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sábado, 7 de junho de 2014

Cresce número de famílias sem água

Número de famílias sem água encanada nas residências paraibanas saltou de 210.785, em fevereiro de 2013, para 232.045, em abril deste ano.







Rizemberg Felipe
Dona de casa Fátima Batista, 36 anos, faz parte do grupo de famílias que não dispõem de abastecimento de água
Há um ano, o governo do Estado anunciou investimento de mais de R$ 250 milhões para a construção da 3ª etapa do canal Acauã-Araçagi (Vertentes Litorâneas). A obra visa a beneficiar com o abastecimento de água quase 600 mil pessoas em 38 municípios paraibanos, mas só deve ser concluída em dezembro de 2015, segundo informações do secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, João Azevedo.

Nesse intervalo, o número de famílias sem água encanada nas residências paraibanas saltou de 210.785, em fevereiro de 2013, para 232.045, em abril deste ano. O aumento foi de 10% de famílias nesta situação, conforme dados do Sistema de Informação de Atenção Básica (Siab) do Ministério da Saúde.
 
Apesar de também ter acontecido a ampliação do serviço de abastecimento de água no Estado, os dados do Siab revelam que em todo o Estado, em 2013, existiam 871.767 famílias cadastradas nas áreas de abrangência dos Programas de Agentes Comunitários de Saúde e Saúde da Família (ACS/PSF), que através das visitas domiciliares às famílias, identificam a situação de saneamento e moradia. Dessa soma, apenas 660.982 (75,8% do total) contavam com o serviço. Atualmente, das 895.784 famílias cadastradas, somente 680.291 têm água encanada, o que corresponde a 75,9% do total. Isso quer dizer que a ampliação do serviço só alcançou 0,1% dos domicílios.
 
O problema é potencializado quando comparado o número de famílias descobertas pelo abastecimento de água (232.045) nos municípios paraibanos. É como se toda a população de Patos - que tem 100.695 habitantes, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somados aos habitantes de Sousa (65.807), Cajazeiras (60.612) e Emas (3.439) não tivessem água encanada em casa.
No bairro Padre Zé, em João Pessoa, por exemplo, a dona de casa Fátima Batista, 36 anos, faz parte do grupo de famílias que não dispõem de abastecimento de água. Ela precisa buscar água na casa de amigos com o auxílio de um balde para poder dar conta dos afazeres domésticos. “Não tem água encanada em casa. O jeito é contar com a solidariedade dos amigos que me deixam pegar alguns baldes com água, todos os dias, senão, não teria como fazer comida, dar banho nos meus filhos e lavar roupa”, afirmou.
 
A ordem de serviço para a construção da 3ª etapa do canal das Vertentes foi assinada na manhã do dia 17 de junho do ano passado, durante visita do ministro da Integração, Fernando Bezerra. Na ocasião, também foi assinado o Termo de Compromisso para a elaboração do projeto de construção do sistema adutor da Borborema, que prometia levar as águas da transposição até o Curimataú. À época, as informações foram divulgadas na matéria sobre a falta de água encanada nos lares de famílias paraibanas, publicada no JORNAL DA PARAÍBA na edição do dia 18 de junho de 2013.
 
INVESTIMENTOS
O secretário de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Ciência e Tecnologia, João Azevedo, informou que o sistema adutor da Borborema já foi autorizado e a ordem de serviço para a obra será assinada na próxima segunda-feira.

Informou ainda que estão em andamento as adutoras de Boqueirão, Natuba. Aroeiras, Pocinhos, Camalau e Camará, ao todo são 730 km de adutoras.

 
 Fonte
 
 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Canal vai garantir segurança hídrica

Com extensão de 112,4 quilômetros e cortando 12 cidades, Canal Acauã-Araçagi irá beneficiar 38 municípios com águas da transposição.



 
Fotos: Kleide Teixeira
Serão cerca de 600 mil pessoas beneficiadas com a chegada do canal Acauã-Araçagi
A construção do canal Acauã-Araçagi representa desenvolvimento da região do Vale do Mamanguape e sustentabilidade hídrica para a população de 38 municípios. A obra, que tem investimento de R$ 1 bilhão, e está sendo construída através de parceria do governo do Estado com o Ministério da Integração, vai garantir a sobrevivência de famílias que hoje sofrem com a falta de água na região.
 
