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terça-feira, 4 de abril de 2017

Mulher paga faculdade com material reciclável e leva latinhas para formatura

'Sou capaz de largar tudo para ir catar latinha na rua', diz sucateira que se formou em Serviço Social.
 
Por Artur Lira, G1 Paraíba
Luciene Gonçalves desceu no baile carregando latinhas para homenagear marido (Foto: David Silva/Alian Eventos)
Luciene Gonçalves desceu no baile carregando latinhas para
homenagear marido (Foto: David Silva/Alian Eventos)

As fotos e vídeos da paraibana Luciene Gonçalves descendo as escadas no seu baile de formatura carregando latinhas tomaram as redes sociais desde o sábado (1º). Se as imagens já chamam a atenção, a história de vida da sucateira de 35 anos serve como exemplo de dedicação e superação. 

A descida com latinhas não era em vão. Foi a forma que ela encontrou para homenagear o marido, também sucateiro. Ela se formou em Serviço Social pagando os quatro anos de faculdade com o dinheiro que conseguia com a venda de reciclagem. Ela se formou em uma faculdade particular de Sousa, no Sertão paraibano, onde mora com a família. 

Estudos interrompidos
Mãe aos 20 anos, Luciene terminou o ensino fundamental e deixou os planos de estudar de lado para trabalhar e ajuda a sustentar a família. Atualmente ela tem duas filhas, sendo uma de 14 anos e outra de 12.

A profissão de sucateiros do casal foi herdada do avô de Pedro Filemon, 35 anos, o marido de Luciene. “O avô do meu marido tinha um depósito de reciclagem. Com um tempo a gente percebeu que ele [o avô] já estava ficando cansado, por causa da idade, e decidimos começar a entrar no negócio”, disse ela.
 
Quase dez anos após concluir o ensino médio, longe dos livros e dedicando-se apenas ao trabalho, Luciene decidiu voltar aos estudos e realizar o sonho da graduação. A escolha do curso não foi tão difícil.
“Serviço Social foi feito pra mim. Eu gosto muito de ajudar as pessoas. E depois que entrei no curso e fiz estágios, tive a certeza de que aquilo foi feito pra mim”, diz.
Sonho da família
A sucateira não sonhou com a graduação sozinha. Quando decidiu fazer o curso ela também estimulou o marido a estudar junto para tentar uma graduação. Ele escolheu o curso de administração e também entrou na faculdade na mesma época que Luciene. Os dois foram aprovados na mesma seleção.

“Minha família me estimulou e eu também incentivei meu marido. Passamos noites e noites estudando e treinando redação. Não foi fácil, depois de tanto tempo voltar a estudar”, conta ela. 

Durante os quatro anos de curso, conseguir o dinheiro das mensalidades exigiu esforço e sacrifício. Cada centavo era contado. Conciliar trabalho, família e estudo foi outro desafio. Mas a situação ficou complicada mesmo no último ano de curso. Há nove meses, o pai de Luciene começou a enfrentar problemas renais e passou a fazer sessões de hemodiálise. 

Marido de Luciene abriu mão do baile de formatura para ver mulher comemorar o diploma (Foto: David Silva/Alian Eventos)
Marido de Luciene abriu mão do baile de formatura para ver mulher
comemorar o diploma (Foto: David Silva/Alian Eventos)
 
“Eu também tive que organizar o tempo para levar meu pai para as sessões, todas as semanas, na terça-feira, quinta-feira e sábado. Mas eu nunca desanimei. Às vezes chegava na sala de aula chorando, mas também encontrei amigas que foram como irmãs, que me apoiaram. Essa foi a época mais difícil, pois ocorreu quando eu já estava fazendo meu trabalho de conclusão de curso”, disse Luciene. 

Festa exclusiva para Luciene
Luciene e Pedro entraram na faculdade juntos e terminaram o curso juntos, mas apenas Luciene teve festa de formatura. “Meu marido abriu mão de fazer a formatura dele para que fosse feita a minha. Este também foi mais um motivo para homenagear ele. Eu não fiz isso para aparecer. Eu quis homenagear e confesso que estou um pouco surpresa com a repercussão que está tendo”, conta ela. 

Agora formada, Luciene disse que deseja um emprego na área, mas confessa que ama trabalhar como sucateira. “Por mim, eu trabalhava de dia com sucata e de noite como assistente social. Eu quero crescer na vida, mas nunca esquecer minhas origens. E se um dia for necessário eu sou capaz de largar tudo pra ir catar latinha na rua. Não tenho vergonha, pois foi com o dinheiro da reciclagem que eu sustentei minha família”, conta ela.

Exemplo de vida e inspiração para as filhas que já estão concluindo o ensino médio, Luciene disse que seu grande segredo é não perder tempo, reclamando dos problemas da vida. “E eu sempre digo ao meu marido que não reclame, pois quem reclama não sai da lama. Eu tinha que ser alguém na vida, não ser só sucateira, mas ter um curso superior pra dar exemplo para as minhas filhas. Tem gente que trabalha em escritório e diz que não tem tempo para estudar. Eu trabalho dentro da sujeira e pra mim não faltou garra pra terminar meu estudos. Tem gente que reclama de barriga cheia”, disse Luciene. 




 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

'Lixo me deu o luxo', diz sucateira da PB que levou latinhas para formatura

03/04/2017 12h22 

Luciene Gonçalves, de 35 anos, fez surpresa para família em Sousa.

Divulgação/David Silva
"Quando eu estava descendo as escadas eu pensava: 'o lixo desse povo está fazendo
eu descer essa escada", revelou



A conclusão do ensino superior é uma grande conquista na vida de qualquer pessoa. Digna de uma grande festa para marcar este momento. Pensando nisso, e em fazer uma surpresa para a família durante sua formatura no sábado (1º), a paraibana Luciene Gonçalves, de 35 anos, natural de Sousa, no sertão do estado, decidiu mostrar o orgulho de seu trabalho na festa do curso de Serviço Social. A sucateira desceu as escadas carregando latinhas vazias, que representaram sua fonte de renda para conseguir bancar os estudos em uma faculdade privada da região. A foto da moça viralizou nas redes sociais no final de semana, e vem recebendo comentários cheios de reconhecimento e felicitações.

"Vi que ali era um momento único na minha vida. Por causa da minha idade, porque entendia que seria difícil fazer outro curso, porque tenho filhas. Ali era meu orgulho, meu momento", afirmou Luciene. Ela disse que quis fazer uma surpresa para seu marido, filhas e sua família, para deixar tudo ainda mais marcante. Sobre a foto viralizar nas redes sociais, ela “não imaginou que teria toda essa repercussão”.

