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sexta-feira, 29 de março de 2013

Mil famílias quilombolas da Paraíba são cadastradas em mutirão


29/03/2013 12h18 - Atualizado em 29/03/2013 12h18

Ação aconteceu em 36 comunidades distribuídas em 23 municípios.
Famílias cadastradas agora poderão ter acesso a benefícios sociais.
 
Do G1 PB

Famílias quilombolas foram cadastradas na Paraíba (Foto: Divulgação/Secom)
Famílias quilombolas foram cadastradas na Paraíba
(Foto: Divulgação/Secom)
Mais de mil famílias participaram do mutirão para preenchimento do Cadastro Único, realizado em 36 comunidades quilombolas, distribuídas em 23 municípios paraibanos. O mutirão foi encerrado nesta quinta-feira (28), envolvendo mais de 200 profissionais. A ação faz parte de projeto do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) para oferecer às famílias benefícios sociais federais.
 
Até o início do mutirão, o Cadastro Único na Paraíba contava com 725 famílias cadastradas como quilombolas, das quais apenas 634 recebem o Bolsa Família. A secretária de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh), Aparecida Ramos, destacou que a iniciativa contou com várias etapas.
 
“Fizemos primeiro capacitação na sede da Secretaria para os profissionais dos 23 municípios que fizeram as entrevistas com as famílias quilombolas. Paralelo a isso, encaminhamos uma equipe do Programa Cidadão que registrou toda a documentação das pessoas para que elas pudessem fazer a inscrição no Cadastro Único”, disse.
 
Para receber o mutirão, os municípios mobilizaram a população convocando para a ação. No Conde, durante a mobilização em 26 e 27 de março, em tendas armadas nas comunidades Mituaçu, Gurugi e Ipiranga, as famílias quilombolas tiveram a oportunidade também de demonstrar atividades culturais exibições de teatro e capoeira.

A Sedh também informou que está acompanhando o levantamento que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) da Paraíba está fazendo da produção dos quilombolas na Paraíba, para que as famílias sejam inseridas em programas de segurança alimentar.
 
Fonte
 
 
 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Ciclistas desbravam as belezas da Serra do Talhado, em Santa Luzia



Assessoria
Ciclistas desbravam as belezas da Serra do Talhado, em Santa Luzia


Conhecida mundialmente por servir de cenário para o curta-metragem "Aruanda" (1960) - documentário de Linduarte Noronha -, a serra que abriga a comunidade quilombola "Talhado", localizada na zona rural do município de Santa Luzia, será palco do "2º Eco Pedal Talhado", no próximo dia 10 de março. O evento já se consolida como um dos mais importantes para os praticantes do ciclismo, no Sertão paraibano.

Este ano, são esperados em torno de 250 participantes. Ciclistas de várias regiões da Paraíba, além dos Estados do Rio Grande do Norte e de Pernambuco já confirmaram presenças. A primeira edição do evento, em 2012, registrou pouco mais de 200 participações.

De acordo com um dos organizadores do "EcoPedal Talhado", o advogado Petrônio Nóbrega, o evento tem o objetivo de se tornar uma grande confraternização entre os praticantes do esporte, que cresce a cada dia em todo o Estado. "Além da pratica sadia do ciclismo, o evento tem esse cunho de promover um grande encontro entre os adeptos do pedal", salienta.

Percurso
O "Eco Pedal Talhado" dispõe de dois percursos parecidos, porém, o que muda é à distância e o nível de dificuldade. O primeiro possui 55 quilômetros e é indicado pela organização aos ciclistas de nível técnico elevado, que curtem uma boa trilha de montain bike com dificuldade moderada. Já o outro é de 42 km, indicado para os praticantes de nível intermediário.

Além disso, o aspecto visual do local chama a atenção dos participantes. A trilha é composta de serras, além de vegetação seca, forte presença de arbustos com galhos retorcidos e com raízes profundas, proveniente da caatinga que assola a região do semiárido nordestino.

"O que seria então uma trilha de percurso técnico e dificuldade moderada? O percurso é um mix de tudo isso e foi à solução encontrada pela organização do evento, juntar algumas trilhas e assim fazer um caminho só pela enigmática Serra do Talhado, com trechos suaves, algumas subidas e muitos períodos técnicos em suas ladeiras, para que todos que se inscrevam no evento, consigam fazer o trajeto de forma tranquila, porém, com algumas dificuldades para apimentar um pouco o evento", diz Petrônio Nóbrega.

Inscrições

As inscrições para o "2º Eco Pedal Talhado" estão abertas. O valor é de R$ 50 por ciclista. Todos os inscritos receberão camisetas personalizadas do evento. Além disso, os participantes contarão com um café da manhã reforçado, e com o apoio de ambulâncias e uma equipe de socorristas, pontos de hidratação e carros para o transporte dos ciclistas que não conseguirem concluir o percurso.

 Os interessados podem se inscrever individualmente ou por equipes.  Já confirmaram participação grupos dos municípios de João Pessoa, Campina Grande, Juripiranga, Bananeiras, Sôlanea, Guarabira, Alagoinha, Sapé, Patos, Sousa, Cajazeiras, Picuí e São Mamede, todos da Paraíba; além de Recife e Timbaúba, em Pernambuco; e de cidades como Natal, Parelhas, Currais Novos, Jaçanã e Tangará, no Rio Grande do Norte.