Serão cerca de 600 mil pessoas beneficiadas com a chegada do canal Acauã-Araçagi, que vai receber as águas da transposição do Rio São Francisco. Para os pequenos agricultores do município de Cruz do Espírito Santo, a obra representa esperança. Muitos desses trabalhadores colecionam lembranças tristes dos anos de seca.
 
A última delas, entre os anos de 2012/2013, deixou um saldo negativo de plantações perdidas e animais mortos. A seca é o maior tormento para o homem do campo, que precisa da terra e da água para garantir a sobrevivência da família. Sem isso, muitos deixam a mulher e os filhos em casa e vão para o Sudeste em busca de emprego.
 
O agricultor Flávio Vieira da Silva, 40 anos, soube da construção do canal Acauã-Araçagi pela televisão e desde então passou a ter uma nova perspectiva.
 
“Quando vi os homens trabalhando na obra, aquela obra gigante, eu chorei de emoção. Quando a água do canal passar por aqui, nós poderemos plantar para colocar o alimento na nossa mesa e vender o excedente para ter o dinheiro de sustentar a família”, declarou.
 
Na última seca, considerada a pior dos últimos 40 anos por especialistas, Flávio Vieira perdeu toda a plantação de cana-de-açúcar e não teve outra alternativa a não ser lamentar. Este ano ele vai arriscar plantar novamente, mas tem medo que não tenha chuva. A renda da família é proveniente unicamente da agricultura e do programa Bolsa Família, do governo federal.
 
O abastecimento de água na zona rural de Cruz do Espírito Santo é precário, segundo o agricultor.“Temos água dia sim, dia não”, afirmou. Por conta disso, a esposa do agricultor trata logo de encher baldes e a cisterna, no quintal da casa, para garantir água para beber, preparar as refeições, dar o banho das crianças e lavar roupas.
 
A falta de água incomoda a família, que deposita a esperança no Canal das Vertentes Litorâneas. A colocação de uma cisterna em casa minimizou o problema, mas está longe de garantir a sustentabilidade hídrica, o que só será alcançado com a construção do canal. Até um ano atrás, Flávio percorria 2 quilômetros de bicicleta para pegar água em baldes em um sítio próximo.
 
“Fazia pelo menos cinco viagens, indo e vindo.Muito cansativo, mas sei que tudo vai melhorar”, afirmou.
 
Na casa da aposentada Edith Cabral da Silva, 68, a situação é parecida. Falta água quase todos os dias. Uma rachadura na cisterna impede o armazenamento da água. Morando há 18 anos no sítio Dona Helena, em Cruz do Espírito Santo, ela já perdeu as vezes que ficou sem tomar banho por conta da falta de água. O problema interfere, também, nos afazeres domésticos.
 
“Não posso me dar ao luxo de lavar a casa, isso seria um gasto de água enorme, é até pecado”, comentou.
 
38 CIDADES BENEFICIADAS
O canal Acauã-Araçagi corta, fisicamente, 12 cidades, mas seu raio de alcance vai levar água para a população de 38 municípios. Com a água levada pelo canal, o sonho da irrigação se tornará realidade para os agricultores dessas localidades.
 
O canal tem extensão de 112,4 quilômetros e está dividido em três lotes. No primeiro lote, no município de Itatuba, as obras estão em ritmo acelerado. Os primeiros dez quilômetros devem ser entregues até o mês de junho.
 
O lote 2, que tem 41 quilômetros de extensão, foi instalado na comunidade Curimataú, em Caldas Brandão.
O canal vai passar pelos municípios de Sobrado, Mari, Sapé e Riachão do Poço. O maior trecho do canal ficará no município de Sapé, que terá 24,9 km de extensão. O canteiro de obras do lote 3 será instalado entre as cidades de Mamanguape e Araçagi, e tem extensão de 30,58 quilômetros.
 
O canal terá trechos com largura de 120 metros em aberto, que receberá revestimento impermeável. A água seguirá por gravidade média de três centímetros a cada quilômetro.
 
