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Técnicos
da Secretaria Executiva de Meio Ambiente e representantes do Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do Governo
Federal ligado ao Ministério do Meio Ambiente, estão realizando visita
técnica na Serra de Teixeira para avaliar as condições físicas para a
criação do Parque Nacional da Serra de Teixeira, que engloba mais de 10
municípios paraibanos com predominância do Bioma Caatinga. Numa primeira
avaliação, eles consideraram apta a área para criação do parque.
Por
meio de um sobrevoo de avião, os ambientalistas puderam fazer um
reconhecimento de toda a área que engloba a Serra de Teixeira. De acordo
com Aldilzio Lima, coordenador substituto da coordenação de criação de
unidades de conservação do ICMBIo, fez um breve relato do que foi
constatado na visita técnica até o momento, destacando que foi observado
que há uma grande área conservada apta para a criação de unidade de
conservação federal. “Já aqui em terra, com a visita de campo,
constatamos que a área também é propícia para a prática do turismo
ecológico. Nós também conversamos com alguns moradores da área e eles
apresentaram interesse na preservação da Serra de Teixeira”, relatou.
O
secretário executivo de Meio Ambiente, Fabiano Lucena, que também
integra a equipe que está no local, ressalta a importância da criação do
parque para a Paraíba e para o Brasil. “Será um Parque de grande
importância para o nosso Estado. Entendemos a importância de protegermos
o bioma da caatinga e percebemos o potencial da área para o
desenvolvimento do turismo sustentável”, observou.
Nesta
quarta-feira (12), a equipe realizou uma reunião no Casarão do Jabre
com os prefeitos da região e o fórum permanente Salve o Pico do Jabre.
Nesta quinta-feira (13), haverá visitas às Serras do Melado
(Cajazeirinhas) e Santa Catarina (São José de Lagoa Tapada). As
atividades se encerram na sexta-feira (14), com uma reunião interna de
avaliação e planejamento das etapas futuras. Posteriormente, o ICMBio
vai elaborar uma consulta pública para que a população se manifeste
apoiando ou não a existência do parque e também para escolher um nome
para o local.
A Serra de Teixeira possui uma grande riqueza da fauna e da flora,
além das nascentes existentes no local, em torno de 70, é possível
encontrar na serra animais como veados, macaco-prego, onça puma, e
novas espécies de lagartos e borboletas.
Desativação de um lixão deve ser acompanhada de um plano de recuperação, diz pesquisadora.
Por G1 PB
Lixão em Guarabira, na Paraíba (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco/Arquivo
Um levantamento feito por uma pesquisa coordenada pelo curso de
Ciências Biológicas da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB),
constatou que a Paraíba conta atualmente com 200 lixões e que a maior
parte está localizada no interior da caatinga. Foram identificadas menos
16 espécies da flora.
O estudo também alertou que a produção de chorume, emissão de gases
contribuem para o aumento do efeito estufa e os organismos adaptados
aquelas condições que, geralmente, detêm potencial adverso à saúde
humana.
“Dentro dessa pesquisa foram identificados vários impactos ambientais
negativos, como a infiltração do chorume no solo, a poluição dos corpos
aquáticos, compactação e poluição do solo, poluição visual, presença de
animais e desvalorização imobiliária do entorno. Tudo isso poderia ser
evitado se a Lei nº 12.305/2010 que trata do fim dos lixões estivesse sendo
cumprida", disse a professora Mônica Maria Pereira da Silva, que
integra o Grupo de Extensão e Pesquisa em Gestão e Educação Ambiental
(GGEA).
“A desativação de um lixão deve ser acompanhada de um plano de
recuperação, o que demanda sobretudo o conhecimento da vegetação
adaptada a este tipo de ambiente, por isso observamos esses efeitos no
bioma caatinga”, explica a professora Mônica Maria.
Degradação do solo
Conforme a pesquisa, apesar dessas condições de degradação do solo,
foram identificadas 16 espécies da flora distribuídas em oito famílias.
