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sexta-feira, 28 de abril de 2017

UFPB e Tecnológico Nacional do México assinam acordo de intercâmbio


Finalizando sua missão de trabalho no México, o professor Reinaldo Lucena assinou hoje, 28 de abril, como representante da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o último acordo de intercâmbio programado para sua estadia, com o Tecnológico Nacional do México (TecNM).

O convênio traz diversas oportunidades para pesquisadores docentes e técnicos, e também estudantes de graduação e pós-graduação, na renomada instituição. O TecNM tem origem em 1948 e possui atualmente 266 unidades distribuídas pelo país, sendo 126 Institutos Tecnológicos Federais, 134 Institutos Tecnológicos Descentralizados, quatro Centros Regionais de Otimização e Desenvolvimento de Equipe (CRODE), um Centro Interdisciplinar de Investigação e Docência em Educação Técnica (CIIDET) e um Centro Nacional de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (CENIDET). O TecNM atende mais de 521 mil estudantes de licenciatura e de pós-graduação em suas unidades.


A primeira reunião sobre o convênio aconteceu em 4 de abril, entre Lucena e a secretária-geral de extensão e vinculação de convênios da instituição, Ofélia Angulo Guerrero (foto ao lado).

A celebração do termo, ocorrida hoje na Cidade do México, foi realizada com o diretor geral da TecMN, Manuel Quintero Quintero. Participaram, ainda, o diretor de vinculação e extensão, Oscar Raziel Chagolla Aguilar; a diretora do Instituto Tecnológico de Tlalpan, Rocío Castro González; a secretária-geral Ofélia; e a doutoranda do Prodema/UFPB, Camilla Marques de Lucena, representando os alunos de pós-graduação da UFPB.


A missão
Reinaldo Lucena residiu no México por um ano para conclusão do pós-doutorado e regressou, como representante da UFPB, em 1° de abril deste ano, à convite daquele país, inicialmente para a assinatura de quatro convênios. Ao fim, foram fechados seis: com a Universidade de Guerrero, o Instituto Tecnológico Superior de San Miguel El Grande, a Universidad Autónoma Chapingo, a Universidad Nacional Autónoma de México, o Colegio de Postgraduados e o derradeiro com o Tecnológico Nacional do México.

Para o Reinaldo, “além do sentimento de ter cumprido integralmente o compromisso assumido com a UFPB e de ter honrado o apoio dado pela reitora Margareth Diniz, houve a emoção de retornar ao México e de ter sido tão bem recebido”. Ele comemora duplamente os acordos, que, de um lado, permitirão diferentes oportunidades aos acadêmicos mexicanos de estarem no Brasil; e que, de outro, abrirão portas para professores, técnicos e alunos da UFPB em excelentes universidades mexicanas. “Temos muito a aprender uns com os outros”, disse. “Sinto-me realizado em poder colaborar no fortalecimento do nosso processo de internacionalização e, assim, fazer algo concreto para o crescimento de nossa universidade”, expressou Lucena.

Durante sua permanência no México, em meio a uma série de contatos, o docente obteve, ainda, sinalização de instituições de ensino superior de mais dois países, agora da América do Sul, que têm interesse na parceria com a UFPB.

Reinaldo Lucena é coordenador do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema) da UFPB.
Fonte:  ACS | Rita Ferreira

quarta-feira, 26 de abril de 2017

UFPB formaliza parceria com o Colegio de Postgraduados

qua, 26/04/2017 - 21:59


A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) formalizou acordo de intercâmbio com o Colegio de Postgraduados (Colpos), instituição de ensino superior mexicana, com a qual já mantinha relação de parceria. O docente Olivério Hernandez Romero, do Colpos, ministrou curso na UFPB em março, oportunidade em que a cooperação começou a ser tratada, junto à reitoria, por intermédio do professor Reinaldo Lucena, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema/UFPB).


O acordo firmado hoje, 26 de abril, em Texcoco (México), é voltado a estudantes de pós-graduação, professores e técnico-administrativos das ciências agrárias e ambientais das duas instituições. A assinatura do documento ocorreu no campus-sede de Montecillos, tendo como representantes o professor Lucena e o diretor Francisco Escobar Vega (foto ao lado). Colpos possui sete campi e é vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural, Pesca e Alimentação do México (Sagarpa, em espanhol).

Em seguida, Reinaldo Lucena, acompanhado pelo professor Olivério Hernandez, reuniu-se com a editora-chefe da Revista Mexicana de Ciências Agrícolas, Dora María Sangerman Jarquí, para discutir avanços da ciência e os desafios de conduzir uma revista científica.


Finalizada a agenda na região, o representante da UFPB seguiu viagem para a Cidade do México, onde assina, amanhã (27), com o Tecnológico Nacional do México.












Fonte:  ACS | Rita Ferreira

terça-feira, 25 de abril de 2017

Convênio com Universidad Nacional Autónoma de México beneficiará pós-graduandos e professores


Em meio à programação de trabalho no México, o professor Reinaldo Lucena obteve mais um importante resultado para a agenda de internacionalização da UFPB.

Nesta segunda-feira, 24 de abril, o docente reuniu-se, em Morelia, no Estado de Michoacán, com Alejandro Casas, diretor do Instituto de Investigação em Ecologia e Sustentabilidade (IIES) da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), para tratar de convênio específico para pós-graduandos e professores.

O contato com a instituição se deu por iniciativa de Lucena, que realizou pós-doutorado na localidade de Morelia. A documentação do novo acordo está em trâmite e será enviada ao Brasil posteriormente.

Reinaldo Lucena é coordenador do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema) e está em missão no México, representando a UFPB, à convite daquele país, para assinatura de convênios de intercâmbio com instituições de ensino superior.
 
Fonte: ACS | Rita Ferreira
 
 
 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

UFPB convida comunidade universitária para discutir Política Ambiental

A Prefeitura Universitária (PU) vai realizar no dia 5 de maio, às 9h, no Auditório do Bloco Multimídia do Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba (CT/UFPB), Campus de João Pessoa, audiência pública para a formulação da Política Ambiental da instituição. A Comissão de Gestão Ambiental está solicitando, da comunidade universitária, sugestões que serão elencadas e discutidas durante o debate. Os interessados podem enviar suas propostas até sexta-feira (28), para o endereço de e-mail: politica.ambiental@prefeitura.ufpb.br.

O prefeito universitário João Marcelo Alves Macêdo, em entrevista à Agência de Notícias (AgN), falou dos objetivos da Política Ambiental da Universidade. Ele revelou que durante os seus 60 anos de existência, a instituição nunca obteve regularização de licença para desenvolver esse plano.

O trabalho está sendo feito em parceria com a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (SUDEMA) e deve ser implementado após consulta feita aos estudantes, professores, técnico-administrativos e à comunidade extra universitária, depois da aprovação do Conselho Universitário (CONSUNI) no mês de maio.

Segundo João Marcelo, a política ambiental, com um prazo de 180 dias para ser implantada, abrangerá todos os quatro Campi da UFPB. O prefeito é da opinião que ainda falta à comunidade universitária uma consciência ambiental e a que instituição pode ser autossustentável.