A formatura sempre foi um sonho da sousense, que inclusive participou da comissão de formatura - grupo de alunos responsável por também preparar a festa - e foi uma das que mais encorajou os colegas de turma a realizarem o grande evento.

A assistente social diz não sentir vergonha de trabalhar com lixo, e em nenhum momento da fase acadêmica se sentiu inferiorizada por isso. "Quando eu estava descendo as escadas eu pensava: 'o lixo desse povo está fazendo eu descer essa escada", revelou. “O lixo me deu o luxo de estar ali”, concluiu.

(Foto: Samy Play/AgitosPlay)
Sucata e rotina
Segundo Luciene, ela trabalha com sucata há sete anos. Junto com seu marido, Pedro Filemon, também de 35 anos, decidiu colocar a reciclagem após insistência de sua parte. Ele tinha medo do comércio não dar certo, e para ela, que contou ser positiva, não houve dificuldades e enxergou na reciclagem uma forma de renda para sustentar sua família. “Quando quis fazer a faculdade ele também disse que não ia dar certo. Mas eu insisti, sei como é importante ter educação”, afirmou.

Como todo panorama da economia, a crise afetou o negócio de Luciene e colocou em risco sua graduação. “Tinha mês que atrasava [a mensalidade]. Cidade pequena, muitos concorrentes, a crise. Mas a gente corria atrás”, disse a mãe de duas filhas, uma de 14 e outra de 12 anos.

A rotina de Luciene era frenética. Trabalho, família, faculdade. “Era muito difícil, eu ia correndo [após sair do trabalho] para a faculdade. Às vezes tinha dez ou quinze minutos para me arrumar e ir para a aula. Cheguei a dormir na aula por causa do cansaço, mas eu estava lá. Eu sonhava com esse curso”, relatou de forma emocionada.

Um problema de saúde do seu pai também surgiu em meio a toda essa rotina. Ele precisou iniciar hemodiálise - método de filtração do sangue por meio de um rim artificial -, um processo doloroso e repetitivo, e ficou sob os cuidados de Luciene. Segundo a sucateira, ela já chegou a fazer prova chorando por causa do estado de saúde do seu pai. Suas filhas, Hilda Maria, de 14 anos, e Camilly, de 12 anos, também nunca deixaram ela desistir. “Elas sempre me apoiaram e nunca me deixaram pensar em desistir”, exaltou.



Vergonha. Palavra que sempre é pauta na vida de Luciene. “Você não tem vergonha de trabalhar com lixo?”, “você não sente vergonha de estar no chão com seus empregados?”, são algumas das perguntas que ela revelou ouvir. Os questionamentos são respondidos com o mesmo orgulho de quem desceu as escadas com latinhas. “Eu não tenho vergonha. Não posso ter vergonha de onde tiro meu sustento. Trabalho como todos”, contou.

Sucateira ou assistente social
Luciene quer seguir na área de reciclagem e continuar gerenciando sua sucata. Porém, também almeja atuar como assistente social. “Quero comprar meu lixo de dia e ser do serviço social de noite”, resumiu.




“Se me perguntarem o que eu sou, vou dizer que sou uma sucateira - e com orgulho - e depois vou dizer que sou uma assistente social”, afirmou Luciene.

Luciene Gonçalves já possui mais dois comércios, além da sucata onde tudo começou, e agora está graduada em Serviço Social. “Nunca tive medo de enfrentar nada”, finalizou.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Pombos incomodam moradores de cidades do interior da Paraíba

26/06/2015 11h53 - Atualizado em 26/06/2015 11h53 

Populações de Guarabira e Sousa reclamam da presença dos pombos.
Ministério Público foi acionado em um dos casos.
 
Do G1 PB



Os moradores das Cidades de Guarabira e Sousa estão incomodados com a presença de pombos em áreas públicas e privadas dos municípios. Algumas pessoas reclamam da sujeira e da probabilidade de transmissão de doenças pelos animais. Em Sousa, uma moradora e a prefeitura chegaram a enviar um ofício ao Ministério Público da Paraíba. O problema foi destaque no Bom Dia Paraíba desta sexta-feira (26).

Segundo o comerciante de Guarabira, Leonardo Paulo de Souza, o que tem aumentado o problema é a ação da própria população. "Pela manhã o pessoal coloca comida para eles e sujam tudo. Os pombos defecam. O povo compra comida só pra dar a eles", contou.

Os pombos podem transmitir doenças, segundo o secretário de Saúde de Guarabira, Wellington Oliveira. "O pombo pode transmitir através de suas fezes uma doença chamada criptococose, provocando problemas respiratórios, como a pneumonia, ou até mais sérios como a meningite, podendo levar a incapacidade permanente ou até a morte", explicou. De acordo com o secretário, ainda não houve notificação de doença mais grave provocada pelos pombos, porém medidas de prevenção estão sendo tomadas. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Guarabira vai levar a discussão para a Câmara de Vereadores com a finalidade de criar uma lei de controle dos pombos e regulamentação. Os moradores podem ficar até proibidos de alimentar os animais.

Sertão
Na Cidade de Sousa a presença das aves tomou proporções maiores. Incomodada com os pombos, a dona de casa Arilda Moreira, vizinha de uma casa onde os pombos se alojam, enviou, junto com a prefeitura, um ofício ao Ministério Público para que os pombos sejam retirados. A Secretaria de Meio Ambiente de Sousa pediu o auxílio do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e da Superintendência de Administração e Meio Ambiente (Sudema) no caso.

O G1 fez contato com o MP de Sousa, mas o servidor do cartório do órgão que é responsável por dar informações sobre o caso não foi localizado até as 12h desta sexta-feira.

Fonte

quarta-feira, 27 de maio de 2015

ANA proíbe irrigação e pesca no Açude de Coremas, no Sertão da PB

26/05/2015 13h50 - Atualizado em 26/05/2015 13h50
 
Ao todo, 102 municípios vão ser afetados com a medida.
Secretário de agricultura de Coremas diz que decisão vai gerar prejuízo.
 
Do G1 PB
 
A irrigação e a pesca estão proibidas na região do Açude de Coremas/Mãe D’Água, no Sertão da Paraíba, que compreende 102 municípios. As medidas foram anunciadas na segunda-feira (25) pela Agência Nacional das Águas (ANA), durante reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica Piranhas-Açu, naC idade de Coremas, tendo em vista o baixo volume dos reservatórios pertencentes à bacia. Aproximadamente 115 mil pessoas serão afetadas pela medida.
  
