Mostrando postagens com marcador UFCG. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador UFCG. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de maio de 2017

SONHOS SOTERRADOS: perigo e miséria que brotam do subsolo no Sertão da PB

06 de maio de 2017 

 

SONHOS SOTERRADOS: perigo e miséria que brotam do subsolo no Sertão da PBO mundo se comoveu em 2010 com o resgate dramático e épico dos 33 mineiros chilenos das profundezas de uma mina de cobre, no Chile, depois de 70 dias de tensão e incerteza. Quatro anos depois, 160 operários morreram soterrados e pelo menos 400 ficaram retidos por vários dias no subsolo, na província de Manisa, na Turquia, após a explosão de uma mina de carvão.

Essas duas tragédias de proporções mundiais e que chocaram o planeta retratam uma realidade dura de centenas de paraibanos que também ganham a vida embaixo da terra, retirando o caulim, minério usado para a fabricação de artigos de porcelana. Descumprimento da legislação, escravidão e condições precárias de trabalho fazem parte da rotina dos mineiros que vivem dessa atividade de risco.

Sem gozar de direitos básicos assegurados pela Constituição Federal, como férias, 13º salário e outros benefícios, os trabalhadores travam uma verdadeira batalha entre a vida e morte para tirar das entranhas da terra o sustento da família, nas minas de caulim escavadas no Junco do Seridó, Sertão da Paraíba, a pouco mais de 265 quilômetros da capital, João Pessoa. O setor de mineração no município emprega na informalidade cerca de 40% da mão de obra local, segundo a Cooperativa dos Garimpeiros do Seridó (Cooperjunco). 





Embaixo da terra, sem luz nem equipamentos de segurança, os trabalhadores suam para escavar a rocha dura e retirar o caulim em condições desumanas. A jornada de quase 10 horas ininterruptas começa cedo e muitas vezes termina de forma trágica. Os acidentes nas banquetas são constantes e já ceifaram a vida de dezenas de mineiros.

Os heróis da banqueta, também chamados de “homens tatu”, não temem o perigo e se arriscam nas madrugadas.

Muitos já perderam sonhos, se acomodaram no tempo, se conformaram com a realidade e não pretendem deixar a atividade, visto que em Junco do Seridó praticamente não existem oportunidades de emprego. O caulim é a única fonte de renda. “Aqui não existe trabalho. Só dependemos da extração do caulim”, diz um mineiro.

Em torno da banqueta, nome que se dá ao lugar onde um buraco é cavado e instala-se os equipamentos para a extração do minério, os mineiros mostram resistência física e coragem para enfrentar o perigo.

Edson, Fagner e Adelson já trabalham juntos há 10 anos e sabem que a disputa entre as banquetas de caulim é uma atividade de alto risco. A rotina deles é árdua e arriscada. Todos os dias acordam de madrugada, se reúnem em casa, pegam as ferramentas de trabalho e seguem para as banquetas. O caminho das minas da cidade até a área de exploração do minério é feito por estradinhas de terra cobertas por pó branco, que cai durante o transporte do produto pelas carretas. No trajeto é possível avistar várias banquetas espalhadas pelos morros na Zona Rural de Junco do Seridó, muitas delas desativadas e escondendo histórias de sofrimento e morte. Ao chegar na banqueta, dois deles descem para escavar e encher os baldes no subsolo. O terceiro puxa o material por um carretel de cordas improvisado, sustentado por uma frágil estrutura de madeiras, borracha e pregos. O equipamento artesanal é operado por Adelson e a segurança dos dois mineiros que trabalham no subsolo depende dos braços dele. 




De acordo com dados de órgãos que atuam na fiscalização de minério, existem cerca de 300 minas que desenvolvem atividades de extração de minério no município de Junco do Seridó. Os garimpeiros que sobrevivem da extração de minério trabalham até 10 horas diárias para ganhar uma quantia de R$ 30 por dia por um trabalho árduo e de risco à vida.

O ambiente em que os garimpeiros trabalham em Junco do Seridó é perigoso e insalubre. Edson, Fagner e Adelson retiram em média 120 tambores de caulim por dia da banqueta, cada um pesando 80 quilos. A maior produção é feita ainda de madrugada. A carrada de caulim contém, em média, 10 mil quilos do minério e é vendida pelos garimpeiros por valores entre R$ 100 e R$ 200, dependendo do tamanho da malha utilizada. Com a atividade em crise, eles são obrigados a vender o produto com o preço bem abaixo do mercado, não chegando a tirar um salário mínimo por mês. “Continuamos arriscando nossas vidas debaixo do chão, sem nenhum direito trabalhista, nos sujeitando a ganhar no máximo R$ 900 por mês, R$ 130 por cada carrada de 10 toneladas”, desabafa um dos mineiros.

O minério retirado da mina é despejado nas caçambas que o levam até os as empresas de beneficiamento, onde o caulim é decantado e processado antes de exportado.

A busca do precioso minério custa muito suor, esforço, dor e lágrimas de famílias que perderam seus entes queridos. O trabalho pesado, realizado em uma profundidade de 17 até 50 metros, é a única fonte de sustento dos minerados. O mais grave é que em pleno ano de 2017 muitas das minas continuam operando na clandestinidade. E com a chegada das chuvas aumenta ainda mais o risco de desabamentos.

O caulim, extraído de debaixo do chão, é o ouro branco que vale mais do que o próprio homem. Embaixo da terra não existe limite entre a vida e a morte. Abaixo da aridez, em uma terra considerada pobre, que não serve para plantar, a riqueza está escondida. Carlos de Oliveira, minerador há 10 anos, confessa que quando desce para o precipício nunca sabe se voltará a ver a luz do sol brilhar de novo. Todos os dias ele trava uma luta pela sobrevivência.

Trabalho na área interditada
Combater o trabalho clandestino tem sido um desafio dos órgãos responsáveis pela fiscalização na Paraíba e uma luta da Cooperativa dos Mineradores. A fiscalização existe, mas não tem sido suficiente para evitar que os mineiros continuem escavando os túneis de forma ilegal. Em 2015, acatando denúncia da Cooperativa dos Garimpeiros do Seridó (Cooperjunco), sobre a exploração ilegal do minério, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), interditou uma área de cerca de 700 hectares no município de Junco do Seridó. Pelo menos 30 minas foram desativadas na operação.

Segundo um garimpeiro, só na região do Junco do Seridó, quando não havia fiscalização ou qualquer impedimento para extração de caulim, aproximadamente 250 homens trabalhavam embaixo da terra, nos túneis escavados manualmente com picaretas e outras ferramentas artesanais, muitas vezes à luz de velas e sem qualquer equipamento de segurança.

Apesar das mais de 50 mortes causadas pelos desmoronamentos das banquetas de caulim e da proibição de explorar o minério sem autorização do DNPM e da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), somente no município do Junco do Seridó mais de 70 garimpeiros ainda arriscam suas vidas debaixo do solo, trabalhando clandestinamente.