AgN/UFPB: A Prefeitura Universitária (PU), em audiência pública, vai debater com os seus segmentos, órgãos públicos e outras organizações municipais, estaduais e federais, sua política ambiental para os próximos anos. Qual é o objetivo principal do Plano Ambiental da UFPB?
João Macedo (JM): A Universidade há muito tempo viveu à margem da legislação por decisões equivocadas, por achar que ela só se submetia as decisões e legislação de âmbito federal, porque tinha uma autonomia. A autonomia universitária foi confundida. Por exemplo, nós tivemos obras sem alvará e uma série de complicadores. Diante de tudo isso, quando assumimos, começamos a discutir justamente um trabalho de regularização. Então, o que nos fizemos? Primeiro nós buscamos a SUDEMA e fizemos a regularização da licença de operações. O Campus nunca foi licenciado. Em seus 60 anos, a Universidade nunca teve uma licença ambiental. Com a SUDEMA, acertamos 17 condicionantes, que são pontos que devemos cumprir ao longo de 180 dias. Temos prazo para cada uma dessas situações e estamos dando cumprimento. Um dos itens, por exemplo, é manter atualizado um contrato ou um convênio com as cooperativas e associações de catadores, porque devemos fazer a chamada reciclagem. Precisamos separar o nosso lixo.

AgN/UFPB: Quais seriam os demais pontos a serem cumpridos?
JM: Outro ponto que nós temos é a criação de uma política ambiental, ou seja, imagine que o Campus I está dentro de um resquício de Mata Atlântica. Nós temos uma reserva. Salvo engano, são aproximadamente 82 hectares. Os limites da Universidade vão até ao rio lá embaixo, ou seja, o rio que divide o Castelo Branco dos Bancários ou daquela parte lá que tem o Conjunto Paulo Miranda, que é a ponta dos Bancários, depois das três ruas. Então aquela divisão ali, aquela Mata pertence à Universidade e ela deve ser preservada. A gente tem uma cerca que delimita o Campus de João Pessoa e as pessoas acham que ali é do público, mas pertence à UFPB. Na Unidade de Mangabeira, são aproximadamente 40 hectares. Nós temos que dar conta de tudo isso. Dentro de toda essa política ambiental, nós lançamos uma chamada pública para discutir tudo isso.

AgN/UFPB: O que será repensado dentro dessa politica ambiental voltada à melhoria da UFPB? O que pretende contemplar?
JM: Nesse sentido, a política ambiental vai discutir tudo que é de responsabilidade da Universidade e daqueles que convivem com a Universidade, para preservação do meio ambiente. Vamos contemplar desde a A3P, que é a Agenda do Ministério do Meio Ambiente, até toda discussão ambiental. Ou seja, nós temos aqui um espaço riquíssimo e que precisa de cuidados. Então, hoje nós estamos convocando toda a comunidade universitária (estudantes, professores e técnico-administrativos), bem como os órgãos ambientais. Nós expedimos ofício convidando a SUDEMA; Secretaria do Municipal do Meio Ambiente (SEMAM); Polícia Florestal; o Ministério Público Estadual; Ministério Público Federal; Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para discutirem essa politica ambiental da UFPB. Precisamos repensar toda essa estrutura ambiental dentro da universidade, que vai desde o estudo sobre a coleta de resíduos; ao tratamento dado aos resíduos químicos; à política de gestão de processos; ao uso de construções inteligentes e construções sustentáveis; e à regularização fundiária, ou seja, ao uso do solo. Tudo isso está contemplado dentro dessa política.

AgN/UFPB: Essa política vai contemplar todos os Campi da UFPB?
JM: Sim. Todos os quatros Campi. Campus I, no bairro Castelo Branco, Unidade de Mangabeira, Unidade de Santa Rita; Campus II, Areia; Campus III, Bananeiras; Campus IV, Rio Tinto e Mamanguape. Considere também que nós temos outros locais como o futuro Museu de Medicina, que vai funcionar no antigo Instituto de Medicina Legal, onde funcionou a Faculdade de Medicina, perto do Cemitério Boa Sentença; a antiga Fundação José Américo, onde hoje funciona a Clínica de Psicopedagogia; a antiga Faculdade de Direito, onde funciona a Prática Forense, no centro da Capital, entre outros espaços que são de propriedade da UFPB.

AgN/UFPB: No momento atual, a UFPB tem estrutura representativa para discutir essa política ambiental?
JM: Nesse sentido, nós temos toda uma estrutura que vai contemplar e ser afetada por essa política ambiental. Nós não pensamos coisas mirabolantes. Na verdade, por isso é que nós estamos convidando a comunidade universitária a contribuir com essa discussão e a debater, para que nós possamos colocá-la em prática. Não adiantaria que nós, aqui, no Gabinete da Prefeitura Universitária, discutíssemos uma política ambiental, fizéssemos uma redação belíssima com todo o cientificismo necessário para colocar no papel, mas que, quando chegasse à comunidade, não fosse implementada, não tivesse a adesão dos nossos estudantes, professores e servidores técnico-administrativos. Convidamos também as entidades representativas do segmento universitário como Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior da Paraíba (SINTESPB), Associação dos Docentes da UFPB (ADUFPB) e Diretório Central do Estudante (DCE), para que se façam presente a essa discussão, pois nós precisamos pensar tudo isso.

AgN/UFPB: Em sua opinião, falta, ainda, na comunidade universitária, uma consciência ambiental?
JM: Sim. Como instituição educacional, nós precisamos pensar nisso. De vez em quando, penso em nossos netos que não vão ter os recursos naturais abundantes. Hoje, o que mais assola a gente é um calor, que é fruto do uso desregrado de recursos ambientais, ou seja, devastação de matas ou uso de combustíveis fósseis, e uma série de outras coisas. Então, se nós não tivermos essa consciência ambiental, nós vamos ter sérios problemas. Digo isso, preocupado com esses dez 10 ou 15 anos que temos pela frente, não é coisa para 50 ou 100 anos. Vejamos o problema hídrico que nós passamos, estamos saindo, mas nós não podemos nos descuidar. E a Universidade tem um papel fundamental, porque aqui estamos formando novos recursos humanos. Aqui é onde temos cursos de engenharia, se tivermos construções inteligentes e sustentáveis que usem, por exemplo, luz solar, que recolham resíduos sólidos e reutilizem a água. Se tudo isso ocorrer, o que vai acontecer? Nós vamos formar melhor nossos engenheiros. Então, a Universidade tem que ser exemplo nas suas ações, mas não exemplos ruins como, infelizmente, em alguns momentos nós fomos.

AgN/UFPB: Como corrigir esse erro institucional de 60 anos?
JM: Reconhecendo esse erro institucional da Universidade, nós buscamos corrigir. Então a discussão dessa nova política é isso. Existe todo um simbolismo também. Daí levamos essa discussão para dentro do CT, que é um Centro de Tecnologia e que é responsável por isso, já que lá tem Curso de Engenharia Ambiental, de Engenharia Civil e de Arquitetura que podem impactar essa política. Vamos começar a discussão por lá. Agora é um momento ímpar. Essa discussão que nós vamos levar ao CONSUNI da UFPB, precisa passar por uma etapa antes. Estou muito feliz porque desde o dia 18 de abril deste ano, quando expedimos memorando solicitando sugestões para a melhoria da nossa política ambiental, recebemos diversas contribuições. As pessoas realmente estão vindo até a instituição se mostrando preocupadas e querendo discutir isso. Uma demonstração que nós podemos ter sucesso nessa nova política ambiental.

AgN/UFPB: Qual é o prazo para implantação desse Plano Ambiental?
JM: O prazo é de 180 dias. Nós assinamos no dia 20 de fevereiro deste ano. Então temos até 20 de agosto para entregar o Plano junto à SUDEMA. Vamos fazer a discussão no dia 5 de maio. Pretendemos fechar o mês de maio com esse processo chegando ao CONSUNI e tendo um relator designado.

