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sábado, 12 de janeiro de 2013

Açudes estão com 36% do volume e 10 estão em colapso na Paraíba

12/01/2013 12h13 - Atualizado em 12/01/2013 12h13

Segundo Aesa, 10 reservatórios estão impedidos de abastecer população.
Volume baixo é comparado aos índices registrados na seca de 1998.
 
Do G1 PB
 
 
Açude de Coremas é o maior reservatório hídrico da Paraíba (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Açude de Coremas, maior reservatório da PB, está com 43,7%
da capacidade (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Os 122 reservatórios hídricos da Paraíba estão com 36,42% de sua capacidade, que é de 3,9 bilhões de metros cúbicos de água. Dez açudes da Paraíba estão em colapso, apresentando volume abaixo de 5%, considerado crítico pela gerência de bacias hidrográficas da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa). A situação dos reservatórios é comparada pelo órgão à seca enfrentada em 1998.
 
O racionamento no abastecimento de água atinge 13 cidades (Riachão, Monte Horebe, Alagoa Grande, Pilões, Nova Palmeira, Dona Inês, Campo de Santana, Araruna, Esperança, Remígio, Bananeiras, Solânea e Cacimba de Dentro) e 10 distritos paraibanos, segundo a assessoria de comunicação da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), nas regiões do Agreste e Semi-Árido do estado.
 
De acordo com o gerente de bacias Lucílio dos Santos Vieira, o atual volume dos mananciais na Paraíba é semelhante à seca registrada na Paraíba em 1998. "Os açudes em situação crítica estão em colapso, pois não atendem mais à população e estão com volume insuficiente", afirmou.
 
Os últimos índices pluviométricos registrados no estado não devem possibilitar nenhuma recuperação destes reservatórios hídricos, segundo a Aesa. "As últimas chuvas foram insuficientes para refletir nos açudes, pois são concentradas e de baixa intensidade. Isso porque a água tem primeiro que chegar no leito do rio, que já está muito seco, depois é que chega ao açude. Somente quando houver intensidade de chuvas é que deve se refletir nos volumes dos reservatórios. A gente compara este volume à seca de 1998", explicou Lucílio dos Santos Vieira.

Meteorologista Marle Bandeira aponta estudo climático da Aesa (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Meteorologista Marle Bandeira aponta estudo
climático da Aesa (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Segundo o relatório da reunião de previsão climática da Aesa, realizada em dezembro do ano passado, a seca deve continuar assolando a Paraíba neste início de ano. O orgão acredita que haverá escassez de chuvas até fevereiro e a partir do início de março deverá voltar a ser registrado um índice pluviométrico regular. Os meteorologistas acreditam ainda que o ano terá condições climáticas um pouco melhores que 2012 e preveem o início das chuvas a partir de março.

Em situação crítica
Teixeira - Açude Bastiana 3,0%
Barra de São Miguel - Açude Bichinho 4,2%
Cachoeira dos Índios - Açude Cachoeira da Vaca 2,5%
São João do Rio do Peixe - Açude Chupadouro 1,8%
Ouro Velho - Açude Ouro Velho 1,7%
Prata - Açude Prata II 4,3%
Teixeira - Açude Sabonete 2,8%
Monteiro - Açude Serrote 1,6%
Teixeira - Açude São Francisco II 0,6%
São José do Sabugi - Açude São José IV 0,0%

  
Mesmo com a água se tornando lama, sertanejo ainda tenta a sorte em pescaria (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Açude da Gamela, que abastece o Município de Triunfo,
está em colapso. (Foto: Taiguara Rangel/G1)



Fonte

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Sertão, Cariri e Curimataú registra bancadas de chuva na noite desta quinta

30/11/2012 - 00:20 - Atualizado em 30/11/12 - 08:29

Internautas comemoram início das chuvas nas redes sociais


Pancadas de chuva registrada no início da noite desta quinta-feira (29) animaram moradores das regiões do Sertão, Cariri e Curimataú paraibano. O fato foi bastante comemorado por internautas destas regiões, que postaram inúmeras fotos nas redes sociais.

