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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Reurbanização na margem da Praia do Jacaré aguarda fim de demolição

21/08/2015 16h19 - Atualizado em 21/08/2015 16h19 

Exército estuda a melhor forma de retirar os troncos.
Obras do Mercado de Artesanato já foram iniciadas.
 
Do G1 PB
 

A demolição da estrutura na Praia do Jacaré, em Cabedelo, cidade da Grande João Pessoa, começou há 20 dias, mas ainda não terminou. O Exército ainda está estudando a melhor forma de retirar os troncos que sustentavam os bares. Enquanto isso, a reurbanização na margem do rio não pode começar.

“Nós já iniciamos o Mercado de Artesanato, que não compromete tanto a acessibilidade. Vamos pavimentar aqui e colocar o guarda-corpo. Para a segunda etapa, que é a construção dos bares e a urbanização do outro trecho, ainda não tenho data prevista”, explicou a secretária de Infraestrutura de Cabedelo, Erika Gusmão.
 
No último fim de semana, Jurandy do Sax foi filmado tocando a Ave Maria em cima de um veículo. Forma diferente da habitual, na qual ele tocava em uma embarcação.

“Existem dois momentos do espetáculo. Um é o momento do Bolero de Ravel, que está sendo feito normalmente no barco, dentro d’água. O segundo momento é a plataforma com a Ave Maria, às 18h. Essa segunda etapa é que está sendo feita assim porque a plataforma está em reforma”, esclareceu o secretário de Turismo, Omar Gama.

Para os guias turísticos, o movimento de turistas continua a mesma. Porém, eles estão reclamando de novas regras. O presidente do Sindicato dos Guias de Turismo, Genilton Pessoa, explicou que a Prefeitura está exigindo que o desembarque de turistas aconteça apenas no fim do estacionamento, enquanto que a Marinha exige que as embarcações saiam às 16h.

“O guia chega aqui quase em cima da hora por conta do roteiro e do tráfego que pega do Centro Histórico pra cá e tem que conduzir todo turista pra cá e acaba causando alguns transtornos. Antes, a gente podia desembarcar na entrada do estacionamento. Agora, isso está proibido”, disse.

Antes da demolição, o embarque nos catamarãs era feito através dos bares. Agora, todo mundo tem que passar por um pier e, para evitar filas, os barcos só podem ficar atracados por 10 minutos.

 Para a presidente da Associação dos Lojistas, Tatiana Morimoto, esses problemas são temporários. “É, na verdade, uma etapa de transição, mas que a gente está se adaptando muito bem a ela e os turistas também. Porque nós tempos apresentações de grupos folclóricos e de artistas regionais, garantindo o entretenimento do público no calçadão”, comentou.


 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Exército demole bares da Praia do Jacaré, em ponto turístico da PB

12/08/2015 11h37 - Atualizado em 12/08/2015 11h37 

Operação da Superintendência de Patrimônio da União retirou estruturas.
Demolição dos bares foi autorizada após audiência realizada em 2014.
 
Do G1 PB


Equipe do exército removeu o que sobrou da estrutura dos bares do Jacaré, na Grande João Pessoa (Foto: Divulgação/MPF-PB)
Equipe do exército removeu o que sobrou da estrutura dos bares do Jacaré, na Grande João Pessoa
(Foto: Divulgação/MPF-PB)

O trabalho de demolição dos bares da praia do Jacaré, em Cabedelo, na Grande João Pessoa, começou na manhã desta quarta-feira (12) e está sendo realizado pelo Exército. Na segunda-feira (10), os proprietários começaram a retirar as estruturas por conta própria para aproveitar o máximo possível de material. O trabalho desta quarta-feira acontece em cumprimento de uma operação da Superintendência do Patrimônio da União no Estado da Paraíba (SPU-PB).
  
De acordo com o SPU,  a retirada está sendo realizada em cumprimento à decisão judicial fruto de acordo homologado pelo juiz federal João Pereira de Andrade Filho, durante audiência de conciliação solicitada pelo Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB), realizada em setembro de 2014. O prazo para que os donos dos bares fizessem a retirada acabou na segunda-feira (10).
 
A remoção, feita das 5h às 14h, para não prejudicar o comércio local, está sendo feita em parceria com o MPF, além de Polícia Federal, Exército, Marinha, Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Prefeitura Municipal de Cabedelo.
 
