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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Rio na Paraíba muda de cor após receber água poluída, diz pescador

24/11/2015 16h10 - Atualizado em 24/11/2015 17h36 
 
Água tinha coloração azul e cheiro de veneno, segundo pescador.
Sudema diz que monitora bacia.
 
André Resende Do G1 PB


Rio Gramame, que naturalmente tem uma cor mais barrenta, apresentou no domingo um tingimento azul (Foto: Sérgio Santos/Arquivo Pessoal)
Rio Gramame, que naturalmente tem uma cor mais barrenta, apresentou no domingo
um tingimento azul (Foto: Sérgio Santos/Arquivo Pessoal)

As águas do Rio Gramame, na divisa de João Pessoa com a cidade do Conde, estão tingidas com uma substância azul. A denúncia da contaminação da água do rio foi feita pelo pescador Sérgio Santos no domingo (22), por meio do seu perfil em uma rede social. O pescador fez  fotos e vídeos mostrando o rio com uma coloração diferente e publicou no seu perfil em uma rede social. Até esta terça-feira (24), as fotos tinham sido compartilhadas mais de 22 mil vezes.

De acordo com Sérgio Santos, á água azulada é despejada por um canal, que, segundo ele, é proveniente de uma das empresas instaladas no Distrito Industrial de João Pessoa. “Além da cor, muito diferente da cor natural do rio, a água tem um cheiro muito forte de veneno. Os peixes já morreram há muito tempo, mas dessa vez até os camarões, que são mais fortes, não aguentaram a poluição”, lamentou o pescador, de 31 anos.
Por conta dos problemas ambientais encontrados no Rio Gramame, um Fórum Permanente de Proteção do Gramame foi formalizado nesta terça-feira (24). Entre os órgãos que constituem o fórum estão o Ministério Público Federal, o Ministério Público da Paraíba, o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Secretaria de Meio Ambiente do Município de João Pessoa (Semam), a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
 
As ONGs que lutam pela preservação da bacia do Gramame, como a Escola Viva Olho do Tempo (Evot), também integram o Fórum, assim como as indústrias têxteis, instaladas nas proximidades do Rio Gramame, que devem colaborar com as ações propostas no fórum. De acordo com Maria Bernadete Gonçalves, presidente da Evot, ficou acordado com a UFPB uma análise da qualidade da água do Gramame e, a partir do relatório da pesquisa, serão definidas novas ações.
 
A proposta para o diagnóstico e monitoramento ambiental das bacias dos rios Gramame e Abiaí vai custar cerca de R$ 654 mil, no sentido de criar uma base de dados sobre os principais problemas que estão interferindo na qualidade da água que abastece a Grande João Pessoa. A execução do projeto começa a partir de janeiro de 2016.
  
Água com cheiro forte e coloração foi flagrada por pescador sendo despejada no Rio Gramame (Foto: Sérgio Santos/Arquivo Pessoal)
Água com cheiro forte e coloração foi flagrada por
pescador sendo despejada no Rio Gramame
(Foto: Sérgio Santos/Arquivo Pessoal)
O presidente da Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (Apan), Augusto Almeida, comentou que uma iniciativa semelhante foi feita em meados de 2005, durante uma reunião promovida pelo Ministério Público com os pescadores do Gramame, representantes das empresas têxteis da área e professores da UFPB.
 
“Na época, os pesquisadores da UFPB encontraram um nível de contaminação altíssimo na água, com presença até de metais pesados. Apesar do relatório, nada foi feito na época pelos poderes públicos e agora, dez anos depois, nos deparamos com a mesma situação”, comentou. 
 
Ainda de acordo com Augusto Almeida, a associação deve se reunir com os demais movimentos ligados à defesa e preservação do Rio Gramame para propor uma Ação Civil Pública ao Ministério Público da Paraíba.
 
Durante a criação do Fórum Permanente de Proteção do Rio Gramame, foi assinado um termo de cooperação técnica entre as instituições com o objetivo de realizar um diagnóstico ambiental das Bacias dos Rios Gramame e Abiaí, duas das quais abastecem a região metropolitana de João Pessoa.
 
Até que seja tomada alguma providência por parte dos órgãos competentes, Sérgio Santos vai continuar sem poder utilizar o Rio Gramame para pescar, como ele costumava fazer desde pequeno, quando tinha cinco anos e ajudava sua mãe com o trabalho de pesca. “Eu me criei no rio. Cresci pescando no Gramame. A gente vivia do rio, mas hoje não tem mais como pescar. A quantidade de camarão no inverno de antes dava para a gente passar cinco, seis meses. A pesca de peixe vem de um rio perto daqui, que continua limpo ainda, mas não sabemos até quando, porque uma indústria de cimento se instalou perto. Não sabemos até quando teremos esse rio também”, concluiu.
 
A Coordenadoria de Medições Ambientais (CMA) da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) enviou uma equipe de fiscalização ao local na segunda-feira (23). "Essa região do Gramame já tem todo um histórico de monitoramento e se mantém dentro da legislação que atende ao enquadramento do rio”, declarou o coordenador João Miranda.




segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Paraibana cria sistema de consumo sustentável da água em casa

30/08/2015 08h57 - Atualizado em 31/08/2015 07h05 

Casa foi projetada para evitar desperdícios e consumo consciente da água.
Sistema reaproveita água de esgoto e da chuva.
 
Do G1 PB


Telhado vivo faz parte do sistema sustentável da casa da engeneira (Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Telhado vivo faz parte do sistema sustentável da casa da engenheira (Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Preocupada com o consumo desenfreado de água potável disponível no planeta, a engenheira civil Claudiana Maria sentiu a necessidade de contribuir para a solução desse problema. A solução, segundo ela, foi projetar e instalar na sua residência, em João Pessoa, um sistema sustentável de reaproveitamento de água. A engenheira é doutora em sustentabilidade e garante: "Fiz isto por consciência ambiental, por amor à natureza"
 
A casa de Claudiana é abastecida por água de poço artesiano e utiliza dispositivos próprios de consumo consciente da água, além de um 'telhado vivo', com terra e plantas para receber a água da chuva. Ela faz também reaproveitamento da água do esgoto.
 
Segundo a proprietária da casa, que além de engenheira civil também é professora de instalações hidro sanitárias do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), o sistema sustentável da sua casa começou a ser instalada no ano de 2011, período em que estudava sobre o tema.

“Durante o doutorado, decidi contribuir para a sustentabilidade do planeta, pois se a água é vida e esta está comprometida pela sua quantidade reduzida decorrente do consumo desenfreado e pela ausência de conhecimento, não podia ficar inerte a tudo isso”, comentou ela.

A dona da casa sustentável conta que, por abastecer sua casa com água de poço artesiano para uso doméstico, não paga conta de água para a concessionária de João Pessoa. Entretanto, disse estar ainda mais cuidadosa com o consumo pois considera grande a responsabilidade com o uso dessa água proveniente de uma bacia hidrográfica, por ser de todos.

Área molhada (Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Área molhada projetada para evitar desperdícios
(Foto: Claudiana Maria/Arquivo pessoal)
Casa sustentável
A casa foi projetada preventivamente para redução do consumo de água, manutenção das instalações e custos da obra, segundo a própria dona. "Por exemplo, a área molhada: banheiro possui os seus dispositivos higiênicos e aparelhos sanitários (vaso sanitário, chuveiro e lavatórios) dispostos de tal forma que o seu funcionamento é independente. Esse sistema possibilita que três pessoas possam utilizá-los ao mesmo tempo”, relatou.

De acordo com Claudiana, com esse sistema a área molhada pode ter também múltiplas funções: lavabo, banheiro social, suíte e de serviço a partir do seu acesso específico. “Dessa forma, não há necessidade de tantos aparelhos sanitários que não sendo utilizados podem gerar vazamentos e manutenções constantes”, conta.

Ela disse que em sua casa também é possível encontrar dispositivos de redução de água, como por exemplo, para o uso da caixa de descarga com duplo acionamento, torneira com abertura de 1/4 de volta e redutor de vazão (arejador). Há também o reaproveitamento da água do esgoto que é tratado e alimenta as bananeiras do jardim. O objetivo do projeto arquitetônico é evitar a poluição pelos resíduos gerados pela casa.
 
