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Pesquisa da UFPB constata que água e solo estão fora do padrão. Outros fatores também contribuem para degradação.
JAINE ALVES
Lixão não é o único agente poluidor, esgoto e óleo descartados pela
população que mora no entorno também, polui água subterrânea a na
superfície. Fotos: Francisco França
O antigo 'lixão' do Róger, em João Pessoa, desativado há mais de 10 anos, continua causando prejuízos ambientais para o solo e a água do Rio Sanhauá na região, mas ligações clandestinas, pequenas embarcações e estabelecimentos comerciais também contribuem para a degradação do afluente. É o que aponta uma pesquisa do Departamento de Engenharia Ambiental, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), coordenada pela professora Cláudia Nóbrega, que por meio da coleta de amostras verificou que a água e o sedimento do rio estão fora do padrão de classificação estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
De acordo com a professora, o objetivo da pesquisa é avaliar se há contaminação e poluição das águas superficiais e subterrâneas, além do sedimento no entorno da área do antigo lixão, onde são feitas análises físicas, químicas e microbiológicas para avaliar o grau de degradação. “Fazemos também a análise de metais pesados que também foram encontrados na água superficial do Rio Sanhauá, bem como o monitoramento do chorume lixiviado (processo de extração de uma substância presente em componentes sólidos através da sua dissolução num líquido) das células, o que mostra que praticamente não há concentração, mas ainda há degradação da matéria orgânica nessa área”, afirmou.
Cláudia Nóbrega destacou que o lixão não é o único agente poluidor, mas que outros poluentes também afetam as águas subterrâneas e superficiais, como a poluição de esgoto e óleo descartados pela população que reside ou trabalha no entorno. “A poluição da área não é exclusivamente provocada pelas atividades do antigo lixão, pois lá também já funcionou um curtume e há oficinas e postos de combustíveis no entorno. Com isso encontramos o parâmetro chamado de 'óleos e graxas', que provavelmente são oriundos desses estabelecimentos comerciais e também de pequenas embarcações, que também poluem”, disse. “Além disso, tem uma área de invasão, que despeja seus esgotos sanitários diretamente no rio. São uma série de fatores que contribuem para degradação do Sanhauá”, completou.
PADRÃO
Devido a esses poluentes, a pesquisadora disse que o rio está fora do padrão de classificação estabelecido pela resolução 358 do Conama, que classifica a água doce, salobra e salgada, cada uma delas com várias classificações. “O Sanhauá é da classe 3, mas a área recebe grande carga de poluente e por conta disso alguns parâmetros estão fora padrão. O órgão ambiental precisa agir para que o corpo aquático volte a ter as características do padrão em que foi enquadrado. A Sudema (Superintendência de Administração do Meio Ambiente) tem que agir junto aos demais órgãos para solucionar o problema, a exemplo do que foi feito nos rios Tâmisa e Sena, que foram despoluídos”, observou.
Os relatórios da pesquisa são enviados para a Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur), que encaminha para outros órgãos e que financia o projeto de pesquisa, auxiliando no monitoramento.
RECUPERAÇÃO
O estudo foi iniciado em março de 2006 e segundo Cláudia Nóbrega, desde então os resultados são praticamente os mesmos, o que sugere que os agentes poluidores continuam. “O rio não tem condições de se regenerar na mesma velocidade com que é poluído. Já encontramos metais pesados, como chumbo e alumínio, mas ao mesmo tempo encontramos crianças brincando em meio à poluição, pessoas usando o rio para lazer, pesca e venda de peixe, camarão e marisco. Isso pode causar doenças de pele e outras mais sérias devido ao consumo de alimentos e metais pesados, que com a ingestão constante do mercúrio, por exemplo, pode resultar em doenças neurológicas, e o alumínio contribuir para o Alzheimer, conforme apontam alguns estudos. O ideal seria retirar todos os poluidores e depois tratar a água”, sugeriu.
No entorno do antigo lixão do Róger é possível flagrar situações de desague de poluentes, como esgoto e lixo. Para os moradores da comunidade do 'S', localizada próximo ao lixão, o problema tem causado prejuízos à população, em especial crianças e idosos, que possuem a imunidade mais delicada, como contou a dona de casa Marluce da Silva, 48 anos. “Viver aqui é uma nojeira. Se a gente tivesse para onde ir já teria saído daqui. Além do chorume do lixão, o esgoto tem causado doenças em quem mora aqui, denunciou.
