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domingo, 2 de abril de 2017

Desertificação ameaça 94% das terras na Paraíba e é irreversível, diz Insa

02/04/2017 14h15 - Atualizado em 02/04/2017 17h08
Paraíba é o estado mais afetado, proporcionalmente, pela desertificação.
Processo de degradação ambiental torna as terras inférteis e improdutivas.

Krystine Carneiro

Do G1 PB


Além da seca, que já vem afligindo os paraibanos há cinco anos, outro problema ameaça o solo e a vegetação do estado. Só que, desta vez, o processo é irreversível. A Paraíba é o estado brasileiro mais afetado, proporcionalmente, pela desertificação - processo de degradação ambiental que torna as terras inférteis e improdutivas - segundo dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa). Ela é uma consequência das ações humanas e não pode ser revertida - nem com chuva -, apenas desacelerada.
 
O G1 mostra, em uma série de reportagens, uma pequena amostra da realidade vivida na região - e as muitas saídas que encontra para conseguir sobreviver. Confira aqui as histórias, contadas em cada um dos nove estados do Nordeste brasileiro.
 
De acordo com a classificação do Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca no Estado da Paraíba (PAE-PB), 93,7% do território do estado está em processo de desertificação, sendo que 58% em nível alto de degradação.

“A desertificação é um processo cumulativo de degradação ambiental, que afeta as condições econômicas e sociais de uma região ou país, que ao mesmo tempo em que reduz continuamente a superfície das terras agricultiváveis, faz com que a população desses locais ocupe novos territórios, em busca da sobrevivência”, explica o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), Humberto Barbosa.

Fogão à lenha ainda é usado com madeira desmatada da caatinga (Foto: Reprodução/TV Paraíba)
Fogão à lenha ainda é usado com madeira desmatada
da caatinga (Foto: Reprodução/TV Paraíba)

O desmatamento da caatinga muitas vezes é feito por pessoas que nem entendem a gravidade da situação. Na casa da agricultora Maria Ana, na zona rural de Santa Cruz, no Sertão paraibano, por exemplo, ainda se usa a madeira da caatinga para o fogão à lenha.

Agricultor corta árvores da caatinga para usar madeira no fogão à lenha (Foto: Reprodução/TV Paraíba)
Agricultor corta árvores da caatinga no Sertão da PB
(Foto: Reprodução/TV Paraíba)
Apesar de também ter um fogão à gás, a idosa prefere manter o equipamento mais antigo em casa. "Eu já estou acostumada, eu acho que [o fogão à lenha] é mais rápido. Eu uso os dois, mas mais esse porque já fui criada nisso mesmo”, justificou.

Quem faz o corte da madeira para abastecer o fogão de Maria Ana é o agricultor Bianor Alves Júnior. Ele explica que corta espécies de angico, catingueira e jurema. “[Corta] inteira. Aí depois tira os galhos e leva a madeira”, relata. “Aprendi com meu pai. Já há muitos anos”.

O mestre em engenharia agrícola explica que há uma alternativa para continuar usando o fogão à lenha sem desmatar a caatinga. “O correto seria que aquele produtor ou aquele agricultor que ainda utiliza fogo à lenha que ele coletasse aquelas árvores já mortas na mata e caídas, não que cortasse as árvores”, recomenda.

Núcleo de desestificação do Seridó é composto por municípios da Paraíba e Rio Grande do Norte (Foto: Reprodução/INSA)
Núcleo de desestificação do Seridó é composto por municípios da Paraíba e
Rio Grande do Norte (Foto: Reprodução/INSA)

Os núcleos de desertificação do Semiárido brasileiro compreendem uma área 68.500 km² em cinco estados: Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Piauí. Esse locais já atingiram níveis de degradação tão altos que são comparados aos desertos - ecossistemas naturais característicos de zonas áridas.

Dos 59 municípios que estão nesse perímetro, conforme a classificação do Ministério do Meio Ambiente, 28 são da Paraíba, localizados no Núcleo do Seridó.

Outra área em situação crítica do estado são os Cariris. Segundo Humberto Barbosa, outros 29 municípios da Paraíba estão em Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD), sendo 12 no Cariri Oriental e 17 no Cariri Ocidental.

Os pesquisadores do Lapis também perceberam que, desde 2010, a seca tem contribuído para a expansão das Áreas Susceptíveis à Desertificação. De acordo com os números levantados por equipes do laboratório, áreas de entorno estão aumentando nos últimos anos. “Com elas, pode-se atingir um salto significativo nas áreas classificadas como degradação muito forte e forte nos próximos anos”, comenta Barbosa.

Vila da Ribeira, distrito de Cabaceiras, está em processo de desertificação, segundo o INSA (Foto: Reprodução/Lapis/INSA)
Vila da Ribeira, distrito de Cabaceiras, está em processo de desertificação,
segundo o INSA (Foto: Reprodução/Lapis/INSA)

Saúde de rios e açudes
Além do solo, a desertificação ainda pode afetar a capacidade de rios e açudes, segundo o coordenador do Lapis. Barbosa explica que, com o desmatamento da mata ciliar, a camada infértil do solo é retirada e acaba sendo depositada nas áreas com água.

“Porque as áreas do entorno estão sendo desmatadas, o depósito de areia no Rio São Francisco tem diminuído a vazão dele em alguns pontos. Então a desertificação pode afetar a saúde do rio. Há uma relação direta. Isso leva tempo, não vai ser breve, mas já vem acontecendo. O depósito de areia no açude de Boqueirão também é muito grande e diminui a capacidade volumétrica do açude. ”, diz.

Lapis mapeou a desertificação no Semiárido com monitoramento por satélite durante 10 anos (Foto: Reprodução/Lapis/INSA)
Lapis mapeou a desertificação no Semiárido com monitoramento por
satélite durante 10 anos (Foto: Reprodução/Lapis/INSA)
 
 
Processo de desertificação
O processo de desertificação é lento e tem início com o desmatamento de uma área, conforme explica o professor Humberto Barbosa. Esse espaço desmatado é abandonado ou ocupado com pastos e pecuária extensiva. Com isso, o solo fica mais exposto ao sol, água e vento devido à extração da floresta e a substituição por uma vegetação rasteira frequentemente manipulada de forma inadequada.

Como consequência, o solo fica mais fragilizado aos agentes erosivos e perde sua capacidade de absorção de água e nutrientes, desencadeando um maior escoamento superficial. Assim, são levadas grandes quantidades de solo, causando assoreamento dos rios e açudes e, finalmente, o solo chega aos oceanos. “De lá fica difícil trazê-lo de volta”, explica Humberto Barbosa.
 
A última etapa é a perda da fertilidade e da capacidade produtiva do solo. A partir daí, a terra deixa de produzir alimentos, a atmosfera se desidrata e se aquece, dificultando as chuvas, as reservas de água das profundidades do solo diminuem, as fontes se estancam e os rios se tornam intermitentes. 

“Em seguida, a renda familiar e disponibilidade de alimentos acabam. Sem renda e alimentos, ocorre uma deterioração das condições sociais dos locais afetados. Há insegurança alimentar e saúde mais vulnerável. Há empobrecimento material e espiritual da família. Logo, o homem foge. Quando isto acontece, há uma degradação social nas áreas afetadas”, descreve o professor.
 