A obra está sendo realizada através de três consórcios: Marquise, Via Engenharia e Queiroz Galvão. O canal Acauã é tratado pela Marquise como “um dos mais relevantes programas de obras estruturantes em execução no Nordeste”.

A Marquise participa, em consórcio, da execução dos lotes 1 e 2 do programa, cujos contratos correspondem a aproximadamente R$ 700 milhões. A Via Engenharia também é responsável pela execução dos lotes 1 e 2.

VALE DO PARAÍBA VAI TER SUSTENTABILIDADE HÍDRICA
A ordem de serviço do lote 2 foi assinada em setembro do ano passado pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e o governador do Estado, Ricardo Coutinho.

A obra é considerada a segunda maior do Nordeste, ficando atrás apenas das obras da transposição do rio São Francisco. O canal é sinal de esperança para a população do Vale do Paraíba, que já foi uma terra próspera para a agricultura e pecuária.
 
A sustentabilidade hídrica vai possibilitar, além do abastecimento, a irrigação de aproximadamente 15 mil hectares de áreas agricultáveis. Isso representa que a região vai ter de volta a possibilidade de prosperidade. O canal complementa os investimentos realizados no eixo leste, responsável por receber as águas da transposição do Velho Chico.

Com o canal Acauã-Araçagi, a seca não vai deixar de existir, por ser um fenômeno climático, característico da região do semiárido, mas seus efeitos serão minimizados.

As famílias terão a segurança hídrica que vai garantir sustentar a plantação, a criação de gado, a água para beber, para preparar os alimentos e fazer a higiene pessoal, por pelo menos 30 anos, nas bacias dos rios Paraíba, Gurinhém, Miriri, São Salvador, Mamanguape, Araçagi e Camaratuba.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Canal de Acauã-Araçagi emprego e renda para a Paraíba

Construção do canal Acauã-Araçagi gerou 1,5 mil empregos diretos e outras centenas de indiretos na região do Vale do Mamanguape.

Publicado em 12/03/2014 às 06h00

Fotos: Kleide Teixeira/ Amanda Araújo
Os dez primeiros quilômetros do canal devem ser entregues até o final do primeiro semestre deste ano
Aos 54 anos de idade, João Batista de Lima, casado e pai de dois filhos, já passou por maus bocados em casa, quando, por falta de trabalho, tinha dificuldades para fazer a feira e garantir o sustento da família. Ele, que aprendeu o ofício de carpinteiro ainda na adolescência, agora comemora o emprego de carteira assinada e todos os direitos trabalhistas garantidos. Seu João Batista, há cinco meses, trabalha na construção das obras do canal Acauã-Araçagi e não consegue esconder a felicidade.
 
Seu João chega cedo ao canteiro de obras do lote 1 do canal, localizado na zona rural do município de Itatuba. Por ser morador de outra cidade, Gurinhém, ele dorme em alojamento montado para os trabalhadores da obra e vai para casa aos finais de semana. Esse emprego, para o carpinteiro, é uma oportunidade de contribuir positivamente com o futuro dos filhos. “Um homem desempregado não é ninguém. Graças a Deus, depois que arranjei esse emprego aqui nas obras do canal nunca mais me faltou dinheiro para fazer a feira. Já passei por momentos difíceis, só Deus sabe”, afirmou.
 
Nesse mesmo dia, a reportagem encontrou Edmilson de Lima, que aos 55 anos mostra, com orgulho, as mãos calejadas de uma vida inteira de trabalho. Seu Edmilson, natural de Itabaiana, pai de família, passou anos desempregado.

Dependia exclusivamente de trabalhos informais e esporádicos, os chamados 'bicos'. “É muito ruim quando você não tem um emprego. Quando eu fiquei sabendo que a obra tinha vaga, vim correndo e fui contratado”, declarou.

Em sua simplicidade, seu Edmilson olha para o canal Acauã-Araçagi e segura o choro. Ele sabe que através desse canal, a maior obra hídrica do governo do Estado, chegarão as águas do rio São Francisco, pelo eixo leste do projeto do governo federal.

