As notícias reproduzidas pelo blog Meio Ambiente da Paraíba têm o objetivo de oferecer um panorama do que é publicado diariamente sobre o meio ambiente da Paraíba e não representam o posicionamento dos compiladores. Organizações e pessoas citadas nessas matérias que considerem seu conteúdo prejudicial podem enviar notas de correção ou contra-argumentação para serem publicadas em espaço similar e com o mesmo destaque das notícias anteriormente veiculadas.
A
estiagem prolongada que atinge o Nordeste brasileiro, há cinco anos,
vem sendo contornada - ou minimizada - pelas ações oriundas da
transposição do Rio São Francisco, que estabeleceu um fluxo de água
permanente para suprir as necessidades hídricas dos estados mais
castigados pela seca - Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.
Mas há outro fenômeno que vem se alastrando nas regiões semiáridas: a
desidratação do solo, em patamares que podem levar ao chamado processo
de desertificação.
Um dos últimos mapeamentos feitos pelo Laboratório de Análise e
Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas
(Lapis) revelou que a região tem hoje 230 mil km² de terras atingidas
de forma grave ou muito grave pela desertificação. De acordo com esse
levantamento, na Paraíba, apenas na microrregião de Patos, 74,99% das
terras tem alto nível de desidratação - que leva à desertificação - e
54,99% do território paraibano é classificado como em alto nível de
desertificação.
De acordo com o secretário estadual de Infraestrutura e Recursos
Hídricos, João Azevedo, dos 223 municípios paraibanos, 200 estão
suscetíveis a processos de desertificação. O fenômeno causa problemas
para as populações que vivem nas áreas mais degradadas, por que aumenta a
temperatura ambiental e torna o solo infértil, prejudicando a
agricultura e, consequentemente, afetando a produção de alimentos e a
economia.
Com a produção reduzida a 55.256 toneladas e o rebanho bovino mais afetado do Brasil, Paraíba soma os prejuízos da estiagem.
Alexsandra Tavares Francisco FrançaAçudes Coremas Mãe D'Água e Boqueirão estão com mais ou menos 30% de sua capacidade, diz Fetag
Apesar das chuvas das últimas semanas, o
Nordeste enfrenta a pior seca dos últimos 50 anos. Segundo o relatório
da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), os prejuízos chegam a US$ 8
bilhões de dólares (R$ 18,5 bilhões).
A situação caótica fez o Brasil entrar no mapa mundial de eventos
climáticos extremos de 2013. Parte destas perdas são refletidas na
Paraíba, que produziu apenas 55.256 toneladas de grãos em 2013, quando a
safra normal seria de 300 mil toneladas.
O rebanho paraibano apresentou a maior baixa do país no efetivo
bovino (28,6%) entre os anos de 2012 e 2011, passando de 1,354 milhão de
cabeças para 967,067 mil. No mesmo período, a Paraíba também obteve
redução na produção de caprinos (-18,6%) e ovinos (-16,30%). O Nordeste
também registrou a maior queda (-4,5%) entre as regiões brasileiras.
Para se ter ideia do valor, o prejuízo na região Nordeste equivale a
mais de duas vezes o orçamento total do Estado de Alagoas para o ano de
2014, que foi fixado em R$ 8,3 bilhões.
O presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado
da Paraíba (Fetag), Liberalino Ferreira, afirmou que a situação no
semiárido é preocupante, e as perdas do rebanho bovino atualmente chegam
a 60%.
Os animais que restam estão abaixo do peso de abate. “Há 15 dias
estava levando cana-de-açúcar e a casca do abacaxi para passar na
forrageira e alimentar os animais. Quem não pode fazer isso perde o
pouco que tem. Vivemos, em 2012 e 2013 as piores secas que eu
presenciei”, destacou Liberalino Ferreira.
O presidente da Fetag contou que visitou este ano 180 municípios
paraibanos e o que viu foi os maiores mananciais do Estado secos.
“Os açudes Coremas Mãe D'Água e Boqueirão estão com mais ou menos 30%
de sua capacidade. As chuvas que caíram este mês, chamadas de veranico,
estimularam os agricultores a plantar, mas há oito dias que não chove e
se continuar assim eles podem perder suas lavouras”, destacou.
Segundo Liberalino Ferreira, os grãos que o governo federal prometeu
aos nordestinos ainda não chegaram à Paraíba. Mas o Ministério da
Agricultura e Pecuária informou que várias ações estão sendo
implementadas para minimizar a situação do sertanejo.
Entre elas estão a Venda Balcão de milho disponibilizada aos
produtores situados na região amparada pela Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) até 30 de junho. Ao todo, serão
disponibilizados pelo programa até 490 mil toneladas de milho, com
limite de aquisição por beneficiário de até 3 toneladas ao mês e preço
de venda de R$ 18,12 por saca de 60 kg.
ESTIAGEM É A PIOR OCORRÊNCIA DO BRASIL
O mapa virtual elaborado com as piores ocorrências no planeta,
aponta que a seca é o único evento extremo no Brasil. Por conta da
estiagem, mais de 1.400 municípios decretaram emergência pela falta de
água e precisaram ser abastecidas por carros-pipa.
Segundo a pesquisa "Produção da Pecuária Municipal", do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a região perdeu 4 milhões
de animais em 2012. As chuvas de verão, porém, amenizaram a situação
da seca este ano.
"Pelo segundo ano consecutivo, a região Nordeste do Brasil
experimentou seca severa. A seca deste ano é considerada a pior dos
últimos 50 anos. O Planalto brasileiro, região central da América do
Sul, experimentou seu maior déficit de chuvas desde que os registros
começaram, em 1979", diz o estudo.
A OMM cita que o governo precisou intervir com a distribuição de água
e comida a sertanejos afetados. "O governo forneceu ajuda alimentar à
população afetada em cinco dos nove Estados do Nordeste. Fontes de
energia hidrelétrica foram ameaçadas, como barragens no Nordeste que
encerraram dezembro de 2012 com apenas 32% da capacidade, abaixo dos 34%
considerado suficiente para garantir o abastecimento de energia
elétrica", aponta o relatório.
Dados da Organização Meteorológica Mundial mostram clima extremo.
Austrália e Argentina também sofreram com calor.
Do G1, em São Paulo
Em 2013, seca provocou a morte de animais no interior do Rio Grande do Norte (Foto: Aldair Dantas)
O Nordeste do Brasil viveu em 2013 a pior seca dos últimos 50 anos,
segundo o relatório “Declaração sobre o Estado do Clima), divulgado
nesta segunda-feira (24) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, na
sigla em inglês). O relatório traz detalhes sobre chuvas, inundações,
secas, ciclones tropicais, as camadas polares e o nível do mar em cada
região do planeta. Segundo o documento, a Austrália teve o ano mais
quente de sua história, e a Argentina o segundo mais quente.
Os registros são feitos desde 1961, e o relatório mostra que 2013 foi o
sexto ano mais quente desde então. A temperatura média da superfície do
oceano e da Terra em 2013 oi de 14,5 °C, marca que é 0,50 °C maior que a
média registrada entre 1961 e 1990, e 0,03 °C maior que à média da
década mais recente (2001-2010). De acordo com a WMO, cada década é mais
quente que a anterior, sendo que a última registrada. Treze dos 14 anos
mais quentes registrados ocorreram todos no século XXI.
Veja ao lado reportagem do 'Jornal Hoje' de 16 de dezembro de 2013 sobre a seca no Nordeste
No ano passado, as temperaturas na América do Sul foram dominadas pelo
calor na maior parte do continente. No Brasil o calor provocou seca no
Nordeste, ao mesmo tempo em que muitos estados sofreram com chuvas
fortes no final do ano. O relatório aponta, por exemplo, a cidade de
Aimorés (MG), com precipitação média quatro vezes maior do que a
normalmente registrada no Sudeste do Brasil para o mês de dezembro.