Combate
Para combater o processo de desertificação, o professor Humberto Barbosa cita duas ações que podem ser úteis: a criação de áreas de conservação da caatinga e a bioprospecção - que a exploração dos recursos genéticos e bioquímicos das espécies, principalmente pela indústria farmacêutica. “A caatinga tem uma biodiversidade que permite a extração de fármacos, para gerar produtos. E isso é um valor agregado à floresta. Políticas públicas de conservação da caatinga podem incentivar o turismo, gerar empresas, atrair pesquisas”, argumenta.
 
A assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente (MMA) informou que a Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, por meio do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação (DRSD), vem desenvolvendo uma série de ações no sentido da implementação da Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca.

Uma delas é o desenvolvimento do Sistema de Alerta Precoce contra Seca e Desertificação (SAP). A partir deste sistema, vão ser divulgadas informações atualizadas sobre as áreas susceptíveis e afetadas pelo processo de desertificação e, com isso, vai permitir o monitoramento das ações de combate à desertificação no país, identificando lacunas e orientando as ações de combate à desertificação.
 
O DRSD ainda vem apoiando um conjunto de ações de capacitação e implementação de boas práticas para conservação e recuperação do solo, água e biodiversidade, promovendo o combate aos vetores da desertificação e gerando trabalho e renda. A principal estratégia para o combate à desertificação do MMA, no entanto, é a implantação de Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas (URAD). Estas unidades têm com unidade de trabalho as microbacias hidrográficas e conjugam ações ambientais, sociais e produtivas, com o envolvimento direto das comunidades e prefeituras. Para instalar estas unidades a equipe do DRSD está selecionando áreas e captando recursos financeiros de diversas fontes.
 
Por último, a elaboração do Decreto de Regulamentação da Lei nº 13.153/2015, com o objetivo de criar condições que favoreçam a implementação da Convenção de Combate à Desertificação, criando mecanismos de informação, financiamento, envolvimento da sociedade e monitoramento.


 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Açude de Boqueirão começa a receber água

Publicada em 05/02/2015
Açude de Boqueirão começa a receber água Os moradores de 19 municípios paraibanos já podem comemorar. O açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) já começou a receber água proveniente dos Rios Taperoá e Paraíba, que estão registrando desde ontem à noite fortes enchentes. O açude está em situação crítica e encontra-se com apenas 21,4% de sua capacidade.

O reservatório gerenciado pela Agência Nacional das Águas (ANA), em parceria com a Aesa e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), comporta 411 milhões de metros cúbicos e está com pouco mais de 88 milhões de metros acumulados.

Choveu em vários municípios do Cariri e na cidade de São José dos Cordeiros ocorreu a maior precipitação:152 milímetros. Já em Taperoá, choveu 138,5 milímetros. Segundo a Aesa, a precipitação ocorreu entre a tarde de quarta-feira (4) e a manhã desta quinta-feira (5), sendo a maior dos últimos 21 anos na cidade.

Segundo dados da Aesa, desde ontem choveu em 57 éreas monitoradas. Conforme os meteorologistas, a previsão é de que mais chuvas isoladas ocorram durante a tarde e noite em cidades do Cariri, Sertão e Alto Sertão.

Fonte



domingo, 16 de março de 2014

Newton adverte classe Política para incorporar Coremas à Transposição

3/16/14 - 11:27 AM - Atualizado em 3/16/14 - 11:35 AM

Especialista lembra que projeto foi aprovado por vários Estados

O engenheiro agrônomo, Newton Marinho, estudioso em projetos hídricos no Estado e outras matérias envolvendo efeitos da estiagem continuada no Semi-árido, advertiu a classe política paraibana para que lutem visando incorporar recursos com objetivo de concretizar o projeto em execução pela Secretaria estadual de Recursos Hídricos incorporando o Complexo Coremas-Mãe d'Água ao Projeto da Transposição, via PAC.

Eis, na integra, a exposição com dados do experiente especialista no assunto:

“Súmula sobre a distribuição geográfica das águas da transposição no sertão da Paraíba.

O projeto da transposição, na sua fundamentação básica, foi concebido em primeiríssimo lugar para “garantir a segurança hídrica às populações e aos animais, assegurando ainda à região, uma oferta de água capaz de promover o seu progresso, através da indústria e outras atividades, independente dos efeitos negativos das estiagens”.

A irrigação ficaria condicionada aos estoques de água disponíveis nos reservatórios existentes na região, viabilizando a estes a possibilidade de recarga e caso de grandes estiagens, aproveitando a época de maior oferta no Rio São Francisco. Para isso os canais e demais equipamentos atualmente em execução, foram planejados dentro dessa possibilidade.

Comentário sobre a transposição no sertão da Paraíba:
As águas da transposição (eixo norte),chegarão ao semiárido da Paraíba pela região do Sertão de Cajazeiras, em seguida seguirão pela região de Sousa rumo ao Rio Grande do Norte via Rio Piranhas, unindo-se ao Rio Piancó no Município de Pombal, abaixo do seu perímetro urbano, banhando as sedes dos municípios de Paulista e São Bento, e, tangenciado toda a micro-região de Catolé do Rocha. Dessa forma, conclui-se que a região ao norte do sertão, terá vários pontos estratégicos para um efetivo atendimento hídrico, beneficiando mais de 8.500 km² das micro-regiões acima.

Por outro lado, a parte sul do sertão que compreende as regiões do Vale do Piancó, Vale do Espinharas, Vale do Sabugy e a parte urbana do município de Pombal, ficaram fora do projeto da transposição, ou seja: continuarão na dependência das inconstantes precipitações pluviométricas para o abastecimento humano e apoio ao progresso. A área das micro-regiões desassistidas é de aproximadamente 16.000km², compreendendo 39 municípios, portanto duas vezes mais extensa que a parte norte do sertão.

A população total chega a 380.000 habitantes,com destaque para as cidades de Conceição com 19.000 habitantes, Itaporanga com 24.000, Piancó com 16.000, Santa Luzia com 15.000, Pombal com 33.000 e Patos com 102.000 habitantes. Reafirmando o que já foi anteriormente dito, a oferta hídrica a esse contingente humano,fica condicionada as inconstâncias climáticas, na única dependência do complexo Coremas/Mãe D’água que além de não ir receber as águas do São Francisco, tem a obrigação legal de liberar uma vazão constante de 4m³/seg para o Rio Grande do Norte através do Rio Piranhas.

Com a não inclusão do complexo Coremas/Mãe D’água como receptor das águas da transposição, toda essa imensa região ficará fora dos objetivos básicos do programa acima descritos como (foi concebido em primeiríssimo lugar para garantir a segurança hídrica às populações e aos animais, assegurando ainda à região, uma oferta de água capaz de promover o seu progresso, através da indústria e outras atividades, independente dos efeitos negativos das estiagens).

Para superação desse inconveniente, a solução seria a defesa por parte da classe política do estado de uma entrada de água (tecnicamente viável) proveniente do eixo norte do projeto, à altura do município de Conceição, integrando o 4º maior reservatório do nordeste com seus 1,4 bilhão de m³ ao projeto da transposição.

Sua exclusão foi um erro gravíssimo de planejamento e um descuido inexplicável da classe política local.
Como ações objetivas visando a correção desse equívoco, já houve uma aprovação da nova entrada de água por parte do comitê gestor da obra, que é formado pelos quatro estados componentes e mais os ministérios afins como o da Integração, Meio Ambiente e outros.

O Estado da Paraíba através da Secretaria de Recursos Hídricos contratou o projeto que já se encontra em fase final, segundo informações do próprio secretario Dr. João Azevedo.