O procurador da República José Godoy Bezerra de Souza acredita que a retirada da estrutura física dos estabelecimentos será finalizada até o final da semana. Os projetos do Parque Turístico Municipal do Jacaré, elaborado pela Prefeitura Municipal de Cabedelo, bem como de pavimentação, drenagem e rede coletora de esgoto, feitos pelo Governo do Estado e Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), já foram apresentados ao MPF.

Os quatro bares que ocupam áreas da União na Praia do Jacaré, em Cabedelo, Região Metropolitana de João Pessoa, começaram a ser demolidos na noite segunda-feira (10). A informação foi confirmada pelo presidente da Associação dos Bares e Restaurantes da Praia do Jacaré, Leonardo Mendes. O local é endereço do famoso pôr do sol ao som do 'Bolero de Ravel'.
 
A remoção das estruturas dos bares foi feita pelos próprios comerciantes, seguindo um acordo feito na Justiça Federal, no ano passado. Segundo a Justiça Federal, os quatro bares ocupavam irregularmente, para fins de exploração comercial, área de uso comum da população.
 
Bares do Jacaré, em um dos principais pontos turísticos de João Pessoa, serão demolidos até o final de semana (Foto: Divulgação/MPF-PB)
Bares do Jacaré, em um dos principais pontos turísticos de João Pessoa, serão demolidos
até o final de semana (Foto: Divulgação/MPF-PB)
Os bares foram desocupados e estavam fechados desde o dia 1º de julho. Segundo a decisão da Justiça, os bares deviam ter sido removidos até o dia 10 de julho, mas a demolição não foi feita porque, segundo os proprietários, a Superintendência de Administração do Meio Ambiente da Paraíba (Sudema) teria demorado para liberar as licenças dos projetos de demolição. Por conta disso, o Tribunal Regional Federal (TRF) chegou a suspender a decisão até a Sudema se posicionar sobre o caso.
“Resolvemos realizar a demolição em caráter de urgência, para não ter prejuízo maior nos nossos materiais. Os trabalhadores começaram na segunda à noite e estamos retirando todo o material que dá para aproveitar. Tem cerca de 50 mil telhas e quase 80 toneladas de madeiramento, e não queremos perder este material caso a demolição seja feita pela Justiça”, explicou Leonardo.
 
Retirada da estrutura foi feita em operação da Superintendência do Patrimônio da União na Paraíba (Foto: Divulgação/MPF-PB)
Retirada da estrutura foi feita em operação da
Superintendência do Patrimônio da União
na Paraíba (Foto: Divulgação/MPF-PB)
Segundo o secretário de Turismo do município, Omar Gama, as obras de construção começaram na segunda-feira. “Nesta primeira etapa será contemplado a região do mercado de artesanato, que deve estar pronto até o final de dezembro. Em seguida faremos o parapeito na área que será aberta após a remoção dos bares e a terceira etapa será a licitação para a ocupação e construção dos quatro novos restaurantes que serão instalados no novo parque”, disse.
 
Omar explicou ainda que, mesmo que o projeto tenha o mesmo número de estabelecimentos que havia anteriormente, isso não significa que os mesmos bares serão instalados. “Isso não será uma relocação. Como se trata de uma área pública, a única maneira de fazer com que se utilize este espaço é através de um processo licitatório. O processo é aberto a todos e a única forma destes comerciantes voltarem para cá é vencendo a licitação”, concluiu o secretário.
 
O presidente da associação comenta que os proprietários têm interesse em voltar ao local. “O futuro a gente não sabe ainda, mas vamos participar da licitação para ocupar os restaurantes do novo parque, uma vez que temos este direito e vamos lutar por ele”, disse Mendes.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Projeto para Parque é menosprezado

O projeto para o Jacaré foi montado há mais de 10 anos. Até o momento nada se concretizou.


 
 
O Parque Municipal do Jacaré é conhecido não só nas divulgações turísticas dentro do país, mas também no exterior, segundo a presidente da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), Ruth Avelino. A falta de ordenamento no local, registrada ao longo dos anos, mobiliza a iniciativa de pesquisadores como o jornalista Wills Leal, que já formulou um projeto de reorganização da área do Jacaré e apresentou aos órgãos públicos de todas as esferas.