Austrália registrou temperaturas acima de 45°C em
2013 (Foto: Rick Rycroft/Reuters)
"Tivemos um 2013 chuvas mais fortes, um calor mais intenso e um maior
número de danos causados por tempestades e inundações costeiras como
resultado da elevação do nível do mar", disse o secretário-geral da WMO,
Michel Jarraud.
"O aquecimento dos oceanos aumentou em profundidades menores. Mais de
90% do excesso de energia acumulado por gases do efeito de inverno se
armazena nos oceanos. Estes gases alcançaram níveis recordes, o que
signigica que nossa atmosfera e nossos oceanos continuarão esquentando
nos próximos anos", destacou Jarraud. "As leis da física não são
negociáveis."
Veja 12 destaques do clima extremo no mundo em 2013:
1) O tufão Haiyan devastou partes da região central das Filipinas.
2) As temperaturas no hemisfério sul foram muito quente, o que resultou
em onda de calor generalizado: a Austrália experimentou um recorde de
calor o ano todo, enquanto Argentina e Nova Zelândia tiveram o segundo e
terceiro ano mais quente já registrado nestes países.
3) Um ar gelado varreu a Europa e sudeste dos Estados Unidos.
4) Na África, uma seca severa afetou Angola, Botswana e Namíbia.
5) Fortes chuvas de monção provocou inundações na fronteira entre Índia
e Nepal. Rússia, nordeste da China, Sudão e Somália também tiveram
inundações.
6) Uma grande seca afetou o sul da China
7) O Nordeste do Brasil registrou sua pior seca em 50 anos.
8) Na Europa, chuvas fortes provocaram enchentes na Áustria, República Checa, Alemanha, Polônia e Suíça.
9) Israel, Jordânia e Síria foram atingidos por queda de neve sem precedentes.
10) As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera alcançaram níveis máximos sem precedentes.
11) Os oceanos do mundo atingiram um novo recorde de alto nível do mar.
12) A extensão do gelo marinho na Antártida atingiu o pico registro diário.
Os açudes Coremas
e Mãe d’Água, no Sertão da Paraíba, vão sofrer nova redução na vazão
devido ao prolongamento da estiagem na região. O anúncio foi feito,
nesta quarta-feira (29), pela Agência Nacional das Águas (ANA) em
reunião realizada em João Pessoa com representantes de vários órgãos do Governo da Paraíba.
Os dois mananciais estã entre os 60 com capacidade armazenada superior a
20% do seu volume total na Paraíba, segundo informações desta
quarta-feira (29) da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da
Paraíba (Aesa). Outros 28 reservatórios estão em observação por estarem
com a capacidade menor que 20% e 35 açudes estão em situação crítica, ou
seja, com capacidade menor que 5% do volume total. Nenhum está
sangrando.
O secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Ciência e Tecnologia,
João Azevedo, solicitou que a diminuição no abastecimento fosse
impostas aos grandes irrigantes. “Temos uma preocupação especial com 178
pequenos irrigantes que trabalham duro nas Várzeas de Sousa. Muitas
famílias dependem da comercialização das culturas permanentes que são
feitas lá”, alertou o secretário.
De acordo com o presidente da ANA, Vicente Andreu, as restrições
afetarão principalmente os irrigantes. “Estamos dando continuidade ao
processo que vem sendo adotado desde junho de 2013. São medidas que
visam um controle maior do processo de irrigação. É possível que em
função do agravamento da seca, a irrigação tenha que ser suspensa”,
explicou o chefe do órgão responsável pelas águas de domínio federal.
O presidente da Aesa, João Vicente Machado Sobrinho, destacou a
importância do reforço na fiscalização para combater o desvio da água e
do acompanhamento diários do volume repassado ao Rio Grande do Norte.
“Temos que respeitar o Marco Regulatório que determina a vazão com a
qual a água deve chegar no estado vizinho, mas também precisamos
defender os interesses da Paraíba. É nossa obrigação colocar propostas
que garantam a segurança hídrica dos paraibanos”, destacou.
Estado
vive dois extremos. Segundo a Aesa, no Sertão paraibano o déficit
pluviométrico já teve um desvio negativo de 43,5%. No Litoral, em três
dias da semana passada choveu mais do que a média histórica do mês
Cidades | Em 25/06/2013 às 09h16, atualizado em 25/06/2013 às 15h18 | Por Priscila Andrade e Hermes de Luna
Reprodução/Internet
Chuvas acima da média no Litoral e falta água no Sertão
As
chuvas registradas nos últimos dias em praticamente todo o Litoral
consolidaram duas situações extremas vividas por municípios paraibanos.
No leste do Estado, o complexo Gramame/Mamuaba, localizado no município
do Conde (Litoral Sul, a na região metropolitana de João Pessoa) sangrou.
A confirmação está no boletim da Aesa (Agência Executiva de Gestão das
Águas do Estado da Paraíba). Sua capacidade total, de 56 milhões e 937
mil metros cúbicos de água, foi batida nesta terça-feira (25).
No
final de semana, foram registradas chuvas esparsas por vários
municípios, mas essas precipitações não alteraram a situação
desesperadora de alguns casos. O padre Djacy Brasileiro, pároco de Água
Branca (no Alto Sertão paraibano), confirmou que a situação é crítica em
alguns municípios do interior. Choveu, mas não acumulou água nos
reservatórios.
Ele vem cobrando a conclusão das obras da
transposição há vários anos. Nesta quinta-feira (27) pela manhã, faz um
protesto solitário no canteiro de obras da transposição no município
paraibano de São José de Piranhas (a 503 quilômetros de João Pessoa, na
divisa com o Ceará). "A seca tem deixado rastros devastadores. As chuvas
não foram suficientes para a lavoura. Não haverá colheita. estive na
zona rural e vi a lavoura morrendo", desabafou o padre em seu microblog
no Twitter.
Foto:Padre Djacy observa lavoura que já está morrendo Créditos:Reprodução/Facebook/Djacy Brasileiro
Dos 223 municípios da Paraíba, 195 estão
em situação de emergência. A seca já é considerada a pior dos últimos 80
anos, e tem provocado danos à subsistência e a saúde em diversos
municípios. A falta de chuvas tem gerado prejuízos significativos nas
atividades produtivas, principalmente a agricultura e pecuária dos
municípios afetados. Estima-se que mais de 50% do rebanho bovino do
Estado tenha sido dizimado.
De acordo com a Aesa, outros cinco
mananciais estão com volumes abaixo de 1% de sua capacidade total. O
açude de Caraibireias, em Picuí (na região do Curimataú, a 250
quilômetros da Capital) a capacidade é de 2 milhões,709 mil e 260 metros
cúbicos. Tem armazenado 6.560 (0,2%) de metros cúbicos.
O açude
de Ouro Velho (no Cariri, a 330 quilômetros de João Pessoa) tem
capacidade de 1 bilhão, 675 mil e 800 metros cúbicos, mas acumula
apenas 11.142 metros cúbicos, o que equivale a 0,7% do seu volume.
Também
no Cariri, Monteiro (a 305 quilômetros da Capital), o açude de Serrote
com capacidade de 5 milhões e 709 mil metros cúbicos, o acumulado é de
16.250 metros cúbicos (0,3%).
Em Teixeira (no Sertão, distante
320 quilômetros da Capital) o açude São Francisco II tem apenas 0,4%
(18.540) de sua capacidade de acúmulo, que é de 4 milhões, 920 mil e
720 metros cúbicos.
No município de Várzea (na região de Patos,
Sertão paraibano, a 320 quilômetros da Capital), o açude do mesmo nome,
tem capacidade de 1 bilhão, 132 milhões e 975 metros cúbicos de
armazenamento, mas está com apenas 4 mil e 840 (0,4%).