AgN/UFPB: De fato, a UFPB tem condições de ser uma cidade autossustentável?
JM: Com certeza. Uma instituição educacional que não acredita na mudança, não pode ser educacional. A educação é capaz de mudar o mundo; ela muda as pessoas. Se você pegar uma pessoa antes de ser letrada e depois de letrada - como diriam os mais antigos – você vai ver a diferença. É um compromisso nosso, o de ensinar. Na medida que nos policiarmos para ter uma consciência da separação do lixo, uma consciência daqueles espaços de preservação e que pensemos na sustentabilidade de uma maneira geral, nós conseguiremos, sim, fazer diferente e transformar a sociedade. A Universidade se propõe a repensar seus hábitos e, ao repensar os hábitos, nós vamos ter um avanço. É uma série de ações que já existe e que vai ser concatenada e inclusa dentro de um grande plano, que é um plano de política ambiental, ou seja, pensar diferente. A política ambiental é pensar as ações de maneiras diferentes. Nós desenvolvemos e dispomos de diversas tecnologias, mas durante muito tempo não foram fomentadas. O problema é que muitas vezes não era visto isso. Nós hoje estamos tentando descobrir, dentro de tudo que a Universidade produz, as melhores soluções. Temos que separar o que é técnico do que é político, o que não contempla a instituição. Na Prefeitura Universitária, nos buscamos as decisões técnicas. Qual a decisão técnica? Nós precisamos ter uma politica ambiental. Qual a decisão técnica? Nós precisamos reutilizar a água. Qual a decisão técnica? Nós precisamos melhorar a eficiência iluminatória da nossa Instituição, a iluminação dela precisa mudar. Nesse sentido, a Universidade está pensando diferente, está pensando no futuro, numa mudança e numa transformação que está chegando. Primeiro passo: definição de uma política ambiental. Pensar diferente. Transformar. Isso é uma nova UFPB que tem refletido sobre o seu papel diante da sociedade. Quando concluirmos essa política ambiental, ela será exemplo para as demais instituições públicas do nosso Estado. As soluções aqui construídas poderão inspirar outros gestores públicos a pensarem diferente.

Fonte: Agência de Notícias da UFPB - Paulo César Cabral
 
 
 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Mãe junta 300 kg de latinhas e realiza sonho de filho estudar na Europa

11/02/2017 08h40 - Atualizado em 11/02/2017 08h40
Paraibana fez rifa, juntou latinhas, alumínio e plástico e recebeu doações.
Estudante Pedro Fernandes faz intercâmbio na Finlândia há quase um ano.

Dani Fechine*

Do G1 PB


Isabel reuniu mais de 300kg de latas para ajudar manutenção do filho na Europa (Foto: Isabel Cristina/Acervo Pessoal)
Isabel reuniu mais de 300 kg de latas para ajudar manutenção
do filho na Europa (Foto: Isabel Cristina/Acervo Pessoal)
 
“Meus filhos vão realizar tudo que eu não pude realizar”, confessou a paraibana Isabel Cristina Fernandes, de 51 anos, que lutou contra a própria realidade para que o filho Pedro, de 18 anos, realizasse o sonho de estudar em um intercâmbio na Finlândia. Natural da Cidade de Picuí e trabalhando há 24 anos na sede recreativa da Associação dos Magistrados da Paraíba, em Cabedelo, junto com o marido Milton Viana, Isabel conseguiu arrecadar mais de R$ 1,2 mil coletando material reciclável.

Latinhas, alumínio e plástico ajudaram o filho a se manter no país onde começou a estudar idiomas. Hoje, além de trabalhar com o marido na Associação dos Magistrados, onde também mora há 24 anos, Isabel faz cocadas, trufas, cupcakes e outros doces para ajudar no custeio. O que iria para o lixo no trabalho, Isabel transformava em dinheiro. No caminho para a igreja, também apanhava o que conseguia.
  
Uma arrecadação dos magistrados da Paraíba, do Rio Grande do Norte, de São Paulo e de Pernambuco, ajudou Isabel a completar R$ 30 mil para realizar o sonho do filho. "Eu ainda vou para longe, ainda vou voar, morar em outro país", foi com esse desejo de Pedro que tudo começou, conforme conta Isabel.

Para ela, a única solução era o filho estudar. Ele queria fazer algum curso de idiomas, mas se a mãe utilizasse o dinheiro para isso, a família não teria o que comer. Então Pedro começou a estudar por conta própria, no computador. “Assistia seriado sozinho e sempre cantava em inglês, para aprender”, contou Isabel. Quando uma mulher de Taiwan se hospedou no clube da associação, todos ficaram surpresos com a desenvoltura de Pedro para conversar em inglês.

Isabel fez a inscrição de Pedro na Associação Rotary para tentar o intercâmbio e, após a realização da prova, ele foi classificado em oitavo lugar. Na preparação da papelada necessária, mais um desafio. “Quando eu vi o que eu tinha que pagar eu pensei que ele não ia mais”, refletiu a mãe.

A campanha atingiu amigos de Isabel e do magistrado Manoel Abrantes, que ajudou junto a outros a reunir o dinheiro necessário. No início, eles precisavam de mais de R$ 5,2 mil para dar início à viagem. Em menos de três dias, a conta bancária de Isabel já somava R$ 6 mil.

Sonho realizado
Pedro está na Finlândia desde agosto de 2016 e hoje ele já fala inglês, sueco e está aprendendo francês. Foi aprovado no curso de Relações Internacionais, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e deve começar o curso quando voltar ao Brasil, provavelmente no final do mês de julho deste ano.

Com a partida de Pedro, o coração de Isabel ficou pequeno. A porta do desembarque era minúscula para um futuro tão grande que estava por vir.  “É uma dor quando a gente vê nossos filhos saindo daquela portinha do aeroporto”, disse Isabel.


Pedro, de 18 anos, conseguiu realizar sonho de intercâmbio na Finlândia (Foto: Pedro Fernandes/Acervo Pessoal)
Pedro, de 18 anos, conseguiu realizar sonho de intercâmbio
na Finlândia (Foto: Pedro Fernandes/Acervo Pessoal)
 
Agora Isabel vende uma rifa. Recebeu uma doação de uma suqueira como prêmio e só vai parar com as vendas quando o objetivo for alcançado: pagar o passeio da escola do filho para conhecer outros países da Europa.

“Eu me sinto muito feliz, que às vezes é até inexplicável de falar, é incrível quando você sonha a vida toda de ir para o exterior e de repente seu sonho se realiza”, disse Pedro. “Isso mostrou que eu sou capaz e que tudo é questão de querer. E hoje eu posso ver que todo o esforço que a minha mãe fez está valendo a pena", completou.

24 anos de dedicação e amor
Casados há 24 anos e com dois filhos, Isabel e Milton fazem pela família o que não puderam fazer por si mesmos. Além de Pedro, o filho mais velho do casal tem 22 anos e se chama Severino, estudante de Farmácia, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “Eu quero que eles sejam vitoriosos por tudo isso. Cada luta que eles viram que a gente passou, que eles reconheçam. Isso é tudo maravilhoso”, declarou.

Nascida no Município de Picuí, Isabel viveu por uma escolha da mãe. O pai não assumiu a paternidade e queria que a gravidez fosse abortada. Ela resistiu e colocou Isabel no mundo. Os sonhos de Isabel têm a mesma marca de luta e de lição de vida. “Eu vou lá ver meu filho na Finlândia. Eu sempre sonhei em ir longe, conhecer o mundo. Meu filho puxou a mim”, disse.


Isabel está casada e trabalha na Associação de Magistrados há 24 anos (Foto: Isabel Cristina/Arquivo Pessoal)
Isabel trabalha na Associação de Magistrados da Paraíba há 24 anos e teve ajuda
de uma campanha que arrecadou dinheiro para a viagem do filho
(Foto: Isabel Cristina/Arquivo Pessoal)

*Sob supervisão de Taiguara Rangel


Fonte 


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Prefeitura de João Pessoa decreta emergência na falésia do Cabo Branco

22/06/2016 17h23 - Atualizado em 22/06/2016 17h30
 
Área de situação de emergência é da praça de Iemanjá até o Seixas.
Decreto foi publicado nesta quarta-feira (22).

