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sábado, 6 de maio de 2017

SONHOS SOTERRADOS: perigo e miséria que brotam do subsolo no Sertão da PB

06 de maio de 2017 

 

SONHOS SOTERRADOS: perigo e miséria que brotam do subsolo no Sertão da PBO mundo se comoveu em 2010 com o resgate dramático e épico dos 33 mineiros chilenos das profundezas de uma mina de cobre, no Chile, depois de 70 dias de tensão e incerteza. Quatro anos depois, 160 operários morreram soterrados e pelo menos 400 ficaram retidos por vários dias no subsolo, na província de Manisa, na Turquia, após a explosão de uma mina de carvão.

Essas duas tragédias de proporções mundiais e que chocaram o planeta retratam uma realidade dura de centenas de paraibanos que também ganham a vida embaixo da terra, retirando o caulim, minério usado para a fabricação de artigos de porcelana. Descumprimento da legislação, escravidão e condições precárias de trabalho fazem parte da rotina dos mineiros que vivem dessa atividade de risco.

Sem gozar de direitos básicos assegurados pela Constituição Federal, como férias, 13º salário e outros benefícios, os trabalhadores travam uma verdadeira batalha entre a vida e morte para tirar das entranhas da terra o sustento da família, nas minas de caulim escavadas no Junco do Seridó, Sertão da Paraíba, a pouco mais de 265 quilômetros da capital, João Pessoa. O setor de mineração no município emprega na informalidade cerca de 40% da mão de obra local, segundo a Cooperativa dos Garimpeiros do Seridó (Cooperjunco). 





Embaixo da terra, sem luz nem equipamentos de segurança, os trabalhadores suam para escavar a rocha dura e retirar o caulim em condições desumanas. A jornada de quase 10 horas ininterruptas começa cedo e muitas vezes termina de forma trágica. Os acidentes nas banquetas são constantes e já ceifaram a vida de dezenas de mineiros.

Os heróis da banqueta, também chamados de “homens tatu”, não temem o perigo e se arriscam nas madrugadas.

Muitos já perderam sonhos, se acomodaram no tempo, se conformaram com a realidade e não pretendem deixar a atividade, visto que em Junco do Seridó praticamente não existem oportunidades de emprego. O caulim é a única fonte de renda. “Aqui não existe trabalho. Só dependemos da extração do caulim”, diz um mineiro.

Em torno da banqueta, nome que se dá ao lugar onde um buraco é cavado e instala-se os equipamentos para a extração do minério, os mineiros mostram resistência física e coragem para enfrentar o perigo.

Edson, Fagner e Adelson já trabalham juntos há 10 anos e sabem que a disputa entre as banquetas de caulim é uma atividade de alto risco. A rotina deles é árdua e arriscada. Todos os dias acordam de madrugada, se reúnem em casa, pegam as ferramentas de trabalho e seguem para as banquetas. O caminho das minas da cidade até a área de exploração do minério é feito por estradinhas de terra cobertas por pó branco, que cai durante o transporte do produto pelas carretas. No trajeto é possível avistar várias banquetas espalhadas pelos morros na Zona Rural de Junco do Seridó, muitas delas desativadas e escondendo histórias de sofrimento e morte. Ao chegar na banqueta, dois deles descem para escavar e encher os baldes no subsolo. O terceiro puxa o material por um carretel de cordas improvisado, sustentado por uma frágil estrutura de madeiras, borracha e pregos. O equipamento artesanal é operado por Adelson e a segurança dos dois mineiros que trabalham no subsolo depende dos braços dele. 




De acordo com dados de órgãos que atuam na fiscalização de minério, existem cerca de 300 minas que desenvolvem atividades de extração de minério no município de Junco do Seridó. Os garimpeiros que sobrevivem da extração de minério trabalham até 10 horas diárias para ganhar uma quantia de R$ 30 por dia por um trabalho árduo e de risco à vida.

O ambiente em que os garimpeiros trabalham em Junco do Seridó é perigoso e insalubre. Edson, Fagner e Adelson retiram em média 120 tambores de caulim por dia da banqueta, cada um pesando 80 quilos. A maior produção é feita ainda de madrugada. A carrada de caulim contém, em média, 10 mil quilos do minério e é vendida pelos garimpeiros por valores entre R$ 100 e R$ 200, dependendo do tamanho da malha utilizada. Com a atividade em crise, eles são obrigados a vender o produto com o preço bem abaixo do mercado, não chegando a tirar um salário mínimo por mês. “Continuamos arriscando nossas vidas debaixo do chão, sem nenhum direito trabalhista, nos sujeitando a ganhar no máximo R$ 900 por mês, R$ 130 por cada carrada de 10 toneladas”, desabafa um dos mineiros.

O minério retirado da mina é despejado nas caçambas que o levam até os as empresas de beneficiamento, onde o caulim é decantado e processado antes de exportado.

A busca do precioso minério custa muito suor, esforço, dor e lágrimas de famílias que perderam seus entes queridos. O trabalho pesado, realizado em uma profundidade de 17 até 50 metros, é a única fonte de sustento dos minerados. O mais grave é que em pleno ano de 2017 muitas das minas continuam operando na clandestinidade. E com a chegada das chuvas aumenta ainda mais o risco de desabamentos.

O caulim, extraído de debaixo do chão, é o ouro branco que vale mais do que o próprio homem. Embaixo da terra não existe limite entre a vida e a morte. Abaixo da aridez, em uma terra considerada pobre, que não serve para plantar, a riqueza está escondida. Carlos de Oliveira, minerador há 10 anos, confessa que quando desce para o precipício nunca sabe se voltará a ver a luz do sol brilhar de novo. Todos os dias ele trava uma luta pela sobrevivência.

Trabalho na área interditada
Combater o trabalho clandestino tem sido um desafio dos órgãos responsáveis pela fiscalização na Paraíba e uma luta da Cooperativa dos Mineradores. A fiscalização existe, mas não tem sido suficiente para evitar que os mineiros continuem escavando os túneis de forma ilegal. Em 2015, acatando denúncia da Cooperativa dos Garimpeiros do Seridó (Cooperjunco), sobre a exploração ilegal do minério, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), interditou uma área de cerca de 700 hectares no município de Junco do Seridó. Pelo menos 30 minas foram desativadas na operação.

Segundo um garimpeiro, só na região do Junco do Seridó, quando não havia fiscalização ou qualquer impedimento para extração de caulim, aproximadamente 250 homens trabalhavam embaixo da terra, nos túneis escavados manualmente com picaretas e outras ferramentas artesanais, muitas vezes à luz de velas e sem qualquer equipamento de segurança.

Apesar das mais de 50 mortes causadas pelos desmoronamentos das banquetas de caulim e da proibição de explorar o minério sem autorização do DNPM e da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), somente no município do Junco do Seridó mais de 70 garimpeiros ainda arriscam suas vidas debaixo do solo, trabalhando clandestinamente.

“É tudo como era antes, mas muitos garimpeiros foram embora e os que restaram trabalham escondidos”, conta um garimpeiro. O atual diretor da Cooperativa dos Garimpeiros do Seridó, José Ivanildo da Silva, o Dila, contou ao PB Agora que depois da interdição as atividades ilegais foram interrompidas. Ele disse que desconhece a existência de minas funcionando clandestinamente. “Nossa luta é para legalizar toda a atividade em Junco”, disse Dila. Hoje, segundo ele, cerca de 180 mineradores cooperados trabalham junto com as instituições públicas em busca da legalização desse trabalho.

Denunciar a irregularidade também é um trabalho de risco. Em 2015 a ex-presidente do sindicato, Maria Aparecida Batista, chegou a ser ameaçada de morte por causa do trabalho realizado no combate à exploração clandestina dos minérios na região. Apesar da atual gestão da cooperativa desconhecer a existência de minas clandestinas, estima-se que existam no local pelo menos 30 minas irregulares com jornadas de trabalho de 10 horas para ganhar R$ 30 por um dia inteiro de trabalho.