Telhado vivo
A sustentabilidade está por todos os lados casa, inclusive no teto. A dona da residência explicou que teve a ideia de manter um 'telhado vivo', que é um sistema com terra e plantas que recebem a água da chuva. O excesso é coletado para molhar o jardim e as árvores que estão no terreno, um jacarandá mimoso, abacateiro, goiabeira e um pé de jenipapo.
 
 
Fonte
 
 
 

sábado, 8 de agosto de 2015

Campanha em prol da preservação do Pico do Jabre promete agilizar processo de implantação do parque

07 de agosto de 2015, 22:32


A campanha de preservação em favor do Pico do Jabre, localizado próximo ao Município de Maturéia-PB, está a cada dia tomando corpo e mobilizando diversos poderes em prol dessa causa.
 
O Pastor John Philip Medcraft, um dos defensores da ideia, disse que o processo para criação do Parque Pico do Jabre está indo bem.
 
“Já tivemos três visitas, duas da SUDEMA de Patos e uma de uma comitiva muito grande vinda de João Pessoa, o governador realmente está mobilizando seu pessoal para buscar os proprietários das antenas instaladas lá no topo do pico e, além disso, está havendo uma conscientização do problema e consequentemente uma união do povo, inclusive resultando em mais de quinze mil assinaturas no abaixo assinado. Também temos o pessoal da universidade e do governo municipal engajados nisso. Nós queremos que a Unidade de Conservação Parque Pico do Jabre saia do papel para a realidade”, explicou.
 
Segundo a professora da UFCG, Maria do Carmo, a flora do Pico do Jabre não está incluída na Caatinga, mas dentro dos domínios da Mata Atlântica.
 
“Nosso trabalho mostrou a singularidade da flora daquela região, espécies que ocorrem quando comparamos com outras matas de altitude, com outras florestas de altitude da região nordeste. E detectamos também que existem algumas áreas onde a flora está sendo modificada pela ação humana. A degradação tem diminuído a riqueza de algumas áreas. Isso mostra que aquela área precisa ser preservada. A riqueza de espécies arbóreas que temos estudado mostra que a riqueza é muito maior em números de espécies”, afirmou.
 
 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

APAN aprova o licenciamento da Barragem de Cupissura com desmatamento de mais de 120 ha de Mata Atlântica

A Barragem de Cupissura é mais uma obra hídrica do Estado da Paraíba

Na 88ª Reunião Extraordinária do Conselho de Proteção Ambiental - COPAM do Estado da Paraíba, realizada no último dia 2 de outubro de 2014, foi aprovada, com voto favorável do conselheiro da Associação Paraibana dos Amigos da Natureza - APAN, a renovação da Licença Prévia nº 2478/2012 - para Construção de uma Barragem de Acumulação, dita Barra Cupissura, localizada no Município de Caaporã-PB.
 
A Barragem de Cupissura é mais uma obra hídrica do Estado da Paraíba, com capacidade de acumulação de água de 9,56 milhões de metros cúbicos, que faz parte do complexo da Adutora Translitorânea, que garantirá água tratada até o ano de 2030 para os moradores dos Municípios de João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Conde, Alhandra e Caaporã.

Para a construção da Barragem de Cupissura, serão desmatados cerca de 125,3 hectares de Mata Atlântica, localizados no limites da Paraíba com Pernambuco. No levantamento florístico realizado para o Estudo de Impacto Ambiental e Respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), foram encontrado um novo registro de Bromeliaceae para o Estado da Paraíba, a Canistrum aurantiacum.

Essa espécie é rara e com poucos dados na literatura, com citação apenas em Alagoas e Pernambuco, e agora na Paraíba. Além dessa espécie, foi encontrada o jacarandá (Swartzia pickelii), que de acordo com a Instrução Normativa MMA nº 6/2008, referente à lista oficial das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, essa espécie é considera ameaçada de extinção.

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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Tribunal de Contas cobra plano de segurança para mananciais da PB


04/06/2014 16h55 - Atualizado em 04/06/2014 16h55 

Determinação da corte foi decorrente de uma auditoria operacional.
TCE apontou uma série de problemas nos reservatórios do estado.
 
Do G1 PB

Em sessão nesta quarta-feira (4), o Tribunal de Contas da Paraíba determinou que a secretaria de Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia elabore planos de segurança para os reservatórios paraibanos. A decisão da corte foi decorrente de uma auditoria operacional realizada em barragens que integram o sistema  de abastecimento do estado.

De acordo com o voto do conselheiro Fernando Catão, relator do caso, o plano deve ser feito em articulação com a Agência Nacional das Águas (ANA) e o Departamento Nacional de Obras Contra Seca (DNOCS).
Catão enumerou problemas nos reservatórios como despejo de esgotos sanitários, assoreamento de bacias em decorrência da escassa vegetação e  ainda a contaminação de água por largo uso de agrotóxicos no entorno das represas. Ele também reclamou da falta de informações sobre as outorgas concedidas a terceiros para o uso das águas.

O G1 procurou a secretaria de Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência Tecnologia, mas até a publicação dessa notícia não havia recebido o retorno do secretário.

O TCE também recomendou ao governador Ricardo Coutinho (PSB) a regularização fundiária das áreas em volta dos mananciais. E ainda que repasse os recursos financeiros e técnicos para fiscalização e proteção das áreas. O órgão também solicitou o estabelecimento de planos de cargos e carreiras da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) e da Sudema, “inclusive com a realização de concursos públicos”, segundo o voto do relator.

Também com base no voto do conselheiro Fernando Catão, o TCE emitiu alertas a 94 prefeitos a fim de que promovam a transferência de moradias localizadas, irregularmente, em volta dos reservatórios, que são áreas de preservação permanente.
 
Fonte
 
 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Vazamentos deixam três bairros de João Pessoa sem água

22/05/2014 11h36 - Atualizado em 22/05/2014 11h36

Equipes de manutenção da Cagepa foram ao local fazer o conserto.
Casos aconteceram na Torre e em Tambauzinho.
 
Do G1 PB
 
Vazamento de água deixou bairros de Tambauzinho e Expedicionários sem água em João Pessoa. (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Vazamento de água deixou bairros de Tambauzinho e Expedicionários sem
água em João Pessoa (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Um vazamento de água na Rua Professor Álvaro de Carvalho prejudicou o abastecimento dos bairros Tambauzinho e Expedicionários nesta quinta-feira (22). O vazamento é num ponto da rede que fica em frente à Delegacia de Roubos e Furtos de João Pessoa. Segundo o policial Fernando Soares, o problema durou aproximadamente 4 horas, teria começado por volta das 5h e uma equipe da Cagepa chegou por volta das 9h.
A assessoria de imprensa da Cagepa informou que para fazer o conserto do vazamento precisou fechar a rede e que por isso os bairros de Tambauzinho e Expedicionários ficaram sem água. Mas a previsão de normalização no abastecimento é ao meio-dia desta quinta.

O órgão não tem uma estimativa da quantidade de água desperdiçada, mas explicou que a rede de distribuição, onde o vazamento aconteceu, é de médio porte, com canos de 150 mm.

Ainda segundo a Cagepa, outro caso semelhante aconteceu também na manhã de hoje na Avenida Rui Barbosa, no bairro da Torre, numa rede de mesma estrutura. Uma equipe de manutenção já foi enviada ao local e a previsão de normalização do abastecimento também é por volta do meio-dia.
 
 
Fonte
 
 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Moradores reclamam do desperdício de água

Além do desperdício, a água inunda a calçada nas residências localizadas nos pontos mais baixos e pode ser risco de acidentes.


 


Francisco França
Em um percurso de aproximadamente 400 metros, há três vazamentos no sistema de tubulação de água
O fluxo de água corrente ao longo de um trecho da avenida Presidente Félix Antônio, principal via de acesso à rua do Rio, no bairro de Cruz das Armas, em João Pessoa, indica o desperdício de água potável e o descaso na infraestrutura no local. Em um dos pontos da via, em um percurso de aproximadamente 400 metros, há três vazamentos no sistema de tubulação de água. Segundo os moradores, o problema foi identificado há mais de uma semana.

