outro exemplo é um sistema de R$ 889.889, com uma potência total de 100 KW, que produz 12 MW/h por mês. Esse kit é indicado apenas para grandes comércios ou indústrias.

“Hoje, no Brasil, com a queda do preço dos produtos, a maior recepção solar direta e a maior produção elétrica, conseguimos a retornar o investimento na faixa de sete a nove anos”, informa Nicolas. Ainda segundo ele, a vida útil das instalações pode ultrapassar 30 anos.

 
Placas fotovoltaicas estão em fase de instalação na UFPB; departamento terá prédio com geração de energia solar no teto (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Placas fotovoltaicas estão em fase de instalação na UFPB; departamento terá
prédio com geração de energia solar no teto (Foto: Krystine Carneiro/G1)

Geração de energia por meio de painéis fotovoltaicos
O professor Zaqueu Ernesto da Silva explicou que os painéis solares fotovoltaicos são construídos de materiais que têm a propriedade de converter a radiação, ao ser interceptada, em eletricidade. Normalmente, os materiais são semicondutores, a exemplo do silício puro monocristalino.

Além de comprar os painéis, o consumidor que quiser gerar energia em casa tem que ter um inversor de frequência, uma vez que a energia elétrica sai dos painéis em corrente contínua e a maioria dos aparelhos elétricos domésticos funcionam em corrente alternada. Segundo o professor Zaqueu, esse inversor custa em torno de 40% do valor das placas. Para não se perder a energia gerada, o professor também indica que exista um banco de baterias, para armazenar, e um controlador de carga, para evitar a sobrecarga das baterias.

 
energia solar (Foto:  )

 
Não é economicamente viável em áreas urbanas
Apesar de ser uma energia limpa e renovável, a energia solar é mais cara do que a fornecida pela concessionária e não é economicamente viável em locais urbanos, conforme explica o professor Zaqueu Ernesto.

 
Rogério Klüppel acredita que incentivo seria maior se o crédito excedente pudesse ser vendido (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Rogério Klüppel acredita que incentivo seria maior se o
crédito excedente pudesse ser vendido
(Foto: Krystine Carneiro/G1)
 
“Cada situação tem que ser analisada para ver a viabilidade econômica. Mas não há o que discutir do ponto de vista econômico. Só recomendo para locais como uma fazenda, no interior, onde as casas são distantes umas da outras e a passagem de fios é cara, ou seja, o custo de transmissão é alto”, diz. “Do ponto de vista técnico, ela é uma energia alternativa para onde não tem”.

Além disso, o local onde os painéis serão instalados tem que ter uma área grande, para captar os raios solares. “Quanto mais área de captação, mais energia”, comenta Ernesto.

Para o engenheiro mecânico e doutor em energia Rogério Klüppel, a resolução da Aneel incentivaria mais os consumidores a gerar energia solar em casa se o crédito excedente pudesse ser vendido. “O consumidor sempre vai empatar, nunca vai poder lucrar com isso. Não vai valer a pena”, argumenta.

Nova empresa na Paraíba
Uma fábrica de painéis fotovoltáicos vai se instalar na Paraíba no segundo semestre de 2013. A Brasil Solair irá produzir, inicialmente, painéis solares e, para um segundo momento, está nos planos a fabricação de inversores. Posteriormente, está prevista uma expansão para incluir a fabricação das células fotovoltaicas que compõem os painéis, segundo informações da assessoria da empresa.

A fábrica terá a capacidade para produzir cerca de 172.000 painéis por ano, cerca de 30MW/ano. “Acreditamos que esta indústria será competitiva no Brasil quando o mercado crescer e tivermos a produção destes equipamentos em maior escala”, diz a nota da empresa.

Atualmente, a maioria dos painéis fotovoltaicos comercializados no Brasil são importados. Porém, o empresário Nicolas não acredita que essa fabricação nacional vai baratear a instalação dos sistemas.

“É verdade que o preço do gerador solar fotovoltáico sofre influência das taxas de importação, 18% para gerador e 12% para módulos, do frete e do desembaraço aduaneiro. Mas a concorrência é tão grande que a maioria dos fabricantes de painéis fotovoltáicos estão perdendo dinheiro e os preços os últimos anos baixaram bastante. Por isto que, mesmo se os preços de uma fabricação nacional conseguir a baratear os produtos em relação do processo de importação, a diferença não deverá ser tão grande”, explica.