“É tudo como era antes, mas muitos garimpeiros foram embora e os que restaram trabalham escondidos”, conta um garimpeiro. O atual diretor da Cooperativa dos Garimpeiros do Seridó, José Ivanildo da Silva, o Dila, contou ao PB Agora que depois da interdição as atividades ilegais foram interrompidas. Ele disse que desconhece a existência de minas funcionando clandestinamente. “Nossa luta é para legalizar toda a atividade em Junco”, disse Dila. Hoje, segundo ele, cerca de 180 mineradores cooperados trabalham junto com as instituições públicas em busca da legalização desse trabalho.

Denunciar a irregularidade também é um trabalho de risco. Em 2015 a ex-presidente do sindicato, Maria Aparecida Batista, chegou a ser ameaçada de morte por causa do trabalho realizado no combate à exploração clandestina dos minérios na região. Apesar da atual gestão da cooperativa desconhecer a existência de minas clandestinas, estima-se que existam no local pelo menos 30 minas irregulares com jornadas de trabalho de 10 horas para ganhar R$ 30 por um dia inteiro de trabalho.

“Quase não tem fiscalização, mas temos que fingir que não existe extração desse tipo na cidade para não atrair a atenção”, conta um garimpeiro, acrescentando que “a gente quase passa fome, porque só vem gente para cobrar imposto, ninguém preocupado com garimpeiro que morre e viúva com menino que fica desamparada”.

Luta para legalizar a área e capacitar os heróis da banqueta do Caulim e o alerta do Ministério Público
Legalizar a área em que ocorre a exploração do minério é apenas um dos desafios da Cooperativa. Os mineiros precisam de capacitação para se proteger do perigo. Substituir as técnicas rudimentares de extração por máquinas modernas poderia ser o caminho para evitar mais mortes e pôr fim no trabalho escravo. A capacitação é a saída para aumentar a produção e evitar riscos à saúde, como a silicose e acidentes com queda de barreiras.

As agências governamentais, que deveriam fomentar essas iniciativas, possuem amarras burocráticas que dificultam o acesso ao dinheiro pela população mais necessitada. No ano passado, o Sindicato chegou a denunciar que havia sim exploração do homem sobre o homem, onde muitos conseguiam o sustento de suas famílias arriscando diariamente suas vidas em grandes profundidades para extrair o caulim. “Muitos, inclusive, preferem trabalhar de forma clandestina na produção, por conta própria, porque ganham mais um pouco, do que fichados em algum decantamento recebendo apenas o salário mínimo”, lamenta um minerador que pediu para não ser identificado.

O Ministério Público do Trabalho alertou para o risco que correm os heróis das banquetas que ganham a vida na extração do caulim. Em entrevista exclusiva ao PB Agora, a procuradora do Trabalho, Marcela Asfora, confirmou que os acidentes nas minas são constantes. Ela contou que o MPT atua em duas vertentes, sendo que a primeira, no âmbito de inquéritos civis, são procedimentos investigativos, por meio dos quais se busca identificar os reais empregadores dos mineradores para exigir o cumprimento da legislação trabalhista, em especial no que refere-se às normas de saúde e segurança.

Marcela destaca que o Ministério Público também tem atuado por meio de procedimentos promocionais, que são as iniciativas através dos quais o procurador do Trabalho atua como agente de transformação social. Esse trabalho é realizado em uma ação conjunta com outros órgãos que desempenham funções vinculadas à área da mineração, saúde e segurança do trabalhador, como o DNPM, a Receita Estadual e o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) para tentar diminuir com os acidentes.

A procuradora conta que geralmente as pessoas que trabalham na exploração de minérios na Paraíba são trabalhadores informais, submetidos a vários riscos e a situações precárias. Além da falta de segurança, muitos mineradores trabalham de forma clandestina. As condições de trabalho nas minas de caulim, segundo ela, são preocupantes pela forma rudimentar como a exploração é realizada. “As condições de trabalho nas minas de caulim são precárias. A clandestinidade contribui para a manutenção do ciclo de insegurança nas minas, pois desencoraja a busca pela modernização e pela profissionalização da forma de extração”, revela a procuradora.

Marcela Asfora destaca ainda que o Ministério do Trabalho tem realizado fiscalizações nas áreas de extração e beneficiamento de caulim, contudo a grande dificuldade na formalização dos vínculos trabalhistas reside na resistência dos mineradores em romper com a cultura local, tendo em vista que há décadas o trabalho é realizado de maneira informal. Tudo isso aliada à intenção de alguns mineradores não firmarem contratos de trabalho ante a impossibilidade de, como mineradores, conseguirem os benefícios previdenciários destinados aos trabalhadores rurais.

Marcela ressalta que o Ministério Público não possui dados sobre o número de mineradores na área de Junco, em razão da fluidez das pessoas que trabalham na mineração. “Aliada à dificuldade de conseguir dados referentes aos mineradores, quer em razão da clandestinidade ou do receio de testemunhas ouvidas pelo MPT em prestar informações – temendo fiscalizações e a consequente proibição de continuar o desenvolvimento da atividade, ante a total irregularidade e ilegalidade no desempenho da mineração”, observa.

O trabalho realizado por operários de forma irregular em mineradoras da Paraíba fez com que apenas este ano fossem encaminhados cerca de 30 procedimentos ao Ministério Público Federal pedindo a apuração de acidentes e formas precárias de exploração do trabalho.

Superintendente do DNPM admite que órgãos federais não tem fiscais suficientes
A Superintendência Regional do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério de Minas e Energia, garante que o órgão tem procurado discutir as condições de trabalho de mineradores do Seridó paraibano. De acordo com o superintendente Eduardo Sérgio Colaço, o órgão tem analisado laudos sobre o último acidente.

Em entrevista exclusiva ao PB Agora, ele reconheceu que a extração mineral ainda é uma atividade de risco, mas os órgãos federais não dispõem de fiscais suficientes para atender a demanda. A extração de caulim e quartzito constitui uma das principais atividades financeiras do Município de Junco do Seridó, onde aconteceram quatro das cinco mortes deste ano.

Eduardo Sérgio confirma que o órgão recebe relatos dos garimpeiros de que as empresas que os contratam não fornecem qualquer tipo de maquinário ou proteção individual para que eles trabalhem com segurança. Segundo ele, em várias minas também não há registros de acompanhamento de profissionais especializados na atividade, como engenheiro de minas, geólogo e técnico em mineração, o que aumenta o risco de acidentes e mortes. O superintendente estadual do Departamento Nacional de Produção Mineral enfatiza que é comum encontrar irregularidades na exploração de minérios, principalmente na região do Seridó, e o órgão está investindo em tecnologia já que são poucos os fiscais.

O trabalho realizado por operários de forma irregular em mineradoras fez com que apenas este ano fossem encaminhados 30 procedimentos ao Ministério Público Federal, pedindo a apuração de acidentes e formas precárias de exploração do trabalho.

Ao pó voltarás



A frase bíblica, “ao pós voltarás” se aplica bem na vida de muitos garimpeiros de Junco. Os acidentes nas minas são constantes. A área conhecida pelo alto número de minas de garimpo que não oferecem nenhuma estrutura de segurança para seus trabalhadores.

