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sexta-feira, 31 de março de 2017

MPF lista irregularidades em obras da transposição na Paraíba e faz alerta

31/03/2017 17h46 - Atualizado em 31/03/2017 17h47
 
Rio está assoreado e açudes não estão aptos a receber águas, diz MPF.
MPF destaca 'compromissos assumidos e não cumpridos na integralidade'.

Do G1 PB



Águas do Rio São Francisco chegam ao leito do Rio Paraíba, em Monteiro (Foto: Artur Lira\G1)
Águas do Rio São Francisco chegam ao leito do
Rio Paraíba, em Monteiro (Foto: Artur Lira\G1)

Falta de adequação das barragens Poções, Camalaú e Boqueirão, incerteza técnico-científica da qualidade da água, irregularidades na vazão da água e falta de revitalização e assoreamento do Rio Paraíba são inadequações identificadas pelo Ministério Público Federal (MPF) da Paraíba, nas obras da transposição das águas do Rio São Francisco. A lista, divulgada nesta sexta-feira (31), faz alerta à população e destaca "compromissos assumidos e não cumpridos na integralidade".

De acordo com o MPF, o açude de Poções, na cidade de Monteiro, no Cariri paraibano, e o Rio Paraíba não estão preparados para receber as águas da transposição do Rio São Francisco, segundo a procuradora-geral do Ministério Público Federal (MPF) em Monteiro, Janaína Andrade de Sousa. Segundo ela, uma vistoria técnica feita por peritos do órgão confirmou que as obras feitas não foram suficientes para garantir sustentabilidade ao processo de passagem da água.

O MPF também pede à população “que evite banhos nos canais da transposição e no leito do rio Paraíba; não utilize água sem outorga dos órgãos competentes; não pratique atividades de extração mineral sem as devidas autorizações; e, em caso de rompimento de barragens ou canais, cumpra as orientações dos órgãos de defesa civil”.
 
Já sobre o Rio Paraíba, a procuradora-geral do MPF disse que “a limpeza do Rio Paraíba, ficou evidenciada para o Ministério Público Federal que ela foi feita, tão somente, uma retirada do lixo aparente com escavadeira e isso não seria uma obra, em matéria ambiental, a ser realizada de acordo com as resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)”.

Segundo o coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) na Paraíba, Alberto Batista, o açude Poções e o açude da cidade de Camalaú estão passando por obras para a abertura de canais nos locais onde ficavam as barragens de contenção da água. A intenção é fazer com que não seja necessário aguardar o açude receber água até ultrapassar a capacidade total para que ela consiga seguir o caminho até o açude Epitácio Pessoa, conhecido como açude de Boqueirão, na mesma região.

Sobre as obras complementares à transposição, o MPF aponta: a obra da transposição na Paraíba não está concluída, estando em fase de pré-operação e testes; as obras de adequação necessárias nas barragens Poções, Camalaú e Boqueirão não foram concluídas, bem como não foram elaborados os planos de ação de emergência e/ou de contingência para acidentes; ainda não há certeza técnico-científica acerca da qualidade da água, sem o devido tratamento, nos mananciais para consumo humano.

Sobre o Rio Paraíba, o MPF lista os seguintes problemas: não existe clareza de informação acerca da vazão da água que passa pelos canais e Rio Paraíba; a irregularidade da vazão da água que percorre o Rio Paraíba aponta para a precariedade na gestão do sistema; a passagem da água por Monteiro e Camalaú, em vazão ainda desconhecida, e a suposta chegada da água em Boqueirão, não significarão a interrupção ou suspensão no racionamento d’água em curto prazo; a falta de revitalização do rio prejudica a condução da água até Boqueirão; o assoreamento do Rio Paraíba e fatores como evaporação, infiltração e captação irregular contribuem para dificultar a chegada da água no açude de Boqueirão.