“Quase não tem fiscalização, mas temos que fingir que não existe extração desse tipo na cidade para não atrair a atenção”, conta um garimpeiro, acrescentando que “a gente quase passa fome, porque só vem gente para cobrar imposto, ninguém preocupado com garimpeiro que morre e viúva com menino que fica desamparada”.

Luta para legalizar a área e capacitar os heróis da banqueta do Caulim e o alerta do Ministério Público
Legalizar a área em que ocorre a exploração do minério é apenas um dos desafios da Cooperativa. Os mineiros precisam de capacitação para se proteger do perigo. Substituir as técnicas rudimentares de extração por máquinas modernas poderia ser o caminho para evitar mais mortes e pôr fim no trabalho escravo. A capacitação é a saída para aumentar a produção e evitar riscos à saúde, como a silicose e acidentes com queda de barreiras.

As agências governamentais, que deveriam fomentar essas iniciativas, possuem amarras burocráticas que dificultam o acesso ao dinheiro pela população mais necessitada. No ano passado, o Sindicato chegou a denunciar que havia sim exploração do homem sobre o homem, onde muitos conseguiam o sustento de suas famílias arriscando diariamente suas vidas em grandes profundidades para extrair o caulim. “Muitos, inclusive, preferem trabalhar de forma clandestina na produção, por conta própria, porque ganham mais um pouco, do que fichados em algum decantamento recebendo apenas o salário mínimo”, lamenta um minerador que pediu para não ser identificado.

O Ministério Público do Trabalho alertou para o risco que correm os heróis das banquetas que ganham a vida na extração do caulim. Em entrevista exclusiva ao PB Agora, a procuradora do Trabalho, Marcela Asfora, confirmou que os acidentes nas minas são constantes. Ela contou que o MPT atua em duas vertentes, sendo que a primeira, no âmbito de inquéritos civis, são procedimentos investigativos, por meio dos quais se busca identificar os reais empregadores dos mineradores para exigir o cumprimento da legislação trabalhista, em especial no que refere-se às normas de saúde e segurança.

Marcela destaca que o Ministério Público também tem atuado por meio de procedimentos promocionais, que são as iniciativas através dos quais o procurador do Trabalho atua como agente de transformação social. Esse trabalho é realizado em uma ação conjunta com outros órgãos que desempenham funções vinculadas à área da mineração, saúde e segurança do trabalhador, como o DNPM, a Receita Estadual e o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) para tentar diminuir com os acidentes.

A procuradora conta que geralmente as pessoas que trabalham na exploração de minérios na Paraíba são trabalhadores informais, submetidos a vários riscos e a situações precárias. Além da falta de segurança, muitos mineradores trabalham de forma clandestina. As condições de trabalho nas minas de caulim, segundo ela, são preocupantes pela forma rudimentar como a exploração é realizada. “As condições de trabalho nas minas de caulim são precárias. A clandestinidade contribui para a manutenção do ciclo de insegurança nas minas, pois desencoraja a busca pela modernização e pela profissionalização da forma de extração”, revela a procuradora.

Marcela Asfora destaca ainda que o Ministério do Trabalho tem realizado fiscalizações nas áreas de extração e beneficiamento de caulim, contudo a grande dificuldade na formalização dos vínculos trabalhistas reside na resistência dos mineradores em romper com a cultura local, tendo em vista que há décadas o trabalho é realizado de maneira informal. Tudo isso aliada à intenção de alguns mineradores não firmarem contratos de trabalho ante a impossibilidade de, como mineradores, conseguirem os benefícios previdenciários destinados aos trabalhadores rurais.

Marcela ressalta que o Ministério Público não possui dados sobre o número de mineradores na área de Junco, em razão da fluidez das pessoas que trabalham na mineração. “Aliada à dificuldade de conseguir dados referentes aos mineradores, quer em razão da clandestinidade ou do receio de testemunhas ouvidas pelo MPT em prestar informações – temendo fiscalizações e a consequente proibição de continuar o desenvolvimento da atividade, ante a total irregularidade e ilegalidade no desempenho da mineração”, observa.

O trabalho realizado por operários de forma irregular em mineradoras da Paraíba fez com que apenas este ano fossem encaminhados cerca de 30 procedimentos ao Ministério Público Federal pedindo a apuração de acidentes e formas precárias de exploração do trabalho.

Superintendente do DNPM admite que órgãos federais não tem fiscais suficientes
A Superintendência Regional do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério de Minas e Energia, garante que o órgão tem procurado discutir as condições de trabalho de mineradores do Seridó paraibano. De acordo com o superintendente Eduardo Sérgio Colaço, o órgão tem analisado laudos sobre o último acidente.

Em entrevista exclusiva ao PB Agora, ele reconheceu que a extração mineral ainda é uma atividade de risco, mas os órgãos federais não dispõem de fiscais suficientes para atender a demanda. A extração de caulim e quartzito constitui uma das principais atividades financeiras do Município de Junco do Seridó, onde aconteceram quatro das cinco mortes deste ano.

Eduardo Sérgio confirma que o órgão recebe relatos dos garimpeiros de que as empresas que os contratam não fornecem qualquer tipo de maquinário ou proteção individual para que eles trabalhem com segurança. Segundo ele, em várias minas também não há registros de acompanhamento de profissionais especializados na atividade, como engenheiro de minas, geólogo e técnico em mineração, o que aumenta o risco de acidentes e mortes. O superintendente estadual do Departamento Nacional de Produção Mineral enfatiza que é comum encontrar irregularidades na exploração de minérios, principalmente na região do Seridó, e o órgão está investindo em tecnologia já que são poucos os fiscais.

O trabalho realizado por operários de forma irregular em mineradoras fez com que apenas este ano fossem encaminhados 30 procedimentos ao Ministério Público Federal, pedindo a apuração de acidentes e formas precárias de exploração do trabalho.

Ao pó voltarás



A frase bíblica, “ao pós voltarás” se aplica bem na vida de muitos garimpeiros de Junco. Os acidentes nas minas são constantes. A área conhecida pelo alto número de minas de garimpo que não oferecem nenhuma estrutura de segurança para seus trabalhadores.

As valas abertas a céu aberto numa área de 700 hectares, encurta a distância entre o dia e a noite e podem se transformar em passagens para a morte. Em cinco ano, mais de 50 mineradores já morreram soterrados nas minas de Junco, segundo dados da Cooperativa dos Mineradores.

O garimpeiro Luis Carlo Leite de 27 anos, conhecido na região por 'Tôta', filho de Luis Rufino da Comunidade da Serra de Santana, foi uma vítima das baquetas do caulim. Ele morreu soterrado, em decorrência de um deslizamento de uma encosta na Serra de Santana.

Os acidentes fatais destroem famílias e sepultam sonhos

Cinco anos após a tragédia que resultado na perda do filho de 27 anos, a viúva Geraldina fez um apelo dramático ao programa da Rede Record, para que as autoridades aumentassem a fiscalização nas minas de Junco, contendo assim, a onda da morte na extração do minério.

Com uma foto do filho na mão, e visivelmente com olhar de tristeza, ela recorda de Luiz Carlos, que morreu na escuridão de uma das minas de caulim da região. “Ele era aproximado pelas aquelas malditas banquetas que levou a vida dele embora” lamentou. Dona Geraldina conta que o filho trabalhou 10 anos nas banquetas, e ganhava a vida trabalhando embaixo da terra. Ganhava R$ 400 por mês, fundamentais para sustentar a família.