Entretanto os representantes políticos locais não vêm dando a devida importância ao problema. Levando-se em consideração por hipótese, que se não existissem outras cidades a serem beneficiadas pelo projeto, pela importância para o desenvolvimento do estado, bastaria apenas a cidade de Patos com seus 102.000 habitantes para justificar a ação.

Recomendações:
1- Pedir urgência ao estado na finalização e aprovação do projeto, para se ter uma idéia dos custos da obra;
2- Formalizar o pedido oficial de inclusão da obra no PAC;
3- Garantir os recursos orçamentários e,
4- Iniciar os tramites burocráticos, visando a licitação.

newton.coelho@bol.com.br 83 88641138
 
Da Redação
WSCOM Online


 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Companhia prevê perfuração de 900 poços artesianos este ano na Paraíba

04/01/2014 09h48 - Atualizado em 04/01/2014 09h54 

CDRM tenta parceria como Governo Federal.
Órgão está contratando pessoal e adquirindo mais maquinário.
 
Do G1 PB
 
 
A perfuração e a instalação de 900 poços artesianos está sendo projetada pela Companhia de Desenvolvimento dos Recursos Minerais da Paraíba (CDRM) para este ano. No ano passado, o órgão perfurou 310 e em 2012, 195 poços em toda a Paraíba.
 
Para crescer tanto em quantidade, a CDRM afirma que novas equipes que estão sendo contratadas por meio de Processo Seletivo Simplificado e que haverá aquisição de novos maquinários.
 
Além disso, a companhia divulgou que já em janeiro, as quatro equipes de perfuração e as três de instalação vão acelerar os trabalhos. “Vamos atender as demandas do Vale do Piancó, Cariri, Seridó e demais regiões, dentro das prioridades, e assim contribuir com a oferta de água”, disse através de nota o diretor presidente da CDRM, Marcelo Sampaio Falcão. 
 
Segundo Falcão, para ampliar o número de poços, o Governo do Estado tenta uma parceria com o Governo Federal. "Com mais recursos, equipes e perfuratrizes, o órgão terá condições técnicas de perfurar em média 80 poços por mês", disse.
 
O processo seletivo simplificado para contratação de pessoal em caráter excepcional vai preencher 20 vagas na CDRM. Três dos contratados exercerão a função de operador de sonda; quatro serão auxiliar de sondagem; quatro vão atuar como auxiliar de serviço de campo; dois, como auxiliar de serviço de campo na área de alvenaria; quatro montadores, dois auxiliares de serviço mecânico e um engenheiro mecânico.
 
 
Fonte
 
 
 

Edital incentiva para projetos de combate à desertificação

03/01/2014 - 11:34 

Banco do Nordeste tem R$ 3 milhões para projetos de combate à desertificação ou convivência com semiárido 


 Com o objetivo de incentivar a criação de projetos de pesquisa e difusão de tecnologias de combate à desertificação ou de convivência com o Semiárido, o Banco do Nordeste lançou edital de apoio. Ao todo, foram disponibilizados R$ 3 milhões, recursos não reembolsáveis oriundos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci).

O edital estará disponível para consulta no site do Banco do Nordeste (www.bnb.gov.br), entre 27 de janeiro e 25 de abril. Neste mesmo período, as propostas deverão ser apresentadas, exclusivamente via Internet. Para isso, deve-se utilizar o sistema de gerenciamento de convênios, localizado no endereço http://www.bnb.gov.br/fundeci. A divulgação do resultado da pré-seleção está prevista para 30 de junho de 2014.

“Os temas e linhas de pesquisa do edital contribuem para o desenvolvimento do semiárido brasileiro e para a mitigação de riscos de operações de crédito realizadas nessa região prioritária para as aplicações do Banco”, afirma o Gerente de Ambiente de Programas Especiais e de Fundos de Pesquisa do Banco do Nordeste, Antonio Roberto Albuquerque Silva.

Segundo ele, os projetos devem ser aplicáveis à porção semiárida da área de atuação do Banco do Nordeste (Região Nordeste, e norte dos Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo) e se enquadrar em pelo menos uma das linhas especificadas (conservação, recuperação, monitoramento e mitigação da desertificação do semiárido; e convivência com o semiárido).

O valor de cada projeto aprovado não pode ser inferior a R$ 50 mil nem superar o teto de R$ 300 mil, assegurando-se pelo menos 40% dos recursos para projetos de difusão.

A avaliação dos projetos será efetuada por uma comissão técnica formada por técnicos especializados do próprio Banco, podendo recorrer, se necessário, a especialistas no tema, externos aos seus quadros, para a realização das etapas de seleção, devendo o resultado ser homologado pela Diretoria Executiva.

Gerido pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), órgão vinculado ao Banco do Nordeste, o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci) é pioneiro no fomento à pesquisa e à difusão de tecnologias direcionadas às atividades produtivas, contribuindo para a superação de gargalos do setor produtivo e para a mitigação do risco operacional do Banco. Seu objetivo é o desenvolvimento, a validação e a difusão de tecnologias compatíveis com as peculiaridades regionais, especialmente do semiárido, considerando-se os aspectos econômicos, sociais e culturais do setor produtivo.


da Redação (com assessoria)
WSCOM Online

 Fonte

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

As muitas faces do sertão

Deficiência hídrica e clima semiárido exigiram respostas adaptativas sofisticadas de espécies da caatinga

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição 209 - Julho de 2013
 
Fazenda Dona Soledade, na Paraíba: heterogeneidade de ambientes é uma das marcas da caatinga
Fazenda Dona Soledade, na Paraíba:
heterogeneidade de ambientes é uma
das marcas da caatinga.
© FERNANDO ROSA
Em 1818, durante a expedição austríaca no Brasil – investigação científica que trouxe ao país pesquisadores e artistas para estudar e retratar espécies e paisagens próprias da biodiversidade brasileira –, dois naturalistas, Carl Friedrich von Martius e Johann Baptiste von Spix, se impressionaram com a diversidade vegetal de uma floresta teoricamente incomum para a região, próxima às margens do rio São Francisco, no município de Januária, em Minas Gerais. O fascínio dos naturalistas justificava-se, em grande parte, pelo fato de aquela vegetação estar em uma área própria da caatinga, um ecossistema determinado por um clima predominantemente semiárido, no qual a disponibilidade hídrica é baixa e extremamente variável. Como muitos, é provável que os dois alemães acreditassem que a caatinga caracteriza-se como um ambiente homogêneo, o que não é verdade: “Por lá há uma grande variação de condições ambientais, essenciais para o surgimento e a manutenção de várias espécies bem adaptadas ao clima da região”, destacou o biólogo Bráulio Almeida Santos, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em sua palestra no quinto encontro do Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação, em 20 de junho, em São Paulo.
 
A caatinga, explicou o biólogo, ocupa hoje 11% do território brasileiro, estendendo-se por aproximadamente 845 mil quilômetros quadrados (km²). Está dividida em oito ecorregiões – todas elas distribuídas em paisagens, tipos de solo e vegetações bastante distintos –, nas quais as chuvas podem não atingir os mil milímetros (mm) ao longo do ano. “Em algumas áreas a estiagem pode chegar a 11 meses”, disse. Atualmente, a região enfrenta sua pior seca em 30 anos, o que tem afetado a vida de 27 milhões de pessoas. Somente no estado da Bahia, mais de 214 municípios declararam estado de emergência este ano.
 