Do G1 PB
 
Falésia do Cabo Branco em estado de emergência (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)
Erosão na falésia do Cabo Branco
(Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)
A Prefeitura de João Pessoa decretou nesta quarta-feira (22) o estado de emergência na área compreendida pela Falésia do Cabo Branco da Praça de Iemanjá até a Praia do Seixas. O decreto foi publicado numa edição especial do semanário da prefeitura e assinado pelo prefeito da cidade, Luciano Cartaxo (PSD). Veja aqui o decreto completo.

Há alguns dias as pistas que dão acesso ao farol de Cabo Branco, na capital, foram interditadas para pedestres e ciclistas por causa da erosão na barreira de Cabo Branco. Segundo a Defesa Civil a área, que já era fechada para carros e motos, foi completamente bloqueada por motivos de segurança. No entanto, na terça-feira (21) uma das faixas da pista foi desinterditada.

De acordo com o decreto, foram considerados os impactos da corrente marinha, ocorridas no município de João Pessoa nos últimos sete dias, e neste instante caracterizados como Erosão Costeira Marinha, segundo o Código Brasileiro de Desastres (Cobrade).

Conforme o decreto, em decorrência dos danos e prejuízos causados direta e indiretamente pelo desastre, a reabilitação de cenários e reconstrução da falésia, estão cima da capacidade suportável pelo município. 

Reunião sobre a erosão
Na manhã desta quarta-feira foi realizada uma reunião pelo promotor do Meio Ambiente de João Pessoa, José Farias, com a participação da secretária de Planejamento de João Pessoa, Daniella Bandeira, e do superintendente de Administração do Meio Ambiente (Sudema), João Vicente.

Após a reunião, o promotor conseguiu que a Sudema apresente com brevidade um termo de referência para que a prefeitura de João Pessoa realize os estudos complementares para conseguir o licenciamento ambiental. A decisão foi comemorada por Daniella Bandeira, que alegava demora do órgão estadual para dar respostas. Além disso, ficou acordado que vai haver participação de representantes da Universidade Federal da Paraíba na discussão. Uma nova reunião de trabalho vai ocorrer na próxima semana.


 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Centro de triagem de animais registra superlotação na Grande João Pessoa

03/09/2015 10h49 - Atualizado em 03/09/2015 10h49 

Unidade tem sete vezes mais macacos-prego do que a capacidade total. 
Parque Arruda Câmara não tem mais condições de receber os animais.
 
Do G1 PB


O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, está enfrentando um problema de superlotação. De acordo com o chefe do centro, Edilton Nóbrega, o problema é que o número de animais resgatados é maior do que a quantidade devolvida à natureza ou encaminhada para zoológicos.

No centro, que fica localizado na Mata do Amém, existem atualmente 20 macacos-prego, que chegaram no local após serem resgatados ou apreendidos em operações de órgãos ambientais. Mas, segundo Nóbrega, o Cetas só tem capacidade para três macacos, um em cada ambiente, e com a permanência máxima de 40 dias para a triagem.

“Foram colocados alguns em algumas ilhas em açudes públicos, mas os açudes secaram e perderam a condição de ilha, por isso não estamos podendo levar os animais para lá. Aqui não é um centro de manutenção, é um centro de triagem e eles devem ser destinados para algum lugar. Os que não têm condições de serem soltos devem ser recebidos por zoológicos, mas eles também estão lotados”, explicou Edilton.
 
Um dos locais que poderiam receber os macacos é o Parque Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa. O parque tem uma ilha onde mora uma família de 12 macacos-prego, além de um espaço onde vivem oito macacos-prego galegos, que estão em extinção e não podem se misturar com os outros. O diretor do parque, Jair Azevedo, explica que a Bica não tem mais como acomodar novos animais e já mandou até alguns de volta para o Cetas.

“Infelizmente a gente não tem mais recintos para colocar os animais e a gente não pode misturar as espécies pois causa um problema sério de briga e desafio entre os machos alfa e acaba complicando a situação. O parque não tem condição nenhuma de receber mais nenhum bicho”, disse Azevedo.

Além dos macacos-prego, o Cetas também registra uma superlotação de papagaios. Cerca de 25 aves estão no local sem previsão de sair. O chefe do centro aguarda o resultado de estudos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) sobre novas áreas que podem acomodar os animais. “Hoje temos três escolas de veterinária e três de biologia, a esperança é esta produção científica dar um rumo para nós”, completou.


 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Obstáculos: problemas nas ruas da capital

No Dia Internacional do Pedestre, especialista afirma que é impossível caminhar por João Pessoa sem encontrar obstáculo.


 


Francisco França
“Em João Pessoa não existe um quarteirão em que se consiga dar uma volta completa sem passar por um obstáculo”. A afirmação do especialista em mobilidade urbana e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Nilton Pereira, no Dia Internacional do Pedestre, comemorado hoje, denuncia o problema constante de quem precisa andar a pé pelas ruas da capital. A falta de segurança para atravessar a rua e utilizar vias de acesso, como passarelas, também é apontada por alguns pedestres como problema.

De acordo com o Código Brasileiro de Trânsito (CBT), as calçadas são reservadas somente ao trânsito de pedestres e, se houver algum obstáculo que não possa ser retirado, este deverá ser sinalizado. No entanto, não é o que ocorre nas calçadas da capital. Desnivelamento no piso, largura inferior à mínima de 1,20 metro, degraus que dificultam a circulação, outros obstáculos – postes, telefones públicos, lixeiras, bancas de ambulantes, jornais e entulhos –, estão entre as principais irregularidades elencadas pelo pesquisador Nilton Pereira.
 
O grande problema, segundo ele, é que por muito tempo se achou que a questão do deslocamento se resumia a carros e ônibus, sem a preocupação com a melhoria na pavimentação.

“Em João Pessoa, como nas principais cidades brasileiras, ainda se tem uma visão de que as calçadas são de responsabilidade do proprietário da residência, como se não fosse responsabilidade da administração pública. Aí temos calçadas inapropriadas, que se tornam obstáculos para muitos pedestres. Quem não tem problemas com mobilidade não percebe a importância, mas obesos e cadeirantes, por exemplo, sentem”, disse.

Além da má qualidade das calçadas, o especialista também aponta a colocação de outros obstáculos, como rampas, gelos baianos, blocos de concreto, dentre outros artifícios para impedir a invasão de carros na calçada, que acabam atrapalhando a passagem de pedestres. “A calçada é um elemento fundamental para a mobilidade, principalmente se a gente quer investir numa cidade sustentável. Por isso sua melhoria precisa ser estimulada, para que possamos dar mais condições aos pedestres”, afirmou Pereira.

Sempre transitando a pé nas adjacências da Avenida Beira-Rio, a aposentada Carmelita Leandro dos Santos, 89 anos, disse que teme andar pela via pública. “Há muitos buracos que causam medo de andar sozinha e desrespeito, principalmente de carros, que não param para a gente atravessar, mesmo que estejamos na faixa de pedestres. Eu só passo quando não vem mais nenhum para não ter perigo”, lamentou. (Colaborou Katiana Ramos)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Degradação ambiental em João Pessoa

Ocupação irregular, descarte de lixo em local inapropriado e despejo de esgoto doméstico e de oficinas poluem três rios da capital.


 


Rizemberg Felipe
Sucata está sendo descartada irregularmente em reserva ambiental no bairro de Tambiá
Três rios localizados em áreas de preservação ambiental, em João Pessoa, sofrem com a ocupação irregular e o despejo de resíduos poluentes, provenientes de oficinas mecânicas e esgoto doméstico. Outro fator que contribui para a poluição nesses ecossistemas é o lixo descartado nos locais.
 