 
Além do desperdício, a água que jorra das tubulações expostas inunda a calçada nas residências localizadas nos pontos mais baixos e pode ser risco de acidentes.
 
A casa de Elvis Santos é uma das mais prejudicadas com o vazamento de água. Segundo ele, há mais de 15 dias a tubulação que passa em frente ao imóvel estourou e o acúmulo de água formou uma cratera, comprometendo a estrutura do muro. “Esse buraco aí já está com mais de um metro. Meu sobrinho caiu na semana passada e quase acontece uma tragédia. Esse buraco se formou porque a Cagepa tinha consertado esse vazamento no começo do ano, mas não tinha tapado. Por isso o cano estourou novamente”, reclamou o morador.

A cerca de 70 metros a frente da casa de Elvis, há outro cano estourado, próximo a um ponto de ônibus. Com a água escorrendo no meio da rua, a pista fica escorregadia e representa perigo para pedestres e motociclistas. Morando a poucos metros desse trecho, a dona de casa Maria José Pereira conta que na semana passada o vizinho dela sofreu uma queda de moto ao trafegar na avenida.

“É um perigo essa água correndo direto aí na rua. O menino caiu da moto depois que derrapou na água. Como ele, outras pessoas quase se prejudicam”, alertou.

Em outro trecho da avenida principal da rua do Rio, a costureira Maria de Fátima dos Santos denuncia que o cano estourado em frente a uma revendedora de planos de saúde jorra água limpa desde o último sábado. Segundo ela, os moradores já ligaram para a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) para relatar o problema. No entanto, os vazamentos ainda não foram consertados.

“A Cagepa fala tanto em não desperdiçar água, só que eles mesmos estão fazendo isso. Esse cano está desse jeito desde sábado. Muita gente já ligou para reclamar e pedir para eles consertarem. Mas continua do mesmo jeito. É uma tristeza ver tanta água jogada fora”, lamentou a costureira.

A assessoria de comunicação da Cagepa informou que uma equipe de manutenção da empresa visitará ainda hoje a avenida Presidente Félix Antônio para verificar o caso.

Ainda segundo a assessoria, no último sábado foi consertado um outro vazamento que havia no local.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Complexidade da transposição foi subestimada, afirma Dilma


13/05/2014 15h03 - Atualizado em 13/05/2014 18h40

Segundo presidente, esse foi um dos fatores que motivaram atrasos.
Ela fez nesta terça vistoria a trechos da obra em estados do Nordeste.
 
Gioras Xerez e Juliana Braga  

Do G1 Ceará e do G1, em Brasília
 
A presidente Dilma Rousseff e o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS) durante visita a trecho da obra de transposição do Rio São Francisco, em Jati (CE) (Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)
A presidente Dilma Rousseff e o governador do Ceará, Cid Gomes
(PROS) durante visita a trecho da obra de transposição do
Rio São Francisco, em Jati (CE) (Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)

 
Em visita ao sertão nordestino para vistoriar as obras da transposição do Rio São Francisco, a presidente Dilma Rousseff reconheceu nesta terça-feira (13) que houve atrasos no empreendimento, mas atribuiu a demora para concluir o projeto ao fato de a complexidade da construção ter sido subestimada. Ela não especificou quem subestimou o empreendimento.

"Acho que houve também uma subestimação da obra. (...) Houve atrasos porque também acho que se superestimou muito a velocidade que poderia ter, minimizando a sua complexidade" -- Dilma Rousseff, presidente da República
 
"Acho que houve também uma subestimação da obra. Não acredito que uma obra desta, em outro lugar do mundo, leve dois anos para ser feita. Nem tampouco um ano, nem tampouco três", disse a presidente.

"É uma obra bastante sofisticada. Implica num tempo de maturação. Eu não estou negando que houve atrasos. Houve atrasos porque também acho que se superestimou muito a velocidade que poderia ter, minimizando a sua complexidade", complementou.

A construção da obra que levará água do Rio São Francisco a regiões historicamente atingidas pela estiagem começou em 2007. O projeto de transposição tem extensão total de 469 quilômetros e a estimativa é que 11,6 milhões de pessoas sejam atendidas com fornecimento de água em cidades do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

A previsão do governo federal, segundo o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, é que as obras fiquem prontas até dezembro do ano que vem.

Vistoria
Dilma viajou ao Nordeste nesta terça para vistoriar trechos da obra de transposição do Rio São Francisco em cidades de Pernambuco, Paraíba e Ceará.

Primeiro, ela acompanhou as obras do Túnel Cuncas II, próximo a São José de Piranhas (PB). Segundo o Ministério da Integração, o túnel possui quatro quilômetros de extensão e foi concluído em março deste ano.
Em seguida, a presidente foi visitar a barragem construída em Jati (CE), responsável por levar a água do rio São Francisco ao estado do Ceará.

A última vistoria de Dilma nesta viagem será em Cabrobó (PE), onde, na tarde desta terça, visitará a Estação de Bombeamento 1, responsável por levar a água do rio a localidades com altitude elevada. De acordo com o ministério, a etapa está 83,8% concluída.
 
Conforme o Tribunal de Contas da União (TCU), o custo total previsto da obra de transposição é de R$ 8,2 bilhões e, até março deste ano, R$ 4,6 bilhões já haviam sido executados (valor sem correção monetária).
 
"O Nordeste adquiriu mais cedo do que o resto do Brasil a consciência da importância estratégica de ter água e de que você não pode achar que as conjunturas favoráveis, as conjunturas hidrológicas favoráveis, elas são permanentes" -- Dilma Rousseff, comentando sobre os investimentos para reduzir o impacto da seca nos estados do  Nordeste
 
Estiagem em São Paulo
Apesar de estar em visita pelo Nordeste, Dilma comentou durante sua passagem pelo Ceará sobre a situação dos reservatórios em São Paulo e da ameaça de falta de água no estado mais rico do país.

Na entrevista coletiva que concedeu em Jati (CE), a presidente disse que o problema não é de São Paulo, e sim de "todo o Sudeste. "Quem não investiu, quem não preveniu, vai ter problema. Em qualquer circunstância, é isso", avaliou.

A petista também voltou a elogiar o planejamento do Nordeste que, segundo ela, tinha "séculos de não investimento e insegurança hídrica". Segundo Dilma, é preciso sempre lidar com o fato de que pode não chover.

"Mas o Nordeste aprendeu. Como essa questão era uma questão muito candente para quem morava aqui, eu acho que o Nordeste adquiriu mais cedo do que o resto do Brasil a consciência da importância estratégica de ter água e de que você não pode achar que as conjunturas favoráveis, as conjunturas hidrológicas favoráveis, elas são permanentes", afirmou.

Ministério da Integração
Indagada sobre se o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, seria mantido no cargo até o final do seu mandato, a presidente da República disse que a pergunta era descabida.

Ela afirmou que os seus ministros ficam no cargo enquanto tiverem sua confiança. "E não tem motivo para eu não ter confiança no ministro Francisco no presente momento", enfatizou.

Teixeira é afilhado político do governador do Ceará, Cid Gomes, e do ex-ministro Ciro Gomes, ambos filiados ao PROS. No entanto, a cúpula do partido, mais novo integrantes da base aliada, vem pressionando a presidente a substituir o ministro por uma indicação da direção da legenda.

Na semana passada, como revelou o Blog do Camarotti, Ciro ameaçou deixar o partido e acusou os dirigentes da sigla de "chantagear" a presidente.

Os dirigentes do PROS iriam se reunir nesta terça, em Brasília, para discutir a eventual substituição de Francisco Teixeira, porém, o encontro foi desmarcado. O partido divulgou nota informando que o presidente nacional da legenda, Euripedes Junior, contraiu dengue e foi internado em um hospital de Brasília.

