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domingo, 18 de março de 2012

Moradores estão em perigo

 
 
Na última visita feita à região de São José de Espinharas, os pesquisadores da UFPE levaram equipamentos para aferir a densidade do gás radônio, que é nocivo à saúde dos seres vivos, em especial dos humanos.

“Em algumas residências constatamos um teor superior a 1.500 partes por milhão, bem superior ao encontrado de forma geral na região, de 1.200, que já é bastante alto. Esses moradores estão sofrendo muito risco”, disse José Araújo.

Uma das famílias que teve a casa condenada pela equipe que visitou a cidade foi a dona de casa Esmeralda de Souza, 59 anos. “Os pesquisadores vieram com um equipamento e disseram que da minha cozinha até o quintal havia alto risco de contaminação e que deveríamos evitar o local, especialmente à noite, que é quando ele se propaga”, comentou.

O problema, explica ela, é que a família tinha acabado de construir dois quartos no quintal da casa quando veio a notícia.

“Vivo insistindo, mas meu marido insiste em continuar dormindo no quarto, mesmo correndo perigo de ter um câncer ou ter problemas mentais. Os cientistas contaram do perigo que estamos correndo, até recomendaram que a gente deixasse a casa, mas ele não dá ouvidos”, explicou.


 

Extração do minério é remota

 
 

Enquanto as reservas naturais nos polos já explorados de urânio bruto continuarem fornecendo matéria-prima suficiente para manutenção do programa do governo federal de energia nuclear, nas Usinas de Angra, para o engenheiro nuclear José Araújo, do Departamento de Energia Nuclear (DEN), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), as chances de exploração das jazidas em São José de Espinharas são remotas.

 “Por enquanto acho difícil que precise explorar urânio na Paraíba.

Mas, se isso acontecer, deverá provocar uma revolução, já que grandes pontos de incidência do minério estão em áreas residenciais e em prédios públicos, como praças, igreja, cemitério. Todos teriam que sair, pois a radioatividade provocada durante a extração é extremamente prejudicial à saúde”, comenta o cientista.

Por suas reservas, compete apenas com as jazidas de Poços de Caldas (MG) e Lagoa Real (BA) que fornecem o urânio necessário ao funcionamento das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, no Rio de Janeiro, e com a de Itatiaia (CE), considerada, atualmente, a maior do Brasil.

PESQUISAS ANTIGAS
Quem conhece de perto a história das pedras de urânio nas terras de São José de Espinharas é o agricultor aposentado Heleno Celestino, 82 anos. Ele conta que um grupo de estrangeiros esteve na cidade por volta de 1975 recolhendo pedras na região do Espinharas. “O grupo de estrangeiros, que era um indiano, um alemão e um japonês, entrou no meu sítio vasculhando as pedras. Eu não entendia nada do que eles diziam”, conta.

Logo o agricultor ganhou a confiança do grupo e, por intermédio de um motorista, que falava português, passou a colaborar com a exploração. “Eles foram embora e meses depois retornaram pedindo que eu arrumasse outras pessoas para ajudar no trabalho. Em pouco tempo tinha umas 70 pessoas trabalhando e ‘correu’ um bom dinheiro para a gente”, afirma.


 

Pesquisadores estrangeiros visitaram a região nos anos 1970

A Nuclan-Nuclebrás realizou pesquisas sobre a existência de urânio no interior da Paraíba, no período de 1977 a 1982.

 
 
A equipe de que fala Heleno Celestino é da Empresa Nuclear Brasileira (Nuclan-Nuclebrás), empresa criada através do convênio Brasil-Alemanha, na década de 1970, com o objetivo de prospectar e cubar jazidas de urânio em diversas localidades do Brasil.

A Nuclan-Nuclebrás realizou pesquisas sobre a existência de urânio no interior da Paraíba, no período de 1977 a 1982. Na equipe multinacional estavam geólogos da Austrália, Índia, Alemanha e Brasil.

Mesmo sem saber qual era a finalidade da extração, Heleno Celestino acumulou durante os últimos 40 anos aproximadamente 13 toneladas de pedras de urânio brutas em um galpão. O material há alguns anos foi recolhido pelo governo como medida de segurança.