A partir da esquerda, os biólogos: Bráulio Almeida Santos, Luciano Paganucci de Queiroz 1 2 e Adrian Garda
A partir da esquerda, os biólogos:
Bráulio Almeida Santos, Luciano Paganucci
de Queiroz e Adrian Garda.
© LÉO RAMOS

 
Esses fatores ambientais têm, ao longo de milhares de anos, exigido respostas adaptativas específicas das plantas locais, o que lhes permite sobreviver num ambiente cada vez mais quente e seco. Uma dessas respostas é o ajuste que determinadas espécies fazem quanto à manutenção de suas folhas. Isso se dá por uma boa razão: quanto menos folhas as plantas têm, menor será a perda  de água durante as estações mais secas. Algumas delas chegam a fazer a fixação de gás carbônico (CO2) à noite, utilizando-o na fotossíntese durante o dia, quando seus estômatos – estruturas nas folhas para troca de água e gases – estão fechados. “Esses são alguns dos mecanismos encontrados por essas espécies para não perderem água pela transpiração, que se dá pelas folhas. Uma estratégia simples, mas que lhes permite reter água para as épocas mais secas”, disse o biólogo Luciano Paganucci de Queiroz, da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia, um dos convidados do ciclo de conferências.
 
Segundo ele, esse racionamento é uma das razões que têm contribuído para determinar o tamanho dessas plantas e também de suas folhas. Isso porque esse mecanismo, ao mesmo tempo que lhes garante melhor adaptação ao clima semiárido, restringe o surgimento de árvores de grande porte. “As plantas da caatinga não crescem de modo contínuo por não terem água disponível o suficiente o ano todo”, disse o biólogo.
  
perereca Corythomantis greeningi: adaptações complexas às adversidades do clima
Perereca Corythomantis greeningi: adaptações
complexas às adversidades do clima
© ADRIAN GARDA
Outra resposta adaptativa dessas espécies aos variados ambientes do semiárido é a proteção que desenvolveram para suas folhas, enquanto ainda as têm. Essa proteção se dá por meio de acúleos, projeções pontiagudas que nascem na superfície do caule das plantas, e de tricomas, pequenos “pelos” que contêm substâncias urticantes e que, ao tocar a pele, podem desencadear reações alérgicas. Boa parte das plantas da caatinga, como os cactos, apresenta-se armada com esses escudos naturais. “Trata-se de um mecanismo de defesa bastante interessante contra animais herbívoros”, destacou Queiroz. “Essas espécies mantêm suas folhas por um curto período de tempo durante o ano, logo elas são muito preciosas e por isso precisam ser protegidas.” Segundo ele, as condições às quais essas espécies têm sido submetidas vêm se configurando como um importante filtro ambiental, influenciando o processo evolutivo das espécies desse ecossistema ao longo do tempo.
 
Riqueza de espécies
Apesar das circunstâncias desfavoráveis, a caatinga tem grande variedade de plantas, muitas delas endêmicas. São cerca de 6 mil espécies, distribuídas em 1.333 gêneros, dos quais 18 são próprios da região (endêmicos). Das 87 espécies de cactos da caatinga, 83% são exclusivas desse ecossistema. É o caso do mandacaru (Cereus jamacaru) e do xique-xique (Pilosocereus gounellei), espécies ameaçadas, “pois são retiradas ainda jovens de seu ambiente e vendidas como souvenir em restaurantes de beira de estrada”, alertou Queiroz.

Também a família das leguminosas, a mais diversa da caatinga, engloba várias das espécies exclusivas do semiárido, como a mucunã (Diclea grandiflora) e a jurema-preta (Mimosa tenuiflora). Muitas delas desempenham importantes funções ecológicas. Devido à associação com algumas bactérias, essas plantas ajudam na fixação de nitrogênio pelo solo, tornando-o mais nutritivo. Mas mesmo com os avanços na identificação de novas espécies, como a Prosopanche caatingicola, planta parasita catalogada em 2012, a falta de dados em relação à biodiversidade florística desse ecossistema ainda é grande.
 
Esse desconhecimento também se estende à fauna da caatinga, sobretudo em relação aos invertebrados, enfatizou o biólogo Adrian Garda, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), um dos palestrantes presentes. Segundo ele, por muito tempo se acreditou que a caatinga era um ecossistema descaracterizado, com baixos índices de endemismo e diversidade de espécies. “Pensava-se que a caatinga era uma subamostra de outros ecossistemas”, disse. Sabe-se hoje que ela é a região semiárida mais diversa do mundo.
 
Diversidade ameaçada
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a região do semiárido possui 591 espécies de aves, 241 de peixes e 178 de mamíferos. Estima-se que 41% das espécies da caatinga ainda permaneçam desconhecidas, enquanto 80% ainda são pouco estudadas. “Há uma carência de dados em relação à diversidade de animais desse ecossistema”, ressaltou Garda. Mas os índices de endemismo registrados por lá sugerem que sua fauna tenha sido submetida a um processo evolutivo local independente, com muitas espécies adaptadas a este domínio.
 
Por exemplo, a Corythomantis greeningi, perereca típica da região, nas épocas secas hiberna por meses entre pequenas frestas de rochas seladas por seu crânio altamente modificado, se protegendo de predadores e armazenando água. Já o Scriptosaura catimbau, lagarto adaptado a regiões de solos arenosos, “literalmente se enterra e ‘nada’ por debaixo da areia”, comentou. Outras espécies, como a rã Pleurodema diplolister, chegam a se enterrar a mais de 1,5 metro na procura de água em épocas de seca. “Mas ainda precisamos compreender melhor o que pretendemos preservar”, completou Garda.
 
Serpente da espécie Epicrates assisi...
Serpente da espécie Epicrates assisi
© ADRIAN GARDA
De acordo com a Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, de 2002 a 2008 a área desmatada no semiárido foi de 15 mil km² – pouco mais de 2 mil km² por ano. Restam hoje apenas 54% da vegetação original da caatinga. Segundo Santos, das 364 unidades de conservação (UCs) cadastradas no MMA, 113 são destinadas à proteção e conservação do ecossistema, sendo que elas cobrem apenas 7,5% de seus 845 mil km².
 
Para ele, a principal causa de desmatamento na região é a produção de energia. Abatida, a mata nativa vira lenha e carvão para siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo, ou de indústrias de gesso e cerâmica instaladas no próprio semiárido. Na sua avaliação, as consequências do uso inapropriado dos recursos naturais da região é a perda de hábitats e a fragmentação de ecossistemas. “Não se trata de deixar de utilizar os recursos naturais da caatinga, mas sim de identificar até que ponto podemos usá-los sem comprometê-la.”
 
Santos lembrou que a criação desregulada de cabras e ovelhas também tem contribuído para a degradação da vegetação da caatinga. Em torno de 17 milhões de cabras e ovelhas consomem diariamente a vegetação local. “Muitas vezes a cerca necessária para manter o rebanho em uma área custa mais do que a propriedade. Assim, muitos produtores deixam seus animais soltos, consumindo a vegetação indiscriminadamente”. Para ele, o uso mal planejado dos recursos naturais já está levando à desertificação da caatinga.
  
