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sábado, 29 de abril de 2017

Esgoto continua poluindo as praias de Manaíra e Penha e trechos de outras quatro na Capital

De acordo com a Superintendência de Administração do Meio Ambiente trechos de outras praias do litoral paraibano também estão impróprios ao banho

Por Da Redação




Poluição de esgoto podem provocar doenças de pele, alertam especialistas (Foto: Walla Santos)


Esgoto volta a poluir as Praias de Manaíra e da Penha. O alerta é da Sudema (Superintendência de Administração do Meio Ambiente) que monitora semanalmente 56 praias do litoral paraibano, e recomenda que banhistas evitem o banho de  mar em toda a extensão.
 
De acordo com o órgão, os banhistas devem evitar do Bessa I, o trecho 100 metros à direita e 100 metros à esquerda do maceió. Na praia de Tambaú, a Sudema recomenda não tomar banho no trecho que fica 100 metros à esquerda e a direita da desembocadura da galeria pluvial, enquanto na praia do Arraial, está impróprio o trecho 100 metros à direita e à esquerda da desembocadura do Cuiá. Já na praia de Jacarepé, deve-se evitar o banho nas proximidades da desembocadura do Rio Jacarapé.
 
No Município de Pitimbu, a praia do Maceió está imprópria para o banho no trecho que fica 100 metros à direita e à esquerda da desembocadura do Riacho Engenho Velho. Na praia de Acaú/Pontinha, é recomendado evitar o banho no Rio Goiana. Na praia de Pitimbu, é bom evitar o trecho que fica nas proximidades do final da Rua da Paz. Nas praias do Azul/Santa Rita e de Coqueiros, a Sudema classificou como impróprias os locais que ficam nas proximidades das desembocaduras das galerias de águas pluviais.
 
A autarquia ainda recomenda aos banhistas que evitem os trechos de praias localizados em áreas frontais a desembocaduras de galerias de águas pluviais, principalmente se houver indício de escoamento recente.
 
Nas demais 45 praias, segundo a Sudema, a qualidade da água varia entre excelente, muito boa e satisfatória.
 


segunda-feira, 6 de março de 2017

TCE notifica Prefeitura de JP para esclarecer despejo de esgoto clandestino nas praias da Capital

O conselheiro Nominando Diniz disse que notificou a Prefeitura de João Pessoa (PMJP) a comparecer, amanhã, para passar a questão a limpo e para que se chegue à solução para o problema 




Esgoto na praia de Manaíra (Foto: Divulgação)

 
O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) convocou a Prefeitura de João Pessoa (PMJP) para prestar esclarecimentos, nesta terça-feira (7), sobre o esgoto que vem sendo lançado de forma clandestina na orla marítima de João Pessoa, poluindo principalmente as Praias de Tambaú, Manaíra, Cabo Branco e Bessa. O conselheiro Nominando Diniz disse que notificou a Prefeitura de João Pessoa (PMJP) a comparecer, amanhã, para passar a questão a limpo e para que se chegue à solução para o problema. 
 
Na sua defesa junto ao TCE, a prefeitura tem responsabilizado a Companhia de Águas e Esgoto do Estado (Cagepa) pelo despejo de esgoto na orla, mas a Cagepa afirma que a competência para fiscalizar a irregularidade é da prefeitura, por se tratar da rede de galerias pluviais. 
 
A reunião no TCE nesta terça-feira (7) será presidida pelo presidente do TCE, conselheiro André Carlo Torres. A medida foi acertada entre os conselheiros Nominando Diniz, que é relator das contas de 2017 da PMJP, e o conselheiro Marcos Costa, relator das contas da Cagepa. Ambos os relatores estarão presentes nessa reunião.
 
 
TCE
Conselheiro Nominando Diniz é relator das contas de 2017 da PMJP


Os esgotos estão sendo lançados principalmente em três pontos do trecho entre Bessa e Cabo Branco, segundo explicou o conselheiro Nominando. O primeiro despejo ocorre em frente ao Bar do Cuscuz, em Cabo Branco; outro em frente ao Hotel Verde Green, entre Tambaú e Manaíra; e ainda no Bessa. Nominando ressaltou que o problema tem trazido prejuízos ambientais e à saúde pública, com a poluição das praias pessoenses.
 
Em entrevista à RPN, o engenheiro José Mota Victor, diretor de Operação e Manutenção da Cagepa, lamentou a tentativa da Prefeitura de João Pessoa de transferir para o órgão estadual a culpa pelos problemas apontados pelo TCE-PB em duas galerias pluviais localizadas nas praias de Manaíra e Cabo Branco. Esse trabalho de fiscalização nas galerias pluviais cabe à prefeitura. À Cagepa cabe o monitoramento da rede de esgotamento sanitário.
 
 
Trecho de Cabo Branco, em frente ao Bar do Cuscuz


"A Cagepa cuida da rede de esgotos e a prefeitura da rede de galerias pluviais. Os problemas citados pelo Tribunal de Contas são em galerias pluviais, portanto, de competência da prefeitura”, esclareceu o diretor da Cagepa.
 
José Mota acredita que as galerias pluviais da prefeitura devem estar recebendo esgotos por meio de ligações irregulares. 
 
Na reunião, que será na presidência, o TCE deverá definir as medidas que serão tomadas para solucionar o problema. "Nós agendamos com o presidente André, amanhã, às 14h, uma reunião para a gente passar a limpo. E dependendo da reunião, nós abriremos um processo específico. Por enquanto não existe processo", explicou o conselheiro Nominando Diniz.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

MPF/PB promove reunião para apurar poluição em praias de João Pessoa

23 de dezembro de 2016 às 9h55

Será formado GT entre Cagepa, Semam, Sudema e Seinfra para mapear causas de alteração de balneabilidade


O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF/PB) promoveu reunião com o chefe da Divisão de Fiscalização da Secretaria do Meio Ambiente de João Pessoa (Semam), Allison Cavalcanti de Araújo, e o presidente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Marcus Vinícius Fernandes Neves, para tratar da poluição lançada no mar em praias de João Pessoa, a ponto de se afetar a balneabilidade de trechos do Bessa, além de Manaíra, Tambaú e Cabo Branco.

A Semam havia informado ao MPF que promovera diversas autuações por infrações ambientais decorrentes de lançamentos de efluentes pela rede de saneamento da Cagepa. No entanto, o presidente da Companhia sustentou que se trataria de ocorrências comuns em qualquer rede com as dimensões daquela, sendo que estava adotando providências imediatas para a correção de todas as falhas detectadas. Acrescentou ainda que as ligações clandestinas feitas pela própria população são um fator poluente a ser considerado.

Conforme foi decidido no encontro, a Cagepa terá de informar em 30 dias um planejamento de ações para corrigir pontos de ligação clandestina de esgoto nas praias. Em 60 dias, a companhia terá de fornecer relatório de ações efetivadas. O prazo começou a contar do dia 7 de dezembro, quando foi realizada a reunião.

GT - Será formado um grupo de trabalho entre Cagepa, Semam, Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e a Secretaria Municipal de Infraestrutura de João Pessoa (Seinfra), para mapeamento dos pontos que possam ser associados a alterações frequentes de balneabilidade que causem poluição marítima, por meio da sobreposição de mapas com a localização da rede de drenagem, da rede de esgoto e da rede hidrográfica. A Cagepa ficará responsável por monitorar a eficácia de todas as medidas no tocante à balneabilidade.

O Ministério Público Federal acompanhará os trabalhos do grupo buscando parceria com o Ministério Público Estadual.