A dor de dona Geraldinha é a mesma de Maria e seu Inácio que mora na localidade batizada de Várzea Carneira, na divisa entre Rio Grande do Norte e Paraíba. Eles também conviveram com a tragédia e perderam o filho na extração de minério. O casal de aposentados não esquece o dia em que o filho Vilanir de 24 anos, mais conhecido como “Vila” sofreu o acidente.

“Foi a dor maior que eu já sofri na minha vida, quando eu recebi essa notícia” lamentou dona Maria com rosto sofrido, e lágrimas nos olhos,

Assim como ela, muitas Marias sofrem a perda dos filhos na extração do caulim, um trabalho degradante que destroem vidas e sepulta sonhos.

Os acidentes estão cada vez mais preocupando os operários, que trabalham todos os dias com o mínimo de segurança, em espaços sem condições favoráveis para o desenvolvimento do trabalho, que merece tanto cuidado e atenção.

O sindicato dos mineradores confirma que a precariedade no trabalho de mineração na comunidade de Várzea de Carneira, na cidade de Junco do Seridó, no Sertão da Paraíba, tem ceifado muitas vítimas.

Faltam fiscais para combater o trabalho clandestino
A sombra da escuridão das banquetas, os garimpeiros se arriscam.  O esforço do Ministério do Trabalho é no sentido de acabar de vez com o trabalho clandestino nas minas de caulim de Junco do Seridó. Só que o órgão não dispõe de estrutura nem fiscais suficientes para manter uma fiscalização mais arrojada e intensa. Com isso, os acidentes continuam se multiplicando na área ilegal e a fila da morte crescendo.

A participação do Departamento Nacional de Produção Mineral também é fundamental, uma vez que há concessões de lavras vencidas que devem ser legalizadas para possibilitar o acesso pleno dos trabalhadores. Órgãos de defesa do meio ambiente, como o Ibama, são fundamentais na elaboração de um projeto. Escavar o subsolo ou alterar a superfície sem estudos mais aprofundados pode levar à degradação de um ecossistema ou à contaminação de lençóis freáticos.

O Departamento de Produção Mineral, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o Sebrae e o Governo do Estado, tem um programa de regularização das mineradoras, oferecendo suporte técnico e acompanhamento profissional. Em Junco do Seridó ninguém quer falar sobre a exploração do caulim na região e as poucas pessoas que quebram o silêncio dizem que a extração do minério está proibida e que, a não ser algumas empresas particulares que não aceitam conceder entrevista, esse tipo de comercialização está paralisada. No entanto, não é esta a realidade presenciada por quem passa no município e avista pelo menos cinco empresas de beneficiamento do minério.

Segundo a Superintendência Estadual do Departamento Nacional de Produção Mineral, há mais de 3 mil processos ativos na Paraíba. Destes, pouco mais de 140 estão em fase de concessão de lavra, ou seja, são de fato minas com extração de minérios autorizada.


Severino Lopes S
PB Agora 

Foto: Antônio Ronaldo 
Ilustração: Júlio César

Fonte



quinta-feira, 28 de maio de 2015

PF desarticula esquema de extração ilegal de pedras preciosas na Paraíba

27/05/2015 08h19 - Atualizado em 27/05/2015 12h16
Operação conjunta com o MPF acontece também em MG, RN e SP.
Grupo extraia ilegalmente a turmalina paraíba e vendia para o exterior.
 
Do G1 PB
 

Pedra turmalina paraíba pode chegar ao valor de R$ 3 milhões, segundo a Polícia Federal (Foto: Divulgação/Polícia Federal)
Operação da PF e do MP desarticula esquema de extração ilegal de turmalina paraíba
(Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Uma operação conjunta entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) é realizada nesta quarta-feira (27) para desarticular um esquema de extração ilegal da pedra preciosa turmalina paraíba. Segundo a PF, uma única pedra de turmalina azul pode chegar a valer R$ 3 milhões.

A operação ‘Sete Chaves’ ocorre nas Cidades Paraibanas de João Pessoa, Monteiro e Salgadinho e também nos Municípios de Parelhas e Natal, no Rio Grande do Norte, além de Governador Valadares (MG) e São Paulo (SP).
  
Operação da PF desarticula esquema de contrabando de turmalina' (Foto: Divulgação / PF)
Uma única pedra de turmalina azul pode chegar
a valer de R$ 3 milhões, diz PF
(Foto: Divulgação / PF)
130 policiais federais do Nordeste estão dando cumprimento simultâneo a 8 mandados de prisão preventiva, 19 de busca e apreensão e 8 de sequestro de bens. Os suspeitos serão indiciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, usurpação de patrimônio da União, organização criminosa, contrabando e evasão de divisas.
 
Segundo a Polícia Federal, entre os integrantes suspeitos de participarem da organização criminosa estão diversos empresários e um deputado estadual, que utilizavam uma rede de empresas para realizar o suporte das operações bilionárias em negociações com pedras preciosas e lavagem de dinheiro.
 
A PF e o MPF ainda não divulgaram o nome do parlamentar envolvido, mas a assessoria do deputado estadual João Henrique (DEM), sócio de uma empresa de mineração na Paraíba, encaminhou nota se posicionando sobre a operação. "A empresa do deputado está completamente regular perante a Receita Federal e o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), sendo a única que dispõe de concessão de lavra para o minério turmalina", informa a nota.
 
A assessoria de imprensa informou ainda que "o deputado apoia e contribuirá incondicionalmente com as investigações, porque também é vítima desses criminosos que vêm praticando o crime de lavra clandestina na região, através de empresas com ramificações em Parelhas, no Rio Grande do Norte, Governador Valadares, em Minas Gerais, Bangkok, Tailândia, Hong Kong, China, Houston e Las Vegas".
 
Ainda segundo a PF, o esquema criminoso começava com a extração da pedra no distrito de São José da Batalha, em Salgadinho (PB). Em seguida, as pedras eram enviadas à cidade de Parelhas (RN), onde ganhavam certificados de licença de exploração. De lá, a turmalina paraíba seguia para Governador Valadares (MG), de onde era comercializada para o exterior, em mercados na cidade de Bangkok, na Tailândia, Hong Kong, na China e Houston e Las Vegas, nos Estados Unidos.
 
 A polícia suspeita que um grande volume destas pedras esteja nas mãos de joalheiros e de pessoas no exterior. O nome da operação faz referência aos negociadores no mercado restrito da turmalina azul, que guardavam à ‘sete chaves’ o segredo sobre a existência de uma pedra valorizada e pouco conhecida no mercado.

domingo, 7 de setembro de 2014

Extração desordenada de areia ameaça o Rio Paraíba

Só em uma fazenda, retirada do minério chega a 40 caçambas por dia.
 

A construção civil e realização de obras estruturantes como os estádios da Copa do Mundo provocaram o crescimento da ‘indústria’ de extração de areia do Rio Paraíba. Há cerca de 10 anos, o material vem sendo retirado de maneira desordenada, sem uma legislação regulamentadora. Para tentar ordenar a atividade, o Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba deverá se reunir na próxima terça-feira, na sede do Ministério Público da Paraíba, em João Pessoa.
  
A ideia é utilizar um estudo realizado pelo professor e ambientalista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Augusto Pessoa Ricardo Braga, para que o Conselho de Proteção Ambiental (Copam) possa regulamentar a atividade mecanizada na Paraíba. O levantamento foi encomendado pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), que compõe o Fórum. O diretor técnico do órgão, Ieure Amaral Rolim, confirmou que o estudo deverá embasar a formatação das novas regras de extração de areia.
 
“A Sudema vem licenciando as atividades de extração ao longo dos anos em cima de um roteiro de licenciamento que foi estabelecido há 10, 15 anos atrás. Levamos ao Conselho Estadual de Meio Ambiente a necessidade de fazer uma revisão para que fosses reformulados esses critérios para o licenciamento ambiental no leito do rio Paraíba. Inclusive, tivemos a oportunidade de contratar o professor Ricardo Braga, que é um ambientalista e conhecedor das questões de extração em leito do rio, pois deu uma grande contribuição à elaboração desta norma no estado de Pernambuco”, explicou Ieure Rolim.
 
