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domingo, 4 de maio de 2014

Garoto acha pedra com pegada de dinossauro e paleontóloga diz: Sousa é passarela pré-histórica

Ciência e Tecnologia | Em 04/05/2014 às 09h35, atualizado em 04/05/2014 às 10h05 | Por Luciana Rodrigues

Peça deve ser analisada por um paleontólogo e após comprovada a originalidade, ficará em exposição e fará parte do acervo do museu do Vale dos Dinossauros, em Sousa  

Reprodução/Facebook/ Luiz Carlos
Garoto mostra pedra com pegada de dinossauro
Garoto mostra pedra com pegada de dinossauro

Um garoto de sete anos achou uma pedra com uma pegada de dinossauro, quando brincava no quintal de casa, esta semana, no município de Sousa, no Sertão do estado, a 477 de João Pessoa.
 
Matheus Dannylck, correu para dizer sobre sua descoberta ao pai, o fotógrafo Saullo Dannylck, que naquele momento não deu muita importância ao que o filho lhe dizia com voz eufórica, "papai achei uma pedra com 'buraco dos dedinhos'". Sem dar muita importância, Saullo prometeu que depois iria dar uma olhada no que o filho tinha encontrado.
 
Achando que o pai não tinha dado muita importância ao que ele dissera, Matheus foi até o local onde tinha encontrado a pedra e a retirou para levar até Saullo. "Papai, eu tirei a pedra e trouxe para o senhor ver".
Ao observar a peça que Matheus tinha mostrado, o fotógrafo percebeu que poderia tratar-se realmente de uma pegada de dinossauro e a encaminhou para o setor de reserva técnica do Monumento Natural do Vale dos Dinossauros, no município de Sousa, que já possui uma área de conservação, criada em 2002, com um dos mais importantes sítios paleontológicos do mundo.
 
A peça deve ser analisada por um paleontólogo e após comprovada a originalidade, ficará em exposição e fará parte do acervo do museu do Vale dos Dinossauros. Além de Sousa, mais 29 cidades do Sertão da Paraíba fazem parte da área de conservação do sítio paleontológico que é uma das áreas com maior incidência de pegadas de dinossauros já encontradas no planeta.

Pedra com pegada de dinossauro de Sousa 
Foto: Pedra com pegada de dinossauro de Sousa
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Luiz Carlos
 
No mês de fevereiro deste ano, também no município de Sousa, o aposentado Luiz Carlos da Silva Gomes encontrou um fóssil que aparentemente seria de uma tíbia de dinossauro. O fóssil foi retirado de uma rocha na zona rural de Sousa e encaminhada para o Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal de Pernambuco, onde está sendo estudado.
 
Em contato com a paleontóloga Aline Ghilardi, doutoranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colaboradora do Laboratório de Paleontologia (Paleolab) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a pesquisadora informou que esses tipos de vestígios são comuns em Sousa, pois o município, assim como os demais que fazem parte do sítio paleontológico, tanto no Sertão da Paraíba como no estado vizinho do Ceará, estão incluídos nas bacias sedimentares com rochas portadoras de fósseis.

Aline explicou que bacias sedimentares são áreas onde se acumularam sedimentos ao longo do tempo, que posteriormente são transformados em rocha, ajudando a preservar um registro de mudanças ambientais e ecológicas do passado, ou seja, "são como livros de registro de eventos pretéritos, cujas páginas são camadas de rochas".

A paleontóloga informou que a idade das rochas na região de Sousa, correspondente ao período em que os dinossauros dominaram a terra, e o ambiente que ali existia favoreceram à preservação de vestígios fósseis, como pegadas.
 
"Esses vestígios fósseis e as estruturas presentes nas rochas da região nos ajudaram a entender que entre 145 e 125 milhões de anos atrás, a região era coberta por lagos e rios e borbulhava de vida. Já foram encontrados ali não só registros fósseis de dinossauros, mas também de quelônios, crocodyliforme, plantas e diversos invertebrados", revelou.

A paleontóloga contou que esses animais caminhavam nas bordas dos lagos e deixavam seus registros, assim como acontece na atualidade quando caminhamos por um substrato mole, como areia e lama, e deixamos nossas pegadas.

Nova espécie
O material ósseo de dinossauro retirado de Sousa no início deste ano é único na região e trata-se de um osso longo, mas não se sabe ainda de qual parte dos membros e nem a identidade do dinossauro. A pesquisadora Aline Ghilardi informou que é o primeiro registro ósseo de dinossauro achado em Sousa e o mais antigo para o Cretáceo do Brasil. Ela acredita que possa ser uma nova espécie.

"Certamente é um novo animal, mas dificilmente poderá receber um nome pois temos apenas um osso em mãos, o que não é suficiente, cientificamente falando, para caracterizar oficialmente uma nova espécie. Isso não o impedirá de ter um apelido informal...".

Material ósseo encontrado em Sousa 
Foto: Material ósseo encontrado em Sousa
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Luiz Carlos

Aline informou que o material ainda está em preparação para estudo no Paleolab e que a análise do achado terá a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) do campus do município de Areia.

Com os estudos e a identificação do material ósseo encontrado em Sousa, finalmente um dos dinossauros locais terá sua identidade diretamente reconhecida e a pesquisadora disse que é por isso que a descoberta desse registro foi tão badalada.

Ela informou que em locais aonde se preservam pegadas, dificilmente se preservam ossos, e por isso é que o osso encontrado em Sousa é tão especial e mostra o potencial da região para estudos futuros.

"Estamos ansiosos para prosseguir com os estudos do osso e assim que esses forem concluídos e publicados, ele retornará para sua cidade de origem e para o museu do Vale dos Dinossauros, como obrigatoriamente deve ser quando a ciência se faz pensando no povo. Ali, poderá ser apreciado pelos cidadãos de hoje e de todas futuras gerações sousenses, inspirando, quem sabe, futuros cientistas", revelou.

Cientistas analisam fóssil de dinossauro em Sousa 
Foto: Cientistas estiveram em Sousa e coletaram material ósseo
Créditos: Reprodução/ Folha do Sertão 

A pesquisadora revelou, ainda, que o sítio fossilífero de Sousa se destaca pela qualidade de preservação e quantidade de vestígios, como pegadas. Ela disse que se orgulha de ter em solo brasileiro o que chamou de 'essa maravilhosa passarela pré-histórica' e alerta para sua preservação.

"Se destruído esse patrimônio, nada poderá substituí-lo, pois nada será igual. As pegadas de Sousa são um instante sem correspondentes preservado no tempo, se isso for perdido, será perdida irrecuperavelmente uma página da história da vida em nosso planeta - e uma das mais maravilhosamente preservadas, um dos contos mais bem escritos", desabafou.