“As pessoas estavam ficando preocupadas com o galpão no centro da cidade cheio de pedras radioativas. Um pessoal do Ceará veio e levou tudo. Foram 17 caminhões carregados de pedras. Agora guardo só algumas de lembranças”, comenta o agricultor.

PREOCUPAÇÃO
O atual pároco da Igreja Católica de São João de Espinharas, Erivaldo Alves, disse que a apreensão dos moradores do município é constante com a possibilidade de ter que deixar a região.

“Há quatro anos, quando cheguei aqui, já se dizia que caso começassem a explorar as jazidas de São José de Espinharas, toda a cidade deveria ser transferida para outro local. Até hoje vai e vem gente, pesquisam, coletam as informações, vão embora e nunca nos mostram nada”, disse Erivaldo Alves.


 

Urânio: Exploração da área é viável

Segundo levantamento a jazida de óxido de urânio em São José de Espinharas teria 12 toneladas de reserva,



Segundo levantamento feito pela Empresas Nucleares Brasileiras (Nuclan-Nuclebrás), na década de 1970, a jazida de óxido de urânio em São José de Espinharas teria 12 toneladas de reserva, mantendo a particularidade de conter um teor de 1.200 partes por milhão, considerado alto pelos pesquisadores que fizeram o estudo.

Na época, geólogos da extinta Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais, órgão do Governo do Estado, afirmaram que a jazida de São José do Espinharas seria estrategicamente viável de ser explorada.

A reserva era superior às descobertas em outros municípios paraibanos em que foram constatadas as presenças de urânio no solo, como na região de Pocinhos, no Compartimento da Borborema, Cajá-Caldas Brandão, no Agreste e a Barra de Santa Rosa, no Curimataú.


 

Urânio pode 'expulsar' famílias da Paraíba

A cidade de Espinharas é uma das poucas no país a contar com uma importante jazida de urânio.

 

Famílias inteiras sendo retiradas às pressas para regiões onde a radioatividade não as alcance, deixando para trás o lugar em que fixaram raízes, estreitaram laços sociais e construíram o patrimônio de toda uma vida. O cenário, que mais parece o de um Armagedom, pode, em alguns anos, se tornar realidade para os moradores do município de São José de Espinharas, no Sertão da Paraíba.

A cidade, de pouco mais de 4.760 habitantes, localizada a noroeste da Paraíba, fazendo divisa com o Estado do Rio Grande do Norte, é uma das poucas no país a contar com uma importante jazida de urânio.
 
Caso fosse necessário explorar o minério, seria preciso remover toda a população do município, devido aos altos índices de radioatividade durante a extração do minério, extremamente prejudicial à saúde.

Apesar de descartada a exploração imediata do urânio de São José de Espinharas, a preocupação dos cientistas com a exposição dos moradores do município ao alto teor do minério encontrado em diversos pontos da cidade existe. Um estudo está sendo realizado há cerca de um ano pelo Departamento de Energia Nuclear (DEN) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para avaliar a relação entre os casos de câncer na população e a presença de urânio.

Isso porque se especula que o contato prolongado com a radioatividade propagada por esse minério poderia ocasionar um envenenamento de baixa intensidade (inalação, ou absorção pela pele), produzindo também efeitos colaterais, tais como: náusea, dor de cabeça, vômito, diarreia e queimaduras.

Segundo o engenheiro nuclear José Araújo, do DEN, responsável pela pesquisa, o efeito direto do urânio no organismo é cumulativo (o que significa que o mineral, por não ser reconhecido pelo ser vivo, não é eliminado, sendo paulatinamente depositado, sobretudo nos ossos), e a radiação assim exposta pode ocasionar o desenvolvimento de câncer.

A equipe de pesquisadores do DEN está fazendo visitas periódicas na cidade para colher amostras da fauna e da flora local e de além de ‘testemunhos’, que são amostras de urânio retiradas do interior das pedras, através de tubos de metal altamente resistentes.

“Queremos fazer um cruzamento com os dados obtidos em pesquisas anteriores para levantar as causas do elevado número de pessoas em São José de Espinharas com câncer de pele, problemas respiratórios e uma série de outros problemas que acreditamos ter relação com a presença de urânio e outros minerais”, comentou José Araújo.

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