Investigações - As apurações se desenvolvem no âmbito de dois inquéritos civis públicos instaurados pelo MPF a partir de notícia de poluição marítima no litoral da grande João Pessoa, notadamente nas imediações da praia de Manaíra e do Bessa. Além disso, tramita na Justiça Estadual a Ação Civil Pública nº 00413465-55.2013.815.200, ajuizada pelo Ministério Público Estadual, em que se aponta o subdimensionamento da rede de esgotos em João Pessoa, sob responsabilidade da Cagepa, causador de transbordamentos de efluentes in natura para os rios da capital.

Segundo o procurador da República José Guilherme Ferraz, um dos problemas recorrentes da rede de esgotamento mantida pela Cagepa seria a ausência de bombas reservas nas estações elevatórias, de modo que, havendo pane na bomba em funcionamento, decorreria o lançamento dos referidos efluentes em cursos d’água. Outros problemas determinantes de risco de poluição detectados pelo Ministério Público são decorrentes de diversos fatores, tais como: entupimento de rede, ligações clandestinas, resíduo sólido coletado na rede e furto de equipamentos da Cagepa.

Tramita ainda na Polícia Federal o Inquérito nº 0117/2014, que visa a apurar eventuais responsabilidades da referida empresa e de outros causadores de poluição marítima. Nesse inquérito, o Ministério Público requisitou que peritos federais acompanhassem diligências do GT, inclusive coletando amostras dos poços de visita da rede da Cagepa nos bairros de Castelo Branco, Manaíra, Miramar, Tambaú e Cabo Branco para detectar possível lançamento de esgoto in natura naqueles pontos, além de averiguar o funcionamento das estações elevatórias mantidas pela empresa de acordo com as pertinentes normas técnicas de funcionamento.

Inquérito Civil nº. 1.24.000.000072/2009-14
Inquérito Civil nº. 1.24.000.000158/2012-34

Fonte

 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Poluição em leito de rio que abastece açude na PB preocupa população

21/01/2015 18h09 - Atualizado em 21/01/2015 18h09 

Quando chove, restos de animais de matadouro são levados até o riacho.
Lixão do município fica próximo ao Riacho do Gravatá.
 
Do G1 PB


Em São Domingos do Cariri, na Paraíba, a 223 quilômetros de João Pessoa, uma situação tem assustado alguns moradores da cidade: resíduos poluentes são despejados no Riacho do Gravatá, que deságua no leito do Rio Paraíba e, consequentemente, desemboca no Açude Epitácio Pessoa, conhecido como Boqueirão, que abastece várias cidades do Agreste paraibano.

Segundo moradores, um dos problemas da cidade está nos matadouro de animais. Restos dos animais são jogados em um terreno irregular atrás do prédio do Matadouro municipal, que fica a menos de 50 metros do leito do Riacho do Gravatá. Quando chove, os restos de animais são levados até o riacho.

O líquido poluente usado no matadouro é despejado no esgoto comum que fica a céu aberto. O agricultor Adalberto Pereira, que mora ao lado do Matadouro, relata os problemas sofridos por ele. "Tem dias que eu não consegue ficar dentro de casa. Quando o esgoto enche, sinto tudo dentro de casa", contou.
 
Outro problema de São Domingos do Cariri é o lixão do município, que fica próximo ao Riacho do Gravatá. Todos os resíduos sólidos da cidade são despejados no local. O catador de lixo José Alves, que trabalha no loca, conta que já encontrou de tudo no lixão: de cabeças de gado a lixo hospitalar. Ele também se preocupa para onde vai esse lixo. "No fim das contas para na gente, que é quem consome", afirmou.
 
Além do lixão, outro problema apontado pelos moradores é o esgoto. Os dejetos são despejados em valões, que depois desaguam no Gravatá. Para Givanildo Marcones, morador de São Domingos, a água do riacho não serve nem para os animais. "Nós usamos a água do Gravatá para os animais beberem, mas não dá mais para eles beberem. Muito menos para o consumo humano", relatou.
 
O Plano Municipal de Resíduos de São Domingos do Cariri foi aprovado em 2013, mas até agora não foi executado. O prefeito do município, José Ferreira, minimiza falando que tem até 2016 para colocar o projeto em prática. "O Ministério Público nos deu até o ano que vem. Também já estamos em fase de licitação. Mas nós somos de uma cidade que tudo é mais difícil", explicou.
 
O próprio prefeito confirma que todos esses problemas odem afetar o projeto de transposição do Rio São Francisco, que vai passar pela região, mas ele garante que o projeto já foi preparado e agora espera a orientação de uma equipe da transposição.


quinta-feira, 20 de março de 2014

Falta saneamento básico na PB

Estudo aponta que 12.517 pessoas foram internadas por problemas de saúde relacionados à falta de saneamento básico na PB.





Rizemberg Felipe
Segundo a pesquisa do Trata Brasil 48.149 são desprovidos de esgotamento sanitário
 
A falta de investimento em saneamento básico na Paraíba causou internações hospitalares desnecessárias, interferiu no desempenho escolar e ainda gerou prejuízos à economia e ao turismo. Foi o que apontou a pesquisa 'Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Básico', divulgada ontem pelo Instituto Trata Brasil, uma organização não governamental que atua na área sanitária.
 

De acordo com o estudo, na Paraíba, no ano passado, 12.517 pessoas foram internadas após apresentarem problemas de saúde relacionados à falta de saneamento básico. Deste total de procedimentos, 2.518 poderiam ter sido evitados, caso o Estado tivesse melhores condições de infraestrutura sanitária.

O motivo é que o Estado ainda oferece com deficiência serviços considerados essenciais para a população. Segundo a pesquisa do Trata Brasil, 383.067 domicílios paraibanos não têm acesso à água tratada, enquanto que outros 948.149 são desprovidos de esgotamento sanitário. Além de causar internações hospitalares, a ausência do saneamento também provocou prejuízos à economia. Os pesquisadores explicaram que a falta de tratamento da água e do esgoto eleva principalmente o número de casos de diarreia entre a população.

Em média, cada trabalhador se afasta do trabalho por até três dias a cada vez que é acometido pela doença. Em 2012, só na Paraíba, foram contabilizadas 17.163 faltas ao trabalho por até duas semanas, em virtude de complicações médicas associadas ao saneamento. Os pesquisadores estimam que, em 4.311 casos, as faltas ao emprego poderiam ter sido evitadas, caso não existissem os problemas urbanos.

Os diagnósticos de diarreia ainda levaram a Paraíba a perder 2.391.852 horas de trabalho em 2012. Como consequência, houve um custo anual de R$ 13,99 milhões em apenas um ano.

Outra consequência da falta de investimentos na água e no esgoto atinge diretamente a educação. De acordo com a pesquisa, os estudantes da Paraíba apresentaram no ano passado uma média de 4,8 anos de atraso na escolaridade. É o 7º menor do Nordeste, atrás de Rio Grande do Norte (5,29), Alagoas (5,13), Pernambuco (5,02), Piauí (5,01), Bahia (4,95), Sergipe (4,83). Apenas Maranhão (4,79) e Ceará (4,00) apresentaram atraso escolar menor que o encontrado na Paraíba.

O estudo também mostrou como a falta de saneamento básico afeta a geração de empregos. De acordo com a pesquisa, em 2013, a Paraíba contabilizou 13.970 postos de trabalho ligados ao turismo. No entanto, se houvesse maior investimento no tratamento da água e do esgoto, outras 17.300 ocupações também poderiam ter sido criadas no ano passado. Com isso, seriam gerados cerca de R$ 145,79 milhões em renda.

Para o engenheiro sanitário e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária Ambiental /seção Paraíba, Edmilson Fonseca, os dados são considerados preocupantes. Com 40 anos de atuação na área, ele observa que a falta de investimentos em água e em esgoto gera problemas em cadeia.