Centro paleontológico local
Uma das coisas que mais chocaram a pesquisadora Aline Ghilardi foi o fato do sítio de Sousa não possuir um paleontólogo. Nem no museu, aonde a coleção de fósseis é gerida, existe um profissional.

"Todo o patrimônio paleontológico está nas mãos de órgãos não diretamente ligados à Paleontologia, e por mais que existam pessoas que se esforcem, elas não são profissionais da área. A gestão desse patrimônio exige a presença de um paleontólogo", reclamou.

Aline Ghilardi mostrou também a necessidade de um centro paleontológico local. Ela disse que um campus avançado da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e um Instituto Federal de Educação estão sendo construídos em Sousa e isso poderia ser aproveitado para a contratação de um ou mais paleontólogos e para a formação de um núcleo de pesquisas paleontológicas na região.

A pesquisadora citou ainda a possibilidade um curso de graduação em Biologia ou Geologia para formar estudantes para auxiliar nas pesquisas.

Na opinião de Aline Ghilardi, um centro paleontológico local garantiria a realização contínua de pesquisas com os fósseis e rochas da área e ainda a melhor gestão do patrimônio paleontológico de Sousa e região.

Ela acredita que a permanência do material fóssil na localidade aonde foi coletado sem dúvida contribuiria para sua preservação. "Quem quer que quisesse estudar esse material, de qualquer universidade do Brasil ou do mundo, teria que se remeter a esse centro. Já está na hora de Sousa amadurecer a esse ponto", opinou.

Vale dos Dinossauros, Sousa - PB 
Foto: Pegadas do Vale dos Dinossauros, Sousa - PB
Créditos: Reprodução/Internet 

Diversidade
Aline Ghilardi informou que as pegadas encontradas em Sousa são algumas das mais bem preservadas do mundo e que o local abriga um dos sítios paleontológicos mais importantes do Brasil, considerando a idade de seus depósitos.

Os achados fósseis lá encontrados ajudam a completar as páginas da grande história de vida no planeta Terra e a compreender sua evolução e mudança ao longo do tempo. "Eles têm nos ajudado entender a distribuição e a diversidade de animais que existiram nessa região, em especial os dinossauros".
As pegadas encontradas no sítio paleontológico de Sousa, de acordo com a especialista, indicam  a presença de alguns tipos de dinossauros que ainda não foram detectados no registro fossilífero do território brasileiro por meio de evidências diretas como ossos e dentes.

"Esse é o caso dos dinossauros ornitísquios, por exemplo, que inclui uma série de dinossauros herbívoros especializados, como os ornitópodes e os thyreophora. Isso amplia a diversidade de dinossauros que habitaram o nosso território no passado e ajuda a entender o cenário faunístico da América do Sul durante o início do Cretáceo (entre 145 e 125 milhões de anos atrás), quando nosso continente e a África ainda eram unidos e os animais migravam de um lado para o outro com relativa facilidade".

Patrimônio precisa ser preservado
Na opinião da paleontóloga Aline Ghilardi, o patrimônio paleontológico de Sousa deveria receber mais atenção. Ele disse que muito dinheiro foi investido ali para a construção de um parque, mas que só isso não basta. É preciso que a população seja conscientizada da importância do patrimônio que a rodeia.

"As pegadas fazem parte do cotidiano da população, mas as pessoas não entendem ainda porque elas devem ser arrancadas e levadas para museus. Todos se aproveitam da fama dos dinossauros para avivar o comércio local, mas ninguém entende o seu real significado e importância. Acredito que para preservar o patrimônio paleontológico daquela região deveria ser feito um amplo esforço de informação e sensibilização junto à população", ratificou.

A paleontóloga acredita que um caminho seria a realização de oficinas, cursos e palestras nas escolas e ainda a distribuição de cartilhas didáticas, promoção de livros e filmes sobre o tema e a visita direta à população para que as pessoas se sintam incluídas no processo. "Se não for assim, o tema 'dinossauro' acaba virando piada", opinou.

Ela citou ainda as universidades locais e regionais, aliadas ao poder público, como promotores de projetos focando essa linha de ação e disse que a UFPE, através do Paleolab, que é coordenado pela professora Alcina Alcina Barreto, tem realizado projeto no interior de Pernambuco com objetivo de preservar o patrimônio paleontológico do Araripe e que os resultados têm sido muito positivos.

MPF moveu ação para impedir destruição
Há dois anos, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra o Dnit e Sudema por conta da destruição de cercas feitas com pedras que tinham pegadas de dinossauros no município de São João do Rio do Peixe.
De acordo com o MPF, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) havia identificado a importância do sítio paleontológico de 2,5 quilômetros de cercas com placas de rochas feitas há mais de cem anos pela população local para delimitar propriedades. Essas cercas foram destruídas para a construção da rodovia federal BR 405, sem que sua importância cultural fossem analisadas e levadas em conta.

Cercas centenárias feitas pela população tinham rochas com pegadas de dinossauros 
Foto: Cercas centenárias tinham rochas com pegadas de dinossauros
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Luiz Carlos

Em outubro do ano passado,  num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre MPF e Dnit e Sudema,  os dois órgãos se comprometeram a cumprir medidas para a regularização do processo de licenciamento ambiental de três obras, realizadas sem a devida autorização do Iphan, em áreas de preservação, e também compensar pelos danos causados ao patrimônio arqueológico e paleontológico nacional.

As obras são as seguintes: pavimentação da BR 434/PB (trecho Uiraúna e Poço Dantas) do km 0,0 ao km 18,0; pavimentação da BR 426/PB (trecho Piancó, Santana dos Garrotes e Nova Linda) do km 65,60 ao km 95,5; e obras de implantação e pavimentação BR 405/PB (trecho São João do Rio Peixe e Marizópolis) do km 36,5 ao km 54,5.

Entre as medidas compensatórias pela destruição dos sítios paleontológicos, o Dnit terá que realizar obras visando a socialização, regularização do uso turístico e educação patrimonial em sítios arqueológicos e paleontológicos na área do Vale dos Dinossauros e ainda fazer um levantamento dos sítios paleontológicos da área denominada Vale dos Dinossauros em 20 municípios da Paraíba.

A área tombada pelo Iphan e que soma cerca de 700 quilômetros quadrados é penalizada pela de falta de estudos, mapeamento e proteção. O descaso pode ser verificado na própria Reserva Técnica do Museu do Monumento Natural do Vale dos Dinossauros. Os achados com vestígios de pegadas são armazenadas de forma amontoada, com peças sobre peças, sem nenhuma organização.