O canal representa um marco para seu Edmilson: há anos ele não conseguia um emprego de carteira assinada. “Isso foi um presente para mim e para minha família. Nosso salário é pago direitinho todo mês, temos refeição, não falta nada”, declarou.

O ajudante de produção Antônio Lúcio da Silva, 47 anos, também estava desempregado até que iniciaram as obras do canal Acauã-Araçagi. Antes, ele já havia pensado, inclusive, em tentar a sorte em São Paulo ou no Rio de Janeiro, onde há promessas de emprego para nordestinos. Para isso, deixaria para trás a pequena casa que lutou para construir, em Itabaiana, e o mais importante: a mulher e o filho.

Há 11 meses, Antônio Lúcio trabalha na construção do canal. O canteiro de obras, em alguns momentos, mais parece um recanto de lazer, não porque eles não trabalham, mas sim porque é notória a satisfação dos trabalhadores. “Aqui a gente trabalha feliz, cantando, assobiando, é uma festa só, porque quem tem um emprego tem motivos de sobra para comemorar”, afirmou.

OBRAS GERAM EMPREGOS NO VALE DO MAMANGUAPE
A construção do canal Acauã-Araçagi possibilitou a criação de 1,5 mil empregos diretos e outras centenas de indiretos na região do Vale do Mamanguape. A maioria dos trabalhadores é de Itatuba, Mogeiro, Itabaiana, Salgado de São Félix e outras cidades próximas. Quando as vagas foram criadas, as prefeituras anunciaram as oportunidades e logo apareceram os interessados. Um deles foi José Soares da Silva, 41, que havia nove meses amargava o peso do desemprego.

Ele contou que sua vida financeira mudou bastante, desde que começou a trabalhar na construção do canal como carpinteiro. A pouca escolaridade dele sempre foi um problema a mais para conseguir um emprego. “Nem meu currículo as empresas aceitavam, mas aqui nas obras do canal nos deram uma grande oportunidade de trabalhar e ganhar nosso dinheiro com honestidade”, frisou José Soares.

Para Leonardo Oliveira da Silva, 28, trabalhar nas obras do canal Acauã-Araçagi tem uma representatividade ainda maior.

“Eu nasci e cresci nessa região, já sofri com a seca, vi meus pais chorarem pela falta de água. Agora tenho orgulho de ajudar na construção do canal, sei que nunca mais nossas vidas serão as mesmas. Quero dizer aos meus netos, futuramente, que o avô deles trabalhou diretamente nessa obra”, declarou Leonardo, que há um ano ocupa a função de armador na construção.

Também chamado de Canal das Vertentes Litorâneas, a obra trouxe oportunidades de empregabilidade para operários (entre armadores, carpinteiros, motoristas, auxiliar de serviços gerais, etc) e profissionais de nível superior, sendo a maioria engenheiros das áreas civil e de produção. O lote 1 do canal tem 40,85 km de extensão. Quando os três lotes estiverem em execução, o número de empregos diretos deve saltar para três mil e transformar as vidas de trabalhadores, a exemplo das histórias que foram contadas nessa reportagem.

COMÉRCIO FICA AQUECIDO
A geração de emprego está atrelada ao aquecimento da renda na região do Vale do Mamanguape. Os 1,5 mil operários consomem, diariamente, cerca de 80 quilos de feijão, 60 quilos de macarrão, 25 quilos de arroz e 200 quilos de carne. Boa parte desses alimentos é adquirida pelo consórcio da obra no comércio do município de Mogeiro, mudando a realidade também de comerciantes locais, que antes viam os produtos se estragarem nas prateleiras pela falta de clientela.

Os dez primeiros quilômetros do canal devem ser entregues até o final do primeiro semestre deste ano, enquanto a obra deve ser concluída em 2015. A previsão inicial era de que a conclusão se desse em 2016. A obra do canal Acauã-Araçagi está dividida em três lotes: o 1 (em Itatuba); o lote 2 (que passa por Sapé, Mari, Sobrado e Riachão do Poço); e o lote 3 (que inclui Cuité de Mamanguape, Araçagi, Itapororoca e Curral de Cima). A obra cortará fisicamente 12 cidades, mas vai beneficiar 35. Serão quase 600 mil paraibanos beneficiados com a chegada da água, que sairá da barragem de Acauã e percorrerá por gravidade 112,5 km de extensão.