Desse total, sete são reconhecidas como nativas da caatinga (marmeleiro,
jurema, macambira, palmatória, pereiro, facheiro, xique-xique,) e nove
são exóticas, mas naturalizadas (algaroba, algodão de seda, malva,
urtiga, mussambê, charuteira, mamona, pinhão bravo e pinhão roxo).
Caatinga se estende por 92% do território da Paraíba (Foto: Sidney Gouveia/Semarh/Arquivo)
Recuperação lenta
Ainda de acordo com as observações feitas, à medida que essas espécies
se estabeleceram provocaram mudanças essenciais para a recuperação
daquele ambiente, principalmente em relação a paisagem e a regeneração
do solo da Caatinga.
“A promoção da conservação da biodiversidade da caatinga não é uma ação
simples. Ela requer superação de grandes obstáculos. A desativação de
um lixão não significa que o problema foi solucionado. A destruição da
natureza ocorre com rapidez, mas a sua recuperação é lenta”, afirma a
professora
A caatinga
O bioma caatinga é exclusivamente brasileiro. Compreende uma área de
850.000 km², representando 70% do Nordeste brasileiro, 11% do território
nacional e 92% da Paraíba. Possui aproximadamente 28 milhões de
habitantes. A região detém uma importante biodiversidade, com registro
de 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies
de anfíbios, 241 de peixes e 221 de abelhas.
Plantio fez parte das comemorações dos 30 anos da TV Paraíba
Por Daniel Sousa, Comunicação
Moradores puderam adquirir mudas da caatinga (Foto: Daniel Sousa/TV Paraíba)
Em breve, o Residencial Alto da Serra, no Bairro Cuités, poderá
usufruir de um ar ainda mais puro. É que, nesta sexta-feira (28), uma
das principais vias da comunidade, a Rua Josefa Alves da Silva, ganhou
80 novas árvores, que foram apadrinhadas pelos moradores. A ação em
Campina Grande comemorou o Dia da Caatinga, o único bioma exclusivamente
brasileiro que é marca do interior nordestino.
No local, foi montada uma tenda para a distribuição de mudas. Cerca de
15 espécies estavam à disposição, como juá, ipê amarelo e mororó. Além
das plantas, a população recebeu um manual de boas práticas para
mantê-las saudáveis e em boas condições.
“O Alto da Serra foi escolhido hoje porque temos uma área de
preservação permanente aqui. Esse espaço precisa de alguns cuidados
quanto à recuperação do bioma porque existem muitas espécies da caatinga
e nosso compromisso é justamente recuperá-las”, disse a coordenadora do
Meio Ambiente de Campina Grande, Denise Sena.
A iniciativa na Rainha da Borborema faz parte do programa ambiental em comemoração aos 30 anos das TVs Cabo Branco e Paraíba. Pela parceria firmada entre a Rede Paraíba de Comunicação
e a prefeitura municipal, por meio do Projeto Minha Árvore, o município
receberá 30 mil mudas, que restaurarão canteiros, praças e áreas
degradadas.
“Essa é uma parceria fundamental para melhorar o nosso meio ambiente. A
gente sabe que, nos dias de hoje, o ar puro é cada mais difícil devido a
poluição que é jogada pelo homem. Essa ação tem como objetivo inverter
esse papel. Através do plantio dessas árvores, a comunidade vai ter uma
vida melhor no futuro”, falou o chefe de Redação da TV Paraíba e apresentador do JPB 2ª Edição, Carlos Siqueira.
Comemoração será nesta sexta-feira, às 9h, no Residencial Alto da Serra
Por Daniel Sousa, Comunicação
60 mil mudas serão plantadas em João Pessoa e Campina Grande (Foto: TV Cabo Branco)
O Dia da Caatinga será comemorado na Rainha da Borborema. Nesta sexta-feira (28), a TV Paraíba
e a Prefeitura de Campina Grande vão celebrar a data que homenageia o
único bioma exclusivamente brasileiro e que é a marca do interior
nordestino. A partir das 9h, o Residencial Alto da Serra, no bairro
Cuités, receberá o plantio de 80 futuras árvores que arborizarão a Rua
Josefa Alves da Silva.
