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domingo, 30 de julho de 2017

Desertificação na Paraíba deixa suscetíveis 200 municípios, diz Azevêdo

30 de julho de 2017

Desertificação na Paraíba deixa suscetíveis 200 municípios, diz AzevêdoA estiagem prolongada que atinge o Nordeste brasileiro, há cinco anos, vem sendo contornada - ou minimizada - pelas ações oriundas da transposição do Rio São Francisco, que estabeleceu um fluxo de água permanente para suprir as necessidades hídricas dos estados mais castigados pela seca - Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. Mas há outro fenômeno que vem se alastrando nas regiões semiáridas: a desidratação do solo, em patamares que podem levar ao chamado processo de desertificação.

Um dos últimos mapeamentos feitos pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas (Lapis) revelou que a região tem hoje 230 mil km² de terras atingidas de forma grave ou muito grave pela desertificação. De acordo com esse levantamento, na Paraíba, apenas na microrregião de Patos, 74,99% das terras tem alto nível de desidratação - que leva à desertificação - e 54,99% do território paraibano é classificado como em alto nível de desertificação.

De acordo com o secretário estadual de Infraestrutura e Recursos Hídricos, João Azevedo, dos 223 municípios paraibanos, 200 estão suscetíveis a processos de desertificação. O fenômeno causa problemas para as populações que vivem nas áreas mais degradadas, por que aumenta a temperatura ambiental e torna o solo infértil, prejudicando a agricultura e, consequentemente, afetando a produção de alimentos e a economia.



sábado, 29 de março de 2014

Nordeste registra pior seca em 50 anos

Com a produção reduzida a 55.256 toneladas e o rebanho bovino mais afetado do Brasil, Paraíba soma os prejuízos da estiagem. 
 

  

Francisco França
Açudes Coremas Mãe D'Água e Boqueirão estão com mais ou menos 30% de sua capacidade, diz Fetag
Apesar das chuvas das últimas semanas, o Nordeste enfrenta a pior seca dos últimos 50 anos. Segundo o relatório da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), os prejuízos chegam a US$ 8 bilhões de dólares (R$ 18,5 bilhões). 

A situação caótica fez o Brasil entrar no mapa mundial de eventos climáticos extremos de 2013. Parte destas perdas são refletidas na Paraíba, que produziu apenas 55.256 toneladas de grãos em 2013, quando a safra normal seria de 300 mil toneladas.
 
O rebanho paraibano apresentou a maior baixa do país no efetivo bovino (28,6%) entre os anos de 2012 e 2011, passando de 1,354 milhão de cabeças para 967,067 mil. No mesmo período, a Paraíba também obteve redução na produção de caprinos (-18,6%) e ovinos (-16,30%). O Nordeste também registrou a maior queda (-4,5%) entre as regiões brasileiras.
 
Para se ter ideia do valor, o prejuízo na região Nordeste equivale a mais de duas vezes o orçamento total do Estado de Alagoas para o ano de 2014, que foi fixado em R$ 8,3 bilhões.
 
O presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado da Paraíba (Fetag), Liberalino Ferreira, afirmou que a situação no semiárido é preocupante, e as perdas do rebanho bovino atualmente chegam a 60%.
 
Os animais que restam estão abaixo do peso de abate. “Há 15 dias estava levando cana-de-açúcar e a casca do abacaxi para passar na forrageira e alimentar os animais. Quem não pode fazer isso perde o pouco que tem. Vivemos, em 2012 e 2013 as piores secas que eu presenciei”, destacou Liberalino Ferreira.
 
O presidente da Fetag contou que visitou este ano 180 municípios paraibanos e o que viu foi os maiores mananciais do Estado secos.
 
“Os açudes Coremas Mãe D'Água e Boqueirão estão com mais ou menos 30% de sua capacidade. As chuvas que caíram este mês, chamadas de veranico, estimularam os agricultores a plantar, mas há oito dias que não chove e se continuar assim eles podem perder suas lavouras”, destacou.
 
Segundo Liberalino Ferreira, os grãos que o governo federal prometeu aos nordestinos ainda não chegaram à Paraíba. Mas o Ministério da Agricultura e Pecuária informou que várias ações estão sendo implementadas para minimizar a situação do sertanejo.
 
Entre elas estão a Venda Balcão de milho disponibilizada aos produtores situados na região amparada pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) até 30 de junho. Ao todo, serão disponibilizados pelo programa até 490 mil toneladas de milho, com limite de aquisição por beneficiário de até 3 toneladas ao mês e preço de venda de R$ 18,12 por saca de 60 kg.
 
ESTIAGEM É A PIOR OCORRÊNCIA DO BRASIL
O mapa virtual elaborado com as piores ocorrências no planeta, aponta que a seca é o único evento extremo no Brasil. Por conta da estiagem, mais de 1.400 municípios decretaram emergência pela falta de água e precisaram ser abastecidas por carros-pipa.
 
Segundo a pesquisa "Produção da Pecuária Municipal", do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a região perdeu 4 milhões de animais em 2012. As chuvas de verão, porém, amenizaram a situação da seca este ano.
 
"Pelo segundo ano consecutivo, a região Nordeste do Brasil experimentou seca severa. A seca deste ano é considerada a pior dos últimos 50 anos. O Planalto brasileiro, região central da América do Sul, experimentou seu maior déficit de chuvas desde que os registros começaram, em 1979", diz o estudo.
 
A OMM cita que o governo precisou intervir com a distribuição de água e comida a sertanejos afetados. "O governo forneceu ajuda alimentar à população afetada em cinco dos nove Estados do Nordeste. Fontes de energia hidrelétrica foram ameaçadas, como barragens no Nordeste que encerraram dezembro de 2012 com apenas 32% da capacidade, abaixo dos 34% considerado suficiente para garantir o abastecimento de energia elétrica", aponta o relatório.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Nordeste do Brasil teve pior seca dos últimos 50 anos em 2013, diz relatório

24/03/2014 08h28 - Atualizado em 24/03/2014 20h04 

Dados da Organização Meteorológica Mundial mostram clima extremo.
Austrália e Argentina também sofreram com calor.
 
Do G1, em São Paulo
Gado está morrendo de fome e sede no interior do Rio Grande do Norte (Foto: Aldair Dantas)
Em 2013, seca provocou a morte de animais no interior do Rio Grande do Norte
(Foto: Aldair Dantas)

O Nordeste do Brasil viveu em 2013 a pior seca dos últimos 50 anos, segundo o relatório “Declaração sobre o Estado do Clima), divulgado nesta segunda-feira (24) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês). O relatório traz detalhes sobre chuvas, inundações, secas, ciclones tropicais, as camadas polares e o nível do mar em cada região do planeta. Segundo o documento, a Austrália teve o ano mais quente de sua história, e a Argentina o segundo mais quente.
 