Peças ficam amontoadas, sem organização na Reserva Técnica 
Foto: Peças ficam amontoadas, sem organização na Reserva Técnica
Créditos: Reprodução/Facebook/ Luiz Carlos

 Fonte



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Registros do Cretáceo

Algas ajudaram a preservar pegadas de dinossauro na Paraíba 
 
IGOR ZOLNERKEVIC | Edição 209 - Julho de 2013
   
Para quem quiser deixar uma marca duradoura de sua existência na Terra, fica a dica: caminhe à beira de um lago, onde houver lama ou areia fina e molhada, coberta de limo. Centenas de dinossauros fizeram isso, e suas pegadas permanecem intactas, gravadas nas rochas do sertão nordestino, no município de Sousa, interior da Paraíba, graças à ação das algas verdes e azuis do limo onde pisaram há mais de 100 milhões de anos.
  
Trilha fossilizada no Vale dos Dinossauros, no município de Sousa
Trilha fossilizada no Vale dos Dinossauros,
no Município de Sousa. © FABIO COLOMBINI
A conclusão é dos paleontólogos Ismar Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Giuseppe Leonardi, do Instituto Cavanis, em Kinshasa-Ngaliema, na República Democrática do Congo. Em parceria com o geólogo Leonardo Borghi, da UFRJ, eles apresentaram, em artigo publicado em maio deste ano na revista Cretaceous Research, a primeira prova material da importância do limo na preservação de pegadas fósseis. O filme gelatinoso criado pelos microrganismos crescendo sobre a lama pisada teria impedido que as pegadas fossem apagadas pelo vento e pela chuva, antes que ela endurecesse e fosse recoberta por uma nova camada de sedimento que a protegeria da erosão.
 
“É incrível como microrganismos ajudaram a registrar a vida de alguns dos maiores animais que já viveram”, comenta Leonardi, considerado um dos principais especialistas em icnologia, o estudo de marcas deixadas por animais extintos, os chamados icnofósseis, para determinar sua postura e comportamento. Foi por meio de pegadas, por exemplo, que os paleontólogos deixaram de montar incorretamente os esqueletos fósseis nos museus. Antigamente achava-se que os dinossauros andavam como os crocodilos, arrastando o ventre e a cauda no chão. As pegadas, no entanto, mostram que as criaturas andavam com a cauda e corpo suspensos, com seu peso distribuído igualmente sobre as patas.
 
As pegadas de Sousa foram descritas pela primeira vez em 1924, pelo engenheiro de minas Luciano Jacques de Moraes. O estudo dessas marcas, entretanto, só começou em 1975, quando Leonardi passou um ano explorando a região. Nascido na Itália em uma família de geólogos e paleontólogos, Leonardi, 74 anos, sempre dividiu seu tempo entre a carreira de pesquisador e a de padre católico. Ele se prepara para lançar um livro sobre Sousa, escrito em colaboração com Carvalho, ao mesmo tempo que atua na educação de crianças no Congo.
 
As rochas de Sousa se formaram a partir de sedimentos acumulados em um vale aberto no início da separação entre a América do Sul e a África, no começo do chamado período Cretáceo. Entre 142 milhões e 130 milhões de anos atrás, o vale abrigava rios e lagos, atraindo a fauna da região. Sua lama transformada em rocha registrou a passagem de quase 400 indivíduos — dinossauros, crocodilos, sapos e tartarugas. Também há marcas de ondulações produzidas por água corrente e até pequenos buracos criados por gotas de chuva.
 
Cenas do passado
Não há, porém, ossadas fósseis em Sousa, ao contrário do que ocorre na bacia sedimentar vizinha do Araripe, no Ceará, local da descoberta de muitos dinossauros do Cretáceo. Leonardi explica que os sedimentos e o ambiente das bacias eram distintos. O ambiente mais ácido de Sousa corroía os ossos, enquanto no Araripe enxurradas arrastavam e soterravam rapidamente as carcaças dos animais, mantendo os ossos em condições favoráveis à petrificação.
 
“Em geral, os fósseis são registros da morte, enquanto as pegadas são registros da vida”, afirma Carvalho. Dificilmente as pegadas permitirão identificar a espécie do animal que as produziu. Mesmo assim, os pesquisadores conseguem classificá-las de acordo com certos grupos de dinossauros e, em locais onde há muitas delas, podem reconstruir cenas do passado.
 
© ARIEL MILANI MARTINE
O cotidiano dos dinossauros de Sousa lembra a vida dos grandes mamíferos das savanas africanas de hoje. Há trilhas feitas por bandos numerosos de saurópodes, imensos herbívoros quadrúpedes, semelhantes aos brontossauros. Em certo local é possível notar que um saurópode adulto diminuiu sua marcha para acompanhar o passo de um filhote. Em outros pontos, esses bandos são perseguidos por pequenos grupos de terópodes, carnívoros bípedes parecidos com tiranossauros ou velocirraptores. Mais ativos que os herbívoros, os terópodes deixaram mais pegadas registradas, apesar de provavelmente terem sido em menor número.
 
“Essas marcas são estruturas tão delicadas, tão fáceis de serem apagadas pelas intempéries”, diz Carvalho. “Queríamos entender como foram preservadas.” Segundo ele, os pesquisadores costumavam concordar que, para as pegadas serem preservadas, bastava que o sedimento onde estavam impressas tivesse certas características especiais. Ele deveria ser fino, úmido e plástico na medida certa, como a argila. Todos os estudos experimentais feitos até agora, porém, demonstram que isso muitas vezes não é o suficiente.
 
De uma década para cá, começaram a aparecer evidências de que as pegadas menos erodidas são aquelas cobertas por limo. Em 2009, por exemplo, um grupo de arqueólogos suíços observou exatamente isso ao estudar o endurecimento de pegadas humanas impressas há poucos anos na beira de lagos no Caribe e no Oriente Médio. Carvalho notou algo semelhante na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Outros paleontólogos começaram a suspeitar de que as chamadas esteiras microbianas que compõem o limo funcionariam como uma cola entre os grãos do sedimento, preservando os traços das pegadas, além de os protegerem contra o vento e a chuva. Os microrganismos ajudariam ainda na petrificação, acumulando o cálcio que endurece o sedimento.
 
Carvalho e seus colegas descobriram a primeira evidência material do fenômeno ao analisarem ao microscópio as lâminas de rochas extraídas de um poço na Fazenda Cedro, em Sousa. Encontraram várias camadas de microbialitos, um tipo de rocha formado a partir dos restos de esteiras microbianas do Cretáceo.
 
Outra evidência indireta é a presença em Sousa de fósseis de conchostráceos, um crustáceo protegido por duas conchas, aparentado de caranguejos e camarões. Os conchostráceos existem até hoje e quase nunca ultrapassam meio centímetro de comprimento. Uma das espécies de Sousa, porém, atinge 4,5 centímetros. Carvalho acredita que os conchostráceos de Sousa cresceram tanto por conta do ambiente de águas quentes, calmas e ricas em nutrientes que favoreceram a proliferação das esteiras microbianas nas margens dos lagos onde os dinossauros pisavam.
 
