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sábado, 11 de maio de 2013

131 municípios compram água para população

Gastos com a compra de água para abastecimento chega até R$ 100 mil mensais em 39 municípios paraibanos, conforme pesquisa da CNM.
 

 

Francisco França
Levantamento da CNM foi feito com base em informaçoes das companhias estaduais de saneamento e prefeituras

Na Paraíba, nove cidades estão em racionamento de água, 22 em colapso total, sendo abastecidas por carros-pipa, e 131 municípios afetados pela seca têm gastos mensais com compra de água. As informações integram a pesquisa nacional sobre a seca divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
 
De acordo com a CNM, o Nordeste brasileiro enfrenta em 2013 a maior seca dos últimos 50 anos, com mais de 1.400 municípios afetados. A seca deste ano já é pior do que a do ano passado, que também foi recorde. Para mostrar essa realidade, a partir de amanhã o JORNAL DA PARAÍBA inicia uma série de reportagens sobre a seca no Estado.
 
O levantamento da CNM, com base em dados repassados pelas companhias de abastecimento e saneamento estaduais e as prefeituras municipais, foi realizado no período de 8 de abril a 2 de maio deste ano. Na Paraíba, a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) informou que os mananciais que abastecem João Pessoa e cidades litorâneas não enfrentam risco de falta de água, mas no interior do Estado, os reservatórios ainda estão com nível de água baixo.
 
O presidente da Cagepa, Deusdete Queiroga, informou que na região do Brejo, as chuvas que caíram desde o final de abril elevaram o nível de água acumulado nos reservatórios, mas ainda não foi suficiente para normalizar o abastecimento de água.
 
Em relação à decretação de situação de calamidade pública e de estado de emergência, o estudo da CNM aponta que, nos últimos 10 anos, foram reconhecidas 7.756 situações de emergência relacionadas à seca na região Nordeste, sendo que a Bahia, com 1.306 portarias, Ceará, 1.386 e a Paraíba, 1.235, são os Estados que mais se destacam em números de portarias.
 
“Esses dados demonstram que desde 2003 os estados do Nordeste vêm sofrendo cada vez mais com os danos causados pela seca prolongada e que as soluções não chegam à mesma proporção dos estragos provocados”, argumentou o presidente do CNM, Paulo Ziulkoski.

Dos 223 municípios paraibanos, a CNM conseguiu levantar dados de 163 cidades. Das localidades pesquisadas, 131 têm gastos mensais com compra de água, sendo que 87 despendem até R$ 50 mil, 39 de R$ 50 mil a R$ 100 mil, 5 gastam acima de R$ 100 mil mensais. Outros 17 declararam não comprar água. Entre os municípios que compram água, segundo o levantamento da CNM, estão Borborema, Emas, Areia, Livramento, Sobrado, Curral Velho, Malta e Jacaraú.
 
Sobre a distribuição de água, 93 dos entrevistados mostraram que são realizadas pelo Exército Brasileiro, outros 69 responderam que a distribuição é feita por serviço terceirizado e 52 indicaram outra forma de distribuição.
 
Chama muito a atenção que, em 82 municípios pesquisados, a água distribuída é exclusivamente para o consumo humano; em outros 50, 75% da água é para o consumo humano e 25% para o consumo de animais. Por sua vez, em 20 cidades, metade da água distribuída é para consumo humano e a outra metade para os animais.
 
Para o presidente do CNM, Paulo Ziulkoski, o consenso é que a maneira de conviver e enfrentar o fenômeno climático inevitável da seca só será possível através de obras hídricas estruturadoras: barragens, interligação de bacias a partir do São Francisco, infraestrutura para a agricultura irrigada e gestão permanente da água.
 
O presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), Rubens (Buba) Germano, afirma que a seca aflige dezenas de municípios paraibanos, matando animais e ameaçando a sobrevivência de milhares de famílias. Além de provocar perdas nas lavouras e causar prejuízo aos agricultores, compromete os reservatórios de água resultando em sede, fome e na perda de rebanho, bem como em problemas de risco à vida humana.
 
O presidente da Famup informou ainda que na próxima segunda-feira será realizada uma sessão especial na Assembleia Legislativa do Estado para discutir os problemas da seca. Na ocasião, os prefeitos farão um ato em protesto à política adotada pelo governo federal em relação à seca.
 
“Estamos cobrando uma maior atenção do governo federal sobre a questão da seca, que deixou um rastro de destruição sem comparação na história do Nordeste”, disse.
  

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

14 barragens na PB serão recuperadas

Além de garantir o abastecimento, também será incentivado o desenvolvimento de piscicultura e de irrigação das plantações nas regiões. 


 


Até o final deste ano a Paraíba terá 14 barragens recuperadas distribuídas entre os municípios do Litoral, Cariri, Curimataú e Sertão. Com uma média de 15 milhões de metros cúbicos de água em cada reservatório, as obras vão beneficiar mais de 200 mil pessoas localizadas tanto na zona urbana quanto na rural.

Além de garantir o abastecimento nas residências, também será incentivado o desenvolvimento de piscicultura e de irrigação das plantações nas regiões.

De acordo com a Secretaria de Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, estão em fase de licitação três lotes que serão submetidos aos serviços de recuperação de erosão do solo, profundidade e drenagem. Quem apontou esse cenário foi Francisco Leonam, gerente executivo de Infraestrutura Hídrica do Estado, que afirmou que assim que as obras forem iniciadas, elas terão um prazo de execução de no máximo quatro meses e um investimento de R$ 2 milhões.

“Acreditamos que ainda este ano poderemos entregar essas barragens, já que estamos em fase de licitação e o tempo de obra é considerado baixo. Beneficiaremos moradores de municípios como Riacho dos Cavalos, Mamanguape, Curral Velho, Rio Tinto, e outras 10 cidades, além dos municípios vizinhos e áreas rurais que vão ser assistidas através de projetos de irrigação e piscicultura”, destacou o gerente executivo.

A justificativa dada pela urgência da obra foi o tempo da construção das barragens cuja maioria tem mais de 30 anos de existência. “Nós só temos dois desses reservatórios que foram construídos há pouco mais de 10 anos. Os demais têm quase 30 anos” declarou Leonam. Ele acrescentou que as ações fazem parte do Programa de Recuperação de Barragens desenvolvido pelo governo do Estado e que inclui também as obras da barragem de Capivara, que abastece o Alto Sertão; Acauã e São José, que abastecem Campina Grande e região; Sistema Adutor do Congo e a barragem de Jandaia, em Bananeiras, já estão em pleno funcionamento, segundo o gestor.