Os registros são feitos desde 1961, e o relatório mostra que 2013 foi o sexto ano mais quente desde então. A temperatura média da superfície do oceano e da Terra em 2013 oi de 14,5 °C, marca que é 0,50 °C maior que a média registrada entre 1961 e 1990, e 0,03 °C maior que à média da década mais recente (2001-2010). De acordo com a WMO, cada década é mais quente que a anterior, sendo que a última registrada. Treze dos 14 anos mais quentes registrados ocorreram todos no século XXI.
 
Veja ao lado reportagem do 'Jornal Hoje' de 16 de dezembro de 2013 sobre a seca no Nordeste

No ano passado, as temperaturas na América do Sul foram dominadas pelo calor na maior parte do continente. No Brasil o calor provocou seca no Nordeste, ao mesmo tempo em que muitos estados sofreram com chuvas fortes no final do ano. O relatório aponta, por exemplo, a cidade de Aimorés (MG), com precipitação média quatro vezes maior do que a normalmente registrada no Sudeste do Brasil para o mês de dezembro.
  
Morador de Sidney, na Austrália, mergulha em uma fonte da cidade para se refrescar, em dia que a temperatura local chegou a 42 graus. Em outras regiões do país, a previsão é de que o calor passe de 45 graus. (Foto: Rick Rycroft/Reuters)
Austrália registrou temperaturas acima de 45°C em
2013 (Foto: Rick Rycroft/Reuters)
"Tivemos um 2013 chuvas mais fortes, um calor mais intenso e um maior número de danos causados por tempestades e inundações costeiras como resultado da elevação do nível do mar", disse o secretário-geral da WMO, Michel Jarraud.
"O aquecimento dos oceanos aumentou em profundidades menores. Mais de 90% do excesso de energia acumulado por gases do efeito de inverno se armazena nos oceanos. Estes gases alcançaram níveis recordes, o que signigica que nossa atmosfera e nossos oceanos continuarão esquentando nos próximos anos", destacou Jarraud. "As leis da física não são negociáveis."
 
Veja 12 destaques do clima extremo no mundo em 2013:
1) O tufão Haiyan devastou partes da região central das Filipinas.
2) As temperaturas no hemisfério sul foram muito quente, o que resultou em onda de calor generalizado: a Austrália experimentou um recorde de calor o ano todo, enquanto Argentina e Nova Zelândia tiveram o segundo e terceiro ano mais quente já registrado nestes países.
3) Um ar gelado varreu a Europa e sudeste dos Estados Unidos.
4) Na África, uma seca severa afetou Angola, Botswana e Namíbia.
5) Fortes chuvas de monção provocou inundações na fronteira entre Índia e Nepal. Rússia, nordeste da China, Sudão e Somália também tiveram inundações.
6) Uma grande seca afetou o sul da China
7) O Nordeste do Brasil registrou sua pior seca em 50 anos.
8) Na Europa, chuvas fortes provocaram enchentes na Áustria, República Checa, Alemanha, Polônia e Suíça.
9) Israel, Jordânia e Síria foram atingidos por queda de neve sem precedentes.
10)  As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera alcançaram níveis máximos sem precedentes.
11)  Os oceanos do mundo atingiram um novo recorde de alto nível do mar.
12)  A extensão do gelo marinho na Antártida atingiu o pico registro diário.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

ANA anuncia redução na vazão de dois açudes do Sertão da Paraíba

29/01/2014 17h46 - Atualizado em 29/01/2014 17h46 

Açudes Coremas e Mãe d’água vão sofrer a redução.
Motivo é o prolongamento da estiagem na região.
 
Do G1 PB

Os açudes Coremas e Mãe d’Água, no Sertão da Paraíba, vão sofrer nova redução na vazão devido ao prolongamento da estiagem na região. O anúncio foi feito, nesta quarta-feira (29), pela Agência Nacional das Águas (ANA) em reunião realizada em João Pessoa com representantes de vários órgãos do Governo da Paraíba.

Os dois mananciais estã entre os 60 com capacidade armazenada superior a 20% do seu volume total na Paraíba, segundo informações desta quarta-feira (29) da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa). Outros 28 reservatórios estão em observação por estarem com a capacidade menor que 20% e 35 açudes estão em situação crítica, ou seja, com capacidade menor que 5% do volume total. Nenhum está sangrando.
 
O secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Ciência e Tecnologia, João Azevedo, solicitou que a diminuição no abastecimento fosse impostas aos grandes irrigantes. “Temos uma preocupação especial com 178 pequenos irrigantes que trabalham duro nas Várzeas de Sousa. Muitas famílias dependem da comercialização das culturas permanentes que são feitas lá”, alertou o secretário.

De acordo com o presidente da ANA, Vicente Andreu, as restrições afetarão principalmente os irrigantes. “Estamos dando continuidade ao processo que vem sendo adotado desde junho de 2013. São medidas que visam um controle maior do processo de irrigação. É possível que em função do agravamento da seca, a irrigação tenha que ser suspensa”, explicou o chefe do órgão responsável pelas águas de domínio federal.

O presidente da Aesa, João Vicente Machado Sobrinho, destacou a importância do reforço na fiscalização para combater o desvio da água e do acompanhamento diários do volume repassado ao Rio Grande do Norte. “Temos que respeitar o Marco Regulatório que determina a vazão com a qual a água deve chegar no estado vizinho, mas também precisamos defender os interesses da Paraíba. É nossa obrigação colocar propostas que garantam a segurança hídrica dos paraibanos”, destacou.
 
Fonte
 
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Chuvas no Litoral fazem Gramame/Mamuaba sangrar; no Sertão, açudes estão secos

Estado vive dois extremos. Segundo a Aesa, no Sertão paraibano o déficit pluviométrico já teve um desvio negativo de 43,5%. No Litoral, em três dias da semana passada choveu mais do que a média histórica do mês 


Cidades | Em 25/06/2013 às 09h16, atualizado em 25/06/2013 às 15h18 | Por Priscila Andrade e Hermes de Luna

Reprodução/Internet

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Água de Boqueirão vai ser racionalizada

Só será possível o uso da água para irrigação no limite de cinco hectares até fevereiro de 2014, de acordo com a ANA. 





Leonardo Silva
Medida visa evitar um futuro colapso no abastecimento da região

Irrigantes que sobrevivem da água do açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) terão que racionalizar a água a partir dos próximos dias, na tentativa de evitar um futuro colapso no abastecimento da região.
 
De acordo com o superintendente de Regulamentação da Agência Nacional de Água (ANA), Rodrigo Flecha, só será possível o uso da água para irrigação no limite de cinco hectares até fevereiro de 2014, quando se inicia o período chuvoso. Os produtores que não cumprirem a determinação, poderão ser multados e terem seus equipamentos apreendidos.
 
A providência foi articulada durante uma audiência no Ministério Público Estadual, através das promotorias do Meio Ambiente e do Consumidor, ontem pela manhã. Conforme o superintendente da ANA, Rodrigo Flecha, haverá um trabalho conjunto entre diversos órgãos, como a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), iniciando pelo cadastramento dos irrigantes, que ocupam mais de 500 propriedades na região do Açude de Boqueirão e fiscalização a partir do dia 1º do próximo mês.
 