Mais limo, mais detalhes
As pegadas mais ricas em detalhes, que vistas bem de perto revelam de marcas de unhas a ranhuras da planta das patas e dos dedos, seriam aquelas formadas onde as esteiras teriam crescido mais. O limo teria ajudado a preservar também as rebordas que aparecem em volta de algumas pegadas. As rebordas são feitas da lama espirrada quando o animal pisou e podem informar seu peso.
 
Além do sedimento argiloso e das esteiras microbianas, os ciclos de deposição dos sedimentos seguindo as estações secas e chuvosas também ajudou a preservar as pegadas em Sousa. Pegadas eram gravadas e endurecidas durante a estação seca, para então serem enterradas por uma nova camada de sedimento trazida pelas chuvas. A nova camada serviria então de substrato para gravar mais pegadas na estação seca seguinte. Em um local conhecido como Passagem das Pedras, em Sousa, Leonardi escavou 25 dessas camadas com pegadas, produzidas por variações cíclicas na borda de um lago.
 
Carvalho, cuja pesquisa tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), espera agora examinar lâminas de rochas de outros lugares do mundo com pegadas fósseis. O maior deles fica em Sucre, na Bolívia. “Tenho quase certeza de que os microbialitos estão presentes lá”, diz.
 
“As esteiras microbianas estão na moda”, comenta o paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes, da Universidade Federal de São Carlos, cujo laboratório possui a maior coleção de icnofósseis do país, muitos deles coletados no interior paulista, principalmente em Araraquara, onde foram descobertas pegadas até em rochas das calçadas da cidade. Fernandes conta que espera analisar em breve o que ele acredita ser rastros deixados por invertebrados ao rasgarem esteiras microbianas crescendo no fundo dos lagos glaciais, que deram origem às rochas sedimentares conhecidas como os varvitos de Itu.

Artigo científico
CARVALHO, I. et al. Preservation of dinosaur tracks induced by microbial mats in the Sousa Basin (Lower Cretaceous), Brazil. Cretaceous Research. Publicado on-line. 10 mai. 2013.



 

domingo, 26 de maio de 2013

Injustiça na Terra dos Dinossauros...

Conheci Robson Marques no Ginásio 10 de Julho, dirigido na época pelo Prof. Virgílio Pinto de Aragão, conhecido na cidade como Professor Sinhozinho, ícone dos educadores de Sousa. 

O colégio era modelo de ensino para o Sertão Paraibano, pela qualificação dos seus mestres e o rigor administrativo que a direção impunha. Robson e seu irmão Roosevelt haviam chegado recentemente da Fazenda Jangada, na região oeste de Sousa, próximo ao Sitio que hoje abriga o hoje chamado Sousa Vale Dos Dinossauros. Robson, logo ganhou a simpatia dos colegas e do colégio, pela largueza dos seus gestos, pela presteza do seu espírito e, sobretudo pela sua participação na vida esportiva e cultural do colégio.

Nas quadras de futebol de salão, hoje futsal, era destaque e referência. Atacante rápido, com dribles curtos e desconcertantes, chute forte e com trajeto definido. Tornou-se logo ídolo e projetou-se para o futebol de campo. Defendeu vários clubes da nossa cidade, principalmente a sociedade esportiva Sousa, tornando-se o seu principal goleador. O seu lado de craque de futebol, porém, jamais ofuscou a sua atração pelas letras, outra paixão onde transita com reconhecimento. Leitor voraz, contista, poeta, ensaísta, escreveu o cotidiano de sua terra e sua gente.

Robson poderia ter se consagrado fora de Sousa e da Paraíba, naquilo que fazia com perfeição, jogar futebol e escrever. Todavia o seu amor a terra jamais permitiu ousar, criar asas e voar em outros espaços. Robson é arraigado às raízes do solo onde nasceu, para ele, o importante é Sousa e seu povo. 

Como pensava Fernando Pessoa, que dizia: "O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”.

Robson é assim, o que não é Sousa, não existe ou não tem importância, ele teve o mundo a seus pés e mãos, contudo, deu uma guinada em sua vida.
   
Nos idos de 1970, seguiu o Padre antropólogo, arqueólogo e paleontólogo italiano, Guiseppe Leonardi, nas suas pesquisas sobre a vida dos dinossauros na terra e em especial na Jangada e em todo o Vale do Rio do Peixe.
 
Como discípulo fiel, praticamente abandonou os amigos, a família, a vida, para dedicar-se exclusivamente à pesquisa. Procurou indícios e provas que demonstrassem a presença de várias famílias e espécies de dinossauros na Bacia do Rio do Peixe. Escavou em terras da Serra do Pimenta, da Ilha e leito do rio e de seus afluentes. Encontrava pegadas e sinais e catalogava-os como se fosse reescrever a História da Terra e da Humanidade.
 
O zelo e a sua dedicação a esta causa, fizeram-no símbolo do Vale dos Dinossauros, o reconhecimento veio em forma de vários artigos, escritos por jornalistas e intelectuais a seu respeito. Depois, muito depois, veio a edificação do Vale Dos Dinossauros, às margens da Rodovia Sousa/Uiraúna, projeto este que transformou nossa cidade num centro de turismo científico, que em breve sediara o Museu de Paleontologia. E Robson, onde estava? LÁ, orientando, ajudando com sua cultura sobre o período jurássico, arquitetando fórmulas e montando réplicas, enfim, participando de maneira inigualável da formatação do hoje, Vale dos Dinossauros.

Sousa passou a ser conhecida como a cidade dos dinossauros, a cidade Sorriso, passou a usar nomes desconhecidos até então por sua gente, Troodom, nome de requintado hotel, Pousada dos Dinossauros, também é hotel. Dino é motel, Casa de shows Rockssauro e papelaria é Papirossauro. Toda esta historia começou com o italiano Leonardi e com o sertanejo Robson Marques. E o que fizeram com a abnegação, trabalho e a história de Robson? Agora que o projeto deu certo, o Museu de Paleontologia é só questão de tempo, afastaram-no do Projeto daqui para frente. Desrespeitaram a sua dedicação, desqualificaram seu trabalho, desconheceram seu amor, e esqueceram sua história.

Quem praticou ato tão desrespeitoso e desumano? Talvez os incompetentes, por desconhecerem Sousa e seu povo. Talvez os ignorantes, por não terem compromisso com a cultura e a ciência. talvez anônimos acovardados, escondidos atrás de siglas, Sudema, Meio ambiente, org, gov, ponto com.br.

Se não querem assumir o erro assumam a correção. Tragam Robson de volta, devolvam-lhe o que usurparam de forma cruel e abrupta. Devolvam-lhe a autoestima, o trabalho e o amor a vida. Sim, porque sem o Vale dos Dinossauros ele perde o sonho, o rumo da historia e a vontade de existir.
  
A História e o povo de Sousa vão consagrá-lo.

