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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

PMJP vai notificar proprietários de 537 imóveis por propaganda irregular







A Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por meio das Secretarias de Planejamento (Seplan) e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), vai notificar os proprietários de 537 imóveis, localizados no perímetro do Centro Histórico da Capital, que estão com propagandas em desacordo com as recomendações do Código de Postura do Município. A lista com os nomes dos donos dos prédios irregulares já foi publicada no Semanário Município.

De acordo com o diretor de Fiscalização da Seplan, Giovani Alencar, a partir desta quarta-feira (14) os proprietários dos imóveis com propaganda em desacordo com a legislação terão 30 dias para se adequarem ao Código de Posturas do Município. Ele destacou ainda que ação da PMJP é em conjunto com os Institutos do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Estadual (Iphaep) é mais uma iniciativa para a valorização do Centro Histórico da Capital.

“O Código de Posturas do Município prevê, entre outras coisas, que qualquer edificação localizada no perímetro do Centro Histórico só pode ter uma publicidade na fachada e com dimensões já estabelecidas para que não prejudique o prédio e cause poluição visual. Então, esse trabalho de regularização dos imóveis será uma ação importante para a valorização do Centro Histórico e preservação da área”, reforçou Giovani Alencar.

O trabalho da Seplan e Sedurb foi definido em conjunto com o Ministério Público Estadual (MPPB), além dos órgãos de proteção ao Patrimônio Histórico, durante uma reunião realizada na última terça-feira (6). Todas as recomendações do Código de Postura Municipal (Lei Complementar nº 07/1995) sobre como deve ser a instalação de publicidade nos imóveis localizados no Centro Histórico estão disponíveis no link: http://www.joaopessoa.pb.gov.br/portal/wp-content/uploads/1995/08/C_digo-de-Posturas-do-Munic_pio-de-JP.pdf.


 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Instituto remove 35 placas publicitárias de prédios históricos de Campina Grande

Fiscalização visa a preservar patrimônio histórico e já flagrou irregularidades em 91 prédios. 

 
Rua  Maciel Pinheiro é um dos exemplos de aplicação da Art Decó na arquitetura de Campina Grande (Foto: Ligia Coeli/G1/Arquivo)
Rua Maciel Pinheiro é um dos exemplos de aplicação da Art Decó na
arquitetura de Campina Grande (Foto: Ligia Coeli/G1/Arquivo)
 
Pelo menos 35 placas de publicidade foram retiradas de prédios históricos no Centro de Campina Grande, durante fiscalização do instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep). A ação começou na terça-feira (4) e até esta quinta-feira (6) encontrou irregularidades em 91 estabelecimentos na Rua Maciel Pinheiro.

 A fiscalização estava na pauta de um Inquérito Civil do Ministério Público Estadual. Dos 91 estabelecimentos, 35 deles tiveram suas placas e letreiros removidos pela equipe do Iphaep, porque tinham mais de 50 cm de altura.

O objetivo da fiscalização é preservar o patrimônio e prédios históricos da cidade de Campina Grande. "As lojas ficarão sem placas, até que os proprietários apresentem um projeto, e que ele seja aprovado, pelo setor de arquitetura do Instituto do Patrimônio estadual", explicou a diretora executiva do Iphaep, Cassandra Figueiredo

A rua Maciel Pinheiro está localizada no perímetro de delimitação do Centro Histórico de Campina Grande e contempla 91 imóveis comerciais. A área foi tombada pelo Iphaep, por meio do Decreto nº 25.139, de 2004, por conter elementos arquitetônicos do art déco.

A proposta de promover a regularização das placas do Centro Histórico de Campina Grande surgiu em 2011, quando o Ministério Público de Campina Grande foi procurado por um grupo de turistas e pesquisadores, que se sentiram incomodados pela poluição visual da área.

Na época foi aberto um Inquérito Civil Público e foram acionados a Prefeitura de Campina Grande e o Iphaep, para que promovessem a regularização das placas consideradas irregulares. 


quarta-feira, 26 de março de 2014

Seleção vai financiar reformas em casarões históricos de João Pessoa

25/03/2014 17h09 - Atualizado em 25/03/2014 17h09

Prefeitura abriu edital para recuperação de imóveis históricos privados.
Total de investimentos chega a R$ 3 milhões. Inscrições vão até 24 de abril.




 
Do G1 PB
Na Rua João Suassuna são muitos os casarões em condições precárias (Foto: Juliana Brito/G1)
Na Rua João Suassuna são muitos os casarões em condições
precárias (Foto: Juliana Brito/G1)

Um edital para financiamento da recuperação de móveis privados localizados no Centro Histórico de João Pessoa foi lançado pela Prefeitura da capital (PMJP) nesta terça-feira (25). As inscrições estarão abertas até 24 de abril e a ação será realizada em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Banco do Nordeste. Os projetos serão avaliados pela comissão, que vai apontar os selecionados no dia 28 de abril.
Proprietários ou locatários dos imóveis, pessoas físicas ou jurídicas, poderão concorrer inscrevendo propostas de intervenção de acordo com necessidades como recuperação de fachadas e coberturas, estabilização e consolidação estrutural, reparo de instalações elétricas, hidrossanitárias e de prevenção contra incêndio. Também serão contempladas as intervenções que visam adequar os imóveis às condições de insolação e ventilação e a elaboração de projetos de arquitetura, engenharia. 
 
O valor total dos recursos disponibilizados pelo edital é de R$ 3 milhões,  que serão liberados em etapas a serem definidas de acordo com as inscrições. Na primeira etapa, o valor a ser liberado é de R$ 1 milhão e o financiamento poderá ser quitado em até 15 anos, no caso de imóveis residenciais ou mistos, ou em 10 anos, quando for utilizado para outros fins.
 
Mais informações
Os interessados em concorrer ao edital ou em obter mais informações podem procurar a Coordenadoria do Patrimônio Cultural de João Pessoa (Copac-JP), que fica localizada no Paço Municipal, no Centro de João Pessoa. As dúvidas também podem ser retiradas por telefone, nos números 3214-3206 e 3214-1395.
 
O projeto da Prefeitura de João Pessoa é incentivar o comércio e a habitação no Centro Histórico, o que será possível com a revitalização dos casarões. A estimativa é que a arqueologia que está sendo realizada no na rua João Suassuna seja concluída em cerca de dois meses, o que vai viabilizar o início das obras de recuperação propriamente ditas.
Fonte

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Bens culturais sofrem ameaça

Igrejas seculares, que antigamente foram um reduto de ritos e celebrações religiosas, hoje estão em ruínas.
 