Cláudia Nóbrega lembrou que já há um projeto de recuperação do solo da área do antigo lixão, cujo tratamento evitará que o chorume produzido no local entre em contato com água, de modo que a incidência de poluição no lençol freático também diminuirá. “Os gases provenientes da decomposição dos resíduos depositados no Róger também serão colhidos por meio de um sistema de tubos, que também diminuirá a contaminação do ambiente”, disse.
TERCEIRA CÉLULA
Segundo a Emlur, as obras estão em andamento, e já está sendo construída a terceira célula de tratamento, que conta com drenos para coletar o chorume e os gases, além de tratá-los.
SUDEMA E SEMAM
A assessoria de comunicação da Sudema informou que o órgão não tem competência dentro de João Pessoa, devido à cidade ter um órgão ambiental municipal, de modo que a responsabilidade é da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam).
No entanto, a Semam não realiza fiscalizações no entorno do afluente afim de evitar a poluição causada por moradores, pescadores e comerciantes, conforme informou o chefe de Fiscalizações, Waldir Diniz. “Só atuamos quando se trata de denúncias, pois, infelizmente, não trabalhamos com prevenção. Quem pode ter algum trabalho nesse sentido é a Sudema, já que o rio passa por várias regiões do Estado e porque ela realizada coletas para análises”, afirmou.
Agora vão ser realizadas obras de construção do túnel.
Do G1 PB
Nesta segunda-feira (15) foi concluído o serviço de dragagem na Lagoa do Parque Solon de Lucena, em João Pessoa.
O trabalho de desassoreamento fez com que a profundidade do
reservatório fosse elevada para 3,8 metros com objetivo de evitar
alagamentos, um dos problemas históricos em períodos de chuvas na
região.
Após a dragagem, as obras de construção do túnel vão seguir, já que a
obra é considerada peça chave para acabar com o risco de alagamento no
período de chuva mais intensa. A obra, que já atingiu 182 metros de
escavação utilizando um método de trabalho não destrutivo, vai garantir o
escoamento do excesso de água da Lagoa.
O túnel, que vai começar na Avenida Padre Meira e se estender até a
Avenida Guedes Pereira, em frente ao Paço Municipal, deve se integrar à
rede de canais que escoam as águas pluviais até o Rio Sanhauá. No total,
ele terá 684 metros, dos quais 160 já foram escavados. “Esta é uma obra
que vai trazer um impacto muito positivo no projeto final de
revitalização do Parque Solon de Lucena e que tem sido muito exitosa por
estar sendo realizada sem afetar a vida da população”, ressaltou o
secretário municipal da Infraestrutura, Cássio Andrade.
Na primeira etapa da obra foi realizada a construção de um poço
vertical, localizado na Avenida Padre Meira, entrada para o anel interno
da Lagoa. O poço tem oito metros de profundidade e dá acesso ao túnel,
que tem dois metros de diâmetro, o suficiente para que homens e máquinas
possam transitar com segurança.
Ocupação
irregular, descarte de lixo em local inapropriado e despejo de esgoto
doméstico e de oficinas poluem três rios da capital.
Katiana Ramos Rizemberg FelipeSucata está sendo descartada irregularmente em reserva ambiental no bairro de Tambiá
Três rios localizados em áreas de preservação
ambiental, em João Pessoa, sofrem com a ocupação irregular e o despejo
de resíduos poluentes, provenientes de oficinas mecânicas e esgoto
doméstico. Outro fator que contribui para a poluição nesses ecossistemas
é o lixo descartado nos locais.
Uma área identificada como reserva ambiental, mantida pela prefeitura
da capital e localizada no bairro de Tambiá, sofre nos últimos cinco
anos, segundo os moradores da localidade, com o descarte de ferro-velho,
incluindo carcaças de veículos e caçambas coletoras de lixo. O problema
foi denunciado pela reportagem do JORNAL DA PARAÍBA em fevereiro deste ano e a retirada do material poluente foi iniciada no mês passado.
Contudo, está havendo apenas a transferência dos materiais para a
parte mais alta do terreno, área que pertence a uma empresa de
construção.
Nessa mesma reserva do bairro de Tambiá passa o rio São Bento, que
segue ainda para os bairros de Padre Zé e Mandacaru. Além de sofrer com o
descarte de lixo doméstico e despejo de esgoto, esse rio recebe ainda
resíduos de oficinas mecânicas localizadas ao longo da avenida Tancredo
Neves, sendo três delas construídas em área de invasão na reserva.