 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Ministério da Integração diz que 'nova' Camará será entregue até 2015

17/06/2014 18h57 - Atualizado em 17/06/2014 21h33 

Barragem estourou há dez anos, matou cinco e deixou 3 mil desabrigados.
Estado diz que primeira etapa estará concluída até o fim de 2014.
 
Wagner Lima  

Do G1 PB
 
'Tragédia de Camará', no brejo da Paraíba, completa dez anos (Foto: Severino Antonio da Silva / arquivo pessoal)
Cerca de três mil pessoas ficaram desabrigadas e
cinco morreram quando a barragem estourou
(Foto: Severino Antonio da Silva /
arquivo pessoal)
A obra de reconstrução da barragem de Camará, destruída há dez anos, está prevista para terminar no segundo semestre de 2015. O cronograma é do Ministério da Integração Nacional. Na época em que estourou, a barragem lançou 17 milhões de metros cúbicos de água que percorreram cerca de 25 km até invadir as ruas da parte baixa de Alagoa Grande, Areia, Alagoa Nova e Mulungu, no Brejo da Paraíba.

Mais de 28 mil habitantes da cidade de Alagoa Grande, a 119 km de João Pessoa tiveram suas vidas afetadas. Cinco pessoas morreram e três mil ficaram desabrigadas. Mas apesar da previsão do governo federal, o secretário estadual de Recursos Hídricos do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, João Azevedo, ressaltou que a primeira etapa estará concluída até o final de 2014.
A reconstrução de Camará acontece por decisão da Justiça. Dados fornecidos pela assessoria de Comunicação do Ministério da Integração Nacional apontam que o investimento é da ordem de R$ 84.976,067, do qual R$ 75 milhões são originários do governo federal com a contrapartida de R$ 9.976.067 do tesouro estadual.
 
Com mais de 75 km do sistema de adutora e investimentos, a obra está orçada em R$ 75 milhões e atendimento direto a mais de 45 mil pessoas de cidades a exemplo de  Alagoa Nova, Arara, Areial,  Lagoa Seca, Remígio, Serraria, Matinhas, Remígio e Esperança. As duas obras juntas contemplarão 175 mil paraibanos.

A assessoria de comunicação do Ministério da Integração Nacional explicou  que “é importante frisar que, além da reconstrução da Barragem Camará, o Ministério irá implantar a 1ª etapa do Sistema Integrado de Abastecimento de Água, composta por estação elevatória, adutoras e ETA visando abastecimento humano”.

'Tragédia de Camará', no brejo da Paraíba, completa dez anos (Foto: Severino Antonio da Silva / arquivo pessoal)
'Tragédia de Camará' completa dez anos (Foto: Severino
Antonio da Silva / arquivo pessoal)
O conjunto de obras do Programa da Aceleração do Crescimento (PAC)  irá beneficiar as cidades de Alagoa Grande, Alagoa Nova, Areia, Areial, Esperança, Cepilho, Lagoa Seca, Matinhas, Montadas, Remígio, São Miguel, São Sebastião de Lagoa de Roça e Cepilho (Distrito de Areia) e Lagoa do Mato (Distrito de Remígio).

João Azevedo explicou que o governo do Estado atendeu a todas as determinações feitas pela Justiça e que todas as obras foram realizadas: reconstrução da ponte sobre o rio Mamanguape; a restauração da PB -079; a restauração da PB -075; a recuperação das estradas vicinais de Alagoa Grande; a reconstrução da passagem molhada de São José do Miranda.

Também foram concluídas a recuperação das casas semi-destruídas na zona urbana de Alagoa Grande; a reconstrução de uma escola na zona rural de Alagoa Nova; a reconstrução de muros, calçadas e pavimentação de ruas, e a reconstrução das casas destruídas na zona urbana de Alagoa Grande e na zona rural de Alagoa Nova, Areia e Mulungu.
 