“Nós definimos um conjunto de ações que vamos validá-las com a Associação dos Irrigantes também. A Cagepa também tem que fazer o ser 'dever de casa'. Nós vamos manter a vazão da adutora de Campina Grande, mas a Cagepa vai ter que fazer campanhas educativas, vai ter que aumentar a instalação de hidrômetros. Com os irrigantes, informar que a irrigação só vai poder ser feita com até cinco hectares e para isso, vamos publicar boletins oficiais para acompanhamento dos níveis de reservatórios. A situação ainda está confortável, mas merece vigilância e atenção da parte de todos, sobretudo da população, que deve fazer a sua parte”, disse Rodrigo Flecha.
 
De acordo com ele, Boqueirão ainda está com 201 milhões de metros cúbicos (m³ )ou 48% do seu volume total. O superintendente explicou que ainda não existe a necessidade de racionamento, mas a água precisa ser racionalizada. “Nós observamos que muitos agricultores sobrevivem do que plantam e tirar essa água deles poderia causar um problema social”, contou. Segundo o que foi acordado, essa redução do uso da água deverá ser fiscalizada, possivelmente com o apoio da Polícia Ambiental, em todas as áreas demarcadas. Conforme o diretor do Dnocs, em Boqueirão, Jacobino Moura, hoje o açude perde sete milhões de m³ de água, por mês, mas no final de agosto, quando o clima começa a esquentar novamente, esse número pode aumentar para até 16 milhões de m³.

Segundo o diretor-presidente da Aesa, João Vicente Machado, se não houver mais recarga de água e sem racionalização, o manancial poderá passar para seu volume “morto” (cerca de 14% do volume total), em janeiro de 2015. O diretor, que também fez parte da diretoria da Cagepa, informou que a Companhia realizará uma série de serviços e atividades, na tentativa de controlar mais o uso da água, como a instalação de 30 mil hidrômetros, em Campina Grande, além do reaproveitamento da água utilizada para a lavagem dos seus filtros, que chega a ser de 90 litros por segundo.

Conforme a ANA, hoje a Cagepa utiliza 1.450 litros de água por segundo, mais do que foi outorgado pela agência, que era de 1.230 l/s, e cerca de 42% desse total acaba sendo desperdiçado com perdas físicas e não físicas. “São os vazamentos, ligações clandestinas, desperdício de água pela própria população”, frisou o superintendente da ANA. Para o promotor do Meio Ambiente, Eulâmpio Duarte, uma das alternativas que poderiam ser criadas pelo governo estadual, seria a criação de um auxílio que pudesse ser encaminhado aos pequenos agricultores, que necessitam da água de Boqueirão para irrigar suas pequenas plantações.
 
“Por que não, em uma necessidade premente, como uma seca, por que o governo não pode subsidiar os pequenos irrigantes, que inclusive não são muitas pessoas, aproximadamente 300 a 400 pessoas, que ficariam satisfeitas com um subsídio de um salário mínimo, por exemplo?”, questionou. A intenção dos órgãos é continuar realizando reuniões bimestrais, para avaliar se o que foi proposto funcionará. Uma nova reunião foi marcada para o dia 15 de agosto, no Ministério Público em Campina.




 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Consequências da estiagem podem durar anos

Recuperação do que foi perdido não acontece de um dia para o outro, alerta pesquisador da Embrapa.



Francisco França
O pesquisador Pedro Gama, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), disse que as consequências da seca podem perdurar por muito tempo depois, pois após o período da seca chegará a vez dos agricultores e criadores tentarem recuperar o que foi perdido, o que nem sempre é possível. “Isso geralmente leva anos. Ninguém consegue repor o rebanho de um mês para o outro”, afirmou o pesquisador.
 
No Semiárido nordestino, conforme Gama, a produção de leite foi reduzida a 1/3 do que era obtido antes, o que representa uma queda brusca na renda de centenas de famílias. Houve redução também no efetivo bovino. “Isso se deu não apenas pela morte dos animais, como também pelo abate”, explicou.
 
“Podemos dizer que houve uma sangria muito forte desse rebanho”, completou. Segundo ele, a categoria mais afetada foi a de bovinos, seguida dos ovinos e, em menor proporção, a de caprinos.
 
O pesquisador também apontou a morte das pastagens como outro problema sério, que leva tempo para ser recuperado. “Em muitos campos a pastagem precisa ser completamente reimplantada”, disse. “As consequências da seca variam dependendo de quem a observa. O meteorologista e o homem do campo têm conceitos distintos sobre a estiagem, porque cada qual a analisa conforme sua realidade”, explicou.
 
De acordo com Gama, o grande problema da seca no Nordeste é a falta de investimento permanente. “Se o Nordeste tivesse programas consistentes de convivência com a seca, o impacto não seria tão forte. Seria preciso a implantação de programas de apoio a atividades produtivas, a exemplo da agricultura irrigada, que de certa forma apresentou êxito”, comentou.
 
Iniciativas como o Bolsa Família e abastecimento por carros-pipa são, segundo o pesquisador, medidas emergenciais que não resolvem, apenas amenizam a situação das famílias que sentem os efeitos da seca. “Também é necessário o investimento hídrico e novas pesquisas para buscar novas alternativas econômicas”, considerou. “O mais indicado seria uma combinação de fatores, e não medidas isoladas”, disse.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Consumir água imprópria é única opção de famílias em zona rural na PB


13/05/2013 09h21 - Atualizado em 13/05/2013 09h21 

Casas da zona rural de Olivedos nunca tiveram acesso a água encanada.
Água é considerada imprópria, mas Governo diz que recupera poços.
 
Taiguara Rangel 
 
Do G1 PB
 
Cerca de 12 carros-pipa retiram água diariamente de poço artesiano em Olivedos (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Cerca de 12 carros-pipa retiram água diariamente de poço
artesiano em Olivedos (Foto: Taiguara Rangel/G1)

Considerada um bem raro para os moradores da zona rural de Olivedos, no Curimataú paraibano, há quase trezentos anos a água continua sendo escassa na região. Estas famílias, que representam 47,6% dos quase quatro mil habitantes do município – povoado a partir de 1722 e emancipado em 1961 – nunca tiveram acesso a água encanada e convivem até hoje com a necessidade de carros-pipa e poços artesianos para abastecer suas casas com líquido considerado impróprio para consumo. Na falta destas opções, mesmo possuindo um rendimento mensal mediano per capita de apenas R$ 127,50, os agricultores precisam comprar água por até R$ 200.
 
Os dados são os mais recentes divulgados sobre os olivedenses, levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2010). De acordo com a gerência de execução de obras da Secretaria de Infraestrutura do estado, atualmente 170 municípios na Paraíba estão sendo atendidos com abastecimento de carros-pipa por decreto de situação emergencial. Também já foram recuperados 133 poços artesianos desde outubro do ano passado, somados a outros 353 que ainda passarão por reformas.
 
De acordo com o Governo da Estado, a zona urbana é abastecida pela Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), com fornecimento a 697 'ligações de água'. Conforme o IBGE, 93,4% das casas naquela zona rural têm saneamento básico considerado inadequado.