Ainda nessa avenida, um trecho da reserva foi aterrado e no local foi
instalada uma serralharia. Além do descarte do material utilizado no
estabelecimento, a área de preservação recebe ainda pneus velhos, restos
de material de construção e lixo. “Eu lembro que há uns 8 anos isso
aqui era tudo limpo e o pessoal até pescava no rio e tomava banho. Hoje
está nessa situação”, disse a dona de casa Maria Miguel, que mora nas
proximidades.
Os mesmos danos afetam ainda um trecho do Rio Sanhauá, no trecho
entre os bairros do Varadouro e Baixo Róger. Após sair da comunidade do
Porto do Capim seguindo em direção ao Baixo Róger, os principais
poluentes são lixo doméstico e esgoto provenientes das casas das
localidades.
Saindo do Centro em direção à zona sul da capital, oficinas às
margens do rio Jaguaribe, na comunidade Tito Silva, no Castelo Branco,
também estão em situação irregular, segundo informações da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente (Semam). Há três anos, Amilton Moura mantém
uma borracharia nesta área e revela que descarta o material utilizado de
maneira correta. Contudo, ao lado do estabelecimento uma área foi
devastada na margem do rio para abrigar um depósito de material
reciclável.
Outras duas oficinas localizadas no mesmo trecho também podem estar
contaminando o rio com os dejetos. O taxista José Alves mora próximo às
oficinas e revela que os estabelecimentos, assim como a casa dele, não
possuem rede de esgoto e os dejetos são lançados diretamente no rio. “O
pessoal das oficinas diz que junta o óleo e vende. Mas a gente não sabe.
Agora, os esgotos de lá e das casas vão todos para o rio. Outro
problema é o lixo que o pessoal também joga na beira do rio”, lamentou o
morador.
José Alves lembra ainda o tempo em que o rio Jaguaribe ainda não
sofria tanto com a poluição e era área de lazer para os moradores.
“Antigamente, há uns 40 anos, esse rio não estava tão sujo. A gente
tomava banho, o pessoal que criava boi e cavalos dava banho nos bichos.
Era uma maravilha. Hoje, se a gente entrar aí, fica doente”, recorda.
O professor e pesquisador na área de ecologia e ecossistemas
estuarinos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Gilson Moura,
alerta que o desmatamento causado pelas ocupações irregulares e os
dejetos descartados pelas residências e estabelecimentos construídos
comprometem a sobrevida dos rios. Ele lembra ainda que os produtos
químicos despejados podem impermeabilizar os sedimentos no fundo dos
cursos de água e interferir diretamente na sobrevivência da fauna e
flora.
JAGUARIBE RECEBE ESGOTO DE CASAS E ATÉ DA CAGEPA
Com aproximadamente 21 quilômetros de extensão, segundo informações
da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de João Pessoa (Semam), o Rio
Jaguaribe percorre boa parte da Cidade de João Pessoa, até desaguar em
um maceió, nas proximidades do bairro do Bessa. Ao longo do percurso, o
rio recebe esgoto doméstico, resíduos de estabelecimentos comerciais e
até da própria Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). Além
disso, a ocupação irregular também é uma ameaça à sobrevivência desse
curso de água.
Por onde passa, o rio Jaguaribe margeia a rua do Rio, o bairro São
José e as comunidades São Rafael, no Castelo Branco, e Tito Silva, na
Torre. Destas localidades, a prefeitura identificou ocupações
irregulares nas três últimas. Sendo a situação mais preocupante a dos
moradores do bairro São José. Nesta área, o rio margeia todo o bairro e
os moradores sofrem com inundações todos os anos, durante os períodos
chuvosos.
Na parte mais baixa da comunidade São Rafael, onde o percurso do Rio
Jaguaribe segue por trás do quintal de dezenas de casas, as inundações
durante o inverno são recorrentes.
Morando na comunidade há mais de 30 anos, o mecânico Zezito de Sousa
construiu batentes para impedir a entrada da água na casa onde vive,
após sofrer muitos anos com a invasão da água. “Depois que eu fiz isso
aqui, amenizou mais a situação e não entra muita água na minha casa. Mas
o pessoal que não tem condições de fazer isso, sofre todo ano”,
lamentou.