Fonte
 
 
 

População ainda sofre uma década após tragédia de Camará, na Paraíba

17/06/2014 08h09 - Atualizado em 17/06/2014 11h06 

Tragédia foi ocasionada pelo rompimento de uma barragem.
Cinco pessoas morreram e três mil ficaram desabrigadas em 2004.
 
Wagner Lima  

Do G1 PB

Camará. A palavra que se refere à planta nativa brasileira ganhou outra referência para mais de 28 mil habitantes da cidade de Alagoa Grande, a 119 km de João Pessoa. Para eles, Camará é sinônimo de desespero e morte, desde que a barragem rompeu no dia 17 de junho de 2004 e lançou em torno de 17 milhões de metros cúbicos de água que percorreram, aproximadamente, 25 quilômetros até invadir as ruas da parte baixa de Alagoa Grande, Areia, Alagoa Nova e Mulungu.
Na memória dos moradores do Brejo ficou o registro e a angústia de três mil desabrigados, segundo dados da Prefeitura de Alagoa Grande, que ainda tentam esquecer a noite da tragédia, as cinco mortes e parte da história de cada um destruída pela força das águas. “Foi de repente. A gente percebeu que não era uma enchente normal. A ponte começou a encher d'água até que avisaram que a barragem de Camará tinha estourado”, relembrou a dona de casa Leonita Alencar, de 61 anos, que mora ao lado da ponte por onde passa o Rio Mamanguape.

Leonita Alencar, 61 anos, vítima da tragédia da barragem de Camará, em Alagoa Grande (Foto: Wagner Lima/G1 PB)
Leonita Alencar, 61 anos, vítima da tragédia da
barragem de Camará, em Alagoa Grande
(Foto: Wagner Lima/G1 PB)
A noite de Leonita Alencar, o marido e a filha caçula foi às margens da rodovia em frente à casa da família na Rua Ernesto Cavalcante. “Chegou a um metro e meio nas paredes da casa". E a cada minuto observando a fúria provocada pela intensidade e volume das águas, Leonita diz ter sentido a sensação de que tudo se acabaria ali. “Perdemos tudo e senti muito medo. Tive a sensação de que o mundo estava se acabando. Ainda hoje tenho trauma: não posso ver muita água que fico nervosa”, contou.
 
A força das águas levou as paredes da casa, móveis, objetos, roupas, mas nenhuma perda doeu tanto quanto a das fotos que Leonita Alencar guardava de fases importantes da vida como juventude, casamento e nascimento dos quatro filhos. “Pedi foto dos meus 15 anos, do nosso casamento em 1972 e de vários momentos da nossa vida. Por sorte, consegui recuperar as fotos do casamento e dos 15 anos. No ano passado ganhei no meu aniversário uma foto que minha irmã conseguiu revelar”, frisou.
 
"Tive a sensação de que o mundo estava se acabando. Ainda hoje tenho trauma: não posso ver muita água que fico nervosa"
Leonita Alencar, moradora de Alagona Grande
 
Em outro ponto da cidade, o professor de física da Universidade Federal de Campina Grande, Rafael de Lima Rodrigues, descia a 'Ladeira do Colégio das Freiras' para avisar aos moradores das ruas próximas ao rio Mamanguape sobre a notícia ouvida na Cultura FM do rompimento da barragem de Camará.
 
“Realmente, a água veio destruindo tudo nessa parte baixa da cidade. Eu saí avisando de rua em rua sobre o rompimento da barragem. Algumas famílias acreditaram e conseguiram até fazer a mudança. Outras, ignoraram. No máximo, colocaram os móveis em cima de tamboretes e cadeiras pensando que a água era pouca. Na última vez que desci, vi carros sendo cobertos e uma correnteza muito forte. Triste ver que dez anos depois ainda tem gente esperando para receber indenização”, disse.