Em março do ano passado a presidente Dilma Rousseff autorizou o início das obras da segunda etapa do empreendimento que está sob responsabilidade do Ministério da Integração Nacional em parceria com o governo do Estado da Paraíba. O canal faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) e tem investimento aproximado de R$1 bilhão.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Desenvolvimento do comércio e de serviços chega a Itatuba


Obras de construção do canal Acauã-Araçagi estão fortalecendo comécio regional e trazendo desenvolvimento para diversas cidades.

 
Um exemplo do desenvolvimento em Itatuba pode ser encontrado na zona rural do município. Foi lá que Maria Edileuza da Silva decidiu abrir um pequeno bar no quintal de casa, há 10 anos. Nesse tempo ela não imaginava que um dia poderia ampliar o bar e transformá-lo em um restaurante badalado da cidade. A comerciante, conhecida como Leu, atribui o progresso à construção do canal Acauã-Araçagi.

“Graças a Deus depois que as obras começaram, tudo foi dando certo para mim. Meu bar é o meu maior orgulho, eu venci”, declara Leu, que compensa a pouca escolaridade com um forte espírito empreendedor. É no restaurante dela que a maioria dos trabalhadores da obra do canal Acauã-Araçagi faz as refeições diárias. Aos finais de semana, quando estão de folga, os operários e engenheiros da obra também frequentam o estabelecimento. “Tem dia que falta mesa e o jeito é formar uma fila de espera”, conta a comerciante.

A propaganda do restaurante foi feita pelos próprios trabalhadores. “Eu sempre escuto alguém elogiando o tempero da minha comida, isso é muito gratificante, pois é tudo que sei fazer”, declara Leu. “Essa obra vai trazer água, mas antes disso já mudou nossas vidas. A renda que eu tenho hoje nunca imaginei que teria”, confidencia. E mudou mesmo. Depois que a obra começou em Itatuba, a comerciante conseguiu comprar eletrodomésticos e até aumentar a casa, além da reforma no estabelecimento. “E no final do mês ainda dá para comprar roupa e sapato”, afirma.

Com o fluxo de clientes, em sua maioria trabalhadores da obra, Leu teve de fazer adaptações no cardápio. Em tom de brincadeira, ela diz que “o pessoal é exigente”. Aos domingos, quando o movimento é maior, ela chega a fazer 50 buchadas, prato típico do Nordeste. Mas, em dias de semana, pode-se escolher entre galinha de capoeira, camarão, bode, bisteca de boi, e também a buchada. “Olho para a obra e peço a Deus que os dias passem devagar para continuar esse movimento no restaurante”, comenta.
 
Porém, nesse ponto Leu está errada, pois as obras do canal Acauã-Araçagi estão em ritmo acelerado. São cerca de 1,5 mil homens trabalhando diariamente no canteiro de obras. Os 10 primeiros quilômetros devem ser entregues até junho deste ano e é possível que a conclusão de todo o canal se concretize em 2015, um ano antes da previsão inicial. O canal está dividido em três lotes e está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2).
 
MAIS RENDA PARA A CIDADE DE MOGEIRO
O progresso também chegou a Mogeiro, cidade com menos de 14 mil habitantes. Quem ficou feliz da vida foi o comerciante Márcio dos Santos Almeida, que ampliou o horário de funcionamento do mercadinho, onde também funciona uma lanchonete, logo na entrada da cidade. “Ah, essa obra representa muito para nós que moramos aqui no interior. Não só pela água que vai trazer, mas também pelo que já está proporcionando. O movimento na minha lanchonete melhorou dez vezes mais”, revela.
 
