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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Bares serão retirados da orla de Cabedelo

Mais de 30 estabelecimentos, que ocupam irregularmente uma faixa de areia, serão retiradas da orla a partir do dia 10 de março.





Rizemberg Felipe
Áreas onde a ocupação irregular é mais acentuada são as praias do Poço e Ponta do Mato
Mais de 30 estabelecimentos comerciais instalados irregularmente em toda a orla do município de Cabedelo, Região Metropolitana de João Pessoa, serão retirados a partir do dia 10 de março, por uma força-tarefa que contará com fiscais do Ministério Público da Paraíba, Prefeitura de Cabedelo e Patrimônio da União na Paraíba.

Apesar de já confirmado que o total de bares e trailers que ocupam irregularmente a faixa de areia ultrapassa o número de 30, fiscais da Secretaria de Meio Ambiente e da Vigilância Sanitária de Cabedelo darão início a partir da manhã do dia 3 de fevereiro a um levantamento oficial, através de ações de conscientização e solicitação de retirada desses comerciantes dos locais.

“Até o final do Carnaval, ou seja, até 10 de março, iremos realizar no local os trabalhos de conscientização para que a desocupação ocorra de maneira pacífica, sem a necessidade da persecução criminal. Isso porque sabemos que nenhum desses estabelecimentos possui as licenças necessárias para atuação em área da União e de preservação ambiental”, explicou o secretário de Meio Ambiente de Cabedelo, Walber Farias.

Já o promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Urbanismo de Cabedelo, Valério Bronzeado, afirma que o que acontece na cidade é um processo de 'favelização' da orla por isso a necessidade imediata de identificação dos proprietários dos estabelecimentos e a retirada deles.

“Após o trabalho educacional desenvolvido pela prefeitura, o Ministério Público da Paraíba entrará em ação com a proposta de ações de execução junto à Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) para autuação, apreensão, aplicação de multas que superam o valor individual de R$ 10 mil, e prisão em flagrante por conta não apenas da ocupação irregular, mas pelos crimes ambientais por eles cometidos, uma vez que poluem de forma acentuada as praias e maceiós e pela desobediência à ordem de retirada”, afirmou.

Ainda de acordo com Valério Bronzeado, as áreas onde a ocupação irregular é mais acentuada são as praias do Poço e Ponta do Mato, próximo à Fortaleza de Santa Catarina. Além disso, dois estabelecimentos comerciais já possuem sentença transitada e julgada determinando a demolição no dia 25 de março, sem que para isso tenham sido construídas as novas instalações, prometidas pela prefeitura aos comerciantes.

“Ações como essa têm o objetivo primordial de cumprir sua missão institucional, garantindo que as áreas públicas se destinem ao aproveitamento coletivo. Deste modo, o Ministério Público da Paraíba também assegura que as praias se tornem efetivamente um local de acesso livre, franco e igualitário”, concluiu o promotor.

POPULAÇÃO CONTRA A DEMOLIÇÃO
A decisão de demolição dos estabelecimentos comerciais da orla de Cabedelo foi tomada após reunião entre os órgãos, na última segunda-feira, e causou revolta de comerciantes, turistas e moradores dos locais onde bares e trailers estão instalados.

A aposentada Maria das Dores dos Santos, esposa do proprietário de um dos bares que serão retirados da orla, contou que está instalada como ponto de apoio a barqueiros e turistas que visitam Areia Vermelha há 32 anos e que o IPTU é pago anualmente. Ainda assim, a decisão judicial estabeleceu a derrubada do local, sem data para início das obras do novo local onde serão instalados.

“Existe algo de muito errado nesta área que ocupo, porque a Prefeitura de Cabedelo me cobra IPTU todo ano, informando que a área é minha e que se eu estou usando, tenho que pagar.

Aí vem o Patrimônio da União alegando que a área é dela e que não posso comercializar aqui até que esteja pronto o Projeto Orla, que ninguém nunca nem viu. Com isso, teremos nosso bar, que emprega mais de 30 pessoas derrubado no dia 25 de março, sem ter o que fazer ou para onde ir. Acho que o Ministério Público deveria intervir para que pudéssemos ficar aqui até que fosse construído o novo local”, afirmou Maria das Dores.