Pelo mesmo drama passa o estudante Emerson Ferreira. Ele mora na
comunidade desde que nasceu e acredita que a poluição no rio se deve
também aos maus hábitos dos moradores. “O pessoal que mora mais embaixo,
praticamente na beira do rio, joga o lixo no rio. Quando a máquina vem
dragar tiram de tudo, de eletrodomésticos até móveis. Acho que isso
também prejudica e piora a situação quando chove”, disse Emerson.
CAGEPA
A assessoria da Cagepa informou que o despejo de esgotos no Rio
Jaguaribe só ocorre esporadicamente, quando os equipamentos das
Estações de Tratamento param por falta energia elétrica ou quando há
problemas mecânicos. Ainda segundo a assessoria, os dejetos jogados nos
rios também saem de residências que têm sistemas de esgoto
clandestino, cujos poluentes são lançados na rede pluvial.
SEMAM FAZ NOTIFICAÇÕES E CASOS ESTÃO EM ANÁLISE
O chefe de Fiscalização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente
(Semam), Anderson Fontes, confirmou a degradação ambiental provocada
pelas oficinas mecânicas e outros estabelecimentos instalados às
margens dos rios, na capital. Contudo, ele informou que os locais
irregulares já foram notificados pela secretaria e os casos estão em
fase de análise na prefeitura.
“Nós sabemos que ainda existem muitas oficinas instaladas nas margens
dos rios. Existiam mais oficinas, só que com nossas fiscalizações,
junto com a Polícia Florestal, esses estabelecimentos diminuíram.
Sabemos que essas oficinas da Tito Silva foram notificadas, porque não
são regularizadas”, disse o representante da Semam.
Ainda conforme Anderson Fontes, as fiscalizações realizadas pelo
órgão identificam a existência ou não de fossas sépticas, destino dos
resíduos poluentes, esgoto doméstico e coleta de lixo.
“Nós fazemos um serviço de fiscalização e sabemos que áreas próximas
aos rios são desmatadas e as pessoas aproveitam e constroem moradias.
Mas, qualquer pessoa que construir em uma área de preservação pode ser
retirada”, alertou.
Sobre a situação dos estabelecimentos localizados próximo ao rio São
Bento e o despejo de restos de concreto nas margens do rio e na
reserva, o chefe de Fiscalização da Semam adiantou que um projeto para a
recuperação da área está em fase de elaboração na Secretaria Municipal
de Planejamento (Seplan).
Segundo ele, a proposta é transformar a área degradada da reserva em local de convivência para os moradores do entorno.
Antigo lixão
deveria ser transformado em parque ecológico, mas após uma década a
população ainda não foi beneficiada com o espaço.
Jaine Alves
Francisco FrançaMoradores cobram a execução do projeto, que dez anos após seu anúncio não foi executado
A recuperação da área do antigo 'Lixão do
Róger', em João Pessoa, que vai desde a remediação do solo, e que visa a
conter e evitar a contaminação com o líquido proveniente dos resíduos
sólidos (chorume) no espaço onde foram depositadas toneladas de lixo no
passado, até a transformação do local em um parque ecológico, ainda não
saiu do papel, há mais de 10 anos.
A Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) reconhece a
estagnação do projeto e afirma que o mesmo precisa passar por
adaptações.
Moradores da comunidade do 'S', localizada no entorno do antigo
lixão, cobram a execução do projeto que aponta várias melhorias para a
população com a conclusão do mesmo, a exemplo da dona de casa Maria
Francisca, 40 anos, que reside com mais seis pessoas, sendo duas
crianças, logo na entrada da comunidade, próximo ao portão de entrada do
antigo lixão, há 21 anos.
“Faz tempo que ouço falar nesse parque, mas até agora não vimos nada.
Só a desativação do lixão. A construção desse parque iria resultar em
muitos benefícios para os moradores daqui. Um deles seria a diminuição
do uso de drogas aí dentro (do lixão) e também teríamos um local seguro
de diversão para as crianças”, declarou.
Outro morador que preferiu não se identificar disse que a única coisa
que vê sendo feita é o bloqueio de pessoas que às vezes querem entrar
no local para despejar resíduos sólidos. “Tem um pessoal fazendo essa
fiscalização, ninguém entra para jogar mais nada aí e isso é bom, mas
dizer que estão trabalhando para recuperar a área... Eu só acredito
quando ver esse tal parque pronto”, disse.