As valas abertas a céu aberto numa área de 700 hectares, encurta a distância entre o dia e a noite e podem se transformar em passagens para a morte. Em cinco ano, mais de 50 mineradores já morreram soterrados nas minas de Junco, segundo dados da Cooperativa dos Mineradores.

O garimpeiro Luis Carlo Leite de 27 anos, conhecido na região por 'Tôta', filho de Luis Rufino da Comunidade da Serra de Santana, foi uma vítima das baquetas do caulim. Ele morreu soterrado, em decorrência de um deslizamento de uma encosta na Serra de Santana.

Os acidentes fatais destroem famílias e sepultam sonhos

Cinco anos após a tragédia que resultado na perda do filho de 27 anos, a viúva Geraldina fez um apelo dramático ao programa da Rede Record, para que as autoridades aumentassem a fiscalização nas minas de Junco, contendo assim, a onda da morte na extração do minério.

Com uma foto do filho na mão, e visivelmente com olhar de tristeza, ela recorda de Luiz Carlos, que morreu na escuridão de uma das minas de caulim da região. “Ele era aproximado pelas aquelas malditas banquetas que levou a vida dele embora” lamentou. Dona Geraldina conta que o filho trabalhou 10 anos nas banquetas, e ganhava a vida trabalhando embaixo da terra. Ganhava R$ 400 por mês, fundamentais para sustentar a família.

A dor de dona Geraldinha é a mesma de Maria e seu Inácio que mora na localidade batizada de Várzea Carneira, na divisa entre Rio Grande do Norte e Paraíba. Eles também conviveram com a tragédia e perderam o filho na extração de minério. O casal de aposentados não esquece o dia em que o filho Vilanir de 24 anos, mais conhecido como “Vila” sofreu o acidente.

“Foi a dor maior que eu já sofri na minha vida, quando eu recebi essa notícia” lamentou dona Maria com rosto sofrido, e lágrimas nos olhos,

Assim como ela, muitas Marias sofrem a perda dos filhos na extração do caulim, um trabalho degradante que destroem vidas e sepulta sonhos.

Os acidentes estão cada vez mais preocupando os operários, que trabalham todos os dias com o mínimo de segurança, em espaços sem condições favoráveis para o desenvolvimento do trabalho, que merece tanto cuidado e atenção.

O sindicato dos mineradores confirma que a precariedade no trabalho de mineração na comunidade de Várzea de Carneira, na cidade de Junco do Seridó, no Sertão da Paraíba, tem ceifado muitas vítimas.

Faltam fiscais para combater o trabalho clandestino
A sombra da escuridão das banquetas, os garimpeiros se arriscam.  O esforço do Ministério do Trabalho é no sentido de acabar de vez com o trabalho clandestino nas minas de caulim de Junco do Seridó. Só que o órgão não dispõe de estrutura nem fiscais suficientes para manter uma fiscalização mais arrojada e intensa. Com isso, os acidentes continuam se multiplicando na área ilegal e a fila da morte crescendo.

A participação do Departamento Nacional de Produção Mineral também é fundamental, uma vez que há concessões de lavras vencidas que devem ser legalizadas para possibilitar o acesso pleno dos trabalhadores. Órgãos de defesa do meio ambiente, como o Ibama, são fundamentais na elaboração de um projeto. Escavar o subsolo ou alterar a superfície sem estudos mais aprofundados pode levar à degradação de um ecossistema ou à contaminação de lençóis freáticos.

O Departamento de Produção Mineral, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o Sebrae e o Governo do Estado, tem um programa de regularização das mineradoras, oferecendo suporte técnico e acompanhamento profissional. Em Junco do Seridó ninguém quer falar sobre a exploração do caulim na região e as poucas pessoas que quebram o silêncio dizem que a extração do minério está proibida e que, a não ser algumas empresas particulares que não aceitam conceder entrevista, esse tipo de comercialização está paralisada. No entanto, não é esta a realidade presenciada por quem passa no município e avista pelo menos cinco empresas de beneficiamento do minério.

Segundo a Superintendência Estadual do Departamento Nacional de Produção Mineral, há mais de 3 mil processos ativos na Paraíba. Destes, pouco mais de 140 estão em fase de concessão de lavra, ou seja, são de fato minas com extração de minérios autorizada.


Severino Lopes S
PB Agora 

Foto: Antônio Ronaldo 
Ilustração: Júlio César

Fonte



sábado, 8 de agosto de 2015

Campanha em prol da preservação do Pico do Jabre promete agilizar processo de implantação do parque

07 de agosto de 2015, 22:32


A campanha de preservação em favor do Pico do Jabre, localizado próximo ao Município de Maturéia-PB, está a cada dia tomando corpo e mobilizando diversos poderes em prol dessa causa.
 
O Pastor John Philip Medcraft, um dos defensores da ideia, disse que o processo para criação do Parque Pico do Jabre está indo bem.
 
“Já tivemos três visitas, duas da SUDEMA de Patos e uma de uma comitiva muito grande vinda de João Pessoa, o governador realmente está mobilizando seu pessoal para buscar os proprietários das antenas instaladas lá no topo do pico e, além disso, está havendo uma conscientização do problema e consequentemente uma união do povo, inclusive resultando em mais de quinze mil assinaturas no abaixo assinado. Também temos o pessoal da universidade e do governo municipal engajados nisso. Nós queremos que a Unidade de Conservação Parque Pico do Jabre saia do papel para a realidade”, explicou.
 
Segundo a professora da UFCG, Maria do Carmo, a flora do Pico do Jabre não está incluída na Caatinga, mas dentro dos domínios da Mata Atlântica.
 
“Nosso trabalho mostrou a singularidade da flora daquela região, espécies que ocorrem quando comparamos com outras matas de altitude, com outras florestas de altitude da região nordeste. E detectamos também que existem algumas áreas onde a flora está sendo modificada pela ação humana. A degradação tem diminuído a riqueza de algumas áreas. Isso mostra que aquela área precisa ser preservada. A riqueza de espécies arbóreas que temos estudado mostra que a riqueza é muito maior em números de espécies”, afirmou.
 
 

terça-feira, 21 de julho de 2015

MPF vai rever indenizações a famílias retiradas de área de barragem na PB

20/07/2015 19h03 - Atualizado em 20/07/2015 19h03 

Órgão recebeu documentação que vai servir de base para o inquérito.
Além das indenizações, MPF vai discutir outras questões com o Estado.
 
Do G1 PB


Famílias sofrem com cheia da barragem de Acauã (Foto: Assessoria de Imprensa / MPF-PB)
Famílias sofrem com cheia da barragem de Acauã
(Foto: Assessoria de Imprensa / MPF-PB)
O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF/PB) vai reavaliar as indenizações que deveriam ser pagas por parte do Estado, para as famílas que viviam à beira do Rio Paraíba nos Municípios de Natuba, Aroeiras e Itatuba, no Agreste do estado, e tiveram prejuízos com a construção da barragem de Acauã, no início dos anos 2000.
 