Uma área identificada como reserva ambiental, mantida pela prefeitura da capital e localizada no bairro de Tambiá, sofre nos últimos cinco anos, segundo os moradores da localidade, com o descarte de ferro-velho, incluindo carcaças de veículos e caçambas coletoras de lixo. O problema foi denunciado pela reportagem do JORNAL DA PARAÍBA em fevereiro deste ano e a retirada do material poluente foi iniciada no mês passado.
 
Contudo, está havendo apenas a transferência dos materiais para a parte mais alta do terreno, área que pertence a uma empresa de construção.
 
Nessa mesma reserva do bairro de Tambiá passa o rio São Bento, que segue ainda para os bairros de Padre Zé e Mandacaru. Além de sofrer com o descarte de lixo doméstico e despejo de esgoto, esse rio recebe ainda resíduos de oficinas mecânicas localizadas ao longo da avenida Tancredo Neves, sendo três delas construídas em área de invasão na reserva.
 
Ainda nessa avenida, um trecho da reserva foi aterrado e no local foi instalada uma serralharia. Além do descarte do material utilizado no estabelecimento, a área de preservação recebe ainda pneus velhos, restos de material de construção e lixo. “Eu lembro que há uns 8 anos isso aqui era tudo limpo e o pessoal até pescava no rio e tomava banho. Hoje está nessa situação”, disse a dona de casa Maria Miguel, que mora nas proximidades.
 
Os mesmos danos afetam ainda um trecho do Rio Sanhauá, no trecho entre os bairros do Varadouro e Baixo Róger. Após sair da comunidade do Porto do Capim seguindo em direção ao Baixo Róger, os principais poluentes são lixo doméstico e esgoto provenientes das casas das localidades.
 
Saindo do Centro em direção à zona sul da capital, oficinas às margens do rio Jaguaribe, na comunidade Tito Silva, no Castelo Branco, também estão em situação irregular, segundo informações da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam). Há três anos, Amilton Moura mantém uma borracharia nesta área e revela que descarta o material utilizado de maneira correta. Contudo, ao lado do estabelecimento uma área foi devastada na margem do rio para abrigar um depósito de material reciclável.
 
Outras duas oficinas localizadas no mesmo trecho também podem estar contaminando o rio com os dejetos. O taxista José Alves mora próximo às oficinas e revela que os estabelecimentos, assim como a casa dele, não possuem rede de esgoto e os dejetos são lançados diretamente no rio. “O pessoal das oficinas diz que junta o óleo e vende. Mas a gente não sabe. Agora, os esgotos de lá e das casas vão todos para o rio. Outro problema é o lixo que o pessoal também joga na beira do rio”, lamentou o morador.
 
José Alves lembra ainda o tempo em que o rio Jaguaribe ainda não sofria tanto com a poluição e era área de lazer para os moradores. “Antigamente, há uns 40 anos, esse rio não estava tão sujo. A gente tomava banho, o pessoal que criava boi e cavalos dava banho nos bichos. Era uma maravilha. Hoje, se a gente entrar aí, fica doente”, recorda.
 
O professor e pesquisador na área de ecologia e ecossistemas estuarinos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Gilson Moura, alerta que o desmatamento causado pelas ocupações irregulares e os dejetos descartados pelas residências e estabelecimentos construídos comprometem a sobrevida dos rios. Ele lembra ainda que os produtos químicos despejados podem impermeabilizar os sedimentos no fundo dos cursos de água e interferir diretamente na sobrevivência da fauna e flora.
 
JAGUARIBE RECEBE ESGOTO DE CASAS E ATÉ DA CAGEPA
Com aproximadamente 21 quilômetros de extensão, segundo informações da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de João Pessoa (Semam), o Rio Jaguaribe percorre boa parte da Cidade de João Pessoa, até desaguar em um maceió, nas proximidades do bairro do Bessa. Ao longo do percurso, o rio recebe esgoto doméstico, resíduos de estabelecimentos comerciais e até da própria Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). Além disso, a ocupação irregular também é uma ameaça à sobrevivência desse curso de água.
 
Por onde passa, o rio Jaguaribe margeia a rua do Rio, o bairro São José e as comunidades São Rafael, no Castelo Branco, e Tito Silva, na Torre. Destas localidades, a prefeitura identificou ocupações irregulares nas três últimas. Sendo a situação mais preocupante a dos moradores do bairro São José. Nesta área, o rio margeia todo o bairro e os moradores sofrem com inundações todos os anos, durante os períodos chuvosos.
 
Na parte mais baixa da comunidade São Rafael, onde o percurso do Rio Jaguaribe segue por trás do quintal de dezenas de casas, as inundações durante o inverno são recorrentes.
 
Morando na comunidade há mais de 30 anos, o mecânico Zezito de Sousa construiu batentes para impedir a entrada da água na casa onde vive, após sofrer muitos anos com a invasão da água. “Depois que eu fiz isso aqui, amenizou mais a situação e não entra muita água na minha casa. Mas o pessoal que não tem condições de fazer isso, sofre todo ano”, lamentou.
 
Pelo mesmo drama passa o estudante Emerson Ferreira. Ele mora na comunidade desde que nasceu e acredita que a poluição no rio se deve também aos maus hábitos dos moradores. “O pessoal que mora mais embaixo, praticamente na beira do rio, joga o lixo no rio. Quando a máquina vem dragar tiram de tudo, de eletrodomésticos até móveis. Acho que isso também prejudica e piora a situação quando chove”, disse Emerson.
 
CAGEPA
A assessoria da Cagepa informou que o despejo de esgotos no Rio Jaguaribe só ocorre esporadicamente, quando os equipamentos das Estações de Tratamento param por falta energia elétrica ou quando há problemas mecânicos. Ainda segundo a assessoria, os dejetos jogados nos rios também saem de residências que têm sistemas de esgoto clandestino, cujos poluentes são lançados na rede pluvial.
 
SEMAM FAZ NOTIFICAÇÕES E CASOS ESTÃO EM ANÁLISE
O chefe de Fiscalização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam), Anderson Fontes, confirmou a degradação ambiental provocada pelas oficinas mecânicas e outros estabelecimentos instalados às margens dos rios, na capital. Contudo, ele informou que os locais irregulares já foram notificados pela secretaria e os casos estão em fase de análise na prefeitura.
 
“Nós sabemos que ainda existem muitas oficinas instaladas nas margens dos rios. Existiam mais oficinas, só que com nossas fiscalizações, junto com a Polícia Florestal, esses estabelecimentos diminuíram. Sabemos que essas oficinas da Tito Silva foram notificadas, porque não são regularizadas”, disse o representante da Semam.
 
Ainda conforme Anderson Fontes, as fiscalizações realizadas pelo órgão identificam a existência ou não de fossas sépticas, destino dos resíduos poluentes, esgoto doméstico e coleta de lixo.
 
“Nós fazemos um serviço de fiscalização e sabemos que áreas próximas aos rios são desmatadas e as pessoas aproveitam e constroem moradias. Mas, qualquer pessoa que construir em uma área de preservação pode ser retirada”, alertou.
 
Sobre a situação dos estabelecimentos localizados próximo ao rio São Bento e o despejo de restos de concreto nas margens do rio e na reserva, o chefe de Fiscalização da Semam adiantou que um projeto para a recuperação da área está em fase de elaboração na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).
 
Segundo ele, a proposta é transformar a área degradada da reserva em local de convivência para os moradores do entorno.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Energia solar é foco de estudos na UFPB

Construção de um telhado fotovoltaico está entre os projetos desenvolvidos no Centro de Energias Alternativas e Renováveis.