A população é convidada para participar do evento. No local, será
montada uma tenda onde ocorrerá a distribuição de mudas de diversas
espécies. O apresentador do JPB 2ª Edição Carlos Siqueira é uma das presenças confirmadas.
A ação faz parte do projeto ambiental em comemoração ao aniversário de 30 anos das afiliadas Globo no estado. Por meio de uma parceria entre a Rede Paraíba de Comunicação
e as gestões ambientais de João Pessoa e Campina Grande, as duas
cidades receberão, juntas, 60 mil novas árvores, que estão sendo
plantadas em áreas degradadas e urbanas.
Na Rainha da Borborema, o programa foi lançado no dia 19 de março. Na
ocasião, colaboradores da emissora, autoridades e a população em geral
participaram de um plantio simbólico de jacarandás-mimosos, que, quando
crescerem, formarão um bosque às margens do Açude Velho.
Em
5 anos, quase 80% das cidades da região decretam emergência ou
calamidade por seca. G1 conta o que os habitantes de cada um dos nove
estados do Nordeste fazem para sobreviver.
Por G1
Nordeste enfrenta seca de cinco anos; moradores enfrentam perda de safra e mortes de animais (Foto: Alan Tiago Alves/G1)
Gado morrendo. Barragens sem uma gota de água. Rio virando mar. É tanta
secura que até os cactos estão sentindo. Para quem passa despercebido
pelo interior do Nordeste, o horizonte seco e monocromático pode parecer
o mesmo de sempre, mas um segundo olhar revela os açudes vazios, a
terra rachada e as carcaças dos animais.
É a seca. Mas não uma seca qualquer. Desde 2012, a região passa por
poucas chuvas, perdas de safras e baixa vazão de água nos rios, e está
caminhando para o sexto ano seguido de estiagem severa em 2017.
Neste período, quase 80% das cidades do Nordeste decretaram estado de
emergência ou de calamidade por seca ou por estiagem pelo menos uma vez,
segundo levantamento feito pelo G1 com base em dados
do Ministério da Integração Nacional. Em quatro dos nove estados da
região, o percentual de cidades com decretos é superior a 90% nestes
cinco anos.
No Piauí, com alarmantes 98,2%, apenas quatro cidades não entraram em
emergência. Já no Ceará, as precipitações estão tão baixas que a
Fundação Cearense de Metereologia e Recursos Hídricos (Funceme) crava: é
a pior seca da história do estado. "É uma seca agrícola, uma seca
hidrológica. A água que entra nos reservatórios não é suficiente para
repor as necessidades das pessoas", afirma Eduardo Martins, presidente
da fundação.
O Monitor de Secas, um programa que acompanha as condições de seca no
Nordeste com o apoio de instituições como a própria Funceme, mostra que,
em fevereiro de 2017, as chuvas conseguiram abrandar a gravidade da
situação em relação a meses anteriores, principalmente em estados mais
ao norte, como o Maranhão. Mas o mapa segue majoritariamente vermelho
intenso, indicando a existência de seca extrema e excepcional em grande
parte do Nordeste.
Comparação de mapa de seca do Nordeste entre janeiro e fevereiro (Foto: Divulgação/Monitor de Secas)
Um fraco La Niña no final do ano passado trouxe a expectativa de chuva
em 2017, mas, segundo o professor Humberto A. Barbosa, coordenador do
Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis)
da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a temperatura da superfície
do Pacífico equatorial encontra-se em elevação desde janeiro, o que pode
indicar novos períodos de seca pela frente.
“Essa característica oceânica indica possibilidade de ocorrência de El
Niño, fenômeno diretamente ligado às secas no Nordeste brasileiro.
Embora as projeções não sejam consensuais, as tendências indicam que, no
período de abril a junho, o El Niño possivelmente influenciará no clima
do Nordeste brasileiro, ocasionando mais secas”, afirma.