Correrias, saques e escuridão
Em aproximadamente 25 km de trajeto da barragem de Camará até o Centro de Alagoa Grande, a água saiu arrastando árvores, postes de energia elétrica e objetos. A professora Fátima Barbosa conta que estava deitada para dormir quando o irmão bateu na janela avisando de uma 'enchente'. “Eu ignorei porque pensei que fosse resultado da chuva fraca que tava caindo, mas quando abri a porta vi muita gente correndo, gritando desesperada e eu fiquei atordoada. Depois do choque inicial, sair daqui foi a única coisa que a gente pensou em fazer”, contou.

Fátima Barbosa, professora, vítima da barragem de Camará (Foto: Wagner Lima/G1 PB)
Fátima Barbosa mostra até onde a água subiu
naquele ano (Foto: Wagner Lima/G1 PB)
Fátima Barbosa explicou que faltou energia duas vezes naquela noite de 17 de junho de 2004 e a ajuda demorou muito para a urgência que existia. “A ajuda não chegou tão rápido quanto a gente precisava. Ajuda mesmo só chegou no outro dia à tarde. Tinha muitos curiosos, isso é verdade, mas a ajuda foi chegando aos poucos... umas doze horas depois. A ajuda inicial foram as nossas famílias e amigos uns ajudando aos outros”, disse.

Alojada em cima de uma barreira, após a casa da mãe também ficar alagada, Fátima Barbosa contou que o marido e o pai ficaram na Rua Professor Antônio Benvindo com água na cintura por conta dos saques. “Meu marido e meu pai permaneceram na rua porque estavam acontecendo muitos saques. Outras pessoas se aproveitaram da situação para ir para o local receber doações de quem realmente precisava”, lembrou.

As cenas do muro sendo derrubado, das pessoas correndo desesperadas e a angústia de não saber quem tinha ficado no interior das casas quando foram invadidas pela água não se comparam, segundo Fátima Barbosa, a cena em que o filho chorava. “O sufoco que a gente passou para conseguir as coisas... e perder tudo rapidamente”, desabafou. A cena que não vai sair da minha cabeça é a do meu filho que dizia que estava com fome e eu não tinha nada para dar a ele. Eu vou viver cem anos e não vou esquecer aquela noite de forma nenhuma.

 Maria Monteiro da Silva, 76, moradora, vítima da barragem de Camará, comprou novas imagens dos santos levados pelas águas (Foto: Wagner Lima/G1 PB)
Maria Monteiro da Silva comprou novas imagens dos santos
levados pelas águas (Foto: Wagner Lima/G1 PB)
 
Na Rua da Glória, uma das mais atingidas, a idosa Maria Monteiro da Silva, de 76 anos, moradora da casa de nº  605, ao tentar abrir a porta da cozinha e sentir a pressão da água que começava a tomar conta da residência de apenas três cômodos, correu para a rua. Na fuga da força das águas, caiu e quebrou a clavícula.

“O que vivi naquela noite foi aperreio e agonia. Ainda hoje me lembro do que passei. A água destruiu a porta e levou foi tudo. Carregou panela, bojão, roupas. Só fiquei com um colchão porque na agonia eu coloquei ele em cima da parede”, disse. Católica, Maria Monteiro teve que comprar novamente as imagens dos santos que mantém relação de devoção porque as imagens anteriores foram levadas pelas águas.
 
 Maria Monteiro da Silva, 76 (a esquerda) e a agricultora, Severina dos Santos Sales Oscar da Silva, 57, vítimas da barragem de Camará (Foto: Wagner Lima/G1 PB)
Maria Monteiro e a agricultora Severina dos
Santos estão entre vítimas da barragem de Camará
(Foto: Wagner Lima/G1 PB)
A filha de Maria Monteiro, a agricultora, Severina dos Santos Sales Oscar da Silva, 57, ao se levantar às pressas da cama, conta que engalhou o brinco no “mosquiteiro” e teve a orelha rasgada. “Os troços já 'tavam' descendo tudo pelo buraco na parede. Eu pensei: 'Eu tirando minha mãe e minha filha, abaixo de Deus o diabo pode levar'. Aí fiz carreira só de camisola. Depois eu condenei essa camisola. Foram anos para construir as coisas e quinze minutos para o satanás acabar.

