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Em parceria com o Sebrae feira de produtos orgânicos acontece todos os sábados no estacionamento do Dnocs
Quem resolveu inovar na ceia de Natal deste ano e produziu a partir de
alimentos orgânicos não apenas provou mais sabor, mas também está
consciente dos riscos na saúde no longo prazo.
Uma revolução silenciosa vem mudando os hábitos de consumo na Paraíba, trazendo mais qualidade na alimentação no Estado.
Encabeçando essa mudança estão os produtos orgânicos, que ganham cada
vez mais espaço nas mesas dos paraibanos, que optam por pagar um pouco
mais por alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos.
O crescimento deste mercado fez com que o Sebrae-PB criasse, em
parceria com produtores de diversas regiões do Estado e a
Superintendência Federal do Ministério da Agricultura (Mapa), uma feira
exclusiva para hortaliças orgânicas, produzidas sem o uso de pesticidas
ou agrotóxicos e com os produtos certificados.
A primeira delas em João Pessoa foi realizada na metade de novembro, e
tem atraído cada vez mais visitantes todos os sábados, entre 6h e 11h,
no estacionamento do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas
(Dnocs), no bairro dos Estados. 22 produtores de Alhandra, Pedras de
Fogo, Pitimbu, Lucena, Jacaraú e São Miguel e Taipu participam da feira,
e a expectativa é dobrar o número em até um ano. Outras 40 feiras
semelhantes acontecem em diversas regiões de Estado.
O produtor Ivanilson Xavier da Silva, que vem semanalmente de Jacaraú
para a feira no prédio do Dnocs, diz que faturamento dobrou com a venda
direta ao consumidor. "Sem o atravessador dá para apurar R$ 800 a R$
1.000 nas quatro feiras mensais. Anteriomente era R$ 400", diz.
A empresária Kaya Yokoyama já é uma cliente assídua da feira de
orgânicos e desde a inauguração, no mês de novembro, sempre faz compras
no local. “Prefiro os produtos orgânicos porque a produção acontece de
forma ecologicamente correta, sem utilizar defensivos nem outros
produtos químicos. Além disso, comprando aqui nós contribuímos para que o
agricultor e a terra não se envenenem por causa do uso de agrotóxicos. E
nós também não nos envenenamos”, defendeu.
Para ela, o fato dos alimentos serem produzidos por agricultores
paraibanos também é um diferencial. “Como os produtos vendidos aqui são
produzidos todos na Paraíba, comprando aqui nós estamos beneficiando o
produtor local”, ressaltou, acrescentando que em comparação com os
preços dos produtos orgânicos vendidos em supermercados, comprar na
feira é mais vantajoso.
Já os aposentados José de Oliveira Neto e Maria Irene Morais moram no
bairro dos Estados e no último sábado aproveitaram para ir à feira
orgânica comprar alguns produtos. “Nós não tínhamos o hábito de comprar
produtos orgânicos porque faltavam opções. Estamos frequentando esta
feira pela segunda vez, principalmente porque os produtos são mais
saudáveis”, comentou José Oliveira.
Quanto ao preço, o casal diz não se importar que os produtos sejam um
pouco mais caros que aqueles que recebem agrotóxico. “Vale a pena, até
porque quando se envolve nossa saúde o preço é o mínimo que deve ser
considerado”, acrescentou o aposentado.
Para o gestor do projeto de olericultura (criação de hortaliças) do
Sebrae, Pablo Queiroz, a feira pretende beneficiar comunidade e
agricultores, já que além do ganho na saúde, os produtores vendem sem
atravessadores. “As verduras e legumes são vendidos a um preço justo.
Eliminando intermediários, os produtores podem vender um produto de
qualidade com preços mais baratos do que os supermercados”, avalia
Pablo.
Com o acesso ao mercado de forma justa, o feirante garante o
fortalecimento da cultura e da cooperação proporcionando uma melhoria na
renda dos familiares. “A feira orgânica servirá como acesso a novos
mercados e, em consequência, condições de melhoria de todo o processo
envolvido no plantio, produção, colheita e comercialização de produtos
da agricultura familiar’’, avalia o gestor.
Segundo Pablo, "a medida em que a população se concientiza em relação
aos benefícios do consumo de vegetais sem agrotóxicos, o mercado
cresce. Quem prova os orgânicos sente a diferença no cheiro, sabor e até
na durabilidade do produto dentro da geladeira”.
Mudar
radicalmente a racionalidade econômica; aproximar as preocupações da
ciência econômica junto à necessidade de libertar o homem; criar um novo
ambiente propício para a vida de todos os seres humanos, sem a divisão
costumeira que privilegia alguns em detrimento de muitos e reconhecer,
definitivamente, a existência de limites físicos ao crescimento da
economia. Esses são alguns pontos centrais da discussão em torno do que
se convenciona chamar socialismo ecológico; ou como alguns preferem de
eco-socialismo.
Socialismo, sim, no sentido de enaltecer os laços
sociais e políticos que respeitam, primeiramente, a Mãe Terra.
Socialismo, ainda, no sentido de fazer a crítica verdadeira ao
“deus-capitalismo” que se afirma consoante à ideia básica de que o
mercado, altar sagrado do dinheiro, pode tudo e tudo pode. Esse
socialismo, aqui defendido, se põe em posição contrária a essa premissa,
pois entende e afirma que o mercado é incapaz de resolver tudo e que o
mundo não pode viver apenas de consumo e mais consumo, como esse
“deus-capitalismo” sempre quis.