Um dos únicos poços artesianos que fornecem água aos agricultores na zona rural de Olivedos fica na fazenda Campos. Construído em 1992, diariamente chegam até 12 carros-pipa do exército e particulares retirando o líquido do poço em períodos de seca, segundo o proprietário Lídio Meira. A fazenda também possuiu durante muito tempo a única fonte de abastecimento da zona rural, com um açude que existe desde 1921.

Açude ainda serve para o abastecimento de pelo menos 18 famílias em Olivedos (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Reservatório serve para o abastecimento de pelo menos
18 famílias (Foto: Taiguara Rangel/G1)
“Esse açude é chamado de 'Milagre' porque, em épocas mais 'brabas', até Pocinhos e outras cidades ele já ajudou a abastecer sem nunca secar. Já resistiu a várias secas, até que houve a construção do poço. Continua vindo gente aqui direto pegar água para o gado e para casa, mas o poço é que está salvando a vida dos bichos e ajudando todos os moradores por aqui”, afirmou o administrador da fazenda, Inácio Marcelo, 58 anos.

Um estudo realizado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) do Ministério de Minas e Energia, identificou 44 poços artesianos no município, mas apenas 17 em funcionamento. A água de 91% dos pontos analisados foi considerada salobra, com média na quantidade de sólidos totais dissolvidos (STD) de 8.631,88 mg/L.

“Conforme a Portaria 1.469/Funasa, que estabelece os padrões de potabilidade da água para consumo humano, o valor máximo permitido para os sólidos dissolvidos é 1.000 mg/L. Teores elevados neste parâmetro indicam que a água tem sabor desagradável, podendo causar problemas digestivos, principalmente nas crianças, e danifica as redes de distribuição”, assinalam os pesquisadores.

Açude é uma das poucas opções para consumo doméstico e de animais em Olivedos (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Açude é uma das poucas opções para consumo
doméstico e de animais (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Para Fernandes Pereira, 22 anos, seus quatro irmãos e ainda os pais, o açude considerado 'milagre' é a única fonte de água existente. Ele considera a água boa para o consumo de toda a família, que subsiste majoritariamente do trabalho em uma olaria na região. “Serve para tudo aqui em casa. Acho que retiramos uns 200 litros por dia. É para banho, beber, lavar a casa e ainda dar para as galinhas”, disse. Outras 18 famílias na fazenda Campos também dependem do açude e ainda do poço para o acesso à água.
 
Porém, para aqueles a quem a operação carro-pipa atende de modo insuficiente, resta como única solução comprar água. O abastecimento particular de 6 a 8 mil litros custa de R$ 120 a R$ 200, segundo a merendeira Lúcia de Fátima, da escola municipal José Inocêncio, zona rural de Olivedos. Assim, o morador da zona rural acaba gastando mais do que o próprio sustento para comprar água. O rendimento mensal mediano per capita dos agricultores na zona rural de Olivedos é de apenas R$ 127,50, enquanto a média na Paraíba é de R$ 170, conforme o IBGE.
 
“Já moro aqui há mais de 20 anos e vi muita seca. Praticamente só tem dois poços com água suficiente para abastecer a população. Na cidade tem a água encanada de Boqueirão (açude Epitácio Pessoa) que só chega à noite, mas na zona rural o jeito é comprar água porque o carro-pipa do Exército não dá para o consumo do mês”, alegou.
 
 
 

sábado, 11 de maio de 2013

131 municípios compram água para população

Gastos com a compra de água para abastecimento chega até R$ 100 mil mensais em 39 municípios paraibanos, conforme pesquisa da CNM.
 

 

Francisco França
Levantamento da CNM foi feito com base em informaçoes das companhias estaduais de saneamento e prefeituras

Na Paraíba, nove cidades estão em racionamento de água, 22 em colapso total, sendo abastecidas por carros-pipa, e 131 municípios afetados pela seca têm gastos mensais com compra de água. As informações integram a pesquisa nacional sobre a seca divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
 
De acordo com a CNM, o Nordeste brasileiro enfrenta em 2013 a maior seca dos últimos 50 anos, com mais de 1.400 municípios afetados. A seca deste ano já é pior do que a do ano passado, que também foi recorde. Para mostrar essa realidade, a partir de amanhã o JORNAL DA PARAÍBA inicia uma série de reportagens sobre a seca no Estado.
 
O levantamento da CNM, com base em dados repassados pelas companhias de abastecimento e saneamento estaduais e as prefeituras municipais, foi realizado no período de 8 de abril a 2 de maio deste ano. Na Paraíba, a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) informou que os mananciais que abastecem João Pessoa e cidades litorâneas não enfrentam risco de falta de água, mas no interior do Estado, os reservatórios ainda estão com nível de água baixo.
 
O presidente da Cagepa, Deusdete Queiroga, informou que na região do Brejo, as chuvas que caíram desde o final de abril elevaram o nível de água acumulado nos reservatórios, mas ainda não foi suficiente para normalizar o abastecimento de água.
 
Em relação à decretação de situação de calamidade pública e de estado de emergência, o estudo da CNM aponta que, nos últimos 10 anos, foram reconhecidas 7.756 situações de emergência relacionadas à seca na região Nordeste, sendo que a Bahia, com 1.306 portarias, Ceará, 1.386 e a Paraíba, 1.235, são os Estados que mais se destacam em números de portarias.
 
“Esses dados demonstram que desde 2003 os estados do Nordeste vêm sofrendo cada vez mais com os danos causados pela seca prolongada e que as soluções não chegam à mesma proporção dos estragos provocados”, argumentou o presidente do CNM, Paulo Ziulkoski.

Dos 223 municípios paraibanos, a CNM conseguiu levantar dados de 163 cidades. Das localidades pesquisadas, 131 têm gastos mensais com compra de água, sendo que 87 despendem até R$ 50 mil, 39 de R$ 50 mil a R$ 100 mil, 5 gastam acima de R$ 100 mil mensais. Outros 17 declararam não comprar água. Entre os municípios que compram água, segundo o levantamento da CNM, estão Borborema, Emas, Areia, Livramento, Sobrado, Curral Velho, Malta e Jacaraú.
 
Sobre a distribuição de água, 93 dos entrevistados mostraram que são realizadas pelo Exército Brasileiro, outros 69 responderam que a distribuição é feita por serviço terceirizado e 52 indicaram outra forma de distribuição.
 
Chama muito a atenção que, em 82 municípios pesquisados, a água distribuída é exclusivamente para o consumo humano; em outros 50, 75% da água é para o consumo humano e 25% para o consumo de animais. Por sua vez, em 20 cidades, metade da água distribuída é para consumo humano e a outra metade para os animais.
 
Para o presidente do CNM, Paulo Ziulkoski, o consenso é que a maneira de conviver e enfrentar o fenômeno climático inevitável da seca só será possível através de obras hídricas estruturadoras: barragens, interligação de bacias a partir do São Francisco, infraestrutura para a agricultura irrigada e gestão permanente da água.
 
O presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), Rubens (Buba) Germano, afirma que a seca aflige dezenas de municípios paraibanos, matando animais e ameaçando a sobrevivência de milhares de famílias. Além de provocar perdas nas lavouras e causar prejuízo aos agricultores, compromete os reservatórios de água resultando em sede, fome e na perda de rebanho, bem como em problemas de risco à vida humana.
 
O presidente da Famup informou ainda que na próxima segunda-feira será realizada uma sessão especial na Assembleia Legislativa do Estado para discutir os problemas da seca. Na ocasião, os prefeitos farão um ato em protesto à política adotada pelo governo federal em relação à seca.
 
“Estamos cobrando uma maior atenção do governo federal sobre a questão da seca, que deixou um rastro de destruição sem comparação na história do Nordeste”, disse.
  

domingo, 28 de abril de 2013

Em 2100, semiárido da Paraíba será um deserto, prevê Inpe

De acordo com o pesquisador do Inpe José Marengo, o aumento da temperatura e a falta de chuva podem ser os principais responsáveis pela aridez na região


Cidades | Em 27/04/2013 às 09h19, atualizado em 27/04/13 às 09h23 | Por Redação, com Agência Brasil

Paraíba poderá virar deserto
Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com base em tendências climáticas revelam que, em 2100, parte do Semiárido brasileiro será uma região de deserto. De acordo com o pesquisador do Inpe José Marengo, o aumento da temperatura e a falta de chuva podem ser os principais responsáveis pela aridez na região.

Os efeitos mais agressivos da estiagem estão concentrados na Região Nordeste, onde o Ministério do Meio Ambiente (MMA) já identificou oficialmente quatro núcleos de desertificação: são 1.340 quilômetros quadrados e aproximadamente 1400 municípios em 11 estados. A área abrange 16% do território brasileiro.

Os núcleos estão localizados na região do Seridó, na Paraíba, onde o fenômeno ocorre devido à falta de manejo da caatinga para atender a pecuária extensiva e a demanda energética; na região de Xingó, que compreende municípios nos estados de Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Bahia, a ocorrência se dá devido à irrigação sem critérios técnicos, provocando a salinização dos solos; Na região de Gibões (PI), ocorre uma intensa degradação do solo por processo de mineração inadequado; e na região do Irauçuba (CE), por falta de manejo dos recursos naturais.

“Em 2050, algumas partes do Semiárido já podem passar a ser áridas. Atualmente chove apenas parte do ano e a precipitação é mal distribuída. No caso da aridez, é quando não há chuva”, explica. Para Marengo, a situação atual do Semiárido é preocupante devido à duração da estiagem. A rigorosa escassez de chuvas pelo segundo ano consecutivo impõe à região a pior seca dos últimos 50 anos, que atinge 1.046 municípios.

“O maior problema é que a população ainda não está adaptada à seca. E o fato não é um fenômeno surpresa, já aconteceu antes. Atualmente a população que sofre com os efeitos da estiagem, abandona seus terrenos no campo e migra para as grandes cidades. Isso pode criar um problema social, a pessoa desesperada por comida faz saques. Ela não quer roubar, só quer comer. O impacto da seca já passou a ser um fenômeno social, político, não apenas meteorológico”.

De acordo com o pesquisador em geoprocessamento da Embrapa Semiárido, Iêdo Sá, o processo de desertificação é consequência de fatores humanos e climáticos. “O Semiárido tem uma série de condicionantes como clima, solo, água e regime de chuvas que é muito favorável a processos de degradação de ambiente. Associados com práticas inadequadas adotadas pelo homem, às vezes por ignorância, por má-fé ou falta de capital, [provocam a desertificação].

Dentre os fatores humanos, ele destaca o desmatamento, a extração excessiva de produtos florestais, as queimadas, a sobrecarga animal, o uso intensivo do solo e seu manejo inadequado e, por último, o emprego de tecnologias não apropriadas para ecossistemas frágeis. “Com respeito às causas climáticas da degradação, é possível mencionar as recorrentes e prolongadas secas que afetam vários países e que [agravam] ainda mais as consequências derivadas da ação humana”

Sá explica que nas áreas em processo de desertificação as proporções de pobreza e de indigência estão acima da média nacional. Segundo ele, no Nordeste brasileiro, uma área maior do que o estado do Ceará já foi atingida pela desertificação de forma grave ou muito grave.

“Do mesmo modo, a pobreza e a indigência, geralmente, afetam a população rural em maior proporção do que a população urbana, mesmo que, em números absolutos, haja mais pobres nas cidades. É comum no meio rural que parte dos membros do grupo familiar migrem, temporária ou permanentemente, em busca de atividades de maior produtividade, seja na própria agricultura seja em outros setores”.

Para combater o processo, o MMA tem destinado em torno de R$ 25 milhões a iniciativas de uso sustentável dos recursos naturais. De acordo com o diretor do Departamento de Combate à Desertificação do ministério, Francisco Barreto Campello, para viabilizar a aplicação dos recursos, a pasta viabilizou um conjunto de projetos que promovem a convivência com a semiaridez para o combate à desertificação, visando à segurança alimentar, energética, hídrica e da biodiversidade.

O processo de desertificação não se observa apenas no Semiárido brasileiro. Segundo Campello, o fenômeno está presente em 34,7% da superfície do planeta, em uma área onde vivem cerca de 41,3% da população. Na América Latina, dados da Organização das Nações ?Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revelam que mais de 516 milhões de hectares são afetados no mundo. Como resultante do processo perdem-se cerca de 24 bilhões de toneladas por ano da camada arável e produtiva do solo, o que afeta de forma negativa a produção agrícola e o desenvolvimento sustentável.

Sobre os efeitos da longa estiagem provocada pelo clima semiárido, José Marengo destacou a iniciativa de Israel como uma experiência de sucesso no convívio com a falta de chuva. “Israel também tem seca, como a do Semiárido brasileiro, mas não tem os mesmos problemas. Há produção [agrícola] o ano todo. Os investimentos do setor privado são muito fortes. Lá eles aprenderam a conviver com a seca. Um país pequeno, [com alto grau de tecnologia] – ideal para ser aplicado no Brasil, como já é usado em Petrolina. Na cidade, há um investimento forte com a agricultura”.

Segundo o pesquisador do Inpe, a região de Sahel, na África também tem um clima semelhante ao do Semiárido brasileiro. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que a piora da situação da seca na região do Sahel já afeta 15 milhões de pessoas, incluindo 1 milhão de crianças, com a escassez de alimentos e o agravamento da desnutrição. De acordo com o Conselho de Segurança da ONU, a presença de grupos terroristas armados, junto com a pobreza crônica e a alta dos preços dos alimentos, torna o problema ainda mais delicado na região africana.


 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Açude do Sertão é primeiro a sangrar em 2013 na Paraíba, aponta Aesa


29/03/2013 13h41 - Atualizado em 29/03/2013 13h41

Açude em Serra Grande, no Sertão, registrou sangria na terça-feira.
Segundo Aesa, 51 reservatórios estão com até 20% da capacidade.
 