Com
o complexo Gramame/Mamuaba sangrando, a oferta de água para vários anos
está garantida para uma população de mais de 1 milhão e 25 mil pessoas,
nos quatro maiores municípios da região metropolitana da Capital: João
Pessoa (742.478 habitantes), Bayeux (100.543 habitantes), Cabedelo
(60.226 habitantes) e Santa Rita (12.994 habitantes).
Outro
manancial que sangrou fica localizado no município de Mari (localizado
na região do Brejo, a 60 quilômetros de João Pessoa). É o Olho d'Água,
com 868 mil e 320 metros cúbicos de água.
O período chuvoso no
Litoral paraibano acontece entre os meses de abril a julho. Já na região
sertaneja acontece entre os meses de janeiro a maio. Os dados não
revelam uma situação confortável para os sertanejos, de acordo com a
meteorologista da Aesa, Marle Bandeira. "A previsão para os próximos
meses é de poucas chuvas no Sertão. Podendo ocorrer chuvas em áreas
isoladas, mas nada que mude a realidade dos sertanejos. As regiões que
ficaram abaixo da média foram Cariri e Sertão", disse Bandeira.
Segundo
a Aesa, no Sertão paraibano o déficit pluviométrico já teve um desvio
negativo de 43,5%. Açudes como Lagoa do Arroz, com 18,8%, e Engenheiro
Ávido, com 16,2% (ambos em Cajazeiras);e Capoeira, com 18,8% (em Santa
Terezinha), funcionam sob monitoramento preocupante, pois apresentam
reduções seguidas em seus volumes e já com menos de 205 de suas
capacidades.
Desde a quarta-feira passada (19), o Governo do
Estado e o Ministério Público chegaram a um acordo e anunciaram
racionamento no consumo de água do açude Epitácio Pessoa, que abastece
20 municípios de toda a região do Piemonte da Borborema, incluindo a
segunda maior cidade do Estado, Campina Grande, que tem 389.995
habitantes. A partir de agora, com as águas desse açude só podem ser
irrigadas áreas com até cinco hectares.
A expectativa é de que a
determinação deva permanecer até fevereiro de 2014, quando se inicia um
novo período chuvoso.“A medida é importante para garantir a segurança
hídrica desta região. É preciso racionalizar agora para que possamos
evitar problemas maiores. Os produtores que não cumprirem a determinação
poderão ser multados e terem seus equipamentos apreendidos por
determinação judicial”, alertou o presidente da Aesa, João Vicente
Machado Sobrinho.
O primeiro quadrimestre de 2013 se caracterizou
pela irregularidade e má distribuição das chuvas. Marle Bandeira
informou que de fevereiro a maio, na aérea do Oceano Atlântico Sul,
próximo à costa nordestina, não esquentou muito este ano.
Um mapa
no site do Ministério da Integração Nacional aponta que a escassez das
chuvas na região Nordeste em 2012 deixou 525 municípios em situação de
emergência, 221 também sofreram os efeitos da estiagem. No Rio Grande do
Norte foram 139; em Pernambuco, 45; e na Bahia 232 municípios.
Somente
na semana passada, em João Pessoa choveu mais do que o esperado para
todo o mês. A média histórica, que é de 303 milímetros, foi superada em
9,5% na última quinta-feira (13). “Essas ocorrências mais fortes são
provocadas pelos distúrbios ondulatórios de leste, os aglomerados de
nuvens que se formam no oceano Atlântico e são trazidos para a costa.
Eles costumam atingir boa parte do litoral nordestino”, descreveu Marle
Bandeira, argumentando que os maiores índices foram registrados no dia 9
de junho.
Dos 121 reservatórios monitorados pela Aesa na
Paraíba, apenas dois estão sangrando. Outros 72 têm capacidade
armazenada superior a 20% do seu volume; 35 estão sob observação (menor
que 20% do seu total); e 14 em situação crítica (menor que 5% do seu
volume total).
Só será possível o uso da água para irrigação no limite de cinco hectares até fevereiro de 2014, de acordo com a ANA.
Isabela Alencar Leonardo SilvaMedida visa evitar um futuro colapso no abastecimento da região
Irrigantes que sobrevivem da água do açude Epitácio Pessoa (Boqueirão)
terão que racionalizar a água a partir dos próximos dias, na tentativa
de evitar um futuro colapso no abastecimento da região.
De acordo com o superintendente de Regulamentação da Agência Nacional
de Água (ANA), Rodrigo Flecha, só será possível o uso da água para
irrigação no limite de cinco hectares até fevereiro de 2014, quando se
inicia o período chuvoso. Os produtores que não cumprirem a
determinação, poderão ser multados e terem seus equipamentos
apreendidos.
A providência foi articulada durante uma audiência no Ministério
Público Estadual, através das promotorias do Meio Ambiente e do
Consumidor, ontem pela manhã. Conforme o superintendente da ANA, Rodrigo
Flecha, haverá um trabalho conjunto entre diversos órgãos, como a
Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa),
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e Companhia de
Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), iniciando pelo cadastramento dos
irrigantes, que ocupam mais de 500 propriedades na região do Açude de
Boqueirão e fiscalização a partir do dia 1º do próximo mês.
“Nós definimos um conjunto de ações que vamos validá-las com a
Associação dos Irrigantes também. A Cagepa também tem que fazer o ser
'dever de casa'. Nós vamos manter a vazão da adutora de Campina Grande,
mas a Cagepa vai ter que fazer campanhas educativas, vai ter que
aumentar a instalação de hidrômetros. Com os irrigantes, informar que a
irrigação só vai poder ser feita com até cinco hectares e para isso,
vamos publicar boletins oficiais para acompanhamento dos níveis de
reservatórios. A situação ainda está confortável, mas merece vigilância e
atenção da parte de todos, sobretudo da população, que deve fazer a sua
parte”, disse Rodrigo Flecha.
De acordo com ele, Boqueirão ainda está com 201 milhões de metros
cúbicos (m³ )ou 48% do seu volume total. O superintendente explicou que
ainda não existe a necessidade de racionamento, mas a água precisa ser
racionalizada. “Nós observamos que muitos agricultores sobrevivem do que
plantam e tirar essa água deles poderia causar um problema social”,
contou. Segundo o que foi acordado, essa redução do uso da água deverá
ser fiscalizada, possivelmente com o apoio da Polícia Ambiental, em
todas as áreas demarcadas. Conforme o diretor do Dnocs, em Boqueirão,
Jacobino Moura, hoje o açude perde sete milhões de m³ de água, por mês,
mas no final de agosto, quando o clima começa a esquentar novamente,
esse número pode aumentar para até 16 milhões de m³.
Segundo o diretor-presidente da Aesa, João Vicente Machado, se não
houver mais recarga de água e sem racionalização, o manancial poderá
passar para seu volume “morto” (cerca de 14% do volume total), em
janeiro de 2015. O diretor, que também fez parte da diretoria da Cagepa,
informou que a Companhia realizará uma série de serviços e atividades,
na tentativa de controlar mais o uso da água, como a instalação de 30
mil hidrômetros, em Campina Grande, além do reaproveitamento da água
utilizada para a lavagem dos seus filtros, que chega a ser de 90 litros
por segundo.
Conforme a ANA, hoje a Cagepa utiliza 1.450 litros de água por
segundo, mais do que foi outorgado pela agência, que era de 1.230 l/s, e
cerca de 42% desse total acaba sendo desperdiçado com perdas físicas e
não físicas. “São os vazamentos, ligações clandestinas, desperdício de
água pela própria população”, frisou o superintendente da ANA. Para o
promotor do Meio Ambiente, Eulâmpio Duarte, uma das alternativas que
poderiam ser criadas pelo governo estadual, seria a criação de um
auxílio que pudesse ser encaminhado aos pequenos agricultores, que
necessitam da água de Boqueirão para irrigar suas pequenas plantações.