Copa do Mundo
Dilma Rousseff voltou a afirmar que o Brasil garantirá a segurança das delegações e dos chefes de Estado que vierem ao país participar da Copa do Mundo de 2014.  Ela disse que a conjunção das forças federais, como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e Forças Armadas, com as polícias militares locais, vão assegurar que a Copa seja feita pacificamente.

"Quem quiser manifestar pode, mas quem quiser manifestar não pode prejudicar a Copa", defendeu.
 
"Quem quiser manifestar pode, mas quem quiser manifestar não pode prejudicar a Copa" -- Dilma Rousseff, falando sobre as expectativas de protestos durante o mundial da Fifa
A presidente acrescentou ainda que, como o Brasil é uma democracia, as pessoas podem se manifestar "perfeitamente", mas, na opinião dela, democracia "não significa vandalismo nem tampouco prejuízo para o conjunto da população".

Sobre as obras para o mundial, Dilma avaliou que os estádios e aeroportos estão "encaminhados". E lamentou as críticas feitas ao novo terminal do aeroporto de Guarulhos (SP), inaugurado no último domingo (11) com alguns problemas. Uma das queixas dos usuários do Terminal 3 foi a falta de água nos banheiros, e goteiras.

"Acho lamentável que quando se olhe um aeroporto do tipo de Guarulhos se fale de um pingo d’água, quando de fato a obra é uma obra excepcional. Acho de uma vontade com o país fantástica", reclamou.

Pesquisas eleitorais
Em meio à entrevista, Dilma se esquivou de responder questões sobre seu desempenho nas pesquisas eleitorais. Na última sexta-feira (9), pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha mostrou Dilma com 37% das intenções de voto, o senador Aécio Neves com 20%, e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos com 11%.
 
"Eu não comentei nunca pesquisa quando eu subia, não comento quando caio também. E também quando fico estável. Então, eu não comento pesquisa" -- Dilma Rousseff, esquivando-se de pergunta sobre seu desempenho na última pesquisa do Instituto Datafolha
Na pesquisa anterior, Dilma parecia com 38%, Aécio Neves com 16% e Eduardo Campos com 10%.

"Posso falar uma coisa para você? Eu não comentei nunca pesquisa quando eu subia, não comento quando caio também. E também quando fico estável. Então, eu não comento pesquisa", respondeu quando questionada em entrevista coletiva.

Em seguida, Dilma acrescentou que pesquisa é "conjuntural". "Sabe quando a gente vê o que vai dar? Quando você é testado, é ali que você olha. E testado pela população. Aí você sabe se você subiu, se você caiu, ou se você ficou na mesma", disse.
 
 
Fonte
 
 

'Gente que nunca fez nada' critica obra do São Francisco, diz Dilma

13/05/2014 11h32 - Atualizado em 13/05/2014 13h53 

Presidente foi ao Nordeste vistoriar trechos da transposição.
Ao falar do abastecimento na região, ela citou o sistema Cantareira, em SP.
 
Juliana Braga  
Do G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff rebateu nesta terça-feira (13) críticas sobre atrasos nas obras de transposição do rio São Francisco e disse que "quem nunca fez nada, desanda a cobrar". A presidente realiza visita a estados do Nordeste para  vistoriar as obras do rio e deu a declaração em conversa com jornalistas em São José de Piranhas (PB).

Dilma posa para foto com operários no túnel Túnel Cuncas II, nas obras do Rio São Francisco  (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
Dilma posa para foto com operários no Túnel Cuncas II, nas obras
do Rio São Francisco (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

A construção começou em 2007. O projeto de integração do São Francisco tem extensão total de 469 quilômetros e a estimativa é que 11,6 milhões de pessoas sejam atendidas com fornecimento de água em cidades do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

A previsão do governo federal, segundo o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, é que as obras fiquem prontas até dezembro do ano que vem.

"Acontece uma coisa engraçada no Brasil, não sei se vocês já notaram. Quem nunca fez, desanda a cobrar de quem fez. Então é isso que nós estamos assistindo. Gente que nunca fez quando pôde, cobrar de quem está fazendo quando pode", criticou.
Ao comentar a oferta de água que a transposição vai proporcionar, a presidente fez uma comparação com o sistema Cantareira, que abastece a cidade de São Paulo. Para Dilma, a capital paulista passa por uma situação "difícil". O nível da represa chegou a 8,6% nesta terça.

"O rio São Francisco é o rio que beneficia mais a população nordestina e que vai garantir uma diferença de qualidade, principalmente quando nós estamos vendo, hoje, uma situação muito, muito difícil sendo passada no estado mais rico da federação, que é São Paulo. É a falta de água na barragem da Cantareira, lá do reservatório da Cantareira", disse.

Em seguida, Dilma elogiou o planejamento dos estados no Nordeste no que diz respeito a abastecimento de água. "Você veja que o Nordeste teve esse mérito. Ele teve essa consciência e esse planejamento. Não é de hoje que você faz isso", pontuou.

Momentos mais tarde, já em Jati (CE), Dilma voltou a mencionar a situação do estado de São Paulo, ao dizer que, no Nordeste houve "previsão" e que lá nenhum líder foi "surpreendido pela seca".
 
"Vejam vocês que o Brasil está passando por um período de estiagem e hoje, no Sudeste, nos estados mais ricos da federação, especialmente em São Paulo, estamos enfrentando uma seca de todas proporções. Mas lá não tem obra dessa proporção para garantir segurança hídrica", disse.

Ela completou que os trabalhadores que participaram da obra deveriam estar de "queixo erguido" porque, segundo ela, a transposição vai mudar as "condições" para o Nordeste se desenvolver.

Agenda
A presidente Dilma Rousseff vai fazer nesta terça vistoria em trechos da obra de transposição do Rio São Francisco em cidades de Pernambuco, Paraíba e Ceará.

Primeiro ela vai passar pelas obras do Túnel Cuncas II, próximo a São José de Piranhas (PB) – segundo o Ministério da Integração, o túnel possui quatro quilômetros de extensão e foi concluído em março deste ano. Em seguida, a presidente vai visitar a barragem construída em Jati (CE), responsável por levar a água do rio São Francisco ao estado do Ceará.

A última vistoria de Dilma nesta viagem será em Cabrobó (PE), onde visitará a Estação de Bombeamento 1, responsável por levar a água do rio a localidades com altitude elevada. De acordo com o ministério, a etapa está 83,8% concluída.

De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), o custo total previsto da obra de transposição é de R$ 8,2 bilhões e, até março deste ano, R$ 4,6 bilhões já haviam sido executados (valor sem correção monetária).

Cobranças
Na segunda-feira (12), em cerimônia na ciadade de Ipatinga (MG), Dilma também reclamou das críticas de cobranças feitas por conta de atrasos na execução do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. "Por que na hora de a gente fazer o acordo e passar os recursos todo mundo quer, e na hora de cobrar só nós somos cobrados? Que história é essa? Eu respondo pelos meus atos, mas não respondo pelos dos outros", disparou.

O governo mineiro rebateu a crítica e disse em nota que a responsabilidade pela obra é do governo federal. Disse ainda que a obra não foi iniciada porque o DNIT - estatal ligada ao Ministério dos Transportes - ainda não liberou o projeto para o estado fazer a licitação.
 
 Fonte
 
 
 

Dilma vistoria nesta terça trechos da transposição do São Francisco

13/05/2014 05h47 - Atualizado em 13/05/2014 09h20 

Presidente visitará trechos em cidades da Paraíba, Ceará e Pernambuco.
Custo previsto da obra é de R$ 8,2 bi e estimativa é que termine em 2015.
 
Juliana Braga e Filipe Matoso Do G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff faz nesta terça-feira (13) visita de vistoria a trechos da obra de transposição do Rio São Francisco em cidades de Pernambuco, Paraíba e Ceará. A previsão do governo federal, segundo o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, é que as obras fiquem prontas até dezembro do ano que vem.

Dilma fará a vistoria nesta terça às obras do Túnel Cuncas II, próximo a São José de Piranhas (PB) – segundo o Ministério da Integração, o túnel possui quatro quilômetros de extensão e foi concluído em março deste ano. Em seguida, a presidente irá visitar a barragem construída em Jati (CE), responsável por levar a água do rio São Francisco ao estado do Ceará.