“Sem o tratamento adequado, esgoto corre a céu aberto e contamina as pessoas que, por sua vez, adoecem, faltam ao trabalho e vão ao serviço médico. Com isso, causam prejuízos ao trabalho e também ao serviço de saúde”, afirmou.

O especialista ainda acrescenta que, mesmo com esses danos, o saneamento básico ainda não é prioridade, por conta de uma questão cultural. “Essa situação tem melhorado muito nos últimos anos na Paraíba, mas ainda precisa mudar muito. As pessoas têm aquela ideia de que obras públicas são apenas de responsabilidade do governo. Por isso, o particular não quer investir e nem colaborar. Falta de consciência, porque poderia ocorrer, sim, uma parceria. Mas isso não acontece”, diz.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Em um ano, 113 estabelecimentos são notificados e 19 multados por esgoto em praias de JP

Ministério Público acionou a Cagepa e a Prefeitura de João Pessoa, que, por sua vez, responsabilizou a Companhia pelo problema

Cidades | Em 12/03/2014 às 12h16, atualizado em 12/03/2014 às 12h49 | Por Redação

   Reprodução/Youtube


Esgoto escorre para o mar
Esgoto escorre para o mar
Em 2013, 113 estabelecimentos comerciais, entre hotéis, padarias, restaurantes e até mesmo a própria Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa) foram notificados e 19 multas aplicadas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente de João Pessoa por lançamentos de efluentes sem tratamento nos sistemas de galerias pluviais. Nos primeiros dois meses de 2014, foram emitidas nove notificações e três multas por lançamento de esgoto clandestino em praias da Capital. 
 
O assunto ganhou destaque depois que a TV Correio HD e o Portal Correio noticiaram o caso de um líquido escuro, semelhante a esgoto, que estaria sendo jorrado em grandes quantidades na praia de Tambaú, em João Pessoa.
 
A Semam informa que a identificação das ligações clandestinas, por não estarem visíveis, por necessitar de informações e plantas do sistema de esgotamento sanitário e por requerer intervenções de infra-estrutura, é tarefa que obriga a colaboração conjunta de todos os órgãos públicos envolvidos em prol do meio ambiente saudável, incluindo Cagepa e Sudema, já tendo sido requeridas reuniões com os órgãos envolvidos nesse sentido.
De acordo com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura Municipal de João Pessoa, as galerias pluviais que desaguam nas orlas de Tambaú e Manaíra deveriam conter somente águas vindas das chuvas e da drenagem urbana naquela região, contudo, outros fatores contribuem para que poluentes provenientes da rede de esgoto sejam irregularmente lançados nas galerias pluviais.
A PMJP, por meio da Semam e Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), disse que tem realizado ações de mapeamento e fiscalização para coibir esgotos clandestinos, despejados nas galerias pluviais das praias de João Pessoa.
Apesar disso, o Ministério Público da Paraíba falou que desde 2013 já tem investigado o assunto e levou a 1ª Promotoria do Meio Ambiente e Patrimônio Social da Capital a ingressar, em outubro do ano passado, com uma ação civil publica contra o Município de João Pessoa, responsável pelas galerias de águas pluviais e contra a Cagepa, responsável pela rede de esgoto.
Ainda segundo a ação, constantes entupimentos e alagamentos vêm sendo observados em vários bairros do município, sobretudo nos mais carentes, tendo por consequência uma grave poluição ambiental. “Até o momento nenhuma medida foi adotada pelo Poder Público no sentido de solucionar a ineficiência do serviço de coleta e tratamento das águas pluviais da cidade, fazendo persistir um grave problema ambiental”, diz o texto da ação.
A Promotoria requer que seja apresentado, no prazo de 120 dias, pela Município e pela Cagepa projeto técnico de engenharia com cronograma, orçamento e planejamento referente à adequação técnica e reestruturação de toda a rede de coleta de águas pluviais.
A ação requer ainda que sejam realizadas fiscalizações para identificação e punição de pessoas físicas ou jurídicas que liberem resíduos sólidos nas galerias pluviais da cidade, com a retirada de todas as ligações clandestinas. Também foi pedida a condenação do Município de João Pessoa e da Cagepa a pagar indenização por danos morais coletivos a ser revertida ao Fundo Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepama).
A ação civil pública tramita na 4ª Vara da Fazenda Pública de João Pessoa e, desde dezembro, aguarda decisão liminar do juiz.
 

 

PMJP já multou Cagepa e estabelecimentos comerciais

12 mar 14

A Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Semam) e Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), tem realizado ações de mapeamento e fiscalização para coibir esgotos clandestinos, despejados nas galerias pluviais das praias de João Pessoa.
 
A Semam e Seinfra trabalham observando a legislação vigente, como Código de Posturas do Município, Código de Meio Ambiente e ainda a legislação federal. As secretarias coíbem as infrações ambientais, como poluição sonora e despejo de esgotos de forma inadequada, atendendo às denúncias feitas pela população e também quando há demanda solicitada por órgãos públicos.

As galerias pluviais que deságuam nas orlas de Tambaú e Manaíra deveriam conter somente águas advindas das chuvas e da drenagem urbana naquela região, contudo, outros fatores contribuem  para que poluentes provenientes da rede de esgoto sejam irregularmente lançados nas galerias pluviais.

A Semam constatou que as principais causas de lançamentos de esgotos sem tratamento nas galerias pluviais advêm de ligações clandestinas do esgoto individual de imóveis na área, bem como por falhas no sistema de estações elevatórias de esgotos da Cagepa, os quais, em condições de supressão do fornecimento de energia elétrica ou por falhas mecânicas, podem ocasionar alterações de fluxo com consequentes lançamentos indevidos de efluentes sem tratamento nas galerias pluviais.

A identificação das ligações clandestinas, por não estarem visíveis, por necessitar de informações e plantas do sistema de esgotamento sanitário e por requerer intervenções de infra-estrutura, é tarefa que obriga a colaboração conjunta de todos os órgãos públicos envolvidos em prol do meio ambiente saudável, incluindo Cagepa e Sudema, já tendo sido requeridas reuniões com os órgãos envolvidos nesse sentido.

Continuamente estabelecimentos comerciais, entre hotéis, padarias, restaurantes e até mesmo a própria Cagepa foram notificados e multados pela Semam por lançamentos de efluentes sem tratamento nos sistemas de galerias pluviais. No ano passado a Prefeitura notificou 113 estabelecimentos e aplicou 19 multas. Este ano foram emitidas nove notificações e três multas por lançamento de esgoto clandestino.



segunda-feira, 10 de março de 2014

Esgoto na praia: Cagepa culpa Prefeitura que denuncia ligações clandestinas



Esgoto em Tambaú

Em nota emitida no final da tarde desta segunda-feira (dia 10), a Cagepa responsabilizou a Prefeitura de João Pessoa pelo despejo de um esgoto em plena Praia de Tambaú, no final de semana, e que provocou indignação de moradores e turistas. Segundo a empresa, o esgoto é proveniente de águas pluviais, de ligações clandestinas.
 
Logo em seguida, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de João Pessoa (Semam) também emitiu nota, isentando-se do problema e atribuindo o despejo do esgoto a ligações clandestinas de comerciantes do Mercado do Peixe e localidades vizinhas. O fato é que o despejo do esgoto provocou uma imensa mancha escura nas áreas da praia mais visitada de João Pessoa.
 