O órgão recebeu, nesta segunda-feira (20), a documentação que servirá de base para o inquérito instaurado no ano passado. Além das indenizações, o MPF vai identificar as vocações produtivas das comunidades e a também irá providenciar a relocação de restos mortais dos cemitérios que foram cobertos pelas águas na última cheia da barragem.
  
“Vamos implantar um grupo de trabalho, composto por técnicos, para fazer todo um levantamento, a fim de rever as benfeitorias e indenizações. Pretendemos discutir com o Estado as vocações produtivas dos cidadãos, porque eles não só perderam terras e casas, mas suas capacidades produtivas. O que buscamos são políticas públicas que devolvam a dignidade dos moradores das comunidades”, frisou o procurador José Godoy Bezerra de Souza.
 
A entrega da documentação foi feita por representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), instituição responsável pela elaboração do dossiê entregue ao MPF. Também participaram do evento moradores das famílias atingidas com a construção da barragem, que foram relocadas e hoje ainda vivem em comunidades em situações críticas, com violações dos Direitos Humanos.
 
O Ministério Público Federal realizará uma audiência pública para tratar do caso, no mês de agosto.
 
 Fonte
 
 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

MPPB investiga se água usada em irrigação no Agreste está contaminada


19/08/2014 10h43 - Atualizado em 19/08/2014 10h44 

Propriedades passarão por uma análise da água solicitada pelo MPPB.
Pesquisa mostra desvio da água do esgoto para irrigar as plantações.

Do G1 PB
 

Uma denúncia feita ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) relata que a água utilizada para irrigação de plantações de hortaliças do município de Lagoa Seca, no Agreste paraibano, pode estar contaminada pelo esgoto da cidade. De acordo com a promotoria de Meio Ambiente do MP-PB, as propriedades passarão por uma análise para verificar se existe a contaminação.

O agricultor Francisco de Assis explica que abandonou uma área de dois hectares onde produzia alface e coentro por causa da contaminação. “Essa água aqui não tem condições para mais nada, nem para plantar, é muito poluída. Não é lama, ela já vem assim de Lagoa Seca, porque o esgoto passa por aqui”, contou o agricultor em entrevista à TV Paraíba.

Uma pesquisa feita por estudantes de mestrado da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) verificou que em algumas regiões, há um desvio da água do esgoto para o uso na irrigação. “Em vários pontos identificamos a interferência da população, colocando canalizações ou quebrando o emissário no intuito de que este esgoto possa servir de água para irrigação de determinados cultivos”, diz a engenheira civil e professora Patrícia Feitosa, que orientou o trabalho. As imagens anexadas na dissertação mostram os canos adaptados à tubulação por onde passa a rede de esgoto.

De acordo com Eulâmpio Duarte, promotor do meio ambiente, as propriedades afetadas pelo problema deverão passar por uma análise da água. A procuradoria, através de um laudo emitido pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), verificou um alto índice de coliforme termotolerante em um dos reservatórios da região.

“Eles alegam que somente este [reservatório] que foi avaliado é o que oferece risco. Nós sabemos que os outros também podem oferecer risco e estamos solicitando isso e aguardando somente o endereço e o nome de cada proprietário para pedir à Sudema uma nova avaliação”, disse Eulâmpio.

A prefeitura do município já foi notificada e deve fazer um levantamento das áreas que podem estar contaminadas. “O Ministério Público deu um prazo de 30 dias para que possamos identificar todos os irrigantes e, quando fizermos isso, entregarmos ao MP-PB, ele vai providenciar a análise destas águas e em seguida tomar as providências cabíveis”, explicou Noaldo Andrade, diretor de meio ambiente de Lagoa Seca.


 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Resíduos de borracha são reaproveitados em asfalto

Pesquisa desenvolvida na UFCG aponta que resíduos de borracha da produção de sandálias aumenta a durabilidade da pista.
 





Uma pesquisa desenvolvida no curso de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) está criando uma tecnologia de reaproveitamento de resíduos de borracha que sobram da produção industrial de sandálias para a produção de asfalto. A descoberta diminui o impacto negativo no meio ambiente.
 
Segundo o professor doutor Ariosvaldo Barbosa Sobrinho, orientador da pesquisa – uma tese de doutorado que será defendida hoje às 15 h, na UFCG, em Campina Grande, pelo pesquisador Fábio Remy –, os estudos mostraram que os resíduos de borracha acrescentados aos ingredientes que formam a manta asfáltica conferem maior flexibilidade ao asfalto e podem até triplicar a durabilidade da pista.

“Utilizamos o produto proveniente do petróleo e junto aos outros ingredientes, como brita e areia, adicionamos o material borrachoso, oriundo da produção de sandálias da Alpagartas em Campina Grande”, explicou.

De acordo com o orientador, há um aumento de 10% no custo de produção, mas segundo ele, o gasto é mínimo, quando comparado aos benefícios gerados. “Envolve mais energia, para manter aquecida a massa asfáltica e um maquinário específico. Mas o custo é muito pequeno, se levarmos em consideração a qualidade. O asfalto borracha é mais silencioso, mais flexível e dura até três vezes mais do que o convencional”, enfatizou.

Segundo Ariosvaldo Barbosa, a pesquisa é pioneira no Brasil, com relação ao uso de borracha proveniente de calçados para a produção de asfalto.

Indagado sobre o trabalho, o pesquisador Fábio Remy afirmou que uma vez concluído, a expectativa é que ele seja colocado em prática. “Comecei a pesquisa percebendo a carência de inovações. Estamos focados na defesa do projeto, que prevê a integração dessas partículas oriundas dos resíduos sólidos para melhorar a qualidade do asfalto. Futuramente, esperamos colocar os estudos em prática”, salientou.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Poda em árvores muda paisagem do Campus I

Algarobas estão sendo podadas para evitar quedas de galhos e outros acidentes; Campus tem cerca de 100 árvores da espécie.  


 

Nelsina Vitorino
Segundo o prefeito universitário o Campus está passando por um processo de arborização
 
A paisagem na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) vem mudando nos últimos dias. Para quem diariamente circula pelo Campus I da instituição, em Campina Grande, e está habituado a presença de dezenas de árvores, já começou a perceber a diferença pelo início de uma poda que a Prefeitura Universitária deu início na semana passada. O alvo são cerca de 100 algarobas que pela idade e o perigo de acidentes estão sendo cortadas para evitar problemas no local.
 

Como essas plantas não são nativas da região, segundo o professor Geraldo Baracuhy, que é engenheiro agrônomo e prefeito universitário, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) até autoriza a extração da espécie, mas não é o que está acontecendo na universidade. De acordo com ele, esse processo de corte em boa parte da árvore está sendo feita para que sejam evitados acidentes como, queda de grandes galhos, derrubada da árvore em época de chuva, entre outros episódios que podem comprometer quem circula no local.