Como se ligar no sistema da concessionária
A Energisa, a concessionária de energia da Paraíba, explicou que quem quiser ser beneficiado com a resolução tem que procurar a empresa e apresentar um projeto. Depois disso, é necessário fazer a instalação do medidor, que calcula o consumo e a geração de energia e mostra se consumidor vai acumular créditos para usar nos meses seguintes.

Essa instalação é feita por conta do consumidor e o custo varia de acordo com o tipo de equipamento, com a tarifa de energia, a localização e o porte da unidade consumidora, entre outros fatores.

Placas solares são usadas para aquecimento de água
Os paraibanos têm aproveitado o alto nível de radiação da região para usar as placas de aquecimento de água. Neste caso, o sistema pode aquecer a água e estocá-la, mas não há geração de energia. A professora de Direito e servidora do Ministério Público Federal Luciane Gomes é uma das consumidoras que utiliza esse sistema na Paraíba.
 
Na casa de Luciane, água quente sai quando a torneira do lado esquerdo é acionada (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Na casa de Luciane, água quente sai do chuveiro
quando a torneira do lado esquerdo é acionada
(Foto: Krystine Carneiro/G1)
Filha de agrónomo, ela cresceu colocando o meio-ambiente em primeiro lugar. Desde 2009, quando comprou uma casa em Intermares, ela instalou um sistema com três placas de aquecimento de água. “São 600 litros que ficam superaquecidos o tempo todo. Quando a água vem, vem muito quente, mas eu tenho duas torneiras, então é só regular com a do lado direito, que é a fria. Mas eu gosto de banho bem quente, então eu já economizo com o chuveiro elétrico”, comenta.

Ela gastou em torno de R$ 7 mil para instalar todo o sistema. “Eu nem sei se esse dinheiro já se pagou, mas não me arrependo”, garante Luciane. Segundo a professora, a conta de energia na casa, que tem três suítes, não passa de R$ 130, mesmo com o uso de ar-condicionado portátil.
 
Hotéis da Paraíba usam placas para aquecer água e economizar no chuveiro eletrico (Foto: Divulgação/Solar Tech)
Hotéis da Paraíba usam placas para aquecer água e
economizar no chuveiro eletrico
(Foto: Divulgação/Solar Tech)
Rogério Klüppel explica que uma placa consegue aquecer 200 litros de água, o suficiente para uma casa com três a quatro moradores usarem por um dia. Ele também disse que o retorno financeiro vem em dois ou três anos.

Ainda de acordo com Klüppel, que é dono de uma empresa de instalação desses sistemas, a Solar Tech, a maioria dos clientes é da classe A. Para esse tipo de consumidor, o valor da conta de luz reduz entre 25 e 30%. “Seria um ótimo investimento para o consumidor de baixa renda, que é quem lucraria mais com a economia. Porém, eles normalmente não têm capital inicial para o investimento”, explicou.


 

domingo, 28 de outubro de 2012

Termelétricas vão responder por até 40% da energia consumida no NE

27/10/2012 20h14 - Atualizado em 27/10/2012 20h22

Decisão foi anunciada pelo presidente da Chesf, neste sábado.
Baixa nos reservatórios das hidrelétricas motivou a medida.
 

Do G1 PE

A partir de segunda-feira (29), as usinas termelétricas vão gerar até 40% da energia consumida no Nordeste. O anúncio foi feito pelo presidente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), João Bosco de Almeida, no Recife, neste sábado (27). O apagão que deixou os nove estados nordestinos e mais algumas localidades brasileiras às escuras por até quatro horas, de quinta (25) para sexta-feira (26), disparou um alerta sobre o sistema elétrico brasileiro. Na ocasião, 25% da energia consumida pelo Nordeste estavam sendo gerados por usinas termelétricas.

O Operador Nacional do Sistema (ONS) determinou que as 33 térmicas do Nordeste estejam prontas para ampliar esse percentual. A medida foi necessária por causa da falta de chuvas na bacia do São Francisco, onde ficam nove usinas da Chesf. A região atravessa o final do período seco e as condições dos reservatórios são preocupantes. A barragem de Sobradinho, na Bahia, que garante a produção de 90% da energia hidrelétrica consumida no Nordeste, está com apenas 24% da capacidade.

Temelétrica Suape 2, em Pernambuco (Foto: Reprodução / TV Globo)
Temelétricas vão ajudar a suprir a energia
consumida na região Nordeste (Foto: Reprodução / TV Globo)
É para garantir esse abastecimento que as termelétricas foram acionadas. “Neste momento, o Operador Nacional do Sistema explora o máximo que pode das usinas hidrelétricas e vai complementando com usinas térmicas, sempre numa escala de preço. As usinas térmicas mais baratas entram primeiro do que aquelas que têm o preço mais alto. Isso é necessário para que a gente preserve o saldo de água que temos nos reservatórios até o período chuvoso, que ocorre no mês de outubro, no caso da bacia do São Francisco”, explica João Bosco de Almeida.