A mesma queixa é de Antônio José Santos Cardoso, 41 anos, que em 2011 viu seu bar ser derrubado pela prefeitura e que, para garantir o sustento de sua família comprou um trailer e trabalha em uma travessa no Poço, mas que também será proibido de comercializar no local a partir de 10 de março.

“Isso é um absurdo. Quando derrubaram meu bar não me indenizaram, e não levaram à frente o projeto de reordenamento da orla, com a definição dos locais e de como deveria ser a estrutura dos quiosques. Com isso, improvisei e continuei trabalhando aqui, oferecendo serviço de qualidade aos turistas e garantindo o sustento da minha família. Nos tirar definitivamente daqui sem nos dar uma opção é condenar os comerciantes e seus funcionários, que geram renda e mantém a cidade funcionando”, disse o comerciante.

O funcionário público Marcos Costa, 56 anos, reside em Campina Grande, mas anualmente passa o verão em Cabedelo e se mostrou preocupado. “Acho isso uma irresponsabilidade. Vão fazer com Cabedelo o mesmo que fizeram com o Bessa, ou seja, torná-la uma praia deserta, sem estrutura, sem termos onde comer ou uma sombra para descansar e aproveitar o mar”, disse.

O economiário Ivan Augusto dos Santos Reis, 51 anos, que reside com a família no Poço, na rua onde está o trailer de Antônio Cardoso, afirmou ser contra a decisão de derrubada do local. “Essas pessoas trabalham aqui há muitos anos e possuem funcionários. Sou favorável à elaboração de um projeto de adequação da orla, com a fixação deles em quiosques padronizados e antes de retirá-los”, afirmou.
 

terça-feira, 16 de julho de 2013

SPU: 500 notificações na capital

Superintendência fiscaliza ocupação irregular nas praias paraibanas; aluguel de guarda-sóis e cadeiras têm sido motivo de preocupação.
 



Rizemberg Felipe
Aluguel de guarda-sóis e cadeiras nas areias das praias urbanas da capital, recentemente, chamou a atenção da SPU
 
Construções e uso irregular na área da União são fiscalizadas constantemente pela Superintendência do Patrimônio da União no Estado da Paraíba (SPU-PB), que somente neste ano já renderam mais de 500 notificações em João Pessoa.

Segundo a superintendência do órgão, a praia de Camboinha possui o maior número de ocupações irregulares, mas o aluguel de guarda-sóis e cadeiras nas praias de Cabo Branco e Tambaú têm sido motivo de preocupação e causado fiscalizações mais efetivas durante este mês. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) de João Pessoa informou que irá se reunir com a SPU para que cheguem a um consenso com relação à atividade de aluguel de cadeiras e guarda-sóis nas praias urbanas da capital.
 
De acordo com a superintendente da SPU-PB, Daniella Bandeira, a maior concentração de ocupações irregulares, em João Pessoa, ocorrem na praia, onde as pessoas ocupam indevidamente a área de marinha ou as áreas de uso comum da população. “A SPU vem fiscalizando essas ocupações e aplicando as sanções necessárias, tentando um reordenamento.
 
Além disso, atuamos dentro de um processo educativo que leva os ocupantes a entenderem que a ocupação dos seus imóveis é maior do que as áreas que realmente lhes pertencem e isso é crime e causa danos a toda a sociedade”, disse.
 
No entanto, apesar dessa situação ser a mais corriqueira, Daniella Bandeira disse que o aluguel de guarda-sóis e cadeiras nas areias das praias urbanas da capital, recentemente, chamou a atenção da SPU, que iniciou uma fiscalização mais específica.
 
“Neste mês iniciamos uma fiscalização mais efetiva nas áreas de areia que estão sendo irregularmente ocupadas por academias de ginástica (particulares) e por comerciantes que locam cadeiras e guarda-sóis nas praias de Cabo Branco e Tambaú para exploração econômica da área da união sem a autorização da mesma, por parte da SPU”, destacou.
 
A superintendente disse ainda que as atividades realizadas na areia das praias ainda não foram discutidas no Projeto Orla, que prevê o ordenamento e ocupação da faixa litorânea, podendo gerar a remoção dos equipamentos, aplicação de multas e demais sanções. “Se as atividades não foram discutidas no projeto, consequentemente não têm autorização da SPU e serão coibidas. Pretendemos criar juntamente com o município o zoneamento da área de areia que permita a ocupação de forma ordenada”, afirmou.
 