A última vistoria de Dilma nesta viagem será em Cabrobó (PE), onde visitará a Estação de Bombeamento 1, responsável por levar a água do rio a localidades com altitude elevada. De acordo com o ministério, a etapa está 83,8% concluída.

A construção começou em 2007. O projeto de integração do São Francisco tem extensão total de 469 quilômetros e a estimativa é que 11,6 milhões de pessoas sejam atendidas com fornecimento de água em cidades do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), o custo total previsto da obra é de R$ 8,2 bilhões e, até março deste ano, R$ 4,6 bilhões já haviam sido executados (valor sem correção monetária).
A transposição do São Francisco é, atualmente, dividida em dois eixos: Norte e Leste. O Eixo Norte, de acordo com o último balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apresentado em fevereiro deste ano, está 50% concluído e o Eixo Leste, 52%, segundo o governo. Além dos eixos, há obras dos chamados subsistemas, responsáveis por levar água dos eixos centrais a estações de tratamento.

Críticas
Ambientalistas e organizações sociais são contrários ao projeto de infraestrutura, com a alegação de que a transposição causaria danos graves ao meio ambiente e a populações mais pobres do sertão nordestino.

O Comitê da bacia hidrográfica do Rio São Francisco, que tem representantes de todos os estados em que passa o curso d’água, divulgou parecer afirmando que a revitalização do rio em áreas urbanizadas deveria ser prioridade antes da transposição. Segundo o comitê, as margens do São Francisco sofrem com a erosão e isso acarretaria no aumento da quantidade de terra no leito e redução do volume de água, oferecendo risco à navegação e impacto às espécies aquáticas.

Ambientalistas sugerem a necessidade de reduzir o despejo de esgoto não tratado no rio. Caso isso não fosse feito, a transposição levaria para açudes água poluída e não potável.

Para os críticos, as obras estariam impactando negativamente a Caatinga, bioma que abrange todo o Nordeste e parte de Minas Gerais, e não beneficiaria populações ribeirinhas e indígenas que vivem nessas regiões, já que, segundo as ONGs, o projeto contemplaria principalmente grandes produtores rurais e o setor industrial.
 
TCU apura sobrepreço no Eixo Norte
obras da transposição do sao francisco no CE em janeiro (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)
Trecho das obras do São Francisco no Ceará,
em imagem de janeiro deste ano
(Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)
O Tribunal de Contas da União (TCU) apura contratos assinados entre o governo e empresas responsáveis pelo fornecimento de bombas e construção de sistemas de bombeamento referentes ao Eixo Norte da obra – orçados em R$ 14,4 milhões.

A Secretaria de Fiscalização de Obras Portuárias, Hídricas e Ferroviárias, unidade técnica responsável por acompanhar todos os processos relativos às obras de integração do São Francisco, informou nesta segunda-feira (12) que, desses R$ 14,4 milhões, R$ 8,7 milhões são referentes a indícios de sobrepreço praticado contra a União e R$ 5,7 milhões, a serviços previstos considerados desnecessários ou repetidos.

Segundo o órgão, a União e as empresas já apresentaram explicações, que deverão ser analisadas pelo tribunal. Esses contratos são referentes ao Lote 8, licitação aberta em 2011.

O processo analisou, ao todo, R$ 16,7 milhões, mas R$ 2,3 milhões já retornaram aos cofres públicos.

Ainda segundo o TCU, desde 2005, quando o primeiro processo de fiscalização foi aberto para apurar indícios de irregularidade nas obras, foram encontrados R$ 776,2 milhões em indícios de sobrepreço e serviços desnecessários ou repetidos. No período, foram abertos 20 processos.

O TCU aponta que nos 20 processos foram encontrados projetos básicos deficientes, sobrepreço, deficiência de fiscalização e supervisão e atrasos nas obras.

O tribunal diz em relatório, no entanto, que "benefícios" foram obtidos ao longo desses nove anos, como a descentralização da estrutura de fiscalização, abertura de procedimentos para apurar pagamentos indevidos e realização de ações para melhorar a gestão de contratos.


 

domingo, 4 de maio de 2014

Garoto acha pedra com pegada de dinossauro e paleontóloga diz: Sousa é passarela pré-histórica

Ciência e Tecnologia | Em 04/05/2014 às 09h35, atualizado em 04/05/2014 às 10h05 | Por Luciana Rodrigues

Peça deve ser analisada por um paleontólogo e após comprovada a originalidade, ficará em exposição e fará parte do acervo do museu do Vale dos Dinossauros, em Sousa  

Reprodução/Facebook/ Luiz Carlos
Garoto mostra pedra com pegada de dinossauro
Garoto mostra pedra com pegada de dinossauro

Um garoto de sete anos achou uma pedra com uma pegada de dinossauro, quando brincava no quintal de casa, esta semana, no município de Sousa, no Sertão do estado, a 477 de João Pessoa.
 
Matheus Dannylck, correu para dizer sobre sua descoberta ao pai, o fotógrafo Saullo Dannylck, que naquele momento não deu muita importância ao que o filho lhe dizia com voz eufórica, "papai achei uma pedra com 'buraco dos dedinhos'". Sem dar muita importância, Saullo prometeu que depois iria dar uma olhada no que o filho tinha encontrado.
 
Achando que o pai não tinha dado muita importância ao que ele dissera, Matheus foi até o local onde tinha encontrado a pedra e a retirou para levar até Saullo. "Papai, eu tirei a pedra e trouxe para o senhor ver".
Ao observar a peça que Matheus tinha mostrado, o fotógrafo percebeu que poderia tratar-se realmente de uma pegada de dinossauro e a encaminhou para o setor de reserva técnica do Monumento Natural do Vale dos Dinossauros, no município de Sousa, que já possui uma área de conservação, criada em 2002, com um dos mais importantes sítios paleontológicos do mundo.
 
A peça deve ser analisada por um paleontólogo e após comprovada a originalidade, ficará em exposição e fará parte do acervo do museu do Vale dos Dinossauros. Além de Sousa, mais 29 cidades do Sertão da Paraíba fazem parte da área de conservação do sítio paleontológico que é uma das áreas com maior incidência de pegadas de dinossauros já encontradas no planeta.

Pedra com pegada de dinossauro de Sousa 
Foto: Pedra com pegada de dinossauro de Sousa
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Luiz Carlos
 
No mês de fevereiro deste ano, também no município de Sousa, o aposentado Luiz Carlos da Silva Gomes encontrou um fóssil que aparentemente seria de uma tíbia de dinossauro. O fóssil foi retirado de uma rocha na zona rural de Sousa e encaminhada para o Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal de Pernambuco, onde está sendo estudado.
 
Em contato com a paleontóloga Aline Ghilardi, doutoranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colaboradora do Laboratório de Paleontologia (Paleolab) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a pesquisadora informou que esses tipos de vestígios são comuns em Sousa, pois o município, assim como os demais que fazem parte do sítio paleontológico, tanto no Sertão da Paraíba como no estado vizinho do Ceará, estão incluídos nas bacias sedimentares com rochas portadoras de fósseis.

Aline explicou que bacias sedimentares são áreas onde se acumularam sedimentos ao longo do tempo, que posteriormente são transformados em rocha, ajudando a preservar um registro de mudanças ambientais e ecológicas do passado, ou seja, "são como livros de registro de eventos pretéritos, cujas páginas são camadas de rochas".

A paleontóloga informou que a idade das rochas na região de Sousa, correspondente ao período em que os dinossauros dominaram a terra, e o ambiente que ali existia favoreceram à preservação de vestígios fósseis, como pegadas.
 
"Esses vestígios fósseis e as estruturas presentes nas rochas da região nos ajudaram a entender que entre 145 e 125 milhões de anos atrás, a região era coberta por lagos e rios e borbulhava de vida. Já foram encontrados ali não só registros fósseis de dinossauros, mas também de quelônios, crocodyliforme, plantas e diversos invertebrados", revelou.