No projeto 'Novos caminhos para a praia do Jacaré' está prevista a inserção de vários equipamentos como Museu do Sol, Jardim Aromático, Templo Ecumênico, Centro Artesanal, além de um calendário de eventos. Mas até agora o jornalista não obteve nenhuma resposta por parte dos órgãos públicos.

“O projeto para o Jacaré foi montado há mais de 10 anos. Até o momento nada se concretizou. Nosso objetivo naquela época, e agora, é emprestar uma colaboração para sua devida existência como um real polo de atração turística, tecnicamente implantada, divulgada e administrada”, explicou Wills Leal.

Os "Sem Alvará"
Os empresários do local, que possuem estabelecimentos sem alvará de funcionamento, dizem que têm interesse em estudos que legalizem a situação de todos. A expectativa deles é com relação à aplicação do projeto aprovado pelo Comitê Gestor do Projeto Orla, mas que terá que ser reformulado pela Prefeitura de Cabedelo.

O presidente da Associação dos Artesãos e Comerciantes da praia do Jacaré, Rui Lousada, afirmou que no Parque existem 70 lojas e todos desejam a legalidade.

“Estou aqui há 9 anos, mas não tenho alvará de funcionamento. Entendo que estou aqui por causa de uma concessão por parte da prefeitura. Quando cheguei no Jacaré ocupei esta loja com uma pessoa que já trabalhava no local, depois ela se afastou e eu permaneci. Estamos querendo ser oficializados e acredito que isso não ocorreu ainda porque há empecilhos jurídicos e administrativos”, declarou.

A artesã e proprietária da loja Ar Maré, Tatiana Rodrigues, atua no Jacaré há 10 anos e garantiu que deseja a legalização do negócio, mesmo sabendo que a oficialização trará uma série de obrigações tributárias. “ Na verdade aqui antigamente existiam bares e terrenos que eram os quintais das pessoas que moravam na área. Os empreendedores chegaram, viram que o local era promissor e alugaram estes quintais para colocar o negócio. Seria importante a nossa legalização, mesmo pagando taxas para a prefeitura e União. Mas sou contra a padronização das lojas”, contou.

A presidente da PBTur alerta que o ordenamento do local tem que ser urgente.

“Quando vamos divulgar este destino em qualquer parte do país ou até lá fora todos falam do Pôr do Sol do Jacaré, de Jurandir do Sax que toca todas as tardes o Bolero de Ravel. Então temos que se buscar rapidamente uma alternativa jurídica e ambiental para que este atrativo não morra”, defende Ruth.

Sudema volta a negar liberação

Sem a licença, os planos de reorganizar a área e implantar o processo de legalização ficam mais uma vez adiados.


 




O dilema para a urbanização e legalização das empresas do Parque Municipal do Jacaré já ultrapassou a marca de uma década. Um projeto de 2002 pronto para ser posto em prática nunca saiu do papel. O último estudo, datado de 2011, aprovado pelo Comitê Gestor do Projeto Orla, foi reencaminhado à Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) em março deste ano, mas nessa semana o órgão negou a liberação da licença ambiental à Prefeitura de Cabedelo alegando que estava incompleto.
 
O estudo foi, então, devolvido à gestão municipal para que sejam feitas as adequações necessárias. O diretor técnico da Sudema, Ieure Amaral, explicou que falta uma avaliação mais ampla sobre o estudo apresentado pela Prefeitura de Cabedelo. “A Sudema não pode aprovar este projeto no formato apresentado porque o estudo de viabilidade ambiental foi considerado insatisfatório”, frisou.
 
Sem a licença da Sudema, os planos de reorganizar a área e implantar o processo de legalização dos cerca de 80 estabelecimentos ficam mais uma vez adiados. O secretário de Turismo de Cabedelo, Omar Gama, afirmou que o projeto de 2011 está avaliado em R$ 6 milhões, mas ele é modulado, ou seja, pode ser implantado por fases. Uma parte dos recursos, segundo ele, de R$ 1,5 milhão, já está empenhada junto ao Ministério do Turismo, faltando apenas a licença ambiental para que seja dado o pontapé nos trabalhos.
 
Depois da negativa da Sudema, a equipe de reportagem não conseguiu mais contato com Omar Gama, mas o secretário de planejamento da cidade, Adalberto Otávio da Silva, destacou que as adequações serão feitas. “Vamos fazer um novo estudo dentro deste projeto para adequar os cinco bares que estão sobre a lâmina d'água, relocando-os para uma área no próprio Parque”, afirmou.
 