... comum em regiões como a das Cabaceiras, na Paraíba
… comum em regiões como a das Cabaceiras,
na Paraíba. © FERNANDO ROSA
“É preciso conservar a vegetação remanescente, expandindo a rede de áreas protegidas”, disse Santos. “É importante promover o manejo adequado das áreas que sofrem influência da atividade humana e educar todos que vivem ou fazem uso dos recursos naturais da região, resgatando o sentimento de pertencimento à caatinga.” Para isso, concluiu, é fundamental ampliar o apoio à pesquisa e ao ensino, além da fiscalização, garantindo a preservação da diversidade biológica da caatinga. Diversidade que os naturalistas alemães há muito já haviam constatado. “Julgamo-nos aqui transportados a um país inteiramente diverso. Em vez de matas secas, desfolhadas ou de campos do alto sertão, vimo-nos de todos os lados cercados de matas virentes, que orlavam extensas lagoas piscosas”, escreveram em Viagem pelo Brasil, obra em que relatam suas excursões pelo país entre 1817 e 1820.
 
O Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação é uma iniciativa do Programa Biota-FAPESP, em parceria com a revista Pesquisa FAPESP, voltada à discussão dos desafios ligados à conservação dos principais ecossistemas brasileiros: pampa, pantanal, cerrado, caatinga, mata atlântica e Amazônia, além dos ambientes marinhos e costeiros e a biodiversidade em ambientes antrópicos – urbanos e rurais (ver programação ao lado). As palestras pretendem, até novembro, apresentar o conhecimento gerado por pesquisadores de todo o Brasil, visando a contribuir com a melhoria da educação científica e ambiental de professores e alunos do ensino médio do país. 



 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Consequências da estiagem podem durar anos

Recuperação do que foi perdido não acontece de um dia para o outro, alerta pesquisador da Embrapa.



Francisco França
O pesquisador Pedro Gama, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), disse que as consequências da seca podem perdurar por muito tempo depois, pois após o período da seca chegará a vez dos agricultores e criadores tentarem recuperar o que foi perdido, o que nem sempre é possível. “Isso geralmente leva anos. Ninguém consegue repor o rebanho de um mês para o outro”, afirmou o pesquisador.
 
No Semiárido nordestino, conforme Gama, a produção de leite foi reduzida a 1/3 do que era obtido antes, o que representa uma queda brusca na renda de centenas de famílias. Houve redução também no efetivo bovino. “Isso se deu não apenas pela morte dos animais, como também pelo abate”, explicou.
 
“Podemos dizer que houve uma sangria muito forte desse rebanho”, completou. Segundo ele, a categoria mais afetada foi a de bovinos, seguida dos ovinos e, em menor proporção, a de caprinos.
 
O pesquisador também apontou a morte das pastagens como outro problema sério, que leva tempo para ser recuperado. “Em muitos campos a pastagem precisa ser completamente reimplantada”, disse. “As consequências da seca variam dependendo de quem a observa. O meteorologista e o homem do campo têm conceitos distintos sobre a estiagem, porque cada qual a analisa conforme sua realidade”, explicou.
 
De acordo com Gama, o grande problema da seca no Nordeste é a falta de investimento permanente. “Se o Nordeste tivesse programas consistentes de convivência com a seca, o impacto não seria tão forte. Seria preciso a implantação de programas de apoio a atividades produtivas, a exemplo da agricultura irrigada, que de certa forma apresentou êxito”, comentou.
 
Iniciativas como o Bolsa Família e abastecimento por carros-pipa são, segundo o pesquisador, medidas emergenciais que não resolvem, apenas amenizam a situação das famílias que sentem os efeitos da seca. “Também é necessário o investimento hídrico e novas pesquisas para buscar novas alternativas econômicas”, considerou. “O mais indicado seria uma combinação de fatores, e não medidas isoladas”, disse.

domingo, 28 de abril de 2013

Em 2100, semiárido da Paraíba será um deserto, prevê Inpe

De acordo com o pesquisador do Inpe José Marengo, o aumento da temperatura e a falta de chuva podem ser os principais responsáveis pela aridez na região


Cidades | Em 27/04/2013 às 09h19, atualizado em 27/04/13 às 09h23 | Por Redação, com Agência Brasil

Paraíba poderá virar deserto
Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com base em tendências climáticas revelam que, em 2100, parte do Semiárido brasileiro será uma região de deserto. De acordo com o pesquisador do Inpe José Marengo, o aumento da temperatura e a falta de chuva podem ser os principais responsáveis pela aridez na região.

Os efeitos mais agressivos da estiagem estão concentrados na Região Nordeste, onde o Ministério do Meio Ambiente (MMA) já identificou oficialmente quatro núcleos de desertificação: são 1.340 quilômetros quadrados e aproximadamente 1400 municípios em 11 estados. A área abrange 16% do território brasileiro.

Os núcleos estão localizados na região do Seridó, na Paraíba, onde o fenômeno ocorre devido à falta de manejo da caatinga para atender a pecuária extensiva e a demanda energética; na região de Xingó, que compreende municípios nos estados de Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Bahia, a ocorrência se dá devido à irrigação sem critérios técnicos, provocando a salinização dos solos; Na região de Gibões (PI), ocorre uma intensa degradação do solo por processo de mineração inadequado; e na região do Irauçuba (CE), por falta de manejo dos recursos naturais.

“Em 2050, algumas partes do Semiárido já podem passar a ser áridas. Atualmente chove apenas parte do ano e a precipitação é mal distribuída. No caso da aridez, é quando não há chuva”, explica. Para Marengo, a situação atual do Semiárido é preocupante devido à duração da estiagem. A rigorosa escassez de chuvas pelo segundo ano consecutivo impõe à região a pior seca dos últimos 50 anos, que atinge 1.046 municípios.

“O maior problema é que a população ainda não está adaptada à seca. E o fato não é um fenômeno surpresa, já aconteceu antes. Atualmente a população que sofre com os efeitos da estiagem, abandona seus terrenos no campo e migra para as grandes cidades. Isso pode criar um problema social, a pessoa desesperada por comida faz saques. Ela não quer roubar, só quer comer. O impacto da seca já passou a ser um fenômeno social, político, não apenas meteorológico”.

De acordo com o pesquisador em geoprocessamento da Embrapa Semiárido, Iêdo Sá, o processo de desertificação é consequência de fatores humanos e climáticos. “O Semiárido tem uma série de condicionantes como clima, solo, água e regime de chuvas que é muito favorável a processos de degradação de ambiente. Associados com práticas inadequadas adotadas pelo homem, às vezes por ignorância, por má-fé ou falta de capital, [provocam a desertificação].

Dentre os fatores humanos, ele destaca o desmatamento, a extração excessiva de produtos florestais, as queimadas, a sobrecarga animal, o uso intensivo do solo e seu manejo inadequado e, por último, o emprego de tecnologias não apropriadas para ecossistemas frágeis. “Com respeito às causas climáticas da degradação, é possível mencionar as recorrentes e prolongadas secas que afetam vários países e que [agravam] ainda mais as consequências derivadas da ação humana”

Sá explica que nas áreas em processo de desertificação as proporções de pobreza e de indigência estão acima da média nacional. Segundo ele, no Nordeste brasileiro, uma área maior do que o estado do Ceará já foi atingida pela desertificação de forma grave ou muito grave.

“Do mesmo modo, a pobreza e a indigência, geralmente, afetam a população rural em maior proporção do que a população urbana, mesmo que, em números absolutos, haja mais pobres nas cidades. É comum no meio rural que parte dos membros do grupo familiar migrem, temporária ou permanentemente, em busca de atividades de maior produtividade, seja na própria agricultura seja em outros setores”.

Para combater o processo, o MMA tem destinado em torno de R$ 25 milhões a iniciativas de uso sustentável dos recursos naturais. De acordo com o diretor do Departamento de Combate à Desertificação do ministério, Francisco Barreto Campello, para viabilizar a aplicação dos recursos, a pasta viabilizou um conjunto de projetos que promovem a convivência com a semiaridez para o combate à desertificação, visando à segurança alimentar, energética, hídrica e da biodiversidade.