Além do início das chuvas, que neste período são chamadas de trovoadas no Sertão e Cariri, os internautas também comemoraram a mudança do clima, uma vez que as temperaturas começaram a cair.

Entre as cidades citadas pelos internautas estão Patos, Santa Luzia, Triunfo, São Bento, Monteiro, Sumé, Poço de José de Moura, São José dos Cordeiros e Soledade.

“Nas cidades de Patos e Santa Luzia está chovendo”, comemorou o twitteiro Dan Barbosa.

“Que cheiro bom é o cheiro da chuva”, disse Toni Lúcio.


Da Redação
Foto: Facebook/ Flaviano Bezerra
 
Fonte

 

domingo, 11 de novembro de 2012

Na Paraíba, 70% da população vive em situação de emergência por causa da seca

11/11/2012 - 10:40 

Famílias caminham 5 km para buscar água em jumentos. Governador pede ajuda à União para minimizar efeitos da seca


A seca prolongada já afeta 2,3 milhões de paraibanos, cerca de 70% da população em 198 dos 223 municípios do Estado. São famílias que enfrentam os efeitos da estiagem, como a fome, a sede e a perda do rebanho, há mais de três meses. Os 122 açudes monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) já perderam 2,1 bilhões de metros cúbicos de água - a capacidade total é de 3,9 bilhões. As cidades mais prejudicadas são Triunfo, no Alto Sertão, e Cabaceiras, na região do Cariri, onde já falta água há um mês.

"Nos próximos 180 dias, vamos continuar com os carros-pipa, a recuperação de 486 poços e fornecimento de ração", afirma o secretário estadual de Infraestrutura, Efraim Morais, que coordena o Comitê Integrado de Enfrentamento à Estiagem. "A situação é crítica. Começamos a perder a água dos mananciais e fica cada vez mais distante buscar e distribuir. Doze cidades já racionam água para evitar o colapso", diz.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, prorrogou na terça-feira passada os decretos de situação de emergência de 170 cidades por mais 180 dias. As outras 28 cidades terão os decretos prorrogados no dia 26 deste mês. Segundo Morais, o governo já pediu mais R$ 32 milhões para mais 180 dias de estiagem ao governo federal, além dos R$ 10 milhões já liberados para os últimos 90 dias de seca.

Em Pedra Branca, a 480 km de João Pessoa, famílias caminham mais de 5 km para buscar água com jumentos. A cidade tem apenas 4 mil habitantes e fica no Vale do Piancó, no Polígono da Seca, formado por 23 municípios.

O agricultor Sebastião Silva já perdeu as cabras que tinha e é um dos que usam o jumento. "É uma situação difícil, não temos ajuda", reclama.

Fé e protesto. O padre da cidade, Djacy Brasileiro, tem celebrado missas de protesto dentro de barragens para alertar sobre a situação crítica. "Vi muito gado morrer e muita gente desesperada. A situação é dramática e existe morosidade por parte dos governos", diz o sacerdote.

No total, 684 carros-pipa abastecem áreas urbanas e rurais na Paraíba - 239 são do Estado e 445 do Exército. De acordo com o governo, a Companhia de Desenvolvimento dos Recursos Minerais (CDRM) perfurou neste ano 169 poços. A Companhia de Água e Esgotos precisou racionar a oferta de água em 15 cidades e nove distritos.

O Programa Nacional de Agricultura Familiar liberou R$ 18 milhões para o Estado. Segundo a Secretaria Executiva de Agricultura Familiar, o dinheiro já foi repassado aos produtores.

Prejuízo. A perda chega a 40% do rebanho animal e a 90% da safra agrícola, de acordo com o governo. A falta de chuva afeta cerca de 60 mil produtores e causa prejuízos. Alimentos e água tiveram quase 50% de aumento nas áreas de seca.
Estadão

Fonte

sábado, 10 de novembro de 2012

Açudes secam na Paraíba

Com a seca dos açudes, sistema de abastecimanto de água entrou em colapso; apenas carros-pipa estão abastecendo a região. 