 

Estruturas que um dia foram espaços para ritos e celebrações religiosas, hoje estão frágeis e correm risco de desaparecimento devido à ação do tempo e o abandono. No Litoral Norte da Paraíba, a rigidez da gameleira, que cresceu no interior da parede de concreto da Igreja de Bonsucesso, localizada na zona rural do município de Lucena, é quem sustenta a edificação que data de 1789. Já a capela São Miguel Arcanjo, em Baía da Traição, também na mesma faixa litorânea, apenas conserva parte do altar onde as cerimônias eram realizadas. Enquanto isso, as pedras que um dia separaram os ambientes da igreja de Nossa Senhora de Nazaré (Almagre), em Cabedelo, estão cobertas pelo mato e espalhadas no chão.
 
Apesar de a Igreja de Bonsucesso antigamente ter sido conhecida por 'Igreja do Ouro', por ter detalhes e objetos ornamentados com o material, há décadas está tomada pela vegetação. As paredes estão esburacadas, as portas e janelas foram roubadas, restando apenas um dos pedaços da cruz que estava na parede por trás do altar. Do período barroco, época em que se deu a construção do prédio, restam apenas algumas figuras esculpidas na parede, misturadas aos rabiscos com os nomes riscados por quem passou pelo local.
 
O agricultor José Paulo de Oliveira lembra saudoso das missas que participou na igreja construída em meio a uma floresta. Ele conta que mesmo em estado de ruína, há 3 anos um padre ainda vinha até o local para fazer celebrações com a comunidade que mora próximo ao local. “Tinha missa aqui pelo menos uma vez por mês, em homenagem à Nossa Senhora do Bonsucesso. Na data da santa tinha ainda um pessoal que organizava uma procissão, hoje não vem mais ninguém”, lamentou.
 
Ainda animado com as recordações, o agricultor revela fatos curiosos envolvendo a construção da pequena igreja, como as 'assombrações' contadas pelos antigos moradores das proximidades. “O pessoal de antigamente dizia que nesse terreno, em frente à igreja, tinha um cemitério e que à noite apareciam almas. Se você for procurar mesmo, dá para ver restos de ossos e pedaços dos túmulos”, disse. Verdade ou não, no interior do prédio, próximo ao altar, parte de uma estrutura no piso, semelhante a uma caixa, é conhecida como o túmulo onde enterraram um dos primeiros padres que trabalharam no local, conforme contou José Paulo.
 
Embora esteja dentro da floresta e praticamente abandonada, a antiga 'Igreja do Ouro' atrai visitantes que chegam para conhecer o município de Lucena. O guia de turismo Wolgrand Marques sabe do valor histórico do patrimônio e faz questão de incluir a visitação ao prédio na rota dos grupos que leva para o município. “Acho que uma igreja como essa, no meio da floresta, existe em poucos lugares no mundo e é uma preciosidade. O pessoal vem com a intenção de conhecer a praia, mas eu sempre incluo a vista à igreja no passeio”, declarou.
 
A aposentada Antonieta Correia mora na capital, mas ainda não conhecia o município de Lucena. Ela ficou surpresa com a visita à igreja e lamentou o descaso do poder público com o prédio.
 
“É um lugar impressionante. A gente vê que a árvore é quem impede que a parede caia. Uma pena que esteja nessa situação, porque faz parte do nosso patrimônio”, opina.
 
Do outro lado do litoral paraibano, no bairro do Poço, em Cabedelo, está a igreja de Nossa Senhora de Nazaré, conhecida como 'Almagre'. O prédio foi construído no século 16 e assim como a construção localizada em Lucena, apenas fragmentos de desenhos de flores esculpidos nas grossas paredes de concreto denunciam elementos barrocos que compõem a edificação.
 
Além da 'invasão' da vegetação, no terreno onde está a igreja, dezenas de pedras espalhadas pela área revelam o descaso com a estrutura e comprovam que a construção tinha outros espaços além do que resta atualmente.
 

sábado, 17 de agosto de 2013

Projeto de lei prevê desapropriação em caso de abandono de imóvel histórico



Postado em por edificar
 
Por Hallita Avelar  
 
Projeto de lei prevê desapropriação em caso de abandono de imóvel históricoQuem é proprietário de um imóvel histórico e tombado e não se preocupar em mantê-lo e recuperá-lo pode correr o risco de perder o edifício, sendo o mesmo encaminhado a outro dono. Pelo menos é isso que prevê um projeto de lei do vereador Fuba (PT) que está em tramitação e deve ser votado ainda no mês de agosto.
 
Pensando na preservação da parte histórica da cidade, Fuba defende que a prefeitura tenha o poder de desapropriar o bem caso o proprietário não dê a ele a devida atenção.
 
“Existem muitos prédios aqui em João Pessoa que são tombados, mas que não recebem o devido cuidado. Muitos proprietários têm o imóvel com fins de especulação imobiliária, fazendo questão de deixá-lo deteriorar para então, após o desabamento, vender o terreno. Minha ideia é que a prefeitura possa desapropriar a construção e passá-la para alguém com real interesse, seja pessoa física ou jurídica”, justificou o vereador.
 
Sobre o projeto de lei, Fuba explica ainda que a prefeitura determinaria um prazo para o proprietário inicial tentar recuperar o local, do contrário a desapropriação seria feita. “Esse prazo ainda vai ser estipulado”, explicou, reforçando a importância de se dar uma atenção especial ao tema. “Nossa proposta visa cobrir uma lacuna legal para que tanto poder público como iniciativa privada possam se voltar para essa relevante questão. Temos que preservar nosso patrimônio histórico”, concluiu.


sábado, 27 de julho de 2013

Casarões históricos ameaçam desabar em João Pessoa


26/07/2013 23h46 - Atualizado em 27/07/2013 00h24 

Ação do Ministério Público cobra providências dos donos dos imóveis.
Capital tem 60 prédios em situação precária.
 