Independente de quem seja a culpa, a verdade é que alguma providência precisa ser tomada, e com urgência. É inadmissível que uma cidade que aspira ser turística expõe esgotos a céu aberta, justamente nas areias da praia mais famosa do Estado. As imagens do esgoto sendo despejado na praia podem ser conferidas abaixo.

Fonte

domingo, 9 de março de 2014

Flagrante mostra o descaso com meio ambiente. Esgoto jogado na praia de Tambaú. Veja vídeo

09/03/2014 17:43 - Paraiba










Click e veja o crime ambiental na praia de Tambaú, cartão postal da Paraíba.

Um flagrante de poluição ambiental mostra o descaso das autoridades da Paraíba com a preservação do meio ambiente. Um internauta gravou a cena e reproduziu nas redes sociais. Uma gravação mostra o exato momento em que um imenso volume de esgoto é jogado nas galerias pluviais e consequentemente na praia de Tambaú, um dos cartões postais do estado da Paraíba.
 
As galerias pluviais são construídas em toda a extensão de praias urbanas para escoar as águas das chuvas. Mas no caso do flagrante há uma sequência de crimes cometidos contra o meio ambiente e a saúde pública na Paraíba.  Pelo que se pode observar nas imgens trata-se de grnde quantidade de esgoto jogado diretamente na galeria pluvial, resta a saber se pelos moradores ou se pela Cagepa - Companhia de Água e Esgotos da Paraíba.  Em qualquer das constatações cabe os órgãos de defesa do meio ambiente -  Sudema e Semam - as providências no sentido de identificar quem foi que jogou essa grande quantidade de esgotos na galeria pluvial.

Alguns moradores do local disseram que acharam estranho, pois quando são os moradores que jogam esgoto na galeria o volume é bem pequeno, mas nesse caso é como se não fosse morador, pois foi um grande volume de esgoto de uma vez só.

Fonte


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

População sofre com esgotos a céu aberto

Na rua Cordélia Velloso Frade, o esgoto está escorrendo pelo asfalto e formou até uma poça de água no meio de um cruzamento.



 

Kleide Teixeira
No local, parte do asfalto também cedeu e deu origem a buracos que estão acumulando o esgoto
Conviver com um esgoto a céu aberto não é um problema somente de pessoas que residem em locais sem esgotamento sanitário. Em João Pessoa, tem se tornado frequente encontrar problemas nas tubulações de esgotamento e galerias, fazendo com que o mau cheiro e a presença de insetos se tornem algo constante também em locais onde há saneamento básico.

Na capital, um dos bairros em que sofre com este problema é o Bancários. Na rua Cordélia Velloso Frade, por exemplo, o esgoto está escorrendo pelo asfalto e formou até uma poça de água no meio de um cruzamento. Situação semelhante também já foi verificada em ruas do bairro do Cabo Branco.

Em outro trecho do bairro dos Bancários, a situação é ainda pior. Na rua Jornalista Genésio Gambarra Filho, as duas faixas de acesso já estão tomadas pela água suja que sai de uma tubulação instalada pela Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa). No local, parte do asfalto também cedeu e deu origem a buracos que estão acumulando o esgoto que deveria ser drenado.

“Faz é tempo que esse negócio está assim e ninguém conserta.

Quando chove, essa tubulação quebra e fica derramando água para todo lado. É um mau cheiro que ninguém aguenta”, lamenta a dona de casa Luzinete Rodrigues.

Para o engenheiro sanitarista Edmilson Fonseca, os danos à saúde vão além do mau cheiro. Ele é membro da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária Ambiental, seção Paraíba, e explica que diversos tipos de patologias são causados pela contaminação da água. "São as chamadas doenças de vinculação hídrica”, destaca.

Dependendo do tipo de bactéria presente, o esgoto pode causar casos de gastroenterite, de febres tifóide e paratifóide, de hepatite infecciosa e até de cólera. O perigo aumenta com a ocorrência de chuva.

“O esgoto é uma substância altamente contaminada. Por isso, precisa ser drenado e levado para tratamento, antes de ser lançado no meio ambiente. A população não pode ter contato com esse material. Mas se chover, esse risco aumenta. Por si só, a chuva não é suja. Mas, ao se misturar com o esgoto, fica contaminada. Quem tiver contato com essa água pode desenvolver doenças”, alerta.

SEM CONTATO 
A reportagem tentou manter contato com a Cagepa, para obter informações sobre investimentos feitos em esgotamento sanitário. As tentativas foram feitas por email, enviado à assessoria de imprensa do órgão, e por meio de ligações. No entanto, até o fechamento desta edição, o email não foi respondido e os telefonemas não foram atendidos.

O JORNAL DA PARAÍBA também procurou a Secretaria de Estado de Comunicação Institucional, mas a Diretoria de Jornalismo do órgão informou que apenas a Cagepa possui os dados solicitados.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Na Contramão da Transposição

06.02.2014
Por Marcia Dementshuk / Fotos: Mano Carvalho #ReportagemPública

Na Paraíba, as águas limpas da transposição do Rio São Francisco vão se misturar a águas poluídas por esgotos sem tratamento de diversos municípios 
 

Trecho poluído do Rio Paraíba passa ao lado da cidade de Monteiro (Foto: Mano de Carvalho)
Trecho poluído do Rio Paraíba passa ao lado da cidade de Monteiro
(Foto: Mano de Carvalho)

Em Monteiro (PB), canal de esgotos pluviais recebe esgoto direto de residências e despeja o dejeto bruto no rio Paraíba (Foto: Mano de Carvalho)
Em Monteiro (PB), canal de esgotos pluviais recebe esgoto direto
de residências e despeja o dejeto bruto no rio Paraíba
(Foto: Mano de Carvalho)
Avariações no sistema emissário de recalque de esgoto em Monteiro (PB) provocam vazamento de esgoto bruto poluindo o solo. (Foto: Mano de Carvalho)
Avariações no sistema emissário de recalque de esgoto em
Monteiro (PB) provocam vazamento de esgoto bruto poluindo o solo.
(Foto: Mano de Carvalho)
Everaldo Bezerra, gerente da fazenda onde mora às margens do rio Paraíba, reclama do excesso de insetos e do mau cheiro. (Foto: Mano de Carvalho)
Everaldo Bezerra, gerente da fazenda onde mora às
margens do Rio Paraíba, reclama do excesso de insetos e do mau cheiro.
(Foto: Mano de Carvalho)
Talude está quebrado há três anos na lagoa de tratamento de esgotos de Monteiro e verte esgoto bruto diretamente para o rio Paraíba. (Foto: Mano de Carvalho)
Talude está quebrado há três anos na lagoa de tratamento de
esgotos de Monteiro e verte esgoto bruto diretamente para o Rio Paraíba.
(Foto: Mano de Carvalho)
Afluente do rio Paraíba, o Canal treze de Maio, em Itabaiana (PB), recebe esgotos domésticos sem tratamento. Município não tem rede de esgotos (Foto: Mano de Carvalho)
Afluente do rio Paraíba, o Canal treze de Maio, em Itabaiana (PB),
recebe esgotos domésticos sem tratamento. Município não tem rede de
esgotos. (Foto: Mano de Carvalho)
O Reservatório Poções (PB) está incluído nos estudos e projetos de  revitalização dos açudes que receberão águas da transposição (Foto: Mano de Carvalho)
O Reservatório Poções (PB) está incluído nos estudos e
projetos de revitalização dos açudes que receberão
águas da transposição (Foto: Mano de Carvalho)
Mesmo contra lei municipal de Itabaiana (PB), empresas extraem  areia diariamente do leito do rio Paraíba, como a do empresário Antonio Ferreira de Araújo (Foto: Mano de Carvalho)
Mesmo contra lei municipal de Itabaiana (PB), empresas extraem
areia diariamente do leito do Rio Paraíba, como a do empresário
Antonio Ferreira de Araújo (Foto: Mano de Carvalho)
O médico e ambientalista João Batista da Silva argumenta que a retirada da areia do leito do rio Paraíba acelera o processo de desertificação da região (Foto: Mano de Carvalho)
O médico e ambientalista João Batista da Silva argumenta que
a retirada da areia do leito do Rio Paraíba acelera o processo
de desertificação da região (Foto: Mano de Carvalho)
Trecho poluído do Rio Paraíba passa ao lado da cidade de Monteiro (Foto Mano de Carvalho)
Trecho poluído do Rio Paraíba passa ao lado da
cidade de Monteiro (Foto Mano de Carvalho)

Definidas as últimas licitações para a execução das obras da transposição do Rio São Francisco, redimensionados os prazos de conclusão, restabelecidas as metas e retomado o andamento, a obra avança inexoravelmente. Na contramão da construção, porém, alguns obstáculos terão de ser superados para o aproveitamento dessa água – que já está saindo cara.
 