O Fórum é composto ainda por integrantes de associações ambientais, sindicatos, Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ambientalistas e agricultores, mas a ação tem sido acompanhada também pela coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias do Meio Ambiente e dos Bens de Valor Artístico, Estético, Histórico, Urbanístico, Turístico e Paisagístico (Caop do Meio Ambiente), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), a promotora Andréa Bezerra Pequeno de Alustau.
 
Segundo Andréa Pequeno, o grande problema é que não há um regramento das condições para extração de minérios na Paraíba e muitas empresas ainda realizam a extração de forma clandestina, sem a devida licença. “A Sudema autoriza, mas sem muito critério, porque não há regras. Precisamos conseguir junto ao Copam essa legislação para que possamos, através dos promotores das cidades onde a irregularidade ocorre, dar início às ações para coibir os abusos. O estudo de Ricardo Braga será preponderante, pois teremos uma análise técnica para nos embasar e tomar as medidas cabíveis. Sabemos que há excesso, mas precisamos disso para provarmos”, justificou.
 
S.O.S
 “O Rio Paraíba clama por ajuda”, desabafa Jacinto Sales, suplente de vereador em São Miguel de Taipu e membro do Fórum. Segundo ele, cerca de 10 a 40 caçambas de areia são retiradas por dia do Rio Paraíba, apenas na Fazenda Oiteiro Ltda., em São Miguel de Taipu. As dragas funcionam com a licença apenas para pesquisa, que estão vencidas desde o dia 26 de agosto.
 
“E já chegou a 90 caçambas. Isto é apenas um grão do que diariamente também é retirado por outros empresários do ramo ao longo dos 380 quilômetros de extensão do rio, especialmente nos trechos que passam pelos municípios de Itabaiana, Salgado de São Félix e São Miguel”, ressaltou Jacinto.
 
A extração em São Miguel de Taipu foi intensificada em janeiro deste ano, após a Câmara de Vereadores revogar parcialmente a Lei nº 137/2003, que impedia a atividade mecanizada no leito sazonal do Rio Paraíba, em todo o território da cidade. A Lei nº 259, de 13 dezembro de 2013, além de permitir a extração com máquinas, autoriza a instalação de lavras de areia com apresentação de projeto à Sudema para autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
 
O presidente da Câmara de Vereadores de São Miguel de Taipu, Augusto Vieira de Albuquerque Melo, que também é dono da propriedade da Oiteiro Ltda., disse que a lei foi alterada a pedido do seu sócio, atento ao mercado da construção civil. “Há dois anos ele me pediu, mas eu contei a história toda. Sempre tivemos o cuidado de escutar o DNPM, que é quem coordena a fiscalização das empresas, tanto que lá é um tal de abre e fecha de empresa. Por sinal, temos tudo porque senão não faz. Não temos cara de fazer coisa ilegal”, garante.
 
Augusto Vieira admite que a areia de “primeira linha” retirada do Rio Paraíba foi utilizada nas obras do estádio de futebol para a Copa 2014, a Arena Pernambuco, em Recife. “A arena Pernambuco foi toda feita aqui, até o gramado. Foi o melhor da Copa. É uma burocracia para escolher aquela areia porque ela tem que ser escolhida entre a parte de cima e a de baixo. A análise da areia era feita por uma empresa Suíça”, relata.
 
De acordo com a Sudema, atualmente existem dez concessões a mineradoras que exploram a retirada de areia e cascalho do rio, dentre elas a de funcionamento de Oiteiro. O diretor técnico da Sudema, Luere Rolim, entretanto, explicou que há mais de um ano o órgão tomou a decisão de não mais renovar as licenças para extração de areia até que os critérios que estão sendo discutidos junto ao Copam tenham sido publicados e venham a ser norteadores desse entendimento.
 
“Como forma de evitar prejuízo, o Copam deu um prazo para que aqueles empreendedores pudessem prorrogar a validade de sua licença, que evidentemente se encerra com a publicação da norma que estabelece os novos critérios de procedimentos”, disse Ieure.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

População que receberá água do São Francisco luta contra extração de areia

Na região do Rio Paraíba, destino final das límpidas águas do Velho Chico, moradores tentam frear a retirada de areia

Postada em: 15/02/2014 às 08:52:05
 
  
Na manhã do dia 12 de novembro de 2012, cerca de cem pessoas – agricultores sindicalistas, ambientalistas, representantes de associações civis ligadas à preservação do rio Paraíba – tendo à frente o deputado Antônio Ribeiro, mais conhecido como Frei Anastácio, e o ambientalista e médico João Batista da Silva, ocuparam a sede da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), na capital do estado, João Pessoa.
 
Os manifestantes exigiam da atual superintendente da Sudema, Laura Farias, a regularização da atividade de extração de areia junto ao Rio Paraíba, que prejudica a saúde do rio e acelera o processo de desertificação (a areia serve como uma esponja que absorve a água da chuva que cai durante apenas dois meses por ano, e evita a evaporação).
 
Por volta das 13 horas, os manifestantes já tinham em mãos um Termo de Compromisso assinado por Laura, segundo o qual o órgão assumia o compromisso de apresentar a tal regulamentação, além de criar a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Paraíba e fiscalizar todas as denúncias.

Um ano depois, porém, nenhum item havia sido efetivamente cumprido.

As reuniões informais da população com o objetivo de preservar o rio Paraíba deram origem ao Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba, formado oficialmente em 2011 por integrantes de associações ambientais, sindicatos, Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ambientalistas e agricultores.

Extensão de obra no São Francisco é quase a distância entre Salvador e Recife

Em setembro de 2013, a superintendente Laura compareceu a uma das reuniões do Fórum de Defesa do Rio Paraíba, realizada no município de São José dos Ramos, e se comprometeu verbalmente em não conceder mais licenças para essa atividade. Mas, segundo o Fórum, novamente o compromisso foi quebrado.

Briga judicial
Em 9 de outubro de 2013, a empresa de Antônio Ferreira de Araújo, que atua em uma área de 149 hectares entre Itabaiana a Salgado de São Félix teve sua licença renovada por mais um ano.

O processo de renovação dessa licença traz algumas particularidades: em 5 de dezembro de 2012, entrou em vigor a Lei Orgânica de Itabaiana (PB), proibindo a retirada mecanizada de areia, cascalho e argila, sendo permitida apenas extração manual para uso em obras municipais. Com a licença por vencer no final de 2012, Antônio Ferreira entrou com um pedido de renovação, que foi negado pela Sudema. Seis meses depois, em 22 de julho de 2013, o empresário nomeou como seus procuradores os integrantes do escritório Lopes Advocacia. Um dos sócios é o advogado da Sudema, Ronílton Pereira Lins. Ou seja, o dono da firma que atende Antônio Ferreira trabalha também na Procuradoria Jurídica da Sudema.

Procurado pela reportagem, ele afirma que desde quando assumiu a Procuradoria Jurídica da Sudema não faz mais parte do escritório de advocacia, e não tem conhecimento das ações que são concebidas lá. “Meu nome deve ter sido colocado na procuração por engano, pois ainda devia constar nos documentos do escritório, mas não tenho mais nenhum vínculo ali”, afirmou.

Como advogado da Sudema, Ronílton garante que segue a recomendação do Ministério Público que determinou o fim da extração mecanizada. “Apenas concedemos licenças por intermédio de ação judicial, quando somos obrigados a cumprir”, enfatizou.