Segundo ele, antes as vendas eram fracas, mas agora dispararam. Todos os dias ele precisa repor a bandeja de salgados para atender a clientela. “A tendência é melhorar”, destaca. Almeida conta que depois da obra, a lanchonete passou a abrir às 5h e fechar às 20h (antes abria às 6h30 e fechava às 17h). Com o aumento da renda, ele conseguiu melhorar de vida. “Acredito que depois do canal ninguém mais vai passar fome nem necessidade no interior”, frisa.
CONSTRUÇÃO CIVIL TAMBÉM 'DISPARA'
O aluguel de imóveis também disparou em Mogeiro. Parte considerável dos trabalhadores, incluindo os profissionais de nível superior (engenheiros), passou a residir no município, pela proximidade com o canteiro de obras. A cidade agora abriga pessoas vindas de várias outras cidades da Paraíba e também de outros estados. A calmaria do município foi substituída por um 'vai e vem' de ônibus, que leva e traz os trabalhadores diariamente.
 
O vendedor autônomo Paulo Vicente da Silva Júnior é proprietário de uma casa de 1º andar, em um loteamento da cidade. Em outubro do ano passado, foi procurado por pessoas interessadas em alugar o imóvel. Ele não pensou duas vezes e fechou contrato de um ano, pelo valor mensal de R$ 1,5 mil. Ele conta que se fosse alugar a casa em uma situação habitual conseguiria no máximo R$ 700,00. “Houve uma grande valorização de imóveis depois da chegada das obras. Por mim, o pessoal ficava trabalhando no canal por uns 4, 5 anos”, comenta Vicente.
 
O vendedor diz que a procura por casas na cidade é frequente.
 
“Há duas semanas minha irmã também alugou o imóvel dela, o valor compensa muito”, explica. Quem percebe essa oportunidade, aproveita para investir na construção ou ampliação de imóveis para alugar. No centro de Mogeiro, é possível encontrar muitos exemplos disso. “Aumentei minha casa e aluguei para um grupo de seis pessoas que está trabalhando nas obras do canal”, conta o aposentado Francisco Soares.
 
 

Obras do canal Acauã levam prosperidade ao interior

Construção do canal movimenta a economia local e beneficia cidades.

 

Fotos: Amanda Araújo
Obra está gerando empregos, valorizando imóveis e movimentando comércio das cidades por onde passa
 
Quando for concluído, o canal Acauã-Araçagi vai receber as águas da transposição do rio São Francisco e garantir a segurança hídrica de quase 600 mil paraibanos. Mas antes disso, as obras já representam prosperidade e desenvolvimento aos municípios que serão beneficiados pelo canal. A obra tem investimentos na ordem de R$ 1 bilhão, através de convênios do governo do Estado com o Ministério da Integração.
 

A equipe de reportagem foi conhecer de perto a realidade de duas dessas cidades: Mogeiro e Itatuba. Os dois municípios têm em comum os baixos indicadores sociais e econômicos e a sorte de ter perto o canteiro de obras do lote 1 do canal Acauã-Araçagi. Segundo o prefeito de Mogeiro, Antônio José Ferreira, o município começa a escrever uma nova história.

“A obra está trazendo muito desenvolvimento a Mogeiro, seja através dos empregos que estão sendo gerados, seja pela valorização dos imóveis para locação”, declarou.

De acordo com o prefeito, a arrecadação do ISS (Imposto Sobre Serviços) foi de R$ 1 milhão no ano passado. “Se não fosse a obra do canal, essa arrecadação seria algo improvável”, frisou Ferreira. Ele disse que os recursos serão revertidos em obras de infraestrutura na zona rural do município. “Vamos construir a ponte Rio Camurim, que vai ligar a zona rural ao centro de Mogeiro. Hoje a população sofre muito em períodos de chuva, pois a zona rural fica completamente isolada”, explicou. Com a ponte, cerca de 2 mil pessoas serão beneficiadas. O projeto para a construção da ponte está em processo de licitação.

Na avaliação de Ferreira, as obras do canal são importantes porque vão garantir a sustentabilidade econômica da população. “O homem do campo não vai mais precisar sair da sua terra natal, ele terá como manter a família através da plantação, da agricultura. O canal Acauã-Araçagi desperta a esperança de dias melhores, dias de progresso. Só o homem do campo sabe o quanto isso é importante”, afirmou.