“Por que não, em uma necessidade premente, como uma seca, por que o
governo não pode subsidiar os pequenos irrigantes, que inclusive não são
muitas pessoas, aproximadamente 300 a 400 pessoas, que ficariam
satisfeitas com um subsídio de um salário mínimo, por exemplo?”,
questionou. A intenção dos órgãos é continuar realizando reuniões
bimestrais, para avaliar se o que foi proposto funcionará. Uma nova
reunião foi marcada para o dia 15 de agosto, no Ministério Público em
Campina.
Recuperação do que foi perdido não acontece de um dia para o outro, alerta pesquisador da Embrapa.
Francisco França
O pesquisador Pedro Gama, da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), disse que as
consequências da seca podem perdurar por muito tempo depois, pois após o
período da seca chegará a vez dos agricultores e criadores tentarem
recuperar o que foi perdido, o que nem sempre é possível. “Isso
geralmente leva anos. Ninguém consegue repor o rebanho de um mês para o
outro”, afirmou o pesquisador.
No Semiárido nordestino, conforme Gama, a produção de leite foi
reduzida a 1/3 do que era obtido antes, o que representa uma queda
brusca na renda de centenas de famílias. Houve redução também no efetivo
bovino. “Isso se deu não apenas pela morte dos animais, como também
pelo abate”, explicou.
“Podemos dizer que houve uma sangria muito forte desse rebanho”,
completou. Segundo ele, a categoria mais afetada foi a de bovinos,
seguida dos ovinos e, em menor proporção, a de caprinos.
O pesquisador também apontou a morte das pastagens como outro
problema sério, que leva tempo para ser recuperado. “Em muitos campos a
pastagem precisa ser completamente reimplantada”, disse. “As
consequências da seca variam dependendo de quem a observa. O
meteorologista e o homem do campo têm conceitos distintos sobre a
estiagem, porque cada qual a analisa conforme sua realidade”, explicou.
De acordo com Gama, o grande problema da seca no Nordeste é a falta
de investimento permanente. “Se o Nordeste tivesse programas
consistentes de convivência com a seca, o impacto não seria tão forte.
Seria preciso a implantação de programas de apoio a atividades
produtivas, a exemplo da agricultura irrigada, que de certa forma
apresentou êxito”, comentou.
Iniciativas como o Bolsa Família e abastecimento por carros-pipa são,
segundo o pesquisador, medidas emergenciais que não resolvem, apenas
amenizam a situação das famílias que sentem os efeitos da seca. “Também é
necessário o investimento hídrico e novas pesquisas para buscar novas
alternativas econômicas”, considerou. “O mais indicado seria uma
combinação de fatores, e não medidas isoladas”, disse.
Casas da zona rural de Olivedos nunca tiveram acesso a água encanada.
Água é considerada imprópria, mas Governo diz que recupera poços.
Taiguara Rangel
Do G1 PB
Cerca de 12 carros-pipa retiram água diariamente de poço artesiano em Olivedos (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Considerada um bem raro para os moradores da zona rural de Olivedos,
no Curimataú paraibano, há quase trezentos anos a água continua sendo
escassa na região. Estas famílias, que representam 47,6% dos quase
quatro mil habitantes do município – povoado a partir de 1722 e
emancipado em 1961 – nunca tiveram acesso a água encanada e convivem até
hoje com a necessidade de carros-pipa e poços artesianos para abastecer
suas casas com líquido considerado impróprio para consumo. Na falta
destas opções, mesmo possuindo um rendimento mensal mediano per capita
de apenas R$ 127,50, os agricultores precisam comprar água por até R$
200.
Os dados são os mais recentes divulgados sobre os olivedenses,
levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE/2010). De acordo com a gerência de execução de obras da Secretaria
de Infraestrutura do estado, atualmente 170 municípios na Paraíba estão
sendo atendidos com abastecimento de carros-pipa por decreto de
situação emergencial. Também já foram recuperados 133 poços artesianos
desde outubro do ano passado, somados a outros 353 que ainda passarão
por reformas.
De acordo com o Governo da Estado, a zona urbana é abastecida pela
Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), com fornecimento a 697
'ligações de água'. Conforme o IBGE, 93,4% das casas naquela zona rural
têm saneamento básico considerado inadequado.
Um dos únicos poços artesianos que fornecem água aos agricultores na
zona rural de Olivedos fica na fazenda Campos. Construído em 1992,
diariamente chegam até 12 carros-pipa do exército e particulares
retirando o líquido do poço em períodos de seca, segundo o proprietário
Lídio Meira. A fazenda também possuiu durante muito tempo a única fonte
de abastecimento da zona rural, com um açude que existe desde 1921.
Reservatório serve para o abastecimento de pelo menos 18 famílias (Foto: Taiguara Rangel/G1)
“Esse açude é chamado de 'Milagre' porque, em épocas mais 'brabas', até
Pocinhos e outras cidades ele já ajudou a abastecer sem nunca secar. Já
resistiu a várias secas, até que houve a construção do poço. Continua
vindo gente aqui direto pegar água para o gado e para casa, mas o poço é
que está salvando a vida dos bichos e ajudando todos os moradores por
aqui”, afirmou o administrador da fazenda, Inácio Marcelo, 58 anos.
Um estudo realizado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) do Ministério de Minas e Energia,
identificou 44 poços artesianos no município, mas apenas 17 em
funcionamento. A água de 91% dos pontos analisados foi considerada
salobra, com média na quantidade de sólidos totais dissolvidos (STD) de
8.631,88 mg/L.
“Conforme a Portaria 1.469/Funasa, que estabelece os padrões de
potabilidade da água para consumo humano, o valor máximo permitido para
os sólidos dissolvidos é 1.000 mg/L. Teores elevados neste parâmetro
indicam que a água tem sabor desagradável, podendo causar problemas
digestivos, principalmente nas crianças, e danifica as redes de
distribuição”, assinalam os pesquisadores.
Açude é uma das poucas opções para consumo doméstico e de animais (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Para Fernandes Pereira, 22 anos, seus quatro irmãos e ainda os pais, o
açude considerado 'milagre' é a única fonte de água existente. Ele
considera a água boa para o consumo de toda a família, que subsiste
majoritariamente do trabalho em uma olaria na região. “Serve para tudo
aqui em casa. Acho que retiramos uns 200 litros por dia. É para banho,
beber, lavar a casa e ainda dar para as galinhas”, disse. Outras 18
famílias na fazenda Campos também dependem do açude e ainda do poço para
o acesso à água.
Porém, para aqueles a quem a operação carro-pipa atende de modo
insuficiente, resta como única solução comprar água. O abastecimento
particular de 6 a 8 mil litros custa de R$ 120 a R$ 200, segundo a
merendeira Lúcia de Fátima, da escola municipal José Inocêncio, zona
rural de Olivedos. Assim, o morador da zona rural acaba gastando mais do
que o próprio sustento para comprar água. O rendimento mensal mediano
per capita dos agricultores na zona rural de Olivedos é de apenas R$
127,50, enquanto a média na Paraíba é de R$ 170, conforme o IBGE.
“Já moro aqui há mais de 20 anos e vi muita seca. Praticamente só tem
dois poços com água suficiente para abastecer a população. Na cidade tem
a água encanada de Boqueirão
(açude Epitácio Pessoa) que só chega à noite, mas na zona rural o jeito
é comprar água porque o carro-pipa do Exército não dá para o consumo do
mês”, alegou.
Gastos com a
compra de água para abastecimento chega até R$ 100 mil mensais em 39
municípios paraibanos, conforme pesquisa da CNM.