Em 12 de agosto de 2013, Antônio Ferreira obteve um mandado de segurança, expedido pelo então Juiz de Direito de Itabaiana Henrique Jorge Jácome de Figueiredo, para a renovação da licença. A Sudema concedeu então a renovação da licença de duas áreas: uma referente à área de Itabaiana a Salgado de São Félix e outra de Itabaiana a Pilar, ambas no dia 9 de outubro de 2013.

Contudo, em 28 de novembro de 2013, a promotora de Justiça de Itabaiana, Maricellly Fernandes Vieira, entrou com pedido de retratação da decisão da liminar. Ela acusa Antônio Ferreira de ter agido de má-fé ao entrar com o mandato judicial, omitindo do magistrado a existência da Lei Municipal de Itabaiana, que proíbe a atividade. Em 29 de janeiro, a Juíza Higyna de Almeida, da 1ª Vara Judicial de Itabaiana, tornou o mandato sem efeito.

Antonio Ferreira explora a mineração no rio Paraíba desde 2005. Ele alega que tem conhecimento da lei municipal, mas justifica: “Os órgãos concederam as licenças, então tenho permissão de trabalhar e procuro fazê-lo da melhor forma possível, de maneira legal”, salientou.

Outro caso apontado como mau exemplo pelo procurador da República Duciran Farena é o da obtenção de renovação das licenças de lavra experimental para a Fazenda Oiteiro, nos Municípios de São Miguel de Taipu e Pedras de Fogo.

A renovação das licenças foi concedida pela Sudema em dia 26 de agosto de 2013. Contudo, os documentos exigidos por Lei para o pedido de renovação de licença da área de cinco hectares de São Miguel de Taipu são datados do dia 28 de agosto de 2013 – dois dias depois de concedida a licença.

Nesse dia, Clóris Monteiro Vieira de Melo, proprietária da Fazenda Oiteiro, enviou um documento para o promotor de Pilar, Aldenor de Medeiros Batista, solicitando parecer favorável para a extração de areia. No mesmo dia, o promotor deu o parecer autorizando a Sudema a conceder a renovação. Em tempo recorde, ainda no dia 28, a Sudema emitiu o Parecer Jurídico nº 481/2013, acatando a justificativa do Ministério Público de Pilar.

Para piorar, todo o processo tramitou enquanto estava em vigor a Lei Orgânica do Município de São Miguel de Taipu que proíbe a extração mecanizada de areia, cascalho e argila. Pouco depois, em 12 de dezembro de 2013, a Lei foi revogada pela câmara de vereadores da cidade. O presidente é o vereador Augusto Vieira, filho da proprietária da Fazenda Oiteiro Ltda.

“Não há legislação estadual na Paraíba referente à atividade e as leis municipais prevalecem às federais por serem restritivas. Isto está na Constituição. Esta é uma atribuição das câmaras municipais”, explica o técnico do Ibama, Ronilson Paz.


A população não confia nas autoridades
Indignado, o agricultor e sindicalista Joserino de Sousa, do assentamento Corredor, na zona rural do município de Remígio, constata grandes mudanças no meio ambiente. “Hoje em dia cavamos um poço, e em questão de 10 meses não tem mais água, pois os lençóis de água desceram em direção ao leito. Há 20 ou 15 anos, a exploração de batatas era feita três meses por ano. De feijão, era por quatro meses do ano. Agora, raramente conseguimos colher uma vez no ano. Como é isso? Os proprietários se ‘adonam’ do rio e fazem o que querem? E a população que trabalha e planta e depende da água que tinha no rio? A gente não pode tirar uma pá de areia que já vem alguém para nos impedir”, lamenta Joserino. “Depois, quem vai passar sede serão os nossos filhos. Ou tomamos uma posição enérgica, de atitude, ou o rio vai acabar um cemitério, se depender dos órgãos governamentais”.
 
Entenda a legislação:
Segundo a legislação brasileira, o licenciamento para a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades que utilizam recursos ambientais capazes de causar degradação ambiental depende de prévio licenciamento por órgão estadual competente. Caso o órgão não esteja instalado, a atribuição é do Ibama. A empresa deve apresentar um estudo de impacto ambiental e relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA), além de planos de reposição ou compensação da degradação ambiental.
 
Na Paraíba as licenças são concedidas pela Sudema, com pareceres do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) ou do Ministério Público. Ronilson Paz, técnico do Ibama na Paraíba, afirmou que o órgão realiza suas atribuições conforme a legislação. “A Sudema é um órgão para exercer o controle e a preservação do meio ambiente no estado e trabalha para isso”, disse Ronilson Paz. Já o ambientalista João Batista da Silva tem outra opinião: “A Sudema precisa estabelecer os critérios para extração de areia mecanizada, precisa de uma política de preservação da Bacia do Rio Paraíba há muito tempo, e parece que não dá importância para isso”. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O povo contra os areeiros

06.02.2014
Por Márcia Dementshuk / Fotos: Mano Carvalho #ReportagemPública

Na região do Rio Paraíba, destino final das límpidas águas do São Francisco, a população se organiza para frear a retirada de areia do leito do rio 
 

Membro do Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba, Jacinto Sales, acusa promotor de São Miguel de Taipu de não tomar providências contra a degradação do rio (Foto: Mano de Carvalho)
Membro do Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba,
Jacinto Sales, acusa promotor de São Miguel de Taipu de
não tomar providências contra a degradação do rio
(Foto: Mano de Carvalho)

Participantes do Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba denunciam irregularidades na atividade de mineração em municípios do Baixo Paraíba (Foto: Mano de Carvalho)
Participantes do Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba
denunciam irregularidades na atividade de mineração em municípios
do Baixo Paraíba (Foto: Mano de Carvalho)

Na manhã do dia 12 de novembro de 2012, cerca de cem pessoas – agricultores sindicalistas, ambientalistas, representantes de associações civis ligadas à preservação do Rio Paraíba – tendo à frente o deputado Antônio Ribeiro, mais conhecido como Frei Anastácio, e o ambientalista e médico João Batista da Silva, ocuparam a sede da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), na capital do estado, João Pessoa. Os manifestantes exigiam da atual superintendente da Sudema, Laura Farias, a regularização da atividade de extração de areia junto ao Rio Paraíba, que prejudica a saúde do rio e acelera o processo de desertificação (a areia serve como uma esponja que absorve a água da chuva que cai durante apenas dois meses por ano, e evita a evaporação).
 

Por volta das 13 horas, os manifestantes já tinham em mãos um Termo de Compromisso assinado por Laura, segundo o qual o órgão assumia o compromisso de apresentar a tal regulamentação, além de criar a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Paraíba e fiscalizar todas as denúncias.

Um ano depois, porém, nenhum item havia sido efetivamente cumprido.

As reuniões informais da população com o objetivo de preservar o Rio Paraíba deram origem ao Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba, formado oficialmente em 2011 por integrantes de associações ambientais, sindicatos, Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ambientalistas e agricultores.

Em setembro de 2013, a superintendente Laura compareceu a uma das reuniões do Fórum de Defesa do Rio Paraíba, realizada no município de São José dos Ramos, e se comprometeu verbalmente em não conceder mais licenças para essa atividade. Mas, segundo o Fórum, novamente o compromisso foi quebrado.
 
Briga judicial
Em 9 de outubro de 2013, a empresa de Antônio Ferreira de Araújo, que atua em uma área de 149 hectares entre Itabaiana a Salgado de São Félix teve sua licença renovada por mais um ano.
 