“Nós não vamos matar nem extrair nenhuma árvore daqui. O que estamos fazendo é uma reeducação para arborização do campus, para que a Algaroba cresça de forma que possamos controlá-la com podas periódicas para que não cause nenhum problema nem para o meio ambiente, nem para as pessoas que passam por aqui. Pela altura de muitas delas, tornou-se um perigo a queda de um galho, ou até mesmo da própria árvore na época das chuvas”, explicou o prefeito universitário acrescentando que em breve a paisagem do campus será renovada.

“Em três meses quem voltar à universidade verá uma paisagem renovada. A Algaroba tem o poder de crescimento muito acelerado, e com a época de chuva, isso vai ser mais acentuado, e em breve os galhos novos irão crescer. Vamos podá-los criando um ambiente mais propício e com árvores menores, evitando os perigos que estamos passando com galhos próximos de fiação elétrica, queda próxima aos veículos, invasão nos corredores dos prédios. São medidas que precisamos tomar e que não trarão prejuízo ao meio ambiente”, garantiu o professor Geraldo.

Ainda de acordo com ele, o campus I está passando por um processo de arborização que já contou com o plantio de 52 mudas de ipê dentro da área de circulação, além de mais 76 novas mudas da mesma espécie que serão plantadas ao redor da universidade. De acordo com ele, as covas já começaram a ser preparadas na área externa e em breve irão oferecer uma proposta ambiental melhor não só a UFCG, mas a cidade. “Estamos fazendo isso desde o ano passado, e a nossa meta até o mês de março é plantar dentro e fora do campus duas mil mudas”, prometeu o prefeito da UFCG.
 
 
 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Aesa registra chuva em mais de 70 cidades da Paraíba


19/12/2013 13h48 - Atualizado em 19/12/2013 13h48 

Maiores índices pluviométricos foram em cidades do Sertão e Cariri.
Chuvas foram registradas nas últimas 24 horas e devem continuar.
 
Do G1 PB
  
A Agência Executiva de Gestão das Águas do estado da Paraíba (Aesa) consolidou, na manhã desta quinta-feira (19), os dados sobre os íncides das chuvas registradas nas últimas 24 horas em mais de 70 cidades do estado. Os maiores índices pluviométricos foram registrados nas regiões do Cariri e Sertão, com destaque para as cidades de Sousa (159,8 milímetros), São José de Caiana (152 mm), Santa Inês (127,1 mm), Boa Ventura (113, mm) e Diamante (112 mm). Na início da manhã desta quinta, a Aesa havia divulgado um índice parcial das chuvas desta quarta-feira (18).
 
De acordo Marle Bandeira, meteorologista do órgão, as chuvas são provocadas por vórtices ciclônicos que atuaram na maior parte da região Nordeste. “Esta condição meteorológica é normal para esta época do ano”, destacou Marle. De acordo com o boletim da análise de previsão meteorológica da Aesa, pode voltar a chover nestas cidades ainda hoje à tarde e pelo menos até as próximas 24 horas.
 
O presidente da Aesa, João Vicente Machado Sobrinho, explica que o órgão está otimista com relação à previsão de chuvas para o próximo semestre e que ainda nesta quinta deve analisar e divulgar o impacto deste fenômeno no volume de água dos reservatórios estaduais. “Iremos verificar os dados para saber quais açudes foram recarregados e esperar o anúncio dos meteorologistas”, comentou o presidente.  
Previsão
Durante esta quinta-feira (19), a Aesa está realizando a II Reunião de Análise e Previsão Climática para o setor norte da Região Nordeste. Meteorologistas de todo a região e um convidado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São Paulo, estão na sede do órgão, em Campina Grande, com o objetivo de discutir a previsão de chuvas para o primeiro trimestre de 2014. Os dados devem ser divulgados na tarde de hoje, a partir das 17h (horário local), em uma entrevista coletiva que será realizada no auditório do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG.)
 
Fonte
 
 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Projeto de R$ 1,5 milhão trata 500m³ de esgoto em Campina Grande


08/10/2013 06h00 - Atualizado em 10/10/2013 13h29 

Projeto foi financiado pela Agência Nacional das Águas (ANA).
Tratamento deve começar a funcionar no início de 2014.
 
Ligia Coeli Do G1 PB
 
 
Projeto da ANA será realiado em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande. (Foto: Ligia Coeli)
Projeto da ANA será realiado em parceria com a Universidade
Federal de Campina Grande. (Foto: Ligia Coeli)
 
A cidade de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, foi escolhida para sediar o Centro de Desenvolvimento e Tecnologia em Reuso de Água. O projeto recebeu R$ 1,5 milhão em investimentos da Agência Nacional das Águas (ANA) e deverá entrar em funcionamento no início de 2014, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Essa iniciativa ilustra como as ações com enfoque na sustentabilidade estão ganhando força no município.
 
O centro terá a capacidade de tratar 500m³ de esgoto por dia, o total recuperado equivale a 3% de todo o esgoto produzido na cidade. “A estação produzirá água para indústria e para irrigação, mas essa distribuição será feita via Cagepa, que é uma instituição concessionária de água e esgoto na cidade”, explicou Herbert Cardoso.
 
Um dos gestores do centro de estudos para o reuso de água, o pesquisador Herbert Cardoso, explica que o fato da cidade abrigar duas das principais universidades do Estado facilitou a instalação do projeto. “A cidade ainda é reconhecida como um centro de referência nessas áreas de pesquisa, desenvolvimento e tecnologia. É um local propício para esse tipo de pesquisa, de fácil logística”, explica.
 
A estação do Centro de Desenvolvimento e tecnologia em Reuso de Água fica localizada no bairro da Catingueira, em Campina Grande. A área é composta por um prédio onde funcionarão laboratórios e salas de pesquisa e por uma 'bateria' de tanques e reatores que irão armazenar e fazer a limpeza da água contaminada.

O projeto tambem prevê a realização de iniciativas voltadas à agricultura, pois o local conta com um sistema de utilização do lixo urbano como adubo. “Vários motivos nos levaram a escolher Campina. Primeiro porque na época de elaboração do projeto, em 2001, a cidade era um centro de referência em tratamento de esgoto e segundo que a cidade enfrentava problemas com a seca e as indústrias estavam com dificuldade de se manter, por questões logísticas”, informa o pesquisador.
 
 
Fonte
 
 

sábado, 15 de junho de 2013

Garimpo e agricultura causam desertificação em Picuí, diz pesquisa da UFCG

 

UFCG
 
Um trabalho científico desenvolvido na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) aponta a extração de minérios e o cultivo de espécies como agave e algodão como fatores importantes na desertificação de áreas do interior nordestino.
 
O estudo, realizado no município paraibano de Piauí, utilizou técnicas avançadas de geoprocessamento, associando análises espaciais em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) com Sensoriamento Remoto, para produzir um mapa de classificação dos novéis de degradação do solo.
 
Verificou-se que a degradação ambiental dos solos pelo garimpo a significativa, mais não mais expressiva do que a degradação das terras pelos meios convencionais de cultivo da agriculturas, observa o doutorando em Recursos Naturais, Thyago de Almeida Silveira, autor da pesquisa.
 