Segundo o secretário de agricultura da cidade de Coremas, Antônio Forte, a medida da ANA vai trazer um grande prejuízo ao município e também às cidades vizinhas, como Cajazeirinhas, Pombal, Paulista, São Bento, dentre outras. “Não se resolve um problema criando outro. Somente em Coremas, mais de 1.500 famílias serão prejudicadas com essa proibição. Isso sem contar os municípios vizinhos, não são menos de 115 mil pessoas que dependem dessas atividades para viver”, afirmou.
 
Ainda conforme o secretário, a medida foi considerada impopular porque não proibiu a irrigação das várzeas de Sousa. “Como é que proíbem a irrigação na cidade de Coremas e em outros municípios que estão na bacia e permitem que a água vá para as várzeas de Sousa?”, indagou. Segundo ele, haverá uma reunião no dia 6 de junho para avaliar estratégias para esses produtores.
 
Conforme a ANA, a série de reuniões na bacia do açude de Coremas acontece até a próxima sexta e têm a finalidade de apresentar e discutir o balanço hídrico na região e das ações necessárias para o enfrentamento da seca. Nas sessões estão presentes representantes da ANA, órgãos gestores de recursos hídricos dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, usuários do sistema, representantes dos municípios, produtores rurais, além de outras instituições.
 
Segundo a assessoria de imprensa do órgão, as ações definidas podem variar desde a redução da vazão defluente dos reservatórios até mesmo a suspensão dos usos considerados como não prioritários pela legislação, já que em situações de escassez hídrica, é priorizado o abastecimento humano e animal.

Fonte



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Vistoria flagra desvios de água em açude no Sertão da Paraíba

18/02/2015 18h55 - Atualizado em 18/02/2015 18h55
 
Fiscalização aconteceu no açude de São Gonçalo, em Sousa.
Pelo menos cinco desvios foram retirados.
 
Do G1 PB




Pelo menos cinco desvios de água foram flagrados e retirados após fiscalização realizada no açude de São Gonçalo, em Sousa, Sertão paraibano, na terça-feira (17). A ação foi feita pela Polícia Militar, em parceria com o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). Até esta quarta-feira (18), não houve prisões.

O reservatório está atualmente com cerca de 9% de sua capacidade, sendo considerado sob situação de observação, de acordo com monitoramento da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa).
 
A Justiça Federal determinou a realização das fiscalizações para a retirada de bombas que puxam água do açude, devido à seca na região. As vistorias regulares devem evitar que motores elétricos levem água para irrigação ou reservatórios ilegalmente.

Segundo o comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar, major Rômulo Ferreira de Araújo, a principal atribuição das equipes de fiscalização é coibir uso dos motores elétricos que são frequentemente instalados às margens do reservatório. O comandante pede ainda que os cidadãos das localidades abastecidas pelo açude de São Gonçalo economizem água e evitem o desperdício.


 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Justiça nega 56 autorizações de uso da água de açude no Sertão da PB

26/01/2015 09h41 - Atualizado em 26/01/2015 09h43 

Manancial está apenas com 9,8% de sua capacidade total.
MPF entrou com ação no dia 10 de dezembro de 2014.
 
Do G1 PB




A Justiça Federal na Paraíba suspendeu 56 autorizações de uso de recursos hídricos do açude São Gonçalo, em Sousa, Sertão paraibano. O manancial está apenas com 9,8% de sua capacidade total, o menor nível registrado nos últimos dez anos. A informação foi confirmada no domingo (25).

A forte seca vem prejudicando a irrigação na área da cidade e, por isso, a Justiça planeja reduzir a crise de fornecimento de água nos Municípios de Sousa e Marizópolis, além do distrito de São Gonçalo, que são abastecidos pelo açude. A decisão vale enquanto continuar a situação do manancial.
 
Para evitar o esvaziamento do açude, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação pedindo o fim do uso da água do reservatório para irrigação no dia 10 de dezembro de 2014. A ação requeria a suspensão das 56 outorgas de uso dos recursos hídricos.

No dia 3 de dezembro, uma semana antes do MPF entrar com a ação, o levantamento da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) apontava que o açude de São Gonçalo estava com 12,2% de seu volume.



 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Revitalização do Rio Paraíba e implementação de Unidades de Conservação são metas do Governo

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 - 17:03




A revitalização do Rio Paraíba, a criação, delimitação e a implementação de Parques Estaduais são os eixos prioritários da Secretaria Executiva do Meio Ambiente, além do Plano Estadual de Resíduos Sólidos, em elaboração, e o programa de combate à desertificação do semiárido paraibano.


De acordo com o secretário executivo do Meio Ambiente, Fabiano Lucena, o Parque Estadual tem grande importância para o estado.  “O Parque Estadual das Trilhas, recém-criado, é o maior dos parques e, sem dúvida alguma, tem uma importância singular, sobretudo para as pessoas que praticam o ciclismo e outros esportes naquela área”, destacou.
 
Com a criação do Parque das Trilhas, João Pessoa passa a ser uma das cidades do Brasil com maior área de Mata Atlântica protegida por unidade de conservação. Somando o parque com a reserva Mata do Buraquinho, são mil hectares de floresta conservados.

O parque tem sofrido invasões. Pessoas estão retirando areia do local de forma irregular, já que a área é de preservação ambiental. “É preciso uma ação imediata do poder público no sentido de dar solução a esses problemas”, acrescentou o secretário Fabiano Lucena.

O governador Ricardo Coutinho assinou o decreto que cria a Unidade de Conservação Parque Estadual das Trilhas dos Cinco Rios em setembro de 2014. A meta é fazer a preservação da segunda mais importante área remanescente da Mata Atlântica. Antes de o decreto ser assinado, a proposta foi submetida a uma consulta pública.
 
O nome do Parque faz referência aos rios existentes dentro da área de conservação – Cuiá, Aratu, Jacarapé, Mangabeira e Mussuré. A unidade também abriga os Riachos Sanhauá e Estivas. Dentro de todo esse território, existem trilhas já utilizadas pela comunidade.

Além do Parque das Trilhas, a Paraíba tem as seguintes Unidades de Conservação:

- Reserva Ecológica Mata do Pau-Ferro, 607 hectares, localizada no Município de Areia.
- Reserva Ecológica Mata do Rio Vermelho, 1.500 hectares, em Rio Tinto.
- Parque Pico do Jabre, 500 hectares, em Matureia e Mãe d’Água.
- Monumento Natural Vale dos Dinossauros, 40 hectares, na Cidade de Sousa.
- Parque Estadual Pedra da Boca,157,3 hectares, no Município de Araruna.
- Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha, em Cabedelo.
- Jardim Botânico Benjamim Maranhão 329,4, em João Pessoa.
- Parque Estadual da Mata do Xém-Xém, 182 hectares, na Cidade de Bayeux.