De acordo com o diretor operacional da Autarquia Especial Municipal
de Limpeza Urbana (Emlur), Mozart de Castro, a área do antigo lixão do
Róger foi divida em cinco células para facilitar a realização da
remediação do solo contaminado, das quais duas células já foram
finalizadas, uma está em fase de conclusão e outras duas ainda serão
iniciadas.
“De fato não foi feito muita coisa ainda, mas estamos inicialmente
concluindo essas remediações, para poder darmos continuidade às ações.
Depois de findada essa fase, iniciaremos a implantação do projeto, em
si, com a construção de estações ecológicas, museus e o que mais puder
ser agregado ao local”, reconheceu.
Nesse intervalo, Mozart de Castro ressaltou que o projeto está sendo
estudado pela equipe de engenharia para readaptá-lo. “O estudo inicial
foi feito em 2003 e de lá pra cá muita coisa mudou. Temos que rever e
adaptá-lo ao tempo. Por esse motivo ainda não temos previsão para o
início efetivo das obras. Estamos analisando, readaptaremos e, então,
iniciaremos os trabalhos de execução do parque”, frisou.
“Por enquanto, estamos dando continuidade à remediação da área e
controlando a entrada de resíduos, até que tenhamos uma definição mais
concreta do que será executado”, completou.
Danos ambientais. Para o vice-presidente da Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (Apan), Antônio Augusto de Almeida, o retardo na conclusão
da remediação do solo acaba cometendo danos ambientais, uma vez que o
objetivo da remediação é fazer a contenção da área onde o lixo era
armazenado de forma incorreta, evitando que chorume contamine a área de
mangue do Rio Sanhauá e os lençóis freáticos.
“Entendemos que esse não é um problema de hoje, mas de anos,
entretanto, embora a prefeitura tenha uma secretaria de Meio Ambiente,
está deixando a desejar no que diz respeito às políticas públicas que
prezam pelo meio ambiente. Além disso, vem a questão social também, já
que aquelas famílias que vivem no entorno do antigo Lixão do Róger
precisam de atenção e de meios que possam inseri-las de forma digna na
sociedade”, pontuou.
Pescadores denunciam que despejo de lixo e poluição no Rio Sanhauá estão reduzindo a produção de peixes.
Jaine Alves Rizemberg FelipeDe acordo com o presidente da Colônia de Pescadores de Bayeux redução de peixes no rio é preocupante
Pescadores cobram solução para a poluição do Rio Sanhauá e denunciam queda na produção de peixes. Segundo o diretor
da Colônia de Pescadores de Bayeux, na Região Metropolitana de João
Pessoa, José Nascimento dos Santos, a situação se agrava a cada dia e o
lixo se acumula às margens do rio. O Ministério Público Estadual (MPPB)
abriu inquérito para apurar as denúncias.
De acordo com o presidente da Colônia de Pescadores de Bayeux, o
despejo de líquidos poluídos e de lixo são as principais causas para a
baixa produção de peixes e caranguejos. “O lixo e a poluição só estão
acabando com tudo. Antes, a gente ia pro mangue e em meia hora pegava
cinco ou seis cordas de caranguejo, agora, além de ter pouco, são
pequenos”, declarou José Nascimento.
Ele diz ainda que em relação à produção de peixes a situação também é
preocupante. “Em um dia todo de pesca, só conseguimos 4 quilos de
saúna, que é um peixe pequeno. Saímos pela manhã e só voltamos à noite e
só deu isso, para você ver como a situação está ruim”, lamentou. “Hoje,
em dia não compensa mais pescar, nem catar caranguejo, porque o lucro é
pouco, pois a produção é baixa”, completou.
O aparecimento de centenas de peixes mortos no Rio Sanhauá, em junho
deste ano, e a diminuição no número de caranguejos são alvo de um
inquérito instaurado pelo Ministério Público Estadual. A promotora Maria
Edlígia Chaves Leite que está à frente do caso cobrou esclarecimentos
às fabricas existentes às margens do rio e à Superintendência de
Administração do Meio Ambiente (Sudema), sobre a regularidade das
licenças ambientais, além da análise da água. O pedido foi feito, pela
última vez, no dia 13 de junho passado, com um prazo de 30 dias úteis
para apresentar os dados ao MPPB.
Porém, a promotora Maria Edlígia Chaves Leite, através da assessoria
de comunicação, informou que até a manhã de ontem não havia registro do
recebimento do laudo da Sudema sobre a análise do rio, para que se possa
investigar as causas das mortes dos peixes, nem também foram
encaminhadas informações acerca das fiscalizações das empresas, que
estariam no entorno do rio.