Quem tem olhos para ver sabe que a
contradição entre o capital e a natureza está posta e deve ser
repensada à luz de nova perspectiva que inclua, essencial e
preferencialmente, o ser humano dentro do objeto de análise dos modelos
econômicos, partindo do pressuposto que o mundo não pode ser pensando,
como dissemos, como sendo uma simples mercadoria pronta para ser
digerida por bocas ávidas.
Se for fato que o consumo consome o
consumidor, o socialismo ecológico vem para refutar o deus-mercado e pôr
novas regras no jogo da vida social, defendendo as bases de sustentação
da vida, condenando, primeiramente, o consumo artificialmente induzido
pela fútil publicidade.
Esse socialismo ecológico tem sido
defendido por eminentes pensadores. Destacam-se, dentre esses, o
economista mexicano Enrique Leff, o sociólogo Michael Lowy, além de
Victor Wallis, John Bellamy Foster, Jean-Marie Harribey, Raymond
Willians, David Pepper e tantos outros que apontam para a necessidade de
incutir no imaginário coletivo a verdade de que toda vez que o capital
se constrói sob as ruínas da natureza é a vida de todos nós que entra em
perigo.
Talvez seja por isso que Enrique Leff acertadamente
pontua que “a economia está gerando a morte entrópica do mundo”. Essa
“morte”, em nosso entendimento, é cada vez mais explícita quando se
percebe que a única preocupação dos “Senhores da Economia Mundial” está
em salvar o grande capital, não em salvar o planeta e a vida. Por sinal,
melhor seria dizer em salvar a vida, pois o planeta saberá viver sem
nós uma vez que não depende de nossa incômoda presença; nós é que
dependemos do planeta.
Pelo lado da economia voraz e consumista,
base de sustentação desse deus-mercado, que a tudo destrói em nome de
atender aos ditames mercadológicos, somos sabedores de que a ordem da
macroeconomia comandada por esses “Senhores” é uma só: fazer crescer e
crescer e crescer cada vez mais a economia mundial.
Do outro
lado, para o bem da sobrevivência e do respeito às leis da vida, a ordem
da ecologia também é una: lutar pela possibilidade de assegurar a
sobrevivência de nossa espécie.
Conquanto, o fato é que já não é
mais possível aceitar a prédica mercadológica que faz com que uma
minoria prospere enquanto a maioria conhece de perto o drama da exclusão
numa sociedade que parece não ser de outra natureza além daquela
consumista, insuflada pela propaganda, financiada pelo capital,
destruidora da natureza.
Os que defendem o modelo de fazer a
economia crescer sem limites para assim promover a “felicidade geral”,
como se isso fosse exeqüível, e como se não houvesse nenhum tipo de
diferença sócio-econômica, se equivocam ao ignorar que esse
“crescimento” é dependente das leis da natureza e a natureza, em toda
sua amplitude, não é (e nunca será) capaz de dar conta dessa política de
crescimento.
Nesse sentido, a economia parece ser completamente
míope em relação à necessidade de se regular a produção. Para o bem
daqueles que se encontram ao lado da ecologia, contra a economia
destruidora, cabe atentar aos preceitos desse novo pensamento que ganha,
cada vez mais, contornos de paradigma que veio para ficar. Consoante a
isso, analisemos a seguir o que tem dito Lowy e Bellamy Foster que
trabalham a idéia de “eco-socialismo”.
O eco-socialismo Afinal,
o que é o ecossocialismo? Para Lowy, “Trata-se de uma corrente de
pensamento e de ação ecológica que toma para si as conquistas
fundamentais do socialismo – ao mesmo tempo livrando-se de suas escórias
produtivistas”.
Já o sociólogo John Bellamy Foster definiu o
eco-socialismo como sendo “a regulação racional da produção, respeitando
a relação metabólica entre os sistemas sociais e os sistemas naturais,
de forma a garantir a satisfação das necessidades comuns das gerações
presentes e futuras”.
Portanto, a definição dada por Foster não
está muito distante da recomendação feita pelo Relatório Brundtland.
Para melhor ilustrar-se essa questão, três aspectos realçam o
posicionamento de Foster. São eles:
* O reconhecimento dos
limites ao crescimento e a ruptura com a lógica produtivista que associa
o aumento do bem-estar a um aumento da produção. Colocar o prefixo eco
na palavra socialismo implica conciliar a igualdade intra-geracional com
a igualdade inter-geracional;
* A reformulação do sistema
produtivo de forma a torná-lo dependente unicamente do uso de recursos
renováveis, articulando com o princípio anterior. Cumpre ressaltar que a
sustentabilidade exige um uso dos recursos renováveis a um ritmo que
garanta a sua renovação;
* O uso social da natureza, privilegiando a gestão comunitária de recursos comuns.
Como
visto, os termos eco-socialismo e socialismo ecológico estão longe de
serem apenas modismos ou meras retóricas românticas. São, ademais,
conceitos que ganham contornos relevantes num mundo que vive
intensamente a mais grave crise ecológica de toda a história. Para o bem
de todos nós, o pensamento em defesa da sustentabilidade se fortalece
no dia a dia. A natureza e a vida agradecem.
Marcus Eduardo de
Oliveira é economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO,
em São Paulo. Membro do GECEU – Grupo de Estudos de Comércio Exterior
(UNIFIEO). Contatos: e-mail - prof.marcuseduardo@bol.com.br