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Sanhaço é uma das espécias canouras que são traficadas na Paraíba (Foto: Walter Paparazzo/G1) |
As aves canoras, ou seja, as que possuem um canto harmonioso, são os
animais que mais são alvo de tráfico na Paraíba, segundo informou o
veterinário chefe do Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), Roberto
Citelli. De acordo com ele, esses animais são mais procurados devido ao
canto e à beleza deles ou para serem usados em rinhas, como é o caso dos
canários. Também são muito traficados raposas e saguis, que são criados
como animais de estimação.
As aves silvestres são um dos destaques na série de vídeos feitos pela Rede Paraíba
para a Semana do Meio Ambiente, comemorada de 1º a 8 de junho, diante
do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho. As TVs Cabo
Branco e Paraíba realizam atividades como feiras de adoção, exposições,
distribuição de ecobags e coleta de lixo eletrônico.
Com o tráfico, a população desses animais tende a diminuir. Conforme o
veterinário explicou, a maioria morre durante o transporte.
Roberto explicou que é difícil controlar esse tráfico porque aves são
animais pequenos e de fácil transporte. Por isso, a colaboração da
população é importante para recuperar esses animais. Quem souber onde
existem animais silvestres sendo criados ou comercializados ilegalmente
pode ligar para o 190 e a informação será encaminhada para a Polícia
Ambiental.
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Roberto explica que a Bica tenta descontruir mitos como o de mau agouro da coruja (Foto: Braycon de Paula/TV Cabo Branco) |
Recomendações
Roberto deu algumas recomendações para preservar a natureza no meio
urbano. “Pode existir harmonia entre homens e animais. Temos que evitar o
contato o máximo possível, não sujar os rios, não jogar lixo em
qualquer lugar, porque esse lixo acaba indo para os afluentes e cria um
processo maléfico para os animais”, disse.
Ele ainda explicou que a Bica trabalha com conscientização. “Existem
muitos mitos em relação a animais e aves e a gente tenta quebrar esses
mitos. A coruja, por exemplo, muitos acham que ela é um mau agouro e
matam. Em uma criação de galinha, o gavião ataca os pintinhos. Mas esse é
o papel dele. Existem formas de espantá-lo, como fazendo barulho ou
colocando uma proteção. O animal está apenas tentando sobreviver, se
adaptar ao meio urbano”, explicou Roberto.
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Aves de rapina são o foco inicial do Ceras (Foto: Braycon de Paula/TV Cabo Branco)
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Foi criado na Bica o Centro de Reabilitação de Aves Silvestres (Ceras).
O local recebe os animais que são apreendidos pela Polícia Ambiental ou
que passaram pelo Centro de Triagem de Animais Selvagens (Cetas) do
Ibama.
As aves que apresentam quadro de debilitação ou mutilação passam por um
tratamento, com exames clínicos, laboratoriais e testes de
condicionamento físico. Em seguida, o animal passa por uma avaliação
para verificar se existe a possibilidade de soltura, ou não, na
natureza.
“As que não têm chance de soltura, porque vieram de cativeiro muito
mansas ou com alguma deficiência que não permite a ave ser solta, elas
são utilizadas para a realização de educação ambiental com alunos de
escolas e universidades”, explicou Roberto Citelli.
Além de promover uma vida mais saudável aos animais, com a prática dos
exercícios de voos livres e de caça, são realizadas exibições com o
intuito de explicar o trabalho realizado pela equipe, proporcionando
para os visitantes noções de cuidados e respeito com o meio ambiente.
O foco inicial do Ceras é as aves de rapina. As aves de pequeno porte,
como colerinha, sanhaçu e sabiá, que geralmente são presas em gaiolas,
precisam ficar isoladas, afastadas da interação humana, sendo dado a
elas o alimento que elas teriam na natureza, para condicioná-las e, após
testes de avaliação, serem soltas em grupos.