Neste momento o povo clama pelo retorno dele, querem a volta do ermitão do Vale, do homem que sozinho segurou com seu ideal este sitio arqueológico nos momentos que todos o abandonaram, devolvam sua casa e sua vida. “A César o que é de César, a Cristo o que é de Cristo, a Robson o que é de Robson".
 
Façam Justiça!

Dr. Reanato Benevides Gadelha 



sábado, 25 de maio de 2013

Parque é reaberto para visitação

Vale dos Dinossauros conta agora com quiosques, passarelas, mirantes de observação e a Casa do Pesquisador.
 

 
 

Divulgação / Secom-PB
Revitalização envolveu recursos da ordem de R$ 1,2 milhão, sendo R$ 900 mil patrocinados pela Petrobras
 
O Monumento Natural Vale dos Dinossauros, no município de Sousa, está pronto para receber turistas do Brasil e de outros países. Na manhã de ontem, o governador Ricardo Coutinho entregou as obras de revitalização do local, cujo projeto foi coordenado pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e envolveu recursos da ordem de R$ 1,2 milhão, sendo R$ 900 mil patrocinados pela Petrobras e o restante oriundos do Governo do Estado.

Em seu discurso durante o evento, o governador agradeceu a parceria com a Petrobras e aos que participaram do projeto de revitalização. “Agora teremos um novo panorama para o turismo no nosso Sertão. E o turismo se alimenta das diferenças, com o novo, gerando renda, emprego e fazendo com que as cidades se desenvolvam”, afirmou.
 
Com toda infraestrutura recuperada, o Vale dos Dinossauros conta agora com quiosques, passarelas, mirantes de observação e a Casa do Pesquisador. Também foram incluídos no projeto de revitalização a construção de uma lanchonete e a urbanização das áreas de circulação dos visitantes. O espaço receberá cursos de capacitação e exposições sobre arqueologia e preservação ambiental.
 
O museu foi reformado, foram instalados climatizadores e também foi realizada a reestruturação do espaço de exposições, auditório, escritórios e banheiros. A iluminação foi projetada sobre trilhos e com diferentes tipos de lâmpadas para se adequar ao tipo de exposição feita no local. Som ambiente e monitores com vídeos vão guiar o visitante. Também foi criada uma loja para comercialização de material produzido por artistas da região.
 
“Com a reforma deste espaço, junto ao desenvolvimento do Centro de Convenções na capital e a renovação das rodovias, podemos ter em João Pessoa a porta de entrada para os destinos no interior do estado”, comentou o governador Ricardo Coutinho.
 
O valor cultural e a preservação de um bem que é patrimônio da humanidade foram os fatores que levaram a Petrobrás a ser parceira do projeto do monumento ambiental. De acordo com o gerente regional da Unidade Operacional Rio Grande do Norte/Ceará da empresa, Luis Ferradans, o incentivo faz parte dos programas de responsabilidade social e preservação ambiental desenvolvidos pela companhia. “A reinauguração é um ponto para preservação em si e uma forma de movimentar e incentivar as pessoas a conhecer este sítio arqueológico único no Brasil. E é por isto que nos associamos com o Governo do Estado neste projeto”, destacou Ferradans.
 
ACESSO DOS VISITANTES É CONTROLADO
O Monumento Natural Vale dos Dinossauros surgiu da desapropriação do Sítio Paleontológico Passagem de Pedras, realizada no ano de 1992, e foi transformada em Unidade de Conservação de Proteção Integral (UCPI) pelo Governo do Estado em 2002. Por se tratar de uma UCPI, o local tem o acesso de visitantes controlado, além de ser proibida a exploração da mata nativa e instalação de moradias.
 
Com uma área de 40 hectares, o local é categorizado como Monumento Natural pela singularidade do patrimônio paleontológico que conserva. Na área da UCPI são encontrados vestígios (pegadas) de, pelo menos, quatro espécies de dinossauros que habitaram a região da bacia sedimentar de Sousa no período do Cretáceo Inferior, há cerca de 165 milhões de anos. A área do Vale é ainda maior, engloba quatro municípios da região, onde são catalogados mais de 20 sítios paleontológicos com a presença de icnofósseis, como as famosas pegadas, e árvores fossilizadas.
 
O Conselho Gestor do Monumento Natural Vale dos Dinossauros será reativado para ser a ferramenta de gestão de uma Unidade de Conservação. O Conselho é responsável por todas as ações administrativas da Unidade e deve, até a data de reabertura, formalizar os dias e horários de funcionamento do Museu e de recepção dos visitantes no Monumento.
 

Vale dos Dinossauros é reaberto em Sousa, no Sertão da Paraíba


24/05/2013 16h12 - Atualizado em 25/05/2013 00h15 

Ponto turístico passou por reformas no valor de R$ 1,3 milhão.
Local abriga pegadas de dinossauros e fósseis do perído Cretáceo inferior.
 
Do G1 PB
 
 


O Vale dos Dinossauros, principal ponto turístico da cidade de Sousa no Sertão paraibano, foi reaberto na manhã desta sexta-feira (24). O local foi reaberto a visitas após reformas feitas pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), órgão do Governo da Paraíba, com patrocínio da Petrobrás. O custo total do projeto é de R$ 1,3 milhão, sendo R$ 900 mil patrocinado pela Petrobras.
 
De acordo com a Sudema, as obras para a implantação do projeto incluíram a reforma do museu, com a climatização do local, reestruturação do espaço de exposições, auditório, escritórios e banheiros, urbanização da área externa, com delimitação das vagas de estacionamento, além do calçamento das trilhas e reforma das passarelas e mirantes, de acordo com as normas de acessibilidade.
  
A área que fica a cerca de 7 km do Centro de Sousa, abriga trilhas de pegadas de dinossauros e uma grande reserva técnica de pedaços fossilizados. A sede do monumento é o Sítio Passagem de Pedras, que possui uma área delimitada de 40 hectares, onde se apresentam fósseis pertencentes à época do período Cretáceo inferior, datados de cerca de 130 milhões de anos atrás.
 
O local foi transformado em Unidade de Conservação de Proteção Integral em 2002. Ainda de acordo com o governo da Paraíba, serão oferecidos cursos de capacitação aos moradores de Sousa e municípios vizinhos, em consonância com o trabalho desenvolvido na Unidade de Conservação.
 
Vale dos Dinossauros, em Sousa no Sertão da Paraíba, foi reaberto após reformas (Foto: Beto Silva/TV Paraíba)
Vale dos Dinossauros, em Sousa no Sertão da Paraíba, foi reaberto
após reformas (Foto: Beto Silva/TV Paraíba)
  


terça-feira, 21 de maio de 2013

Revitalização do Vale dos Dinossauros é concluída e preserva sítio arqueológico


Secom/PB
 
Revitalização do Vale dos Dinossauros é concluída e preserva sítio arqueológicoImagem da Secom/PB


Turistas e pesquisadores de todo o mundo poderão retornar em breve à cidade de Sousa, no alto sertão paraibano, para observar as famosas pegadas dos dinossauros. Coordenada pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) a revitalização do Monumento Natural Vale dos Dinossauros está concluída. As reformas estão orçadas em R$ 1,2 milhão, com verbas do Governo do Estado e patrocínio da Petrobras.
 