 


Leonardo Silva
Serviço de abastecimento prestado pelos caminhões-pipa é insuficiente para atender à demanda


A população do município de Triunfo, localizado na microrregião de Cajazeiras, a 475 quilômetros de João Pessoa, está sem abastecimento de água e não há previsão para o serviço ser normalizado. O sistema entrou em colapso após o Açude Gamela, principal manancial da área, atingir o nível mínimo de armazenamento e ficar impossibilitado de fornecer água aos mais de 9 mil habitantes do município.

A população está sendo atendida, exclusivamente, por carros-pipa. O anúncio foi feito ontem pelo superintendente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Deusdete Queiroga. O problema foi causado pela estiagem, que já castiga a Paraíba desde o começo deste ano. Outras 12 cidades já estão sofrendo com o racionamento de água e correm o risco de também suspenderem definitivamente o serviço, se a seca se prolongar no Estado.

Esperança, Remígio, Malta, Lagoa de Dentro, Bananeiras, Caiçara, Solânea, Conceição e alguns distritos localizados em volta dessas cidades só possuem água na torneira durante alguns dias da semana. Nessas localidades, o abastecimento é complementado por carros-pipa, fornecidos pelo Exército Brasileiro e Governo do Estado.

No entanto, o serviço é insuficiente para atender à demanda, como explica o prefeito eleito de Conceição, Nelson Lacerda. “O carro-pipa não dá para a população toda. As pessoas precisam pagar R$ 150,00 pela água de um carro-pipa, que só dura 10 dias.

Esse valor já penaliza o agricultor que está maltratado, sem água, sem produzir nada e vendo o rebanho morrer”, lamenta Lacerda.

Dos 223 municípios paraibanos, 198 decretaram estado de emergência por causa da seca. Inicialmente, a decretação dessa situação era válida apenas por 90 dias e o prazo seria encerrado no último final de semana. No entanto, o governo resolveu prorrogar por mais 180 dias o estado de emergência das cidades, em virtude do agravamento da situação.

Com a prorrogação, o Estado pretende receber R$ 34,8 milhões do Ministério da Integração Nacional, para combater os danos deixados pela seca. “Esse valor será usado no abastecimento de carros-pipa e na compra de ração para animal. Nossa expectativa é que o governo aprove a liberação total ou parcial desse recurso ainda neste mês. Não há tempo para esperar, porque precisamos pagar os pipeiros e continuar com as ações de assistência que já estamos realizando no Estado”, disse o secretário de Estado de Infraestrutura, Efraim Morais.

Morais ainda destacou que, desde que os 198 municípios decretaram o estado de emergência, o governo federal já enviou R$ 10 milhões para a Paraíba. Entre outras ações, esse dinheiro foi usado na compra de 19 mil toneladas de ração animal, que vêm sendo distribuídas gratuitamente entre os criadores. Além disso, o Estado iniciou a construção de 406 poços tubulares e subsidiou a venda de outros dois tipos de alimentação do rebanho. A “torta de algodão” e o farelo de soja estão sendo comercializadas por órgãos do governo com 50% de desconto em relação ao preço de mercado.

Além dos R$ 34,8 milhões solicitados, a Paraíba deverá receber verbas do Programa de Aceleração do Crescimento Prevenção, criado pelo governo federal, com a finalidade de ajudar os Estados a resolverem os problemas da seca. 


 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Depois da euforia: Sonho do petróleo vira pesadelo para sertanejos

Economia,
Domingo, 26/02/2012

DANIEL MOTTA

Campina Grande -  Passado um ano da euforia da exploração do petróleo na Bacia do Rio do Peixe, restou uma herança sombria para a região. Sonegação de impostos, pagamentos atrasados de indenizações e calotes no comércio foram deixados por algumas empreiteiras terceirizadas contratadas pelas petrolíferas Petrobras, UTC Engenharia, Cowan Petróleo e Gás, Univen Petróleo e Ral Engenharia, que se arriscaram na busca por petróleo e gás no Sertão paraibano. Só na cidade de Triunfo, a Prefeitura espera receber mais de R$ 210 mil.