A gente não era dono da casa, mas eu achei que a gente ia receber uma casa, mas não. Os donos bateram em cima. Só recebi R$ 3.120 de indenização. Eu não tinha só R$ 3.120 na minha casa, meu filho. Eu escapei só com a vida”, frisou. A água chegou a um metro e oitenta centímetros. Ao retornarem para as duas casas, Severina abriu uma porta entre as duas moradias para ter acesso mais rápido para socorrer a mãe.
 
Fonte
 
 
 

Vítimas da tragédia de Camará, na PB, movem 550 ações por danos morais


17/06/2014 14h03 - Atualizado em 17/06/2014 14h03 

Ações cobram indenização pela perda de bens e constrangimento.
Procurador Geral do Estado foi procurado, mas não atendeu às ligações.
 
Wagner Lima 
 
Do G1 PB
 
Maria de Fátima Campos teve a casa invadida pelas águas da barragem de Camará e se mudou (Foto: Wagner Lima/G1 PB)
Maria de Fátima Campos teve a casa invadida pelas águas da barragem
de Camará e se mudou (Foto: Wagner Lima/G1)

Dez anos depois do rompimento da barragem de Camará, em Alagoa Nova, a 144 km de João Pessoa, estão em tramitação 550 ações com pedidos de indenização que variam de R$ 6 mil a R$ 80 mil, segundo um dos advogados à frente das ações, Nelson Azevedo Torres. Elas são movidas por moradores que seguem em uma batalha judicial por conta de danos morais e materiais contra o governo do Estado. 
 
As ações cobram do Estado, responsável pela obra e manutenção da barragem, indenização pela perda de bens e pelo constrangimento a que os moradores foram submetidos, segundo Nelson Azevedo Torres. “Os casos são bem parecidos. Os clientes perderam móveis, objetos pessoais e de valor, além de terem ficado sem o conforto dos seus lares. Alguns vão receber mais do que outros porque nem todo mundo conseguiu provar os danos materiais”, disse.
O G1 entrou em contato com o procurador Geral do Estado, Gilberto Carneiro para comentar as ações envolvendo o governo do Estado e as vítimas da tragédia de Camará, mas o gestor não atendeu os telefonemas.

A demora na tramitação, segundo Nelson Azevedo Torres, se deve a dois fatores. O primeiro, é que o processo foi distribuído para duas juízas. “Uma instruiu garantindo o direito aos danos materiais e a outra não. Recorremos e o Supremo Tribunal de Justiça mandou restabelecer a sentença inicial”, disse. O segundo se deve aos valores das indenizações pagas pelo governo do Estado, na avaliação do advogado. “De fato, o Estado pagou pequenas indenizações de R$ 600 a R$ 2 mil, o que não foi suficiente para ressarcir todas as vítimas da tragédia de Camará”, disse.
 
Em torno de 300 ações são por danos morais e materiais e as demais apenas por danos morais devido à dificuldade de comprovação das informações. “Há casos em que as pessoas ganharam eletrodoméstico de presente e conseguiram comprovar. Outras não conseguiram atestar que realmente tiveram prejuízo com a situação”, ressaltou. As ações iniciaram na Comarca de Alagoa Grande, seguiram para o Tribunal de Justiça e estão em tramitação no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

"Tenho muito medo. Muito medo de passar aquilo outra vez. Ninguém acredita mais. Eu não acredito. Aquilo vai estourar de novo." -- Maria de Fátima Campos, moradora de Alagoa Grande
A dona de casa Maria de Fátima Campos, 57 anos, morava na conhecida 'Rua do Rio'. Por trás da casa dela, o curso do Rio Mamanguape seguia. Com a ruptura da barragem de Camará, a água chegou acima de um metro e meio nas paredes. “Pra falar a verdade não achei que seria tanta água como foi. A minha vontade foi de sair daqui e não voltar mais nunca, por isso me mudei. Tive perda total das minhas coisas e me pagaram apenas R$ 3 mil. Deu para comprar alguma coisa, um fogão, uma geladeira. O resto a gente foi comprando aos poucos”, afirmou.
 
