quarta-feira, 13 de março de 2013

Projeto de extensão do Campus IV revela descaso com meio ambiente no Sertão paraibano

13 mar 2013

O cenário é preocupante. As árvores existentes no Sertão paraibano estão agonizando. Por falta de consciência e desrespeito ao meio ambiente, grande parte da população está agredindo a natureza, causando danos quase que irreversíveis a flora e a fauna sertaneja. Isto é o que aponta o relatório final do projeto “Levantamento quantiqualitativo e fitossanitário das espécies vegetais do Campus IV da UEPB em Catolé do Rocha - PB”.

Coordenado pela professora Fabiana Xavier, o projeto surgiu em 2010 como atividade de extensão do curso de Ciências Agrárias do Campus IV e está em sua fase final. Os resultados parciais dos setores de caprinocultura e apicultura já foram apresentados à comunidade pelos alunos envolvidos na ação. Todos ficaram perplexos com os danos causados ao meio ambiente na cidade.

Luís Alberto Silva Albuquerque, Jair Clério Araújo, Luiz França de Farias, Mirtes Raísla Fernandes Dutra, José Sebastião de Melo Filho, Tarciano Santiago Silva, Geffson Figueredo Dantas, Anne Caroline Linhares, Diego Franklei Oliveira, Luciana Guimarães e Sonaria de Sousa Silva são os estudantes que integram o projeto, que tem previsão para ser concluído no próximo mês de abril, mas que desde o seu início vem revelando um lado triste do sertanejo.

Das mais de 20 mil árvores identificadas no entorno do Campus, muitas estão doentes. Desde julho de 2010, quando teve início a pesquisa, as espécies encontradas com mais frequência foram a Jurema Preta (Mimosa tenuiflora), Marmeleiro (Cydonia vulgaris), Mofumbo (Combretum leprosum), Nim (Azadirachta indica) e Algaroba (Prosopis juliflora).

Dados preocupantes
O resultado do estudo surpreende. Das 64 árvores de Angico pesquisadas, a maioria apresentava marcas de vandalismo com cortes agressivos, em boas condições fitossanitárias, mas com deficiência nutricional. A espécie Aroeira também tem sido maltratada. Todas as 15 árvores identificadas apresentaram poda inadequada e periderme desidratada. Os nove pés de Cajazeira também apresentaram cortes extravagantes e deficiência nutricional.

A Catingueira, árvore típica da região, também tem sido alvo de ataques. As 335 árvores pesquisadas estavam infestadas com ervas daninhas em fase de desenvolvimento e periderme desidratada. O estudo mostrou ainda outros problemas em duas árvores como Cumarú, que estavam em boas condições fitossanitárias, mas apresentam cupins, e em 23 árvores de Juazeiro com cortes extravagantes, poucas folhas, ataque de formigas e cupins, periderme desidratada, deficiência nutricional e presença de cochonilha.

Foram identificados problemas nas árvores de Jucá como cortes no caule, cupins e deficiência nutricional. Nas 103 árvores de Jurema foram vistos cortes agressivos. As 158 Juremas Brancas tinham cortes agressivos, apresentavam deficiência hídrica, deficiência nutricional e periderme desidratada. Já as 570 Juremas Pretas tinham vários cortes agressivos.

Os estudantes ainda identificaram problemas semelhantes em espécies como Maniçoba (29 árvores), Marmeleiro (2.153 árvores), Mororó (939 árvores), Mufumbo (534 árvores), Pau Branco (4 árvores), Pau Ferro (2 árvores), Pau Serrote (9 árvores), Pereiro (34 árvores), Pinhão Manso (20 árvores), Pinhão Branco (6 árvores), Pinhão Mato (8 árvores)  e Umburana (7 árvores). Elas apresentaram desidratação, cortes agressivos, formigueiros, entre outros danos.

Árvores como Abirotam, Algaroba, Algodão Bravo, Angico, Aroeira, Catingueira, Juazeiro, Jucá, Marmeleiro, Umburana, entre outras, também apresentam problemas como galhos secos e com formigas, cupins, cortes extravagantes, poucas folhas, caule ressecado e cortes profundos.

Última etapa
Inicialmente, a ação pretendia replantar algumas áreas em torno da Universidade. Conforme contou a professora Fabiana Xavier, o Campus de Catolé do Rocha é um dos maiores da Instituição e, todos os dias, professores, alunos e funcionários usufruem da paisagem.

A proposta era avaliar a saúde das plantas encontradas no Sítio Cajueiro, especialmente a qualidade e a quantidade das espécies arbóreas, numa investigação científica, voltada ao meio ambiente, tendo como objetivo melhorar a arborização do Campus e, consequentemente, de toda a região, dentro de uma proposta de reflorestamento do local. Mas a atividade foi além das expectativas.

O projeto, conforme revelou a professora Fabiana Xavier, se prepara para entrar na última etapa que será marcada pelo lançamento de um livro elaborado pelos alunos envolvidos no projeto, relatando a experiência feita em torno do Campus e na cidade.

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