Kleide Teixeira
Destaque no cenário, o Brasil, sobretudo a Paraíba, tem um dos maiores índices de radiação solar do mundo

Questão que aparece frequente em discussões sobre cuidados com o meio ambiente, a produção de energia solar vem sendo foco de estudos na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
 
Conforme o professor do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (Cear) João Marcelo Dias Ferreira, as ações acadêmicas do Centro envolvem atualmente cinco professores do Departamento de Engenharia de Energias Renováveis (DEER) e aproximadamente 15 alunos de graduação e pós-graduação.
 
“Dentre os projetos em desenvolvimento, podemos destacar a construção do telhado fotovoltaico do edifício do Cear. Trata-se de um laboratório a céu aberto, que será composto por aproximadamente 300 módulos fotovoltaicos translúcidos na tecnologia de silício cristalino, cobrindo uma área de 670 m², com uma potência total instalada de 70kWp (megawatts-pico)”, menciona.
 
Segundo ele, a cobertura fotovoltaica proverá, além da geração de energia, uma proteção eficiente contra chuvas e intempéries.
 
“Ao mesmo tempo, a estrutura proporcionará o aproveitamento da luz natural do sol para a iluminação das áreas de circulação no interior do prédio, além de auxiliar na economia do consumo de eletricidade”, acrescenta, frisando que o laboratório será peça fundamental para a produção de futuras pesquisas associadas à utilização da energia solar no Estado e na região Nordeste.
 
Destaque no cenário, o Brasil, sobretudo a Paraíba, tem um dos maiores índices de radiação solar do mundo. Contudo, de acordo com o especialista, por falta de estímulos, o nível de energia elétrica produzida a partir do Sol ainda não é significativo por aqui. “Os incentivos à geração de energia elétrica a partir da fonte solar são muito limitados por parte do governo federal, demonstrando uma total falta de planejamento estratégico para o setor”, reclama, citando apenas casos isolados de aplicações fotovoltaicas e termossolares em casas e indústrias.
 
Para ele, outro motivo que gera atrasos no setor é a forte dependência brasileira da eletricidade gerada por meio de hidrelétricas, que são fontes renováveis, porém intimamente ligadas aos ciclos de chuvas e níveis de reservatórios. “E a complementação desta geração é feita principalmente a partir de fontes consideradas sujas, que utilizam o carvão, os derivados de petróleo, o gás natural e a energia nuclear”, salienta.

LUZ SOLAR PROMOVE A ECONOMIA SUSTENTÁVEL
Segundo o professor João Marcelo Dias Ferreira, usar energia solar como matriz para gerar eletricidade em residências e empresas representa um enorme avanço do ponto de vista socioambiental por trazer à tona o emprego de uma fonte renovável e limpa em meio a preocupações com a mudança climática e o aquecimento global.
 
De acordo com ele, uma boa notícia é que os progressos tecnológicos relacionados ao desenvolvimento desta energia vêm ganhando bastante ênfase tanto em equipamentos de pequeno porte quanto em grandes centrais. “Ambas as vertentes passaram e continuam passando por processos de maturação tecnológica, em uma busca incessante por melhoria de materiais e técnicas de fabricação, visando à rapidez de conversão energética, além da redução dos custos”, comenta.
 
E essa diminuição de valores tem certa relevância, uma vez que investimentos para adotar os sistemas de energia solar ainda são considerados caros no Brasil, apesar do retorno garantido, como explica Ferreira. “Se tomarmos como exemplo um sistema fotovoltaico residencial, onde o consumidor passa a ser produtor de sua própria energia elétrica, o retorno financeiro acontece, normalmente, dentro dos primeiros 10 anos, enquanto a expectativa de vida útil do sistema é de 25 anos”, finaliza.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Comissão monitora árvores do Campus I da UFPB em João Pessoa


20/05/2014 22h30 - Atualizado em 20/05/2014 22h40 

Monitoramento começou após uma árvore de grande porte desabar.
Árvore que caiu estava com o tronco fragilizado por larvas e fungos.




 
Do G1 PB com TV Cabo Branco
 

A comissão de gestão ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) está monitorando 27 árvores de grande porte que ficam no Campus I da instituição, em João Pessoa.

O objetivo é evitar que mais uma árvore caia, como ocorreu no início deste mês de maio, quando um tronco desabou sobre a rede elétrica.

A área onde árvore caiu fica próximo da Biblioteca Central do Campus, onde era realizda uma feira agro-ecológica, o local ainda está interditado devido ao incidente, que  não deixou feridos, mas a comunidade universitária ficou assustada.

"Foi um susto grande, imagina, isso aqui é uma feira, se tivesse acontecido na hora do movimento na feira, o estrago teria sido muito maior", comentou o coordenador de serviços da UFPB, Reginaldo Meireles.

O acidente chamou a atenção para a fragilidade do tronco da árvore, que estava praticamente oco devido a ação de fungos e larvas. Com isso, a preocupação se estendeu para as demais árvores de grande porte no Campus, que também podem estar comprometidas.

As árvores que são da mesma espécie da que caiu podem alcançar até 35 metros de altura. A larva encontrada no tronco ainda está sendo identificada, um besouro diferente também foi observado nas árvores.

"Esse é um trabalho que a Comissão de Gestão Ambiental está iniciando e vai fazer em todo o Campus um monitoramento com uma olhar mais crítico do estado em que se apresentam as árvores", explicou o engenheiro Antônio Borba.


sábado, 31 de agosto de 2013

Projeto discute conservação marinha em área de 100 mil hectares na PB

30/08/2013 08h21 - Atualizado em 30/08/2013 08h24 

Floresta de Cabedelo será palco de reunião entre entidades ambientais.
Evento busca avaliar desenvolvimento de projeto de preservação local.
 
Do G1 PB
 
 
Evento Um Dia de Mar no Projeto Extremo Oriental das Américas vai reunir pesquisadores de oito entidades (Foto: Arquivo Pessoal/Marcos de Jesus)
Evento Um Dia de Mar no Projeto Extremo Oriental das
Américas vai reunir pesquisadores de oito entidades (Foto: Arquivo
Pessoal/Marcos de Jesus)

A Floresta Nacional (Flona) da Restinga de Cabedelo será a anfitriã de uma reunião científica nesta sexta-feira (30), para discutir a conservação marinha na Paraíba. Com o tema 'Um Dia de Mar no Projeto Extremo Oriental das Américas', o evento busca avaliar o desenvolvimento de um projeto de preservação desenvolvido no local. A floresta tem mais de 100 mil hectares.
 
Serão recebidos especialistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), além do Diretor do Departamento de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente, da Marinha do Brasil e da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (SUDEMA) da Paraíba.

Projeto está alinhado com as metas nacionais e internacionais do ICMBio e do MMA (Foto: Arquivo Pessoal/Herman Recaben)
Projeto está alinhado com as metas nacionais e
internacionais do ICMBio e do MMA  (Foto: Arquivo
Pessoal/Herman Recaben)
A reunião deve identificar quais são as lacunas de conhecimento, as dificuldades na gestão e oportunidades facilitadoras da área estudada. Os participantes também devem propor outras estratégias de gestão. O evento marca ainda a apresentação dos subprojetos do Projeto Extremo Oriental das Américas relacionados à área marinha. Os projetos incluem a criação, no litoral paraibano, de dois parques temáticos: um de mergulho e outro de pesca esportiva. Também  será estudada a possibilidade de implementação de um oceanário no Rio Paraíba.

Projeto Extremo Oriental das Américas
Pensado pela equipe da Flona da Restinga de Cabedelo, o projeto 'Extremo Oriental das Américas' preza pelo desenvolvimento de iniciativas que podem ser aplicadas, de forma conservacionista, à inovação da gestão ambiental local. Apesar de ter um foco em um geossistema estuarino de 160 mil hectares, o projeto está alinhado com metas nacionais e internacionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que considera a região do estuário do rio Paraíba como prioritária para a conservação da biodiversidade.
 