Vale lembrar que a adequação da Prefeitura e retirada destes cinco estabelecimentos que estão sobre o espelho d'água do Rio Paraíba devem ocorrer em caráter de urgência. Este mês, o Ministério Público da União (MPU) determinou a retirada de cinco pontos comerciais (Vovó Amália, Jacaré Grill, Golfinho's Bar, Bombordo Bar e Maria Bonita Bar). O prazo para a saída das empresas vence no dia 2 de agosto. Mas a superintendente do Patrimônio da União na Paraíba, Daniella Bandeira, ainda não tinha notificado os cinco empresários até a semana passada. Ela explicou que estava analisando todo o histórico do local para avaliar as multas e fixá-las nas notificações. “Mas eles vão ter de sair porque estão instalados de forma irregular em terras da União. Para eles, já se esgotaram todas as vias administrativas", declarou.

Parque do Jacaré continua sem projeto

Gestores públicos e especialistas afirmam que falta de planejamento urbano e sustentável prejudica potencial turístico do local 


 

Kleide Teixeira
Local atrai mais de 12 mil visitantes na alta estação. Por irregularidades, empreendimentos são alvo de ação no MPF

Um dos cartões postais mais visitados por turistas, o Pôr do Sol do Jacaré, às margens do Rio Paraíba no município paraibano de Cabedelo, funciona há pelo menos uma década sem qualquer projeto hidrossanitário e de urbanização. Tampouco foi erguido no local, até hoje, um projeto de gestão pública que explorasse o potencial turístico, respeitando o meio ambiente local, como já existem em outras cidades do país, como forma de agregar valor aos produtos e serviços comercializados.
 
Para se ter uma ideia do improviso e precariedade, os donos de bares, restaurantes e lojas de artesanato sequer possuem ainda alvará de funcionamento e não pagam qualquer tributo pelo uso do local. Além disso, os estabelecimentos infringem regras ambientais básicas e não seguem um sistema ordenado de ocupação.
 
Mesmo funcionando fora dos parâmetros legais e atrativos, o local atrai a visitação de mais de 12 mil pessoas na alta estação, segundo estimativa conservadora da associação local.

O que não se explica até agora é o porquê deste ponto turístico de potencialidade comprovada funcionar excluído de um sistema de turismo sustentável, que gere riquezas para gestores públicos e a população. Sem registro legal para funcionar, as dezenas de empreendimentos que funcionam no Parque Municipal do Jacaré não contribuem com qualquer tipo de imposto. O que representa prejuízos para os cofres públicos e mais ainda para o local, que fica sem recursos para investimentos.
 
O secretário de turismo da Prefeitura de Cabedelo, Omar Gama, estima que, da forma como funciona atualmente, apenas 20% do potencial turístico do Jacaré seja explorado. Mesmo sendo subutilizado, o local gera dois mil empregos diretos.
 
“Indiretamente, o local chega a gerar dez mil trabalhos no Jacaré. O número de visitantes na alta estação chega a 12 mil pessoas e na baixa são cerca de seis mil”, afirmou o presidente da Associação dos Bares e Restaurantes da Praia de Jacaré e diretor de imprensa da Comissão Representativa de Bares e Restaurantes, Comerciantes e Ambulantes da Praia do Jacaré, Leonardo Mendes, dono do Bombordo Bar, um dos cinco estabelecimentos que estão localizados sobre o espelho d’água do Rio Paraíba e que o Ministério Público Federal (MPF) determinou, este mês, a retirada.
 
Mais do que um 'paraíso fiscal', o Pôr do Sol do Jacaré pode ser considerado o sonho dourado de qualquer empresário. Alguns trâmites burocráticos para formalizar um negócio na área são simplificados. Para se instalarem no Jacaré, alguns empreendedores pagam aluguéis, têm a cessão (doação) do terreno ou compraram a área de antigos ocupantes. Daí por diante, investem no negócio e cobram pelos serviços prestados a preços normais de mercado.

Com a ausência de alvará de funcionamento, não se sabe ao certo quantos empreendedores se incluem no perfil de micro, pequeno ou grande empresário. Mas nos restaurantes o menu serve de peixes, passando por refeições completas e até petiscos de camarões. Nas lojas de artesanatos não faltam souvenirs para visitantes locais ou estrangeiros.
 