Luzia Santos Francisco FrançaLevantamento da CNM foi feito com base em informaçoes das companhias estaduais de saneamento e prefeituras
Na Paraíba, nove cidades estão em racionamento de água, 22 em colapso
total, sendo abastecidas por carros-pipa, e 131 municípios afetados pela
seca têm gastos mensais com compra de água. As informações integram a
pesquisa nacional sobre a seca divulgada ontem pela Confederação
Nacional dos Municípios (CNM).
De acordo com a CNM, o Nordeste brasileiro enfrenta em 2013 a maior
seca dos últimos 50 anos, com mais de 1.400 municípios afetados. A seca
deste ano já é pior do que a do ano passado, que também foi recorde.
Para mostrar essa realidade, a partir de amanhã o JORNAL DA PARAÍBA inicia uma série de reportagens sobre a seca no Estado.
O levantamento da CNM, com base em dados repassados pelas companhias
de abastecimento e saneamento estaduais e as prefeituras municipais, foi
realizado no período de 8 de abril a 2 de maio deste ano. Na Paraíba, a
Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) informou que os
mananciais que abastecem João Pessoa e cidades litorâneas não enfrentam
risco de falta de água, mas no interior do Estado, os reservatórios
ainda estão com nível de água baixo.
O presidente da Cagepa, Deusdete Queiroga, informou que na região do
Brejo, as chuvas que caíram desde o final de abril elevaram o nível de
água acumulado nos reservatórios, mas ainda não foi suficiente para
normalizar o abastecimento de água.
Em relação à decretação de situação de calamidade pública e de estado
de emergência, o estudo da CNM aponta que, nos últimos 10 anos, foram
reconhecidas 7.756 situações de emergência relacionadas à seca na
região Nordeste, sendo que a Bahia, com 1.306 portarias, Ceará, 1.386 e a
Paraíba, 1.235, são os Estados que mais se destacam em números de
portarias.
“Esses dados demonstram que desde 2003 os estados do Nordeste vêm
sofrendo cada vez mais com os danos causados pela seca prolongada e que
as soluções não chegam à mesma proporção dos estragos provocados”,
argumentou o presidente do CNM, Paulo Ziulkoski.
Dos 223 municípios paraibanos, a CNM conseguiu levantar dados de 163
cidades. Das localidades pesquisadas, 131 têm gastos mensais com compra
de água, sendo que 87 despendem até R$ 50 mil, 39 de R$ 50 mil a R$ 100
mil, 5 gastam acima de R$ 100 mil mensais. Outros 17 declararam não
comprar água. Entre os municípios que compram água, segundo o
levantamento da CNM, estão Borborema, Emas, Areia, Livramento, Sobrado,
Curral Velho, Malta e Jacaraú.
Sobre a distribuição de água, 93 dos entrevistados mostraram que são
realizadas pelo Exército Brasileiro, outros 69 responderam que a
distribuição é feita por serviço terceirizado e 52 indicaram outra forma
de distribuição.
Chama muito a atenção que, em 82 municípios pesquisados, a água
distribuída é exclusivamente para o consumo humano; em outros 50, 75% da
água é para o consumo humano e 25% para o consumo de animais. Por sua
vez, em 20 cidades, metade da água distribuída é para consumo humano e a
outra metade para os animais.
Para o presidente do CNM, Paulo Ziulkoski, o consenso é que a maneira
de conviver e enfrentar o fenômeno climático inevitável da seca só será
possível através de obras hídricas estruturadoras: barragens,
interligação de bacias a partir do São Francisco, infraestrutura para a
agricultura irrigada e gestão permanente da água.
O presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba
(Famup), Rubens (Buba) Germano, afirma que a seca aflige dezenas de
municípios paraibanos, matando animais e ameaçando a sobrevivência de
milhares de famílias. Além de provocar perdas nas lavouras e causar
prejuízo aos agricultores, compromete os reservatórios de água
resultando em sede, fome e na perda de rebanho, bem como em problemas de
risco à vida humana.
O presidente da Famup informou ainda que na próxima segunda-feira
será realizada uma sessão especial na Assembleia Legislativa do Estado
para discutir os problemas da seca. Na ocasião, os prefeitos farão um
ato em protesto à política adotada pelo governo federal em relação à
seca.
“Estamos cobrando uma maior atenção do governo federal sobre a
questão da seca, que deixou um rastro de destruição sem comparação na
história do Nordeste”, disse.
De
acordo com o pesquisador do Inpe José Marengo, o aumento da temperatura
e a falta de chuva podem ser os principais responsáveis pela aridez na
região
Cidades | Em 27/04/2013 às 09h19, atualizado em 27/04/13 às 09h23 | Por Redação, com Agência Brasil
Paraíba poderá virar deserto
Estudos
do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com base em
tendências climáticas revelam que, em 2100, parte do Semiárido
brasileiro será uma região de deserto. De acordo com o pesquisador do
Inpe José Marengo, o aumento da temperatura e a falta de chuva podem ser
os principais responsáveis pela aridez na região.
Os efeitos
mais agressivos da estiagem estão concentrados na Região Nordeste, onde o
Ministério do Meio Ambiente (MMA) já identificou oficialmente quatro
núcleos de desertificação: são 1.340 quilômetros quadrados e
aproximadamente 1400 municípios em 11 estados. A área abrange 16% do
território brasileiro.
Os núcleos estão localizados na região do
Seridó, na Paraíba, onde o fenômeno ocorre devido à falta de manejo da
caatinga para atender a pecuária extensiva e a demanda energética; na
região de Xingó, que compreende municípios nos estados de Alagoas,
Pernambuco, Sergipe e Bahia, a ocorrência se dá devido à irrigação sem
critérios técnicos, provocando a salinização dos solos; Na região de
Gibões (PI), ocorre uma intensa degradação do solo por processo de
mineração inadequado; e na região do Irauçuba (CE), por falta de manejo
dos recursos naturais.
“Em 2050, algumas partes do Semiárido já
podem passar a ser áridas. Atualmente chove apenas parte do ano e a
precipitação é mal distribuída. No caso da aridez, é quando não há
chuva”, explica. Para Marengo, a situação atual do Semiárido é
preocupante devido à duração da estiagem. A rigorosa escassez de chuvas
pelo segundo ano consecutivo impõe à região a pior seca dos últimos 50
anos, que atinge 1.046 municípios.
“O maior problema é que a
população ainda não está adaptada à seca. E o fato não é um fenômeno
surpresa, já aconteceu antes. Atualmente a população que sofre com os
efeitos da estiagem, abandona seus terrenos no campo e migra para as
grandes cidades. Isso pode criar um problema social, a pessoa
desesperada por comida faz saques. Ela não quer roubar, só quer comer. O
impacto da seca já passou a ser um fenômeno social, político, não
apenas meteorológico”.
De acordo com o pesquisador em
geoprocessamento da Embrapa Semiárido, Iêdo Sá, o processo de
desertificação é consequência de fatores humanos e climáticos. “O
Semiárido tem uma série de condicionantes como clima, solo, água e
regime de chuvas que é muito favorável a processos de degradação de
ambiente. Associados com práticas inadequadas adotadas pelo homem, às
vezes por ignorância, por má-fé ou falta de capital, [provocam a
desertificação].
Dentre os fatores humanos, ele destaca o
desmatamento, a extração excessiva de produtos florestais, as queimadas,
a sobrecarga animal, o uso intensivo do solo e seu manejo inadequado e,
por último, o emprego de tecnologias não apropriadas para ecossistemas
frágeis. “Com respeito às causas climáticas da degradação, é possível
mencionar as recorrentes e prolongadas secas que afetam vários países e
que [agravam] ainda mais as consequências derivadas da ação humana”
Sá
explica que nas áreas em processo de desertificação as proporções de
pobreza e de indigência estão acima da média nacional. Segundo ele, no
Nordeste brasileiro, uma área maior do que o estado do Ceará já foi
atingida pela desertificação de forma grave ou muito grave.