Toda a infraestrutura do local foi recuperada, incluindo o museu, quiosques, passarelas, mirantes de observação e a Casa do Pesquisador. Também foram incluídos no projeto a construção de uma lanchonete, a urbanização das áreas de circulação dos visitantes e a contratação de dois consultores para reformular a exposição permanente que é apresentada no prédio principal.
 
A reforma do museu incluiu a instalação de climatizadores e a reestruturação do espaço de exposições, auditório, escritórios e banheiros. A iluminação foi projetada sobre trilhos e com diferentes tipos de lâmpadas para se adequar ao que estiver sendo apresentado no local. Som ambiente e monitores com vídeos vão guiar o visitante. Também foi criada uma loja para comercialização de material produzido por artistas da região.
 
Todo o projeto de revitalização segue as normas de acessibilidade. Na área externa, a adaptação do local incluiu a implantação de vagas exclusivas, rampas nas calçadas e substituição da pavimentação do acesso aos mirantes de observação.
 
A Casa de Fazenda foi completamente reformada para servir de apoio aos pesquisadores. A Casa do Pesquisador agora conta com a estrutura necessária para que pessoas de todo o mundo possam visitar a região, estudar as pegadas ou, até mesmo, encontrar novos vestígios na região.
 
Vale dos Dinossauros
O Monumento Natural Vale dos Dinossauros surgiu da desapropriação do Sítio Passagem de Pedras, realizada no ano de 1992, e foi transformada em Unidade de Conservação de Proteção Integral (UCPI) pelo Governo do Estado em 2002. O local tem o acesso de visitantes controlado, além ser proibida a exploração da mata nativa e instalação de moradias.No local é possível observar as pegadas de, pelo menos, quarto espécies de dinossauros que habitaram a região há cerca de 165 milhões de anos.


 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Novas pegadas de dinossauros são descobertas em Sousa

27 de janeiro de 2013, 09:00


Um vídeo cedido cinegrafista amador, Lucivaldo M. da Silva, que teve a narrativa do senhor Francisco Ventura, conhecido popularmente como “Chico Ventura”, mostra com detalhes e riqueza várias trilhas de espécies de dinossauros em uma fazenda localizada a 6 quilômetros da cidade de Sousa.

Conforme informações, várias pessoas tinham conhecimento da existência das pegadas naquela localidade, mas até o momento os rastros s não foram explorados por especialistas, podendo assim desaparecer devido à erosão que ao longo do tempo vem castigando essa relíquia histórica.

“Chico Ventura” revelou que na década de 1970 trabalhava como motorista e sempre passava pelo local, que era conhecido pelos moradores como pegadas de boi. Só alguns anos depois, as trilhas foram fotografadas, e logo ficou constatado que os rastros realmente se tratavam de pegadas de dinossauros, mas ficaram no anonimato.
 
Preocupados com o possível desparecimento das trilhas o cinegrafista amador Lucivaldo, juntamente com “Chico Ventura” e amigos, resolveram fazer um vídeo para ser exposto na imprensa com a intenção de chamar atenção das autoridades competentes e consequentemente tentar salvar aquele patrimônio.

Conforme informações de Lucivaldo o lugar é de difícil acesso, além de ser proibida a entrada de pessoas estranhas.

VEJA O VÍDEO


Fonte


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Obras destroem pegadas no Vale dos Dinossauros; TRF-5 determina paralisação

20/07/12 - 12:15 - Atualizado em 20/07/12 - 12:19
 
Obras serão suspensas até que sejam cumpridas as formalidades impostas pelo Iphan
 
 
Obras de implantação e pavimentação das rodovias BR-426 e BR-434 estão destruindo sítios pré-históricos e até pegadas de dinossauros dos bens arqueológicos e paleontológicos em toda a bacia do Rio do Peixe, região conhecida como Vale dos Dinossauros, localizada no sertão do estado. Está constatação foi feita pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) que junto com o Ministério Público Federal entrou na Justiça para paralisar as obras e conseguiram uma liminar para interromper os trabalhos.

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) aceitou recurso do Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba e determinou a paralisação imediata das obras de implantação e pavimentação das rodovias BR-426 e BR-434, até que sejam cumpridas as formalidades previstas pelo Ipahn.

Em março de 2012, o MPF havia ajuizado ação contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Superintendência de Administração do Meio Ambiente na Paraíba (Sudema), para evitar que continuassem depredando o patrimônio cultural paleontológico daquela região. A Sudema, mesmo sendo órgão responsável pela manutenção do Monumento Natural Vale dos Dinossauros, emitiu licenças ambientais sem previsão específica de estudos de prospecção arqueológica. Já o Dnit, apesar de ter sido notificado diversas vezes pelo Iphan, continuou todas as obras embargadas, tendo, inclusive, concluído a BR-405.

Na Ação Civil Pública nº 0000423-93.2012.4.05.8202, o MPF pedia em caráter de urgência (liminar), que a Justiça determinasse ao Dnit a paralisação imediata de todas as obras até que fossem realizados estudos para identificar e salvar sítios arqueológicos existentes, condicionando o retorno das obras à autorização do Iphan. No entanto, o juiz de primeiro grau não concedeu a liminar requerida e as obras continuaram, o que levou o MPF a recorrer ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, obtendo vitória.

No recurso, o Ministério Público Federal insistiu que é urgente a paralisação imediata de todas as obras civis de implantação e pavimentação das rodovias BR-426 e BR-425. Ressaltou que as obras da BR 405 já haviam causado danos irreversíveis ao patrimônio paleontológico, com destruição de 2,5 quilômetros de cercas de rochas riquíssimas em materiais paleontológicos, algumas delas com registros de pegadas de dinossauros.

O MPF ainda enfatizou que a arqueóloga, contratada pelo próprio Dnit para diagnosticar a área das obras das rodovias, havia constatado os danos já sofridos pelo patrimônio arqueológico e alertado para a necessidade de monitoramento urgente sobre as obras, “porque outros bens, eventualmente não diagnosticados, podem vir a sofrer danos com o avanço do empreendimento”. A arqueóloga encontrou, pelo menos, seis sítios arqueológicos no trecho de 18 quilômetros de extensão da BR-434.

Apesar do alerta e dos insistentes apelos do Iphan para que as obras somente continuassem com a presença de arqueólogo e paleontólogo para assegurar a proteção aos bens históricos, eventualmente localizados, o Dnit, de forma irresponsável, prosseguiu os serviços com intenso revolvimento de solo e subsolo, mesmo nos locais onde foi apontada a presença de sítios arqueológicos pela profissional contratada pelo órgão.