Juliana Brito 
 
Do G1 PB
 
 
Na Rua João Suassuna são muitos os casarões em condições precárias (Foto: Juliana Brito/G1)
Na Rua João Suassuna são muitos os casarões
em condições precárias (Foto: Juliana Brito/G1)

Uma das formas de se contar a história de uma cidade é através de seus prédios e construções, mas no Centro Histórico de João Pessoa 12 imóveis correm risco iminente de desabar. Eles estão entre os 60 prédios em situação precária de conservação, catalogadas pelos três organismos de preservação patrimonial que atuam na Paraíba: a Coordenadoria do Patrimônio Cultural de João Pessoa (Copac-JP), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
 
As informações são do diretor técnico da Superintendência do Iphan na Paraíba, Umbelino Peregrino. Segundo ele, o levantamento foi iniciado em 2006, quando foram identificados 87 imóveis em situação precária de conservação. Desde então, parte destas edificações passou por intervenções, realizadas pelos proprietários, o que ocasionou a redução da quantidade para 60 edificações. “Apesar de todo o esforço que se fez para diminuir esse número, ainda é uma quantidade considerável”, afirmou Peregrino.

Alguns casarões já não têm sequer o teto (Foto: Juliana Brito/G1)
Alguns casarões já não têm sequer o teto
(Foto: Juliana Brito/G1)
Ainda de acordo com o diretor técnico do Iphan na Paraíba, após o levantamento, uma ação civil pública foi movida pelo Ministério Público Estadual, com o objetivo de cobrar providências, por parte dos proprietários, no que se refere à recuperação das edificações.
 
Umbelino Peregrino informou que, periodicamente, são feitas vistorias, por técnicos dos três  órgãos de preservação patrimonial que atuam no Estado (Coopac, Iphaep e Iphan), com o intuito de reavaliar a situação dos imóveis e encaminhar as informações ao MPE.
 
“Essa interlocução com os proprietários tem sido muito difícil. São imóveis que têm demandas judiciais, que são fruto de herança, de litígio. Muitas vezes, temos de dificuldade até de identificar quem são os proprietários”, declarou.
  
Os ‘casarões’ em situação de maior precariedade estão localizados, segundo o diretor técnico do Iphan, em localidades como: Rua das Trincheiras, em frente à Câmara Municipal de João Pessoa; Avenida Duque de Caxias; Rua João Suassuna, no Varadouro; Avenida Monsenhor Walfredo Leal e Praça Dom Adauto.
 
“O tombamento não implica em perda de titularidade. É apenas um ato jurídico de proteção do imóvel. A responsabilidade de manutenção é do dono”, destacou Peregrino. Ele informou ainda que, antes de ser submetido a uma intervenção ou reforma, o imóvel localizado dentro da área tombada da cidade tem que passar pelo crivo do organismo responsável pelo tombamento.
 
“Nós temos normas para que esse bem não venha a sofrer modificações, dependendo do nível de avaliação que foi feito nele (que varia da ‘demolição possível’ à ‘preservação total’), pode até ser demolido. Mas, desde que seja avaliado”, observou Umbelino Peregrino.

O prédio da antiga alfândega foi recuperado e está prestes a ter sua reforma concluída (Foto: Juliana Brito/G1)
O prédio da antiga alfândega foi recuperado e está prestes
a ter sua reforma concluída (Foto: Juliana Brito/G1)
Alfândega sob risco
Entre os imóveis catalogados em situação de risco, somente um é tombado individualmente pelo Iphan: o prédio da antiga Alfândega, localizado no Porto do Capim, que é de propriedade da União. Os demais estão localizados dentro da área de tombamento estadual e federal – o Centro Histórico de João Pessoa –, de acordo com o diretor técnico do Iphan na Paraíba, Umbelino Peregrino.
 
Outro imóvel, onde funcionava a administração da Alfândega, localizado na mesma rua e também patrimônio federal, já foi restaurado pelo Iphan. “O Iphan consolidou esse imóvel e falta somente ocupação e uso. Os dois imóveis serão requalificados, para ter uma utilização”, revelou o diretor técnico do Iphan.
 
Umbelino Peregrino explica que a intervenção pelo Iphan só foi realizada porque os imóveis são de propriedade da União. “O que não pode é a gente fazer obra no (imóvel) particular”, completou o diretor técnico do Iphan na Paraíba.

Até mesmo o prédio vizinho à Oficina Escola está em condições precárias (Foto: Juliana Brito/G1)
Até mesmo o prédio vizinho à Oficina Escola está
em condições precárias (Foto: Juliana Brito/G1)
Tombamento
Umbelino Peregrino explicou ainda que o tombamento é uma figura jurídica que protege determinado bem de natureza material, com base em legislação específica (Decreto-Lei nº 25, de 1937). Curiosamente, de acordo com o diretor técnico do Iphan na Paraíba, a data de construção do imóvel não é levada em consideração como critério primordial para o tombamento.
 
Ele explica que, entre os critérios adotados para o reconhecimento de um bem imóvel, por um órgão de proteção, estão: o grau de representatividade histórica; o simbolismo (para a cidade, estado, nação ou para o mundo) ou até uma peculiaridade, como no caso da antiga ‘Fábrica de Vinhos Tito Silva’, na Rua da Areia, no Varadouro, onde atualmente funciona a Oficina-Escola.
 
Segundo Peregrino, naquele caso específico, o reconhecimento do imóvel se deu “muito mais pela importância da tecnologia de fabrico do vinho, ou seja, tecnologia patrimonial, do que pelo próprio imóvel, que é um imóvel eclético”.
 
Fonte
 
 

sábado, 11 de maio de 2013

Prédios históricos estão em risco

Defesa Civil entregou ao MPPB o mapeamento das áreas de risco da capital; imóveis históricos que apresentam risco foram interditados.




Francisco França
Iphaep está finalizando o levantamento dos imóveis tombados na capital e a atual situação física deles

João Pessoa possui 12 imóveis que integram o acervo histórico, artístico e cultural da capital que estão na iminência de ruir. A informação faz parte do mapeamento das áreas de risco de João Pessoa, apresentado ontem ao Ministério Público da Paraíba (MPPB). O documento foi entregue pela Defesa Civil de João Pessoa durante reunião na Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico do MP, com representantes do poder público municipal.
 
Na ocasião, a Defesa Civil apresentou também um relatório das ações preventivas para diminuir os problemas e perigos que podem ser causados à população no período de chuvas. Em relação aos imóveis do patrimônio histórico, o coordenador da Defesa Civil, Francisco Noé Estrela, informou que já solicitou providências ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (Iphaep) sobre esses imóveis e que a maior dificuldade está na localização dos proprietários. Ele também disse que já foram interditados os imóveis do Centro Histórico que apresentam maior risco à população.
 