O pesquisador e doutor em Recursos Naturais, Augusto Silva Neto, do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), ressalta três pontos essenciais que devem ser resolvidos pelos estados receptores para o aproveitamento adequado das águas do São Francisco pela população: o esgotamento sanitário nas cidades ao longo dos leitos dos rios e reservatórios, a educação ambiental da população que mora nas áreas rurais e, no caso do rio Paraíba, o controle na extração mecanizada de areia no leito do rio para uso na construção civil, que traz grandes problemas ambientais. “É necessária uma ação conjunta da população, dos empresários, dos agricultores e também dos governos… De todos que irão se beneficiar com a chegada desse precioso recurso hídrico”, destaca Augusto Neto.
 
“Quem está lá é que sabe do que precisa”, diz, apontando falta de influência da população nas políticas públicas destinadas à região. “O povo que mora na região ribeirinha tem que ser capaz de atuar em parceria para a preservação e participar das decisões. A população tem que se unir para preservar o sistema e só com educação ambiental é que isso vai acontecer”.
 
Rio Paraíba: esgotos sem tratamento adequado
De Pernambuco à Paraíba, as águas do Velho Chico, consideradas de excelente qualidade nesse trecho, deverão seguir do Reservatório Barro Branco, na altura de Sertânia, em Pernambuco, por galerias subterrâneas ladeando a cidade de Monteiro (PB) até a calha do rio Paraíba, explica o fiscal de campo Marcílio Lira de Araújo. Dali, cruzará com a BR 110 na entrada do Município de Monteiro, de onde continuará até o reservatório Poções, distante cerca de 15 km. As obras do Eixo Leste se encerram com a chegada das águas neste açude, já no estado da Paraíba.
 
A partir do Poções, as águas deverão seguir o leito do Rio Paraíba, perenizando este rio intermitente, que nasce e deságua em solo paraibano e é um dos principais mananciais hídricos do Estado. Contudo, o professor e pesquisador Augusto Silva Neto, que há mais de 30 anos pesquisa o rio, afirma que todos os municípios próximos a ele lançam esgotos sem tratamento diretamente no leito. “Todos, sem exceção”, garante. Ou seja: as águas do São Francisco, misturadas às do rio Paraíba, estariam contaminadas ao chegar à população paraibana.
 
Segundo o analista do Ibama, Ronilson Paz, o abastecimento da Paraíba pelas águas da transposição do Rio São Francisco está condicionado à conclusão dos sistemas de esgotamento sanitário dos municípios relacionados à obra. Não adianta trazer água de tão longe para ser contaminada por esgotos na Paraíba. “Esse é o maior desafio para os estados que receberão as águas”, disse Ronilson Paz. 

Em Monteiro, rede de esgoto não suporta a demanda

Em Monteiro (PB), canal de esgotos pluviais recebe esgoto direto de residências e despeja o dejeto bruto no rio Paraíba (Foto: Mano de Carvalho)
Em Monteiro (PB), canal de esgotos pluviais recebe esgoto
direto de residências e despeja o dejeto bruto no Rio Paraíba
(Foto: Mano de Carvalho)
O reservatório Poções recebe as águas do Paraíba depois que o rio passa por Monteiro, na Paraíba. Também recebe água de outros afluentes que passam por municípios vizinhos.  Nesse trecho, as águas do Rio Paraíba estão contaminadas pelos esgotos sanitários e pelo lixo de Monteiro, com seus 30.852 habitantes (Censo/IBGE 2010). A rede de esgoto, concluída em 1987, está obsoleta, faltam reparos e equipamentos. Esgotos residenciais estão ligados diretamente ao canal pluvial. Canos subterrâneos apresentam vazamento e, para coroar o desmazelo, um vazamento em um talude quebrado na lagoa de estabilização joga litros de esgoto bruto por dia para dentro do rio. É essa água que enche o açude Poções.
  
Atualmente são 6.946 ligações de esgoto e a rede não suporta mais a demanda da população. No canal de esgotos pluviais, embora não chova há dois anos, o esgoto continua escorrendo com grande vazão, carregado também de resíduos sólidos lançados pela população.
Avariações no sistema emissário de recalque de esgoto em Monteiro (PB) provocam vazamento de esgoto bruto poluindo o solo. (Foto: Mano de Carvalho)
Avariações no sistema emissário de recalque de esgoto em Monteiro (PB)
provocam vazamento de esgoto bruto poluindo o solo.
(Foto: Mano de Carvalho)
O esgoto verte até do solo da cidade, através de buracos na tubulação antiga que leva o esgoto bruto da Estação Elevatória de Esgoto (EEE), para a Estação de tratamento. A estação elevatória é o destino final da coleta da rede de esgoto da cidade, antes de ser conduzida para a estação de tratamento. Quando a bomba quebra, ou quando a capacidade da estação elevatória chega ao limite, o que acontece com frequência, todo o excedente vai direto para o Rio Paraíba.
 
 Everaldo Bezerra, gerente da fazenda onde mora às margens do rio Paraíba, reclama do excesso de insetos e do mau cheiro. (Foto: Mano de Carvalho)
Everaldo Bezerra, gerente da fazenda onde mora às margens
do Rio Paraíba, reclama do excesso de insetos e do mau cheiro.
(Foto: Mano de Carvalho)
 
O rio carrega visivelmente detritos e bolhas de sabão. O gerente da Fazenda Limão, às margens do Paraíba, Everaldo Bezerra, conta que seu filho, portador de deficiência mental, vive trancado dentro da casa por causa dos riscos de contaminação e mau cheiro. “O mau cheiro é grande, as muriçocas (mosquitos) proliferam. A situação é triste”, lamenta.
 Talude está quebrado há três anos na lagoa de tratamento de esgotos de Monteiro e verte esgoto bruto diretamente para o rio Paraíba. (Foto: Mano de Carvalho)
Talude está quebrado há três anos na lagoa de tratamento
de esgotos de Monteiro e verte esgoto bruto diretamente
para o Rio Paraíba. (Foto: Mano de Carvalho)
 
Há três anos, segundo um integrante da empresa Livramento Construções, um rompimento em um dos taludes provoca o vazamento do esgoto que chega na estação de tratamento. O lago de esgoto formado no solo mede cerca de 10 metros quadrados e está na margem do rio Paraíba, misturando-se ao rio quando ele enche um pouco mais. Entre matos e carcaças de animais mortos, a estação, construída em 2010, está inacabada por puro descaso do poder público. “A construtora (Livramento Construções) não terminou a obra porque o governo estadual não pagou”, disse o integrante da construtora. 
 