O processo de desertificação não se observa apenas no Semiárido brasileiro. Segundo Campello, o fenômeno está presente em 34,7% da superfície do planeta, em uma área onde vivem cerca de 41,3% da população. Na América Latina, dados da Organização das Nações ?Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revelam que mais de 516 milhões de hectares são afetados no mundo. Como resultante do processo perdem-se cerca de 24 bilhões de toneladas por ano da camada arável e produtiva do solo, o que afeta de forma negativa a produção agrícola e o desenvolvimento sustentável.

Sobre os efeitos da longa estiagem provocada pelo clima semiárido, José Marengo destacou a iniciativa de Israel como uma experiência de sucesso no convívio com a falta de chuva. “Israel também tem seca, como a do Semiárido brasileiro, mas não tem os mesmos problemas. Há produção [agrícola] o ano todo. Os investimentos do setor privado são muito fortes. Lá eles aprenderam a conviver com a seca. Um país pequeno, [com alto grau de tecnologia] – ideal para ser aplicado no Brasil, como já é usado em Petrolina. Na cidade, há um investimento forte com a agricultura”.

Segundo o pesquisador do Inpe, a região de Sahel, na África também tem um clima semelhante ao do Semiárido brasileiro. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que a piora da situação da seca na região do Sahel já afeta 15 milhões de pessoas, incluindo 1 milhão de crianças, com a escassez de alimentos e o agravamento da desnutrição. De acordo com o Conselho de Segurança da ONU, a presença de grupos terroristas armados, junto com a pobreza crônica e a alta dos preços dos alimentos, torna o problema ainda mais delicado na região africana.


 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Paraíba tem maior área desertificada do país, afirma relatório do Insa


12/03/2013 11h26 - Atualizado em 12/03/2013 11h26 

Insa afirma que 71% do território paraibano sofre desertificação.
Principal causa apontada é o uso intensivo da terra.
 
Do G1 PB
 

Animais aproveitam o resto de água que ainda há em alguns barreiros da Paraíba (Foto: Taiguara Rangel/G1)
Animais aproveitam resto de água que ainda há em
alguns barreiros na PB (Foto: Taiguara Rangel/G1)
A Paraíba apresenta a proporcionalmente maior área desertificada do país, com 71% de seu território comprometido pelos efeitos da desertificação conforme dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa). O levantamento divulgado segunda-feira (11) no Relatório de Atividades 2012 do órgão, afirma que o uso intensivo da terra é o principal vetor da situação de degradação e desertificação do solo.
 
De acordo com a assessoria de comunicação do Insa, estão sendo implementadas práticas como o monitoramento em tempo real das áreas suscetíveis e em processo de desertificação na região do Seridó paraibano, implantação de campos de palma resistente à praga da Cochonilha nas 13 microrregiões afetadas, pesquisas de saneamento e uso das águas para produzir madeira ou forragens, cursos de formação voltados para assentados, mapeamento da estiagem no Semiárido paraibano e instalação de torres para medições climáticas e troca de energia na Caatinga, dentre as principais ações.

São ainda relatadas pelo Insa como causas para a desertificação a intensa degradação e a erosão do solo, o desmatamento e a substituição da vegetação nativa por outra cultivada, de ciclo e porte diferentes. A área atingida na Paraíba é considerada como região de estudo 'Cariris Velhos'.

No Brasil, a desertificação se restringe ao Semiárido brasileiro. O Insa estima que as áreas susceptíveis a desertificação compreendem 1.340.863 km, envolvendo 1.488 municípios de nove estados da região Nordeste, além de alguns municípios de Minas Gerais e Espírito Santo. A maior extensão encontra-se no Ceará, com 200 mil km de terras degradadas.

Somando-se às áreas em que a desertificação acontece ainda de forma moderada, o total de área atingida pelo fenômeno alcança aproximadamente 600.000 km², cerca de 1/3 de todo o território nordestino, conforme o relatório.


 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Aesa contesta estudo do Inmet

Meteorologistas da Aesa afirmam que estudo do Inmet não retrata a realidade paraibana, e que o estado deve registrar chuvas acima da média.





Apesar de um estudo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicar que as chuvas na região do semiárido nordestino devem ficar abaixo da média histórica este ano, meteorologistas da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) afirmam que o estudo não retrata a realidade paraibana e que o estado deve registrar chuvas acima da média, especialmente a partir de março, com a regularidade da ocorrência de chuvas em todas as regiões.

De acordo com o meteorologista Alexandre Magno, o estudo realizado pelo Inmet faz uma previsão geral, colocando nas mesmas condições Estados com períodos chuvosos diferenciados, o que leva a um equívoco sobre a previsão de chuvas em cada unidade da federação. “Cada Estado possui regiões com períodos chuvosos diferentes, então, a previsão falha porque coloca uma realidade para todos os estados como se fosse uma coisa só, mas não é”, disse.

Ele explicou que todos os estudos feitos pela Aesa mostram que a Paraíba vai ter melhoria na ocorrência de chuvas. “A perspectiva continua sendo de que, a partir de março, deve aumentar a regularidade das precipitações chuvosas e todas as regiões do estado vão ter seus totais chuvosos oscilando dentro da média histórica”, afirmou Alexandre Magno, acrescentando que, este ano, os índices de registro de chuvas em pontos estratégicos de cada região paraibana, mesmo com as chuvas ainda sendo irregulares, se mantém dentro da média.

Como exemplos, o meteorologista mencionou alguns dos índices alcançados do início do ano até agora nos principais pontos de verificação de cada região. “No Alto Sertão, tivemos 236,5 milímetros (mm) em Riacho dos Cavalos. Em Coremas, 148 mm; Alhandra, 194,1 mm; No Brejo, Bananeiras teve 122,2 mm; Matinhas, 118,9; Monteiro, 102,3 mm. Tudo dentro da média, e ressaltando que estamos apenas no primeiro mês do período chuvoso das regiões do Semiárido, Cariri e Sertão, e, no Litoral, o período chuvoso se inicia somente em abril”, salientou.

A meteorologista Marle Bandeira, que participou da divulgação do estudo do Inmetpor meio de vídeo-conferência, explicou que os resultados dos estudos são divulgados em forma de probabilidades. “As chances das chuvas ficarem abaixo do normal são de 40%. Já a perspectiva das precipitações permanecerem dentro do padrão normal, que é de 35%. Há ainda 25% de probabilidade de chover acima da média histórica”, informou.

O relatório foi elaborado para o setor Norte da região Nordeste que, no caso da Paraíba, abrange o Sertão, Cariri e Curimataú. “É importante destacar que não estamos falando da previsão para todo o nosso Estado. De modo geral, as outras regiões devem ter chuva dentro da média histórica, apenas no semiárido é que temos essa possibilidade de chover abaixo do normal”, destacou Marle Bandeira.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Condições do Atlântico Sul continuam ruins e previsão de seca no semiárido paraibano em 2013 segue mantida

23 de fevereiro de 2013, 20:01


De acordo com o físico e meteorologista Rodrigo Cézar Limeira, as condições térmicas do Oceano Atlântico Sul continuam desfavoráveis as chuvas no setor norte do nordeste, do qual faz parte o semiárido paraibano.

