Michelle Farias
Nem mesmo os intensos protestos da população
foram suficientes para evitar que o prefeito de Cabedelo, Leto Viana
(PTN), sancionasse uma lei que proíbe a construção de shopping centers
no município.
A lei em questão trata de alterações no código do zoneamento do uso e
ocupação do solo, aprovado no dia 23 de dezembro do ano passado,
durante sessão extraordinária na Câmara Municipal e sancionada três dias
depois pelo prefeito. Com isso, o município pode deixar de receber o
'Shopping Intermares', do grupo Marquise, empreendimento que iria gerar
aproximadamente seis mil empregos diretos em Cabedelo.
A Lei Complementar nº 46 foi publicada no dia 26 de dezembro, um dia
após o feriado de Natal, em edição extraordinária do Quinzenário
municipal. A lei enquadra o segmento de shopping centers como 'CSE 20' e
também determina que o uso de CSE não será permitido por não se adequar
à precariedade da zona de adensamento precário, na qual está inserido o
bairro de Intermares, onde o empreendimento seria erguido.
A alegação é de que nestas regiões ainda são precárias as condições
de uso de ocupação do solo, o que se caracteriza pela concentração de
vazios urbanos, população de baixa renda, grande potencial para o
turismo, além de poucos investimentos em infraestrutura, sistema viário
incipiente e alagamentos no período de inverno. Conforme a norma, a
região ainda carece de estudos de mobilidade urbana, acessos e uso do
solo compatível com a vocação natural da região, especificamente o
turismo.
O vice-presidente da Câmara de Cabedelo, vereador Tércio Dornelas
(PSL), afirmou que todos os parlamentares foram favoráveis à aprovação
de emenda apresentada pelo vereador Artur Cunha Lima Filho (PRTB) contra
a construção de grandes obras de impacto nas zonas de adensamento
precário. Para o vice-presidente, o 'barulho' em torno do projeto
acontece em virtude da proximidade do período eleitoral, o que na
opinião dele seria uma estratégia política.
“Até junho desse ano a Marquise possui o alvará provisório, a
prefeitura inclusive já deu a licença para a construção. Se o grupo
conseguir o alvará definitivo pode começar a construir. Teve essa mesma
zoada nas eleições passadas e agora, chegando as eleições, começa isso. O
terreno ainda nem está no nome da Marquise”, rebateu Tércio Dornelas.
Segundo ele, a nova legislação não afeta a construção do shopping, já
que não teria efeito retroativo. “Estão só fazendo zoada. A emenda de
Artur foi apresentada após ser expedido o alvará provisório, em
novembro. A briga hoje é porque eles foram retirados da limpeza da
cidade e ficam nesse embate com o prefeito”, concluiu Tércio Dornelas.
Procurado pela reportagem do
JORNAL DA PARAÍBA
durante toda a manhã de ontem, o autor da propositura, vereador Artur
Cunha Lima, não atendeu aos telefonemas. Ele teria utilizado um projeto
de lei enviado à Câmara Municipal em abril do ano passado pelo então
prefeito Luceninha (PMDB) e que visava regulamentar a construção de
galpões na cidade.
Através de uma nota, o Grupo Marquise informou que o projeto do
Shopping Intermares continua em andamento aguardando aprovação dos
órgãos competentes. Segundo sua assessoria de imprensa, a empresa mantém
a intenção de investir no município de Cabedelo e no estado da Paraíba
com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da região por meio
do crescimento econômico.
A empresa pretende aportar R$ 200 milhões no empreendimento, gerando
cerca de seis mil empregos diretos, melhorando a qualidade de vida dos
cidadãos e contribuindo para o fomento do empreendedorismo local e a
qualidade na prestação de serviços para moradores e turistas.
VEREADOR QUER EXCLUIR EMENDA
O vereador Júnior Datele (PMDB) assegurou que a emenda do vereador
Artur Cunha Lima não constava no projeto original que foi aprovado em
plenário. Para extinguir tal emenda, o parlamentar apresentou na última
segunda-feira um projeto de Lei Complementar. Ele ainda revelou que na
sessão legislativa de amanhã vai pedir preferência na tramitação desse
projeto.
No entanto, a sessão de amanhã ainda não está confirmada e pode não acontecer devido a reformas no prédio da Câmara.
“No dia 23 de dezembro foi convocada uma sessão extraordinária para
votar a LOA. Foi apresentada uma emenda no mesmo dia, que suprime a
possibilidade de construção do shopping na macrorregião 1. A emenda foi
recebida, mas não foi ao Plenário. Votamos o projeto original para
zoneamento do solo sem acompanhamento de emenda”, explicou Datele.
Após o recesso de fim de ano, o vereador informou que percebeu o fato da emenda ter sido anexada ao projeto original.
A partir dessa constatação, Datele apresentou ofício para receber da
Câmara o áudio da sessão em questão. “O secretário leu apenas o projeto
e não diz que ele está acompanhado de emenda. Entre outros requisitos,
o autor da emenda teria que ter ido à tribuna defender sua
propositura.
Também não houve voto do relator, o que é obrigatório. A emenda está arraigada de vícios”, frisou.