Das cinco empresas localizadas no entorno do Rio Sanhauá, segundo a
Sudema, apenas duas estão em funcionamento. Contudo, a promotora
preferiu não comentar o assunto, alegando que algumas já se
manifestaram, mas elas estão sob investigação, de modo que somente irá
se pronunciar sobre o caso após estar munida do relatório da Sudema, bem
como quando concluir se as fábricas cumprem as normas ambientais de sua
atuação, tendo em vista a própria localização, que já é considerada
prejudicial ao meio ambiente, por estar às margens do rio.
SUDEMA
Através de assessoria, a Sudema informou que no dia 10 de junho deste
ano uma equipe verificou a qualidade da água do Rio Sanhauá. Os
resultados da análise apresentam não conformidade em alguns parâmetros
em relação à Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)
357/2005. Contudo, de acordo com assessoria, os resultados não podem ser
considerados como indicativos da morte dos peixes no período.
A análise das águas do Rio Sanhauá é realizada semestralmente pela
Sudema e quando verificada a necessidade, por solicitação ou através de
denúncia. De acordo com os resultados, observou-se não conformidade em
relação à cor, pH, salinidade, coliformes termotolerantes, porém em
concentrações que não representam risco à manutenção da vida dos seres
vivos do corpo hídrico. (Colaborou Luzia Santos)
No Rio Sanhauá vivem várias espécies de peixes, como curimã, bagre e saúna, além de camarão de água doce e caranguejos.
Valéria Sinésio Fotos: Francisco França
A vida no Rio Sanhauá não tem sido fácil.
Como se não bastasse o descaso por parte da população, o rio também
sofre com os resíduos jogados pelas fábricas que ficam nas proximidades.
As consequências têm sido drásticas. Há duas semanas, por exemplo,
centenas de peixes apareceram mortos. Os caranguejos dos manguezais que
ficam às margens do Sanhauá também correm risco de serem extintos.
Contudo, a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema)
descarta poluição química no rio. Os ambientalistas discordam.
No Rio Sanhauá vivem várias espécies de peixes, como curimã, bagre e
saúna, além de camarão de água doce e caranguejos. A poluição afeta
diretamente esses seres que, em casos extremos, morrem.
Segundo o ambientalista Fernando Yplá, o problema é decorrente de
vários fatores: poluição industrial, do ar, da população ribeirinha, das
pessoas que jogam lixo pela janela do ônibus e do carro, etc. “Cada um
tem sua parcela de culpa”, afirmou.
Ele explicou que o Rio Sanhauá padece de dois problemas: a poluição,
que é generalizada, e a contaminação, que é pontual. “Esta ocorre quando
as indústrias jogam seus líquidos de forma irresponsável nos rios”,
declarou.
Segundo ele, o mais coerente seria que antes mesmo de uma indústria
se instalar em determinada área, apresentasse um plano de afluentes
líquidos. A responsabilidade do poder público e dos órgãos ambientais
também não pode ser esquecida.
A poluição ocasionada pelas indústrias também implica em problemas
para os manguezais do Sanhauá. “Até certo tempo as pessoas tinham
desprezo pelos manguezais devido ao cheiro forte, mas eles são o filtro
natural dos rios e são muito importantes para a cadeia alimentar”,
frisou o ambientalista. Quando resíduos são jogados no rio, o manguezal
consequentemente é afetado. Isso implica na diminuição de caranguejos.
A diretora superintendente Laura Farias, da Superintendência de
Administração do Meio Ambiente (Sudema), negou que a morte dos peixes
tenha ocorrido por falha da fiscalização do órgão. Ela classificou o
episódio como 'um acidente'.
“Não houve falha da Sudema, a fiscalização está sendo feita de forma
correta e constante”, declarou. Entretanto, a diretora admitiu a
possibilidade de ter ocorrido algum vazamento de algum produto químico
em fábricas. “Estamos apurando as responsabilidades”, disse.
Promotora cobrou esclarecimentos às fábricas existentes às margens do Rio Sanhauá e à Sudema.
A diminuição no número de caranguejos no Rio
Sanhauá se tornou alvo de um inquérito por parte do Ministério Público
Estadual (MPE). O pedido foi feito pela promotora de Justiça Maria
Edlígia Chaves Leite, que cobrou esclarecimentos às fábricas existentes
às margens do rio Sanhauá e à Sudema, sobre a regularidade das licenças
ambientais.