O Estado da Paraíba tem diversas áreas com potencias para criação de novas Unidades de Conservação. É grande a diversidade de paisagens distribuídas entre áreas úmidas (Manguezais, Cerrado, Mata da Restinga, Mata Atlântica, Brejos de Altitudes e Matas Serranas) e áreas semiáridas, com cobertura florestal de caatinga, apresentando uma estratificação entre a caatinga arbórea fechada das serras e a caatinga arbustiva aberta.
 
Após a conclusão do mapeamento e diagnóstico florestal, o estado vem selecionando áreas que apresentam potencialidades para a criação de novas Unidades de Conservação.



 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

MPF inicia ação para suspender irrigação com água de açude na PB

10/12/2014 12h12 - Atualizado em 10/12/2014 12h12 

Objetivo de ação é evitar o esvaziamento do reservatório de São Gonçalo.
Pedido requer suspensão de 56 outorgas de uso da água.
 
Do G1 PB

Para evitar o esvaziamento do açude de São Gonçalo, em Sousa, no Sertão paraibano, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação pedindo o fim do uso da água do reservatório para irrigação. A ação requer a suspensão de 56 outorgas de uso dos recursos hídricos. Segundo o órgão divulgou nesta quarta-feira (10), a proposta é retardar a crise de fornecimento de água para os municípios abastecidos pelo manancial.

O levantamento da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) aponta que o açude de São Gonçalo estava, no dia 3 de dezembro, com 12,2% de seu volume, pouco mais de 5,4 milhões de metros cúbicos de água, considerado em situação de observação.

O pedido é que a Justiça Federal suspenda todas as outorgas concedidas pela Agência Nacional das Águas (ANA) para irrigação. Caso a ação com pedido de liminar seja indeferida, o MPF quer que sejam definidas novas vazões de retirada, possibilitando que o açude de São Gonçalo atinja, até 30 de abril de 2015, no mínimo, 12.539.000 m³ de água.

"Tais providências se afiguram possíveis e necessárias, uma vez que já foram enfrentadas sérias dificuldades de abastecimento no ano de 2014, supondo que este deve ser, no mínimo, o patamar a ser alcançado em 2015, sem prejuízo de ser buscada a recuperação do reservatório", assinala o Ministério Público.
 
Mais pedidos
O MPF ainda pede na ação que a ANA defina um volume estratégico a ser preservado ao final de cada período de planejamento (início de estiagem e das chuvas), válido para cada período de cinco anos; fiscalizações diárias do cumprimento dos limites de retirada de água do açude; suspensão da captação das águas existentes no “volume morto”; adoção de medidas para assegurar, a recuperação do reservatório em seu volume útil integral; e a criação de um canal público para denúncias de captações irregulares e a divulgação de informações sobre a situação da estiagem e os seus reflexos. Na ação, também é requerido ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) a fiscalização das captações irregulares de água realizadas no açude São Gonçalo.
 
Fonte
 
 
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Paraibano se desloca mais a pé e de bicicleta

Entre os paraibanos, as viagens realizadas a pé e em bicicleta são maioria, seguidas pelo transporte individual motorizado, diz relatório.


  

Francisco França
Números da Paraíba acompanha tendência nacional., aponta pesquisa
Entre os paraibanos, as viagens realizadas a pé e em bicicleta são maioria, seguidas pelo transporte individual motorizado (autos e motocicletas) e pelo transporte coletivo. É o que revela o Relatório 2012 – Sistema de Informações da Mobilidade Urbana da ANTP – julho 2014 da Associação Nacional de Transportes Públicos, realizado com dados de transporte público e tráfego urbano dos municípios brasileiros com população superior a 60 mil habitantes. A Paraíba acompanha a tendência nacional.

A coleta e tratamento dos dados começaram em 2003, e incluem os 438 municípios brasileiros que nesse ano possuíam 60 mil habitantes ou mais. Para efeito de diversas análises ao longo do relatório, os municípios em estudo foram agregados por faixa de população. Na relação de municípios que compõem o sistema de informação da ANTP na Região Nordeste, seis cidades paraibanas foram citadas, sendo elas João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Campina Grande, Patos e Sousa.
 
Conforme a pesquisa, a população do grupo de municípios com o número de habitantes entre 60 mil e 100 mil, como Bayeux, Patos e Sousa, teve uma mobilidade média de 1,06 viagem por habitante por dia, onde 0,56 foram realizadas em Transporte Não Motorizado (TNM) - a pé e em bicicleta. A quantidade de viagens feitas em Transporte Individual (TI) – automóvel e motocicleta, e em Transporte Coletivo (TC) – ônibus, trens e metrô foi a mesma, 0,25.
 
Quando essa mobilidade é estimada por municípios de maior porte, observa-se uma variação de 0,70 viagem por habitante por dia: elas caem de 1,90 nas cidades com população de 500 mil a 1 milhão de habitantes, grupo o qual João Pessoa está inserido, para 1,21 nas cidades entre 100 a 250 mil, como Santa Rita, na Região Metropolitana da capital.

Em João Pessoa, a pesquisa constatou que 0,74 das viagens são realizadas a pé ou por bicicleta; 0,64 em carro ou motocicleta e 0,51 em transporte coletivo. Já Campina Grande faz parte do conjunto de municípios que possuem de 250 mil a 500 mil habitantes, onde a maior parte das viagens foi realizada a pé e por bicicleta (0,59), seguida dos meios de transporte individual motorizado (0,41) e do transporte público (0,37).
 
A partir desses dados, a pesquisa mostrou que quando as viagens são classificadas pelo porte dos municípios, o transporte público reduz consistentemente sua participação em função do tamanho da cidade, passando de 27% para 24% entre os municípios com até 1 milhão de habitantes para os que possuem no máximo 100 mil. O fenômeno se repete quando analisada a participação do transporte individual (auto e moto), que passa de 34% para 24%. Entretanto, a participação do TNM (bicicletas e a pé) eleva-se com a redução do tamanho do município, passando de 39% para 52% entre os municípios maiores para os menores.
 
O estudo sugere que esses números indicam a necessidade de diferentes olhares em relação às políticas de mobilidade urbana em função do porte do município. Enquanto os municípios maiores possuem maior quantidade de viagens nos modos motorizados, os municípios menores possuem maior quantidade de viagens a pé e por bicicleta.