Fonte

 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

MPF investiga despejo de lixo em comunidade quilombola da Paraíba


17/02/2013 07h02 - Atualizado em 17/02/2013 07h02 

Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar suposta irregularidade.
Lixo estaria causando problemas de saúde à população quilombola.
 
Do G1 PB
 
 
O Ministério Público Federal na Paraíba instaurou um inquérito civil público para apurar supostas irregularidades no despejo de lixo nas proximidades de uma comunidade quilombola localizada na cidade de Várzea, região da Borborema. O problema estaria sendo causado pela prefeitura de Santa Luzia, município vizinho. A abertura do inquérito ocorreu por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (13).

O inquérito civil público foi instaurado pelo procurador Marcos Alexandre Bezerra Wanderley de Queiroga, da Procuradoria da República de Campina Grande. Ele afirma na portaria que o despejo do lixo próximo ao Quilombo da Pitombeira estaria “causando  graves problemas à saúde da população local”.
 
De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária na Paraíba (Incra-PB), 203 famílias vivem no Quilombo da Pitombeira. A área atualmente está  em fase de estudo antropológico, etapa que antecede o reconhecimento oficial da União como remanescente de quilombo. Segundo Regina Lúcia Marques, que faz parte do setor de Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra, o problema em Várzea já ocorre há alguns anos. “Fizemos inclusive algumas notificações, mas nada foi resolvido até agora”, disse.
 
Regina afirmou que já esteve algumas vezes no Quilombo da Pitombeira e ouviu relatos dos moradores do local sobre o problema do lixo. “A comunidade toda sofre. A maioria das vezes que eu estive lá ouvi várias lamentações dos moradores”, ressaltou a funcionária do Incra-PB.

A prefeitura de Santa Luzia admitiu que realmente coloca lixo nas proximidades do Quilombo da Pitombeira, mas disse que não está cometendo nenhuma irregularidade. Segundo o chefe de gabinete Maécio Medeiros, os resíduos são colocados em um terreno pertencente a administração municipal, recebendo o tratamento adequado. “Eles são colocadas dentro de valas e depois cobertos”, afirmou
Ainda de acordo com Maécio, na mesma área que está sendo usada como lixão a prefeitura de Santa Luzia vai implantar um aterro sanitário, que está com as obras em andamento e deve estar pronto para funcionar até agosto deste ano, que conta com a permissão da Sudema. O chefe de gabinete disse também que a prefeitura está tranquila com o inquérito do MPF. “Toda denúncia deve ser apurada, o papel do Ministério Público é investigar”, pontuou.

O inquérito do MPF para apurar o problema no Quilombo da Pitombeira se originou em um procedimento administrativo aberto em 2012. De acordo com o procurador Marcos Alexandre, foram solicitadas informações ao Incra e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário. Também foi pedido que a Sudema e o Ibama realizem fiscalização no local.

O caso começou a ser apurada após uma denúncia de um antropólogo professor da Universidade Federal de Campina Grande. A investigação pode ser concluída em até um ano.

Na semana passada o Incra reconheceu mais de 300 hectares de terra como áreas de comunidade quilombola na Paraíba. Os territórios estão localizados nas cidades de Riachão do Bacamarte, Quilombo Grilo; e Mogeiro, Quilombo Matão. Segundo o setor de Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra-PB, 28 processos de reconhecimento tramitam no órgão.


 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

União reconhece territórios de comunidades quilombola na Paraíba


06/02/2013 12h31 - Atualizado em 06/02/2013 12h31 
 
Reconhecimento aconteceu por portarias publicadas no Diário da União.
Próximo passo é a desapropriação das áreas privadas nos territórios.
 
Do G1 PB
 
 
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconheceu mais de 300 hectares de terra como áreas de comunidade quilombola na Paraíba. Os reconhecimentos foram feitos por portarias publicadas na terça (5) e na quarta-feira (6) no Diário Oficial da União, assinadas pela presidente substituta do Incra Érika Galvani Borges. Os territórios estão localizados nas cidades de Riachão do Bacamarte e Mogeiro, ambas no Agreste do estado.
 
Na terça o Incra reconheceu 138,8964 hectares localizados em Riachão do Bacamarte como terras da Comunidade Remanescente do Quilombo Grilo. E hoje foram reconhecidos 214,0022 hectares como da Comunidade Remanescente do Quilombo Matão. Os processos tramitam, respectivamente, desde 2007 e 2005 na superintendência do Incra na Paraíba.
 
Segundo o setor de Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra-PB, no total  28 processos de reconhecimento de áreas de comunidade tramitam no órgão. “Na prática essas portarias são uma etapa do processo de autoidentificação que é pedido pela própria comunidade”, explicou a antropóloga do Incra, Maria Esther Fortes.