De acordo com a promotora, essa preocupação é antiga. “O inquérito
surgiu de um procedimento preparatório que existia há algum tempo”,
declarou.
Ainda segundo ela, o relatório da Sudema identificou cinco fábricas
na área em questão: Fibrasa, Sinremo, Brascorda, Monteiro e Cirla. Todas
foram notificadas, mas das cinco, três fecharam. Restaram, portanto,
duas: Cirla e Fibrasa. “As duas foram notificadas para apresentar a
licença ambiental perante o MP".
Nível de oxigênio foi constatado como normal após aferição nesta segunda.
Centenas de peixes foram encontrados mortos no sábado, em Bayeux.
Do G1 PB
Peixes foram encontrados boiando no Rio Sanhuá, em Bayeux (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Os peixes encontrados boiando no último sábado (8) no Rio Sanhauá, em Bayeux na Grande João Pessoa, não foram mortos por contaminação química da água. Após reportagem do G1
retratando a situação, a Superintendência de Administração do Meio
Ambiente da Paraíba (Sudema), mediu o nível de oxigênio no mesmo local e
constatou que a água não teria causado a morte dos peixes.
De acordo com a coordenadora de Medições Ambientais da Sudema, Luciana
Nóbrega, não foi constatada nenhum tipo de poluição ambiental. “Não
encontramos nenhum lançamento ilegal no rio, não há nenhum tipo de
poluição ambiental. Os níveis de oxigênio estão normais. Quando há algum
tipo de poluição química, estes níveis ficam baixos, causando a morte
dos peixes. A água não motivou a morte dos peixes, isto é garantido”,
completou. Ainda segundo Luciana Nóbrega, um teste para identificar
bactérias na água também foi realizado e o resultado sairá na tarde
desta terça-feira (11).
Embora, a coordenadora de Medições Ambientais tenha adiantado que mesmo
que água seja constatada como imprópria para consumo, não seria capaz
de causar a morte em massa de peixes. “Sabemos da ocorrência de alguns
esgotos clandestinos de residências das proximidades despejados no rio,
deixando a água imprópria para consumo, mas ainda assim incapaz de
causar a morte dos peixes”, acrescentou. Segundo a Sudema, moradores do
local informaram que a morte dos peixes estaria ligada a ação de
pescadores no rio.
O caso
Centenas de peixes foram encontrados mortos no sábado (8) nas águas do Rio Sanhauá, no bairro do Baralho, em Bayeux, Grande João Pessoa.
Entre as espécies encontradas mortas estava o bagre, bastante
resistente à poluição. Na ocasião, um ambientalista havia creditado a
morte dos peixes a algum tipo de contaminação química da água.
Contaminação de indústria causou mortandade, afirma ambientalista.
Até espécies mais resistentes, como bagre, morreram.
Do G1 PB
Poluição de indústria causou mortandade, afirma ambientalista (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Centenas de peixes foram encontrados mortos neste sábado (8) nas águas do Rio Sanhauá, no bairro do Baralho, em Bayeux, Grande João Pessoa.
De acordo com alguns pescadores, alguns peixes ainda estavam vivos,
tentando sobreviver. O ambientalista Fernando Yplá disse não ter dúvidas
de que a mortandade teve como causa a ação de alguma indústria próximo à
área onde os peixes foram encontrados mortos. Entre as espécies, estava
o bagre, bastante resistente à poluição, segundo o ambientalista.
Fernando Yplá afirmou que ficou “desolado” com o que viu. “É
simplesmente algo que deprime. São centenas, milhares de peixes mortos.
Não tenho dúvida de que o que provocou toda essa mortandade foi a ação
de alguma indústria próximo a esse local”, afirmou.
Alguns pescadores relataram que, no início da tarde deste sábado,
alguns peixes ainda lutavam para sobreviver. “Nós temos que acrescentar
que não é apenas um prejuízo econômico para essa população que depende
muito da pesca para sobreviver, mas sobretudo ambiental”, disse o
ambientalista, que enfatizou que o lixo depositado no rio pela população
ribeirinha também contribuiu para a morte dos peixes.
Lixo depositado pela população ribeirinha também contribuiu para a mortandade
(Foto: Walter Paparazzo/G1)
“É preciso que haja uma ação de conscientização urgentemente. Ação que
se concretize, que envolva todos os agentes políticos e sociais. Não
podemos aceitar situação como essa. Com certeza, se fosse apenas o lixo
depositado pela população, os peixes não teriam morrido. Os peixes
morreram por conta de agentes químicos, que precisam de uma análise para
se chegar à indústria responsável por essa tragédia ambiental”, afirmou
Fernando Yplá.