A paleontóloga contou que esses animais caminhavam nas bordas dos lagos e deixavam seus registros, assim como acontece na atualidade quando caminhamos por um substrato mole, como areia e lama, e deixamos nossas pegadas.

Nova espécie
O material ósseo de dinossauro retirado de Sousa no início deste ano é único na região e trata-se de um osso longo, mas não se sabe ainda de qual parte dos membros e nem a identidade do dinossauro. A pesquisadora Aline Ghilardi informou que é o primeiro registro ósseo de dinossauro achado em Sousa e o mais antigo para o Cretáceo do Brasil. Ela acredita que possa ser uma nova espécie.

"Certamente é um novo animal, mas dificilmente poderá receber um nome pois temos apenas um osso em mãos, o que não é suficiente, cientificamente falando, para caracterizar oficialmente uma nova espécie. Isso não o impedirá de ter um apelido informal...".

Material ósseo encontrado em Sousa 
Foto: Material ósseo encontrado em Sousa
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Luiz Carlos

Aline informou que o material ainda está em preparação para estudo no Paleolab e que a análise do achado terá a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) do campus do município de Areia.

Com os estudos e a identificação do material ósseo encontrado em Sousa, finalmente um dos dinossauros locais terá sua identidade diretamente reconhecida e a pesquisadora disse que é por isso que a descoberta desse registro foi tão badalada.

Ela informou que em locais aonde se preservam pegadas, dificilmente se preservam ossos, e por isso é que o osso encontrado em Sousa é tão especial e mostra o potencial da região para estudos futuros.

"Estamos ansiosos para prosseguir com os estudos do osso e assim que esses forem concluídos e publicados, ele retornará para sua cidade de origem e para o museu do Vale dos Dinossauros, como obrigatoriamente deve ser quando a ciência se faz pensando no povo. Ali, poderá ser apreciado pelos cidadãos de hoje e de todas futuras gerações sousenses, inspirando, quem sabe, futuros cientistas", revelou.

Cientistas analisam fóssil de dinossauro em Sousa 
Foto: Cientistas estiveram em Sousa e coletaram material ósseo
Créditos: Reprodução/ Folha do Sertão 

A pesquisadora revelou, ainda, que o sítio fossilífero de Sousa se destaca pela qualidade de preservação e quantidade de vestígios, como pegadas. Ela disse que se orgulha de ter em solo brasileiro o que chamou de 'essa maravilhosa passarela pré-histórica' e alerta para sua preservação.

"Se destruído esse patrimônio, nada poderá substituí-lo, pois nada será igual. As pegadas de Sousa são um instante sem correspondentes preservado no tempo, se isso for perdido, será perdida irrecuperavelmente uma página da história da vida em nosso planeta - e uma das mais maravilhosamente preservadas, um dos contos mais bem escritos", desabafou.

Centro paleontológico local
Uma das coisas que mais chocaram a pesquisadora Aline Ghilardi foi o fato do sítio de Sousa não possuir um paleontólogo. Nem no museu, aonde a coleção de fósseis é gerida, existe um profissional.

"Todo o patrimônio paleontológico está nas mãos de órgãos não diretamente ligados à Paleontologia, e por mais que existam pessoas que se esforcem, elas não são profissionais da área. A gestão desse patrimônio exige a presença de um paleontólogo", reclamou.

Aline Ghilardi mostrou também a necessidade de um centro paleontológico local. Ela disse que um campus avançado da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e um Instituto Federal de Educação estão sendo construídos em Sousa e isso poderia ser aproveitado para a contratação de um ou mais paleontólogos e para a formação de um núcleo de pesquisas paleontológicas na região.

A pesquisadora citou ainda a possibilidade um curso de graduação em Biologia ou Geologia para formar estudantes para auxiliar nas pesquisas.

Na opinião de Aline Ghilardi, um centro paleontológico local garantiria a realização contínua de pesquisas com os fósseis e rochas da área e ainda a melhor gestão do patrimônio paleontológico de Sousa e região.

Ela acredita que a permanência do material fóssil na localidade aonde foi coletado sem dúvida contribuiria para sua preservação. "Quem quer que quisesse estudar esse material, de qualquer universidade do Brasil ou do mundo, teria que se remeter a esse centro. Já está na hora de Sousa amadurecer a esse ponto", opinou.

Vale dos Dinossauros, Sousa - PB 
Foto: Pegadas do Vale dos Dinossauros, Sousa - PB
Créditos: Reprodução/Internet 

Diversidade
Aline Ghilardi informou que as pegadas encontradas em Sousa são algumas das mais bem preservadas do mundo e que o local abriga um dos sítios paleontológicos mais importantes do Brasil, considerando a idade de seus depósitos.

Os achados fósseis lá encontrados ajudam a completar as páginas da grande história de vida no planeta Terra e a compreender sua evolução e mudança ao longo do tempo. "Eles têm nos ajudado entender a distribuição e a diversidade de animais que existiram nessa região, em especial os dinossauros".
As pegadas encontradas no sítio paleontológico de Sousa, de acordo com a especialista, indicam  a presença de alguns tipos de dinossauros que ainda não foram detectados no registro fossilífero do território brasileiro por meio de evidências diretas como ossos e dentes.

"Esse é o caso dos dinossauros ornitísquios, por exemplo, que inclui uma série de dinossauros herbívoros especializados, como os ornitópodes e os thyreophora. Isso amplia a diversidade de dinossauros que habitaram o nosso território no passado e ajuda a entender o cenário faunístico da América do Sul durante o início do Cretáceo (entre 145 e 125 milhões de anos atrás), quando nosso continente e a África ainda eram unidos e os animais migravam de um lado para o outro com relativa facilidade".

Patrimônio precisa ser preservado
Na opinião da paleontóloga Aline Ghilardi, o patrimônio paleontológico de Sousa deveria receber mais atenção. Ele disse que muito dinheiro foi investido ali para a construção de um parque, mas que só isso não basta. É preciso que a população seja conscientizada da importância do patrimônio que a rodeia.

"As pegadas fazem parte do cotidiano da população, mas as pessoas não entendem ainda porque elas devem ser arrancadas e levadas para museus. Todos se aproveitam da fama dos dinossauros para avivar o comércio local, mas ninguém entende o seu real significado e importância. Acredito que para preservar o patrimônio paleontológico daquela região deveria ser feito um amplo esforço de informação e sensibilização junto à população", ratificou.

A paleontóloga acredita que um caminho seria a realização de oficinas, cursos e palestras nas escolas e ainda a distribuição de cartilhas didáticas, promoção de livros e filmes sobre o tema e a visita direta à população para que as pessoas se sintam incluídas no processo. "Se não for assim, o tema 'dinossauro' acaba virando piada", opinou.

Ela citou ainda as universidades locais e regionais, aliadas ao poder público, como promotores de projetos focando essa linha de ação e disse que a UFPE, através do Paleolab, que é coordenado pela professora Alcina Alcina Barreto, tem realizado projeto no interior de Pernambuco com objetivo de preservar o patrimônio paleontológico do Araripe e que os resultados têm sido muito positivos.

MPF moveu ação para impedir destruição
Há dois anos, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra o Dnit e Sudema por conta da destruição de cercas feitas com pedras que tinham pegadas de dinossauros no município de São João do Rio do Peixe.
De acordo com o MPF, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) havia identificado a importância do sítio paleontológico de 2,5 quilômetros de cercas com placas de rochas feitas há mais de cem anos pela população local para delimitar propriedades. Essas cercas foram destruídas para a construção da rodovia federal BR 405, sem que sua importância cultural fossem analisadas e levadas em conta.

Cercas centenárias feitas pela população tinham rochas com pegadas de dinossauros 
Foto: Cercas centenárias tinham rochas com pegadas de dinossauros
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Luiz Carlos

Em outubro do ano passado,  num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre MPF e Dnit e Sudema,  os dois órgãos se comprometeram a cumprir medidas para a regularização do processo de licenciamento ambiental de três obras, realizadas sem a devida autorização do Iphan, em áreas de preservação, e também compensar pelos danos causados ao patrimônio arqueológico e paleontológico nacional.