Do G1 PB

Açude do Serrote, em Monteiro, entrou em colapso (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Apesar de início do período de chuvas, açude
do Serrote secou (Foto: Taiguara Rangel/G1)
O período de chuvas começou e conforme previsão dos analistas da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) da Paraíba, alguns açudes já estão retomando seus volumes. O órgão registrou o primeiro sangramento de um reservatório este ano no açude Cafundó, localizado no município de Serra Grande, no Sertão paraibano. O manancial do Cafundó tem capacidade para 313.680 metros cúbicos de água e ultrapassou o limite de sua lâmina máxima na última terça-feira (26).

O Açude do Serrote, em Monteiro, no Cariri, foi também o primeiro a entrar em colapso este ano e secou no último dia 18 de março, quando a Aesa registrou no local uma medição de 0,0% do seu volume. Conforme medição da Aesa, 51 reservatórios ainda estão com até 20% da capacidade, sendo 36 em observação e 15 em situação considerada crítica.
 
Ainda de acordo com a agência, oito municípios tiveram chuvas, segundo registro da última quarta-feira (27). As precipitações atingiram as estações de monitoramento nas cidades de Baraúnas, Cuité, Emas, Frei Martinho, Ouro Velho, Serra Branca, São Bento e Taperoá, no Curimataú, Cariri e Sertão do estado. A previsão dos meteorologistas da Aesa é de que o período chuvoso deve se estender até o mês de maio.
 
"Continuamos apresentando a mesma situação prevista na reunião climática, com início da temporada de chuvas. Já tivemos chuvas isoladas nos últimos dias no Sertão, que devem continuar", disse a meteorologista da Aesa, Marle Bandeira. Segundo o gerente de bacias hidrográficas Lucílio Vieira, as precipitações registradas ainda são insuficientes para que haja uma recarga nos volumes dos açudes.


 

terça-feira, 19 de março de 2013

Começa o racionamento no açude São Gonçalo, no Sertão da Paraíba


19/03/2013 11h48 - Atualizado em 19/03/2013 11h48 


Águas do açude que abastece Sousa serão racionadas.
Abastecimento será reduzido em 25%.
 

Do G1 PB
 
 
O Açude de São Gonçalo, no Sertão da Paraíba, inicia nesta terça-feira (19) um racionamento que pretende gerar uma economia de 25% no consumo de água ao mês, segundo a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). Uma das bombas de captação, localizada na Estação de Tratamento de São Gonçalo, será desligada durante 30 dias, entre 17h e 4h da manhã.
 
O açude está localizado em área pertencente ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), na bacia hidrográfica de Alto de Piranhas, sub-bacia do Rio Piranhas. O reservatório com capacidade hídrica de 44 milhões e 600 mil metros cúbicos de água, está atualmente com 24,4% de sua capacidade, pouco mais de 10,8 milhões de metros cúbicos, conforme medição da Aesa. Conforme o órgão, 56 reservatórios na Paraíba estão abaixo de 20% da sua capacidade, com volume considerado em observação ou crítico.

Segundo a Cagepa, após esse prazo, caso a população não se conscientize da necessidade de economizar água e caso a chuva não venha, serão adotadas medidas mais drásticas, como o racionamento efetivo de água, no formato de 24 horas com abastecimento e 24 horas sem abastecimento.

A medida é resultado de acordo firmado em audiência realizada no dia 14 de março, em Sousa, entre representantes do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Prefeitura de Sousa, Cagepa, e Junta dos Usuários das águas do Açude de São Gonçalo. Também foi definido que antes do racionamento efetivo deve haver ampla divulgação do acordo e preve ainda a possibilidade de interrupção diária do fornecimento de água.
 


sábado, 16 de março de 2013

Sousa tem risco de racionamento

Abastecimento de água em Sousa será reduzido; medida visa diminuir o consumo e evitar que haja racionamento na cidade. 


 


A população de Sousa, no Sertão paraibano, vai passar a ter o abastecimento de água reduzido a partir da próxima terça-feira.

De acordo com a superintendente do Departamento de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental (Daesa), Magela Nobre, a medida visa diminuir o consumo de água para evitar a necessidade de racionamento e a decisão foi tomada após reunião da Daesa com o Ministério Público e a Prefeitura de Sousa, na última quinta-feira.

Conforme explicou Magela, a redução no abastecimento se dará com o desligamento de uma das bombas da estação de tratamento do Açude de São Gonçalo, entre as 17h e 4h da madrugada, todos os dias da semana, durante 30 dias. Com isso, a força de bombeamento da água vai diminuir em até 24%, reduzindo consequentemente o consumo.

“Não vamos deixar de abastecer. Apenas vamos reduzir a potência de bombeamento. A água vai chegar com menos força nas torneiras. O que pode acontecer é que algumas residências fiquem sem água ou ela chegue muito fraca, porque as casas estão localizadas em áreas mais íngremes, mas como o horário de redução, em sua maior parte, será à noite e durante a madrugada, estas pessoas não serão tão prejudicadas”, explicou a superintendente.

Após os 30 dias de redução, uma equipe técnica do departamento irá se reunir e analisar os dados de consumo do período. Caso a medida não tenha tido resultados satisfatórios, Magela Nobre disse que será estudada a possibilidade de um racionamento no qual o abastecimento na cidade se daria em dias alternados, ou seja, um dia teria água nas torneiras e no outro não. “Para evitar o racionamento, pedimos a colaboração de toda a população para economizar água e, assim, todos terem água em suas casas e estabelecimentos comerciais todos os dias”, salientou.

O Açude de São Gonçalo, que abastece a cidade de Sousa, está atualmente com 22% da sua capacidade máxima de armazenamento, que é de 44,6 milhões de metros cúbicos de água. O consumo mensal de água no município é superior a 200 mil metros cúbicos de água.

Seca na Paraíba: águas do Açude São Gonçalo serão racionadas

15/03/2013 - 17h10

Racionamento começa a partir da terça-feira (19) com o desligamento de uma das bombas de captação. 

Em razão da baixa quantidade de água do Açude de São Gonçalo, no sertão da Paraíba, a partir da próxima terça-feira (19) a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) efetuará o desligamento de uma das bombas de captação, localizada na Estação de Tratamento de São Gonçalo, no Município de Sousa (PB), a 433 km da capital João Pessoa. A bomba será desligada durante 30 dias, entre 17 h e 4 h da manhã, gerando uma economia de 25% no mês.

Após esse prazo, caso a população não se conscientize da necessidade de economizar água e caso a chuva não venha, serão adotadas medidas mais drásticas, inclusive o racionamento efetivo de água, no formato de 24 horas com abastecimento e 24 horas sem abastecimento.

O racionamento é resultado de acordo firmado em audiência realizada ontem (14), em Sousa, que teve a participação de integrantes do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Prefeitura de Sousa, Cagepa, e Junta dos Usuários das Águas do Açude de São Gonçalo.