As quatro petrolíferas adquiriram, juntas, 12 lotes na Bacia em leilão realizado em 2007, durante a 9ª rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP), e, após isso, contrataram as terceirizadas para realizar as atividades de levantamento sismológico seguido das perfurações dos poços, realizadas a partir de 2009. Apesar da movimentação econômica causada na região com a chegada das empresas e que encheu de expectativas os sertanejos, os resultados obtidos não foram satisfatórios e as empresas se retiraram da região, deixando dívidas com comerciantes, prefeituras e proprietários rurais.

A Univen e Ral Engenharia, que atuam em sociedade, e a Cowan Petróleo e Gás ainda estão no processo de descoberta do petróleo. As companhias pediram à ANP prorrogação do prazo que se encerrará em 12 de março para continuar realizando as etapas exploratórias. A Cowan informou que deverá voltar à região para concluir os trabalhos.

Univen vai perfurar seis poços em 3 municípios
A Univen disse que os resultados obtidos durante o levantamento sismológico realizado ano passado foi satisfatório e que tem a licença ambiental para a perfuração de seis poços nos seis lotes que possui nos municípios de Santa Helena, Triunfo e São João do Rio do Peixe.

A empresa disse que os trabalhos só não começaram ainda porque a petrolífera está realizando o processo de licitação para definir a empresa que fará a perfuração.

Atualmente, nenhuma empresa está atuando na Bacia do Rio do Peixe. A última a deixar a região foi a UTC Engenharia, após perfurar um poço no mês de novembro do ano passado, na comunidade de Tabuleiro de Cima, na zona rural de Santa Helena. Após a constatação de que não foi possível encontrar petróleo no poço perfurado, a companhia devolveu o bloco RIOP-T-20 BT-RIOP-3 à ANP, no começo de dezembro do ano passado.

A Petrobras já havia devolvido seus lotes a ANP no mês de março de 2011. As demais empresas ainda não devolveram porque não cumpriram com o Programa Exploratório Mínimo (PEM), que envolve os estudos sísmicos do solo e perfuração de poços dentro do prazo de quatro anos dado pela ANP.

Com a retirada das empresas, a frustração foi maior nas cidades de Santa Helena, Triunfo e São João do Rio do Peixe, que englobam os lotes adquiridos pelas empresas. Em Santa Helena e Triunfo, a empresa Brain Tecnologia, contratada pela UTC, não pagou o Imposto Sobre Serviços (ISS) e pediu concordata, alegando dificuldades financeiras.

ANDL Geofísico atrasa ISS
A empresa ANDL Geofísico, contratada pela Univen Petróleo, atrasou o pagamento do ISS nas cidades de Santa Helena, Triunfo e São João do Rio do Peixe, e as prefeituras fizeram acordos com parcelamentos. A empresa também é acusada pelos moradores da região de não ter pagado o valor da indenização das terras onde foram feitas as pesquisas sísmicas.

Em São João do Rio do Peixe, os mais prejudicados foram os comerciantes que forneceram alimentos e outros produtos às empresas. Frigoríficos, supermercados, quitandas, restaurantes e até o posto de combustível sofreram com os atrasados nos pagamentos e até calotes. Em alguns casos, para receber os pagamentos os comerciantes tiveram que recorrer a acordos com as empresas endividadas.

Além dos prejuízos provocados pelos atrasos nos pagamentos, comerciantes da região ainda reclamam por conta dos investimentos feitos na época em que as empresas estavam nas cidades. Eles acreditaram no desenvolvimento que seria trazido pela exploração do petróleo e aproveitaram para expandir os estabelecimentos para atender a demanda de clientes.