“Do
mesmo modo, a pobreza e a indigência, geralmente, afetam a população
rural em maior proporção do que a população urbana, mesmo que, em
números absolutos, haja mais pobres nas cidades. É comum no meio rural
que parte dos membros do grupo familiar migrem, temporária ou
permanentemente, em busca de atividades de maior produtividade, seja na
própria agricultura seja em outros setores”.
Para combater o
processo, o MMA tem destinado em torno de R$ 25 milhões a iniciativas de
uso sustentável dos recursos naturais. De acordo com o diretor do
Departamento de Combate à Desertificação do ministério, Francisco
Barreto Campello, para viabilizar a aplicação dos recursos, a pasta
viabilizou um conjunto de projetos que promovem a convivência com a
semiaridez para o combate à desertificação, visando à segurança
alimentar, energética, hídrica e da biodiversidade.
O processo de
desertificação não se observa apenas no Semiárido brasileiro. Segundo
Campello, o fenômeno está presente em 34,7% da superfície do planeta, em
uma área onde vivem cerca de 41,3% da população. Na América Latina,
dados da Organização das Nações ?Unidas para a Alimentação e a
Agricultura (FAO) revelam que mais de 516 milhões de hectares são
afetados no mundo. Como resultante do processo perdem-se cerca de 24
bilhões de toneladas por ano da camada arável e produtiva do solo, o que
afeta de forma negativa a produção agrícola e o desenvolvimento
sustentável.
Sobre os efeitos da longa estiagem provocada pelo
clima semiárido, José Marengo destacou a iniciativa de Israel como uma
experiência de sucesso no convívio com a falta de chuva. “Israel também
tem seca, como a do Semiárido brasileiro, mas não tem os mesmos
problemas. Há produção [agrícola] o ano todo. Os investimentos do setor
privado são muito fortes. Lá eles aprenderam a conviver com a seca. Um
país pequeno, [com alto grau de tecnologia] – ideal para ser aplicado no
Brasil, como já é usado em Petrolina. Na cidade, há um investimento
forte com a agricultura”.
Segundo o pesquisador do Inpe, a região
de Sahel, na África também tem um clima semelhante ao do Semiárido
brasileiro. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que a
piora da situação da seca na região do Sahel já afeta 15 milhões de
pessoas, incluindo 1 milhão de crianças, com a escassez de alimentos e o
agravamento da desnutrição. De acordo com o Conselho de Segurança da
ONU, a presença de grupos terroristas armados, junto com a pobreza
crônica e a alta dos preços dos alimentos, torna o problema ainda mais
delicado na região africana.
Açude em Serra Grande, no Sertão, registrou sangria na terça-feira. Segundo Aesa, 51 reservatórios estão com até 20% da capacidade.
Do G1 PB
Apesar de início do período de chuvas, açude do Serrote secou (Foto: Taiguara Rangel/G1)
O período de chuvas começou e conforme previsão dos analistas da
Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) da Paraíba, alguns açudes
já estão retomando seus volumes. O órgão registrou o primeiro
sangramento de um reservatório este ano no açude Cafundó, localizado no
município de Serra Grande,
no Sertão paraibano. O manancial do Cafundó tem capacidade para 313.680
metros cúbicos de água e ultrapassou o limite de sua lâmina máxima na
última terça-feira (26).
O Açude do Serrote, em Monteiro,
no Cariri, foi também o primeiro a entrar em colapso este ano e secou
no último dia 18 de março, quando a Aesa registrou no local uma medição
de 0,0% do seu volume. Conforme medição da Aesa, 51 reservatórios ainda
estão com até 20% da capacidade, sendo 36 em observação e 15 em situação
considerada crítica.
Ainda de acordo com a agência, oito municípios tiveram chuvas, segundo
registro da última quarta-feira (27). As precipitações atingiram as
estações de monitoramento nas cidades de Baraúnas, Cuité, Emas, Frei Martinho, Ouro Velho, Serra Branca, São Bento e Taperoá,
no Curimataú, Cariri e Sertão do estado. A previsão dos meteorologistas
da Aesa é de que o período chuvoso deve se estender até o mês de maio.
"Continuamos apresentando a mesma situação prevista na reunião
climática, com início da temporada de chuvas. Já tivemos chuvas isoladas
nos últimos dias no Sertão, que devem continuar", disse a
meteorologista da Aesa, Marle Bandeira. Segundo o gerente de bacias
hidrográficas Lucílio Vieira, as precipitações registradas ainda são
insuficientes para que haja uma recarga nos volumes dos açudes.
Águas do açude que abastece Sousa serão racionadas.
Abastecimento será reduzido em 25%.
Do G1 PB
O Açude de São Gonçalo, no Sertão da Paraíba, inicia nesta terça-feira
(19) um racionamento que pretende gerar uma economia de 25% no consumo
de água ao mês, segundo a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba
(Cagepa). Uma das bombas de captação, localizada na Estação de
Tratamento de São Gonçalo, será desligada durante 30 dias, entre 17h e
4h da manhã.
O açude está localizado em área pertencente ao Departamento Nacional de
Obras Contra as Secas (Dnocs), na bacia hidrográfica de Alto de
Piranhas, sub-bacia do Rio Piranhas. O reservatório com capacidade
hídrica de 44 milhões e 600 mil metros cúbicos de água, está atualmente
com 24,4% de sua capacidade, pouco mais de 10,8 milhões de metros
cúbicos, conforme medição da Aesa. Conforme o órgão, 56 reservatórios na
Paraíba estão abaixo de 20% da sua capacidade, com volume considerado
em observação ou crítico.
Segundo a Cagepa, após esse prazo, caso a população não se conscientize
da necessidade de economizar água e caso a chuva não venha, serão
adotadas medidas mais drásticas, como o racionamento efetivo de água, no
formato de 24 horas com abastecimento e 24 horas sem abastecimento.
A medida é resultado de acordo firmado em audiência realizada no dia 14 de março, em Sousa,
entre representantes do Ministério Público Federal, Ministério Público
Estadual, Prefeitura de Sousa, Cagepa, e Junta dos Usuários das águas do
Açude de São Gonçalo. Também foi definido que antes do racionamento
efetivo deve haver ampla divulgação do acordo e preve ainda a
possibilidade de interrupção diária do fornecimento de água.
Abastecimento de água em Sousa será reduzido; medida visa diminuir o consumo e evitar que haja racionamento na cidade.
Tatiana Brandão
A população de Sousa, no Sertão paraibano, vai passar a ter o abastecimento de água reduzido a partir da próxima terça-feira.
De acordo com a superintendente do Departamento de Água, Esgoto e
Saneamento Ambiental (Daesa), Magela Nobre, a medida visa diminuir o
consumo de água para evitar a necessidade de racionamento e a decisão
foi tomada após reunião da Daesa com o Ministério Público e a Prefeitura
de Sousa, na última quinta-feira.
Conforme explicou Magela, a redução no abastecimento se dará com o
desligamento de uma das bombas da estação de tratamento do Açude de São
Gonçalo, entre as 17h e 4h da madrugada, todos os dias da semana,
durante 30 dias. Com isso, a força de bombeamento da água vai diminuir
em até 24%, reduzindo consequentemente o consumo.
“Não vamos deixar de abastecer. Apenas vamos reduzir a potência de
bombeamento. A água vai chegar com menos força nas torneiras. O que pode
acontecer é que algumas residências fiquem sem água ou ela chegue muito
fraca, porque as casas estão localizadas em áreas mais íngremes, mas
como o horário de redução, em sua maior parte, será à noite e durante a
madrugada, estas pessoas não serão tão prejudicadas”, explicou a
superintendente.