Para o Ministério Público Federal, esse é o prenúncio do que ocorrerá com a riqueza paleontológica e arqueológica situada na região afetada pelas obras das rodovias BR-426 e BR-434. “Se não foi possível resguardar os bens culturais irreversivelmente prejudicados pelas obras da BR-405, já finalizadas pelo Dnit, ainda é possível minimizar os impactos decorrentes da implementação das rodovias BR-426 e BR-434 antes que o mesmo ocorra com o material arqueológico ou paleontológico presente em seu entorno”, argumentou o MPF no recurso e obteve a decisão favorável do desembargador Walter Nunes da Silva, no TRF-5.



terça-feira, 5 de junho de 2012

Vale dos Dinossauros só deve ser reaberto no mês de dezembro

Reforma está orçada em mais de R$ 1 milhão e irá beneficiar o Vale, que é um dos principais destinos turísticos da Paraíba.

 

Devido às reformas que se iniciaram no mês passado no Vale dos Dinossauros, em Sousa, Sertão do Estado, o local só deve voltar a receber as visitas de turistas, estudantes e pesquisadores apenas no mês de dezembro. Como a reforma está concentrada na revitalização do museu, dos quiosques, casa de apoio ao pesquisador e principalmente nas passarelas que dão acesso a pegadas dos animais pré-históricos, só está permitido acesso aos trabalhadores responsáveis por revitalizar o parque.

De acordo com o diretor do Vale, Nildemar Dantas, não há como os visitantes terem acesso às pegadas pela impossibilidade de trânsito através das passarelas. “No momento não tem como transitar no local que está sendo totalmente reformado. As passarelas foram retiradas impedindo que as pessoas cheguem perto das pegadas. Só haverá a possibilidade de visitas após essas obras que só devem ser encerradas no final de 2012”, confirmou o administrador do local.

Alçada em mais de R$ 1 milhão, a obra irá beneficiar o Vale, que é um dos principais destinos turísticos da Paraíba, sendo que cerca de R$ 650 mil serão investidos apenas para a recuperação do museu. “Além da construção de novas passarelas, réplicas dos dinossauros e a parte de estrutura necessária para atender o público, o museu será totalmente recuperado. Acredito que tudo será entregue dentro do prazo e que este ano ainda nós possamos voltar a receber estudantes, pesquisadores e visitantes de modo geral”, projetou Nildemar.


 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Vale dos Dinossauros é o ponto turístico

Com uma área total de 700 km², o Vale dos Dinossauros guarda registros de pegadas fossilizadas e recebe turistas do mundo inteiro.

  
É no município de Sousa que está localizado um dos mais (ou talvez o mais) impressionantes patrimônios histórico da Paraíba e do Brasil. O Vale dos Dinossauros é o principal ponto turístico da cidade e recebe visitas de pessoas do mundo inteiro. Com uma área total de 700 km², o Vale guarda registros de pegadas fossilizadas de mais de 50 espécies de dinossauros, datadas entre 120 e 60 milhões de anos.

Segundo o coordenador de Estudos Ambientais da Sudema, Jerônimo Villas-Boas, um projeto de revitalização está sendo implantado pelo Governo da Paraíba. 

A Superintendência de Obras do Estado (Suplan) é responsável pelas obras e toda infraestrutura do Vale. Um processo de licitação para obras está em curso e a previsão é que os serviços tenham início no mês de maio.


 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Vale dos Dinossauros: MPF ajuíza ação contra Dnit e Sudema

15/03/2012 - 16h45

Obras de construção das BRs 405-PB, 426-PB e 434-PB, feitas pelo Dnit, já impactaram diversos locais de preservação, tendo até mesmo destruído um sítio pré-histórico. 
 
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, no dia 8 de março de 2012, ação civil pública, com pedido de liminar, contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Superintendência de Administração do Meio Ambiente do Estado da Paraíba (Sudema), em defesa do patrimônio cultural, paleontológico e científico, formado pelo conjunto dos sítios paleontológicos da Bacia do Rio do Peixe, localizada no sertão da Paraíba.
 
O objetivo da ação, é evitar a continuidade da depredação realizada pelo Dnit contra o patrimônio cultural paleontológico daquela região, bem como responsabilizar, tanto o Dnit quanto a Sudema, pelos danos já causados durante as obras de construção das rodovias BRs 405-PB, 426-PB e 434-PB.
 
Segundo foi apurado, as obras das referidas BRs impactaram diversos locais de preservação, tendo até mesmo destruído um sítio pré-histórico. Foram utilizados explosivos para alargamento do leito existente, maquinário pesado, terraplenagem, sem qualquer espécie de estudos prévios de prospecção arqueológica e paleontológica, e muito menos trabalhos de salvamento. Achados paleontológicos destruídos foram localizados inclusive em “bota-fora” - restos das obras acumulados ao lado das estradas, após concluídas.
 
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) chegou a notificar o Dnit para que paralisasse imediatamente as intervenções físicas na área do Vale dos Dinossauros, por ausência de autorização do órgão competente, bem como explicasse, por escrito, a destruição da área com potencial arqueológico e paleontológico, considerando a existência, na área da obra, desses bens protegidos pela legislação. No entanto, nada foi providenciado pelo Dnit, que deu prosseguimento à devastação até a conclusão final da BR 405-PB.
 
Pegadas destruídas - Em inspeção no Vale dos Dinossauros, técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), verificaram que cercas de placas de rocha centenárias, usadas pela população rural para delimitação de propriedades, nas quais foram identificados grande número de evidências palentológicas, foram completamente destruídas pelas obras da BR 405-PB. Apenas nas obras de implantação dessa rodovia, no município de São João do Rio do Peixe, foram destruídos aproximadamente 2,5 km de cercas de placas de rocha.
 
Para o MPF, o poder público federal deveria ser o primeiro a zelar pelos seus próprios bens e propiciar, por todos seus órgãos, sejam da administração direta ou indireta, a proteção, o zelo e o cuidado com este importante patrimônio. “A participação da Sudema nestes empreendimentos, com a emissão de licenças ambientais sem previsão específica de estudos de prospecção arqueológica, surpreende, pois não só o órgão mantém o Monumento Natural do Vale dos Dinossauros, como não desconhece a existência e a importância dos demais sítios paleontológicos do Vale do Rio do Peixe, muitos dos quais, como o sítio Cabra Assada, destruídos pela estrada que ela própria licenciou.”
 