Comerciantes visualizam crise
A desistência da Petrobras na exploração de  petróleo na Bacia do Rio do Peixe, em 2011, frustrou as expectativas de todos que haviam apostado no "ouro negro". Alguns tiveram que contrair empréstimos que ultrapassam R$ 50 mil para quitar dívida deixadas pelas terceirizadas e os comerciantes já visualizam uma crise financeira.

Nas cidades onde as pesquisas foram realizadas, principalmente em Santa Helena, Triunfo e São João do Rio do Peixe, as empresas petrolíferas haviam investido mais de R$ 50 milhões, mas algumas de suas contratadas deixaram de efetivar os pagamentos dos custeios.

Com o resultado negativo, a Petrobras que já tinha investido mais de R$ 23 milhões, desistiu da exploração, e depois dela, outras empresas que estavam explorando na região, também deixaram as cidades.

De acordo com o chefe de gabinete da prefeitura de Triunfo, Ananias Gonçalves, após sonegar impostos, a empresa Brain Tecnologia se retirou da cidade e, para não ficar no prejuízo, a prefeitura fez um acordo com a contratante UTC, que perfurou os últimos poços na bacia. O valor do montante de impostos atrasados era de R$ 122 mil e após mais de um ano de atraso, a prefeitura fez um acordo e dividiu a quantia em sete parcelas.

“Somente assim foi possível receber o valor. Foram pagas as parcelas pela UTC, mas a Brain nunca compareceu à cidade para quitar um centavo. O atraso acabou nos prejudicando porque a prefeitura já contava com o dinheiro para fazer o pavimento de algumas ruas”, disse Ananias.

Empresa não honra parcelamento
Já com a ANDL Geofísico, contratada da Univen e Ral Engenharia, a prefeitura também buscou um acordo como meio de quitar os impostos. O valor de R$ 200 mil foi dividido em sete parcelas que deveriam ser concluídas até o mês que vem. Porém, quatro delas ainda estão atrasadas e a prefeitura ainda espera para receber R$ 88 mil.

"Vamos entrar em contato novamente para ver se pagam o que falta, porque precisamos também fazer serviços na cidade e contamos com esses pagamentos de impostos", declarou Ananias. Durante todos os trabalhos realizados nos lotes localizados na área de Triunfo, foram recolhidos até agora mais de R$ 230 mil.

Mesmo com todas as dificuldades, os sertanejos ainda acreditam que o petróleo possa jorrar em quantidade e qualidade e, por isso, vão continuar fazendo investimentos, já que as empresas não descartam a possibilidade de descobertas comerciais e anunciam voltar à região. A ANP informou que ainda não sabe se a Bacia do Rio do Peixe deverá entrar para próxima Rodada de Licitações e que aguarda a autorização da presidenta Dilma Rousseff, para realizar os leilões de novos lotes.

"Acreditamos que existe sim e estaremos confiantes até o fim. Se as empresas vieram é porque deve existir alguma coisa e esperamos que o petróleo traga mais desenvolvimento para região", comentou Ananias Gonçalves.

Em Santa Helena a situação se repete. A prefeitura deixou de receber impostos da Brain Tecnologia. Segundo o diretor de tributação do município, Edvanilson Vitoriano, todo o valor arrecadado desde 2009 a 2011 foi R$ 707,1 mil, pagos pelas empresas Geotecniks, contratada da Petrobras, e pela ANDL Geofísico da Univen. "Mas sofremos sonegações de outras empresas, como a Brain, que sonegou e deixou dívidas com muita gente na região, e como a Ortografic Engenharia, que sequer procurou a prefeitura para fazer um documento", explicou o diretor.

"Boom" econômico foi passageiro
Durante a estadia das empresas na região da Bacia do Rio do Peixe, a cidade de São João do Rio do Peixe experimentou um crescimento econômico de pelo menos 50%, sobretudo nos setores de gêneros alimentícios, construção civil e de imobiliários. De ISS a prefeitura arrecadou um montante de R$ 200 mil pagos pela empresa ANDL entre os meses de novembro de 2010 e fevereiro de 2011, conforme o diretor de tributos Mario Gaudêncio.