Segundo a assessoria de imprensa do Iphaep não cabe ao instituto obrigar os proprietários a reconstruírem os imóveis tombados. Ainda segundo a assessoria, o papel do Iphaep é preservar os bens históricos, evitar que eles sejam demolidos ou sofram intervenções indevidas. Já ao MP, segundo o Iphaep, cabe determinar a reconstrução dos imóveis. A assessoria disse ainda que o instituto está finalizando o levantamento dos imóveis tombados na capital e a atual situação física deles.
 
Por sua vez, o promotor de Justiça João Geraldo Barbosa reforça que o problema dos imóveis tombados que ameaçam desabar reforça os argumentos apresentados na ação civil pública ajuizada recentemente contra o Estado e o Iphaep pela omissão de medidas administrativas para preservar e proteger o patrimônio histórico de João Pessoa. A ação tramita na 4ª Vara da Fazenda Pública da capital.
 
O promotor ressaltou ainda que o papel do MP é cobrar do poder público medidas que melhorem a condição de vida do cidadão e também estimular a excelência das políticas públicas que já vêm sendo realizadas pelo governo, para que cada vez mais a população e o meio ambiente sejam beneficiados. (Colaborou Hellen Nascimento)

sábado, 27 de abril de 2013

MP aciona Estado da PB e Iphaep por omissão com o patrimônio histórico


26/04/2013 19h02 - Atualizado em 26/04/2013 19h02 

Estado e Iphaep têm que elaborar inventário em até seis meses.
Procurador-geral do Estado disse que vai solicitar reunião entre setores.
 
Do G1 PB
 
 
O Ministério Público da Paraíba ajuizou, na última quinta-feira (25), uma ação civil pública de obrigação de fazer contra o Estado da Paraíba e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) para garantir a proteção do patrimônio social de João Pessoa. O procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro, informou que ainda não foi notificado.

A ação requer que a Justiça determine ao Estado e ao Iphaep a realização imediata de inventário - que deve ser concluído no prazo de seis meses - de todos os bens móveis, imóveis, artísticos e documentais que devem ser conservados e preservados como patrimônio da coletividade pelo seu valor histórico, artístico, arquitetônico, paisagístico e cultural.
 
Gilberto Carneiro explicou que vai aguardar a notificação para poder apresentar os argumentos do Governo e insistir que haja uma reunião, mediada pelo procurador-geral de Justiça, Oswaldo Trigueiro, envolvendo todos os órgãos. Essa reunião teria o objetivo de definir responsabilidades para vários setores.

“Fiquei supreso com a ação porque na semana passada eu protocolei um pedido para que houvesse essa reunião. Nós entendemos que a responsabilidade não é só do Estado. Inclusive, existe um convênio com a União firmado pelo município de João Pessoa, no âmbito da Semam [Secretaria do Meio Ambiente], que assegura a transferência de recursos para realizar esse inventário”, comentou o procurador, que questionou o porquê de apenas o Estado e o Iphaep terem sido mencionados na ação.

A ação também requer que a Justiça obrigue o Estado e o Iphaep a providenciarem as imediatas averbações junto aos Cartórios de Registro de Imóveis da cidade do tombamento de todos os bens, sejam eles protegidos por tombamento individual ou por tombamento da zona do Centro Histórico de João Pessoa.

Outra medida requerida pelo MP na Justiça é a condenação do Estado e do Iphaep por danos morais coletivos e a aplicação de multa pessoal ao governador do Estado.

Segundo o promotor de Justiça João Geraldo Barbosa, o patrimônio cultural e histórico, até hoje, não foram formalmente discriminados e identificados como bens culturais de interesse público pelo Estado, através de seu órgão técnico responsável, o Iphaep. Ele ainda acrescentou que esse patrimônio está sendo ameaçado pela omissão do poder público e pela especulação imobiliária, que vem se caracterizando como fator determinante para a ação irregular e ilegal de intervenções e reformas em bens imóveis protegidos.

O MP ainda destacou que, desde novembro do ano passado, a promotoria de Justiça vem dialogando com os órgãos competentes - como a Secretaria de Cultura do Estado, o Iphan (Instituto Nacional do Patrimônio Histórico) e Iphaep e a Coordenadoria de Proteção ao Patrimônio Cultural do Município de João Pessoa (Copac) - para encontrar uma solução administrativa para o abandono, a degradação e o descuido em que se encontra grande parte dos bens históricos e culturais da capital.

Audiências foram realizadas e recomendações expedidas para evitar a judicialização da questão. No entanto, a falta de ação dos gestores e a demora no atendimento às recomendações ministeriais motivaram a ação civil pública. “A ausência de proteção de um bem cultural extermina a memória e a identidade de épocas e de vidas porque as mesmas embasam e constroem a história das gerações passadas, presentes e futuras. Essa omissão serve para alienar povos e civilizações, pois a ação dos seus algozes preserva, apenas, os seus interesses e não os da coletividade”, argumentou o promotor de Justiça.
 
Fonte
 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

PMJP e Iphan firmam união em defesa do Centro Histórico

 
 
SECOM
 
PMJP e Iphan firmam união em defesa do Centro HistóricoImagem (Assessoria)

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, se reuniu com o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional na Paraíba (Iphan/PB), Kléber Moreira, e outros técnicos da entidade. No encontro, realizado essa semana, eles firmaram o compromisso de trabalhar com unidade e conversaram sobre o andamento de projetos voltados para o Centro Histórico da Capital.

De acordo com Luciano Cartaxo, a parceria entre a Prefeitura Municipal de João Pessoa e o Iphan é essencial para garantir resultados concretos. "Com o diálogo vamos conseguir superar todos os entraves dos projetos relacionados ao Centro Histórico. Essa harmonia vai garantir a fluência na execução e aplicação desses projetos", defendeu.

Projetos - Entre os temas discutidos estiveram convênios para atender demandas específicas, como a revitalização dos antigos casarões, a padronização das calçadas e intervenções na Casa da Pólvora. Além disso, o grupo decidiu formar um núcleo gestor, com técnicos que vão agilizar e dar o suporte necessário à criação de projetos para o programa 'PAC Cidades Históricas', do Governo Federal.