O trabalho, intitulado Estimativa das áeas em Processo Degradaçao Ambiental por Garimpo e Agricultura no Município de Picuí, será apresentado em setembro na Universidad Nacional Agraria La Molina, em Lima, Peru, durante o IV Congreso Latinoamericano de Agroecologia.


 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Esgotos de 40 cidades chegam até Boqueirão

Ausência de sistema de tratamento de esgoto em 40 municípios da região próxima ao reservatório é preocupante.


Leonardo Silva
Esgotos são lançados nas bacias dos rios Paraíba e Taperoá que deságuam no açude de Boqueirão

O açude Epitácio Pessoa, localizado no município de Boqueirão, é responsável pelo abastecimento de Campina Grande e de 19 cidades da região, e a poluição é motivo de preocupação para mais de um milhão de pessoas que dependem da água do manancial.
 
Um dos aspectos mais preocupantes é a ausência de sistema de tratamento de esgoto em 40 municípios da região próxima ao reservatório, que fica no Cariri da Paraíba. Parte dos esgotos produzidos nessas cidades é lançada nas bacias hidrográficas dos rios Paraíba e Taperoá que deságuam no açude de Boqueirão. O alerta foi feito pelo pesquisador da Embrapa Algodão Ramiro Pinto, que constatou o problema durante a pesquisa para sua tese de doutorado em Recursos Naturais na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) concluída no ano passado.
 
Segundo o pesquisador, ao longo do curso do rio Paraíba são jogados esgotos de 17 municípios e no rio Taperoá esse número chega a 23. Ramiro destaca que o mais preocupante é o lançamento de chorume (mistura de água e resíduos da decomposição do lixo) nos rios e que pode levar à contaminação da água. “Além disso, os rios recebem materiais como baterias de celulares, lâmpadas e produtos eletrônicos, que são altamente poluidores”, afirmou.
 
Além da falta de aterros sanitários nos municípios, outro problema que contribui para o lançamento de lixo nos rios é a degradação da caatinga que já atinge 70% do território paraibano. “A degradação da vegetação contribui para que esse material vá para os rios com mais facilidade e chegue até o açude de Boqueirão”, ressaltou Ramiro.
 
O tratamento dos resíduos sólidos de forma adequada deverá se tornar realidade até agosto do próximo ano, quando se vence o prazo para que os municípios implantem os planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos.
 
CONSUMO
Construído na década de 50, o açude de Boqueirão vem sofrendo com constantes riscos de colapso. Na crise hídrica do período de 1997 a 1999 o açude abastecia apenas seis cidades (Campina Grande, Boqueirão, Queimadas, Pocinhos, Caturité, e Riacho de Santo Antônio) com aproximadamente 600 mil habitantes e hoje abastece mais cidades. “O habitante do semiárido necessita mudar seus hábitos e as cidades se adequarem ao fato de termos limitação de água para sobrevivência”, alertou Ramiro.


sábado, 23 de março de 2013

Estudo prevê colapso do açude de Boqueirão até 2014 na Paraíba

23/03/2013 06h00 - Atualizado em 23/03/2013 06h00 

Apresentado em sessão especial da ALPB, estudo foi feito pela UFCG.
Reservatório abastece 19 municípios em 26 localidades na Paraíba.
 
Taiguara Rangel  

Do G1 PB
 
 
Pesquisador Janiro Rêgo, da UFCG, apresentou estudo em sessão da ALPB (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Pesquisador Janiro Rêgo, da UFCG, apresentou estudo em
sessão da ALPB (Foto: Taiguara Rangel/G1)

Um estudo apresentado em sessão especial da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) nesta sexta-feira (22), prevê que cerca de 1 milhão de pessoas podem ficar sem abatecimento de água a partir de 2014 no estado. Segundo o pesquisador Janiro Costa Rêgo, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a falta de controle entre a demanda e a oferta de água deve provocar o colapso do açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, no Agreste paraibano.

Segundo o coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) no estado, Solon Alves Diniz, foi determinada a partir do mês de abril a suspensão da irrigação com água do açude de Boqueirão. "O prazo limite para os irrigantes é no fim do mês. Se não houver uma recarga significativa com chuvas frequentes, continuará suspensa", afirmou.

O reservatório construído pelo Dnocs possui capacidade de 411 milhões de metros cúbicos de água, estando atualmente com 54,3% de seu volume, segundo dados da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) da Paraíba.
Conforme a pesquisa da UFCG, o consumo da água do açude é bem superior à sua capacidade, viabilizando assim uma situação de possível racionamento do abastecimento até o fim deste ano e um colapso a partir de 2014. A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) atualmente retira 1,3 metros cúbicos de água por segundo do manancial, enquanto a irrigação retira cerca de 0,95 metros cúbicos por segundo, conforme levantamento da UFCG.

De acordo com o Plano Estadual de Recursos Hídricos da Paraíba, aprovado em 2006, o açude Epitácio Pessoa possui capacidade de fornecer 1,23 metros cúbicos de água por segundo. No entanto, foi autorizada a Cagepa a retirar 1,301 metros cúbicos. Somado à estimativa retirada pela irrigação na região, esse total chega a 2,45 metros cúbicos de água.


Pesquisador Janiro Rêgo, da UFCG (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Pesquisador Janiro Rêgo, da UFCG
(Foto: Taiguara Rangel/G1)
"O que podemos afirmar é que se seguir nessa sequência de seca, comparada aos períodos anteriores de estiagem já enfrentados na Paraíba, ao fim do ano chegaremos ao racionamento e em 2014 teremos colapso. A solução é implantar a gestão de recursos hídricos, com instrumentos técnicos e pessoal especializado. Porém, essa medição que é fundamental para o estudo da gestão hídrica, é inadequado, insuficiente ou inexistente no açude de Boqueirão", afirmou o pesquisador Janiro Costa Rêgo.

No entanto, o presidente da Cagepa, Deusdeste Queiroga, disse que por enquanto não existe a possibilidade de racionamento de água nas cidades que são abastecidas por Boqueirão. De acordo com ele, a companhia trabalha com as previsões meteorológicas da Aesa dando conta que deve haver chuva na região nos próximos meses.

Segundo o gerente de bacias da Aesa, Lucílio dos Santos Vieira, o estudo de Janiro Costa Rêgo  bate com a simulação feita pela agência. A diferença é que o pesquisador da UFCG não leva em conta a possibilidade de chuva. “Ele (o pesquisador) apresentou o cenário para a pior situação, o que o estudo mostrou pode acontecer realmente se caso não houver chuvas. No entanto, nós estamos com a previsão de ter chuvas significativas esse ano”, afirmou.

Sessão Especial
A ALPB realizou nesta sexta-feira uma sessão especial em homenagem ao Dia Mundial da Água, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP) em Campina Grande. O deputado Francisco de Assis Quintans, autor da propositura, ressaltou que a assembleia busca debater soluções para que a população não sofra com a falta de água.

"Queremos disciplinar o abastecimento de água para que haja segurança hídrica e não o constrangimento do racionamento e perda de investimentos na Paraíba. Realizamos uma discussão detalhada e técnica para sugerir medidas a serem adotadas, estamos todos de mãos dadas nessa luta", afirmou o parlamentar.