Segundo os idealizadores e coordenadores da iniciativa, envolver a sociedade na gestão da biodiversidade e mensurar os serviços ambientais são estratégias fundamentais para consolidar a ligação dos 260 fragmentos de Mata Atlântica do estuário do rio Paraíba e garantir sua interação ecológica com os ecossistemas marinhos do litoral paraibano.
 
Fonte


domingo, 25 de agosto de 2013

Levantamento identifica fontes de poluição do Rio Água Boa

Domingo, 25 de agosto de 2013



Localizado no município do Conde, o Rio Água Boa está recebendo dejetos sem o devido tratamento. Os agrotóxicos, os esgotos e o lixo produzido pelas granjas estão entre os poluentes identificados pelo professor Leonardo Vieira, do curso de Engenharia Civil e Ambiental na Universidade Federal da Paraíba. Essa poluição foi identificada na pesquisa que tem como objetivo verificar a qualidade, a utilização e os poluentes do rio. Em conversa com a repórter Jude Alves, o professor Leonardo Vieira disse que o diagnóstico está em andamento.

Acesse o link escute o áudio.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

As muitas faces do sertão

Deficiência hídrica e clima semiárido exigiram respostas adaptativas sofisticadas de espécies da caatinga

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição 209 - Julho de 2013
 
Fazenda Dona Soledade, na Paraíba: heterogeneidade de ambientes é uma das marcas da caatinga
Fazenda Dona Soledade, na Paraíba:
heterogeneidade de ambientes é uma
das marcas da caatinga.
© FERNANDO ROSA
Em 1818, durante a expedição austríaca no Brasil – investigação científica que trouxe ao país pesquisadores e artistas para estudar e retratar espécies e paisagens próprias da biodiversidade brasileira –, dois naturalistas, Carl Friedrich von Martius e Johann Baptiste von Spix, se impressionaram com a diversidade vegetal de uma floresta teoricamente incomum para a região, próxima às margens do rio São Francisco, no município de Januária, em Minas Gerais. O fascínio dos naturalistas justificava-se, em grande parte, pelo fato de aquela vegetação estar em uma área própria da caatinga, um ecossistema determinado por um clima predominantemente semiárido, no qual a disponibilidade hídrica é baixa e extremamente variável. Como muitos, é provável que os dois alemães acreditassem que a caatinga caracteriza-se como um ambiente homogêneo, o que não é verdade: “Por lá há uma grande variação de condições ambientais, essenciais para o surgimento e a manutenção de várias espécies bem adaptadas ao clima da região”, destacou o biólogo Bráulio Almeida Santos, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em sua palestra no quinto encontro do Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação, em 20 de junho, em São Paulo.
 
A caatinga, explicou o biólogo, ocupa hoje 11% do território brasileiro, estendendo-se por aproximadamente 845 mil quilômetros quadrados (km²). Está dividida em oito ecorregiões – todas elas distribuídas em paisagens, tipos de solo e vegetações bastante distintos –, nas quais as chuvas podem não atingir os mil milímetros (mm) ao longo do ano. “Em algumas áreas a estiagem pode chegar a 11 meses”, disse. Atualmente, a região enfrenta sua pior seca em 30 anos, o que tem afetado a vida de 27 milhões de pessoas. Somente no estado da Bahia, mais de 214 municípios declararam estado de emergência este ano.
 
A partir da esquerda, os biólogos: Bráulio Almeida Santos, Luciano Paganucci de Queiroz 1 2 e Adrian Garda
A partir da esquerda, os biólogos:
Bráulio Almeida Santos, Luciano Paganucci
de Queiroz e Adrian Garda.
© LÉO RAMOS

 
Esses fatores ambientais têm, ao longo de milhares de anos, exigido respostas adaptativas específicas das plantas locais, o que lhes permite sobreviver num ambiente cada vez mais quente e seco. Uma dessas respostas é o ajuste que determinadas espécies fazem quanto à manutenção de suas folhas. Isso se dá por uma boa razão: quanto menos folhas as plantas têm, menor será a perda  de água durante as estações mais secas. Algumas delas chegam a fazer a fixação de gás carbônico (CO2) à noite, utilizando-o na fotossíntese durante o dia, quando seus estômatos – estruturas nas folhas para troca de água e gases – estão fechados. “Esses são alguns dos mecanismos encontrados por essas espécies para não perderem água pela transpiração, que se dá pelas folhas. Uma estratégia simples, mas que lhes permite reter água para as épocas mais secas”, disse o biólogo Luciano Paganucci de Queiroz, da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia, um dos convidados do ciclo de conferências.
 
Segundo ele, esse racionamento é uma das razões que têm contribuído para determinar o tamanho dessas plantas e também de suas folhas. Isso porque esse mecanismo, ao mesmo tempo que lhes garante melhor adaptação ao clima semiárido, restringe o surgimento de árvores de grande porte. “As plantas da caatinga não crescem de modo contínuo por não terem água disponível o suficiente o ano todo”, disse o biólogo.
  
perereca Corythomantis greeningi: adaptações complexas às adversidades do clima
Perereca Corythomantis greeningi: adaptações
complexas às adversidades do clima
© ADRIAN GARDA
Outra resposta adaptativa dessas espécies aos variados ambientes do semiárido é a proteção que desenvolveram para suas folhas, enquanto ainda as têm. Essa proteção se dá por meio de acúleos, projeções pontiagudas que nascem na superfície do caule das plantas, e de tricomas, pequenos “pelos” que contêm substâncias urticantes e que, ao tocar a pele, podem desencadear reações alérgicas. Boa parte das plantas da caatinga, como os cactos, apresenta-se armada com esses escudos naturais. “Trata-se de um mecanismo de defesa bastante interessante contra animais herbívoros”, destacou Queiroz. “Essas espécies mantêm suas folhas por um curto período de tempo durante o ano, logo elas são muito preciosas e por isso precisam ser protegidas.” Segundo ele, as condições às quais essas espécies têm sido submetidas vêm se configurando como um importante filtro ambiental, influenciando o processo evolutivo das espécies desse ecossistema ao longo do tempo.
 
Riqueza de espécies
Apesar das circunstâncias desfavoráveis, a caatinga tem grande variedade de plantas, muitas delas endêmicas. São cerca de 6 mil espécies, distribuídas em 1.333 gêneros, dos quais 18 são próprios da região (endêmicos). Das 87 espécies de cactos da caatinga, 83% são exclusivas desse ecossistema. É o caso do mandacaru (Cereus jamacaru) e do xique-xique (Pilosocereus gounellei), espécies ameaçadas, “pois são retiradas ainda jovens de seu ambiente e vendidas como souvenir em restaurantes de beira de estrada”, alertou Queiroz.

Também a família das leguminosas, a mais diversa da caatinga, engloba várias das espécies exclusivas do semiárido, como a mucunã (Diclea grandiflora) e a jurema-preta (Mimosa tenuiflora). Muitas delas desempenham importantes funções ecológicas. Devido à associação com algumas bactérias, essas plantas ajudam na fixação de nitrogênio pelo solo, tornando-o mais nutritivo. Mas mesmo com os avanços na identificação de novas espécies, como a Prosopanche caatingicola, planta parasita catalogada em 2012, a falta de dados em relação à biodiversidade florística desse ecossistema ainda é grande.
 
Esse desconhecimento também se estende à fauna da caatinga, sobretudo em relação aos invertebrados, enfatizou o biólogo Adrian Garda, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), um dos palestrantes presentes. Segundo ele, por muito tempo se acreditou que a caatinga era um ecossistema descaracterizado, com baixos índices de endemismo e diversidade de espécies. “Pensava-se que a caatinga era uma subamostra de outros ecossistemas”, disse. Sabe-se hoje que ela é a região semiárida mais diversa do mundo.
 