DESLOCAMENTOS
Em uma análise especial do Sistema de Informações da Mobilidade Urbana da Associação Nacional de Transportes Públicos, sobre os deslocamentos feitos pelas pessoas, o relatório revela que quando as viagens das pessoas classificadas por modo principal (TNM, TI e TC) são decompostas em trechos de modos diferentes, por exemplo, o trecho andado a pé para chegar ao ônibus, obtém-se o número de deslocamentos feitos por elas, que é evidentemente maior do que o número de viagens. Isso pode ser comprovado nas estatísticas apresentadas no relatório, que mostram que as pessoas fazem 99,1 bilhões de deslocamentos por ano, valor 58% maior do que o valor das viagens classificadas por modo principal (62,7 bilhões/ano), enquanto o número de viagens e deslocamentos feitos em TI (19,4 bilhões/ano) e TC (18,2 bilhões/ano) são os mesmos nas duas situações.
 
De acordo com o documento, o valor dos deslocamentos é muito útil para estudar com mais precisão, por exemplo, a exposição dos pedestres aos riscos do trânsito. (Colaborou Katiana Ramos)
 
POPULAÇÃO UTILIZADA NA PESQUISA

Segundo dados do Censo Demográfico 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizados na pesquisa para dividir os grupos de municípios por quantidade populacional, João Pessoa possui 597.934 habitantes, e Campina Grande, 355.331. Já Santa Rita conta com 115.844 habitantes, Patos, 91.761, Bayeux, 87.561, e Sousa 62.635 habitantes. Depois desse período, o IBGE já divulgou o Censo 2010 com dados mais atualizados.

O QUE DIZEM AS PREFEITURAS
Em Bayeux, segundo informações da assessoria de Comunicação Social da prefeitura, ainda não há um projeto de mobilidade urbana voltada para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte. Contudo, segundo a assessoria, as principais vias de diversos bairros da cidade estão sendo pavimentadas e até o final deste ano 66 logradouros serão beneficiados com melhorias na infraestrutura. Somente no bairro de Mário Andrezza serão 40 ruas que receberão os serviços.
 
Já em Santa Rita, está em execução um projeto orçado em R$35 milhões para asfaltar o anel viário em diversos pontos da cidade, principalmente no bairro de Tibiri II. Segundo o secretário de Comunicação do município, Sandro Nóbrega, outro projeto para a melhoria das vias públicas da cidade que terá espaço reservado aos ciclistas está em fase de planejamento e ainda não tem previsão para ser executado.
 
A reportagem do JORNAL DA PARAÍBA procurou por telefone os responsáveis pelos órgãos de trânsito dos municípios de Campina Grande, Patos e Sousa. Mas até o fechamento desta edição, nossas ligações não foram atendidas.
 
Também tentamos contato com o superintendente de Mobilidade Urbana da capital, Roberto Pinto, mas a assessoria de comunicação informou que o gestor estava em reunião e não poderia comentar o assunto.

sábado, 7 de junho de 2014

Cresce número de famílias sem água

Número de famílias sem água encanada nas residências paraibanas saltou de 210.785, em fevereiro de 2013, para 232.045, em abril deste ano.







Rizemberg Felipe
Dona de casa Fátima Batista, 36 anos, faz parte do grupo de famílias que não dispõem de abastecimento de água
Há um ano, o governo do Estado anunciou investimento de mais de R$ 250 milhões para a construção da 3ª etapa do canal Acauã-Araçagi (Vertentes Litorâneas). A obra visa a beneficiar com o abastecimento de água quase 600 mil pessoas em 38 municípios paraibanos, mas só deve ser concluída em dezembro de 2015, segundo informações do secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, João Azevedo.

Nesse intervalo, o número de famílias sem água encanada nas residências paraibanas saltou de 210.785, em fevereiro de 2013, para 232.045, em abril deste ano. O aumento foi de 10% de famílias nesta situação, conforme dados do Sistema de Informação de Atenção Básica (Siab) do Ministério da Saúde.
 
Apesar de também ter acontecido a ampliação do serviço de abastecimento de água no Estado, os dados do Siab revelam que em todo o Estado, em 2013, existiam 871.767 famílias cadastradas nas áreas de abrangência dos Programas de Agentes Comunitários de Saúde e Saúde da Família (ACS/PSF), que através das visitas domiciliares às famílias, identificam a situação de saneamento e moradia. Dessa soma, apenas 660.982 (75,8% do total) contavam com o serviço. Atualmente, das 895.784 famílias cadastradas, somente 680.291 têm água encanada, o que corresponde a 75,9% do total. Isso quer dizer que a ampliação do serviço só alcançou 0,1% dos domicílios.
 
O problema é potencializado quando comparado o número de famílias descobertas pelo abastecimento de água (232.045) nos municípios paraibanos. É como se toda a população de Patos - que tem 100.695 habitantes, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somados aos habitantes de Sousa (65.807), Cajazeiras (60.612) e Emas (3.439) não tivessem água encanada em casa.
No bairro Padre Zé, em João Pessoa, por exemplo, a dona de casa Fátima Batista, 36 anos, faz parte do grupo de famílias que não dispõem de abastecimento de água. Ela precisa buscar água na casa de amigos com o auxílio de um balde para poder dar conta dos afazeres domésticos. “Não tem água encanada em casa. O jeito é contar com a solidariedade dos amigos que me deixam pegar alguns baldes com água, todos os dias, senão, não teria como fazer comida, dar banho nos meus filhos e lavar roupa”, afirmou.
 
A ordem de serviço para a construção da 3ª etapa do canal das Vertentes foi assinada na manhã do dia 17 de junho do ano passado, durante visita do ministro da Integração, Fernando Bezerra. Na ocasião, também foi assinado o Termo de Compromisso para a elaboração do projeto de construção do sistema adutor da Borborema, que prometia levar as águas da transposição até o Curimataú. À época, as informações foram divulgadas na matéria sobre a falta de água encanada nos lares de famílias paraibanas, publicada no JORNAL DA PARAÍBA na edição do dia 18 de junho de 2013.
 
INVESTIMENTOS
O secretário de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Ciência e Tecnologia, João Azevedo, informou que o sistema adutor da Borborema já foi autorizado e a ordem de serviço para a obra será assinada na próxima segunda-feira.

Informou ainda que estão em andamento as adutoras de Boqueirão, Natuba. Aroeiras, Pocinhos, Camalau e Camará, ao todo são 730 km de adutoras.

 
 Fonte
 
 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Cidades do Cariri recebem o maior volume de chuvas na PB em maio

14/05/2014 09h30 - Atualizado em 14/05/2014 09h35 

Em Serra Branca já choveu três vezes o volume esperado para o mês.
Parari também teve destaque, mas Aesa diz que chuva é irregular na região.




 
Jocélio Oliveira  

Do G1 PB

As cidades de Serra Branca e Parari, ambas situadas na região do Cariri paraibano, foram as duas onde mais choveu nos primeiros 12 dias do mês de maio, segundo informações da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado (Aesa). Ao todo foram registrados 127,7 milímetros de chuva em Parari e 126,3 mm em Serra Branca. Na região, a previsão para esta quarta-feira (14) é de nebulosidade variável com possibilidade de chuvas em áreas localizadas.
 