Em sessão na FIEP, Deputado Assis Quintans falou sobre a seca na Paraíba (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Em sessão na FIEP, Deputado Assis Quintans falou sobre a seca
na Paraíba (Foto: Taiguara Rangel/G1)
 

 
Fonte
 
 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

MPF investiga despejo de lixo em comunidade quilombola da Paraíba


17/02/2013 07h02 - Atualizado em 17/02/2013 07h02 

Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar suposta irregularidade.
Lixo estaria causando problemas de saúde à população quilombola.
 
Do G1 PB
 
 
O Ministério Público Federal na Paraíba instaurou um inquérito civil público para apurar supostas irregularidades no despejo de lixo nas proximidades de uma comunidade quilombola localizada na cidade de Várzea, região da Borborema. O problema estaria sendo causado pela prefeitura de Santa Luzia, município vizinho. A abertura do inquérito ocorreu por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (13).

O inquérito civil público foi instaurado pelo procurador Marcos Alexandre Bezerra Wanderley de Queiroga, da Procuradoria da República de Campina Grande. Ele afirma na portaria que o despejo do lixo próximo ao Quilombo da Pitombeira estaria “causando  graves problemas à saúde da população local”.
 
De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária na Paraíba (Incra-PB), 203 famílias vivem no Quilombo da Pitombeira. A área atualmente está  em fase de estudo antropológico, etapa que antecede o reconhecimento oficial da União como remanescente de quilombo. Segundo Regina Lúcia Marques, que faz parte do setor de Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra, o problema em Várzea já ocorre há alguns anos. “Fizemos inclusive algumas notificações, mas nada foi resolvido até agora”, disse.
 
Regina afirmou que já esteve algumas vezes no Quilombo da Pitombeira e ouviu relatos dos moradores do local sobre o problema do lixo. “A comunidade toda sofre. A maioria das vezes que eu estive lá ouvi várias lamentações dos moradores”, ressaltou a funcionária do Incra-PB.

A prefeitura de Santa Luzia admitiu que realmente coloca lixo nas proximidades do Quilombo da Pitombeira, mas disse que não está cometendo nenhuma irregularidade. Segundo o chefe de gabinete Maécio Medeiros, os resíduos são colocados em um terreno pertencente a administração municipal, recebendo o tratamento adequado. “Eles são colocadas dentro de valas e depois cobertos”, afirmou
Ainda de acordo com Maécio, na mesma área que está sendo usada como lixão a prefeitura de Santa Luzia vai implantar um aterro sanitário, que está com as obras em andamento e deve estar pronto para funcionar até agosto deste ano, que conta com a permissão da Sudema. O chefe de gabinete disse também que a prefeitura está tranquila com o inquérito do MPF. “Toda denúncia deve ser apurada, o papel do Ministério Público é investigar”, pontuou.

O inquérito do MPF para apurar o problema no Quilombo da Pitombeira se originou em um procedimento administrativo aberto em 2012. De acordo com o procurador Marcos Alexandre, foram solicitadas informações ao Incra e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário. Também foi pedido que a Sudema e o Ibama realizem fiscalização no local.

O caso começou a ser apurada após uma denúncia de um antropólogo professor da Universidade Federal de Campina Grande. A investigação pode ser concluída em até um ano.

Na semana passada o Incra reconheceu mais de 300 hectares de terra como áreas de comunidade quilombola na Paraíba. Os territórios estão localizados nas cidades de Riachão do Bacamarte, Quilombo Grilo; e Mogeiro, Quilombo Matão. Segundo o setor de Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra-PB, 28 processos de reconhecimento tramitam no órgão.


 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Aesa promove evento regional de meteorologia em Campina Grande

06/12/2012 - 10:32 


Durante o evento será anunciada a previsão climática para o primeiro trimestre de 2013.

 

A Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) vai realizar nos dias 17, 18 e 19 deste mês a II Reunião de Análise e Previsão Climática para o Setor Norte da Região Nordeste. Durante o evento, que acontecerá na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) com meteorologistas, pesquisadores e técnicos de vários estados, será anunciada a previsão climática para o primeiro trimestre de 2013.
 
No primeiro dia do encontro será apresentada a exposição “Diagnóstico das chuvas e açudes no período de 1994 a 2012 no Estado da Paraíba”, pela meteorologista Marle Bandeira e o gerente executivo de Monitoramento e Hidrometria da Aesa, Lucílio Vieira. “Vai ser um palestra bastante reveladora. Vamos desmistificar esta história de estarmos passando pela pior seca dos últimos 30 anos”, anunciou Lucílio.

O segundo dia vai ser dedicado às discussões técnicas dos modelos de previsão climática, inclusive com áudio conferência com outros meteorologistas de todo país. O estudo será feito por meio de uma parceria entre técnicos da Aesa, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos/Instituto de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e de membros de diversos centros estaduais de meteorologia do Nordeste. Ainda na terça-feira (18) será elaborado o documento final do encontro com a presença de representantes dos Centros Estaduais de Meteorologia.

Na quarta-feira (19) está programada uma entrevista coletiva para as 10h, quando serão anunciados os resultados das análises e o prognóstico climático para o trimestre janeiro-março de 2013. A programação completa da II Reunião de Análise e Previsão Climática para o Setor Norte da Região Nordeste está disponível no site www.aesa.pb.gov.br. Mais informações pelo telefone (83) 3310-6367.

Ascom


 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Sudema notifica hospital universitário por lixo hospitalar a céu aberto na PB

27/11/2012 15h19 - Atualizado em 27/11/2012 16h53 

Lixo comum misturado a hospitalar está nos fundos de Hospital Universitário.
Sudema notificou unidade para regularizar situação em 10 dias.
 
Do G1 PB


 
Sudema fiscalizou depósito irregular de lixo e notificou hospital. (Foto: Waléria Assunção/TV Paraíba)
Sudema fiscalizou depósito irregular de lixo e notificou hospital
(Foto: Waléria Assunção/TV Paraíba)

Um depósito de lixo hospitalar misturado a lixo comum está acumulado há mais de cinco meses, nos fundos do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande. A irregularidade foi identificada na manhã desta terça-feira (27). A fiscalização da Superintendência do Meio Ambiente (Sudema) notificou o hospital.

Segundo funcionários no local, o amontoado de lixo está acumulado desde a metade do ano. Agulhas, seringas, frascos de remédios, luvas cirúrgicas e demais materiais hospitalares estão sendo despejados em local de livre circulação por trás do prédio do HUAC, sem o devido recolhimento e misturado a restos de comida e lixo comum.

Seringas, luvas cirúrgicas e remédios foram encontrados. (Foto: Waléria Assunção/TV Paraíba)
Seringas, luvas cirúrgicas e remédios foram encontrados
(Foto: Waléria Assunção/TV Paraíba)
De acordo com o coordenador da Sudema, Roberto Almeida, existe grande risco de contaminação. “Isto traz vários problemas devido ao material à céu aberto. A população está em risco, porque aqui se fazem cirurgias e uma série de procedimentos, podendo acarretar alto risco de infecção hospitalar”, afirmou.

