Área de
preservação para a manutenção da fauna e flora características da Zona
da Mata, cede lugar a ocupações irregulares, acúmulo de lixo e retirada
de recursos naturais.
A placa com o alerta de que é proibido
desmatar, caçar e construir, segundo manda a legislação, parece ter sido
ignorada nos Parques Estaduais do Aratu e Jacarapé, em João Pessoa, e
na Mata do Xém-Xém, em Bayeux, na Região Metropolitana. O que deveria
ser área de preservação para a manutenção da fauna e flora
características da Zona da Mata, cede lugar a ocupações irregulares,
acúmulo de lixo e retirada de recursos naturais. A Superintendência de
Administração do Meio Ambiente (Sudema), órgão responsável pela gestão
dos parques, admite a precariedade na fiscalização, o que deixa os
locais vulneráveis às intervenções humanas.
A situação mais crítica é a do parque do Aratu, no bairro de
Jacarapé, na capital. Com 341 hectares de extensão, conforme informações
da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), o
parque abriga espécies de árvores características da Mata Atlântica e
ainda de mangue. Contudo, a área está ameaçada pela ocupação irregular
de dezenas de famílias, acúmulo de lixo e “depósito” de entulho de
construção civil.
No interior do parque, trechos onde havia vegetação nativa
transformaram-se em pequenos lotes para a construção de casebres e
outros viraram até lavouras. O agricultor Alfredo Belarmino, de 77 anos,
conta que chegou no Parque do Aratu há quase 20 anos. Ele cercou dois
terrenos e vive do plantio de raízes. Assim como o idoso, pelo menos
outras 20 famílias repetiram o mesmo ato e ocuparam vários terrenos da
área verde.
“Fui um dos primeiros a chegar aqui. Depois foram chegando outras
pessoas e até hoje muita gente que não tem onde morar, vem para cá. Eles
vão chegando, montando as barracas e de repente constroem as casinhas”,
disse o agricultor. A “urbanização” no Aratu é visível e várias
“estradas de acesso” foram abertas no meio da mata. Em outros espaços, o
lixo doméstico, plásticos, metais e restos de cimento se espalham entre
as árvores.
A história da dona de casa Inácia Rodrigues confirma a situação
relatada pelo agricultor. Desempregada, com sete filhos e sem ter onde
morar, há seis anos ela construiu um casebre dentro da área do parque
para abrigar a família. A poucos metros da casa dela, outras duas
residências estão começando a ser construídas.
Com as ocupações irregulares, a falta de coleta de lixo e outros
problemas de infraestrutura afetam os moradores. “Parece que a gente não
existe. Não temos nada. Como não tem coleta, o jeito é queimar o lixo
ou enterrar”, disse a dona de casa.
E o descarte inadequado de resíduos se repete na área de proteção
vizinha, o Parque Estadual de Jacarapé, e na Mata do Xém-Xém. Moradores e
comerciantes das proximidades denunciam que pessoas vindas de outros
locais é que são os responsáveis por jogar o lixo às margens da área
verde.
“Essas pessoas vem à noite, de carro, jogam o lixo aqui e vão embora.
A gente já tem consciência que não podemos jogar o lixo na mata e
colocamos as sacolas perto da pista para o carro da prefeitura
recolher”, disse Shirlene Franklin, que mora em um sítio próximo à Mata
do Xém-Xém. No Jacarapé, o lixo que agride a mata vai desde lixo
doméstico até objetos eletrônicos, como aparelhos de televisão e
computadores.