Os dois principais questionamentos de Maria de Fátima são o pagamento da indenização insuficiente e a reconstrução de Camará, para ela um pesadelo. “Tenho muito medo. Muito medo de passar aquilo outra vez. Ninguém acredita mais. Eu não acredito. Aquilo vai estourar de novo”, reforçou temerosa.
 
A atriz e professora Ana Cristina do Nascimento, conta que perdeu materiais de trabalho, fotografias, textos de teatro e até Adonis, um gato de estimação que desapareceu durante a invasão da água na residência dela na Rua da Glória. Como ressarcimento, ela disse que recebeu do governo do Estado duas parcelas de mil reais e uma terceira não foi quitada. “Foram oito dias sem água, faltava energia, lama por todo lugar. Dois dias depois chegou o carro-pipa. Um caos”, disse.
 
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sábado, 26 de janeiro de 2013

Chuvas de janeiro começam a encher reservatórios no Sertão

Alguns açudes, como os de Farinha e Jatobá, localizados próximo ao município de Patos, Sertão, voltaram a acumular água e aumentaram seu volume.



 


O volume das chuvas ainda não animam os meteorologistas paraibanos, mas as primeiras precipitações deste mês de janeiro já serviram para aumentar a esperança de pequenos agricultores e começar a encher alguns reservatórios do Sertão do Estado. Isso porque os açudes de Farinha e Jatobá, localizados próximo ao município de Patos, Sertão, voltaram a acumular água e aumentaram seu volume. Além disso, os reservatórios de Coremas e Livramento, Sertão, estão mantendo seu volume devido a junção entre diminuição de evaporação, presença da chuva e recebimento de água dos rios.

Como explicou o especialista em açudes da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), Lucíolo Vieira, este período de pré-estação chuvosa para o Sertão do Estado tem dado esperança aos agricultores, mas ainda é uma intervenção climática pequena, uma vez que a fase de maiores precipitações é esperada a partir do mês de março. Segundo ele, em alguns açudes, como é o caso do de Farinha que estava seco, o volume armazenado ainda é baixo.

“Até agora nós só tivemos o registro de chuvas isoladas. Nada que fosse apontar para o aumento do volume em vários açudes. O caso do reservatório Farinha é bem emblemático porque ele estava seco, e com essas chuvas desse mês ele subiu um metro em seu volume de água, mas é algo que corresponde a apenas 5% da capacidade uma vez que ele comporta 25 milhões de metros cúbicos e só recebeu cerca de um milhão”, explicou Lucíolo Vieira.

O especialista ainda apontou que por este momento o solo apresentar um estado bem seco, a água não acumula com facilidade o que dificulta que os reservatórios tenham mais facilidade para aumentar seus volumes. Ele ainda afirmou que o açude Jatobá atingiu 21% de sua capacidade, já que ele cresceu de 3,7 milhões para 17 milhões de metros cúbicos. “Este foi o único que teve um aumento de volume mais considerável, mas ainda está longe de ser o que a região precisa porque o nível ainda está baixo”, disse Vieira.

Monitoramento da Aesa
De acordo com os dados fornecidos pela equipe de monitamento da Aesa, 87 reservatórios estão com capacidade armazenada superior a 20% do seu volume total, 24 reservatórios estão em Observação, já que apontam índice menor que 20%, enquanto que 11 reservatórios em situação crítica, menor que 5% do seu volume.


 

Barragens vão passar por manutenção

Equipe composta de 10 profissionais especialistas iniciaram nesta quarta-feira (23) monitoramento de barragens.