Na cidade, os alugueis de estabelecimentos aumentaram quase que 200% e o 'boom' atraiu investidores. No entanto, com a saída das empresas e as dívidas deixadas, o resultado atual é de retrocesso. Os comerciantes e empresários que fizeram investimentos na época para atender as necessidades de centenas de pessoas que vieram trabalhar na região foram prejudicados com os atrasos dos pagamentos e depois com a retirada das empresas.

O empresário Normando Nóbrega, dono de um posto de combustíveis, em São João do Rio do Peixe, disse que, mesmo com o pouco tempo de estadia das empresas na cidade, foi possível aproveitar para fazer investimentos. “Quase todas as empresas que estiveram na região, abasteciam no posto e uma delas se retirou deixando dívidas”.

No período de grande movimentação era possível arrecadar mais de R$ 100 mil em vendas de combustíveis, um aumento de 50%. "Uma ficou me devendo e as outras pagaram, embora, às vezes, atrasassem. Posso dizer que o impacto da saída das empresas têm sido muito forte, mas é possível que tudo volte a ser próspero, pois as empresas poderão voltar depois", alegou.

Para o comerciante Everaldo Ferreira, proprietário do supermercado onde as empresas faziam compras, a saída delas de São João do Rio do Peixe foi pior que os atrasados nos pagamentos quando ainda estavam na cidade. "Atrasavam meses, mas com acordos pagavam. Cheguei a receber até R$ 150 mil de uma vez. Havia empresas que eram bastante corretas com os pagamentos e procuravam não atrasar. Mas, sem as empresas posso afirmar que o comércio caiu mais de 50%", calculou o comerciante.

O mesmo sentimento de frustração vive os comerciantes Helton de Andrade, dono de um frigorífico que fornecia carnes para as empresas e Francisco Vidal, que fornecia frutas e legumes. Eles apontam que mesmo com os atrasos e até calotes, as empresas ainda foram muito importantes para o desenvolvimento do comércio durante os meses em que se instalaram na região.

"Vendemos 50% a mais do que era comum. Hoje tivemos uma queda grande. Mas ainda temos esperanças de que o petróleo jorre na região e que atraia muito mais investimentos", destacou Vidal.

Proprietários de terras não foram indenizados
Além dos comerciantes, as reclamações também se estendem aos proprietários de terras. Eles alegam que as empresas não realizaram o pagamento do valor da indenização pelo uso da propriedade. As reclamações recaem, em maioria, sobre a empresa ANDL, que fez as prospecções a serviço da Univen Petróleo, entre os meses de novembro de 2010 e março de 2011.

Na comunidade de Várzea da Ema, nenhum agricultor afirma ter recebido a indenização. Eles denunciam que tiveram que assinar um documento onde estava contido o valor que seria pago, mas que depois a empresa se retirou e não efetuou o pagamento. "Eu assinei um documento autorizando eles a entrarem na minha terra e que, para isso, iria receber R$ 800, mas até hoje espero e nada. Todos os meus vizinhos daqui também passaram pelo mesmo constrangimento", contou a agricultora Josefa Maria Sousa.

UTC não encontrou o que procurava
O último poço perfurado foi o de um lote da UTC Engenharia, no sítio Tabuleiro Grande, zona rural de Santa Helena, em novembro de 2011. Após a perfuração a empresa deixou a região, por não ter encontrado o material que esperava. A petrolífera já havia perfurado um poço na região. A primeira perfuração aconteceu na comunidade de Jerimum, em Triunfo.

"Eu fiquei tão feliz quando vi as máquinas aqui, todo mundo trabalhando e eu imaginando quanto iria ser bom ter petróleo em minha terra, mas de repente foi todo mundo embora dizendo que não tinha o que eles esperavam", disse o agricultor proprietário da terra onde foi perfurado o poço, José Alcebíades, de 83 anos.

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