O processo de renovação dessa licença traz algumas particularidades: em 5 de dezembro de 2012, entrou em vigor a Lei Orgânica de Itabaiana (PB), proibindo a retirada mecanizada de areia, cascalho e argila, sendo permitida apenas extração manual para uso em obras municipais. Com a licença por vencer no final de 2012, Antônio Ferreira entrou com um pedido de renovação, que foi negado pela Sudema. Seis meses depois, em 22 de julho de 2013, o empresário nomeou como seus procuradores os integrantes do escritório Lopes Advocacia. Um dos sócios é o advogado da Sudema, Ronílton Pereira Lins. Ou seja, o dono da firma que atende Antônio Ferreira trabalha também na Procuradoria Jurídica da Sudema. Procurado pela reportagem, ele afirma que desde quando assumiu a Procuradoria Jurídica da Sudema não faz mais parte do escritório de advocacia, e não tem conhecimento das ações que são concebidas lá. “Meu nome deve ter sido colocado na procuração por engano, pois ainda devia constar nos documentos do escritório, mas não tenho mais nenhum vínculo ali”, afirmou.
 
Como advogado da Sudema, Ronílton garante que segue a recomendação do Ministério Público que determinou o fim da extração mecanizada. “Apenas concedemos licenças por intermédio de ação judicial, quando somos obrigados a cumprir”, enfatizou.
 
Em 12 de agosto de 2013, Antônio Ferreira obteve um mandado de segurança, expedido pelo então Juiz de Direito de Itabaiana Henrique Jorge Jácome de Figueiredo, para a renovação da licença. A Sudema concedeu então a renovação da licença de duas áreas: uma referente à área de Itabaiana a Salgado de São Félix e outra de Itabaiana a Pilar, ambas no dia 9 de outubro de 2013.
 
Contudo, em 28 de novembro de 2013, a promotora de Justiça de Itabaiana, Maricellly Fernandes Vieira, entrou com pedido de retratação da decisão da liminar. Ela acusa Antônio Ferreira de ter agido de má-fé ao entrar com o mandato judicial, omitindo do magistrado a existência da Lei Municipal de Itabaiana, que proíbe a atividade. Em 29 de janeiro, a Juíza Higyna de Almeida, da 1ª Vara Judicial de Itabaiana, tornou o mandato sem efeito.
 
Antonio Ferreira explora a mineração no rio Paraíba desde 2005. Ele alega que tem conhecimento da lei municipal, mas justifica: “Os órgãos concederam as licenças, então tenho permissão de trabalhar e procuro fazê-lo da melhor forma possível, de maneira legal”, salientou.
 
Fazenda Oiteiro: licença concedida antes do pedido
Outro caso apontado como mau exemplo pelo procurador da República Duciran Farena é o da obtenção de renovação das licenças de lavra experimental para a Fazenda Oiteiro, nos municípios de São Miguel de Taipu e Pedras de Fogo.
 
A renovação das licenças foi concedida pela Sudema em dia 26 de agosto de 2013. Contudo, os documentos exigidos por Lei para o pedido de renovação de licença da área de cinco hectares de São Miguel de Taipu são datados do dia 28 de agosto de 2013 – dois dias depois de concedida a licença.
 
Nesse dia, Clóris Monteiro Vieira de Melo, proprietária da Fazenda Oiteiro, enviou um documento para o promotor de Pilar, Aldenor de Medeiros Batista, solicitando parecer favorável para a extração de areia. No mesmo dia, o promotor deu o parecer autorizando a Sudema a conceder a renovação. Em tempo recorde, ainda no dia 28, a Sudema emitiu o Parecer Jurídico nº 481/2013, acatando a justificativa do Ministério Público de Pilar.
 
Para piorar, todo o processo tramitou enquanto estava em vigor a Lei Orgânica do Município de São Miguel de Taipu que proíbe a extração mecanizada de areia, cascalho e argila. Pouco depois, em 12 de dezembro de 2013, a Lei foi revogada pela câmara de vereadores da cidade. O presidente é o vereador Augusto Vieira, filho da proprietária da Fazenda Oiteiro Ltda.
 
“Não há legislação estadual na Paraíba referente à atividade e as leis municipais prevalecem às federais por serem restritivas. Isto está na Constituição. Esta é uma atribuição das câmaras municipais”, explica o técnico do Ibama, Ronilson Paz.
 
A população não confia nas autoridades
Os moradores da região acompanham estarrecidos as manobras jurídicas para obtenção de licenças de extração de areia. “Em São Miguel de Taipu desde o ano 2000, a extração de areia tem sido violenta. Hoje em dia são retirados entre 60 e 90 caminhões por dia, ou melhor, na calada da noite. O promotor público de São Miguel tem conhecimento, mas não se pronuncia. Os juízes que respondem pela Vara do Meio Ambiente também não fazem nada. É público que todas as autoridades têm consciência”, desabafa o universitário e funcionário público Jacinto Sales.
 
Membro do Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba, Jacinto Sales, acusa promotor de São Miguel de Taipu de não tomar providências contra a degradação do rio (Foto: Mano de Carvalho)
Membro do Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba, Jacinto Sales,
acusa promotor de São Miguel de Taipu de não tomar providências
contra a degradação do rio (Foto: Mano de Carvalho)
Indignado, o agricultor e sindicalista Joserino de Sousa, do assentamento Corredor, na zona rural do município de Remígio, constata grandes mudanças no meio ambiente. “Hoje em dia cavamos um poço, e em questão de 10 meses não tem mais água, pois os lençóis de água desceram em direção ao leito. Há 20 ou 15 anos, a exploração de batatas era feita três meses por ano. De feijão, era por quatro meses do ano. Agora, raramente conseguimos colher uma vez no ano. Como é isso? Os proprietários se ‘adonam’ do rio e fazem o que querem? E a população que trabalha e planta e depende da água que tinha no rio? A gente não pode tirar uma pá de areia que já vem alguém para nos impedir”, lamenta Joserino. “Depois, quem vai passar sede serão os nossos filhos. Ou tomamos uma posição enérgica, de atitude, ou o rio vai acabar um cemitério, se depender dos órgãos governamentais”.

Participantes do Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba denunciam irregularidades na atividade de mineração em municípios do Baixo Paraíba (Foto: Mano de Carvalho)
Participantes do Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba
denunciam irregularidades na atividade de mineração em municípios
do Baixo Paraíba (Foto: Mano de Carvalho)

Entenda a legislação:
Segundo a legislação brasileira, o licenciamento para a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades que utilizam recursos ambientais capazes de causar degradação ambiental depende de prévio licenciamento por órgão estadual competente. Caso o órgão não esteja instalado, a atribuição é do Ibama. A empresa deve apresentar um estudo de impacto ambiental e relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA), além de planos de reposição ou compensação da degradação ambiental.

Na Paraíba as licenças são concedidas pela Sudema, com pareceres do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) ou do Ministério Público. Ronilson Paz, técnico do Ibama na Paraíba, afirmou que o órgão realiza suas atribuições conforme a legislação. “A Sudema é um órgão para exercer o controle e a preservação do meio ambiente no estado e trabalha para isso”, disse Ronilson Paz. Já o ambientalista João Batista da Silva tem outra opinião: “A Sudema precisa estabelecer os critérios para extração de areia mecanizada, precisa de uma política de preservação da Bacia do Rio Paraíba há muito tempo, e parece que não dá importância para isso”.

 









domingo, 3 de fevereiro de 2013

Minérios elevam arrecadação da Cfem em 12,38% na Paraíba

02/02/2013 18h07 - Atualizado em 02/02/2013 18h07 

Estado ocupa 18ª posição na exploração de minérios no país.
Arrecadação da Cfem foi a maior dos últimos cinco anos.
 
Do G1 PB, com Alexsandra Tavares
 

A Paraíba fechou 2012 com a maior arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) dos últimos cinco anos (R$ 3,766 milhões), segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), gerando alta de 12,38% sobre o ano anterior.

Mesmo assim não há muito o que comemorar. A Paraíba ocupa apenas a 18ª posição no ranking nacional e sua arrecadação da Cefem representa 0,21% do total coletado no país. Além da baixa participação, o saldo de emprego formal é ainda muito baixo. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, em 2012, o setor de extrativismo mineral gerou apenas 32 postos dos 18,6 mil do Estado.
 