 
O planejamento para manutenção de 60 das 122 barragens monitoradas pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) foi iniciado ontem, com uma equipe composta de 10 profissionais especialistas na área. A intenção é percorrer, até o dia 23 de março, todos os reservatórios distribuídos entre as regionais Litoral, Campina Grande, Sousa e Patos da Agência, para apresentar um relatório com informações acerca da estrutura física dos locais, além de prepará-los para o período chuvoso.
Após esta visita à gerência de Recursos Hídricos da Aesa, vai finalizar o levantamento que foi iniciado em 2011 e se estendeu até o ano passado, quando os demais 62 reservatórios foram vistoriados e indicados quais receberão manutenção para melhorar o seu abastecimento de água. De acordo com Itamara Taveira, técnica em recursos hídricos, essa ação faz parte do plano operacional da Agência de Gestão das Águas do Estado, para que o fornecimento de água não seja prejudicado.
“Iremos, agora, fechar esse ciclo de planejamento para que possamos ter um controle real da situação desses reservatórios. Após a inspeção, iremos preparar os relatórios que indicarão quais barragens irão precisar receber alguma reforma. Esta é a mesma metodologia adotada desde a primeira vistoria, entre 2011 e 2012, quando nós identificamos que 14 reservatórios precisavam ser reformados. Estamos, até o final deste mês, vivenciando o período de licitação e, posteriormente, serão iniciadas as obras”, explicou Itamara Taveira.
Como o principal foco dessa vistoria é abordar os quesitos relacionados à segurança nas barragens, a técnica em recursos hídricos apontou que, devido o período de estiagem enfrentando no ano passado e a possibilidade de chover dentro da expectativa esse ano, os reservatórios também serão avaliados acerca dos aspectos ligados desde o aumento do volume em um curto período, às vazões que no final do primeiro semestre são comuns.
“Todos esses aspectos serão levados em consideração, uma vez que a manutenção de algumas barragens pode ser de caráter urgente. Sobre as possibilidades de chuvas, nós estamos trabalhando para fazer esse levantamento para quando o período chuvoso começar em cada região específica nós não tenhamos problemas em relação às estruturas vertentes dos reservatórios, já que o aumento do volume das águas pode ser considerável e as vazões podem acontecer logo em seguida”, acrescentou Itamara.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Açudes praticamente sem água

Quatro reservatórios estão praticamente sem água e não estão mais sendo operados pela Cagepa.


 

Dos 120 açudes em uso no Estado, e que são monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), quatro deles estão em situação crítica. Os reservatórios de Ouro Velho, no município de mesmo nome; Serrote, em Monteiro; São Francisco II, em Teixeira; e São José IV, em São José de Sabugi, estão praticamente sem água e não estão mais sendo operados pela Cagepa.

Segundo Lucíolo Vieira, meteorologista da Aesa, a situação nos demais reservatórios do Estado ainda não é de racionamento, contudo, devido ao ano atípico em relação às precipitações, a construção de novos reservatórios ajudaria na prevenção pela falta de chuva. “O que temos (açudes) à disposição dá para atender a população, principalmente quando temos regularidade nas chuvas. Como este ano está sendo bastante seco, alguns reservatórios acabaram sofrendo mais”, disse.

De acordo com Francisco Leonam, estão sendo preparados projetos para a construção de dois açudes, um em Cuité e outro em Alagoa Grande. Sem capacidade ainda definida, o gerente executivo afirmou que ambos estão em fase de estudo, sendo que o segundo mais perto de ser lançada a licitação para a sua construção. “São duas obras que serão financiadas pelo governo federal. Não podemos adiantar a capacidade de cada açude, mas serão duas importantes construções que irão beneficiar muitos paraibanos”, projetou Leonam.


 

14 barragens na PB serão recuperadas

Além de garantir o abastecimento, também será incentivado o desenvolvimento de piscicultura e de irrigação das plantações nas regiões. 