"Estamos nos aproximando do fim de Fevereiro, e as condições de temperaturas do Oceano Atlântico Sul na altura da costa nordestina continuam ruins, e isto está de acordo com as previsões que fiz e divulguei no início de Janeiro, 2013 será um ano de seca no interior da Paraíba, diz Rodrigo".

Atualmente na costa da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, as águas do Atlântico Sul continuam levemente aquecidas, com desvios que oscilam entre 0,5 °C e 1 °C acima de média, aquecimento que é insuficiente para provocar nas condições atuais chuvas no interior dos referidos estados.

Além disso, Rodrigo afirma que as oscilações no aquecimento continuam na costa do nordeste, ou seja, numa semana o Atlântico esquenta um pouco, na semana seguinte esfria, depois esquenta novamente e em seguida esfria, e esta situação é péssimo indicativo para as chuvas do cariri, sertão e alto-sertão da Paraíba.

Rodrigo disse que também é importante mencionar o fato do Oceano Atlântico Norte está mais quente que o Atlântico Sul nesta época do ano, quando deveria está ocorrendo o contrário, para favorecer boas chuvas aqui na região.

A conjuntura de acordo com Rodrigo Cézar Limeira é bem desfavorável e a seca deve se confirmar neste ano no semiárido paraibano.
 
Quanto as chuvas de Fevereiro, Rodrigo disse que não há mais previsão de chover neste mês, e que as mesmas ficaram abaixo da média conforme ele mesmo previu.

Relembre as previsões feitas pelo físico e meteorologista Rodrigo Cézar Limeira e que foram divulgadas no início de Janeiro:

Agora em 2013 a tendência é de chover pouco. As principais chuvadas na região ocorrerão nos meses de Janeiro e Fevereiro, sendo que devem ficar abaixo da média, e o trimestre Março, Abril e Maio deve ser muito ruim para chuvas na região, e toda a conjuntura muito semelhante a de 2012.

A prática da agricultura está descartada para a região este ano, e caso as chuvas não caíam num curto espaço de tempo, os reservatórios serão comprometidos. As chuvas deverão oscilar entre 50% e 70% abaixo da média neste ano nas microregiões do cariri, sertão e alto-sertão da Paraíba.

Rodrigo Cézar Limeira é formado em Física e em Meteorologia e tem Mestrado em Meteorologia. Atualmente é o físico responsável pelo Espaço Energia (museu de eletricidade da Energisa na cidade de Sousa – PB).


Patosonline.com
Informações de Rodrigo Cézar Limeira


 

sábado, 19 de janeiro de 2013

Vórtice Ciclônico continuará provocando chuvas no sertão da Paraíba no final de Janeiro

19 de janeiro de 2013, 20:51

 
De acordo com prognósticos realizados pelo fisico e meteorologista Rodrigo Cézar Limeira, chuvas isoladas deverão continuar atingindo o sertão e alto-sertão da Paraíba nos próximos dias, pois um novo Vórtice Ciclônico de Altos Níveis, que está atuando sobre o nordeste na altura da costa da Bahia deve contribuir para provocar chuvas no interior do estado. O fenômeno é comum esta época do ano, e está recebendo umidade de uma ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), que é um canal de umidade que se estende da Amazonia até o interior da Bahia.

Dessa forma, deve ocorrer elevação da umidade do ar e chuvas isoladas entre os dias 21 e 25 de Janeiro, de acordo com as estimativas realizadas por Rodrigo Cézar Limeira.


CENÁRIO ATUAL DO OCEANO ATLÂNTICO SUL NA COSTA DO NORDESTE

O fisico Rodrigo Cézar Limeira disse que entre os dias 08 e 19 de Janeiro o cenário para a estação chuvosa do setor norte do nordeste melhorou um pouco, mas que a situação continua preocupante principalemente pelo fato do Oceano Atlântico Sul está aquecendo um pouco na costa da Paraíba, Pernambuco e R. Grande do Norte, antes de esquentar na costa do Pará e Amapá, ou seja, o correto é o aquecimento ocorrer de norte para sul no Atlântico, e está ocorrendo o contrário.

Rodrigo disse que o aquecimento é leve (entre 0,5 °C e 1 °C), e mostra a bagunça em que se encontra o Oceano Atlântico Sul neste momento. Rodrigo também afirmou que este aquecimento surgiu de repente, entre os dias 16 e 17 deste mês, e representa muito pouco em termos de melhora para as chuvas deste ano na região.

Rodrigo também informou que mantém a previsão que já fez para a estação chuvosa deste ano no semiárido da Paraíba, a qual foi divulgada no início deste mês.

  • Chuvas no cariri, sertão e alto-sertão do estado deverão oscilar entre 50% e 70% abaixo da média. Em Patos por exemplo chove em média 600 mm de Fevereiro a Maio, este ano deve chover entre 180 mm e 300 mm;
  • O semiárido do estado em 2013 não terá estação chuvosa, ou seja, terá apenas chuvadas principalmente em janeiro e fevereiro;
  • A prática da agricultura em 2013 está descartada para o semiárido do estado devido a irregularidade e ausência de chuvas na região;
  • 2013 também será ano muito ruim para armazenamento de água nos reservatórios, caso as chuvas não caíam num curto espaço de tempo;
  • 2013 também será ano ruim para pastagens dévido também em alguns momentos a ausência de chuvas.

Rodrigo Cézar Limeira é formado em Física e em Meteorologia e tem Mestrado em Meteorologia. Atualmente é o físico responsável pelo Espaço Energia (museu de eletricidade da Energisa na cidade de Sousa – PB).


 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Métodos de convivência com as adversidades climáticas do Semiárido serão difundidos

Publicado em 11/01/2013 - 7:38

por Maristela Crispim


O foco das ações são asexperiências exitosas voltadas à convivência sustentável
com o Semiárido. Foto: Honório Barbosa.

Difundir métodos de convivência com o Semiárido e de minimização de efeitos de secas prolongadas são objetivos do projeto lançado pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e Rede de Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
 
A iniciativa catalogará, a partir do próximo mês de março, estratégias e métodos já utilizados por pequenos agricultores para enfrentar e conviver, de forma sustentável, com a situação, tanto na região Nordeste como em parte Minas Gerais.
 
“Essas práticas vão desde as coisas mais simples, como quantidade correta de água usada para irrigação, até estratégicas mais elaboradas, como o manejo florestal sustentável para produção de lenha e outros produtos”, explica o diretor do Departamento de Combate à Desertificação da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Francisco Campello.
 
A ideia é que outras famílias possam conhecer e praticar aquilo que já vem sendo feito com sucesso por pequenos produtores da agricultura familiar, assentamentos da reforma agrária, dentre outros, nos Estados que sofrem com a estiagem prolongada.
 
Análise
Segundo um dos coordenadores da iniciativa, responsável pelo projeto dentro da Rede ASA, Antônio Barbosa, casos de sucesso no convívio com a seca em 900 famílias de nove Estados serão analisados e posteriormente registrados e catalogados.
 
Vivendo nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, essas famílias analisadas já vêm desenvolvendo estratégias, nos últimos anos de forte seca, com estruturas e práticas que garantem segurança alimentar e em algum casos, ainda, geram renda a essas famílias. “Alguns até conseguem passar pela estiagem quase sem perceber”, ressalta o coordenador.
 
A expectativa do grupo é apresentar as primeiras propostas e resultados de pesquisas até o fim deste ano. Com a conclusão dessa, que é a primeira fase do projeto, em 2014, durante a segunda fase, serão selecionados os exemplos com maior impacto e caráter inovador e que podem ser multiplicados com facilidade pelas famílias do semiárido.
 