O problema é que as termelétricas, que queimam gás ou óleo combustível, são poluentes e produzem uma energia até cinco vezes mais cara do que as hidrelétricas, movidas pela força das águas. Essa conta vai sobrar para os consumidores. “À medida que as térmicas vão entrando no sistema, o custo da energia vai aumentando e isso é calculado no ano seguinte, no reajuste tarifário das concessionárias. A conta será paga por todos os brasileiros, independentemente do local onde essa térmica é utilizada. Se for no Sul, no Sudeste ou aqui, isso é rateado por todos os consumidores do país”, informa.
 
Com mais de 50 anos de atuação no setor elétrico, João Paulo Aguiar, do núcleo Nordeste da ONG Ilumina, afirma que o problema não é na geração, mas na transmissão da energia para a região. O especialista reconhece que a operação das usinas termelétricas é necessária, mas tem seu preço. "O prejuizo é o custo. A água é gratuita, a térmica vai a centenas, às vezes até a milhares de reais, afora a poluição", diz Aguiar.

Sabotagem descartada
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, afirmou na tarde de sexta-feira (26) que "não há a menor hipótese de uma sabotagem" na série de apagões verificadas no país. Segundo dados do governo, foram quatro ocorrências em pouco mais de um mês.

"Não há a menor hipótese de uma sabotagem. A hipótese seria viável se você provocasse dano do equipamento, vandalismo. O equipamento teve problema de proteção, e esse equipamento falhou. Então, não tem menor probabilidade", afirmou o diretor em coletiva de imprensa após reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

O comitê fez uma reunião extraordinária após o apagão que afetou os nove estados do Nordeste. Segundo o ONS, houve um incêndio em um equipamento entre duas subestações de energia de Colinas (TO) e Imperatriz (MA). No dia 22 de setembro houve falta de energia em seis estados da região Nordeste. No dia 3 de outubro, houve apagão nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte. No dia seguinte, cerca de 70% do Distrito Federal ficou sem luz.

O governo sabe que houve um curto-circuito, mas ainda trabalha para identificar o que provocou a falha no sistema de proteção, que possibilitou que o apagão se alastrasse.

Durante a coletiva, o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, voltou a dizer que a situação é inesperada, mas que é preciso aguardar relatório técnico antes de falar das possibilidades para a ocorrência do apagão. Segundo ele, um grupo de técnicos do ministério, do ONS e da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) foi enviado a Colinas para averiguar o problema. Houve um curto-circuito na linha de transmissão Colinas-Imperatriz.

Mais cedo, ele já tinha dito que os apagões em série "não são normais". Perguntado se o ministério descartava a hipótese de sabotagem no sistema elétrico, Zimmermann foi evasivo: "É preciso primeiro esperar relatório que vem da equipe e que o ONS termine [apuração prévia]. Centenas de profissionais estão trabalhando nisso. Por enquanto, não haveria sentido [falar em sabotagem]. Então, a partir do momento que tem avaliações, poderia falar. A única coisa que se pode dizer é que são adventos difíceis de ocorrer e que no sistema interligado nunca tivemos situação como essa."

Em outro momento, o ministro disse que o governo trabalha para "aprofundar todas as alternativas". "A partir do momento que tem evento probabilisticamente raro você trabalha para aprofundar todas as alternativas, mas isso de forma serena. Por isso que hoje, preocupado com essa ocorrência que é diferente, de probabilidade baixíssima, provavelmente zero, mandar equipe para aprofundar, com fiscalização da Aneel, justamente para ter avaliação rapidamente e evitar quaisquer avaliações diferentes", disse.

Segundo o ministro, na próxima semana o ONS deve apresentar um relatório técnico sobre o episódio. A apuração mais aprofundada, fruto da verificação feita pelos técnicos do governo no local do incidente, não tem prazo para ser concluído.

O ministro interino, Márcio Zimmermann, está no cargo em razão de afastamento para tratamento de saúde do titular Edison Lobão. Zimmermann afirmou ter falado ao telefone com Lobão, e disse que o ministro manifestou preocupação com a situação. O interino garantiu ainda que a presidente Dilma Rousseff acompanha os desdobramentos dos apagões e as medidas para evitar novos problemas.