Após os 30 dias de redução, uma equipe técnica do departamento irá se
reunir e analisar os dados de consumo do período. Caso a medida não
tenha tido resultados satisfatórios, Magela Nobre disse que será
estudada a possibilidade de um racionamento no qual o abastecimento na
cidade se daria em dias alternados, ou seja, um dia teria água nas
torneiras e no outro não. “Para evitar o racionamento, pedimos a
colaboração de toda a população para economizar água e, assim, todos
terem água em suas casas e estabelecimentos comerciais todos os dias”,
salientou.
O Açude de São Gonçalo, que abastece a cidade de Sousa, está
atualmente com 22% da sua capacidade máxima de armazenamento, que é de
44,6 milhões de metros cúbicos de água. O consumo mensal de água no
município é superior a 200 mil metros cúbicos de água.
Racionamento começa a partir da terça-feira (19) com o desligamento de uma das bombas de captação.
Em razão da baixa quantidade de água do Açude de São
Gonçalo, no sertão da Paraíba, a partir da próxima terça-feira (19) a
Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) efetuará o desligamento
de uma das bombas de captação, localizada na Estação de Tratamento de
São Gonçalo, no Município de Sousa (PB), a 433 km da capital João Pessoa.
A bomba será desligada durante 30 dias, entre 17 h e 4 h da manhã,
gerando uma economia de 25% no mês.
Após esse prazo,
caso a população não se conscientize da necessidade de economizar água e
caso a chuva não venha, serão adotadas medidas mais drásticas,
inclusive o racionamento efetivo de água, no formato de 24 horas com
abastecimento e 24 horas sem abastecimento.
O racionamento é
resultado de acordo firmado em audiência realizada ontem (14), em Sousa,
que teve a participação de integrantes do Ministério Público Federal,
Ministério Público Estadual, Prefeitura de Sousa, Cagepa, e Junta dos
Usuários das Águas do Açude de São Gonçalo.
Também foi definido
que antes do racionamento efetivo (24h/24h) deve haver ampla divulgação
do acordo para a população mediante divulgação nas rádios. Caso o
racionamento não surta efeito, o período de desligamento da bomba pode
ser ampliado, chegando-se, inclusive, à interrupção diária do
fornecimento de água.
O Açude de São Gonçalo está localizado em
área pertencente ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas
(Dnocs), na bacia hidrográfica de Alto de Piranhas, sub-bacia do Rio
Piranhas, no oeste da Paraíba. As obras de construção do açude iniciaram
em 1932, finalizando em 1936, com capacidade hídrica de 44 milhões e
600 mil metros cúbicos, tendo como objetivo dirimir os efeitos nocivos
da estiagem sofridos pela população do local.
Mais de 50% dos reservatórios já estão totalmente secos e os poucos que ainda dispõem de água estão com volume abaixo dos 10%.
Leonardo SilvaSituação dos 38 barreiros, afeta cerca de dez mil pessoas
A busca por água na zona rural de Campina
Grande está cada vez mais difícil para quem reside nessa área, e a
situação dos 38 barreiros existentes já está calamitosa e afeta cerca de
dez mil pessoas. Mais de 50% dos reservatórios já estão totalmente
secos e os poucos que ainda dispõem de água estão com volume abaixo dos
10%, conforme informações repassadas pela Defesa Civil do município.
Desde a semana passada a Secretaria de Agricultura de Campina Grande
iniciou um trabalho de limpeza nos barreiros com a utilização de dez
máquinas, incluindo retroescavadeiras, tratores e caçambas. O intuito é
preparar esses locais para receber a água das chuvas e aumentar a
capacidade dos reservatórios.
O coordenador da Defesa Civil de Campina Grande, Ruiter Sansão,
ressaltou que a zona rural do município conta com uma população de 22
mil pessoas e cerca de dez mil não têm acesso à água canalizada.
Segundo o engenheiro agrônomo e coordenador da Secretaria de
Agricultura do município, Reginaldo Bias, essas pessoas recebem água
através de carros-pipa e muitas delas dependiam da água desses
barreiros, que se encontram em sua maioria sem água.
“Os peixes já estão morrendo e a água não tem mais nenhuma utilidade para essas populações”, afirmou o engenheiro.
O secretário de Agricultura do município de Campina Grande, Guilherme
Almeida, informou que qualquer proprietário de terra pode requisitar a
limpeza dos barreiros e para isso basta procurar o setor de recursos
hídricos da secretaria e informar os dados. Em seguida, uma equipe vai
ao local para fazer o planejamento.
O secretário disse também que o trabalho foi iniciado na semana
passada pelo distrito de Catolé de Boa Vista e naquela área existiam
açudes que não eram limpos há mais de 20 anos.
“O nosso intuito é limpar os reservatórios para que fiquem preparados
para receber a água das chuvas que poderão cair nos próximos dias”,
ressaltou.
Meteorologistas
da Aesa afirmam que estudo do Inmet não retrata a realidade paraibana, e
que o estado deve registrar chuvas acima da média.
Tatiana Brandão
Apesar de um estudo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)
indicar que as chuvas na região do semiárido nordestino devem ficar
abaixo da média histórica este ano, meteorologistas da Agência Executiva
de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) afirmam que o estudo
não retrata a realidade paraibana e que o estado deve registrar chuvas
acima da média, especialmente a partir de março, com a regularidade da
ocorrência de chuvas em todas as regiões.
De acordo com o meteorologista Alexandre Magno, o estudo realizado
pelo Inmet faz uma previsão geral, colocando nas mesmas condições
Estados com períodos chuvosos diferenciados, o que leva a um equívoco
sobre a previsão de chuvas em cada unidade da federação. “Cada Estado
possui regiões com períodos chuvosos diferentes, então, a previsão falha
porque coloca uma realidade para todos os estados como se fosse uma
coisa só, mas não é”, disse.
Ele explicou que todos os estudos feitos pela Aesa mostram que a
Paraíba vai ter melhoria na ocorrência de chuvas. “A perspectiva
continua sendo de que, a partir de março, deve aumentar a regularidade
das precipitações chuvosas e todas as regiões do estado vão ter seus
totais chuvosos oscilando dentro da média histórica”, afirmou Alexandre
Magno, acrescentando que, este ano, os índices de registro de chuvas em
pontos estratégicos de cada região paraibana, mesmo com as chuvas ainda
sendo irregulares, se mantém dentro da média.
Como exemplos, o meteorologista mencionou alguns dos índices
alcançados do início do ano até agora nos principais pontos de
verificação de cada região. “No Alto Sertão, tivemos 236,5 milímetros
(mm) em Riacho dos Cavalos. Em Coremas, 148 mm; Alhandra, 194,1 mm; No
Brejo, Bananeiras teve 122,2 mm; Matinhas, 118,9; Monteiro, 102,3 mm.
Tudo dentro da média, e ressaltando que estamos apenas no primeiro mês
do período chuvoso das regiões do Semiárido, Cariri e Sertão, e, no
Litoral, o período chuvoso se inicia somente em abril”, salientou.
A meteorologista Marle Bandeira, que participou da divulgação do
estudo do Inmetpor meio de vídeo-conferência, explicou que os resultados
dos estudos são divulgados em forma de probabilidades. “As chances das
chuvas ficarem abaixo do normal são de 40%. Já a perspectiva das
precipitações permanecerem dentro do padrão normal, que é de 35%. Há
ainda 25% de probabilidade de chover acima da média histórica”,
informou.
O relatório foi elaborado para o setor Norte da região Nordeste que,
no caso da Paraíba, abrange o Sertão, Cariri e Curimataú. “É importante
destacar que não estamos falando da previsão para todo o nosso Estado.
De modo geral, as outras regiões devem ter chuva dentro da média
histórica, apenas no semiárido é que temos essa possibilidade de chover
abaixo do normal”, destacou Marle Bandeira.
As chuvas que caíram semana passada em praticamente toda Paraíba não
foram suficientes para aliviar o sofrimento da maioria dos paraibanos,
principalmente os sertanejos.