Também foi definido que antes do racionamento efetivo (24h/24h) deve haver ampla divulgação do acordo para a população mediante divulgação nas rádios. Caso o racionamento não surta efeito, o período de desligamento da bomba pode ser ampliado, chegando-se, inclusive, à interrupção diária do fornecimento de água.

O Açude de São Gonçalo está localizado em área pertencente ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), na bacia hidrográfica de Alto de Piranhas, sub-bacia do Rio Piranhas, no oeste da Paraíba. As obras de construção do açude iniciaram em 1932, finalizando em 1936, com capacidade hídrica de 44 milhões e 600 mil metros cúbicos, tendo como objetivo dirimir os efeitos nocivos da estiagem sofridos pela população do local.



sexta-feira, 15 de março de 2013

Barreiros secam em Campina

Mais de 50% dos reservatórios já estão totalmente secos e os poucos que ainda dispõem de água estão com volume abaixo dos 10%. 



Leonardo Silva
Situação dos 38 barreiros, afeta cerca de dez mil pessoas
A busca por água na zona rural de Campina Grande está cada vez mais difícil para quem reside nessa área, e a situação dos 38 barreiros existentes já está calamitosa e afeta cerca de dez mil pessoas. Mais de 50% dos reservatórios já estão totalmente secos e os poucos que ainda dispõem de água estão com volume abaixo dos 10%, conforme informações repassadas pela Defesa Civil do município.
 

Desde a semana passada a Secretaria de Agricultura de Campina Grande iniciou um trabalho de limpeza nos barreiros com a utilização de dez máquinas, incluindo retroescavadeiras, tratores e caçambas. O intuito é preparar esses locais para receber a água das chuvas e aumentar a capacidade dos reservatórios.

O coordenador da Defesa Civil de Campina Grande, Ruiter Sansão, ressaltou que a zona rural do município conta com uma população de 22 mil pessoas e cerca de dez mil não têm acesso à água canalizada.

Segundo o engenheiro agrônomo e coordenador da Secretaria de Agricultura do município, Reginaldo Bias, essas pessoas recebem água através de carros-pipa e muitas delas dependiam da água desses barreiros, que se encontram em sua maioria sem água.

“Os peixes já estão morrendo e a água não tem mais nenhuma utilidade para essas populações”, afirmou o engenheiro.

O secretário de Agricultura do município de Campina Grande, Guilherme Almeida, informou que qualquer proprietário de terra pode requisitar a limpeza dos barreiros e para isso basta procurar o setor de recursos hídricos da secretaria e informar os dados. Em seguida, uma equipe vai ao local para fazer o planejamento.

O secretário disse também que o trabalho foi iniciado na semana passada pelo distrito de Catolé de Boa Vista e naquela área existiam açudes que não eram limpos há mais de 20 anos.

“O nosso intuito é limpar os reservatórios para que fiquem preparados para receber a água das chuvas que poderão cair nos próximos dias”, ressaltou.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Aesa contesta estudo do Inmet

Meteorologistas da Aesa afirmam que estudo do Inmet não retrata a realidade paraibana, e que o estado deve registrar chuvas acima da média.





Apesar de um estudo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicar que as chuvas na região do semiárido nordestino devem ficar abaixo da média histórica este ano, meteorologistas da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) afirmam que o estudo não retrata a realidade paraibana e que o estado deve registrar chuvas acima da média, especialmente a partir de março, com a regularidade da ocorrência de chuvas em todas as regiões.

De acordo com o meteorologista Alexandre Magno, o estudo realizado pelo Inmet faz uma previsão geral, colocando nas mesmas condições Estados com períodos chuvosos diferenciados, o que leva a um equívoco sobre a previsão de chuvas em cada unidade da federação. “Cada Estado possui regiões com períodos chuvosos diferentes, então, a previsão falha porque coloca uma realidade para todos os estados como se fosse uma coisa só, mas não é”, disse.

Ele explicou que todos os estudos feitos pela Aesa mostram que a Paraíba vai ter melhoria na ocorrência de chuvas. “A perspectiva continua sendo de que, a partir de março, deve aumentar a regularidade das precipitações chuvosas e todas as regiões do estado vão ter seus totais chuvosos oscilando dentro da média histórica”, afirmou Alexandre Magno, acrescentando que, este ano, os índices de registro de chuvas em pontos estratégicos de cada região paraibana, mesmo com as chuvas ainda sendo irregulares, se mantém dentro da média.

Como exemplos, o meteorologista mencionou alguns dos índices alcançados do início do ano até agora nos principais pontos de verificação de cada região. “No Alto Sertão, tivemos 236,5 milímetros (mm) em Riacho dos Cavalos. Em Coremas, 148 mm; Alhandra, 194,1 mm; No Brejo, Bananeiras teve 122,2 mm; Matinhas, 118,9; Monteiro, 102,3 mm. Tudo dentro da média, e ressaltando que estamos apenas no primeiro mês do período chuvoso das regiões do Semiárido, Cariri e Sertão, e, no Litoral, o período chuvoso se inicia somente em abril”, salientou.

A meteorologista Marle Bandeira, que participou da divulgação do estudo do Inmetpor meio de vídeo-conferência, explicou que os resultados dos estudos são divulgados em forma de probabilidades. “As chances das chuvas ficarem abaixo do normal são de 40%. Já a perspectiva das precipitações permanecerem dentro do padrão normal, que é de 35%. Há ainda 25% de probabilidade de chover acima da média histórica”, informou.

O relatório foi elaborado para o setor Norte da região Nordeste que, no caso da Paraíba, abrange o Sertão, Cariri e Curimataú. “É importante destacar que não estamos falando da previsão para todo o nosso Estado. De modo geral, as outras regiões devem ter chuva dentro da média histórica, apenas no semiárido é que temos essa possibilidade de chover abaixo do normal”, destacou Marle Bandeira.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Seca: Para fugir da fome, sertanejos matam e comem tamanduá na Paraíba

25/02/2013 - 15:58 - Atualizado em 25/02/2013 - 16:11

Paraíba registrou chuva na semana passada, mas não suficiente para acabar com problema 



Tamanduá é despelado para servir de alimentação para sertanejos
(Crédito: facebook.com/djacy.brasileiro)
As chuvas que caíram semana passada em praticamente toda Paraíba não foram suficientes para aliviar o sofrimento da maioria dos paraibanos, principalmente os sertanejos. O Padre Djacy Brasileiro, uma voz que clama no Sertão paraibano surpreendeu a todos nesta tarde ao postar no seu Facebook, fotos de um animal que foi abatido e estava sendo despelado em uma comunidade rural.

Nada de anormal se o animal em questão não fosse um tamanduá. Isso mesmo, com o gado morrendo de fome e sede, e com as galinhas ficando cada vez mais escassas, os sertanejos encontraram no tamanduá, uma oportunidade de garantir alimento para suas famílias.

A cena pode parecer grotesca ou selvageria, mas para quem convive com o drama diário da seca, sabe que está cada vez mais difícil garantir alimentação.