Campina Grande também joga esgotos no Paraíba
Em Campina Grande, o maior município do interior da Paraíba e pólo industrial do Estado, a situação é a mesma, ampliada por uma população 385.276 habitantes (Censo 2010/IBGE), com 89.543 ligações de esgotamento sanitário, de acordo com a companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). Esse esgoto é coletado e enviado à estação de tratamento. O problema é que muitas residências não fizeram a ligação das casas com a rede de esgotos.
 
“Normalmente acontece através da encanação. Você compra uma casa em um bairro que não tem esgoto. O correto é que se faça uma fossa. Mas o construtor aconselha uma instalação no canal de água pluvial”, relatou a engenheiro da Cagepa Ronaldo Menezes.

A prefeitura limita-se a dizer que vai fazer um levantamento para identificar os moradores que burlam a lei. Os canais pluviais lançam o esgoto no Rio Paraíba, que abastece a Barragem de Acauã, de onde sairá o ramal da transposição do rio São Francisco Acauã-Araçagi. 

Itabaiana joga tudo no Paraíba

Afluente do rio Paraíba, o Canal treze de Maio, em Itabaiana (PB), recebe esgotos domésticos sem tratamento. Município não tem rede de esgotos (Foto: Mano de Carvalho)
Afluente do rio Paraíba, o Canal treze de Maio, em Itabaiana (PB),
recebe esgotos domésticos sem tratamento. Município não tem
rede de esgotos (Foto: Mano de Carvalho)

Seguindo o curso do Rio Paraíba em direção ao litoral a paisagem muda, a vegetação ganha cores mais verdes, numa transição da caatinga para a Mata Atlântica, as árvores ficam mais robustas e até o ar, mais refrescante. Mas o cenário de esgotamento sanitário é o mesmo. No município de Itabaiana, na Paraíba, (24.483 habitantes, Censo 2010/IBGE) não há sistema de esgoto; a Cagepa faz apenas o abastecimento de água.
 
O afluente canalizado do Paraíba, o Treze de Maio, que corta o centro do município, está completamente tomado de lixo. E nas margens do rio Paraíba, diversos casebres foram instalados com esgotos caindo diretamente no leito do rio.
 
Ali, o morador João Batista da Silva, médico e ambientalista, conta que as licenças para a construção dessas casinhas eram dadas pela Paróquia de Santo Antônio e Almas. “O cidadão chegava à paróquia e contava sua história triste para o padre. Dizia que a solução seria construir uma casinha na beira do rio. O padre dava a licença e o cidadão se dirigia à prefeitura, que acatava a solicitação. Assim, centenas de malocas foram construídas”.
 
Segundo a assessoria da prefeitura, no final de 2013 foi assinado um convênio de R$ 10,6 milhões, do PAC 2, cujos recursos serão em parte usados na construção de um sistema de drenagem de águas pluviais, redes de abastecimento de água e esgoto sanitário.
 
Esgotamento e recuperação de açudes
O secretário estadual de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Ciência e Tecnologia da Paraíba, João Azevedo, conta que foram elaborados projetos de saneamento em 51 municípios ao longo do rio. Segundo ele, as obras em 11 municípios serão concluídas em 2014. “Já encaminhamos o projeto dos outros 40 municípios para a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) e aguardamos a aprovação”, afirmou o secretário.
 
O Reservatório Poções (PB) está incluído nos estudos e projetos de  revitalização dos açudes que receberão águas da transposição (Foto: Mano de Carvalho)
O Reservatório Poções (PB) está incluído nos estudos e projetos
de revitalização dos açudes que receberão águas da transposição
(Foto: Mano de Carvalho)
 
O Ministério da Integração Nacional, por meio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, promete também revitalizar 21 açudes que receberão as águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco nos quatro estados beneficiados pela transposição – Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. A licitação, que vai viabilizar os estudos e projetos executivos dos açudes, foi concluída em dezembro de 2013. A empresa vencedora da licitação foi a KL Serviços de Engenharia. Os equipamentos existentes serão modernizados e a infraestrutura física dos reservatórios será melhorada.  Desses, sete reservatórios estão localizados na Paraíba, quatro no Rio Grande do Norte, seis no Ceará e quatro em Pernambuco.
 
Areeiros contra a população
 
Mesmo contra lei municipal de Itabaiana (PB), empresas extraem  areia diariamente do leito do rio Paraíba, como a do empresário Antonio Ferreira de Araújo (Foto: Mano de Carvalho)
Mesmo contra lei municipal de Itabaiana (PB), empresas extraem
areia diariamente do leito do rio Paraíba, como a do empresário
Antonio Ferreira de Araújo (Foto: Mano de Carvalho)

Outro problema que as águas do Rio São Francisco vão encontrar no Rio Paraíba é o estrago causado pela extração mecanizada de areia do leito do rio. Ela acontece no perímetro denominado Baixo Paraíba, que vai da foz, em Cabedelo, até Pilar, no Estado da Paraíba, numa extensão é de aproximadamente 80 quilômetros. A retirada de areia do leito de rios é considerada pela legislação ambiental brasileira ofensiva e degradante ao ambiente.
Mas a atividade vem aumentando nessa região desde o ano 2000.
 
De acordo com informações do Fórum de Preservação e Defesa do Rio Paraíba, em todos os municípios do Baixo Paraíba ocorre extração mecanizada de areia. Cerca de 15 empresas de dragagem mecanizada atuam ali, diz o presidente do Fórum, João Batista da Silva.
 
 
 
 
  
 
 
Na região, os embates entre areeiros e ambientalistas são antigos. Em 2001, a câmara municipal de Salgado de São Félix aprovou uma lei proibindo a retirada mecanizada de areia do leito do rio. Dois anos depois, uma lei semelhante foi aprovada no município de São Miguel de Taipu, mas recentemente foi revogada pela câmara de vereadores. Em outro município, Itabaiana, a casa legislativa aprovou uma lei em 2012 com o mesmo teor, proibindo a extração do minério.
 
As licenças concedidas pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), órgão estadual ligado à Secretaria de Estado de Recursos Hídricos do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, para a extração de areia são sempre envolvidas por um manto obscuro.
 
Ainda em 2011, o procurador da República Duciran van Marsen Farena emitiu a Recomendação nº 02/11, do Ministério Público Federal, dirigida a então superintendente da Sudema, Rossana Honorato, na qual destacava inúmeras ilegalidades constatadas nos processos de licenciamento de extração de areia: “Estudos apresentados de forma abstrata, sem indicação precisa do local de exploração e medidas mitigadoras, ausência de descrição de métodos de exploração, ausência de condicionantes para recuperação da área degradada”, detalha o documento.
 
 
O médico e ambientalista João Batista da Silva argumenta que a retirada da areia do leito do rio Paraíba acelera o processo de desertificação da região (Foto: Mano de Carvalho)
O médico e ambientalista João Batista da Silva argumenta
que a retirada da areia do leito do Rio Paraíba acelera o processo
de desertificação da região (Foto: Mano de Carvalho)
 
O médico e ambientalista João Batista da Silva, da Associação de Paraibana Amigos da Natureza (Apan) e presidente do Fórum de Defesa do Rio Paraíba,  explica que com a retirada da areia, os lençóis freáticos, localizados próximos à superfície, se deslocam para o leito, pois os buracos deixados pela extração mecanizada de areia são profundos. “Além disso, óleos dos motores das dragas caem diretamente no rio, causando contaminação”. Por outro lado, não há reposição natural da areia, retidas pelas barragens construídas ao longo do curso do rio. “Sem a areia, o grau de evaporação das águas que virão do São Francisco será muito maior”, conclui João Batista.