Em 2010, existiam no Estado 59 empresas da indústria extrativa e, em 2011, o setor tinha como estoque 1.353 trabalhadores no Estado, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho.

Se comparado aos estados nordestinos, a Paraíba ocupa 5ª colocação, ficando atrás da Bahia (R$ 37,249 milhões), Sergipe (R$ 19,050 milhões), Pernambuco (R$ 5,942 milhões) e Maranhão (R$ 4,903 milhões).

O diretor de operações da Companhia de Desenvolvimento e Recursos Minerais da Paraíba (CDRM-PB), José João Correia de Oliveira, atribuiu a alta na arrecadação da Cfem em 2012 aos incentivos voltados ao pequeno produtos. “A exploração de minério está indo bem na Paraíba. Atribuo este crescimento da Cfem em 2012 ao incentivo do Estado com as APLs [Arranjos Produtivos Locais] juntamente aos pequenos produtores de cooperativas”, disse José João Correia.

Segundo ele, em termos de arrecadação do tributo, a Paraíba só perde para a Bahia, Sergipe, Pernambuco e Maranhão, ficando em quinto lugar neste ranking. “Vale salientar que o recebimento da Cfem não tem nada a ver com o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços] mineral”, disse o diretor de operações do CDRM-PB.

O superintendente do Departamento de Produção Mineral na Paraíba (DNPM-PB), Guilherme Henrique Silveira e Silva, afirmou que o crescimento na arrecadação também está relacionado às fiscalizações realizadas no mercado em busca das empresas clandestinas. “Este crescimento é parte das fiscalizações ocorridas nos últimos anos e se refletiram no ano passado. Há sempre um grau de sonegação, mas não se sabe quanto”, disse Guilherme.

Segundo ele, o mercado está aquecido com a produção de materiais como o calcário e minérios de rocha de ornamentação como o granito devido ao crescimento da construção civil.


 

Minérios elevam arrecadação

Paraíba ocupa 18ª posição na exploração de minérios no país.



Leonardo Silva
Arrecadação da Paraíba representa apenas 0,21% do total coletado no país
 
A Paraíba fechou 2012 com a maior arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) dos últimos cinco anos (R$ 3,766 milhões), segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), gerando alta de 12,38% sobre o ano anterior.
 
Mesmo assim não há muito o que comemorar. A Paraíba ocupa apenas a 18ª posição no ranking nacional e sua arrecadação da Cefem representa 0,21% do total coletado no país. Além da baixa participação, o saldo de emprego formal é ainda muito baixo. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, em 2012, o setor de extrativismo mineral gerou apenas 32 postos dos 18,6 mil do Estado.
 
Em 2010, existiam no Estado 59 empresas da indústria extrativa e, em 2011, o setor tinha como estoque 1.353 trabalhadores no Estado, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho.
 
Se comparado aos estados nordestinos, a Paraíba ocupa 5ª colocação, ficando atrás da Bahia ( R$ 37,249 milhões), Sergipe (R$ 19,050 milhões), Pernambuco ( R$ 5,942 milhões) e Maranhão (R$ 4,903 milhões). Veja o ranking completo abaixo.
 
O montante arrecadado da Cefem é dividido para a União (12%), Estado (23%) e município produtor (65%). O DNPM define município produtor como sendo aquele onde corre a extração da substância mineral. Caso a extração abranja mais de um município, deverá ser preenchida uma GUIA/CFEM para cada município, observada a proporcionalidade da produção efetivamente ocorrida em cada um deles.
 
O diretor de operações da Companhia de Desenvolvimento e Recursos Minerais da Paraíba (CDRM-PB), José João Correia de Oliveira, atribuiu a alta na arrecadação da Cfem em 2012 aos incentivos voltados ao pequeno produtos. “A exploração de minério está indo bem na Paraíba. Atribuo este crescimento da Cfem em 2012 ao incentivo do Estado com as APLs (Arranjos Produtivos Locais) juntamente aos pequenos produtores de cooperativas”, disse José João Correia.
 
Segundo ele, em termos de arrecadação do tributo, a Paraíba só perde para a Bahia, Sergipe, Pernambuco e Maranhão, ficando em quinto lugar neste ranking. “Vale salientar que o recebimento da Cfem não tem nada a ver com o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) mineral”, disse o diretor de operações do CDRM-PB.
 
O superintendente do Departamento de Produção Mineral na Paraíba (DNPM-PB), Guilherme Henrique Silveira e Silva, afirmou que o crescimento na arrecadação também está relacionado às fiscalizações realizadas no mercado em busca das empresas clandestinas. “Este crescimento é parte das fiscalizações ocorridas nos últimos anos e se refletiram no ano passado. Há sempre um grau de sonegação, mas não se sabe quanto”,disse Guilherme.
 
Segundo ele, o mercado está aquecido com a produção de materiais como o calcário e minérios de rocha de ornamentação como o granito.
 
“Com o crescimento da construção civil, estes materiais são bastante procurados na Paraíba”, disse Guilherme Henrique.


 

domingo, 17 de junho de 2012

Rio Paraíba também sofre com degradação

De acordo com o Ministério Público Federal, Sudema e DNPM desprezaram cuidados básicos para a concessão do licenciamento ambiental.





Assim como o Rio Gramame, o Paraíba também está sofrendo com a degradação. De acordo com o Fórum em Defesa do Rio Paraíba, a exploração de areia está deformando o curso normal do rio, o que pode trazer consequências drásticas para a população. O dano forma poças gigantes, o que ocasiona, dentre outros problemas, o desaparecimento de peixes e acidentes.

No final do mês de abril deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública com pedido de liminar contra a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), uma empresa por irregularidades na extração de areia no Rio Paraíba e quatro pessoas.

O problema, segundo o MPF, seria a emissão de licenças ambientais e minerárias irregulares, as quais permitiram a execução da atividade que resultou em mais de dez anos de extração contínua de areia no leito do rio.

A extração acontecia sem recomposição ou cumprimento de plano de recuperação ambiental da área impactada. A licença concedida a determinada pessoa era simplesmente repassada a outra.

De acordo com a ação do Ministério Público Federal, a Sudema e o DNPM desprezaram cuidados básicos para a concessão do registro de licença e licenciamento ambiental.

A Sudema teria sido negligente na renovação, pois não teria verificado o cumprimento dos condicionantes. Isso implica dizer que as normas ambientais foram desrespeitadas pelos órgãos que deveriam fiscalizá-las.

O Ministério Público Federal quer a suspensão imediata das atividades de lavra exercidas pelos réus. Quer ainda que a Sudema e o DNPM deixem de conceder autorizações minerárias e licenças ambientais para a área em questão.



terça-feira, 29 de maio de 2012

DNPM fecha cerco aos garimpos clandestinos


O objetivo é combater o trabalho informal na mineração e estimular a formação de cooperativas. 




O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) está intensificando a fiscalização contra os garimpos clandestinos na Paraíba e vai promover uma 'força-tarefa' para legalizar a atuação dos garimpeiros e estimular a formação de cooperativas. De acordo com a superintendência do órgão no Estado, três garimpos clandestinos são fechados por mês nas regiões do Curimataú e Seridó, mas mesmo assim muitos mineradores ainda burlam a fiscalização para não pagar impostos e encargos trabalhistas.
 
A meta para 2012 é interditar até 40 garimpos clandestinos. A informação é do superintendente do DNPM na Paraíba, Guilherme Silveira, que propõe a realização de um 'pacto social' para combater o trabalho informal na mineração. “O que estamos propondo é a realização de um pacto social na Paraíba, com a ação conjunta das diversas esferas de governo e de várias instituições no sentido de legalizar as regiões de garimpagem, tornando mais dignas as condições de trabalho”, afirma.
 
