A presidente Dilma Rousseff rebateu nesta terça-feira (13) críticas
sobre atrasos nas obras de transposição do rio São Francisco e disse que
"quem nunca fez nada, desanda a cobrar". A presidente realiza visita a
estados do Nordeste para vistoriar as obras do rio e deu a declaração
em conversa com jornalistas em São José de Piranhas (PB).
 |
Dilma posa para foto com operários no Túnel Cuncas II, nas obras do Rio São Francisco (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR) |
A construção começou em 2007. O projeto de integração do São Francisco
tem extensão total de 469 quilômetros e a estimativa é que 11,6 milhões
de pessoas sejam atendidas com fornecimento de água em cidades do Ceará,
Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
A previsão do governo federal, segundo o ministro da Integração
Nacional, Francisco Teixeira, é que as obras fiquem prontas até dezembro
do ano que vem.
"Acontece uma coisa engraçada no Brasil, não sei se vocês já notaram.
Quem nunca fez, desanda a cobrar de quem fez. Então é isso que nós
estamos assistindo. Gente que nunca fez quando pôde, cobrar de quem está
fazendo quando pode", criticou.
Ao comentar a oferta de água que a transposição vai proporcionar, a
presidente fez uma comparação com o sistema Cantareira, que abastece a
cidade de São Paulo. Para Dilma, a capital paulista passa por uma
situação "difícil". O nível da represa chegou a 8,6% nesta terça.
"O rio São Francisco é o rio que beneficia mais a população nordestina e
que vai garantir uma diferença de qualidade, principalmente quando nós
estamos vendo, hoje, uma situação muito, muito difícil sendo passada no
estado mais rico da federação, que é São Paulo. É a falta de água na
barragem da Cantareira, lá do reservatório da Cantareira", disse.
Em seguida, Dilma elogiou o planejamento dos estados no Nordeste no que
diz respeito a abastecimento de água. "Você veja que o Nordeste teve
esse mérito. Ele teve essa consciência e esse planejamento. Não é de
hoje que você faz isso", pontuou.
Momentos mais tarde, já em Jati (CE), Dilma voltou a mencionar a
situação do estado de São Paulo, ao dizer que, no Nordeste houve
"previsão" e que lá nenhum líder foi "surpreendido pela seca".
"Vejam vocês que o Brasil está passando por um período de estiagem e
hoje, no Sudeste, nos estados mais ricos da federação, especialmente em
São Paulo, estamos enfrentando uma seca de todas proporções. Mas lá não
tem obra dessa proporção para garantir segurança hídrica", disse.
Ela completou que os trabalhadores que participaram da obra deveriam
estar de "queixo erguido" porque, segundo ela, a transposição vai mudar
as "condições" para o Nordeste se desenvolver.
Agenda
A presidente Dilma Rousseff
vai fazer nesta terça vistoria em trechos da obra de transposição do
Rio São Francisco em cidades de Pernambuco, Paraíba e Ceará.
Primeiro ela vai passar pelas obras do Túnel Cuncas II, próximo a São José de Piranhas
(PB) – segundo o Ministério da Integração, o túnel possui quatro
quilômetros de extensão e foi concluído em março deste ano. Em seguida, a
presidente vai visitar a barragem construída em Jati (CE), responsável
por levar a água do rio São Francisco ao estado do Ceará.
A última vistoria de Dilma nesta viagem será em Cabrobó (PE), onde
visitará a Estação de Bombeamento 1, responsável por levar a água do rio
a localidades com altitude elevada. De acordo com o ministério, a etapa
está 83,8% concluída.
De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), o custo total
previsto da obra de transposição é de R$ 8,2 bilhões e, até março deste
ano, R$ 4,6 bilhões já haviam sido executados (valor sem correção
monetária).
Cobranças
Na segunda-feira (12), em cerimônia na ciadade de Ipatinga (MG), Dilma
também reclamou das críticas de cobranças feitas por conta de atrasos na
execução do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. "Por que na hora de a
gente fazer o acordo e passar os recursos todo mundo quer, e na hora de
cobrar só nós somos cobrados? Que história é essa? Eu respondo pelos
meus atos, mas não respondo pelos dos outros", disparou.
O governo mineiro rebateu a crítica e disse em nota que a
responsabilidade pela obra é do governo federal. Disse ainda que a obra
não foi iniciada porque o DNIT - estatal ligada ao Ministério dos
Transportes - ainda não liberou o projeto para o estado fazer a
licitação.