Liminar - O Ministério Público Federal pede, em caráter de urgência, que a Justiça determine ao Dnit a paralisação imediata de todas as obras civis nos trechos mencionados na ação, abstendo-se de dar-lhes continuidade até que realizados os estudos arqueológicos necessários, sejam identificados, preservados ou salvos os sítios arqueológicos existentes, condicionando o retorno das obras à autorização do Iphan.
Também pede-se que o Dnit abstenha-se de dar início a qualquer obra de engenharia em toda a região da Bacia do Rio do Peixe, sem a contratação prévia de equipe de arqueologia, e sem que os estudos destas estejam concluídos, e realizado o salvamento de todos os sítios identificados na área de impacto das obras.
 
Pedido principal - O MPF pede que a ação seja julgada procedente, para que, mantidas as disposições do pedido liminar, sejam o Dnit e a Sudema condenados solidariamente ao pagamento de indenização pelos danos causados, no valor de R$ 10 milhões, considerada a gravidade dos fatos e a irreversibilidade da destruição já causada. Esse valor deverá ser integralmente revertido para projetos ou estudos de identificação, delimitação, proteção e salvamento de todos os sítios arqueológicos localizados na Bacia do Vale do Rio do Peixe.
 
Área tombada: A área de 700 km², trata-se de um dos mais importantes acervos paleontológicos do Brasil, que ainda padece de falta de estudos, mapeamento e proteção. É composta não só pelo conhecido Monumento Natural do Vale dos Dinossauros, mas por diversos outros sítios, abrange cerca de trinta localidades da região, tais como os municípios de Sousa, Aparecida, Pombal, Uiraúna, Vieirópolis e São João do Rio do Peixe.
 
Vale ressaltar que a área é objeto do Processo de Tombamento nº 1.576-T-09, aberto no Iphan, o que a coloca imediatamente sob a tutela da autarquia, nos termos do Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937.


 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sítio paleontológico na Paraíba deve receber projeto de revitalização

28/01/2012 13h12 - Atualizado em 28/01/2012 15h10

Vale dos Dinossauros de Sousa, no Sertão, terá estrutura reformada.
Convênio entre governo e Petrobras prevê investimento de R$ 1,2 milhão.

Do G1 PB
 
Vale dos Dinossauros, em Sousa (PB), vai ganhar melhorias após convênio do governo estadual com a Petrobras (Foto: Francisco França/Secom-PB)
Visitantes do parque podem conhecer
pegadas de dinossauros (Foto: Francisco
França/Secom-PB)
O Parque Vale dos Dinossauros, localizado no município de Sousa, no Sertão paraibano, receberá um projeto de revitalização no valor de R$ 1,2 milhão. Conhecido como um dos sítios paleontológicos com a maior incidência de pegadas de dinossauros da América do Sul, a unidade paraibana de conservação deve iniciar suas obras de restauração assim que o processo licitatório for concluído.

A notícia foi dada pelo governador Ricardo Coutinho, que apresentou o projeto em convênio com a Petrobras, durante solenidade na sexta-feira (27).

Com foco na expansão do turismo no interior do estado, estão previstas melhorias na área de urbanização e estacionamento do parque, incluindo acessos para portadores de deficiência. Ainda foram programadas reforma do auditório, construção de novas passarelas, reconstrução de quiosques, reforma do museu, recuperação da casa de apoio ao pesquisador e a implantação de sete réplicas de dinossauros.

"Quem tem algo assim não pode ignorar, por isso articulamos esforços para explorar o parque de forma sustentável, da melhor maneira possível”, declarou o governador, destacando o Vale dos Dinossauros como patrimônio nacional. Para o prefeito de Sousa, Fábio Tyrone, o sítio que já recebe dois mil turistas por mês, com a infraestrutura atual, deve multiplicar o número de visitantes. “A expectativa é que o vale se transforme em nosso parque dos dinossauros”, adiantou o prefeito.

A verba do convênio destinada para a revitalização do sítio, antes projetada para investir 40% em infraestrutura e 60% para capacitação de pessoal, inverteu sua prioridade inicial. Porém, pelo menos 25% do montante total continua mantido para aplicação na área social, destinado à capacitação para a população nas áreas de paleontologia e identificação de pegadas de dinossauros, além de cursos de artesanato para a produção de artigos relacionados ao tema dinossauros.

Vale do Dinossauro, em Sousa (PB), vai ganhar melhorias após convênio do governo estadual com a Petrobras (Foto: Francisco França/Secom-PB)
Projeto prevê instalação de mais quatro réplicas de dinossauros
(Foto: Francisco França/Secom-PB)
 Fonte

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Governador anuncia projeto para revitalizar Vale dos Dinossauros

Economia,
sexta-feira, 27/01/2012

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, apresenta, hoje, no Centro de Treinamento de Professores da Secretaria de Educação de Sousa, o projeto de revitalização do Monumento Natural Vale dos Dinossauros, em Sousa. O projeto vai receber R$ 900 mil da Petrobras e um investimento de R$ 202 mil do Governo do Estado.

Coordenado pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), por meio de convênio celebrado com a Petrobras, o projeto pretende revitalizar a unidade de conservação que abriga uma das mais significativas amostras de pegadas fossilizadas de dinossauros de todo o planeta.

Em dezembro de 2011, a superintendente da Sudema, Tatiana Domiciano, e o diretor regional da Petrobras, Luiz Ferradanf Mato, assinaram o aditivo do projeto, que engloba algumas adequações propostas pelo Governo, no sentido de aplicar a maior parte dos recursos para a reforma de infraestrutura do parque, tendo em vista o alto grau de deterioração do espaço construído, mas mantendo parte da verba na promoção de desenvolvimento social da região de Sousa.

As principais intervenções se aplicarão na revitalização do museu, das passarelas, dos quiosques e da casa de apoio ao pesquisador, devolvendo dignidade a um dos maiores patrimônios do Brasil. O projeto arquitetônico contempla todas as diretrizes de acessibilidade aos portadores de necessidades especiais.

Em sua vertente social, o projeto promoverá diversos cursos de capacitação para os moradores da região, abordando atividades direta ou indiretamente relacionadas com a unidade de conservação, gerando oportunidades de trabalho e renda, além da qualificação dos serviços oferecidos no Vale.

Os cursos serão destinados a alunos da rede pública de ensino do município, abordando temas como paleontologia, educação ambiental e patrimonial, arte culinária, fotografia, serigrafia, artesanato em cerâmica e em fibra de bananeira, e confecção de réplicas de dinossauros, com a ajuda dos artesãos locais.

Histórico
Em 27 de dezembro de 2002, o sítio paleontológico Passagem de Pedras, no município de Sousa, foi transformado em Monumento Natural pelo Decreto Estadual nº 23.832. Inserido na bacia sedimentar do Rio do Peixe, o Monumento Natural do Vale dos Dinossauros preserva seu maior patrimônio, que são as pegadas fossilizadas de dinossauros, conhecidas como icnofósseis. A mais notória é a do dinossauro iguanodonte, espécie que habitou o sertão há 130 milhões de anos.

Fonte