Segundo a meteorologista da Aesa, Marle Bandeira, a média para o mês de maio em Serra Branca é de 38,4 milímetros de chuva. O volume registrado até agora já é mais de três vezes superior à média. Contudo, Marle faz o alerta de que esse mês a chuva foi pontual na região e não implica numa mudança de perfil climático da cidade.
"O mês de maio é geralmente chuvoso no Cariri. No semi-árido paraibano como um todo é comum que haja pancadas de chuvas fortes e localizadas”, explicou Marle Bandeira. Mas, ainda de acordo com a meteorologista, as precipitações naquela região são irregulares. 
Uma demonstração desse comportamento irregular pode ser verificado com as chuvas do mês de maio. De acordo com as informações da Aesa, em Parari choveu quatro vezes nos doze primeiros dias do mês. Em apenas uma dessas chuvas caiu um volume de 89,8 milímetros no domingo (11). Já em Serra Branca, foram seis precipitações, sendo que a maior aconteceu também no dia 11, com um volume de 106,5 milímetros, que por si só ultrapassou em cerca de 64% a média mensal na cidade.

A agência ainda não tem dados sobre o comportamento das chuvas no município de Parari. Segundo Marle, para meteorologia "é preciso uma série histórica de 30 anos para que se possa estabelecer o perfil climatológico de uma região", disse. A meteorologista comentou ainda que esse quadro já havia sido previsto pela Aesa no mês de dezembro, durante um encontro nordestino de meteorologia.

Sem chuvas em Várzea
No outro extremo, as cidade de Várzea (0,0mm) e Sousa (1,5 mm), no sertão paraibano, foram as localidades que menos receberam água da chuva durante o mês de maio. Segundo a Aesa, a previsão é chuvas localizadas na região. As duas cidades estão na lista de municípios onde foi decretado estado de emergência por conta da estiagem.
Fonte

domingo, 4 de maio de 2014

Garoto acha pedra com pegada de dinossauro e paleontóloga diz: Sousa é passarela pré-histórica

Ciência e Tecnologia | Em 04/05/2014 às 09h35, atualizado em 04/05/2014 às 10h05 | Por Luciana Rodrigues

Peça deve ser analisada por um paleontólogo e após comprovada a originalidade, ficará em exposição e fará parte do acervo do museu do Vale dos Dinossauros, em Sousa  

Reprodução/Facebook/ Luiz Carlos
Garoto mostra pedra com pegada de dinossauro
Garoto mostra pedra com pegada de dinossauro

Um garoto de sete anos achou uma pedra com uma pegada de dinossauro, quando brincava no quintal de casa, esta semana, no município de Sousa, no Sertão do estado, a 477 de João Pessoa.
 
Matheus Dannylck, correu para dizer sobre sua descoberta ao pai, o fotógrafo Saullo Dannylck, que naquele momento não deu muita importância ao que o filho lhe dizia com voz eufórica, "papai achei uma pedra com 'buraco dos dedinhos'". Sem dar muita importância, Saullo prometeu que depois iria dar uma olhada no que o filho tinha encontrado.
 
Achando que o pai não tinha dado muita importância ao que ele dissera, Matheus foi até o local onde tinha encontrado a pedra e a retirou para levar até Saullo. "Papai, eu tirei a pedra e trouxe para o senhor ver".
Ao observar a peça que Matheus tinha mostrado, o fotógrafo percebeu que poderia tratar-se realmente de uma pegada de dinossauro e a encaminhou para o setor de reserva técnica do Monumento Natural do Vale dos Dinossauros, no município de Sousa, que já possui uma área de conservação, criada em 2002, com um dos mais importantes sítios paleontológicos do mundo.
 
A peça deve ser analisada por um paleontólogo e após comprovada a originalidade, ficará em exposição e fará parte do acervo do museu do Vale dos Dinossauros. Além de Sousa, mais 29 cidades do Sertão da Paraíba fazem parte da área de conservação do sítio paleontológico que é uma das áreas com maior incidência de pegadas de dinossauros já encontradas no planeta.

Pedra com pegada de dinossauro de Sousa 
Foto: Pedra com pegada de dinossauro de Sousa
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Luiz Carlos
 
No mês de fevereiro deste ano, também no município de Sousa, o aposentado Luiz Carlos da Silva Gomes encontrou um fóssil que aparentemente seria de uma tíbia de dinossauro. O fóssil foi retirado de uma rocha na zona rural de Sousa e encaminhada para o Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal de Pernambuco, onde está sendo estudado.
 
Em contato com a paleontóloga Aline Ghilardi, doutoranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colaboradora do Laboratório de Paleontologia (Paleolab) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a pesquisadora informou que esses tipos de vestígios são comuns em Sousa, pois o município, assim como os demais que fazem parte do sítio paleontológico, tanto no Sertão da Paraíba como no estado vizinho do Ceará, estão incluídos nas bacias sedimentares com rochas portadoras de fósseis.

Aline explicou que bacias sedimentares são áreas onde se acumularam sedimentos ao longo do tempo, que posteriormente são transformados em rocha, ajudando a preservar um registro de mudanças ambientais e ecológicas do passado, ou seja, "são como livros de registro de eventos pretéritos, cujas páginas são camadas de rochas".

A paleontóloga informou que a idade das rochas na região de Sousa, correspondente ao período em que os dinossauros dominaram a terra, e o ambiente que ali existia favoreceram à preservação de vestígios fósseis, como pegadas.
 
"Esses vestígios fósseis e as estruturas presentes nas rochas da região nos ajudaram a entender que entre 145 e 125 milhões de anos atrás, a região era coberta por lagos e rios e borbulhava de vida. Já foram encontrados ali não só registros fósseis de dinossauros, mas também de quelônios, crocodyliforme, plantas e diversos invertebrados", revelou.

A paleontóloga contou que esses animais caminhavam nas bordas dos lagos e deixavam seus registros, assim como acontece na atualidade quando caminhamos por um substrato mole, como areia e lama, e deixamos nossas pegadas.

Nova espécie
O material ósseo de dinossauro retirado de Sousa no início deste ano é único na região e trata-se de um osso longo, mas não se sabe ainda de qual parte dos membros e nem a identidade do dinossauro. A pesquisadora Aline Ghilardi informou que é o primeiro registro ósseo de dinossauro achado em Sousa e o mais antigo para o Cretáceo do Brasil. Ela acredita que possa ser uma nova espécie.