O superintendente do Iphan na Paraíba, Kléber Moreira, avaliou o encontro como positivo. "A Prefeitura se coloca como um parceiro e demonstra a vontade de provocar uma mudança no Centro Histórico de João Pessoa. Vamos nos unir, elaborar projetos e buscar os recursos necessários para beneficiar a cidade", afirmou.


 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

IPHAN-PB lança livro sobre a evolução de João Pessoa

08/11/2012

livro pb
Nesta quarta-feira, às 17h o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Paraíba (IPHAN-PB) lança a publicação De Filipéia à Paraíba: uma cidade na estratégia de colonização do Brasil, séculos XVI-XVIII, de autoria de Maria Berthilde Moura Filha. Fruto da pesquisa de doutorado finalizada em 2004 na Universidade do Porto em Portugal, o livro retrata a ocupação luso-hispânica no território brasileiro e a formação e estruturação de João Pessoa no período colonial, quando a cidade chamava-se Filipéia de Nossa Senhora das Neves.

Voltado para estudantes, professores e estudiosos do assunto, o livro instiga o leitor a mergulhar em uma viagem no tempo que passa por três séculos da história que ainda é perceptível nas antigas ruas, becos e largos do Centro Histórico de João Pessoa. O projeto enriquece o acervo cultural e a historiografia brasileira em relação às estratégias de colonização do Brasil durante os séculos XVI – XVIII. A Livraria do Luiz fica no centro da cidade, na Galeria Augusto dos Anjos.

Serviço:
Lançamento do livro De Filipéia à Paraíba: uma cidade na estratégia de colonização do Brasil, séculos XVI-XVIIIDia:
8 de novembro de 2012, às 17h
Local: Livraria do Luiz
          Praça 1817, Galeria Augusto dos Anjos, Centro, João Pessoa – PB

Mais informações:
IPHAN-PB – (83) 3241-2896 / 3576-5573
Fonte: IPHAN-PB - ASCOM

Fonte

 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Iphaep realiza vistorias e relatórios

Órgão apresenta as reais condições de estrutura dos imóveis tombados; .trabalhos são feitos em parceria com a Defesa Civil.

 
Através da assessoria de imprensa, o Iphaep informou que cobra dos proprietários a responsabilidade de realizar a manutenção dos prédios, regularmente. Para isso, o órgão realiza vistorias e envia relatórios para órgãos públicos, apresentando as reais condições de estrutura dos imóveis tombados.

Os trabalhos são feitos em parceria com a Defesa Civil de João Pessoa. Segundo o coordenador do serviço, Francisco Noé Estrela, as vistorias constataram que muitos prédios estão com risco de desabamento, mas o perigo não é iminente. “Apenas um prédio, localizado na Avenida General Osório, que precisou ser totalmente isolado porque havia o risco iminente de desabamento. O Iphaep está em negociação com o proprietário para verificar quais providências poderão ser adotadas”, declarou.

“Fazemos inspeções regulares para evitarmos acidentes, mas a situação só será resolvida com obras de revitalização. Para ajudar os proprietários, o governo está disponibilizando alguns incentivos, como empréstimos”, acrescentou.

Os proprietários de imóveis históricos podem ser beneficiados pelo empréstimo concedido pelo Governo Federal, exclusivamente, para ser usado na revitalização de prédios tombados. Segundo o arquiteto da Coordenação do Patrimônio Histórico e Artístico de João Pessoa, Rosenildo Jacinto, o benefício é resultado de uma parceria firmada entre entidades municipais, federias e estaduais.

“Os proprietários precisam apresentar um projeto, atendendo as exigências previstas em edital e submetê-lo à análise da Coordenação do Patrimônio Histórico e Artístico de João Pessoa. Sendo aprovado, encaminhamos tudo para o Banco do Nordeste, que libera a quantia solicitada”, disse Rosenildo Jacinto.

Fonte

 

MP e Iphaep definem revitalização de prédios

Dos seis mil prédios tombados da cidade, 87 estão com a estrutura comprometida e ameaçam a segurança de transeuntes no Centro da capital.

 
 
 
O promotor de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Social, João Geraldo Barbosa, vai se reunir hoje com dirigentes do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Cultural do Estado da Paraíba (Iphaep). O objetivo é discutir ações que precisam ser adotadas para revitalizar prédios que estão abandonados e ameaçando a segurança de transeuntes no Centro da capital.
 
Dos seis mil prédios tombados da cidade, 87 estão com a estrutura comprometida. A maioria está sem telhado, com paredes rachadas e com infiltrações e põem em risco à segurança de quem passa por perto, segundo o Iphaep.
 
De acordo com Barbosa, o Ministério Público da Paraíba vai intensificar a cobrança de responsabilidades. “A competência para revitalizar e preservar os imóveis históricos é do proprietário, seja ele particular ou público. E a competência de cobrar essa revitalização é do Iphaep. Por isso, iremos cobrar que o Iphaep cumpra sua função”, afirmou.
 
No último dia 11, o Ministério Público da Paraíba prorrogou por mais um ano as investigações de dez inquéritos civis públicos que estão apurando denúncias formalizadas pelo Iphaep contra os proprietários dos imóveis. Entre os processos, há alguns que foram instaurados desde 2006, sem que ainda tivessem sido concluídos ou resultado em qualquer ação de revitalização dos imóveis.
 
Após prorrogar os inquéritos, o promotor pretende adotar outras medidas que incluem até a realização de inspeções nos imóveis para verificar, pessoalmente, as reais condições de infraestrutura em que as propriedades se encontram. “Estamos regularizando os processos para dar andamento a essas ações. Vamos convocar poderes públicos e buscar uma solução para o caso”, destacou.
 
Ao todo, o Ministério Público da Paraíba já ingressou com 35 ações civis públicas na justiça contra proprietários de prédios históricos de João Pessoa. Os processos têm a finalidade de obrigar os donos a restaurar os imóveis que estão em estado de ruínas.
 
Enquanto as medidas não surtem efeito, a precariedade de alguns prédios históricos de João Pessoa continua ameaçando a população. Na Rua Duque de Caxias, por exemplo, o casarão de número 165 está sem telhado, com paredes rachadas e marcado por fissuras. O imóvel possui uma marquise que está com fissuras e com ferros expostos. “Isso aqui é um perigo maior do mundo. Está tudo solto e pode cair a qualquer hora, mas ninguém faz nada. Só vão fazer alguma coisa quando essa parede cair e matar alguém”, conta o pedreiro Ronaldo de Souza.
 