 





terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Cansados de viverem em meio à fezes de presos moradores interditam via de JP

João Pessoa, 21/01/2014 - 10h25



Os moradores do bairro do Róger, em João Pessoa, interditaram na noite desta segunda-feira (20) a avenida Airton Sena, por trás do presídio Flósculo da Nóbrega, em protesto contra o esgoto do local que, segundo os manifestantes, "vive estourando e causando grandes transtornos para a comunidade".

Os manifestantes queimaram pneus, caixas de papel e móveis velhos, a exemplo de sofás. No momento o trânsito ficou totalmente parado no local, pois as duas faixas da rua foram fechadas.

O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas ao chegar ao local foi impedido pelos manifestantes de apagarem o fogo. A polícia também acompanhar a situação.

Os manifestantes afirmaram que só deixariam os bombeiros apagarem o fogo e líber o trânsito quando uma autoridade chegasse ao local e assegurar uma solução para o esgoto estourado.


A Polícia Militar foi até o local para manter a ordem dos revoltados que não suportam mais o cheiro dos dejetos (foto: Aguinaldo Mota)

 Na manhã desta terça-feira, os responsáveis não descartaram fazer novamente um protesto para caso ninguém se pronuncie sobre o problema que é antigo no bairro.

“Eles desentopem, mas com oito dias o problema volta. E nós continuamos sendo prejudicado com as fezes correndo a céu aberto”, desabafou um morador.

No local as pessoas que passam no trecho afetado tem que pisar no esgoto e nas fezes porque o esgoto estorado passam banham a via. Dificuldade também para os motociclistas que tem que reduzir ao máximo a velociade para não levar um banho de dejetos e ainda serem salpicados pela água suja.

"Se forem atingido por essa água pode jogar a roupa fora", disparou um morador.

Até mesmo os  que circularm pela via Airton Senna também passam pelo esgoto reduzem a velocidade para que seus autómóveis não sejam melados.


Pneus foram usados para chamar a atenção das autoridades para a seriedade do problema (foto: Aguinaldo Mota)

Durante o programa Correio da Manhã, da 98 FM, o assessor da Cagepa, Fábio Bernardo, disse que o problema do entupimento no local não é apenas por causa da tubulação, mas sim, como ela vem sendo utilizadas pelos apenados do Presídio do Róger.

De acordo com Bernado, os presos jogam na rede de objetos a exemplo de garrafas plásticas que acabam obstruindo a tubulação.


MaisPB
com Cabuloso-PB
 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Moradores fazem protesto por conta de esgoto estourado em João Pessoa


20/01/2014 20h57 - Atualizado em 20/01/2014 20h57 

Galhos, pneus e até um sofá foram para a fogueira.
Cagepa diz que obra já estava prevista para a terça-feira (21).
 
Do G1 PB
 
Manifestantes interromperam o trânsito com fogo (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Manifestantes interromperam o trânsito com fogo
(Foto: Walter Paparazzo/G1)

Moradores do bairro do Roger fizeram um protesto na Avenida Ayrton Senna na noite desta segunda-feira (20) para reclamar de um esgoto estourado na área. Os manifestantes bloquearam a rua com fogo. Galhos, pneus e até um sofá foram para a fogueira.
 
“A gente queria que o governador viesse aqui para dentro do esgoto para ver a nossa situação, dias e dias dentro de catinga [mal cheiro] de esgoto passando na nossa porta, deixando os nossos filhos doentes”, reclamou um dos moradores, João Galdino.

Bombeiros foram chamados para o local, mas os manifestantes não deixaram que os militares apagassem o fogo. “Aqui mora gente, família, aqui ninguém é escravo não, nem é desprezado. Aqui tem gente que paga todos os seus impostos”, concluiu o morador.

Segundo a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), a obra no esgoto já estava programada para a manhã desta terça-feira (21).


Até sofá foi jogado na fogueira (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Até sofá foi jogado na fogueira (Foto: Walter Paparazzo/G1)

 
 
Fonte
 
 
 

sábado, 30 de novembro de 2013

Na Paraíba, de cada 100 domicílios, 58 não possuem esgotamento sanitário

30/11/2013 - 12:44

No Estado da Paraíba o IBGE constatou um aumento da participação nas instituições públicas de ensino superior 
 

 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira, 29, a Síntese de Indicadores Sociais 2013 (SIS 2013), que é composta de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2012, além de dados do IBGE e de outras fontes externas. O SIS faz uma radiografia das condições de vida da população brasileira nos últimos anos.

Entre os temas que compõe o SIS estão as ‘famílias e domicílios’ e ‘educação’ e ‘saúde’. Os dados são nacionais, porém contam com os números de cada região do Brasil e de cada Estado. Quando o assunto é ‘famílias e domicílios’, o esgotamento sanitário se destaca como serviço público mais deficiente do Brasil. Em 2012, 29,7% dos domicílios urbanos não tinham acesso aos serviços de básicos de saneamento e iluminação, o que inclui abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e iluminação elétrica), e 93,5% das residências não possui esgotamento sanitário.

Na Região Nordeste, de cada 100 domicílios, 96 não possuem esgotamento sanitário, e na Paraíba, para a mesma quantidade de residências, 58 não usufruem do serviço.

Educação
Segundo o IBGE, a taxa de escolarização das crianças entre 4 e 5 anos de idade no Nordeste é a maior do país, porém, a frequência escolar é a menor do Brasil. Dados do PNAD 2012, houve um aumento significativo no acesso ao sistema educacional na última década, principalmente considerando a educação infantil.

Comparando com 2002, a taxa de escolarização das crianças de 4 e 5 anos subiu de 56,7% para 78,2%, e nas creches, que abrange crianças de 0 até 3 anos, a frequência cresceu de 11,7% para 21,2%.

Na mesma faixa etária, a taxa de escolarização no Nordeste ficou em 84%, sendo que o maior índice foi verificado no Piauí (91,2%) e a menor nos estados de Alagoas (74,9%) e Paraíba (82,5%). Nas creches, a pior frequência foi registrada no Nordeste, que ficou em último lugar com 17,2%. Entre os estados da região, a 19,4% das crianças frequentam as creches na Paraíba, o terceiro melhor índice.

O SIS também trouxe os dados sobre a taxa de frequência escolar das crianças entre 6 e 14 anos, e o Nordeste apresentou um índice abaixo da média nacional. No Brasil, o número passou de 91,1% (2009) para 92,5% (2012). O Nordeste ficou em quarto lugar passando de 89,4% para 91,9%. A Paraíba saltou de 88,7% para 92,5%, se equiparando com os demais estados brasileiros.

Na faixa etária entre 15 e 17 anos, a taxa de frequência nacional subiu de 50,9% (2009) para 54% (2012). O melhor resultado foi encontrado no Sudeste, que passou de 60,5% para 62,5%, ficando o Nordeste no terceiro lugar, de 39,2% para 44,8%. Apesar do crescimento, a região continua distante da média nacional, e Paraíba obteve um índice ainda menor, passando de 37,7% para 43,6%.

No caso da escolaridade média, aumentou a frequência da população de 25 anos, ou mais, nos níveis mais elevados de educação. O IBGE verificou que 40,6% da população alcançaram 11 anos de estudo em 2012. A região que teve as menores proporções foi o Nordeste, com uma taxa de 31,8%.

Analisando a distribuição percentual das pessoas que frequentam estabelecimentos de ensino, houve um aumento na participação das instituições públicas de nível médio (passando de 86,3% em 2009 para 87,2 em 2012) e superior (22,2% para 24,2%). No ensino fundamental, essa frequência caiu de 87,1% para 86,4%.