No município de Itatuba, a palavra de ordem também é desenvolvimento. Desde que as obras do canal foram iniciadas, a cidade passou a dar passos importantes. Um deles foi em relação à geração de emprego. Segundo o prefeito Aron Andrade, muitos trabalhadores da obra são de Itatuba. “Eram pessoas que viviam de 'bicos' e hoje trabalham de carteira assinada, com todos os direitos trabalhistas garantidos”, comentou.

O gestor destacou a arrecadação do ISS, que semelhante a Mogeiro, também chegou a R$1 milhão. “É uma receita extra que veio em um bom momento e vai ser usada para trazer melhorias de infraestrutura para o município de Itatuba”, disse.

Segundo Andrade, o dinheiro será utilizado para atender uma antiga solicitação dos moradores: a pavimentação das comunidades Melancia, Tabocas e Cajá, todas da zona rural, próximas ao canal. Pelo menos 500 famílias serão beneficiadas. “O canal Acauã-Araçagi é positivo em todos os sentidos, é uma obra singular”, declarou.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Canal Acauã-Araçagi levará água a 600 mil paraibanos

Acauã-Araçagi é a segunda maior obra hídrica do Nordeste e receberá transposição.


 


Fotos: Amanda Araújo
Canal tem 112,4 km de extensão e corta 12 cidades e vai garantir a segurança hídrica na região
As máquinas não param no canteiro de obras do lote 1 do canal Acauã-Araçagi, no município de Mogeiro. É nessa obra que a população de 35 municípios da Paraíba deposita a esperança de dias melhores. É através do canal Acauã-Araçagi, a segunda maior obra hídrica do Nordeste, que passarão as águas da transposição do rio São Francisco. Mais de 600 mil paraibanos serão beneficiados. Os dias de sofrimento pela falta de água ficarão apenas na lembrança.

O canal tem 112,4 km de extensão e corta 12 cidades. O secretário dos Recursos Hídricos, João Azevêdo, disse que a obra vai garantir a segurança hídrica na região. “Através desse canal será possível implantar programas de irrigação de até 16 mil hectares. O canal Acauã-Araçagi faz parte das obras complementares da transposição e está em plena execução. As máquinas não param e isso todo mundo pode comprovar”, declarou.
 
Além de garantir água para centenas de famílias que já enfrentaram anos difíceis de estiagem, o canal Acauã-Araçagi está mudando o cenário econômico da região. As cidades estão mudando, o desenvolvimento não para. Em Mogeiro, por exemplo, a construção de novos imóveis ganhou novo fôlego, os aluguéis dispararam, novos restaurantes abriram.
 
Com a conclusão da obra, o desenvolvimento será ainda mais evidente. “O canal vai trazer uma nova realidade para os municípios, pois há muitas terras férteis onde é possível viver da agricultura e agropecuária, só faltava mesmo a água, que chegará através do canal Acauã-Araçagi”, explicou o secretário.
 
A ideia do governo do Estado é apoiar e orientar a população desses 35 municípios para que sejam implantados sistemas de irrigação.
 
Os investimentos no canal ultrapassam R$ 1 bilhão, contando com convênios feitos com o Ministério da Integração. Segundo João Azevêdo, a obra foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Por anos, a obra só existia no papel, e foi destravada após empenho do governador Ricardo Coutinho junto ao governo federal. A participação do Estado é de aproximadamente 10% do total investido, conforme explicou o secretário, que acompanha semanalmente o andamento da obra.
 
Em pouco mais de um ano de execução foram investidos cerca de R$ 210 milhões. Graças ao trabalho intenso, a previsão é que até o final do primeiro semestre deste ano seja entregue o primeiro trecho (que compreende 10 km de obra, do total de 112,4 km).
 
Dentre os municípios por onde o canal passa, estão Itatuba, Mogeiro, São José dos Ramos, Sapé, Mari e Curral de Cima. “É importante lembrar que a garantia hídrica se estende aos municípios que estão na zona de influência, que chega a 35”, frisou Azevêdo.
 
Depois que o canal Acauã-Araçagi estiver concluído, e a transposição do rio São Francisco se tornar realidade, as famílias paraibanas terão água todos os dias, o dia todo. A situação será bem diferente da já vivida pela aposentada Maria Glória de Souza, que por muitos anos teve de percorrer quilômetros a pé, para pegar água em açude e garantir a preparação de alimentos. “Esse canal é um sonho para nós que moramos no interior. Deus ouviu nossas preces”, afirmou dona Glória, que mora na zona rural do município de Itatuba.
 