Perto dali, há um outro imóvel também em péssimas condições de infraestrutura e que se tornou alvo de investigação por parte do Ministério Público da Paraíba. Localizado na Rua Desembargador Souto Maior, no Centro, o casarão de número 124 está com paredes comprometidas, apresentando rachaduras do chão ao teto. Apesar disso, motoristas estacionam carros em frente à propriedade e pedestres transitam sobre as calçadas. Ao lado do imóvel, ainda funciona um restaurante que atrai a movimentação de clientes.
 
“A gente passa com pressa e nem se dá conta dos perigos em volta. Eu mesmo não sabia que esse prédio estava assim em condições tão ruins. Por isso, sempre passei por aqui sem me preocupar. Agora, vou procurar andar mais na rua, mesmo”, conta o comerciário João Luiz Morais.

Fonte


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Arquitetura ligada ao período histórico

Especialista em História da Arte afirma que igrejas paraibanas estão em bom estado de conservação e que respeitam  estilo de época.

 

 
O especialista em História da Arte José Augusto de Morais faz uma avaliação positiva da situação dos bens religiosos tombados em João Pessoa. “As igrejas estão em bom estado de conservação, exibindo hoje contornos bem próximos aos da época em que foram erguidas, séculos atrás, graças à conscientização de se preservar a autenticidade do imóvel”, comenta o professor.

Ele cita como exemplo a igreja de São Francisco, que passou por uma reforma no final do século 19 que modificou drasticamente suas feições originais e posteriormente, na década de 1980, passou por uma intervenção para recuperar as características anteriores.

De acordo com o estudioso, existem prédios de vários estilos arquitetônicos na cidade. “A igreja da Misericórdia localizada na rua Duque de Caxias foi restaurada em 2007 e é um autêntico exemplar do maneirismo, que foi o primeiro estilo arquitetônico explorado no Brasil. Ela ainda conserva as pedras calcárias que lhe serviram de base na construção feita no século 16”, informa José Augusto.

“Também podemos ver o estilo barroco nas igrejas de São Bento e São Francisco, o rococó na igreja do Carmo e o ecletismo nas igrejas de Nossa Senhora das Neves e São Frei Pedro Gonçalves, que não são tombadas pelo Iphan, mas têm importância arquitetônica”, complementa.

Os templos são propriedade da Igreja Católica e são geridos pela Arquidiocese da Paraíba, que realiza as obras de reparo e manutenção das edificações. Na capital, a igreja de São Bento está com o teto novo e atualmente, quem passa por uma recuperação na cobertura é a igreja do Carmo. Apesar de serem tombados como patrimônios históricos nacionais, a responsabilidade da conservação desses prédios é da Igreja, que não recebe recursos na União.

A gestora do Turismo do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Regina Amorim, acredita ser necessário voltar a atenção para os patrimônios localizados em outros municípios do Estado. “Os templos na capital são bem cuidados e frequentados por turistas. Entretanto, é preciso que o poder público olhe mais para o interior e fomente políticas para inserir os demais bens tombados na rota turística do Estado. Temos edifícios importantes que não recebem turistas porque não têm a mínima estrutura para isso, como por exemplo a capela de Nossa Senhora da Batalha em Cruz do Espírito Santo”, argumenta. A referida capela data de 1636 e fica localizada às margens do rio Paraíba, correndo o risco de ruir devido à erosão da água.


 

Prédios históricos refletem influência da fé católica na PB

Historiadora afirma que instalação das ordens religiosas era uma estratégia para preservar o território da ação de estrangeiros.

 

A fé cristã foi um elemento importante na gênese da Paraíba. Por ter sido colonizado por Portugal, um país católico, o Brasil sofreu influência direta de ordens religiosas como os Franciscanos, Beneditinos, Carmelitas e Jesuítas. Prova dessa influência foi o Tribunal da Santa Inquisição, instalado no início do século 17 na província, que combatia as heresias, perseguindo judeus, mouros e protestantes.

A historiadora Marta Falcão explica que a instalação das ordens religiosas no território recém-descoberto era uma necessidade para mantê-lo ocupado e a salvo da ação de estrangeiros. “A partir de 1530, Portugal começou a doar terras para serem ocupadas no Brasil. Por ter um forte compromisso com a tradição católica, o rei providenciou que viessem também os religiosos para tratarem de preservar as crenças católicas e converter os nativos”.

Os Jesuítas foram os primeiros missionários que chegaram à capitania da Paraíba, acompanhando todas as suas lutas de colonização. Essa ordem foi responsável pela construção de um colégio, que depois deu lugar à Faculdade de Direito. Depois vieram os Franciscanos, seguidos pelos Beneditinos e, por último, os Carmelitas.

O período colonial deixou de herança patrimônios importantes como a igreja de São Francisco e Convento de Santo Antônio, prédios interligados. “Os Franciscanos constituíam uma ordem mendicante da Igreja Católica, ou seja, viviam de esmolas.

Curiosamente, foram justamente eles que construíram o edifício mais suntuoso do território paraibano. O complexo de São Francisco, hoje transformado em centro cultural, é considerado o maior monumento em estilo barroco da América Latina”, comenta Marta Falcão.


 

Patrimônio é desrespeitado

Depredação é um dos principais fatores a ser combatidos para preservar os bens tombados, além da ação do tempo.

A importância histórica e artística dos patrimônios nem sempre é respeitada e a depredação é um fator a mais a ser combatido para preservar os bens tombados. Não bastasse a própria ação do tempo que por si só já desgasta as estruturas, os templos religiosos muitas vezes sofrem com pichações e outro tipos de intervenções praticadas por vândalos.
 
O problema pode ser identificado no complexo São Francisco, localizado em João Pessoa, segundo afirmações do diretor Monsenhor Ednaldo Araújo.
 
“Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para manter o prédio em boas condições, mas não temos como conter o que é feito na área externa. Infelizmente, ainda há pessoas dispostas a prejudicar um edifício com mais de 400 anos que é um verdadeiro tesouro da nossa cidade”, lamenta.
 