A proposta do DNPM é integrar no projeto órgãos como Ministério Público Federal (MPF), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Superintendência do Meio Ambiente da Paraíba (Sudema), Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais da Paraíba (CDRM), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep), além dos governos estaduais e municipais.
 
Para fechar o cerco contra os garimpos clandestinos, o DNPM vai acionar o Ministério Público Federal (MPF) para indiciar os envolvidos. “Como o minério é um bem da União, os casos serão encaminhados para o MPF, que promove a abertura de inquéritos e após a investigação vai oferecer denúncia crime contra os responsáveis”, garante Silveira. O DNPM é um órgão federal, ligado ao Ministério de Minas e Energia.
 
As propostas para a regularização do setor e o combate aos garimpos clandestinos foram apresentadas na manhã de ontem, durante o 3° Fórum de Saúde e Segurança do Trabalho da 2ª Microrregião da Paraíba. O evento foi promovido pelo Centro de Referência regional em Saúde do Trabalhador de Campina Grande (Cerest-CG), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde.
 
O evento discutiu ainda o Plano Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho, a integração de ações interministeriais no setor de mineração, saúde e segurança do trabalhador, além da proteção ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Um documento com as propostas formuladas foi divulgado ao final do encontro, com representantes de instituições de pesquisa como a UFCG e órgãos relacionados à regulação e fiscalização do setor de mineração.



terça-feira, 1 de maio de 2012

Fiscalização não existe

Empresas devem adotar uma série de regras para extração de minérios, porém o cumprimento não é fiscalizado adequadamente. 

  
Para a execução da extração de minérios a União estabelece uma série de regras. Segundo o professor Antônio Pedro, além das licenças ambientais há outros documentos que as empresas que trabalham nessa atividade devem cumprir. Contudo, ele alerta que a fiscalização para que a extração ocorra de modo correto ainda não é uma realidade. “Nos últimos dois anos até nós temos avançado nessa questão, mas é preciso um trabalho mais engajado entre o Ministério do Trabalho, Crea e Sudema”, reiterou.
Segundo a assessoria de comunicação do Ministério do Trabalho, a região de minas de extração do Estado serão mais fiscalizadas no que diz respeito à utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI). Já o Crea (Conselho Regional de Engenharia da Paraíba) tem po missão verificar se a extração está sendo supervisionada por um engenheiro habilitado pelo órgão.
“A nossa função é fiscalizar se o exercício profissional está sendo feito da forma correta”, disse Fábio Augusto, fiscal do Crea. Por sua vez a direção da Sudema (Superintendência de Administração do Meio Ambiente) não respondeu, através da sua assessoria, as perguntas do JORNAL DA PARAÍBA. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) informou que vem fiscalizando os garimpos.

Fonte

 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

No CaririI: São José da Batalha é o berço da turmalina azul

Pedra chega a custar US$ 50 mil por grama

Localizado no Cariri paraibano, o Distrito de São José da Batalha é o berço da uma das pedras mais belas e cobiçadas do mundo – a Turmalina Paraíba. De um azul intenso, a pedra registra cotação superior a dos diamantes por sua raridade, chegando a custar US$ 50 mil por grama.

Grifes como Dior, Tiffany e H.Stern chegaram a vender jóias de até R$ 3,07 milhões com apenas uma turmalina. Embora a pedra seja tida como escassa em São José da Batalha, a possibilidade de encontrar novas jazidas alimenta o sonho de muitos garimpeiros na região e é confirmada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

A Turmalina Paraíba, também chamada de turmalina azul, foi encontrada pela primeira vez há cerca de 25 anos. Seu descobridor, o mineiro Heitor Barbosa, é um dos detentores da lavra de São José da Batalha, juntamente com familiares do deputado João Henrique. Após a descoberta, a intensidade do azul apresentado pelas Turmalina Paraíba conquistou o mercado internacional, virando modismo principalmente na Europa. A raridade, cor e brilho da pedra são os principais responsáveis por sua alta cotação, de acordo com a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais da Paraíba (CRDM).

“A coloração incandescente e única deve-se a uma combinação de traços de cobre e manganês na estrutura cristalina deste mineral, tornando-se de um tipo de azul único encontrado por aqui”, afirma o diretor-presidente da CDRM, Geraldo Nobre. Hoje, no entanto, a mina de São José da Batalha está em fase de exaustão e a exploração está praticamente paralisada, conforme CRDM. Mas para o superintendente substituto do DNPM, José Toledo, há chances de haver jazidas inexploradas por conta da existência irregular de pegmatitos – rocha que é fonte da turmalina –, na região.

“A ocorrência de gemas preciosas em rochas pegmatíticas é errática e teoricamente não há como afirmar em ‘reservas esgotadas’. Se os pegmatitos existem, e ocupam uma grande região entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, existe sempre a possibilidade de se encontrar gemas preciosas. Esta é a eterna esperança que move o garimpeiro”, afirma José Toledo.

Enquanto as novas jazidas não são descobertas, os mineradores buscam alternativas na Paraíba. Segundo a CDRM, a exploração dos pegmatitos da meso região do Seridó paraibano, está voltada atualmente para a extração de quartzo, feldspato e mica (minérios industriais). “A extração de metais e de gemas (principalmente nióbio, tântalo, estanho, águas marinhas e turmalinas), fica como uma atividade secundária”, explica o diretor-presidente da Companhia.

Outras gemas preciosas, incluindo variedades de turmalinas são também encontradas na Paraíba como água marinha, ametista e quartzo róseo.

Das dunas de Mataraca, no litoral paraibano, sai a maior produção de rutilo e ilmenita – minerais aplicados na fabricação de tintas – do país. A multinacional Millennium Mineração Ltda é responsável pela extração do minério do grupo Cristal Global no Brasil. A mina, cuja produção de ilmenita foi iniciada em 1983, é explorada sem causar danos à natureza, segundo o diretor de operações da CRDM, José João Correia de Oliveira.

“Antes da descoberta desta mina, o Brasil importava este produto da Austrália. Agora, a multinacional manda estes minérios para a Bahia onde é processado junto às fábricas de tinta, abastecendo o mercado brasileiro”, informou o diretor de operações. Oliveira destaca ainda a produção de cimento paraibana, que é uma das maiores do Nordeste e está concentrada em João Pessoa, Bayeux e Caaporã. “Também produzimos a bentonita, que é utilizada na perfuração de poços de Petróleo, tendo a Petrobras como principal compradora”, destaca.

O diretor lembra que a existência de ouro em Princesa Isabel, onde uma tonelada e meia foi medida há 30 anos, ainda desperta interesses fora da Paraíba. “Este ouro era superficial, os garimpeiros foram tirando e chegaram a uma profundidade tal, que agora só é possível explorar através de sondagens. E existem várias empresas interessadas na área, uma delas é da Bahia”, revelou.

Outra grande variedade de minérios é destacada pelo superintendente substituto do DNPM, José Toledo. “A Paraíba produz argilas para a indústria cerâmica, bem como vermiculita e rochas ornamentais exóticas de grande aceitação no mercado. Além disso, pesquisas de minério de ferro vem sendo realizadas em diversos municípios paraibanos. Nos últimos cinco anos, com o aumento desta commodity no mercado internacional, o numero de áreas requeridas vem aumentado significativamente”, afirmou.

Diante de tantas potencialidades, Toledo lamenta a insuficiência de estudos que poderiam contribuir com o desenvolvimento do setor. “A economia mineral da Paraíba carece de maiores estudos para que possa apresentar dados atualizados, e acabar com a clandestinidade, bem como com as lavras ilegais o que somente beneficia os grandes consumidores, prejudicando o trabalhador”, afirma.
Fonte