E, segundo Eduardo Martins, se as condições metereológicas
desfavoráveis continuarem, as preocupações dos especialistas já se
deslocarão para a fase chuvosa de 2018.
"É um problema contínuo. Tem que ter uma visão de médio e longo prazo.
Não tem que pensar só no atendimento naquele momento. A gente pode ser
surpreendido", afirma. "Precisamos pensar em um programa de eficiência
ligado à água, para ter transferências entre reservatórios, para
diminuir os percentuais de perda. Também é preciso trabalhar mais com
culturas de ciclo curto, que não são tão vulneráveis ao clima. Além
disso, há uma ausência de esforço de comunicação com a população para
diminuir o desperdício. Na região litorânea, com grandes cidades, as
pessoas não percebem a gravidade da situação."
Mas o que os números e os estudiosos não mostram, apenas indicam, é o
sofrimento do povo do semiárido nordestino, que enfrenta com força,
resiliência e, muitas vezes, com desespero, as consequências da seca.
O G1
mostra, em uma série de reportagens, uma pequena amostra da realidade
vivida por esse povo - e as muitas saídas que encontra para conseguir
sobreviver. Confira as histórias, contadas em cada um dos nove estados
do Nordeste brasileiro.
Alagoas
Morar à beira do Rio São Francisco poderia ser considerado um
privilégio por pescadores, mas um fenômeno conhecido como salinização
tem provocado uma mudança na rotina de ribeirinhos de Piaçabuçu, em
Alagoas. A seca fez a hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, reduzir a
vazão ao menor nível da história. Com menos água no leito do rio, o
reflexo é sentido na foz do São Francisco, onde o mar avança cada vez
mais, tornando salgada a água doce. Por conta disso, os ribeirinhos
navegam até seis horas para levar água potável para casa.
Seu Antônio alimenta com mandacaru os animais em Feira de Santana, no interior da Bahia (Foto: Alan Tiago Alves/G1)
De um lado, o solo árido não permite que as plantações vinguem; de
outro, animais debilitados por fome e sede se reduzem a carcaças. É
nesse cenário que seu Antônio, de 70 anos, cuida do único cajueiro que
sobreviveu à estiagem e dos mandacarus, que servem de alimento para seus
animais. Não muito longe dali, Bernadete, de 46 anos, também é um dos
mais de 4,1 milhões afetados pela seca no estado. Para conseguir manter
os cinco filhos vivos, usou a água suja e esverdeada de um tanque
durante meses. "Tem gosto de pé de animal", diz.
Ainda no interior da Bahia, a estiagem transformou o polo mundial de
sisal em um "cemitério verde" e acabou com o sustento de muita gente. É o
caso de Zé Maria, que há décadas vive da sua roça. É com nostalgia,
porém, que, agora, percorre o solo ressecado pela falta de chuva.
"Quando entra a seca, acaba tudo."
Sem produção por causa da seca, Francisco de Assis levou meses para
juntar R$ 100 para fazer um suposto seguro. (Foto: André Teixeira/G1)
Além de perder as plantações e sofrer com a falta de água, a população
do Ceará ainda enfrenta outro problema: golpes que desviam serviços,
benefícios e verbas que iriam para os flagelados pela pior seca do
estado em 100 anos. Depois de penar com a família para conseguir poupar,
Francisco de Assis de Freitas, de 55 anos, entregou R$ 100 para um
homem que dizia ser do governo e que faria um seguro de safra. Depois de
entregue o dinheiro, porém, o homem sumiu. Já Maria Fernandes da Silva
entregou R$ 30 para um suposto agente do Bolsa Família que prometia
aumentar o benefício. "Ele enganou mais de 15 pessoas com esse
cadastro", lamenta.