O Padre Djacy Brasileiro, uma voz que clama no Sertão paraibano
surpreendeu a todos nesta tarde ao postar no seu Facebook, fotos de um
animal que foi abatido e estava sendo despelado em uma comunidade rural.
Nada de anormal se o animal em questão não fosse um tamanduá.
Isso mesmo, com o gado morrendo de fome e sede, e com as galinhas
ficando cada vez mais escassas, os sertanejos encontraram no tamanduá,
uma oportunidade de garantir alimento para suas famílias.
A cena pode parecer grotesca ou selvageria, mas para quem convive com
o drama diário da seca, sabe que está cada vez mais difícil garantir
alimentação.
A reportagem tentou contato com o padre Djacy por telefone
para colher mais informações, mas ele não atendeu e no seu post, não
revelou em qual cidade foi registrado o fato.
Na rede social, o padre disse apenas que fazia mais uma de suas
peregrinações pelas comunidades rurais do interior da Paraíba, quando se
deparou com a cena. Ao indagar as pessoas por que eles estavam fazendo
aquilo, a resposta foi seca (com perdão do trocadilho): “para comer,
padre, para comer”.
Açude sofre com danos causados pela irrigação, estiagem e consumo humano. Reservatório atinge o nível mais baixo em 10 anos.
Isabela Alencar
Com capacidade para armazenar mais de 411 milhões de metros cúbicos (m³)
de água, o volume do açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) caiu 35%
(equivalente a 128,5 milhões de m³) entre fevereiro de 2012 e fevereiro
deste ano, atingindo agora a marca de 56,4% da capacidade total,
constatada como a menor dos últimos dez anos. A estiagem do ano passado,
considerada uma das mais agressivas das últimas décadas, fez com que a
evaporação fosse a principal causa da perda de água, seguidos da
irrigação e consumo humano.
De acordo com os dados da Agência Executiva de Gestão das Águas do
Estado da Paraíba (Aesa), desde fevereiro do ano passado, quando foi
registrado um nível de 360,878 milhões de m³, Boqueirão perdeu mais de
128 milhões de m³, registrando neste mês, mais de 232 milhões de m³
(56,4%). A perda do volume de água em apenas um ano é maior do que o
volume total de muitos açudes monitorados pela Agência, como o açude
Gramame/Mamuaba, localizado no município do Conde, litoral do Estado, o
principal manancial que abastece João Pessoa, com capacidade total de
56,900 milhões de m³.
Gráficos da Aesa também mostram que o volume de água do Boqueirão é o
menor dos últimos dez anos. Antes desse período o nível mais baixo foi
registrado no final de 2003, que teve um volume de pouco mais de 100
milhões de m³ de água. Apesar do nível continuar baixando este ano, o
gerente de Monitoramento e Hidrometria da Aesa, Lucílio Vieira, afirmou
que se as chuvas ocorrerem da maneira como a Agência está prevendo,
haverá uma normalização a partir de março, para o Sertão, Cariri e
Curimataú.
“Por isso prevemos também que em abril o açude Epitácio Pessoa tome água
e nesse período atinja 80% de sua capacidade. Aí sim vamos iniciar
estudos para verificar se existe a necessidade do racionamento”,
informou o especialista. Conforme explicou, 2012 foi um ano de chuvas
irregulares.
“Quase não choveu, enfrentamos um período longo de estiagem e Boqueirão perde cerca de 120 milhões de m³ de água por ano.
Podemos dizer que o volume de água desse açude está normal para essa
época. Consta em nossos registros de monitoramento que ele está com
56,4% da capacidade total ou 232 milhões de m³, em números redondos”,
afirmou.
Considerada
a maior seca dos últimos 40 anos, a falta de chuvas nos últimos dois
anos em cidades do Sertão Nordestino (2011/2012) tem desencadeado uma
série de problemas, que vão desde a queda total na produção agrícola,
perdas de rebanhos, falta de água pra beber, e ainda a evasão escolar.
O problema foi identificado
este ano pelo secretário de educação do município de Mãe d’Água-PB,
Adalberto Lima, com o início do ano letivo 2013, aberto no último dia 18
de fevereiro. De acordo com Lima, no ano passado a rede municipal
matriculou 697 alunos nas 11 escolas do município e este ano, apesar de
todo esforço da administração, foram matriculados 667. Ou seja, uma
redução de 30 alunos, quando todos esperavam que esse número aumentasse.
“Está havendo um êxodo rural muito grande por conta da seca. Várias
famílias estão procurando outras regiões menos afetadas pela estiagem
para fixar nova residência.” Explica Lima. “No ano passado muitas
famílias deixaram suas casas no campo, mas vieram morar aqui em na
cidade, por isso não sentimos tanta diferença. Como Mãe d’Água também
está sofrendo com a falta de água, essas famílias agora estão procurando
outras cidades, principalmente no Sul do país, onde os ciclos chuvosos
são mais regulares.”
Adalberto informou que essa
evasão escolar vem preocupando sobremaneira a prefeita do município,
Margarida Fragoso (Margarida Tota) que continua centrando esforços na
tentativa de firmar parcerias com os governos Estaduais e Federais, no
sentido de atrair obras, como a construção de açudes, que possam
resolver esse problema que aflige a população de seu município. “Na
semana do retorno às aulas, somente na escola José Luiz de Oliveira, nós
perdemos 16 alunos, cujos pais foram embora a procura de sobrevivência
em outras regiões.” Lamentou Lima.
Outro problema que a
Secretaria de Educação de Mãe d’Água enfrenta por conta da seca, é com
relação à compra direta de produtos agrícolas feita aos produtores
rurais da chamada Agricultura Familiar. “A lei diz que nós temos que
comprar 30% da merenda a esses produtores, mas como vamos fazer isso se
eles não conseguiram produzir absolutamente nada?” Indaga o secretário.
De acordo com ele, no ano de 2011 alguns agricultores que se enquadram
no programa do Governo Federal, ainda conseguiram produzir alguns
produtos através da irrigação de poços. “Mas os poços secaram totalmente
e eles não conseguem água sequer para beber. Não fosse os carros pipa
contratados pela prefeitura que vem fazendo esse abastecimento, a
situação era prá lá de caótica” Enfatiza. “Através de contatos em
Brasília-DF, nós estamos buscando orientação junto ao FNDE – Fundo
Nacional de Educação Básica – para saber o que fazer nesse caso.”
Completou.
TRANSPORTE ESCOLAR
Durante essa entrevista o secretário
Adalberto revelou ainda que na próxima terça feira - 26.02, estará em
João Pessoa-PB, capital do Estado, para participar de uma audiência
promovida pelo MPPB – Ministério Público da Paraíba, que deve recomendar
a todos os municípios o fim do transporte de estudantes que não seja em
ônibus devidamente vistoriados pelos órgãos competentes. O evento será
promovido através do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da
Educação (Caop da Educação), e ocorrerá no auditório do Unipê, na
capital, com a presença do procurador geral de justiça do MPPB, Osvaldo
Trigueiro do Vale Filho. “Essa é outra questão que pode contribuir ainda
mais para a evasão escolar em Mãe d’água. Nós temos ônibus específicos
para esse fim adquiridos pela administração anterior e também pela a
atual, mas por conta do relevo do nosso município, composto
especialmente por serras e montes, apenas as caminhonetas D-20 conseguem
chegar a algumas residências, especialmente se o início do período
chuvoso previsto agora para março se confirmar. Caso nós tenhamos que
assinar o termo de cooperação entre o Ministério Público, Departamento
de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), Departamento de Estradas e Rodagem
(DER-PB) e Comando da Polícia Militar do Estado para fiscalização do
transporte escolar, que impede que os alunos sejam conduzidos em outros
veículos que não sejam os ônibus, não teremos como pegar esses alunos
nesses locais de serra.” Explica Lima, preocupado.