Os pescadores afirmaram que muitos dos peixes que morreram por conta da
poluição a correnteza do rio já tinha levado quando da chegada do
ambientalista ao local.
“Uma situação dessas nos deixa tão perplexos, tão tristes que não é
exagero afirmar que chegamos ao ponto de desacreditar da raça humana, de
perguntar pelo menos para onde estamos indo”, finalizou.
A reportagem tentou entrar em contato com o Instituto do Meio Ambiente e
Recursos Naturais (Ibama) na Paraíba, mas as ligações não foram
atendidas. A Superintendência do Meio Ambiente (Sudema) também não
atendeu às ligações.
Pescadores disseram que muitos peixes foram levados pela correnteza do rio (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Ambientalistas
alertam para a importância da educação ambiental e de políticas
públicas mais efetivas para evitar a poluição dos mananciais.
Jaine Alves
Mortalidade de peixes e de outros seres aquáticos e proliferação de
doenças são duas das principais causas motivadas pelo derramamento de
esgoto nos rios de João Pessoa. A população que reside às margens do Rio
São Bento, no Bairro Padre Zé, se queixam do mau cheiro e da presença
de ratos e baratas. Segundo ambientalistas, a educação ambiental,
ecológica e sustentável é prioritária para uma possível despoluição das
águas pluviais.
O morador Gilvan Marcolino tem 50 anos de idade e 28 deles foram
vividos às margens do rio São Bento, no Bairro Padre Zé, em João Pessoa.
Gilvan relatou que o esgoto jogado no rio traz prejuízos para a
população local. “Desde que vim morar aqui, esse problema existe, mas de
uns tempos para cá a situação se agravou a tal ponto que até os peixes
que pescávamos aqui no rio morreram. Além disso, somos obrigados a
conviver com o mau cheiro e com ratos e baratas provenientes do esgoto”,
declarou.
A realidade vivida por Gilvan Marcolino também é vista em outras
áreas da capital, como na Ilha do Bispo, por onde passa o Rio Sanhauá.
No entanto, o ambientalista e fundador da Organização Não Governamental
(ONG) Praiamar, Fernando Yplá, disse que o problema de esgoto degradar o
meio ambiente é antigo e destacou que a existência de esgotos
clandestinos na cidade é um forte agravante.
“Ainda vemos esgotos clandestinos nos bairros de Manaíra, Cabo Branco
e Tambaú, por exemplo, que caem no mar. Essas construções são da década
de 50 e 60, mas até então os moradores não optaram por fazer o
saneamento básico da área e isso afeta cada vez mais o ambiente”,
explicou.
Fernando Yplá apontou que o fato de João Pessoa ser cortada por mais
de 10 rios, a situação ocorre em muitas áreas, principalmente nas
comunidades mais carentes. “O que percebemos é que nas nascentes os rios
são limpos, mas no decorrer do percurso são poluídos. Isso porque
sofrem as interferências do homem”, explicou.
Segundo o ambientalista, a poluição dos rios afeta diretamente a
saúde pública, “onde as pessoas sofrem com vários tipos de doenças
causadas por vermes, vírus, bactérias e fungos, como infecções
intestinais e respiratórias, não só pelo detrito, mas porque acaba
atraindo muitas pragas urbanas, como ratos, que podem causar a
leptospirose”.
De acordo com Fernando Yplá, a Organização Não Governamental trabalha
na conscientização da população, pois acredita que a educação
ambiental, ecológica e sustentável seja o principal meio de contribuição
para o meio ambiente, além de cobrar soluções por parte dos órgãos
competentes.
“Era preciso que a matéria de educação ambiental, ecológica e
sustentável deixasse de ser uma disciplina extracurricular nas escolas e
passasse a integrar o calendário pedagógico, porque enquanto as pessoas
não entenderem que os resíduos sólidos (lixo e esgoto) também são de
nossa responsabilidade, no que se refere a saúde pública, e não apenas
do sistema que nos serve, não iremos muito longe. Precisamos usar todos
os mecanismos disponíveis, como o Judiciário e Legislativo, a fim de
diminuir as agressões contra o meio ambiente”, disse o ambientalista
Fernando Yplá.