Diversidade ameaçada
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a região do semiárido possui 591 espécies de aves, 241 de peixes e 178 de mamíferos. Estima-se que 41% das espécies da caatinga ainda permaneçam desconhecidas, enquanto 80% ainda são pouco estudadas. “Há uma carência de dados em relação à diversidade de animais desse ecossistema”, ressaltou Garda. Mas os índices de endemismo registrados por lá sugerem que sua fauna tenha sido submetida a um processo evolutivo local independente, com muitas espécies adaptadas a este domínio.
 
Por exemplo, a Corythomantis greeningi, perereca típica da região, nas épocas secas hiberna por meses entre pequenas frestas de rochas seladas por seu crânio altamente modificado, se protegendo de predadores e armazenando água. Já o Scriptosaura catimbau, lagarto adaptado a regiões de solos arenosos, “literalmente se enterra e ‘nada’ por debaixo da areia”, comentou. Outras espécies, como a rã Pleurodema diplolister, chegam a se enterrar a mais de 1,5 metro na procura de água em épocas de seca. “Mas ainda precisamos compreender melhor o que pretendemos preservar”, completou Garda.
 
Serpente da espécie Epicrates assisi...
Serpente da espécie Epicrates assisi
© ADRIAN GARDA
De acordo com a Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, de 2002 a 2008 a área desmatada no semiárido foi de 15 mil km² – pouco mais de 2 mil km² por ano. Restam hoje apenas 54% da vegetação original da caatinga. Segundo Santos, das 364 unidades de conservação (UCs) cadastradas no MMA, 113 são destinadas à proteção e conservação do ecossistema, sendo que elas cobrem apenas 7,5% de seus 845 mil km².
 
Para ele, a principal causa de desmatamento na região é a produção de energia. Abatida, a mata nativa vira lenha e carvão para siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo, ou de indústrias de gesso e cerâmica instaladas no próprio semiárido. Na sua avaliação, as consequências do uso inapropriado dos recursos naturais da região é a perda de hábitats e a fragmentação de ecossistemas. “Não se trata de deixar de utilizar os recursos naturais da caatinga, mas sim de identificar até que ponto podemos usá-los sem comprometê-la.”
 
Santos lembrou que a criação desregulada de cabras e ovelhas também tem contribuído para a degradação da vegetação da caatinga. Em torno de 17 milhões de cabras e ovelhas consomem diariamente a vegetação local. “Muitas vezes a cerca necessária para manter o rebanho em uma área custa mais do que a propriedade. Assim, muitos produtores deixam seus animais soltos, consumindo a vegetação indiscriminadamente”. Para ele, o uso mal planejado dos recursos naturais já está levando à desertificação da caatinga.
  
... comum em regiões como a das Cabaceiras, na Paraíba
… comum em regiões como a das Cabaceiras,
na Paraíba. © FERNANDO ROSA
“É preciso conservar a vegetação remanescente, expandindo a rede de áreas protegidas”, disse Santos. “É importante promover o manejo adequado das áreas que sofrem influência da atividade humana e educar todos que vivem ou fazem uso dos recursos naturais da região, resgatando o sentimento de pertencimento à caatinga.” Para isso, concluiu, é fundamental ampliar o apoio à pesquisa e ao ensino, além da fiscalização, garantindo a preservação da diversidade biológica da caatinga. Diversidade que os naturalistas alemães há muito já haviam constatado. “Julgamo-nos aqui transportados a um país inteiramente diverso. Em vez de matas secas, desfolhadas ou de campos do alto sertão, vimo-nos de todos os lados cercados de matas virentes, que orlavam extensas lagoas piscosas”, escreveram em Viagem pelo Brasil, obra em que relatam suas excursões pelo país entre 1817 e 1820.
 
O Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação é uma iniciativa do Programa Biota-FAPESP, em parceria com a revista Pesquisa FAPESP, voltada à discussão dos desafios ligados à conservação dos principais ecossistemas brasileiros: pampa, pantanal, cerrado, caatinga, mata atlântica e Amazônia, além dos ambientes marinhos e costeiros e a biodiversidade em ambientes antrópicos – urbanos e rurais (ver programação ao lado). As palestras pretendem, até novembro, apresentar o conhecimento gerado por pesquisadores de todo o Brasil, visando a contribuir com a melhoria da educação científica e ambiental de professores e alunos do ensino médio do país. 



 

domingo, 28 de julho de 2013

Ecossistema equilibrado contribui para evitar ataques de tubarões na PB

28/07/2013 14h20 - Atualizado em 28/07/2013 14h20
  
Professor da UFPB falou sobre características do litoral paraibano.
Apesar do ecossistema mais equilibrado, poluição e sobrepesca preocupam.
  
 
Do G1 PB
 
Características geográficas diferentes e um ecossistema mais equilibrado, estão entre uma série de condições costeiras que contribuem para que não sejam registrados ataques de tubarões no litoral da Paraíba, é o que diz o professor do departamento de Sistemática e Ecologia, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Ricardo Rosa.
  
Para Ricardo, que trabalha com o estudo de arraias desde 1979 e com tubarões desde o início da década de 1990, a existência de um maior número de estuários, canais profundos próximos da costa, águas mais turvas, maior número de banhistas expostos e grandes alterações ambientais, como o Porto de Suape, são fatores que favorecem a interação negativa entre banhistas e tubarões no estado de Pernambuco, mas são aspectos locais e que não estão presentes no litoral paraibano.
 
“Na Paraíba não há registro científico, mas há um registro histórico de um ataque na praia do Bessa há muito tempo e desde então nunca mais foi registrado qualquer ataque de tubarão nas praias paraibanas”, disse.
 
De acordo com Ricardo Rosa, os tipos mais comuns e potencialmente perigosos, que podem ser encontrados no litoral paraibano, são o tubarão-tigre e os tubarões do gênero Carcharhinus, que incluem diversas espécies entre elas o galha-preta e o cabeça-chata. Ricardo lembrou ainda que o tubarão cabeça-chata é uma espécie comum a todo o litoral brasileiro, e tem preferência por águas salobras e turvas.
 
Apesar de haver uma diferença no ecossistema do litoral paraibano, já foram identificados problemas como  poluição e sobrepesca,  que vem fazendo com que tubarões de diversas espécies se encontrem sob o risco de extinção. Conforme o professor, uma pesquisa do Ministério do Meio Ambiente vem levantando dados sobre a questão da pesca predatória e ainda este ano deverá ser apresentado um plano de conservação, para adoção de medidas de preservação dos tubarões e arraias do litoral brasileiro.
 
Tubarão martelo é pescado no Litoral Sul da Paraíba. (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Tubarão martelo é pescado no Litoral Sul
da Paraíba. (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Recentemente um Tubarão Martelo fêmea ficou preso nas redes de pescadores, na praia de Jacumã, no Litoral Sul e foi arrastada para a praia, ela pesava cerca de 600 kg e estava grávida. Ricardo explicou que os tubarões dessa espécie são potencialmente perigosos, mas as fêmeas grávidas não comem nesse período e costumam se aproximar mais da costa quando chega a hora de parir. A pesca descontrolada de outros peixes, que são a base alimentar dos tubarões, também são prejudiciais pois deixam os animais sem alimentação abundante.

"A maioria das espécies já se encontram ameaçadas de extinção por causa da pesca, muitos tubarões também caem em redes e são levados pelos pescadores que vendem as barbatanas, já que a carne não tem muito valor comercial", completou Ricardo Rosa.
 
 
Fonte