A reportagem tentou contato com o padre Djacy por telefone para colher mais informações, mas ele não atendeu e no seu post, não revelou em qual cidade foi registrado o fato.

Na rede social, o padre disse apenas que fazia mais uma de suas peregrinações pelas comunidades rurais do interior da Paraíba, quando se deparou com a cena. Ao indagar as pessoas por que eles estavam fazendo aquilo, a resposta foi seca (com perdão do trocadilho): “para comer, padre, para comer”.

Da redação
WSCOM Online





Fonte


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Boqueirão com nível no limite

Açude sofre com danos causados pela irrigação, estiagem e consumo humano. Reservatório atinge o nível mais baixo em 10 anos.
 


 


Com capacidade para armazenar mais de 411 milhões de metros cúbicos (m³) de água, o volume do açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) caiu 35% (equivalente a 128,5 milhões de m³) entre fevereiro de 2012 e fevereiro deste ano, atingindo agora a marca de 56,4% da capacidade total, constatada como a menor dos últimos dez anos. A estiagem do ano passado, considerada uma das mais agressivas das últimas décadas, fez com que a evaporação fosse a principal causa da perda de água, seguidos da irrigação e consumo humano.

De acordo com os dados da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), desde fevereiro do ano passado, quando foi registrado um nível de 360,878 milhões de m³, Boqueirão perdeu mais de 128 milhões de m³, registrando neste mês, mais de 232 milhões de m³ (56,4%). A perda do volume de água em apenas um ano é maior do que o volume total de muitos açudes monitorados pela Agência, como o açude Gramame/Mamuaba, localizado no município do Conde, litoral do Estado, o principal manancial que abastece João Pessoa, com capacidade total de 56,900 milhões de m³.

Gráficos da Aesa também mostram que o volume de água do Boqueirão é o menor dos últimos dez anos. Antes desse período o nível mais baixo foi registrado no final de 2003, que teve um volume de pouco mais de 100 milhões de m³ de água. Apesar do nível continuar baixando este ano, o gerente de Monitoramento e Hidrometria da Aesa, Lucílio Vieira, afirmou que se as chuvas ocorrerem da maneira como a Agência está prevendo, haverá uma normalização a partir de março, para o Sertão, Cariri e Curimataú.

“Por isso prevemos também que em abril o açude Epitácio Pessoa tome água e nesse período atinja 80% de sua capacidade. Aí sim vamos iniciar estudos para verificar se existe a necessidade do racionamento”, informou o especialista. Conforme explicou, 2012 foi um ano de chuvas irregulares.

“Quase não choveu, enfrentamos um período longo de estiagem e Boqueirão perde cerca de 120 milhões de m³ de água por ano.

Podemos dizer que o volume de água desse açude está normal para essa época. Consta em nossos registros de monitoramento que ele está com 56,4% da capacidade total ou 232 milhões de m³, em números redondos”, afirmou.
 

Seca contribui com evasão escolar e compromete aquisição de produtos da agricultura familiar para merenda

Considerada a maior seca dos últimos 40 anos, a falta de chuvas nos últimos dois anos em cidades do Sertão Nordestino (2011/2012) tem desencadeado uma série de problemas, que vão desde a queda total na produção agrícola, perdas de rebanhos, falta de água pra beber, e ainda a evasão escolar.

O problema foi identificado este ano pelo secretário de educação do município de Mãe d’Água-PB, Adalberto Lima, com o início do ano letivo 2013, aberto no último dia 18 de fevereiro. De acordo com Lima, no ano passado a rede municipal matriculou 697 alunos nas 11 escolas do município e este ano, apesar de todo esforço da administração, foram matriculados 667. Ou seja, uma redução de 30 alunos, quando todos esperavam que esse número aumentasse. “Está havendo um êxodo rural muito grande por conta da seca. Várias famílias estão procurando outras regiões menos afetadas pela estiagem para fixar nova residência.” Explica Lima. “No ano passado muitas famílias deixaram suas casas no campo, mas vieram morar aqui em na cidade, por isso não sentimos tanta diferença. Como Mãe d’Água também está sofrendo com a falta de água, essas famílias agora estão procurando outras cidades, principalmente no Sul do país, onde os ciclos chuvosos são mais regulares.”

 

Adalberto informou que essa evasão escolar vem preocupando sobremaneira a prefeita do município, Margarida Fragoso (Margarida Tota) que continua centrando esforços na tentativa de firmar parcerias com os governos Estaduais e Federais, no sentido de atrair obras, como a construção de açudes, que possam resolver esse problema que aflige a população de seu município. “Na semana do retorno às aulas, somente na escola José Luiz de Oliveira, nós perdemos 16 alunos, cujos pais foram embora a procura de sobrevivência em outras regiões.” Lamentou Lima.

 

Outro problema que a Secretaria de Educação de Mãe d’Água enfrenta por conta da seca, é com relação à compra direta de produtos agrícolas feita aos produtores rurais da chamada Agricultura Familiar. “A lei diz que nós temos que comprar 30% da merenda a esses produtores, mas como vamos fazer isso se eles não conseguiram produzir absolutamente nada?” Indaga o secretário. De acordo com ele, no ano de 2011 alguns agricultores que se enquadram no programa do Governo Federal, ainda conseguiram produzir alguns produtos através da irrigação de poços. “Mas os poços secaram totalmente e eles não conseguem água sequer para beber. Não fosse os carros pipa contratados pela prefeitura que vem fazendo esse abastecimento, a situação era prá lá de caótica” Enfatiza. “Através de contatos em Brasília-DF, nós estamos buscando orientação junto ao FNDE – Fundo Nacional de Educação Básica – para saber o que fazer nesse caso.” Completou.

 


TRANSPORTE ESCOLAR
Durante essa entrevista o secretário Adalberto revelou ainda que na próxima terça feira - 26.02, estará em João Pessoa-PB, capital do Estado, para participar de uma audiência promovida pelo MPPB – Ministério Público da Paraíba, que deve recomendar a todos os municípios o fim do transporte de estudantes que não seja em ônibus devidamente vistoriados pelos órgãos competentes.  O evento será promovido através do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Educação (Caop da Educação), e ocorrerá no auditório do Unipê, na capital, com a presença do procurador geral de justiça do MPPB, Osvaldo Trigueiro do Vale Filho. “Essa é outra questão que pode contribuir ainda mais para a evasão escolar em Mãe d’água. Nós temos ônibus específicos para esse fim adquiridos pela administração anterior e também pela a atual, mas por conta do relevo do nosso município, composto especialmente por serras e montes, apenas as caminhonetas D-20 conseguem chegar a algumas residências, especialmente se o início do período chuvoso previsto agora para março se confirmar. Caso nós tenhamos que assinar o termo de cooperação entre o Ministério Público, Departamento de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), Departamento de Estradas e Rodagem (DER-PB) e Comando da Polícia Militar do Estado para fiscalização do transporte escolar, que impede que os alunos sejam conduzidos em outros veículos que não sejam os ônibus, não teremos como pegar esses alunos nesses locais de serra.” Explica Lima, preocupado.



Célio Martinez