As obras são as seguintes: pavimentação da BR 434/PB (trecho Uiraúna e Poço Dantas) do km 0,0 ao km 18,0; pavimentação da BR 426/PB (trecho Piancó, Santana dos Garrotes e Nova Linda) do km 65,60 ao km 95,5; e obras de implantação e pavimentação BR 405/PB (trecho São João do Rio Peixe e Marizópolis) do km 36,5 ao km 54,5.

Entre as medidas compensatórias pela destruição dos sítios paleontológicos, o Dnit terá que realizar obras visando a socialização, regularização do uso turístico e educação patrimonial em sítios arqueológicos e paleontológicos na área do Vale dos Dinossauros e ainda fazer um levantamento dos sítios paleontológicos da área denominada Vale dos Dinossauros em 20 municípios da Paraíba.

A área tombada pelo Iphan e que soma cerca de 700 quilômetros quadrados é penalizada pela de falta de estudos, mapeamento e proteção. O descaso pode ser verificado na própria Reserva Técnica do Museu do Monumento Natural do Vale dos Dinossauros. Os achados com vestígios de pegadas são armazenadas de forma amontoada, com peças sobre peças, sem nenhuma organização.

Peças ficam amontoadas, sem organização na Reserva Técnica 
Foto: Peças ficam amontoadas, sem organização na Reserva Técnica
Créditos: Reprodução/Facebook/ Luiz Carlos

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Monitoramento confirma déficit de água no solo no Agreste da Paraíba

16/02/2014 06h00 - Atualizado em 16/02/2014 06h00 

Estudo indica "vegetação submetida a condição de estresse hídrico".
Alto Sertão teve melhora devido a chuvas, mas quadro é preocupante.
 
Do G1 PB
 
NDVI monitora situação do solo paraibano (Foto: Reprodução/Insa)
NDVI monitora situação do solo paraibano (Foto: Reprodução/Insa)
Um monitoramento feito pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa) confirma a situação considerada como preocupante do solo no Agreste da Paraíba por conta da estiagem. De acordo com o trabalho feito pela instituição, numa escala que varia entre 0 e 1, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) na maior parte da região é de 0,2. Isso significa que há registro de "vegetação sem folhas e submetida a condição de estresse hídrico por déficit de água no solo".
 
Especialistas advertem que o ÍNDVI permite perceber que o solo exposto tende a sofrer maior degradação. O índice se traduz por um indicador numérico, que varia, teoricamente, de 0 (referente à vegetação sem folha, submetida a condição de estresse hídrico por déficit de água no solo) a 1 (relativo à vegetação com folhas, sem restrições hídricas e na plenitude de suas funções metabólicas e fisiológicas).
 
Os dados mais recentes são do período entre os dias 21 e 26 de janeiro, quando o Alto Sertão do estado apresentou leve melhora devido às chuvas caídas no início do ano. O instituto explica que o NDVI permite não só mapear a vegetação, mas também medir sua quantidade e condição em uma determinada área.
 
O índice de vegetação varia ao longo do ano, de acordo com a influência do período chuvoso. O mapa acima ilustra os últimos dias do mês de janeiro deste ano. Quanto mais próximo do verde, entende-se que há uma maior cobertura vegetal, enquanto os tons avermelhados indicam maior exposição do solo, pois há menor vegetação e folhagem.
 
Segundo o pesquisador em Geoprocessamento do Insa, Anderson Maciel Lima de Medeiros, as "áreas onde o índice de vegetação é considerado baixo por longos períodos deixam o solo exposto e, por isso, tendem a sofrer uma maior degradação, o que prejudica a fertilidade do mesmo e terá consequências negativas na produção agrícola da região".
 
Apesar da leve melhora indicada pelo NDVI no Alto Sertão paraibano devido às chuvas recentes, a perspectiva não deixa de ser preocupante. "A situação preocupante na Paraíba se encontra na porção inserida no polígono do semiárido. Isso inclui 170 dos 223 municípios paraibanos. De acordo com os últimos dados, a que está em melhor situação seria o Alto Sertão, em virtude da ocorrência recente de chuvas. Mas deve-se notar que esta condição poderá variar com a continuidade ou não da precipitação pluviométrica", relata o pesquisador.
 
Os dados do NDVI são empregados em estudos desenvolvidos pelo Insa, como a modelagem climática e hidrológica; balanço de carbono, detecção de mudanças climáticas, estimativas de parâmetros da vegetação (cobertura vegetal, índice de área foliar); monitoramento do ciclo de crescimento de culturas, produtividade de plantações; monitoramento de secas; detecção de desmatamentos e avaliação de áreas queimadas, entre outras aplicações.
 
Reflorestamento na Paraíba
Para reduzir os impactos climáticos diagnosticados pelo monitoramento, o Insa atua com a produção de mudas para reflorestamento. Em 2013, foram produzidas 14.213 mil mudas de 10 espécies nativas e quatro exóticas. "Está sendo implantado um viveiro na estação experimental do instituto para produzir mudas destas espécies, com foco nas consideradas em vias de extinção ou raras, mas resistentes às condições do semiárido", concluiu Anderson Maciel.
Fonte

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

As muitas faces do sertão

Deficiência hídrica e clima semiárido exigiram respostas adaptativas sofisticadas de espécies da caatinga

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição 209 - Julho de 2013
 
Fazenda Dona Soledade, na Paraíba: heterogeneidade de ambientes é uma das marcas da caatinga
Fazenda Dona Soledade, na Paraíba:
heterogeneidade de ambientes é uma
das marcas da caatinga.
© FERNANDO ROSA
Em 1818, durante a expedição austríaca no Brasil – investigação científica que trouxe ao país pesquisadores e artistas para estudar e retratar espécies e paisagens próprias da biodiversidade brasileira –, dois naturalistas, Carl Friedrich von Martius e Johann Baptiste von Spix, se impressionaram com a diversidade vegetal de uma floresta teoricamente incomum para a região, próxima às margens do rio São Francisco, no município de Januária, em Minas Gerais. O fascínio dos naturalistas justificava-se, em grande parte, pelo fato de aquela vegetação estar em uma área própria da caatinga, um ecossistema determinado por um clima predominantemente semiárido, no qual a disponibilidade hídrica é baixa e extremamente variável. Como muitos, é provável que os dois alemães acreditassem que a caatinga caracteriza-se como um ambiente homogêneo, o que não é verdade: “Por lá há uma grande variação de condições ambientais, essenciais para o surgimento e a manutenção de várias espécies bem adaptadas ao clima da região”, destacou o biólogo Bráulio Almeida Santos, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em sua palestra no quinto encontro do Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação, em 20 de junho, em São Paulo.
 
A caatinga, explicou o biólogo, ocupa hoje 11% do território brasileiro, estendendo-se por aproximadamente 845 mil quilômetros quadrados (km²). Está dividida em oito ecorregiões – todas elas distribuídas em paisagens, tipos de solo e vegetações bastante distintos –, nas quais as chuvas podem não atingir os mil milímetros (mm) ao longo do ano. “Em algumas áreas a estiagem pode chegar a 11 meses”, disse. Atualmente, a região enfrenta sua pior seca em 30 anos, o que tem afetado a vida de 27 milhões de pessoas. Somente no estado da Bahia, mais de 214 municípios declararam estado de emergência este ano.
 
A partir da esquerda, os biólogos: Bráulio Almeida Santos, Luciano Paganucci de Queiroz 1 2 e Adrian Garda
A partir da esquerda, os biólogos:
Bráulio Almeida Santos, Luciano Paganucci
de Queiroz e Adrian Garda.
© LÉO RAMOS

 
Esses fatores ambientais têm, ao longo de milhares de anos, exigido respostas adaptativas específicas das plantas locais, o que lhes permite sobreviver num ambiente cada vez mais quente e seco. Uma dessas respostas é o ajuste que determinadas espécies fazem quanto à manutenção de suas folhas. Isso se dá por uma boa razão: quanto menos folhas as plantas têm, menor será a perda  de água durante as estações mais secas. Algumas delas chegam a fazer a fixação de gás carbônico (CO2) à noite, utilizando-o na fotossíntese durante o dia, quando seus estômatos – estruturas nas folhas para troca de água e gases – estão fechados. “Esses são alguns dos mecanismos encontrados por essas espécies para não perderem água pela transpiração, que se dá pelas folhas. Uma estratégia simples, mas que lhes permite reter água para as épocas mais secas”, disse o biólogo Luciano Paganucci de Queiroz, da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia, um dos convidados do ciclo de conferências.
 