Conforme o chefe do Núcleo de Áreas Públicas da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) de João Pessoa, Luciano Medeiros, o setor já tomou conhecimento das fiscalizações da SPU nas praias da capital e informou que irá se reunir com o órgão para chegar a um consenso sobre a atividade de aluguel de cadeiras e guarda-sóis, que até então possui autorização da Sedurb para ser exercida. Já sobre as academias de ginástica, Luciano Medeiros disse que estas não possuem autorização para ocupar o local.
 
A comerciante Marinês da Silva, 42 anos, é cadastrada na Sedurb e trabalha há quatro anos na praia de Cabo Branco, alugando cadeiras e guarda-sóis, que é a única fonte de renda da família.
 
Ela disse que espera que a situação seja resolvida para que não fique sem trabalhar. “É daqui que tiramos nossa renda, eu e meu marido. Então, espero que a gente não seja penalizado.
 
Sabemos que estamos na área da União, mas somos cadastrados e trabalhamos dentro dos padrões exigidos pela prefeitura. Espero que entrem em acordo e que a gente possa continuar ganhando nosso dinheirinho”, declarou.
 
De acordo com Daniella Bandeira, não há um limite pré-definido para construções na praia, mas que há uma linha imaginária, traçada pelo Patrimônio da União que delimita as áreas.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Imóveis continuam irregulares

Invadindo territórios pertencentes à União, cerca de 290 imóveis estão irregulares na faixa litorânea da Praia de Camboinha. 





Fotos: Francisco França
Moradores que caminham pela área dizem que o avanço das construções tem causado transtornos e destruição


Em uma curta caminhada pela Praia de Camboinha, em Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, é possível perceber o avanço das construções à beira-mar. Imóveis invadem o território pertencente à União, deixando na praia apenas uma pequena faixa de areia para que os banhistas possam caminhar. A estimativa da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) é que 290 imóveis estariam em situação irregular na faixa litorânea.
 
As muretas para contenção do avanço do mar se misturam às rampas de acesso à praia, dando aos imóveis ares de área particular, em um local de uso público, o que prejudica a passagem de pessoas principalmente durante a maré cheia. Através da assessoria de imprensa, a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) informou que já foi iniciado um processo de regularização da área, que deve se estender por toda a orla.
Há três anos o comerciante Hércules Lúcio mantém um restaurante localizado à beira-mar da praia de Camboinha. A área alugada passou por intervenções que se estendem até a faixa de areia, onde os clientes podem ter acesso ao mar através de uma rampa. Apesar da irregularidade, o comerciante afirma que o estabelecimento ocupa as mesmas dimensões territoriais que as residências existentes no local.
“Já foi determinado o recuo de algumas áreas, inclusive na praia do Poço, de onde fui obrigado a sair. Aqui há casas de autoridades que também invadem a área da União e ninguém faz nada, espero que essa regularização também não me afete”, afirmou Hércules Lúcio, ressaltando que anualmente paga uma taxa de R$ 800 à União, porém a quantia não garante que sejam realizados avanços na construção.
Quem caminha todos os dias pela praia afirma que o avanço das construções tem causado transtornos e destruição do local e reclamam ainda do descaso dos proprietários e omissão dos poderes públicos. Muitas edificações não foram submetidas ao processo de regularização da SPU em virtude dos proprietários terem conseguido liminar na Justiça para que as edificações permaneçam no local.
 
De acordo com o secretário de Planejamento do Uso e Ocupação do Solo de Cabedelo, Adalberto Otávio, todos os imóveis da praia de Camboinha estão escriturados de acordo com a área em que foram edificados, entretanto um equívoco durante a escrituração provocou enganos na interpretação do documento.
 
“A regularização de todas essas construções antigas está tramitando no âmbito judicial, sob domínio da União. Quando foi feita a escritura, houve enganos, até da SPU, seria uma parte própria destas pessoas e uma outra da União, o que acabou gerando alguns erros. A União está mandando corrigir estes erros em cartório”, explicou o secretário. De acordo com Adalberto Otávio, é considerada irregular toda nova construção realizada na área da SPU, e a Prefeitura de Cabedelo tem reforçado as fiscalizações para coibir a prática.