O Hospital Universitário foi notificado para regularizar a situação em 10 dias. De acordo com Socorro Campos, da diretoria administrativa do HUAC, foi solicitado à Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) um reajuste contratual junto à empresa terceirizada que faz o recolhimento do lixo para normalizar a coleta.

Segundo o reitor da instituição, Thompson Mariz, não houve solicitação.


 

sábado, 20 de outubro de 2012

Encontro discute situação das bacias hidrográficas paraibanas

Encontro discute poluição e assoreamento que amaeçam bacias hidrográficas do Estado, em Campina Grande.

 

 

O primeiro Encontro Estadual de Comitês de Bacias Hidrográficas da Paraíba, realizado na manhã de ontem na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), reuniu especialistas em recursos naturais, membros do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), profissionais da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), pesquisadores e sociedade civil, para discutir acerca das condições da bacia hidrográfica paraibana.

Devido a um alto índice de poluição e assoreamento, as cinco áreas hidrográficas do Estado apresentam um cenário preocupante que compromete diretamente o desenvolvimento de quase 150 municípios. De acordo com cada região, são formados comitês de bacia que, a partir do encontro de ontem, iniciaram discussões buscando alternativas para combater a poluição das águas por falta de esgotamento sanitário e ausência de políticas de resíduos sólidos.

Para o diretor de gestão e apoio estratégico da Aesa, Francisco Nógrega, ainda não se sabe em quanto os rios paraibanos estão assoreados e poluídos, mas após a visita nos últimos meses em 56 municípios que fazem parte da bacia hidrográfica do rio Paraíba, a maior do estado, todos os seguimentos da sociedade devem ficar em alerta, já que o descontrole sobre o recolhimento do lixo das cidades e o desmatamento têm prejudicado as áreas hidrográficas.

“É preocupante a situação já que a maioria das cidades não tem esgotamento sanitário, nem política de coleta de lixo. Há um risco muito grande até nas cidades que estão no curso das obras de transposição das águas do Rio São Francisco, já que existe a possibilidade de contaminação dessa água. Por isso, queremos aproveitar o momento e discutir estratégias para diminuir essas ações degradadoras”, destacou Francisco Nóbrega.

A pesquisadora Adriana Ribeiro, especialista em recursos naturais, avaliou a situação das bacias paraibanas e apontou que é preciso atualizar os planos das áreas hidrográficas, além de reforçar as estratégias de relacionamento entre os três comitês existentes no estado para que as ações sejam mais efetivas. Já Lourdes Barbosa, membro da secretaria do Dnocs, destacou que está na hora da troca de experiências entre os comitês atingir diretamente a sociedade para que os primeiros resultados apareçam em breve.


 

sábado, 29 de setembro de 2012

UFCG oferece dados meteorológicos de três cidades da PB pela internet

27/09/2012 16h47 - Atualizado em 27/09/2012 16h47

Dados de João Pessoa, Campina Grande e Sumé estão disponíveis.
Até outubro mais sete cidades terão dados acessíveis, diz UFCG.
 
Do G1 PB
 
A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) tornou disponível o acompanhamento meteorológico da cidade de Sumé, no Cariri do estado. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (27). O acesso se tornou possível após a UFCG disponibilizar informações da estação meteorológica instalada no campus de Sumé no site do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido (CDSA). Além da cidade do Cariri, as cidades de João Pessoa e Campina Grande, no Agreste, podem ter o acompanhamento meteorológico. Dados como quantidade de chuva, velocidade do vento, temperatura e umidade do ar e do solo podem ser consultadas pela população.

Para a consulta, no portal do CDSA , o visitante deverá clicar no botão “Dados Agrometeorológicos” (lado direito da página). No site da AESA , o usuário fará a consulta, colocando o mouse sobre a palavra “Meteorologia” no menu localizado no canto inferior esquerdo da página e clicar em “Estações Agrometeorológicas”. Feito isso, basta escolher a cidade que você deseja as informações.
 
O portal da Agência Executiva de Gestão de Águas da Paraíba (Aesa) também disponibiliza os dados. Além das três cidades que já possuem o acompanhamento, mais outras sete devem ter os relatórios disponibilizados até o final de outubro. Os dados são enviados via satélite para a Sala de Situação na sede da Aesa, em Campina Grande. Em seguida, são analisados e disponibilizados na internet.

A instalação destas estações agrometeorológicas faz parte do projeto “Estudo dos Impactos das Mudanças Climáticas no Estado da Paraíba”, realizada em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a AESA, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba e o Instituto Nacional do Semiárido (INSA).

Fonte


 

sábado, 22 de setembro de 2012

Crianças fazem trilha na Mata do Louzeiro

Ação tentou chamar a atenção dos poderes públicos e da sociedade para o problema da poluição na Mata do Louzeiro.


 


Cerca de 80 crianças participaram de um dia diferente na manhã de ontem. Estudantes de três escolas públicas de Campina Grande caminharam por uma trilha de 2,9 quilômetros, dentro da Mata do Louzeiro. A iniciativa partiu do Projeto Universidade Cidadã, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que já conseguiu identificar pontos de poluição da mata, única que oferece nascente de água doce da cidade, que desemboca em canais, através do Riacho das Piabas. Em alguns pontos, lixões começam a se formar intervindo na Natureza.

As crianças e professores caminharam às margens do Riacho das Piabas, dentro da mata e identificaram vários pontos de poluição. No Dia da Árvore, a ação tentou chamar a atenção dos poderes públicos e da sociedade para a problemática. No final da trilha, por exemplo, um verdadeiro depósito de lixo foi encontrado, com restos de construções, de sucata de veículos, restos de fabricações de tecidos em couro e outros tipos de entulho.

Durante um flagrante de despejo de objetos, o responsável pelo lixo não quis se identificar, mas contou que se tratava de restos de construção de outro bairro da cidade. Depois de 2,9 quilômetros percorridos, os trilheiros foram recebidos por uma equipe do 31° Batalhão de Infantaria Motorizado com frutas e bastante água. As crianças chegaram cansadas, mas se sentiram recompensadas com o passeio. “Foi muito cansativo, mas gostei muito. A gente viu muita coisa, mas o que chamou a atenção foi a poluição do riacho. A gente está aprendendo que não se deve jogar lixo na rua, principalmente nos canais”, disse o estudante da 4ª série Jonas Araújo, de 10 anos.

Segundo o ambientalista e biólogo Veneziano Sousa, cerca de 500 hectares da Mata do Louzeiro ainda estão preservados. Ele informou que é justamente a área que faz parte da zona rural da cidade e que contém cerca de 96 espécies arbóreas. “Depois que o riacho sai da zona rural e entra na zona urbana, com acesso através do bairro da Rosa Mística, já começa a ficar poluído. O nosso intuito aqui é justamente pedir pela revitalização do riacho, que está cada vez mais poluído”, disse.