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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Embrapa pesquisa reação de cultivos a aumento na temperatura


A temperatura na Terra vem aumentando a cada dia e tal fator ameaça a vida no planeta. Mesmo que o homem adote medidas para equilibrar a matriz energética global, com igual participação de fontes renováveis e de combustíveis fósseis, a elevação da temperatura, no Brasil, será de 1,8 graus Celsius (ºC) a 3,4°C até o final deste século. Já com a predominância dos combustíveis fósseis, como o petróleo, a elevação climática chegará a 5,4°C.
 
As conclusões são do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), e da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O semiárido brasileiro é uma das regiões mais vulneráveis ao aumento do calor. Ele pode se transformar em um ambiente desértico e apresentar uma diminuição de até 70% no abastecimento de seus aquíferos.

Como a elevação da temperatura é algo que não pode ser revertido, é preciso buscar alternativas para conviver com a nova realidade que se aproxima. Em Campina Grande, por exemplo, a unidade da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa Algodão) já está pesquisando de que forma algumas cultivares reagirão às mudanças do clima.

Estão sendo testadas espécies de algodão, gergelim, mamona, amendoim e pinhão manso. As plantas germinam e crescem em um fitotron, uma espécie de estufa que simula condições atmosféricas que podem acontecer futuramente na Terra. O ambiente chega a ficar com até 800 partes por milhão (ppm) de gás carbônico (CO2) e com temperaturas que já chegaram até 41°C. A condição média ambiental para o Nordeste atualmente é de 30°C e 400 ppm de CO2 atmosférico.

O líder da pesquisa, que envolve estudantes das três universidades públicas da Paraíba, é o chefe-geral da Embrapa Algodão, Napoleão Beltrão. “Temos constatado, por exemplo, que a 35°C a mamona tem seu processo de fotossíntese comprometido. Já o algodão se mostra mais resistente a ambientes extremos, mas não suporta temperaturas de 40°C”, afirma.

Entre os fatores pesquisados está o genótipo das plantas que conseguem suportar condições extremas. Como resultado prático, estão sendo desenvolvidas linhagens mais resistentes ao calor. “A produção de alimentos na Terra estará ameaçada se não tivermos cultivares resistentes às altas temperaturas. Outras unidades da Embrapa também estão desenvolvendo essa mesma pesquisa em cultivares como o arroz e a soja”, cita Beltrão.

Calor no Nordeste pode aumentar até 40 ºC

Alberto Simplício

De acordo com o estudo 'Mudanças Climáticas, migrações e saúde: cenários para o Nordeste brasileiro 2000-2050’, realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Fundação Oswaldo Cruz, o Nordeste poderá ficar até 4ºC mais quente e entre 15 a 25% mais seco, em consequência do aquecimento. Tal mudança poderá afetar a biodiversidade da caatinga, a agricultura, a saúde e a economia.
 
Uma temperatura elevada em até 4ºC pode significar uma redução média de crescimento de 17,7% do Produto Interno Bruto (PIB) da Paraíba e de 11,4% do PIB nordestino, até o ano de 2050. Isso ocorrerá devido à diminuição das chuvas e à pouca disponibilidade de terras aptas para a agropecuária. O estudo cita que a situação mais dramática se dará nos municípios de Riachão e Itapororoca.

Outro fator que preocupa é a migração populacional. Isso poderá ocasionar a migração de trabalhadores rurais e suas famílias para outras regiões e para setores menos afetados da economia. Atualmente em queda, a taxa de migração teria um aumento 24%, no período de 2035 a 2040, e de 17%, entre 2045 e 2050. Em números absolutos, seriam cerca de 500 mil nordestinos deixando seus locais de origem.

A pesquisa ressalta que as regiões metropolitanas serão afetadas, principalmente a de Recife, com redução de 1,1% da população de 2045 a 2050, e a de João Pessoa, com redução de 0,75%. Os municípios com mais de 150 mil habitantes também seriam afetados, entre eles Campina Grande.