Monsenhor Ednaldo Araújo cita como exemplo de depredação a situação dos azulejos portugueses que decoram o páteo. “Os murais do interior do centro estão conservados, mas o mesmo não pode ser dito dos que ficam no ádrio. Os vândalos descolam peças ou escrevem o nome em cima. O cruzeiro também é um alvo, as pessoas sobem nele para tirar foto ou fazer pichações”, conta.
 
Para o diretor do complexo São Francisco, essas práticas são resultado de uma cultura que não valoriza seus próprios bens. “É necessário investir em educação patrimonial nos estágios básicos da escola, para que as crianças cresçam sabendo respeitar e valorizar tudo o que está no espaço público”, pondera. 
 
O complexo barroco de São Francisco possui 7 hectares de dimensão e compreende as igrejas de Santo Antônio e São Francisco, as capelas de São Benedito e a dourada, o relógio do sol, a fonte de Santo Antônio, o convento de Santo Antônio e também o ádrio e o cruzeiro que ficam na parte externa. Tudo está inserido em uma reserva de Mata Atlântica.


 

Templos ainda são preservados

Dos 23 templos existentes na Paraíba, 12 deles são religiosos, entre catedrais, igrejas e conventos.

 
Francisco França

Existem na Paraíba 23 bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sendo 12 deles templos religiosos, dentre capelas, igrejas e conventos. Esses imóveis representam a presença histórica da Igreja Católica no território que viria a se tornar o estado da Paraíba e sua participação no processo de colonização. Exemplares da arquitetura eclética, maneirista, barroca e rococó sobrevivem ao tempo e preservam características bem próximas às originais.
 
A conquista do território paraibano teve início no litoral, mas se estendeu pelo interior. A lista de bens tombados inclui a capela da Fazenda Acauã, no município de Aparecida, a capela de Nossa Senhora da Batalha em Cruz do Espírito Santo. Nos municípios próximos ao mar existem o santuário de Nossa Senhora da Guia em Lucena, a capela de Nossa Senhora do Socorro e a capela do Engenho Una em Santa Rita.
 
Em Cabedelo está o imóvel em pior situação. Trata-se da igreja de Nossa Senhora do Nazaré, hoje conhecida como as ruínas do Almagre, localizadas na praia de Ponta de Campina. O espaço tem apenas 25% das características originais e sofre com o total abandono: crescimento da vegetação e construção de casas ao redor.
 
As ruínas estão inseridas em uma área de propriedade privada, que está sendo alvo de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal, pedindo providências para a preservação do patrimônio.
 
João Pessoa concentra o maior número de templos religiosos tombados pelo Iphan no Estado: o convento e igreja de Santo Antônio, igreja da Misericórdia, igreja da Ordem Terceira de São Francisco, igreja da Ordem Terceira do Carmo, a igreja de São Bento e a capela do Engenho da Graça, que fica em uma propriedade privada. Com exceção deste último, todos os espaços estão abertos ao público e apresentam boas condições de preservação.


 

domingo, 30 de setembro de 2012

Contradição marca o Centro Histórico de JP

Apesar da riqueza desse patrimônio, o abandono tornou-se inerente à paisagem.



 


Duzentos e trinta e um hectares de área e aproximadamente 6.500 edificações, além de ruas, praças e parques compõem o Centro Histórico da capital. João Pessoa foi uma das primeiras cidades fundadas no Brasil e conserva até hoje um rico patrimônio cultural.

Ao passear pelo Centro é impossível não reparar na arquitetura colonial que ganhou contribuições de estilos modernos ao longo dos últimos quatro séculos, mas ainda preserva os traços da época. A Igreja de São Francisco é um dos prédios que compõem o cenário e faz parte do roteiro de qualquer turista que passa pela capital.

Apesar da riqueza desse patrimônio, o abandono tornou-se inerente à paisagem. A contradição marca a região: De um lado edificações imponentes e do outro imóveis com estrutura precária. Alguns prédios tiveram que ser interditados por causa do risco de desabamento e a população é quem mais sofre com a possível perda.

Preservar a memória local da cidade é uma forma de guardar um dos tesouros mais importantes da história e foi pensando nisto que um grupo de 13 pessoas se reuniu com um objetivo: Conservar o Patrimônio Histórico paraibano. A marketeira e antiquária Juliana Freire teve a ideia de criar o movimento e resolveu convidar alguns amigos que simpatizaram com a causa. "A gente quer alertar a sociedade para a importância do Centro Histórico e cobrar dos órgãos responsáveis os devidos cuidados”, ressaltou Juliana.

O movimento ganhou o nome de S.O.S. Patrimônio Histórico PB e pretende se expandir para todo o estado. “Qualquer pessoa pode mandar sugestões e participar da causa. É um projeto que deve ser abraçado pela sociedade”, explicou a ativista.

Formado há pouco tempo, o movimento realizou na última quinta-feira (27) a sua primeira ação: Um ato público, no Pavilhão do Chá, que contou com a presença dos candidatos a prefeito da capital e seus representantes. Na ocasião, foi assinada uma carta compromisso na qual foi firmado um acordo entre o futuro gestor e a sociedade. Uma das cláusulas do documento trata da realização de campanhas educativas de incentivo e valorização do Patrimônio Histórico, além da restauração e conservação de toda a área, dentro dos parâmetros de originalidade das edificações de época, tombadas pelo IPHAN.

Para o próximo mês, o S.O.S. Patrimônio Histórico PB já está preparando o Seminário de Planejamento Estratégico, que irá discutir quais os melhores mecanismos públicos para revitalizar a área. As ações são gratuitas e abertas ao público.

Além dos turistas e visitantes, é importante também atrair moradores para a região que foi esquecida com o passar dos anos. Para o historiador, Arion Farias, o primeiro passo para revitalizar o Centro Histórico é reabitá-lo. “É necessário criar um ambiente que possa ser povoado e incentivar o comércio no local para que a população tenha moradia digna”, destacou Arion.

Fonte

 

domingo, 16 de setembro de 2012

Tombamento dos imóveis históricos dificulta a preservação

O poder público não pode investir nos prédios, por seres privados, mas deve cuidar para que não ofereçam perigo.




A preservação desses imóveis é difícil pois a maioria deles é tombada como patrimônio, e o fato de ser propriedade privada impede o poder do Estado de agir sobre eles. Outro complicador é a falta de entendimento entre os herdeiros, que dificulta a compra dos prédios por pessoas que tenham interesse em restaurá-los. Para tentar solucionar a questão, a Prefeitura Municipal de João Pessoa estuda a concessão de incentivos para quem desejar reformar um imóvel tombado.