“Como é que você pode cobrar tributo sem licenciar? Estamos aguardando a liberação da licença ambiental de um projeto de reurbanização e hidrossanitário do Parque Municipal do Jacaré, que foi aprovado pelo Comitê Gestor do Projeto Orla, mas que ainda está sob avaliação da Sudema”, justificou o empresário Leonardo Mendes.
 
Para os especialistas e turismólogos, a área tem grande valor turístico para a Paraíba. “O potencial é enorme, logo, muito relevante para a Paraíba e Cabedelo, porém em bases sustentáveis. Vale dizer que a rentabilidade econômica do lugar deveria beneficiar de forma mais isonômica a população, coisa que não vem acontecendo a partir do fato de os estabelecimentos não recolherem impostos”, alertou o professor doutor André Piva, coordenador do Programa de Pós-graduação em Turismo de Base Local da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
 
Além da desobrigação tributária, os empreendedores não cumprem as determinações da legislação do âmbito ambiental.
 
“Eles estão ocupando Área de Preservação Permanente [APP], que é extremamente restrita pela legislação. Os empreendimentos do Jacaré não têm licença ambiental para funcionar e trata-se de uma atividade muito poluidora, onde não há rede de coleta de esgoto. Os resíduos gerados nas cozinhas e banheiros são lançados no meio ambiente”, afirmou o superintendente do Ibama na Paraíba, Bruno Faro Eloy Dunda.
 
A Superintendência da União na Paraíba (SPU), Daniella Bandeira, afirmou que desde 2011 o órgão vem alertando e notificando os ocupantes do Jacaré para que se legalizem, mas até agora não houve evolução neste sentido. Ela alertou que o funcionamento das empresas era para ter sido precedido de abertura de licitação por parte do poder público, fato que nunca ocorreu. “O poder público já teve tempo promover o reordenamento dessa área, mas eles continuam lá de forma irregular”, argumentou Daniella.
 
Para o professor André Piva, assim como outros pontos turísticos da Paraíba, o Parque Municipal do Jacaré recebe ações estruturantes paliativas dos gestores públicos. “O Jacaré não foi alvo de um planejamento adequado, exequível e com chance de ser bem aproveitado, assim como quase todos nossos outros produtos turísticos. Logo, ações estruturantes chegam tarde e de forma paliativa. As políticas públicas seguem a lógica do capitalismo global destinada ao turismo, não pensam na sustentabilidade”.
 
O jornalista e pesquisador Wills Leal vai mais além e faz duras críticas à forma como a área é tratada.
 
“Desde sua improvisada e ilegal implantação até hoje este excepcional produto âncora não contou com nenhum suporte técnico ou legal. Com tudo funcionando improvisado e por vezes com viés de politicagem, sem um projeto amplo de gestão. Até agora aquela situação não foi legalizada porque mexe com interesses de políticos e empresários. Há muita especulação imobiliária e se vier o império da Lei muita gente pode perder seus interesses. Então, para muitos, o melhor é deixar como está”, desabafou.

domingo, 3 de junho de 2012

Bares proibidos de realizar shows

Falta de infraestrutura e isolamento acústico levou os bares do Jacaré a serem notificados; 
Show depois da meia noite serão proibidos.

Publicado em 02/06/2012 às 06h54

Luzia Santos 

Bares e restaurantes do Parque Turístico do Jacaré, em Cabedelo, foram notificados e proibidos de realizar shows após as 23h. Um dos estabelecimentos que descumprir a determinação pela segunda vez pode ser embargado. A informação é do capitão Luiz Tibério do Batalhão Ambiental da Polícia Militar que presta apoio à fiscalização da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema). Ele vai encaminhar a notificação para o Ministério Público Federal (MPF) na próxima semana.

Segundo o capitão Tibério, os estabelecimentos do Jacaré instalados à margem do rio Paraíba não têm estrutura física nem acústica para comportar eventos e shows. “Os bares e restaurantes estão instalados dentro de uma Área de Preservação Permanente (APP) e não têm projeto de isolamento acústico para poder realizar shows ou eventos”, esclarece.

Acrescentando ainda que “quem trabalha com atividades relativas ao pôr-do-sol não tem problema, mas quem oferece música ao vivo só pode funcionar até as 23h”, lembra.