Esther disse que o próximo passo é encaminhar para o Incra em Brasília os documentos para que sejam elaborados os decretos de desapropriação das áreas particulares que estão dentro do perímetro dos quilombolas, que foram definidos nas portarias com base em relatórios técnicos. “Dessa forma toda o território será entregue às comunidades”, completou a antropóloga.

O Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra-PB informou que os documentos para que sejam feitas as desapropriações serão enviados imediatamente, mas que a publicação dos decretos depende do governo federal.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Terra quilombola será regularizada

Terras de 114 famílias pertencentes a comunidade quilombola de Paratibe em João Pessoa, serão regularizadas pelo Incra. 




Divulgação
Área pertencente aos quilombolas fica às margens da PB-008, no sentido das praias do Litoral Sul da Paraíba

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vai regularizar as terras de 114 famílias da comunidade quilombola de Paratibe, em de João Pessoa. Nas próximas semanas, o órgão vai começar o trabalho de identificação e notificação dos proprietários de terras que não pertencem à comunidade remanescente de escravos. A área pertencente aos quilombolas fica às margens da PB-008, no sentido das praias do Litoral Sul da Paraíba, área de forte expansão imobiliária.
De acordo com o a antropóloga Maria Ester Fortes, do Serviço de Regularização do Território Quilombola do Incra-PB, o instituto ainda não sabe o número de pessoas que vão ser notificadas em Paratibe. Para ela, a dificuldade de localizar os registros patrimoniais daquela região é o entrave encontrado pelo órgão.
“Soubemos da existência de documentações de propriedade daquela área que remonta à época do império, no século 19.
Muita coisa se perdeu e algumas famílias quilombolas venderam a parte que lhe cabiam na área. Mas assim que começarmos a achar os proprietários que não fazem parte da comunidade, nós vamos notificá-los. Muitos deles nem moram lá. Só mantém uma granja para os fins de semana”, disse a antropóloga.
O primeiro passo para o processo de regularização com os título de posse foi dado no dia 31 de dezembro de 2012, quando o Incra publicou no Diário Oficial da União o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação da área de 267 hectares.
Para a dona de casa Ana Maria Silva, que pertence à comunidade quilombola, a regularização das terras foi um avanço para as famílias da região. “Eu achei bom que o Incra regularizasse nossa terras. Com isso, podemos nos manter unidos e preservar as nossa tradições”, afirmou.
Já o pescador Carmelo Silva, se mostrou contra a notificação dos proprietários que não fazem parte da comunidade. “Eu sou remanescente dos quilombolas, mas não acho certo tirar as terras dos que não fazem parte da comunidade. Eles compraram estas terras há muito tempo, em um período que nem se ouvia falar de Incra por estas bandas”, comentou o pescador.


 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

PB tem 38 quilombos com 2,6 mil famílias

Repressão e esquecimento ainda marcam história de muitos moradores de quilombos na Paraíba. 

 


Ontem, o Brasil comemorou o Dia da Consciência Negra, mas as marcas da escravidão, que durou anos, ainda permanecem na expressão dos que viveram essa fase, que permaneceu mesmo depois de 124 anos da abolição. Na Paraíba, existem 38 quilombos registrados, com 2.693 famílias e aproximadamente 12 mil pessoas. Nestas comunidades a repressão e o esquecimento ainda estão vivos e marcam histórias de vidas como a da ceramista Maria de Lourdes Tenório, de 67 anos, moradora do quilombo Grilo, no município de Riachão do Bacamarte, no Agreste paraibano.

Durante a infância, Maria de Lourdes sofreu inúmeras adversidades, incluindo a fome e a perseguição dos “brancos” fazendeiros. Entre uma lembrança e outra, a ceramista, que apresentou seu trabalho no Museu de Artes Assis Chateaubriand ontem pela manhã, contou que um dos maiores absurdos que viveu foi a exploração do trabalho pelos donos da terra. “A gente trabalhava cinco dias da semana para os donos da terra e dois pra gente. No final das contas, a gente continuava escravo”, lembrou.

Mas os problemas não acabavam com o abuso do poder e se estendiam até a casa dos quilombolas, onde um prato de comida era um luxo de poucos. “A gente colhia muito pouco e tinha que passar com uma refeição por dia. Muitas vezes a comida era só farinha com rapadura”, disse. A falta de terras próprias foi sempre o principal empecilho dos negros, que mesmo em pleno século 21, ainda enfrentam situações de humilhação, como na comunidade negra Senhor do Bonfim, localizada em Areia, Brejo paraibano. Um dos moradores do local, José Sebastião Gomes, 46, que revelou o último conflito entre os quilombolas e os proprietários da terra onde vivem.

“Em 2003, o dono da terra morreu e a herança teve que ser partilhada. Um dos proprietários queria expulsar as 25 famílias que moram lá e durante o conflito, nós fomos humilhados e sofremos até ameaças de morte e violência física. A gente sente que as leis ainda não chegaram até nós”, lamentou. Para a socióloga e diretora da Associação de Apoio às Comunidades Afrodescendente da Paraíba, Francimar Fernandes, em muitas localidades esquecidas, a escravidão ainda não acabou, seja através da exploração do ser humano ou ainda da falta de políticas públicas que sejam aplicadas para o desenvolvimento destas comunidades.