Na região Nordeste, a médias de pessoas que frequentam o ensino médio permaneceu praticamente o mesmo, sendo verificado 88,4% em 2009 e 88,8% em 2012. Vou verificada uma elevação no ensino superior de 32% para 35,2%, e uma queda no ensino fundamente (87,3% para 85%).

No estado da Paraíba o IBGE constatou um aumento da participação nas instituições públicas de ensino superior (44,5% para 52,6%), e redução no nível médio (89% para 82,5%) e fundamental (86,7% para 79,9%).

da Redação (imagem ilustrativa)
WSCOM Online


 

Lares sem luz, esgoto, água e coleta de lixo

Em 2012, mais de 350 mil casas não tinham acesso aos serviços básicos na PB.




Leonardo Silva
Números do IBGE revelam deficiência no acesso aos serviços básicos de saneamento e coleta de lixo na Paraíba
Em 2012, os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e iluminação elétrica não eram ofertados a 352.320 domicílios urbanos na Paraíba. Foi o que revelou a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2013, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Deste total de 352.320 domicílios, 96% não tinham esgotamento sanitário (338.227). O estudo ainda apontou que, para cada 100 domicílios com acesso simultâneo aos quatro serviços investigados, havia outros 58 sem acesso a, pelo menos, um deles. Na região Nordeste, esse número chegou a 96.
 
Ainda segundo a pesquisa, existem 37.698 domicílios paraibanos sem abastecimento de água, enquanto a coleta de lixo não é adequadamente realizada em 5,9% das moradias. No entanto, a iluminação elétrica é o menor problema dentre os serviços básicos, deixando de ser efetivamente ofertado a apenas 704 domicílios urbanos analisados.
 
Já na área da saúde, o IBGE revelou que 533 internações hospitalares por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado foram registradas na Paraíba para cada grupo de 100 mil habitantes. A principal responsável por essas internações foram as doenças cujos patógenos se encontravam nas fezes e foram transmitidas através da boca, com 87,7%, o que demonstra a intrínseca relação entre a ausência de saneamento básico e a proliferação de doenças.
 
O presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, seção Paraíba, Edmilson Fonseca, explica a relação existente entre os indicadores. Com experiência de quem atua há 46 anos na área, ele afirma que o saneamento básico é um conjunto de serviços que são indispensáveis à qualidade da saúde humana.
 
“Abastecimento de água, coleta de lixo, drenagem urbana e esgotamento sanitário são os quatro pilares do saneamento básico. A população da região que não possui bons indicadores nessa área está mais vulnerável a ser acometida por doenças de veiculação hídrica”, afirmou.
 
Ainda de acordo com o especialista, o baixo investimento em saneamento básico interfere diretamente na ocupação dos leitos hospitalares e até na expectativa de vida das pessoas. “Se não tem saneamento, tem doença. Se tem doença, a chance de morrer é maior. Pesquisas já apontaram que 60% dos leitos brasileiros são ocupados por doenças causadas pela falta de saneamento básico”, acrescentou Fonseca.
 
“Essa ausência de saneamento é uma realidade no Brasil todo. Apenas 48% das cidades brasileiras têm sistema de esgotamento sanitário. As demais usam fossas ou despejam seus dejetos a céu aberto mesmo. A gente percebe que falta vontade política para resolver esse problema”, observou.

Na Paraíba, os serviços de esgotamento sanitário e abastecimento de água são de responsabilidade da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). Através da assessoria de imprensa, a Companhia informou que, atualmente, o governo do Estado, em parceria com o Governo Federal, vem investindo R$ 1 bilhão em obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário em todas as regiões do Estado.
 
Ainda de acordo com o setor de comunicação, só em abastecimento de água, estão sendo implantados 738 quilômetros de adutoras, entre obras concluídas ou iniciadas.

Entre as obras iniciadas estão a adutora Translitorânea, na Grande João Pessoa; a adutora São José, na Região Metropolitana de Campina Grande; e a adutora Araçagi-Guarabira, que será inaugurada em março do próximo ano, garantindo segurança hídrica para 87 mil famílias do Brejo paraibano.
 
Na área de esgotamento sanitário, os investimentos que estão sendo feitos em João Pessoa, por exemplo, farão com que a cidade passe dos atuais 66% de cobertura para 85% até o final de 2014, ficando muito acima da média nacional.
 
O setor de comunicação ainda destacou que as cidades de Itapororoca e Coremas não são abastecidas pela Cagepa. Elas possuem sistemas geridos pela administração municipal.
 
Já a Energisa, concessionária de energia elétrica da Paraíba, informou que disponibilizou para os 223 municípios paraibanos a rede de distribuição do serviço. Postes, fios, equipamentos e toda estrutura necessária para garantir a iluminação de vias e imóveis já está presente nas cidades. No entanto, a empresa admitiu que a luz elétrica ainda pode não ter chegado a algumas propriedades rurais, localizadas em áreas mais isoladas. Nesse caso, a Energisa recomenda que o proprietário procure a prefeitura municipal da região e peça que ela elabore um projeto e o encaminhe à Energisa, solicitando a ligação da energia.
 
ENSINO DE NÍVEL SUPERIOR NA PB
A pesquisa do IBGE ainda revelou que a Paraíba é primeiro lugar do Brasil em número de estudantes de curso superior em universidades e faculdades públicas. O Estado possui 52,6% de estudantes de nível superior em faculdades e universidades públicas, o maior percentual do país, enquanto nas privadas esse percentual é de 47,4%.
 
A realidade local é absolutamente contrária à identificada em todo o restante do país. No Nordeste, apenas 35,3% de estudantes de ensino superior cursam faculdades públicas, enquanto 64,7% estudam na rede privada. O ensino particular também prevalece nacionalmente. No Brasil, 75,8% dos alunos estão em instituições pagas e outros 24,2% frequentam a rede pública.

Para a coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Federal da Paraíba, Maria do Socorro Nascimento, os números são resultados da ausência de investimentos no setor público pelo governo. Ela cita o exemplo da UFPB, onde os docentes permaneceram em greve por três meses em busca de melhores condições de trabalho.
 
EXPECTATIVA MÉDIA DE VIDA É DE 71,9 ANOS
Em média, a expectativa de vida na Paraíba é de 71,9 anos, sendo 68,1 anos para os homens e 75,8 anos para as mulheres. A estimativa é a mesma para o Nordeste, segundo a pesquisa. Outro indicador que interfere na longevidade dos paraibanos é a taxa de mortalidade, que caiu em 55,6% na Paraíba ao longo de uma década.
 
Com a meta de atingir um patamar de 17,9 óbitos por mil nascidos vivos, observou-se no Brasil uma tendência de redução da taxa de mortalidade na infância (até 5 anos), que chegou perto da meta em 2010, com 18,6 óbitos por mil nascidos vivos, bem abaixo de 1990, quando era de 53,7 por mil.

Analisando os dados entre 2002 e 2012, observou-se que na Paraíba a taxa verificada em 2002 (45,5 por mil) era superior à média regional, tendo ficado inferior a esta em 2012 (20,2 por mil), resultando, portanto, numa redução de 55,6% em uma década.
 
Para a assistente social e secretária de Estado de Desenvolvimento Humano, Aparecida Ramos, o aumento da expectativa de vida se deve à melhoria das políticas públicas.
 
“As mulheres estão vivendo mais porque estão tendo acesso a bons exames, coisa que até uma década atrás era mais difícil.
 
Além de informação e serviços de saúde, a população recebe assistência social, como o Bolsa Família. Tudo isso interfere na longevidade”, disse. (Colaborou Nathielle Ferreira)