Quando não tem muitos afazeres domésticos, a aposentada faz questão de chegar perto do canteiro de obras só para ter o gosto de ver os trabalhadores e as máquinas. “É uma felicidade só”, disse, esperançosa. Dona Glória está certa em suas colocações. O canal Acauã-Araçagi vem para mudar definitivamente a realidade no Vale do Mamanguape e Brejo paraibano. A escassez de água está perto de acabar.

RUMO AO DESENVOLVIMENTO
Antes mesmo de ser concluído, o canal Acauã-Araçagi já possibilita o desenvolvimento econômico nos municípios beneficiados. A arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS) pelas prefeituras de Itatuba e Mogeiro, por exemplo, aumentou consideravelmente. Segundo o secretário João Azevêdo, foram transferidos mais de R$ 1,5 milhão de ISS para cada uma dessas cidades. Sem a obra, esse repasse seria utopia. O recebimento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é de R$ 400 mil. Como uma espécie de efeito dominó, todos acabam se beneficiando com a obra. Novos estabelecimentos comerciais são abertos (como restaurantes e lanchonetes) para atender os trabalhadores; proprietários de imóveis que lucram com o aluguel da casa, etc. Até mesmo o comércio informal aumenta o lucro, tendo em vista que a cidade acaba recebendo mais visitantes.
 
Na obra em si, estão empregados diretamente cerca de 1,5 mil trabalhadores, entre ferreiros, armadores, carpinteiros, mestres de obras, entre outras funções. Um deles é Edvaldo José da Cruz, que há dez meses estava desempregado e enfrentando situação difícil com a família. Quando soube que estavam precisando de trabalhadores para a obra, não perdeu tempo e foi contratado. “Já estou aqui há dez meses. Trabalhar na construção do canal é um orgulho para mim, pois sei que muitas famílias serão beneficiadas”, contou Edvaldo, que é casado e tem três filhos.
 
A obra também trouxe um emprego para Luiz Carlos Chagas, que mora em Mamanguape e ficou sabendo da oportunidade através de um conhecido, que trabalha no local. Chagas estava desempregado há três anos, vivia de 'bicos'. Desde que começou a trabalhar nas obras do canal, em novembro de 2013, consegue mandar dinheiro para a família e exibe com orgulho a carteira de trabalho assinada formalmente pela primeira vez.
 
ESTADO QUER ANTECIPAR CONCLUSÃO
A obra do canal Acauã-Araçagi está dividida em três lotes. Os dois primeiros estão em execução. O governo do Estado aguarda autorização do Ministério da Integração para início do lote 3. “Nossa expectativa é que a autorização aconteça ainda no mês de fevereiro”, declarou o secretário João Azevêdo. A conclusão do canal está prevista para abril de 2016, mas a intenção do governo é antecipar esse prazo para 2015. “O ritmo das obras é crescente, nunca houve um problema sequer de intervenção, então estamos otimistas”, disse.
 
O trabalho é feito através de um consórcio com três empresas (Queiroz Galvão, Via Engenharia e Marquise). No canteiro de obras foi montada uma estrutura na qual ficam os engenheiros e demais profissionais envolvidos no processo, como arqueólogos (que fazem a escavação da área em busca de possíveis achados arqueológicos); biólogos (que catalogam as espécies de fauna e flora existentes na extensão da obra); e técnicos da segurança do trabalho (que inspecionam diariamente se os trabalhadores estão com os equipamentos de segurança).
 
O canal Acauã-Araçagi terá trechos com largura de 120 metros em aberto que receberão revestimento impermeável; em outros trechos com 80 metros de largura, passarão três tubos de 1,9 metro de diâmetro. A água seguirá os 112,4 km por gravidade média de três centímetros a cada quilômetro, conforme dados técnicos dos engenheiros. No lote 1 estão sendo construídas duas pontes sobre os Rios Surrão e Ingá, além de um aqueduto.