Ainda de acordo com o capitão, a poluição sonora estaria sendo denunciada por moradores da localidade que estariam incomodados com o som alto de bares e de carros que se deslocam para o local para participar dos eventos. A proibição de shows foi determinada no ano passado pelo MPF e o cumprimento da norma vem sendo fiscalizada pela equipe do Batalhão Ambiental.

O funcionamento de bares e restaurantes no Jacaré já está em discussão há um ano. Em maio do ano passado, a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) determinou a retirada de todos os estabelecimentos instalados à margem da praia fluvial do Jacaré.

Fonte

domingo, 11 de março de 2012

Praia do Jacaré, na Paraíba, deve ter reordenamento no primeiro semestre


11/03/2012 17h48 - Atualizado em 11/03/2012 17h48

Parque Turístico do Jacaré vai passar por adequação dos espaços.Empresa que vai fazer estudo de impacto ambiental será definida este mês.
 
Do G1 PB

Jurandy toca em cima do barquinho desde janeiro de 2001 (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Bares e restaurantes ficam às margens do rio na
Praia do Jacaré (Foto: Krystine Carneiro/G1)
O Parque Turístico do Jacaré, espaço localizado na cidade de Cabedelo, na Grande João Pessoa, onde centenas de pessoas, ou até milhares em período de alta estação, se reúnem diariamente para apreciar o pôr-do-sol ao som do Bolero de Ravel, deve passar por um reordenamento com início previsto ainda para o primeiro semestre de 2012. O local, também conhecido apenas por Praia do Jacaré, é um dos mais famosos cartões postais da Paraíba e vai passar por um processo de adequação dos espaços.

A seleção da empresa que vai realizar o estudo de impacto ambiental da ocupação da Praia do Jacaré por bares, restaurantes, lojistas e artesãos será o primeiro passo para o projeto ganhar forma. O prazo para o início dos trabalhos de intervenção no parque ainda não tem data, mas, segundo o secretário da Pesca e Aquicultura de Cabedelo, Walber Farias Marques, que está à frente das ações, a previsão é que o edital para escolha da empresa seja lançado até o final de março.

Atualmente a Praia do Jacaré é ocupada por bares, restaurantes, lojas e feira de artesanato e o plano de reordenamento foi necessário depois que a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) tentou retirar os bares e restaurantes do local em 2011. O argumento era que o espaço era de propriedade da União e área de preservação ambiental permanente.

No entanto, em junho do ano passado, a SPU decidiu suspender a remoção. Na ocasião, a superintendência do órgão aceitou o projeto de reordenamento do Parque Turístico do Jacaré que havia sido elaborado pela Prefeitura de Cabedelo e interrompeu temporariamente a retirada.

Apenas após a realização do estudo de viabilidade ambiental e da autorização da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) é que o projeto poderá ser de fato implantado. O estudo deverá ser realizado por uma empresa privada contratada pela Prefeitura de Cabedelo, através do edital de licitação. “Em um primeiro momento, ainda em junho do ano passado, a SPU exigiu a apresentação do estudo de impacto ambiental (EIA) e o relatório de impacto ambiental (Rima) para liberação da licença técnica. Essas pesquisas são detalhadas e demoram entre seis meses e um ano para serem concluídas. Contudo, depois de análises, a SPU passou a exigir estudo de viabilidade ambiental (EVA) que pode ser elaborado entre 30 e 60 dias”, revelou Walber Marques.


Praia do Jacaré tem lojinhas com produtos típicos da Paraíba (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Praia do Jacaré tem estrutura com lojinhas e feira de artesanato
(Foto: Krystine Carneiro/G1)

Conforme a superintendente da SPU em João Pessoa, Daniella Bandeira, caberá à Sudema avaliar o estudo e dar o parecer técnico para implantação do projeto. Os investimentos necessários ainda não foram calculados, mas os recursos para implantação da obra devem ser levantados quando o aval do órgão ambiental for expedido.

O secretário da Pesca ressalta, contudo, que a prefeitura pode perder a concessão da área da Praia do Jacaré – que é uma área da União e foi entregue à gestão municipal ano passado. “A Prefeitura já autorizou a realização da adequação, mas a demora pode levar a SPU, em Brasília, a suspender a implantação do projeto”, declarou.