O poder público não pode investir em propriedades privadas, é o que explica a diretora de planejamento da Coordenadoria de Patrimônio Cultural de João Pessoa (Copac), a arquiteta Rosângela Régis Toscano. “A prefeitura não pode tomar a iniciativa de restaurar nada que é privado. O que está dentro das competências do Estado é o cuidado para que esses prédios antigos não ofereçam riscos à população, como desmoronamento, por exemplo. Estamos atualmente monitorando 86 imóveis em situação de risco”, afirma, acrescentando que o Sobrado Virgínius da Gama e Melo é um dos que já passaram por processo de estabilização da estrutura.

Só quem pode iniciar um processo de recuperação dos casarões históricos de João Pessoa são os próprios donos, mas muitos alegam não ter dinheiro para fazê-lo. Em uma tentativa de reverter esse impasse e requalificar os prédios no Centro Histórico, foi firmado em julho deste ano um convênio entre a Prefeitura de João Pessoa, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O convênio assegura R$ 5,2 milhões em recursos destinados ao financiamento para reforma de imóveis privados, que garantirá que os proprietários tenham verbas para recuperar e requalificar suas unidades situadas em área tombada como patrimônio histórico e arquitetônico. “Trata-se de uma oportunidade vantajosa para quem tem um imóvel na categoria em questão. O dinheiro será liberado a juros baixos e carência maior que empréstimos de outra natureza. A obra poderá ser feita aos poucos, se o dono quiser recuperar apenas a cobertura ou a fachada, por exemplo. Outra vantagem é que o financiamento poderá ser feito por locatários".

Fonte

 

Casarões passam da exuberância ao abandono

Casarões e sobrados, localizados no Centro de João Pessoa, que pertenceram a pessoas ilustres, hoje estão esquecidos e em ruínas.



 
 

Francisco França
Residência dos Gama e Melo hoje se encontra em ruínas e todo o telhado já caiu
Da opulência do passado ao Estado de abandono no presente. Residências de influentes paraibanos nem de longe espelham hoje a ostentação de seus antigos moradores. É possível encontrar em ruas do Centro de João Pessoa casarões e sobrados vazios que pertenceram a figuras ilustres da história recente do Estado. Em meio a paredes deterioradas e vegetação crescente, os vestígios dos tempos áureos vão desaparecendo.

O poder público estuda estratégias para preservar esse patrimônio histórico e arquitetônico que está se perdendo aos poucos. Essa é a primeira reportagem do JORNAL DA PARAÍBA de uma série especial sobre Patrimônio Histórico.

De acordo com o historiador José Augusto de Morais, existem 78 bens privados em ruínas na cidade. “Os imóveis públicos e religiosos estão em uma situação razoável. O problema é com os particulares, que geralmente estão no centro de brigas familiares”, comenta. Exemplo de residência ilustre desvalorizada pode ser encontrado na rua General Osório, próximo à Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves. A via, anteriormente chamada de “Rua Nova”, é uma das mais antigas da cidade e abrigou a residência de várias famílias influentes da Paraíba, dentre elas a Gama e Melo. Nesta rua viveu Alfredo da Gama e Melo, presença constante nas altas rodas políticas e intelectuais do Estado, patrono da cadeira número 17 da Academia Paraibana de Letras.

Gama e Melo chegou a assumir a presidência da província (cargo equivalente a governador de estado) por cinco vezes. Apesar da atuação marcante na política, o paraibano é lembrado sobretudo por suas contribuições à Educação, conforme ressalta o historiador José Octávio de Arruda Melo, autor da obra Uma História da Paraíba. “Alfredo da Gama e Melo foi um intelectual respeitado no final do século 19, era professor de Latim e retórica no Liceu Paraibano e chegou a fundar um jornal em sua época”, afirma José Octávio.

O “sobrado amarelo da Rua Nova” - como era conhecido – foi residência do político até 1908, ano de seu falecimento. Na década de 1920, viria a nascer, na mesma casa, o escritor e jornalista Virgínius da Gama e Melo, outra figura ativa no cenário cultural paraibano. A residência dos Gama e Melo hoje se encontra em estado de ruína, todo o telhado já caiu e existe apenas a fachada em avançado estado de deterioração. Em sua parede frontal está afixada uma placa informando o nome do local, “Sobrado Virgínius da Gama e Melo”, e um breve histórico de seus moradores.


 

Seminário discute a importância do patrimônio histórico paraibano

Seminário “Leitura e Interpretação do Patrimônio Cultural Paraibano” acontece a partir das 9h, desta segunda no auditório do Iphaep.


 
 

Estudantes, professores e profissionais da área de turismo vão se reunir nesta segunda-feira, dia 17, para discutir a importância dos bens históricos do Estado. O seminário “Leitura e Interpretação do Patrimônio Cultural Paraibano” acontece a partir das 9h no auditório do Iphaep, em João Pessoa.

Para uma das responsáveis pela organização do evento, Suellen Barbosa, o seminário é uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a cidade. “Alguns guias já têm conhecimento da riqueza desse patrimônio e durante o evento poderá se aprofundar ainda mais no assunto”, afirmou.

Na abertura, o diretor executivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba, Marco Antônio Coutinho, vai falar sobre a necessidade de conhecer os bens histórico-culturais e ensinar novas estratégias interpretativas para compreender melhor as belezas naturais e as edificações encontradas por todo o estado.

"Estilos de arquitetura" será o tema da palestra de Darlene Araújo. Do barroco ao modernismo, a arquiteta e urbanista vai definir as diferenças e singularidades de cada época.

O arqueólogo e antropólogo Carlos Azevedo também vai participar do seminário. Autor dos livros “Arqueologia – Estudo & Pesquisa” e “Vale dos Dinossauros”, Carlos vai ministrar uma palestra sobre as formas de ler um sítio arqueológico/paleontológico. A proposta tem como objetivo estimular o público a pensar no planeta há milhões de anos atrás.

As palestras e debates que fazem parte da programação do seminário serão reunidos em um livro que será lançado no próximo ano.

O evento é restrito para estudantes e agentes de turismo e tem vagas limitadas. Para mais informações, os interessados devem ligar para o número 3218-5124.

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