"Certamente é um novo animal, mas dificilmente poderá receber um nome pois temos apenas um osso em mãos, o que não é suficiente, cientificamente falando, para caracterizar oficialmente uma nova espécie. Isso não o impedirá de ter um apelido informal...".

Material ósseo encontrado em Sousa 
Foto: Material ósseo encontrado em Sousa
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Luiz Carlos

Aline informou que o material ainda está em preparação para estudo no Paleolab e que a análise do achado terá a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) do campus do município de Areia.

Com os estudos e a identificação do material ósseo encontrado em Sousa, finalmente um dos dinossauros locais terá sua identidade diretamente reconhecida e a pesquisadora disse que é por isso que a descoberta desse registro foi tão badalada.

Ela informou que em locais aonde se preservam pegadas, dificilmente se preservam ossos, e por isso é que o osso encontrado em Sousa é tão especial e mostra o potencial da região para estudos futuros.

"Estamos ansiosos para prosseguir com os estudos do osso e assim que esses forem concluídos e publicados, ele retornará para sua cidade de origem e para o museu do Vale dos Dinossauros, como obrigatoriamente deve ser quando a ciência se faz pensando no povo. Ali, poderá ser apreciado pelos cidadãos de hoje e de todas futuras gerações sousenses, inspirando, quem sabe, futuros cientistas", revelou.

Cientistas analisam fóssil de dinossauro em Sousa 
Foto: Cientistas estiveram em Sousa e coletaram material ósseo
Créditos: Reprodução/ Folha do Sertão 

A pesquisadora revelou, ainda, que o sítio fossilífero de Sousa se destaca pela qualidade de preservação e quantidade de vestígios, como pegadas. Ela disse que se orgulha de ter em solo brasileiro o que chamou de 'essa maravilhosa passarela pré-histórica' e alerta para sua preservação.

"Se destruído esse patrimônio, nada poderá substituí-lo, pois nada será igual. As pegadas de Sousa são um instante sem correspondentes preservado no tempo, se isso for perdido, será perdida irrecuperavelmente uma página da história da vida em nosso planeta - e uma das mais maravilhosamente preservadas, um dos contos mais bem escritos", desabafou.

Centro paleontológico local
Uma das coisas que mais chocaram a pesquisadora Aline Ghilardi foi o fato do sítio de Sousa não possuir um paleontólogo. Nem no museu, aonde a coleção de fósseis é gerida, existe um profissional.

"Todo o patrimônio paleontológico está nas mãos de órgãos não diretamente ligados à Paleontologia, e por mais que existam pessoas que se esforcem, elas não são profissionais da área. A gestão desse patrimônio exige a presença de um paleontólogo", reclamou.

Aline Ghilardi mostrou também a necessidade de um centro paleontológico local. Ela disse que um campus avançado da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e um Instituto Federal de Educação estão sendo construídos em Sousa e isso poderia ser aproveitado para a contratação de um ou mais paleontólogos e para a formação de um núcleo de pesquisas paleontológicas na região.

A pesquisadora citou ainda a possibilidade um curso de graduação em Biologia ou Geologia para formar estudantes para auxiliar nas pesquisas.

Na opinião de Aline Ghilardi, um centro paleontológico local garantiria a realização contínua de pesquisas com os fósseis e rochas da área e ainda a melhor gestão do patrimônio paleontológico de Sousa e região.

Ela acredita que a permanência do material fóssil na localidade aonde foi coletado sem dúvida contribuiria para sua preservação. "Quem quer que quisesse estudar esse material, de qualquer universidade do Brasil ou do mundo, teria que se remeter a esse centro. Já está na hora de Sousa amadurecer a esse ponto", opinou.

Vale dos Dinossauros, Sousa - PB 
Foto: Pegadas do Vale dos Dinossauros, Sousa - PB
Créditos: Reprodução/Internet 

Diversidade
Aline Ghilardi informou que as pegadas encontradas em Sousa são algumas das mais bem preservadas do mundo e que o local abriga um dos sítios paleontológicos mais importantes do Brasil, considerando a idade de seus depósitos.

Os achados fósseis lá encontrados ajudam a completar as páginas da grande história de vida no planeta Terra e a compreender sua evolução e mudança ao longo do tempo. "Eles têm nos ajudado entender a distribuição e a diversidade de animais que existiram nessa região, em especial os dinossauros".
As pegadas encontradas no sítio paleontológico de Sousa, de acordo com a especialista, indicam  a presença de alguns tipos de dinossauros que ainda não foram detectados no registro fossilífero do território brasileiro por meio de evidências diretas como ossos e dentes.

"Esse é o caso dos dinossauros ornitísquios, por exemplo, que inclui uma série de dinossauros herbívoros especializados, como os ornitópodes e os thyreophora. Isso amplia a diversidade de dinossauros que habitaram o nosso território no passado e ajuda a entender o cenário faunístico da América do Sul durante o início do Cretáceo (entre 145 e 125 milhões de anos atrás), quando nosso continente e a África ainda eram unidos e os animais migravam de um lado para o outro com relativa facilidade".

Patrimônio precisa ser preservado
Na opinião da paleontóloga Aline Ghilardi, o patrimônio paleontológico de Sousa deveria receber mais atenção. Ele disse que muito dinheiro foi investido ali para a construção de um parque, mas que só isso não basta. É preciso que a população seja conscientizada da importância do patrimônio que a rodeia.

"As pegadas fazem parte do cotidiano da população, mas as pessoas não entendem ainda porque elas devem ser arrancadas e levadas para museus. Todos se aproveitam da fama dos dinossauros para avivar o comércio local, mas ninguém entende o seu real significado e importância. Acredito que para preservar o patrimônio paleontológico daquela região deveria ser feito um amplo esforço de informação e sensibilização junto à população", ratificou.

A paleontóloga acredita que um caminho seria a realização de oficinas, cursos e palestras nas escolas e ainda a distribuição de cartilhas didáticas, promoção de livros e filmes sobre o tema e a visita direta à população para que as pessoas se sintam incluídas no processo. "Se não for assim, o tema 'dinossauro' acaba virando piada", opinou.

Ela citou ainda as universidades locais e regionais, aliadas ao poder público, como promotores de projetos focando essa linha de ação e disse que a UFPE, através do Paleolab, que é coordenado pela professora Alcina Alcina Barreto, tem realizado projeto no interior de Pernambuco com objetivo de preservar o patrimônio paleontológico do Araripe e que os resultados têm sido muito positivos.