Segundo ele, esse racionamento é uma das razões que têm contribuído para determinar o tamanho dessas plantas e também de suas folhas. Isso porque esse mecanismo, ao mesmo tempo que lhes garante melhor adaptação ao clima semiárido, restringe o surgimento de árvores de grande porte. “As plantas da caatinga não crescem de modo contínuo por não terem água disponível o suficiente o ano todo”, disse o biólogo.
  
perereca Corythomantis greeningi: adaptações complexas às adversidades do clima
Perereca Corythomantis greeningi: adaptações
complexas às adversidades do clima
© ADRIAN GARDA
Outra resposta adaptativa dessas espécies aos variados ambientes do semiárido é a proteção que desenvolveram para suas folhas, enquanto ainda as têm. Essa proteção se dá por meio de acúleos, projeções pontiagudas que nascem na superfície do caule das plantas, e de tricomas, pequenos “pelos” que contêm substâncias urticantes e que, ao tocar a pele, podem desencadear reações alérgicas. Boa parte das plantas da caatinga, como os cactos, apresenta-se armada com esses escudos naturais. “Trata-se de um mecanismo de defesa bastante interessante contra animais herbívoros”, destacou Queiroz. “Essas espécies mantêm suas folhas por um curto período de tempo durante o ano, logo elas são muito preciosas e por isso precisam ser protegidas.” Segundo ele, as condições às quais essas espécies têm sido submetidas vêm se configurando como um importante filtro ambiental, influenciando o processo evolutivo das espécies desse ecossistema ao longo do tempo.
 
Riqueza de espécies
Apesar das circunstâncias desfavoráveis, a caatinga tem grande variedade de plantas, muitas delas endêmicas. São cerca de 6 mil espécies, distribuídas em 1.333 gêneros, dos quais 18 são próprios da região (endêmicos). Das 87 espécies de cactos da caatinga, 83% são exclusivas desse ecossistema. É o caso do mandacaru (Cereus jamacaru) e do xique-xique (Pilosocereus gounellei), espécies ameaçadas, “pois são retiradas ainda jovens de seu ambiente e vendidas como souvenir em restaurantes de beira de estrada”, alertou Queiroz.

Também a família das leguminosas, a mais diversa da caatinga, engloba várias das espécies exclusivas do semiárido, como a mucunã (Diclea grandiflora) e a jurema-preta (Mimosa tenuiflora). Muitas delas desempenham importantes funções ecológicas. Devido à associação com algumas bactérias, essas plantas ajudam na fixação de nitrogênio pelo solo, tornando-o mais nutritivo. Mas mesmo com os avanços na identificação de novas espécies, como a Prosopanche caatingicola, planta parasita catalogada em 2012, a falta de dados em relação à biodiversidade florística desse ecossistema ainda é grande.
 
Esse desconhecimento também se estende à fauna da caatinga, sobretudo em relação aos invertebrados, enfatizou o biólogo Adrian Garda, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), um dos palestrantes presentes. Segundo ele, por muito tempo se acreditou que a caatinga era um ecossistema descaracterizado, com baixos índices de endemismo e diversidade de espécies. “Pensava-se que a caatinga era uma subamostra de outros ecossistemas”, disse. Sabe-se hoje que ela é a região semiárida mais diversa do mundo.
 
Diversidade ameaçada
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a região do semiárido possui 591 espécies de aves, 241 de peixes e 178 de mamíferos. Estima-se que 41% das espécies da caatinga ainda permaneçam desconhecidas, enquanto 80% ainda são pouco estudadas. “Há uma carência de dados em relação à diversidade de animais desse ecossistema”, ressaltou Garda. Mas os índices de endemismo registrados por lá sugerem que sua fauna tenha sido submetida a um processo evolutivo local independente, com muitas espécies adaptadas a este domínio.
 
Por exemplo, a Corythomantis greeningi, perereca típica da região, nas épocas secas hiberna por meses entre pequenas frestas de rochas seladas por seu crânio altamente modificado, se protegendo de predadores e armazenando água. Já o Scriptosaura catimbau, lagarto adaptado a regiões de solos arenosos, “literalmente se enterra e ‘nada’ por debaixo da areia”, comentou. Outras espécies, como a rã Pleurodema diplolister, chegam a se enterrar a mais de 1,5 metro na procura de água em épocas de seca. “Mas ainda precisamos compreender melhor o que pretendemos preservar”, completou Garda.
 
Serpente da espécie Epicrates assisi...
Serpente da espécie Epicrates assisi
© ADRIAN GARDA
De acordo com a Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, de 2002 a 2008 a área desmatada no semiárido foi de 15 mil km² – pouco mais de 2 mil km² por ano. Restam hoje apenas 54% da vegetação original da caatinga. Segundo Santos, das 364 unidades de conservação (UCs) cadastradas no MMA, 113 são destinadas à proteção e conservação do ecossistema, sendo que elas cobrem apenas 7,5% de seus 845 mil km².
 
Para ele, a principal causa de desmatamento na região é a produção de energia. Abatida, a mata nativa vira lenha e carvão para siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo, ou de indústrias de gesso e cerâmica instaladas no próprio semiárido. Na sua avaliação, as consequências do uso inapropriado dos recursos naturais da região é a perda de hábitats e a fragmentação de ecossistemas. “Não se trata de deixar de utilizar os recursos naturais da caatinga, mas sim de identificar até que ponto podemos usá-los sem comprometê-la.”
 
Santos lembrou que a criação desregulada de cabras e ovelhas também tem contribuído para a degradação da vegetação da caatinga. Em torno de 17 milhões de cabras e ovelhas consomem diariamente a vegetação local. “Muitas vezes a cerca necessária para manter o rebanho em uma área custa mais do que a propriedade. Assim, muitos produtores deixam seus animais soltos, consumindo a vegetação indiscriminadamente”. Para ele, o uso mal planejado dos recursos naturais já está levando à desertificação da caatinga.
  
... comum em regiões como a das Cabaceiras, na Paraíba
… comum em regiões como a das Cabaceiras,
na Paraíba. © FERNANDO ROSA
“É preciso conservar a vegetação remanescente, expandindo a rede de áreas protegidas”, disse Santos. “É importante promover o manejo adequado das áreas que sofrem influência da atividade humana e educar todos que vivem ou fazem uso dos recursos naturais da região, resgatando o sentimento de pertencimento à caatinga.” Para isso, concluiu, é fundamental ampliar o apoio à pesquisa e ao ensino, além da fiscalização, garantindo a preservação da diversidade biológica da caatinga. Diversidade que os naturalistas alemães há muito já haviam constatado. “Julgamo-nos aqui transportados a um país inteiramente diverso. Em vez de matas secas, desfolhadas ou de campos do alto sertão, vimo-nos de todos os lados cercados de matas virentes, que orlavam extensas lagoas piscosas”, escreveram em Viagem pelo Brasil, obra em que relatam suas excursões pelo país entre 1817 e 1820.
 
O Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação é uma iniciativa do Programa Biota-FAPESP, em parceria com a revista Pesquisa FAPESP, voltada à discussão dos desafios ligados à conservação dos principais ecossistemas brasileiros: pampa, pantanal, cerrado, caatinga, mata atlântica e Amazônia, além dos ambientes marinhos e costeiros e a biodiversidade em ambientes antrópicos – urbanos e rurais (ver programação ao lado). As palestras pretendem, até novembro, apresentar o conhecimento gerado por pesquisadores de todo o Brasil, visando a contribuir com a melhoria da educação científica e ambiental de professores e alunos do ensino médio do país.