 


Até o final deste ano a Paraíba terá 14 barragens recuperadas distribuídas entre os municípios do Litoral, Cariri, Curimataú e Sertão. Com uma média de 15 milhões de metros cúbicos de água em cada reservatório, as obras vão beneficiar mais de 200 mil pessoas localizadas tanto na zona urbana quanto na rural.

Além de garantir o abastecimento nas residências, também será incentivado o desenvolvimento de piscicultura e de irrigação das plantações nas regiões.

De acordo com a Secretaria de Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, estão em fase de licitação três lotes que serão submetidos aos serviços de recuperação de erosão do solo, profundidade e drenagem. Quem apontou esse cenário foi Francisco Leonam, gerente executivo de Infraestrutura Hídrica do Estado, que afirmou que assim que as obras forem iniciadas, elas terão um prazo de execução de no máximo quatro meses e um investimento de R$ 2 milhões.

“Acreditamos que ainda este ano poderemos entregar essas barragens, já que estamos em fase de licitação e o tempo de obra é considerado baixo. Beneficiaremos moradores de municípios como Riacho dos Cavalos, Mamanguape, Curral Velho, Rio Tinto, e outras 10 cidades, além dos municípios vizinhos e áreas rurais que vão ser assistidas através de projetos de irrigação e piscicultura”, destacou o gerente executivo.

A justificativa dada pela urgência da obra foi o tempo da construção das barragens cuja maioria tem mais de 30 anos de existência. “Nós só temos dois desses reservatórios que foram construídos há pouco mais de 10 anos. Os demais têm quase 30 anos” declarou Leonam. Ele acrescentou que as ações fazem parte do Programa de Recuperação de Barragens desenvolvido pelo governo do Estado e que inclui também as obras da barragem de Capivara, que abastece o Alto Sertão; Acauã e São José, que abastecem Campina Grande e região; Sistema Adutor do Congo e a barragem de Jandaia, em Bananeiras, já estão em pleno funcionamento, segundo o gestor.


 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Relatório vai avaliar 'Engenheiro Ávidos'


Publicado em 14/01/2012 as 08h00




Todos os anos, quando chega o verão, a polêmica sobre o risco da barragem Engenheiro Ávidos, no município de Cajazeiras, no Sertão, se romper volta à tona. O manancial tem capacidade para armazenar 255 milhões de metros cúbicos (m³) de água, mas o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgão responsável pelo seu monitoramento, não permite que ela ultrapasse os 180 milhões de m³.
Tal fato, segundo os moradores da região, seria uma prova de que a barragem não é segura e coloca em risco, principalmente, os moradores das cidades de Sousa e Aparecida. Por determinação do Ministério Público Federal, está sendo realizado, desde o ano passado, um estudo para avaliar as reais condições estruturais do local.

Uma empresa especializada em geotecnia, contratada pelo Governo do Estado, está concluindo as análises feitas na região e, segundo o secretário do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos da Paraíba, João Azevedo Lins Filho, no próximo mês será apresentado o relatório final. Isso deverá ser feito em Brasília, numa reunião onde estarão presentes o Ministério da Integração Nacional (MIN), o Dnocs e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Codevasf).

O secretário informou que a recuperação da “Engenheiro Ávidos” é prioritária para o MIN, pois ela será uma das responsáveis por receber as águas da transposição do Rio São Francisco. “Por isso, estaremos apresentando esse relatório ao MIN, para que sejam feitas as mudanças necessárias na barragem”, informou o secretário, que prefere não tecer nenhum comentário sobre o resultado parcial da análise.

O engenheiro de Minas Catonho Braga Rolim, natural de Sousa, disse que há cerca de dez anos estuda o manancial, tendo constatado o surgimento de buracos, rachaduras, fendas e fissuras na estrutura. Ele argumenta que o problema é causado pelo fato do açude ter sido construído em uma área onde há uma falha tectônica. Ele acredita que isso será confirmado pela empresa contratada para avaliar a situação.