Com o apoio de centros de pesquisa e universidades, serão realizados estudos de caso para avaliar, de forma científica, os impactos das estratégias na qualidade do solo e das sementes. Por fim, com base nos resultados apurados, serão formuladas sugestões de políticas públicas e de ações para outros institutos e organizações socais que atuam na região.
 
Construção de cisternas de baixo custo para armazenamento de água por maiores períodos e adoção de práticas corretas de irrigação (água em excesso causa o acúmulo de sais minerais que também em excesso fazem mal e causam a degradação do solo), são algumas práticas de convívio com a semiaridez já adotadas por produtores das regiões que sofrem com a seca.
 
Manejo
Além disso, algumas famílias já adotam projetos de manejo florestal comunitário sustentável de uso múltiplo, promovendo o planejamento ambiental de assentamentos, tornando recursos florestais em ativos ambientais, gerando renda para as famílias e assegurando a conservação da biodiversidade.
 
O manejo florestal de uso múltiplo além de ofertar lenha (biocombustível solido), promove a segurança alimentar dos rebanhos e das famílias, por meio da oferta forrageira e de produtos como frutas e mel.
 
Hoje, 16% do território brasileiro são áreas que sofrem com a desertificação, abrangendo 1.488 municípios (27% do total de municípios brasileiros), e uma população de 31.663.671 habitantes (17% da população brasileira). Nestas áreas habitam 65% dos cidadãos considerados pobres do País, e nesse momento, com 8 milhões sendo afetados diretamente, pela maior seca dos últimos 40 anos.
 
Fonte: Sophia Gebrim / MMA


 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Açude da cidade de Uiraúna atinge o menor nível desde 1998

10/01/2013 08:45 - Cidades
Açude da cidade de Uiraúna atinge o menor nível desde 1998; Confira
O Nordeste brasileiro chega nesse início de 2013 vivendo novamente as consequências de uma seca devastadora. Essa já pode ser considerada uma das maiores da história.

O Vale do Rio do Peixe, onde fica localizada Uiraúna e diversos outros municípios, vem enfrentando o problema agudo da falta d’água. 

Os pequenos açudes em sua quase totalidade já secaram. Os maiores vêm aguentando, mas estão bem perto de esvaziarem.

Os grandes açudes da Bacia do Rio do Peixe estão sucumbindo e em pouco tempo vão ficar sem água. Em Uiraúna a Barragem Capivara e o Açude Arrojado estão chegando a níveis críticos em seus volumes d’água.

Arrojado

A reportagem do Cofemac esteve na manhã de hoje (09/01/2013) no açude Arrojado e constatou a situação crítica do manancial. Segundo dados da AESA (Agência de Gestão das Águas na Paraíba) o açude tinha em 26 de dezembro passado 1.419.904 metros cúbicos, o que equivale a 39% da capacidade máxima. Esse número deve ter caído, já que já fazem 14 dias da última medição.

Vendo o açude dá pra perceber que há muito tempo a água não chegava a um nível tão preocupante. Esse volume d’água tão baixo só foi visto nos anos de 1993 e 1998, quando a região passou por duas secas terríveis. Em 1993 o Arrojado secou completamente e agora -- 20 anos depois -- a história poderá se repetir, caso não haja inverno regular.

Arrojado vazio durante a seca de 1993

Colapso Total 

Algumas cidades da região e suas zonas rurais estão enfrentando a principal consequência da seca - a falta d’água. Em Triunfo o abastecimento está sendo feito por meio de carros-pipa, inclusive na sede do município.

Entre outros municípios e comunidades prejudicadas estão: Bernardino Batista, Bandarra e cidades do Rio Grande do Norte, a exemplo de Luís Gomes, que enfrenta o colapso total no abastecimento há um ano e três meses.

Temperatura 

O calor provocado pela falta de vegetação e açudes sem água no Sertão tem aumentado vertiginosamente. A temperatura chega bem próxima -- as vezes até passando -- dos 40 graus Celsius nas horas mais quentes do dia.

Inverno 

Janeiro começou com algumas chuvas isoladas. A região de Uiraúna não choveu praticamente nada. Por aqui foram registados apenas dois milímetros.

@folhadosertao
fonte: cofemac


sábado, 29 de dezembro de 2012

ONG faz campanha para ajudar macacos que estão morrendo de fome por causa da seca

Pontos de arrecadação foram disponibilizados em vários estabelecimentos comerciais no município de Piancó, no Sertão paraibano

Cidades | Em 28/12/2012 às 18h47, atualizado em 28/12/2012 às 21h18 | Por Felipe Silveira



Macacos estão morrendo de fome e sede.
Foto: ONG S.O.S. Rio Piancó.
A Organização Não-Governamental SOS Rio Piancó está realizando uma campanha de doações de alimentos e dinheiro para ajudar macacos que, segundo ela, estão morrendo de fome e de sede. O motivo das mortes é o efeito devastador da seca na serra de Santo Antônio, no município de Piancó (distante 391 quilômetros de João Pessoa, na região do Sertão paraibano).

Sensibilizada com a situação dos primatas, a ONG, em parceria com alguns estabelecimentos comerciais da cidade, resolveu unir forças para amenizar a falta de alimentos e de água. Alguns pontos de arrecadação foram disponibilizados em vários pontos da cidade. A ONG também tem o cuidado de levar esses alimentos arrecadados para pontos estratégicos, de modo que não mude o comportamento silvestre, o qual estão habituados os pequenos macacos.

O presidente da SOS Rio Piancó, José Rodrigues Filho, informou que, em apenas um dia, cerca de 200 quilos de donativos foram doados. "Começamos esta campanha na quinta-feira. Em um dia, conseguimos sensibilizar a população e arrecadar cerca de 200 quilos de donativos, entre milho, frutas, sementes, nozes e até dinheiro para aquisição desses produtos e custeio da mão de obra atinente", ressaltou.

Desde a fundação da cidade de Piancó, existe uma população de macacos-pregos que habitam a Serra de Santo Antônio. Atualmente, com uma das piores secas dos últimos 30 anos que assolam essa região, agravada com a presença humana, os problemas para a convivência dos primatas aumentaram. O principal deles, porém, conforme relata o presidente da ONG, é mesmo a falta de alimentos causada pela escassez das chuvas. "A seca vem provocando a morte desses animais", alerta Rodrigues.

A SOS Rio Piancó enviou propostas à Secretaria de Meio Ambiente dos Recursos Hídricos da Ciência e Tecnologia do Estado da Paraíba (SERHMACT) com a finalidade de transformar a serra em um Jardim Étnico Botânico. "Com isso, estaremos diversificando a flora existente com o plantio de mais espécies frutíferas nativas, visando aumentar a oferta de mais alimentos para os macacos, como também, com constante acompanhamento e monitoramento das ações, visando mais presença de agentes ambientais e servindo de visitação para estudantes do município e de outras regiões conhecerem este ecossistema", afirmou o presidente da Organização.

Pontos de arrecadação na cidade de Piancó:

Bombonieri do Zé Batata
Posto de Manoel Tomaz
Farmácia do Povo
Odilon Calçados
Casa Remígio
Rádio Cidade FM de Piancó
Rádio Nativa FM de Piancó
Águias da Noite
Guardiões da Noite
Grupo Escoteiro Padre Otaviano 13º PB de Piancó

Sede da ONG: Rua Pedro Jerônimo Ângelo, 179, Bairro Ouro Branco, Piancó (PB).


Fonte