MPF moveu ação para impedir destruição
Há dois anos, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra o Dnit e Sudema por conta da destruição de cercas feitas com pedras que tinham pegadas de dinossauros no município de São João do Rio do Peixe.
De acordo com o MPF, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) havia identificado a importância do sítio paleontológico de 2,5 quilômetros de cercas com placas de rochas feitas há mais de cem anos pela população local para delimitar propriedades. Essas cercas foram destruídas para a construção da rodovia federal BR 405, sem que sua importância cultural fossem analisadas e levadas em conta.

Cercas centenárias feitas pela população tinham rochas com pegadas de dinossauros 
Foto: Cercas centenárias tinham rochas com pegadas de dinossauros
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Luiz Carlos

Em outubro do ano passado,  num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre MPF e Dnit e Sudema,  os dois órgãos se comprometeram a cumprir medidas para a regularização do processo de licenciamento ambiental de três obras, realizadas sem a devida autorização do Iphan, em áreas de preservação, e também compensar pelos danos causados ao patrimônio arqueológico e paleontológico nacional.

As obras são as seguintes: pavimentação da BR 434/PB (trecho Uiraúna e Poço Dantas) do km 0,0 ao km 18,0; pavimentação da BR 426/PB (trecho Piancó, Santana dos Garrotes e Nova Linda) do km 65,60 ao km 95,5; e obras de implantação e pavimentação BR 405/PB (trecho São João do Rio Peixe e Marizópolis) do km 36,5 ao km 54,5.

Entre as medidas compensatórias pela destruição dos sítios paleontológicos, o Dnit terá que realizar obras visando a socialização, regularização do uso turístico e educação patrimonial em sítios arqueológicos e paleontológicos na área do Vale dos Dinossauros e ainda fazer um levantamento dos sítios paleontológicos da área denominada Vale dos Dinossauros em 20 municípios da Paraíba.

A área tombada pelo Iphan e que soma cerca de 700 quilômetros quadrados é penalizada pela de falta de estudos, mapeamento e proteção. O descaso pode ser verificado na própria Reserva Técnica do Museu do Monumento Natural do Vale dos Dinossauros. Os achados com vestígios de pegadas são armazenadas de forma amontoada, com peças sobre peças, sem nenhuma organização.

Peças ficam amontoadas, sem organização na Reserva Técnica 
Foto: Peças ficam amontoadas, sem organização na Reserva Técnica
Créditos: Reprodução/Facebook/ Luiz Carlos

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sexta-feira, 7 de março de 2014

Pesquisadores comprovam descoberta de fóssil de dinossauro em Sousa



Da Redação, com Decom de Sousa
 
Pesquisadores comprovam descoberta de fóssil de dinossauro em Sousa
Imagem Decom Sousa
Pesquisadores da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco, comprovaram, através de análise e coleta, ser verdadeira, fóssil de dinossauro encontrado na região de Sousa, sertão paraibano. A equipe composta por geólogo, biólogo e uma mestra em paleontologia.

O primeiro fóssil de dinossauro encontrado na Paraíba, uma tíbia. De acordo com os pesquisadores "resta analisar qual a espécie, pode ser de um terópode ou ornitópode".

Há mais de 30 anos o bancário aposentado Luiz Carlos da Silva Gomes, residente na cidade de Sousa, tem como hobby a busca pelos rastros dos dinossauros na Bacia Sedimentar do Rio do Peixe, localizada no oeste do Estado da Paraíba.

Luiz Carlos descobriu um osso fossilizado com aproximadamente 50 centímetros de comprimento, dentro de rocha sedimentar do cretáceo inferior. O fóssil veio à luz, pela erosão na rocha sedimentar.

O fóssil coletado será levado para o laboratório em Recife, para que ele seja preparado (retirado da rocha), descrito fotografado, comparado com outros já conhecidos na tentativa de classificar o animal, reconhecer sua forma (reconstrução do animal) e hábitos. Após esses procedimentos o fóssil será devolvido à cidade e ficará no museu para estudos e visitação.

A descoberta paleontológica confirma a potencialidade internacional, turística, social e histórica de Sousa.


 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ibama apreende redes de pesca na PB e aplica R$ 110 mil em multas

28/02/2014 16h47 - Atualizado em 28/02/2014 16h47 

Agentes apreenderam 14 km de redes no Sertão em período proibido.
Foram encontrados ainda 41kg de pescado e 170 aves em cativeiro.
 
Do G1 PB

Açude de Coremas é o maior reservatório hídrico da Paraíba (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Açude de Coremas foi um dos fiscalizados
(Foto: Taiguara Rangel/G1)
Mais de 14,2 km de redes foram apreendidas durante um período ilegal para pesca, em açudes no Sertão paraibano, divulgou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) nesta sexta-feira (28). As fiscalizações durante o 'defeso da piracema' também apreenderam 41 kg de pescado, uma espingarda de mergulho, uma embarcação e um motor de rabeta. Ainda foram encontradas 170 aves em cativeiros ilegais. Foram aplicados mais de R$ 110 mil em multas.
 
O período de proteção objetiva manter a ocorrência de peixes nos açudes, lagos e cursos d´água da região. Foram realizadas buscas na área dos açudes de São Gonçalo, em Sousa, Engenheiro Ávidos, em São José de Piranhas, Lagoa do Arroz, em Cajazeiras, Estevam Marinho e Mãe d'Água, em Coremas, Engenheiro Arcoverde, em Condado, e Açude dos Cegos, em Catingueira.

Os pescados apreendidos foram doados a instituições filantrópicas nos respectivos municípios. As aves foram encaminhadas ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama na Paraíba. As redes de pesca foram destruídas pelos agentes ambientais federais.
Foram aplicados três autos de infração, somando R$ 2.380 reais em multas. Os agentes também aplicaram nove autos de infração por ilícitos contra a fauna, totalizando R$ 98 mil em multas aos infratores. Também foi flagrado e embargado um desmatamento ilegal de 12,3 hectares de caatinga, resultando em multa de R$ 13 mil ao responsável.

As equipes do Ibama realizaram patrulhamento nos açudes, retirando as redes de pesca encontradas, entre os dias 12 e 21 de fevereiro. O defeso da piracema na Paraíba é definido pelas Instruções Normativas 210/2008 e 3/2005, proibindo a pesca anualmente, de 1º de dezembro a 28 de fevereiro. A operação teve apoio do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs).

As espécies protegidas são Curimatã (Prochilodus spp.), Piau (Schizodon sp), Sardinha (Triportheus angulatus) e Branquinha (Curimatidae). Além da pesca, também são proibidos no período o transporte, industrialização, armazenamento e comercialização das espécies e de suas ovas.

As pessoas autuadas por cometerem crimes ambientais, além de receber as sanções administrativas de multa e de apreensão, entre outras aplicadas pelo Ibama e outros integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), ainda respondem criminalmente no judiciário.
 
Fonte