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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Legislação emperra novas antenas

Empresa de telefonia móvel culpa legislação municipal pela não instalação de novas torres para melhora nos serviços oferecidos.






Leonardo Silva
Até dezembro deste ano, a Oi pretende investir R$ 78 milhões na Paraíba

Com problemas de cobertura de sinal nas duas maiores cidades da Paraíba, os diretores da operadora Oi responsabilizaram a legislação municipal como principal entrave para a instalação de novas antenas (torres) em Campina Grande, além da burocracia de licenças em João Pessoa. Segundo a empresa, esses fatores vêm atrapalhando o plano de investimento da empresa no Estado.
O diretor de relações governamentais da Oi, Frederico de Siqueira, afirma que a empresa prevê a instalação de 21 torres até o final deste ano, mas apenas nove foram viabilizadas até agora.
“Elas [torres] são essenciais para a oferta de um serviço de maior qualidade, com melhor cobertura de sinal. Precisamos construir mais torres, mas a legislação campinense e a burocracia em João Pessoa são um entrave neste processo.
Campina Grande já tem o sinal bem comprometido”, revelou.
Segundo a empresa Oi, em Campina Grande, a expectativa era que fossem instaladas nove antenas de transmissão de sinal, mas apenas duas estão em funcionamento. De acordo com Hericsson de Lima, das Relações Institucionais da Oi, na Paraíba os investimentos estão esbarrando na Lei Municipal 4.129/03, que inviabiliza a instalação dos equipamentos em muitas áreas da cidade.
“Já investimentos R$ 56 milhões na Paraíba com a ampliação dos serviços, inclusive com a implantação de lojas próprias, como a que foi inaugurada em Campina Grande ontem, mas a lei está servindo como um obstáculo porque não nos permite instalar as antenas em áreas que foram tecnicamente indicadas”, disse o funcionário da empresa. Ele explicou que em alguns pontos, a lei não permite a instalação em áreas com prédio do mesmo tamanho da antena ou em locais muito habitados.
Até dezembro deste ano, a Oi pretende investir R$ 78 milhões na Paraíba e, deste total, R$ 56 milhões já foram gastos no Estado.
O valor é 77% superior ao que foi investido no ano passado. “Investimentos para a Paraíba não faltam. Queremos ampliar nossa liderança no Estado e faremos isto, se pudermos”, concluiu o executivo.
OUTRO LADO
Mas segundo o secretário de Ciência e Tecnologia, Emir Candeia, a empresa, assim como outras operadoras, podem encontrar recursos para a ampliação dos serviços, sem ferir a legislação.
De acordo com o secretário Emir Candeia, a operadora pode encontrar outras soluções, inclusive adquirindo tecnologias mais avançadas para não deixar os clientes sem um serviço de qualidade. “A operadora pode, inclusive, tentar recursos jurídicos, já que a União trata da legislação sobre telecomunicações e nenhuma outra lei pode se sobrepor. O problema é que a operadora está se 'escorando' na legislação municipal, para não instalar as antenas”, afirmou.

JOÃO PESSOA
Segundo informou a assessoria da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de João Pessoa, a burocracia citada pela Oi se deve, exclusivamente, à demora na entrega das documentações necessárias à liberação por parte da própria empresa.

No entanto, parte desses documentos depende de superintendências e vistorias ligadas à prefeitura. Conforme a legislação municipal, o licenciamento de cada Estação Rádio Base (ERB ou torre) deve seguir, dentre outros aspectos, as etapas de obtenção da declaração municipal, estudo de viabilidade urbanística, licença ambiental prévia, licença de edificação, licença ambiental de instalação, vistoria da edificação e licença ambiental da liberação.
  


 

domingo, 18 de março de 2012

Novas medições da radioatividade serão feitas


Em maio, os pesquisadores do DEN retornarão a São José de Espinharas para mais uma rodada de pesquisas na região. O chefe do estudo, José Araújo, frisou que “nossa maior preocupação no momento é conseguir provas suficientes que correlacionem o uso do leite, da água e de outros recursos naturais com o alto índice de câncer”.

O pesquisador acrescentou que “pretendemos recolher amostras de dentes e prontuários médicos, bem como fazer exames de sangue para aprofundar a pesquisa”.

Além das análises, também serão colocados aparelhos de medição da radioatividade nos pontos considerados mais críticos, já mapeados nas visitas passadas. “Não queremos alarmar as pessoas. Nosso trabalho é exatamente para constatar se há o problema e só posteriormente procurar os órgãos responsáveis para tomar as providências”, disse. 

Segundo o aposentado João Trindade de Souza, 67 anos, esposo de Esmeralda, os pesquisadores disseram que o piso concretado reduz o contato com o gás propagado pelas pedras de urânio. “Não tenho medo dos efeitos. Vivemos a vida toda aqui e até hoje não tive câncer. Não é porque estou sabendo que faz mal que vai me acontecer”, afirma.




Urânio pode 'expulsar' famílias da Paraíba

A cidade de Espinharas é uma das poucas no país a contar com uma importante jazida de urânio.

 

Famílias inteiras sendo retiradas às pressas para regiões onde a radioatividade não as alcance, deixando para trás o lugar em que fixaram raízes, estreitaram laços sociais e construíram o patrimônio de toda uma vida. O cenário, que mais parece o de um Armagedom, pode, em alguns anos, se tornar realidade para os moradores do município de São José de Espinharas, no Sertão da Paraíba.

A cidade, de pouco mais de 4.760 habitantes, localizada a noroeste da Paraíba, fazendo divisa com o Estado do Rio Grande do Norte, é uma das poucas no país a contar com uma importante jazida de urânio.
 
Caso fosse necessário explorar o minério, seria preciso remover toda a população do município, devido aos altos índices de radioatividade durante a extração do minério, extremamente prejudicial à saúde.

Apesar de descartada a exploração imediata do urânio de São José de Espinharas, a preocupação dos cientistas com a exposição dos moradores do município ao alto teor do minério encontrado em diversos pontos da cidade existe. Um estudo está sendo realizado há cerca de um ano pelo Departamento de Energia Nuclear (DEN) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para avaliar a relação entre os casos de câncer na população e a presença de urânio.

Isso porque se especula que o contato prolongado com a radioatividade propagada por esse minério poderia ocasionar um envenenamento de baixa intensidade (inalação, ou absorção pela pele), produzindo também efeitos colaterais, tais como: náusea, dor de cabeça, vômito, diarreia e queimaduras.

Segundo o engenheiro nuclear José Araújo, do DEN, responsável pela pesquisa, o efeito direto do urânio no organismo é cumulativo (o que significa que o mineral, por não ser reconhecido pelo ser vivo, não é eliminado, sendo paulatinamente depositado, sobretudo nos ossos), e a radiação assim exposta pode ocasionar o desenvolvimento de câncer.

A equipe de pesquisadores do DEN está fazendo visitas periódicas na cidade para colher amostras da fauna e da flora local e de além de ‘testemunhos’, que são amostras de urânio retiradas do interior das pedras, através de tubos de metal altamente resistentes.

“Queremos fazer um cruzamento com os dados obtidos em pesquisas anteriores para levantar as causas do elevado número de pessoas em São José de Espinharas com câncer de pele, problemas respiratórios e uma série de outros problemas que acreditamos ter relação com a presença de urânio e outros minerais”, comentou José Araújo.

Fonte