Nível dos rios aumentou após chuvas amenizar a seca no Maranhão (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Depois de ter seca considerada extrema em mais da metade do seu
território, o Maranhão encontrou alívio com as chuvas dos primeiros
meses de 2017. Por ter parte do seu bioma na região amazônica e
precipitações mais generosas, o Maranhão foi o estado com menos cidades
com decreto de calamidade ou emergência por causa da seca que atinge o
Nordeste nos últimos cinco anos.
Vila da Ribeira, distrito de Cabaceiras, está em processo de desertificação (Foto: Reprodução/Lapis/INSA)
Além da seca, que já vem afligindo os paraibanos há cinco anos, outro
problema ameaça o solo e a vegetação do estado. Só que, desta vez, o
processo é irreversível. A Paraíba é o estado brasileiro mais afetado,
proporcionalmente, pela desertificação - processo de degradação
ambiental que torna as terras inférteis e improdutivas. Isso faz com que
a população ocupe novos territórios em busca de sobrevivência.
Pesquisadores apontaram que, desde 2010, a seca tem contribuído para a
expansão das áreas susceptíveis à desertificação.
Seca castiga os canaviais da região da Zona da Mata de Pernambuco (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)
O pernambucano Roberval Germano, de 39 anos, só tem um desejo: a
chegada da chuva. Vivendo da cana durante toda sua vida, ele reza para
que a seca que castiga os canaviais da região da Zona da Mata não seja
capaz de cessar a sua única fonte de renda. A situação é a mesma no
Agreste do estado, onde o agricultor Luiz Carlos Silva, que sempre
sustentou a família com plantações de milho e feijão, não sabe mais o
que fazer. "Não tem água. Não tenho onde plantar", diz, lamentando o
solo seco e rachado que predomina na barragem de Jucazinho há meses.
O casal Manoel e Maria Gercília apenas não compartilha as angústias de
Roberval e Luiz Carlos por causa da instalação de um sistema, o bioágua,
que reaproveita a água usada no chuveiro e na pia da cozinha para
irrigar suas plantas. Em meio à secura, eles produzem acerola, goiaba,
banana, pinha e romã.
Sertanejos lucram com poços particulares no semiárido do Piauí (Foto: Catarina Costa/G1 PI)
Com reservatórios secos, a população de Pio IX sofre as consequências
da estiagem. Na zona rural, o abastecimento das cisternas é feito por
caminhões-pipa, que demoram dois meses para retornar a uma localidade.
Por isso, os moradores pagam R$ 1 por um balde de água e até R$ 130 por
uma carrada (cerca de 8 mil litros) para conseguir sobreviver. Enquantos
uns sofrem, porém, outros sertanejos lucram com poços particulares. As
vendas estão tão favoráveis que o empresário Aldemar Arrais pretende
abrir um clube com piscinas. "Nem vejo lucro, mas uma opção de lazer
para a população de Pio IX, que sofre tanto com a falta de água", diz.
Francisca Ferreira depende de uma moradora do bairro que tem poço e revende água (Foto: Thyago Macedo / G1)
Pela primeira vez na história, Natal passa por um racionamento de água.
O rodízio atinge cerca de 70% dos 350 mil habitantes da Zona Norte da
cidade, a região mais populosa da capital. “Nunca vivemos uma coisa
dessas, a gente não tem água”, diz dona Francisca Ferreira, de 65 anos.
Moradora de uma casa simples, ela depende de uma vizinha que tem um poço
e revende água. O racionamento a obriga a escolher o dia que lavará
roupa, o dia que tomará banho e o dia que terá água potável para beber.
Ribeirinhos apelam para a fé para tentar melhorar a situação da seca (Foto: Haleph Ferreira)
No Baixo São Francisco, a seca mexe com a rotina dos ribeirinhos, que
pouco a pouco acompanham o desaparecimento de importantes reservas
hídricas. Se a natureza dá sinais de cansaço, a fé entra como último
recurso para amenizar o sofrimento. O jovem Haleph Ferreira resolveu
fazer uma oração às margens da Lagoa Salomé, pedindo a intercessão de
Nossa Senhora Aparecida para mudar o cenário da seca. Com a água
baixando, os peixes estão morrendo.